
… sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
Por Ronaldo Souza
Este foi um dos primeiros textos que escrevi para o site endodontiaclinica.odo.br.
O desejo é “conversar” sobre as coisas da Odontologia, particularmente da Endodontia. Obrigado pela sua presença na nossa página. Seja muito bem-vindo ao Endodontia Clínica.
Criado em 2007, o site nasceu para falar das coisas da Endodontia, como está escrito aí em cima e no site desde o seu primeiro dia.
Entretanto, entre as suas várias seções estava uma que aparentemente nada tinha a ver com Endodontia; “Falando da Vida”.
E era justamente ela que vinha ocupando um lugar todo especial.
Às outras seções, todas falando de Endodontia, era dedicado o maior espaço do site.
Ali estavam o dentista, o endodontista e o professor.
Em “Falando da Vida” estava o homem.
Destinada a falar, como diz o nome, da vida, pretendia que os temas fossem os mais diversos; música, cinema, futebol, política, enfim, o dia-a-dia…
E assim vinha sendo.
Com o tempo, porém, as “nuvens lá no mata-borrão do céu”, como cantam João Bosco e Aldir Blanc, foram ficando cada vez mais escuras.
Ainda que nuvens escuras nos céus de um país tropical possam ser abençoadas por trazerem as chuvas para enriquecer o solo, não é incomum que signifiquem tempestades violentas na vida do seu povo.
O dia se fez noite.
E aquele “escritor” que pretendia festejar a alegria da vida foi perdendo um pouco a alegria da sua.
O “Falando da Vida” foi atingido no peito.
Os textos ficaram tensos, pesados.
Como festejar a alegria da vida onde não há vida?
Como sorrir quando não há alegria?
Por que e como conseguiram implantar tanto preconceito e ódio na alma e no coração do “último povo feliz na face da Terra”?
A vida se embruteceu.
Irreversível.
Domingo, lavando os pratos e talheres do café da manhã, “alguém” me fez pegar um CD de João Bosco e Aldir Blanc para ouvir, coisa que há um bom tempo não fazia.
Há um velho ditado espanhol que diz; “não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”.
Permitam-me; não acredito em seres divinos, mas que eles existem, existem.
Não vejo como explicar algumas coisas na minha vida se não for através de “alguém” que parece ter me conduzido em alguns momentos.
Acho que foi ele quem me fez pegar o CD de João Bosco e Aldir Blanc.
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram marias e clarisses no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
(João Bosco e Aldir Blanc)
Passo a manhã do domingo, mais escrevendo do que lendo, em boa companhia.
Ao som de João Bosco e Aldir Blanc, Elis Regina, Chico Buarque, Belchior, Edu Lobo, Capinam, Milton Nascimento…
Poesia, música, talento, arte, compromisso… esperança.
Ainda que as nuvens estejam carregadas, os ventos, que sempre sopram, terminam por leva-las para longe.
A vida sempre volta a sorrir.
O que ela quer é coragem.
Vamos trazer de volta as manhãs.
É com elas que chegam os novos ventos.
Começar tudo outra vez.