Porque Aécio não conta a verdade sobre as tarifas de ônibus?

Por Laercio Reis Sousa
 
Senador critica mas não informa que comanda o lobby nacional das tarifas das empresas de ônibus municipal, intermunicipal e interestadual
 
O Senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, utilizou uma rede social para afirmar: “São brasileiros de diversas partes do país se mobilizando, entre outras questões, contra o aumento de passagens, contra a baixa qualidade dos serviços públicos, de transporte”.
 
Evidente que é precisa e louvável a análise de Aécio esquecendo-se apenas de informar que sua carreira política sempre foi financiada pelos concessionários de ônibus, patrimônio herdado de seu pai que igualmente foi desde a década de 60, defensor dos interesses dos concessionários de ônibus.
 
No congresso nacional Aécio sempre defendeu os interesses das empresas de ônibus mantendo paralisado quando presidente da Câmara dos Deputados todos os projetos que visavam modernizar e moralizar o setor. Sendo inclusive sua a iniciativa para prorrogação sem licitação das concessões de linhas interestaduais e internacionais.
 
Foram durante os oito anos que Aécio governou Minas e os três de seu sucessor Anastasia que os concessionários de transporte de passageiros metropolitanos e interestadual conseguiram as maiores tarifas de sua história sem que fosse feito qualquer investimento que a justifica-se. A frota da região metropolitana de BH está ai para atestar tal descaso.
 
O senador também não informou que por sua orientação as linhas metropolitanas e intermunicipais permanecem entregues a seis famílias através de uma simulada e fraudada licitação que já poderia ter sido anulada pelo MP se o processo não estivesse dormindo no TJMG, assim como o sindicato dos concessionários ganhou o direito de explorar e operar a bilhetagem eletrônica da RMBH sem que igualmente qualquer certame licitatório ocorresse.
 
Com certeza apostando no esquecimento da população esconde que seu financiador e vice-governador em 2002 foi Clesio Andrade, concessionário de ônibus, hoje senador e presidente da CNT Confederação Nacional do Transporte, envolvido nos maiores escândalos de corrupção do País.
 
A participação do senador Aécio Neves na defesa dos concessionários de ônibus é tão grande que na aliança celebrada entre o PSDB e PSB para eleger Marcio Lacerda ficou reservado para seu grupo a gestão da BHtrans, empresa municipal que sabidamente defende e representa os interesses dos concessionários de ônibus da capital mineira.
 
Quem fixa a tarifa, regulamenta e fiscaliza a qualidade do transporte de passageiros em Minas Gerais e o DER-MG autarquia do governo de Minas e na capital mineira o BHtrans, ambos administrados por integrantes do PSDB, escolhidos a dedo por Aécio Neves.
 
Se o senador quer contribuir para melhoria da qualidade assim como uma menor tarifa porque seu prefeito Marcio Lacerda e seu governador Antonio Anastasia não fazem o que o prefeito de São Paulo Fernando Haddad fez;
 
"Abrir a caixa preta da planilha que calcula a tarifa do transporte de passageiros. Haddad lembrou que, no custo da tarifa paulistana, o empresário entra com 10%, o poder público com 20% e o passageiro com 70%".
 
E agora Senador? 

Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés

O que queremos?

Por Paulo Motoryncolaborador da Revista Vaidapé, estudante de Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).

Desde o ato da última quinta-feira contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo, em que a violência e a repressão policial viraram notícia em todo o planeta, mais uma ameaça ronda o sucesso das manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre: a instrumentalização do povo.

A evidente mudança de postura da imprensa em relação aos protestos deve ser motivo de desconfiança, não de festa. Isso porque nos últimos dias imperou o comentário: “Agora até a grande mídia defende as manifestações”. Como se isso fosse algo positivo.

Por um lado, a máxima “não é só pelos 20 centavos” conseguiu convencer diversos setores da população a ir às ruas. Por outro, abriu uma questão polêmica: se o aumento da passagem foi só o estopim, o que mais nos incomoda? Quais são os reais motivos do fim da letargia política em São Paulo?

É fato, o reajuste do preço transporte só provocou a revolta necessária para que o paulistano percebesse o óbvio: política se faz nas ruas. No entanto, a recusa ao modelo de sociedade atual tem de ser deixada clara. Isso porque os perigos da apropriação do movimento são reais.

Na sua última edição, Veja contrariou sua linha editorial e se posicionou a favor das manifestações. Quando um veículo que representa o que há de mais reacionário na sociedade apoia movimentos sociais, há no mínimo um ponto de extrema relevância para refletir.

Mas as páginas de Veja só revelam a nova postura dos veículos da imprensa dominante: já que não podem mais controlar ou evitar a multidão, manipulam seus objetivos. De acordo com a revista, o descontentamento dos manifestantes se deve também à corrupção, à criminalidade…Falácia.

É evidente que essas questões também são importantes, mas os jovens que estão nas ruas estão preocupados com questões muito mais profundas. A juventude está mostrando que não quer compartilhar dos valores individualistas, consumistas e utilitaristas da geração de seus pais.

O grito dos jovens está longe de bradar contra os “mensaleiros”, contra a inflação, contra as políticas sociais de transferência de renda. O movimento é progressista por natureza e agora tem de saber lidar com uma ameaça feroz: a direitização.

O aparelho midiático que serve a esses interesses já foi acionado. A grande imprensa já está mobilizada para maquiar o movimento de acordo com um ideário conservador, por isso o povo precisa fazer seu recado ser entendido.

Sob hipótese nenhuma podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés.

O que queremos é derrubar as barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas. Nada mais. E nada menos.

Vamos à luta!

A imprensa jogou lenha na fogueira, recuou e agora quer tirar proveito

Não há outra expressão, a imprensa jogou lenha na fogueira. O grupo de sempre. Editoriais da Folha e Estadão incitaram a violência.

