
Por Ronaldo Souza
Não são de agora e muito menos desconhecidas as ideias separatistas.
Pessoas, grupos, estados, regiões, que carregam consigo uma postura que denota superioridade, seja ela assumida ou não.
Estados e/ou regiões do Brasil trazem na sua história a ideia da separação do resto do Brasil.
A tentativa de formação de raças “superiores” não deixa dúvidas quanto aos limites do ser humano e a história da humanidade registra isso com clareza assustadora e consequências já bastante conhecidas.
Aquilo que se conhece como higienização social é algo de tão grande pobreza intelectual, moral e humana quanto deplorável e expositora da fragilidade de alguns, que infelizmente são muitos.
Assim, alguns comportamentos nem sempre têm a sua origem nos bons propósitos, no melhor dos sentimentos.
Sentimentos que se espalham dissimuladamente sob as formas mais sutis.
Há muito pouco tempo, cerca de três meses, o promotor Deltan Dallagnol explicou a corrupção no Brasil como fruto da colonização portuguesa.
Disse ele que a diferença entre o Brasil e os Estados Unidos e o que fazia o primeiro ser um país corrupto era o fato de que ele tinha sido colonizado pela escória da raça humana, os portugueses.
Ao contrário, ainda segundo ele, os Estados Unidos constituem aquele exemplo de integridade e bons costumes porque foi colonizado pelos homens bons e puros da Inglaterra.
Só mesmo a ignorância e desconhecimento da História podem levar a tamanha insanidade.
Nenhum outro país tem a sua história tão manchada de sangue por invadir, dominar e subjugar povos de outros países para levar adiante o seu imperialismo como os Estados Unidos, tendo como aliado de primeira linha os seus outrora colonizadores, a Inglaterra.
Quantos homens, mulheres e crianças foram assassinados por aqueles homens bons e puros de origem nobre?
Quantos países carregam consigo a mácula do racismo nos níveis a que foi levado pelos homens de espírito elevado dos Estados Unidos?
O promotor não faz ideia de quanta asneira conseguiu dizer e fazer nessa comparação.
O absurdo desrespeito e agressão a uma não nação amiga, Portugal, e a um povo irmão, os portugueses, afinal nossos descobridores.
Entretanto, se Dallagnol, do alto da sua estupidez, conseguiu fazer isso com aquele país e povo amigos, não deveria causar surpresa por demonstrar estar alinhado à sua formação de colonizado, não no passado que remonta ao ano de 1.500, quando os portugueses descobriram o Brasil, mas no presente.
Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao se dizer, como brasileiro, inferior ao americano, pela sua descendência portuguesa.
Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao bajular os Estados Unidos, país em que a república de Curitiba se espelha e para onde tem viajado muito.
Ao deixar patente a sua americanofilia, demonstrou ocupar cargo de relevância no CCVL, Clube do Complexo de Vira-Lata, em que muitos, como ele, não conseguem negar Juraci Magalhães, cearense que fez carreira política na Bahia:
“Tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.
Esta frase de Juraci Magalhães bem que poderia ser o lema desse clube.
Entretanto, apesar da ignorância reiteradas vezes exposta de forma tão despudorada, Deltan Dallagnol tem encantado boa parte de determinados segmentos sociais.
Compreensível.
Dallagnol sabe para quem fala.
O promotor Dallagnol, ainda que às avessas, resolveu trilhar o caminho do direito, certamente não o do Direito.
E este parece ser um problema atual.
Homens que escolheram a profissão e que ficaram presos às normas e leis como talvez tenham sido vistas nos livros ainda nos tempos de estudantes de Direito.
Esqueceram-se do mundo.
Esqueceram-se da vida.
Mesmo como profissional da área de saúde, portanto, aparentemente nada a ver com a minha formação profissional, assisti a uma aula magna do Professor Dalmo Dallari de mais de uma hora de duração em que ele desfilou pela História da Humanidade, falou sobre Direitos Humanos, para mostrar a aqueles jovens pretendentes ao Direito, que o conhecimento das leis é nada ou muito pouco se não existir o conhecimento sobre o Universo, sobre a vida.
Como disse uma vez Oscar Niemeyer:
“O sujeito às vezes até cresce na profissão, mas não toma conhecimento da vida”.
Certamente, o promotor Deltan Dallagnol nunca assistiu a uma aula do Professor Dalmo Dallari.
Para ele tem sido bem mais lucrativo se esmerar em aprender a usar o PowerPoint.
Com convicção.