
Por Ronaldo Souza
Como explicar entre tantos esportes a imensa paixão pelo futebol?
Como explicar a paixão de uma torcida pelo seu time?
Por que algumas torcidas são tidas como fanáticas?
Não seriam todas?
Não, não são.
Há, de fato, entre os nossos times aqueles cujas torcidas são reconhecidas como diferentes das outras.
São mais apaixonadas.
Não entendem os que imaginam que esses times se comportam como os outros.
Não entendem porque são mais fortes.
Não entendem porque as suas conquistas são cantadas em prosa e verso.
Não entendem que a história deles está mais carregada de glórias.
E tradição.
Já postei textos que falam da força do Bahia e de um episódio em particular que, estando no Rio no período de Natal e Réveillon, ocorreu comigo.
Na antevéspera da noite de Natal meu cunhado me pegou para irmos ao shopping, coisa rápida.
Quando entrei no carro ele estava ouvindo um programa esportivo em que Papai Noel era “entrevistado” sobre o que deixaria de presente para os times de futebol.
Para o Fluminense isso, Corinthians aquilo, Flamengo aquilo outro, Santos…
E assim foi com os chamados grandes times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, até chegar no Nordeste.
Acho que fiquei meio que num misto de alegria e apreensão.
O que diria Papai Noel?
– Ho, ho, ho, ho…
Esse é Papai Noel.
– Que bom seria, meu filho, que o Bahia voltasse aos bons tempos.
Esperei pelos outros.
Não teve outros.
Papai Noel parecia ignorar a existência de outros times no Nordeste.
Lamentei (um pouco só) pelos outros, mas não vou negar que vibrei muito quando percebi que Papai Noel sabia da existência do Bahia.
Talvez seja interessante lembrar que estávamos em 2009.
Sport, Vitória e Náutico eram os times do Nordeste que estavam na série A.
O Bahia estava na série B.
Quantos times de futebol têm um filme longa-metragem sobre ele, um documentário premiado, com duração de 1 hora e 40 minutos?
O Bahia tem.
Veja o que disse um jornal em janeiro de 2013:
Lançado em 2011, o filme ‘Bahêa Minha Vida’ entrou para história. Sucesso de bilheteria, a película é a segunda mais vista entre os documentários que falam sobre clubes de futebol, perdendo apenas para Pelé Eterno, que conta a história do Rei do Futebol. De acordo com dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), 74.857 pessoas viram o filme tricolor nas telonas. A arrecadação foi de R$ 597.579,00.
‘Bahêa Minha Vida’ deixou para trás produções de clubes como Corinthians, São Paulo, Internacional e Santos. O filme fala sobre a paixão da torcida tricolor pelo clube. Dirigido por Márcio Cavalcante, tem 100 minutos de duração. Foram 120 entrevistados, entre jornalistas, jogadores, comentaristas, árbitros, artistas e torcedores. Tudo isso em sete cidades percorridas. Não há narração. Tudo é contado por quem viveu e vive o Bahia.
E o seu hino?
Sensacional!
Incorporado ao dia-a-dia da Bahia, é tocado em festas de aniversário, casamento e batizado.
Qual o carnaval da Bahia em que não se toca o hino do Bahia incontáveis vezes?
Quantos cantores já o gravaram?
A força do seu hino é reconhecida e a sua tradição o faz ganhar cada vez mais força, traduzida na capacidade de fazer a torcida jogar com o time como outras não conseguem.
Força que só cresce e faz aumentar a paixão.
Mas é quando à tradição, força e paixão incorporam-se a sensibilidade, a beleza e a leveza que a alma do torcedor é tocada.
Se a força do hino faz explodir o coração tricolor e agigantar-se a torcida, é a sua beleza que nos aquece a alma.
Fogo, paixão, beleza e leveza fazem com que o hino do Bahia seja único.
E finalmente, a torcida do Bahia é um capítulo à parte.
A Torcida de Ouro, assim eleita em 2010 pela CBF, é respeitada em todo o país.
Eterno líder de público ao longo dos anos, o Bahia conseguiu a façanha de ter 25.121 torcedores como média de público na série C que disputou em 2006, a maior em todas as séries.
Até hoje inigualável.
A torcida do Bahia dispensa comentários.
Como disse uma vez o jornalista Juca Kfouri, no programa Linha de Passe da ESPN:
“Se há algo que deve ser levado a sério nesse país é a torcida do Bahia”
O Bahia é um time único.