Na revista Veja, os manifestantes foram chamados de ‘terroristas’, ‘baderneiros’, ‘vândalos’, ‘vagabundos’ e ‘remelentos’ —  e um artigo no site da revista sugere passar ‘fogo neles’. Segundo o jornalista Paulo Nogueira, se a percepção de “terrorismo” se consagra estará justificado o assassinato dos manifestantes.

A Globo, como sempre, criando e repercutindo as notícias destacando a necessidade da ação policial para reprimir as manifestações. Agora, porém, recuou e está, também como sempre, tentando reverter o significado das manifestações e direciona-los contra o PT. Na segunda matéria abaixo (do iG), o comandante da PM de São Paulo, Benedito Meira, pediu “que incluíssem na pauta de protestos pedido de prisão dos condenados do processo de Mensalão”. O comandante da Polícia Militar de um estado recebe ordens de quem? Do governador. Quem é o governador de São Paulo? Geraldo Alckmin (PSDB).

É natural que ela não divulgue, mas todas as equipes da Globo estão sendo expulsas das manifestações. Até Caco Barcelos, por sinal um bom e digno jornalista, foi expulso hoje em São Paulo. A repórter da Globo que está na Avenida Rio Branco cobrindo a manifestação no Rio de Janeiro está usando um microfone sem a logo da emissora. Estão se escondendo. Veja abaixo (no final dos dois textos) o vídeo da expulsão de uma das equipes da Globo.

É possível encontrar maior incitação à violência do que nesse editorial da Folha de 13/06/2013?

Retomar a Paulista

Editorial da Folha Folha Editorial – Retomar a paulista

Oito policiais militares e um número desconhecido de manifestantes feridos, 87 ônibus danificados, R$ 100 mil de prejuízos em estações de metrô e milhões de paulistanos reféns do trânsito. Eis o saldo do terceiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que se vangloria de parar São Paulo –e chega perto demais de consegui-lo.

Sua reivindicação de reverter o aumento da tarifa de ônibus e metrô de R$ 3 para R$ 3,20 –abaixo da inflação, é útil assinalar– não passa de pretexto, e dos mais vis. São jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária, que buscam tirar proveito da compreensível irritação geral com o preço pago para viajar em ônibus e trens superlotados.

Pior que isso, só o declarado objetivo central do grupelho: transporte público de graça. O irrealismo da bandeira já trai a intenção oculta de vandalizar equipamentos públicos e o que se toma por símbolos do poder capitalista. O que vidraças de agências bancárias têm a ver com ônibus?

Os poucos manifestantes que parecem ter algo na cabeça além de capuzes justificam a violência como reação à suposta brutalidade da polícia, que acusam de reprimir o direito constitucional de manifestação. Demonstram, com isso, a ignorância de um preceito básico do convívio democrático: cabe ao poder público impor regras e limites ao exercício de direitos por grupos e pessoas quando há conflito entre prerrogativas.

O direito de manifestação é sagrado, mas não está acima da liberdade de ir e vir –menos ainda quando o primeiro é reclamado por poucos milhares de manifestantes e a segunda é negada a milhões.

Cientes de sua condição marginal e sectária, os militantes lançam mão de expediente consagrado pelo oportunismo corporativista: marcar protestos em horário de pico de trânsito na avenida Paulista, artéria vital da cidade. Sua estratégia para atrair a atenção pública é prejudic

ar o número máximo de pessoas.

É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista, em cujas imediações estão sete grandes hospitais.

Não basta, porém, exigir que organizadores informem à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 30 dias antes, o local da manifestação. A depender de horário e número previsto de participantes, o poder público deveria vetar as potencialmente mais perturbadoras e indicar locais alternativos.

No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei. Cumpre investigar, identificar e processar os responsáveis. Como em toda forma de criminalidade, aqui também a impunidade é o maior incentivo à reincidência.

Do iG

Comandante-geral da PM pede protesto contra mensalão

Ao iG, dois participantes da reunião da SSP com o MPL relatam que Benedito Meira sugeriu incluir na manifestação de hoje pedido de prisão dos condenados no processo do Mensalão

Por Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 17/06/2013 13:47:58 – Atualizada às 17/06/2013 15:55:25

O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Benedito Roberto Meira, sugeriu aos representantes do Movimento Passe Livre (MPL) que incluíssem na pauta de protestos pedido de prisão dos condenados do processo de Mensalão, segundo relato ao iG de dois participantes da reunião.

Segundo participantes da reunião, Meira teria dito que foi um erro da polícia (ação da Tropa de Choque), que é a favor das manifestações não só pelas passagens, mas que tem muita coisa errada, como os mensaleiros. Ainda conforme os relatos, os representates do MPL, ignoraram a sugestão do coronel, que foi interpretada como uma tentativa de politizar a manifestação.

Por volta das 14h50, o iG foi procurado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) para dar esclarecimentos. Segundo o órgão, Meira falou: "Eu não estou aqui para discutir o mérito da manifestação. Gostaria que vocês fizessem outras manifestações como, por exemplo, contra a impunidade e pela prisão dos mensaleiros". Ele fez a afirmação como cidadão, segundo a SSP, a fala pessoal não reflete a posição do governo do Estado.

"Ele queria demarcar uma posição", explicou Mayara Vivian uma das representantes do MPL, que também participou do encontro. Manifestantes rejeitaram também todos os pedidos feitos pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella.

Vídeo: Veja imagens e personagens do confronto de quinta-feira em São Paulo

O secretário abriu a reunião em tom amistoso, reiterando a proibição de uso de balas de borracha durante o protesto e em seguida fez alguns apelos. "Ninguém aqui vai fazer nenhuma imposição, são apenas sugestões", disse o secretário segundo os participantes do encontro.

