
Por Ronaldo Souza
Em um dos meus recentes textos, Moro de tolo, eu disse que pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.
A Globo já deu demonstrações claras desde o início de que vai protege-lo a qualquer preço, inclusive o de morrerem afogados abraçados, que é o que já está acontecendo.
Mas, independentemente de tudo e apesar do poder que a Globo ainda tem, isso pouco importa.
Também pouco importa se o Conje vai ser mantido no governo.
Da mesma forma que disse acima, apesar da destruição do país pelo governo que tem à sua frente uma anomalia (não governa, não comanda, “twitta” o tempo todo e sofre de distúrbios psicológicos graves, como consta no relatório de sua expulsão do exército), isso pouco importa.
O que importa, isso sim, é que diante de tanta mentira, desfaçatez, hipocrisia, cinismo e canalhice, ele está acuado e desesperado.
Está nas cordas.
Sei que “eles”, os miquinhos amestrados, jamais conseguirão ver isso, mas quer saber? Isso pouco importa, até pela insignificância deles.
Mas, vejamos.
O Conje pediu apoio popular para se manter no cargo.
Você não acha que quando o ministro da justiça implora apoio para se manter no cargo é sinal de que percebeu que sua carreira no Governo está chegando ao fim?
Por que você acha que o Conje, um popstar exclusivo da Globo, foi ao programa de Ratinho?
Em condições normais, ele se submeteria ir ao programa de Ratinho?
Foi porque está necessitado de toda e qualquer vitrine para tentar mostrar aquele Moro que os tolos imaginaram que ele fosse.
A Globo já não é suficiente para isso.
Há um detalhe; provocou a pior audiência de Ratinho no ano.

Realmente, não vive seus melhores dias.
A estupidificação que tomou conta do país me faz imaginar que é bem possível que um desses “analistas políticos” que vomitam conhecimento nas redes sociais já tenha dito que ele deu um show e deixou os senadores sem saber o que dizer.
Procuremos entender.
Moro ficou se fazendo de vítima em boa parte do tempo e não respondeu a várias perguntas porque não tinha como fazê-lo.
É compreensível.
Como responder se ele não sabe o que o The Intercept tem nas mãos? Fica pipocando, saltitando nas respostas, medindo as palavras.
Ele está morrendo de medo de dar uma resposta negando qualquer coisa e no dia seguinte ser desmentido e ser chamado de mentiroso.
É o que está acontecendo agora com o episódio da procuradora Laura Tessler.
Nos diálogos divulgados ele se queixa a Dallagnol do desempenho dela e acertam a sua substituição.
No seu depoimento no Congresso, ele ousou dizer que a sua conversa foi normal, como acontece sempre entre juízes e procuradores bla, bla, bla, bla, que não sugeriu substituí-la e que a prova era que ela continuou no inquérito.
Como costuma fazer, Moro mentiu.
A procuradora Laura Tessler não continuou.
No dia seguinte, através do jornalista Reinaldo Azevedo, no seu programa “O É da Coisa” (BandNews), o The Intercept mostrou que ela foi removida sim e os dois procuradores sugeridos na conversa entre Dallagnol e Carlos Fernando Lima (Júlio e Robinho – respectivamente, Júlio Noronha e Roberson Pozzobon) é que foram.
“Júlio e Robinho” foram para o interrogatório de Lula; ela não foi.
Ficou feio.
Desesperados, Moro e Dallagnol correram para soltar notas explicativas.
Negaram tudo e, pra variar, aproveitaram para atacar Glenn Greenwald.
Não adiantou.
Estavam mentindo mais uma vez.
Veja o que disse o jornalista Reinaldo Azevedo no seu blog (sábado, 22/06):
“Resolvi seguir uma sugestão de Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, e, ora vejam, cheguei a novas evidências do teor mentiroso de sua nota malcriada, divulgada nesta sexta. Seja paciente, leitor. Leia a coisa até o fim. Você pode não descobrir exatamente como se fazem as salsichas. Mas vai saber como se fabricam certas notícias. Ou ‘notícias’, com aspas, como poderia escrever o buliçoso rapaz. Você vai constatar que a procuradora Laura Tessler foi afastada do caso que dizia respeito ao ex-presidente Lula DOIS DIAS DEPOIS DE SERGIO MORO RECLAMAR DE SEU DESEMPENHO”.
