Por Ronaldo Souza
“O primeiro sutiã a gente nunca esquece”.
Dizia o belíssimo comercial da Valisère, criado por Washington Olivetto em 1987.
Ganhou prêmios internacionais e é considerado um dos 5 melhores comerciais brasileiros.
Trago-o como homenagem à mulher.
À sua beleza e sensibilidade.
https://www.youtube.com/watch?v=hrVXOPva7WY
O primeiro amor a gente nunca esquece
Eu tinha 16 anos.
A dona do meu assobio e do meu canto, que só cantavam músicas que tinham sido “feitas para mim e para ela”, morava numa casa em frente ao meu prédio.
Uma vez foi ao apartamento onde eu morava.
Tocou a campainha.
Quando abri a porta entrou uma brisa leve, fresca como a das primeiras horas da manhã de uma primavera de cinema.
Meu corpo tremeu e paralisou.
Não namoramos.
Ela não me quis como namorado.
Mas foi a minha primeira paixão.
Como tantos outros homens, tive namoradas.
De algumas gostei mais, de outras menos.
Com elas as minhas certezas de macho latino americano foram se transformando em dúvidas e incertezas de homem.
E o homem conheceu a insegurança.
O homem conheceu o gosto doce-amargo do amor.
Devo às mulheres o homem que sou.
Assistindo ao filme “A Casa da Rússia”, com Sean Connery, Michelle Pfeiffer e outros bons atores, fiquei encantado com a cena em que, quase que literalmente, ele diz a ela:
“Meus erros e acertos me prepararam para você”.
Engana-se quem imagina que o namoro não pode ser algo duradouro.
Sentimentos não desaparecem, ganham outras formas.
A paixão que põe fogo no coração se modifica.
Alguém chega, entra e lhe mostra as diversas formas de amar.
É o amor que vê chegar o tempo da delicadeza.
É essa delicadeza que dedico a ela e às nossas filhas.
Minhas namoradas.