Em seguida, pediu que o trajeto fosse informado às autoridades, o que foi recusado pelos manifestantes. Eles disseram que vão informar o percurso momentos antes do ato. Depois, o secretário pediu que os manifestantes orientassem os integrantes do movimento a usar camisas brancas, para que a polícia pudesse identificar mais facilmente quem estava participando.

Grella também sugeriu que fosse proibido o uso de máscaras. Ambos os pedidos foram categoricamente recusados pelos manifestantes do MPL. Além da cúpula da segurança no Estado de São Paulo e das lideranças do MPL, participaram da reuniã

o integrantes de outros movimentos sociais como a Central de Movimentos Populares (CMP), Resistência Urbana, Pastoral dos Povos da Rua, Educafro.

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Arnaldo Jabor

Conheci Arnaldo Jabor como diretor de cinema em filmes como “Toda Nudez será castigada” e “Eu sei que vou te amar”, dos quais lembro bem do primeiro. Adaptado da peça com o mesmo título de Nelson Rodrigues, contava com nomes consagrados como Darlene Glória, Paulo Porto, Paulo César Peréio e Hugo Carvana à frente do elenco.

O filme faz um relato da hipocrisia da classe média decadente. Com grandes interpretações, particularmente de Darlene Glória e Paulo Porto (ambos ganharam prêmios), sem dúvida o filme se apoia muito na força dos textos de Nelson Rodrigues.

Não sendo um cineasta de primeira linha e grande expressão (há no Brasil outros bem melhores), Jabor oscilou entre alguns poucos bons filmes e filmes fracos.

O destino, porém, não muito raramente é cruel. Acho que assim foi com ele.

O belíssimo filme italiano “A vida é bela”, dirigido por Roberto Benigni, que também foi o ator principal, foi indicado a vários prêmios internacionais, ganhando vários deles. Culminou com a indicação para o Oscar (1999) de melhor filme, melhor filme em língua estrangeira (ganhou), melhor diretor, melhor ator (ganhou), melhor roteiro original, melhor edição e trilha sonora original (ganhou).

Faço algumas restrições às premiações de um modo geral, mas foi muito triste e decepcionante (estou falando de 1999) ver Arnaldo Jabor falando da premiação e principalmente de Benigni, chamando-o inclusive de pobre coitado e idiota. Fiquei chocado. Além das indicações e prêmios já citados para o Oscar, o filme era sim um belo filme, como também muito boas a atuação e direção de Benigni.

Negar a inteligência de Arnaldo Jabor? Não. Mas, ali se manifestavam mais claramente o rancor, a inveja e a amargura de um homem. Ali se manifestava não mais o Arnaldo Jabor cineasta que tentara mostrar, bem ou mal, a sua visão da sociedade, pelo menos de um segmento dela, a classe média, como ele, Jabor, a via; decadente.

Negar a inteligência de Arnaldo Jabor? Não. Mas também não há como negar a sua estupidez.

Um dos maiores pensadores da raça humana, Nietzsche diz que “há limites para a inteligência humana, para a estupidez não”. Jabor é a confirmação do pensamento de Nietzsche.

Sentimentos opostos existem e muitas vezes se digladiam em uma mesma pessoa. Assim acontece com o amor e o ódio. Assim também acontece com a inteligência e a estupidez.

Arnaldo Jabor é talvez o maior exemplo do cara que sabe tudo de nada, ou, se você preferir, sabe nada de tudo. Tornou-se um mestre na arte da dissimulação grosseira, de baixo nível, ainda que disfarçada de intelectualidade. Sabe dizer como poucos, e aí entra a sua inteligência, o que as pessoas para as quais ele é pago para falar querem ouvir. Geralmente o seu público possui inteligência bem abaixo da dele e esse é o seu palco perfeito, onde é um grande ator.

Homens como ele se vêem tão inteligentes, tão superiores, que não distinguem os dois estágios pelos quais passam: quando falam bobagens porque precisam falar e quando falam bobagens porque, já incorporadas neles, passam a ser verdades também para eles. É aí que entra a estupidez incapaz de reconhecer os seus próprios limites, razão pela qual supera a inteligência.

É triste ver um homem pelo qual se teve, se não admiração, pelo menos algum respeito por imagina-lo diferente. É bem possível que essa seja a sensação experimentada por muitas pessoas que, como eu, viam em Arnaldo Jabor um homem inteligente, consciente do papel que lhe reservara a história; o de alguém que seria importante para a construção de uma sociedade consciente, justa e digna, não aquela decadente que ele tentou mostrar nos seus filmes. O projeto de Homem não foi adiante. Ficou no protótipo arnaldo jabor.

O protótipo arnaldo jabor é hoje personagem importante da elite decadente que tanto criticou. Como diz Claudia Ricken (veja o vídeo abaixo), arnaldo jabor é uma caricatura de mau gosto de si mesmo.

 

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Para quem ainda acredita em Joaquim Barbosa (e em outros)

Há um ditado popular que diz que o pior cego é aquele que não quer ver.

Há doze anos (correspondentes a dez do governo Lula e dois do governo Dilma) que a nossa grande (?) imprensa bombardeia a população brasileira com notícias catastróficas.

Se as diversas crises anunciadas tivessem acontecido, sob todos os aspectos o Brasil seria hoje um dos piores países do mundo.

Lembra quando, pela primeira vez na história do mundo, o presidente de um país foi responsabilizado pela queda de um avião? Não lembra? Foi quando o avião da TAM caiu em Congonhas. As manchetes mostraram durante semanas seguidas que o presidente Lula era o grande culpado (meu Deus, um presidente da república culpado por um acidente de avião). A nossa grande (?) imprensa, a nossa elite e o PSDB, DEM, PPS… babavam sangue após seguidas mordidas na jugular da população.