Moro tinha sido flagrado em mais uma mentira.
Vou um pouco além e ponho aqui o que mais disse Reinaldo Azevedo:
“Influente que é em certos meios, Dallagnol conseguiu emplacar a sua nota mistificadora no ‘Jornal Nacional’ e no ‘Jornal da Globo’.
Sempre ela, a vênus platinada.
São essas notícias, que só a Globo dá, que chegam aos ouvidos dos miquinhos amestrados e por isso cada vez mais tento compreende-los.
Dia do lobotomizado
Como eles não leem, são emprenhados pelo ouvido, ouvindo o que a Globo quer que eles ouçam (a redundância é intencional).
Depois saem por aí compartilhando a única verdade que existe; a que a Globo diz a eles.
Um parêntese para um breve comentário.
Os miquinhos amestrados sempre fizeram tudo pela bíblia da Globo. Até luto vestiram por determinação dela, naquele dia vergonhoso, patético, o dia do lobotomizado, dedicado a alguns professores.
Quando a Globo se posicionou contra o mico, com arminhas de mão e toda sua conhecida incapacidade, xingaram a vênus platinada de tudo quanto é jeito (disseram até que a Globo era comunista; são ou não são “jênios”?).
Agora que a Globo protege o Conje a qualquer preço, estão de novo com a Globo.
Como sempre, chama a atenção a eterna característica “deles”; a preocupação com princípios e ideais.
Nenhuma.
Isso explica porque um dia estão com a Globo, no outro com a Record, com Edir Macedo e seus blue caps, ou Edir Macedo e seus pastores, como queiram.
Como fazem zagueiros de futebol sem talento, eles chutam para onde o nariz aponta.
Parece que Moro ainda não percebeu com quem está lidando e não estranhe se quiser usar a polícia federal para interceptar o The Intercept.
E se há um terreno que ele domina é esse, o de usar a força para alcançar seus objetivos. Todos já aprendemos sobre o que ele é capaz com conduções coercitivas totalmente descabidas, coação, pressão psicológica, prisões preventivas que duram anos…
Prender Glenn Greenwald é uma possibilidade concreta e Moro já estudou todas as maneiras de como isso poderia ser feito.
Mas ele sabe que não é tão simples.
Todos sabem que o Congresso e o povo americano não vão aceitar em nenhuma hipótese que um juiz de primeira instância do Brazil, ainda que fosse um grande juiz, prenda um jornalista americano.
Ah, não vão mesmo.
Moro é um homem limitado, todos sabemos, mas sobre essa limitação, pode ter certeza, ele será “avisado” previamente.
Portanto, não espere por respostas concretas de Moro.
Sem chance.
Aflito, ele continuará saltitando que nem alguém que está pisando em brasas.
Até porque ele está.
Se Greenwald soltasse todo o material que tem de uma vez só causaria o maior impacto, no entanto, de tão volumoso, quantos o leriam?
Logo, logo, o impacto diminuiria e tudo se perderia na poeira do tempo.
A liberação gradativa dos diálogos, estrategicamente montada, foi elaborada por um jornalista de grande competência.

Greenwald terá Moro, Dallagnol e a república de Curitiba na mão, reféns dele, por todo o tempo que durar esse inferno astral no qual entrou toda a república de Curitiba.
O conta gotas de Glenn Greenwald vai terminar matando o Conje de aflição.
E Moro dá sinais de que já não está suportando.
Como eu disse, o Conje parece não ter ideia da qualidade do jornalista com o qual está lidando.
Greenwald é simplesmente ganhador de um “Pulitzer”, o Oscar do jornalismo investigativo dos Estados Unidos.
Prêmio que lhe foi conferido pela investigação do famoso caso (Edward) Snowden, que expôs documentos do governo americano, ou seja, “brigando” com o próprio governo dos Estados Unidos.
