
Por Ronaldo Souza
Já digo há muito tempo que Gilmar Mendes é um homem imoral.
Tão acintosamente imoral que seria dispensável mostrar isso. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência e sensibilidade percebe sem nenhuma dificuldade.
É um homem sem virtudes.
Você já sabe de quem se trata, portanto, jamais poderá dizer que “não sabia que era assim”.
Você não pode lidar com ele e alegar inocência.
Ninguém tem esse direito.
Entretanto, sob essa perspectiva perversa, não seria uma vantagem enfrenta-lo?
Não é melhor isso do que enfrentar o STF?
O que esperar daqueles “punhos de renda” e sua linguagem cheia de colesterol?
É simplesmente assustador quando se observa o comportamento daqueles senhores e senhoras auto endeusados nas suas togas.
Tendo como compromisso básico ser o guardião da Constituição Brasileira, é pouco provável que se encontre outro momento na história do Brasil em que o STF a tenha violentado tanto quanto nos tempos atuais.
Há quanto tempo vem rolando essa farsa das pedaladas fiscais!
Pegaram Miguel Reale Júnior, um jurista que há muito tempo perdeu qualquer vínculo com o pudor e o amor próprio, e juntaram com um senhor de 93 anos transbordando de ódio, ressentimento e sentimento de vingança, e uma advogada desequilibrada que desonra a classe e forjaram um impeachment.
Um impeachment baseado nas pedaladas fiscais de Dilma Rousseff.
Pedaladas fiscais que, nos mesmos moldes em que a acusam, foram praticadas por FHC, Lula… e a maioria dos atuais governadores.
A começar pelo relator do impeachment, Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais e homem de confiança de Aécio Neves.
Enquanto isso o STF respaldava o processo todo o tempo, com absurdas e ridículas tentativas dos senhores e senhoras ministros em manipular a sociedade com o objetivo de dar conotações de impeachment ao mais cínico, deslavado e canalha dos golpes.
Observe, porém, que já usaram de todas as artimanhas possíveis para incrimina-la, com apoio, entre outros, do Tribunal de Contas da União, mas nunca mais falaram das pedaladas.
Ah, o saber popular, como é didático.
“É mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo”.
Uma das grandes desvantagens para quem lida com pessoas sem caráter é que mais cedo ou mais tarde elas se entregam.
E entregam os outros.
Deem corda que elas acabarão por tropeçar nas próprias pernas.
E eis que o Sr. Gilmar Mendes, “digno” ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (pobre país o nosso), vem e num momento em que não estava sob o guarda-chuva protetor da imprensa brasileira se deixa trair pelo inconsciente e declara que Dilma não cometeu nenhum crime.
“Se ela também tivesse cometido crime… e ela tivesse obtido 172 votos, ela também não seria processada…”.
Veja.
Ministro, se o processo de impeachment foi aberto por crime de responsabilidade e não há crime, quem está cometendo crime de (ir)responsabilidade contra o país e seu povo?
A resposta correta não seria STF?
“Ao reconhecer que não há crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição Brasileira, comete crime de responsabilidade ao endossar o processo de impeachment contra a presidenta do Brasil”.
Não seria esse o veredito final de uma Corte Suprema Internacional ao analisar o processo de impeachment em discussão?
E o que diz Gilmar Mendes sobre a liminar que ele produziu impedindo Lula de ser nomeado por Dilma e ao mesmo tempo permitiu que oito ministros sob investigação da Polícia Federal fossem nomeados por Temer (três dos quais já caíram e o quarto deve cair essa semana)?
“Eles foram designados pelo presidente em caráter interino, provisório…”.
Pelos próximos três anos???
Não é o mesmo tempo que teria Lula, só que nomeado pelo presidente oficial, eleito pelo povo, e não por um presidente interino?
Alguém pode explicar por que um ministro com a experiência de Gilmar Mendes gagueja tanto diante de perguntas tão simples?
E não é interessante notar que são perguntas que nunca são feitas a ele aqui no Brasil?
De Gilmar Mendes não se pode esperar nada melhor do que isso.
Imaginávamos, entretanto, que do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do país, poderíamos esperar uma postura mais decente.
Tola a nossa esperança de que aqueles homens e mulheres ainda tinham alguma dignidade.
As suas togas escuras refletem o sombrio universo do poder que paira sobre o país.
Mas, parafraseando outro membro que envergonha o judiciário brasileiro, não vem ao caso.