Lembra da febre amarela que, segundo a imprensa, estava se alastrando pelo Brasil? Lembra que por causa do terrorismo da imprensa pessoas morreram por tomarem um reforço absolutamente desnecessário da vacina?

Apagão, ENEM que não ia funcionar (agora já são mais de 11 milhões de inscritos), Bolsa Família que ia acabar. Diante da inflação descontrolada, claro que segundo a imprensa, foi comovente, levou-me às lágrimas, Ana Maria Braga com um colar de tomates pendurado no pescoço, numa demonstração da sua eterna preocupação com a dor e o sofrimento do povo, para, no outro dia, o preço do tomate despencar. Preocupa-me ela ter que usar uma melancia pendurada diante de um eventual aumento de preço.

Vamos fazer de conta que não sabemos que ao invés de dever ao FMI (no governo FHC, o país quebrou 3 vezes, recorrendo ao FMI; em uma delas, se não fosse Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos, não conseguiria), o Brasil empresta dinheiro a ele. Só para reforçar também, o Brasil hoje é a sexta maior economia do mundo, com previsão de se transformar na quinta economia em futuro breve. Permita só mais uma lembrancinha: O BRASIL POSSUI HOJE A MENOR TAXA DE DESEMPREGO DO MUNDO.

E o mensalão do PT, que teria acontecido em 2005? Programado com relógio suíço para coincidir com as eleições do ano passado, a imprensa saiu derrotada e frustrada, pois em nada repercutiu nas eleições, particularmente naquela que mais preocupava; a de São Paulo. Fernando Haddad (PT) foi eleito.

É sempre bom lembrar que o mensalão do PSDB, que data de 1998 e estava na frente do PT (2005) na pauta de julgamento do STF, até hoje não foi julgado, e parece que não vai ser. Só mais 2 detalhes: além de ter sido bastante alterado pelo STF no desmembramento que sofreu caso venha a ser julgado, a grande (?) imprensa não fala dele.

Essas e outras informações estão todas disponíveis, basta querer ver. Entretanto, precisamos entender que ver é querer. Só vemos o que queremos. Fernando Pessoa diz que “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Gosto muito do ditado popular “o pior cego é aquele que não quer ver”, mas gosto mais ainda da frase de um escritor português, Eça de Queiroz: “Ou é má fé cínica ou obtusidade córnea”.

Quem esteve todo o tempo manipulando tudo para que as coisas ocorressem desse jeito? Já falamos muito sobre isso, mas veja detalhes mais recentes na matéria de Luis Nassif para o Jornal GGN. Abaixo estão apenas alguns trechos. Se quiser ver a matéria original completa clique aqui.

Procurador geral que livrou (Daniel) Dantas do mensalão ganhou contrato da Brasil Telecom

Do Jornal GGN

Em s

ua sabatina no Senado, o jurista Luiz Roberto Barroso  considerou o julgamento do chamado mensalão “ponto fora da curva”.  Barroso é considerado o maior constitucionalista brasileira, unanimidade, saudado tanto pela direita quanto pela esquerda. Sua opinião foi corroborada pelo Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos julgadores mais implacáveis.

Externou o que todo o meio jurídico comenta à boca pequena desde aquela época: foi um julgamento de exceção

O contrato de Antonio Fernando

Aparentemente, desde o começo, a prioridade dos Procuradores Gerais da República Antônio Fernando (que iniciou as investigações), de Roberto Gurgel (que deu prosseguimento) e do Ministro do STF Joaquim Barbosa (que relatou a ação) parece ter sido a de apagar os rastros do principal financiador do mensalão: o banqueiro Daniel Dantas. Inexplicavelmente, ele foi excluído do processo e seu caso remetido para um tribunal de primeira instância…

Responsável pelas investigações, o procurador geral Antônio Fernando de Souza tomou duas decisões que beneficiaram diretamente  Dantas. A primeira, a de ignorar um enorme conjunto de evidências e  excluir Dantas do inquérito – posição mantida por seu sucessor, Roberto Gurgel e pelo relator Ministro Joaquim Barbosa

Pouco depois de se aposentar, Antônio Fernando tornou-se sócio de um escritório de advocacia de Brasília – Antônio Fernando de Souza e Garcia de Souza Advogados -, que tem como principal contrato a administração da carteira de processos da Brasil Telecom, hoje Oi, um dos braços de Dantas no financiamento do mensalão. O contrato é o sonho de todo escritório de advocacia

Os sinais de Dantas

Qualquer jornalista que acompanhou os episódios, na época, sabia que a grande fonte de financiamento do chamado “valerioduto” eram as empresas de telefonia controladas por Dantas, a Brasil Telecom e a Telemig Celular. Reportagens da época comprovavam – com riqueza de detalhes – que a ida de Marcos Valério a Portugal, para negociar a Telemig com a Portugal Telecom, foi a mando de Dantas…

O valor de suas ações residia em um acordo “guarda-chuva”, firmado com fundos de pensão no governo FHC

Apesar de constar em inquérito da Polícia Federal – fato confirmado por policiais a Paulo Moreira Leite – jamais esse contrato de R$ 50 milhões fez parte da pe&c

cedil;a de acusação. Foi ignorado por Antônio Fernando, por seu sucessor Roberto Gurgel e pelo relator Ministro Joaquim Barbosa. Ignorando-o, livrou Dantas do inquérito. Livrando-o, permitiu-lhe negociar sua saída da Brasil Telecom, ao preço de alguns bilhões de reais.

As gambiarras no inquérito

Havia comprovação de pagamento de mídia, especialmente a grandes veículos de comunicação, de eventos, mas tudo foi deixado de lado pelos PGRs e pelo relator Barbosa.