Ele sabe o que está fazendo e não será facilmente intimidado.
Por sua vez, cada vez mais Moro vê abrir-se um buraco na sua frente.
A Associação de Juízes para a Democracia (AJD) divulgou nota na quarta-feira, (19/06), em que repudia com veemência suas declarações, que têm classificado como “absolutamente normal” e “muito comum” o contato privado de juízes com procuradores.
“Tais práticas não refletem, em absoluto, a conduta das magistradas e dos magistrados brasileiros que cumprem o seu dever funcional. Ao defendê-las, o Ministro promove uma inaceitável banalização do exercício distorcido da atividade judicante, ofensiva à sua dignidade, seriedade e respeitabilidade, que é também incompatível com a dignidade, a honra, o decoro e a transparência exigidos pelo Código de Ética da Magistratura”, diz a entidade.
Veja o que diz o professor de Direito Processual Penal da USP, Gustavo Badaró.
Por que Moro cancelou a participação no 14º Congresso da ABRAJI (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) a ser realizado nesta semana, de 27 a 29 de junho, em São Paulo?
Por que Moro fugiu da audiência na Câmara marcada para amanhã (26/06) para falar sobre as mensagens publicadas pelo The Intercept?

Ele já percebeu que está sem saída e não tem o que dizer.
Essas e muitas outras coisas estão fazendo a aprovação de Moro despencar de 81% de aprovação nas pesquisas em janeiro para 40% na semana passada.
O que acontecerá com ele diante das publicações que ainda virão, inclusive com áudios e vídeos?
Dallagnol, o pastor evangélico que tem ligação direta com Deus e Dele recebeu a missão de acabar com a corrupção no Brasil, também não está conseguindo ver onde termina o precipício. Nesse momento, Mr. Power Point apresenta somente 5% de aprovação.
E isso porque estamos diante somente das primeiras denúncias.

A matéria acima do jornalista Rubens Valente na Folha informa que “um grupo de 30 juízes federais de várias partes do país pediu nesta segunda-feira (24) à Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) a suspensão cautelar do ministro Sérgio Moro das atividades associativas, inclusive da participação na Lista Ajufe, um grupo de discussão dos magistrados por e-mail”.
A representação encaminhada pelos juízes federais diz o seguinte:
“Entendemos que as condutas expostas na publicação jornalística, caso confirmadas, são totalmente contrárias aos princípios éticos e às regras jurídicas que devem reger a atuação de um magistrado, pois quando um juiz atua de forma parcial, chegando ao ponto de confundir sua atuação com a do órgão acusador, a credibilidade do Poder Judiciário é posta em xeque”.
Apesar do esforço que faz para manter a aparência de tranquilidade, Moro sabe que está acuado, nas cordas, pronto para ser abatido e mal disfarça o nervosismo.
Abatido não por arminha de mão, mas pelo que pode haver de pior para qualquer homem que se respeite.
A desmoralização, a desonra.
Moro se tornou uma figura patética.
Ontem, juiz desmoralizado, hoje um homem desmoralizado.
Dallagnol será o tolo de sempre e agora se sabe que um boneco nas mãos do ex-juiz.
A república de Curitiba desaparecerá desmoralizada com todo esse imbróglio.
Entretanto, Moro e Dallagnol serão ainda mais desmoralizados e é impossível prever o que acontecerá com ele nesse governo por si só já falido, com um presidente que a tudo ignora e por isso nada compreende.
Um presidente que, na sua estupidez, teria se auto definido ao dizer que o Congresso quer fazer dele uma rainha da Inglaterra.
Realmente, ele nada representa, mas não quer dizer com isso que se pode compara-lo à rainha.
Concordando-se ou não, há uma tradição cultural e simbolismo na figura da rainha e da Família Real Britânica e, mesmo que o mico não entenda o que isso significa, nenhum simbolismo pode existir na sua presença anômala na presidência.
Pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.
Pouco importa que Moro continue sendo protegido pelo judiciário brasileiro e parte do ministério público federal (letras minúsculas mesmo).
Pouco importa que Moro continue…
Ele acabou.