Em todos os sentidos, Gurgel foi um continuador da obra de Antonio Fernando. Pertencem ao mesmo grupo político – os “tuiuius” – que passou a controlar o Ministério Público Federal. Ambos mantiveram sob estrito controle todos os inquéritos envolvendo autoridades com foro privilegiado. Nas duas gestões, compartilhavam as decisões com uma única subprocuradora  – Cláudia Sampaio Marques, esposa de Gurgel. Dentre as acusações de engavetamento de inquéritos, há pelos menos dois episódios controvertidos, que jamais mereceram a atenção nem do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nem da Associação Nacional dos Procuradores da República  (ANPR) – esta, também, dominada pelos “tuiuius”: os casos do ex-senador Demóstenes Torres e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Tanto na parte conduzida por Antonio Fernando, quanto na de Gurgel, todas as decisões pareceram ter como objetivo esconder o banqueiro.

É o caso da  “delação premiada” oferecida a Marcos Valério. O ponto central – proposto na negociação – seria imputar a Lula a iniciativa das negociações com a Portugal Telecom

…Mas, na verdade, na época, sua decisão  blindou Daniel Dantas, a quem Valério servia. Agora, na proposta de “delação” aceita por Gurgel não entrava Dantas – a salvo dos processos – mas apenas Lula.

O inquérito dá margem a muitas interpretaçòes, decisões, linhas de investigação. Mas como explicar que TODAS as decisões, todas as análises de provas tenham sido a favor do banqueiro?

Os motivos ainda não explicados

Com o te

mpo aparecerão os motivos efetivos que levaram o Procurador Geral Roberto Gurgel e o relator Joaquim Barbosa a endossar a posição de Antonio Fernando e se tornarem também avalistas  desse jogo. 

Dantas não é apenas o banqueiro ambicioso, mas representa uma longa teia de interesses que passava pelo PT, sim, mas cujas ligações mais fortes são com o PSDB de Fernando Henrique e principalmente de José Serra. 

Uma disputa pelo poder não poderia expor Dantas, porque aí se revelaria a extensão de seus métodos e deixaria claro que práticas como as do mensalão fazem parte dos (péssimos) usos e costumes da política brasileira. E, se comprometesse também o principal partido da oposição (PSDB), como vencer a guerra pelo controle do Estado? Ou como justificar um julgamento de exceção.

Vem daí a impressionante blindagem proposta pela mídia e pela Justiça. É, também, o que pode explicar a postura de alguns Ministros do STF, endossando amplamente a mudança de conduta do órgão no julgamento. Outros se deixaram conduzir pelo espírito de manada. Nenhum deles engrandece o Supremo

É o que explica os contratos de Antonio Fernando com a Brasil Telecom jamais terem recebido a devida cobertura da mídia. Não foi denunciado pelo PT, para não expor ainda mais suas ligações com o banqueiro. Foi poupado pela mídia – que se alinhou pesadamente a Dantas. E foi blindado amplamente pela ala Serra dentro do PSDB.

De seu lado, todas as últimas atitudes de Gurgel de alguma forma  vão ao encontro dos interesses do banqueiro. Foi assim na tentativa de convencer Valério a envolver Lula nos negócios com a Portugal Telecom

…Mas é evidente que o resultado  maior foi  fortalecer as teses de Dantas junto ao STF, de que a Satiagraha não passou de um instrumento dos adversários comerciais. Foi um advogado de Dantas – o ex-Procurador Geral Aristisdes Junqueira – quem convenceu Gurgel a mudar de posição.

Com seu gesto, Gurgel coloca sob suspeitas os próprios procuradores que atuaram não apenas na Satiagraha como na Operação Chacal, que apurava envolvimento de Dantas com grampos ilegais… 

…Anamara Osório (procuradora da República que tocava a ação da Operação Chacal  na qual Dantas era acusado de espionagem) e Rodrigo De Grandis (

O pior escândalo (até agora) de Joaquim Barbosa

Já escrevi alguns textos aqui no site e postei outros de jornalistas sobre o que se atribui ao Supremo Tribunal Federal (STF) de irregularidades para condenar os réus da Ação Penal 470, que todos conhecem como mensalão. É possível que alguns não tenham acreditado em nada do que eu disse e entendo isso, mas todos os dias surgem evidências mostrando como a coisa vem sendo feita.
 
Joaquim Barbosa, “o menino pobre” que virou herói no Brasil não é nada do que se tem dito (veja o último texto (Coitado de Joaquim Barbosa 4). Notícias devidamente manipuladas e escondidas que não chegam ao conhecimento da população dão conta de que esse julgamento foi o pior momento do Supremo Tribunal Federal, segundo alguns juristas brasileiros, o pior STF da história do Brasil.
 
O texto abaixo é um pouco mais longo, mas vale a pena ser lido. Os negritos e os parênteses em vermelho são meus, para facilitar um pouco a compreensão.
 
De forma bem simples e resumida, somente agora estão vindo à tona dois procedimentos judiciais que correm em segredo de justiça paralelamente ao mensalão. As provas que são descobertas pelas investigações da Polícia Federal e que podem inocentar os réus são “jogadas” nesses processos. Como correm em segredo de justiça, por ordem de Joaquim Barbosa, ninguém sabia e muito menos podia ter acesso, nem os réus nem os seus advogados. Sabem quem é o relator desses processos? O relator do mensalão: Joaquim Barbosa.
 
Leiam o texto e vejam um pouco mais quem é Joaquim Barbosa.
 
Joaquim Barbosa e ex-procurador geral esconderam provas que poderiam mudar julgamento do mensalão
 
Por Maria Inês Nassif para o Jornal GGN e Carta Maior (Veja o original)
 
O então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criaram em 2006 e mantiveram sob segredo de Justiça dois procedimentos judiciais paralelos à Ação Penal 470 (mensalão). Por esses dois outros procedimentos passaram parte das investigações do chamado caso do “Mensalão”. O inquérito sigiloso de número 2454 correu paralelamente ao processo do chamado Mensalão, que levou à condenação, pelo STF, de 38 dos 40 denunciados por envolvimento no caso, no final do ano passado, e continua em aberto. E desde 2006 corre na 12ª Vara de Justiça Federal, em Brasília, um processo contra o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Cláudio de Castro Vasconcelos, pelo exato mesmo crime pelo qual foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.
 
Esses dois inquéritos receberam provas colhidas posteriormente ao oferecimento da denúncia ao STF contra os réus do mensalão pelo procurador Antônio Fernando, em 30 de março de 2006. Pelo menos uma delas, o Laudo de número 2828, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, teria o poder de inocentar Pizzolato.
 
O advogado do ex-diretor do BB, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, todavia, apenas teve acesso ao inquérito que corre em primeira instância contra Vasconcelos no dia 29 de abril deste ano, isto é, há um mês e quase meio ano depois da condenação de seu cliente. E não mais tempo do que isso descobriu que existe o tal inquérito secreto, de número 2474, em andamento no STF, também relatado por Joaquim Barbosa, que ninguém sabe do que se trata – apenas que é um desmembramento da Ação Penal 470 –, mas que serviu para dar encaminhamento às provas que foram colhidas pela Polícia Federal depois da formalização da denúncia de Souza ao Supremo. Essas provas não puderam ser usadas a favor de nenhum dos condenados do mensalão.
 
Essa inusitada fórmula jurídica, segundo a qual foram selecionados 40 réus entre 126 apontados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito e decidido a dedo para qual dos dois procedimentos judiciais (uma Ação Penal em curso, p&

uacute;blica, e uma investigação sob sigilo) réus acusados do mesmo crime deveriam constar, foi definida por Barbosa, em entendimento com o procurador-geral da República da época, Antonio Fernando, conforme  documento obtido pelo advogado. Roberto Gurgel assumiu em julho de 2009, quando o procedimento secreto já existia.

 
A história do processo que ninguém viu
 
Em março de 2006, a CPMI dos Correios divulgou um relatório preliminar pedindo o indiciamento de 126 pessoas. Dez dias depois, em 30 de março de 2006, o procurador-geral da República, rápido no gatilho, já tinha se convencido da culpa de 40, número escolhido para relacionar o episódio à estória de Ali Baba. A base das duas acusações era desvio de dinheiro público (que era da bandeira Visa Internacional, mas foi considerado público, por uma licença jurídica não muito clara) do Fundo de Incentivo Visanet para o Partido dos Trabalhadores, que teria corrompido a sua base aliada com esse dinheiro. Era vital para essa tese, que transformava o dinheiro da Visa Internacional, aplicado em publicidade do BB e de mais 24 bancos entre 2001 e 2005, em dinheiro público, ter um petista no meio. Pizzolato era do PT e foi diretor de Marketing de 2003 a 2005.
 
Pizzolato (PT) assinou três notas técnicas com outro diretor e dois gerentes-executivos recomendando campanhas de publicidade e patrocínio (e deixou de assinar uma) e foi sozinho para a lista dos 40. Os outros três, que estavam no Banco do Brasil desde o governo anterior (PSDB), não foram mencionados. A Procuradoria-Geral da República, todavia, encaminhou em agosto para a primeira instância de Brasília o caso do gerente-executivo de Publicidade, Cláudio de Castro Vasconcelos, que vinha do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso. O caso era o mesmo: supostas irregularidades no uso do Fundo de Incentivo Visanet pelo BB, no período de 2001 a 2005, que poderia ter favorecido a agência DNA, do empresário Marcos Valério. Um, Pizzolato, que era petista de carteirinha, respondeu no Supremo por uma decisão conjunta. Outro, Cláudio Gonçalves, responde na primeira instância porque o procurador considerou que ele não tinha foro privilegiado. Tratamento diferente para casos absolutamente iguais.
 
Barbosa decretou segredo de Justiça para o processo da primeira instância, que ficou lá, desconhecido de todos, até 31 de outubro do ano passado, quando a Folha de S. Paulo publicou uma matéria se referindo a isso (“Mensalão provoca a quebra de sigilo de ex-executivos do BB”). Faltavam poucos dias para a definição da pena dos condenados, entre eles Pizzolato, e seu advogado dependia de Barbosa para que o juiz da 12ª Vara desse acesso aos autos do processo, já que foi o ministro do STF que decretou o sigilo.
 
O relator da AP 470 (Joaquim Barbosa) interrompera o julgamento para ir à Alemanha, para tratamento de saúde. Na sua ausência, o requerimento do advogado teria que ser analisado pelo revisor da ação, Ricardo Lewandowiski. Barbosa não deixou. Por telefone, deu ordens à sua assessoria que analisaria o pedido quando voltasse.
 
Quando voltou, Barbosa não respondeu ao pedido. Continuou o julgamento. No dia 21 de novembro, Pizzolato recebeu a pena, sem que seu advogado conseguisse ter acesso ao processo que, pelo simples fato de existir, provava que o ex-diretor do BB não tomou decisões sozinho – e essa, afinal, foi a base da argumentação de todo o processo de mensalão (um petista dentro de um banco público desvia dinheiro para suprir um esquema de compra de votos no Congresso feito pelo seu partido).
 
No dia 17 de dezembro, quando o STF fazia as últimas reuniões do julgamento para decidir a pena dos condenados, Barbosa foi obrigado a dar ciência ao plenário de um agravo regimental do advogado de Pizzolato. No meio da sessão, anunciou “pequenos problemas a resolver” e mencionou um “agravo regimental do réu Henrique Pizzolato que já resolvemos”. No final da sessão, voltou ao assunto, informando que decidira sozinho indeferir o pedido, já que “ele (Pizzolato) pediu vistas a um processo que não tramita no Supremo”.
 
O único ministro que parece ter entendido que o assunto não era tão banal quanto falava Barbosa foi Marco Aurélio Mello.
 
Mello: “O incidente [que motivou o agravo] diz respeito a que processo? Ao revelador da Ação Penal nº 470?”
 
Barbosa: “Não”.
 
Mello: “É um processo que ainda está em curso, é isso?”
 
Barbosa: “São desdobramentos desta Ação Penal. Há inúmeros procedimentos em curso.”
 
Mello: “Pois é, mas teríamos que apregoar esse outro processo que ainda está em curso, porque o julgamento da Ação Penal nº 470 está praticamente encerrado, não é?”
 
Barbosa: “É, eu acredito que isso deve ser tido como motivação…”
 
Mello: “Receio que a inserção dessa decisão no julgamento da Ação Penal nº 470 acabe motivando a interposição de embargos declaratórios.”
 
Barbosa: “Pois é. Mas enfim, eu estou indeferindo.”
 
Segue-se uma tentativa de Marco Aurélio de obter mais informações sobre o processo, e de prevenir o ministro Barbosa que ele abria brechas para embargos futuros, se o tema fosse relacionado. Barbosa reitera sempre com um “indeferi”, “neguei”. (Veja sessão em http://www.youtube.com/watch?v=p8i6IIHFQP8&list=PLE4D1CD8C85A97629&index=1)
 
O agravo foi negado monocraticamente por Barbosa, sob o argumento de que quem deveria abrir o sigilo de justiça era o juiz da 12ª Vara. O advogado apenas consegui vistas ao processo no DF no dia 29 de abril do mês passado.
 
Um inquérito que ninguém viu
 
O processo da 12ª Vara, no entanto, não é um mero desdobramento da Ação Penal 470, nem o único. O procurador-geral Antonio Fernando fez a denúncia do caso do Mensalão ao STF em 30 de março de 2006. Em 9 de outubro daquele ano, em uma petição ao relator do caso, solicitou a Barbosa a abertura de outro procedimento, além do inquérito original (o 2245, que virou a AP 470), para dar vazão aos documentos que ainda estavam sendo produzidos por uma investigação que não havia terminado (Souza fez as denúncias, portanto, sem que as investigações de todo o caso tivessem sido concluídas; a Polícia Federal e outros órgãos do governo continuavam a produzir provas).
 
O ofício é uma prova da existência do inquérito 2474, o procedimento paralelo criado por Barbosa que foi criado em outubro de 2006, imediatamente ganhou sigilo de justiça e ficou sob a responsabilidade do mesmo relator Joaquim Barbosa.
 
Diz o procurador na petição: “Por ter conseguido formar juízo sobre a autoria e materialidade de diversos fatos penalmente ilícitos, objeto do inquérito 2245, já oferecia a denúncia contra os respectivos autores”, mas, informa Souza, como a investigação continuar, os documentos que elas geram têm sido anexados ao processo já em andamento, o que poderia dar margens à invalidação dos “atos investigatórios posteriores”. E aí sugere: “Assim requeiro, com a maior brevidade, que novos documentos sejam autuados em separado, como inquérito (…) ”.
 
Barbosa defere o pedido nos seguintes termos: “em relação aos fatos não constantes da denúncia oferecida, defiro o pedido para que os documentos sejam autuados em separado, como inquérito. Por razões de ordem prática, gerar confusão.”
 

No inquérito paralelo, o de número 2474, foram desovados todos os resultados da investigação conduzida depois disso. Nenhum condenado no processo chamado Mensalão teve acesso a provas produzidas pela Polícia Federal ou por outros órgãos do governo depois da criação desse inquérito porque todas todos esses documentos foram enviados para um inquérito mantido todo o tempo em segredo pelo Supremo Tribunal Federal

Uma reflexão perdida nas entrelinhas

Quer melhorar os resultados dos seus procedimentos cirúrgicos? Conheça um protocolo preciso, seguro e completo para cirurgia parendodôntica. Não se esqueça que um dos objetivos é a desinfecção radicular; estamos conseguindo com os tratamentos convencionais?”

Há pouco tempo recebi um e-mail em que um colega fazia essa colocação/pergunta. Um questionamento pobre na sua proposição e que me deixou um pouco desapontado com ele. Jovem, ainda iniciando a carreira e já com um pensamento totalmente equivocado. O pior de tudo é que termina com uma falsa pergunta, que, na verdade, insinua fortemente que os tratamentos convencionais não estão conseguindo alcançar o objetivo de promover a desinfecção radicular. Leia o texto completo

Uma reflexão perdida nas entrelinhas

Quer melhorar os resultados dos seus procedimentos cirúrgicos? Conheça um protocolo preciso, seguro e completo para cirurgia parendodôntica. Não se esqueça que um dos objetivos é a desinfecção radicular; estamos conseguindo com os tratamentos convencionais?”
 
Há pouco tempo recebi um e-mail em que um colega fazia essa colocação/pergunta. Um questionamento pobre na sua proposição e que me deixou um pouco desapontado com ele. Jovem, ainda iniciando a carreira e já com um pensamento totalmente equivocado. O pior de tudo é que termina com uma falsa pergunta, que, na verdade, insinua fortemente que os tratamentos convencionais não estão conseguindo alcançar o objetivo de promover a desinfecção radicular. 
 
Como o conhecia, resolvi lhe telefonar para conversarmos sobre a sua indagação/afirmativa. Somente aí fiquei sabendo que a “frase” não era dele. Se sabia de quem era (acho que sim e por essa discrição o elogio) não disse. Só disse que tinha visto na Internet, terra de todos e de ninguém. Fiquei então mais à vontade para conversar. Após a nossa conversa, veio-me o desejo de escrever sobre o tema.
 
Muitas vezes ouvi de colegas: “hoje eu vivo praticamente de retratamento”. Uma alusão clara ao fato de que o que mais vinham fazendo nos consultórios era retratamento. Como sempre faço, procurei entender o que poderia realmente significar aquela frase. 
 
Devido às elevadas taxas de insucesso, o futuro da Endodontia está no retratamento”. Essa frase é de ninguém menos que Schilder, Herbert Schilder, um dos monstros sagrados da Endodontia, em editorial escrito por ele no Journal of Endodontics, em 1986.
 
Vamos ver um pouco mais de perto tanto o dizer dos colegas de que o que mais fazem é retratar canais como a frase de Schilder.
 
Muitos sabem das minhas dificuldades em conviver com ideias e tendências elitistas/separatistas, mas nesse momento preciso recorrer a elas. 
 
Imaginemos uma cidade qualquer e digamos que nela existem 10 endodontistas de primeira, elite da endodontia. Normalmente, as pessoas de maior poder aquisitivo são tratadas por esses profissionais; Arnaldo, Eduardo, Paulo, José…
 
Se Arnaldo, um profissional de elite, que atende pacientes de maior poder aquisitivo, diz que está praticamente vivendo de retratamento, é possível que muitos desses pacientes tenham sido tratados pelos colegas que, como ele, fazem parte desse grupo especial de profissionais. Por razões diversas, o paciente pode não querer voltar a aquele profissional que o tratou inicialmente.
 
Se Eduardo, um profissional de elite, que atende pacientes de maior poder aquisitivo, diz que está praticamente vivendo de retratamento, é possível que muitos desses pacientes tenham sido tratados pelos colegas que, como ele, fazem parte desse grupo especial de profissionais. Por razões diversas, o paciente pode não querer voltar a aquele profissional que o tratou inicialmente.
 
Se…
 
Assim, os pacientes de maior poder aquisitivo, que podem frequentar os consultórios de profissionais diferenciados, estão tendo tratamentos e retratamentos endodônticos realizados pelos mesmos profissionais. E é aí que surge uma questão sobre a qual ninguém pensou; se há necessidade de tantos retratamentos, acredito não ser difícil concluir que não estamos sabendo tratar.
 
A questão colocada por Schilder de que devido às elevadas taxas de insucesso, o futuro da Endodontia está no retratamento diz, com palavras diferentes, praticamente a mesma coisa dita pelos colegas. Schilder acertou em cheio. Faltou, porém, nos dois momentos, a reflexão. Tratamentos bem realizados não costumam levar ao fracasso. Se são tão elevadas as taxas de insucesso, deve-se concluir que os tratamentos estão sendo mal executados. Simples.
 
Além disso, é possível que Schilder não tenha percebido a gravidade do que estava dizendo, o que torna mais triste ainda a percepção da coisa. É muito fácil, prático, cômodo, simples, até porque financeiramente rentável, perceber que estou vivendo praticamente de retratamento e nada mais ver além disso. É só isso?
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Vejamos essa questão sob outro ponto de vista. No dia em que a Medicina disser “devido às elevadas taxas de insucesso, o futuro da cirurgia cardíaca está em reoperar os pacientes”, o que deverão fazer os médicos? E o que pensaremos nós, pacientes? E você endodontista, vai achar normal? Vai achar interessante quando os médicos disserem estou vivendo praticamente de reoperar os pacientes? Quais serão as chances de que um desses pacientes seja você?
 
Ainda que tenhamos tido um grande avanço tecnológico nos recursos hoje existentes, como de fato tivemos, o tratamento endodôntico apresenta dificuldades técnicas ainda consideráveis. Ao lado disso, o desconhecimento da ciência endodôntica é chocante, como se pode ver na frase que abre esse texto. Porém, apesar disso, os percentuais de sucesso dos casos bem conduzidos são elevados.
 
Vamos buscar parte da frase lá em cima? “…Não se esqueça que um dos objetivos é a desinfecção radicular; estamos conseguindo com os tratamentos convencionais?” Estamos sim doutor.
 
E que não estivéssemos. Vou agora abandonar a expressão que o colega usou e aplicar a que gosto e uso. Imaginar que o controle de infecção do sistema de canais radiculares, eventualmente não atingido pelo tratamento aqui chamado de convencional, será atingido pela cirurgia parendodôntica reflete um grande desconhecimento da endodontia.
 
O substituto para um tratamento endodôntico mal realizado é um tratamento endodôntico bem realizado, não é a cirurgia, que sempre terá as suas indicações. Não pensar assim mostra desconhecimento da endodontia ou interesses ocultos. Como diz Eça de Queirós*, “ou é má-fé cínica, ou obtusidade córnea”.
 
Portanto, ao colega que questionou se “estamos conseguindo (promover a desinfecção radicular) com os tratamentos convencionais” eu diria que não só estamos conseguindo como essa é a única maneira de se conseguir. Nesse momento, um conselho, e para isso recorro a Rousseau**: “A arte de interrogar não é tão fácil como se pensa. É mais uma arte de mestres do que de discípulos; é preciso ter aprendido muitas coisas para saber perguntar o que não se sabe”.
 
* Eça de Queirós – um dos mais importantes escritores portugueses.

** Jean-Jacques Rousseau – importante filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço. É considerado um dos principais filósofos do iluminismo e um precursor do romantismo. 

Para proteger Aécio e o PSDB, Gurgel mantém ação na gaveta há 2 anos

Por Conceição Lemes

Em 31 de maio de 2011, os deputados estaduais de Minas Gerais Rogério Correia (PT) e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, foram a Brasília.

Entregaram pessoalmente ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação denunciando o senador Aécio Neves (PSDB) e a irmã dele, Andrea Neves, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal (detalhes aqui).

Gurgel fez questão de ir com os parlamentares até o setor de protocolo da Procuradoria Geral da República (PGR). Aí, a representação recebeu o número 1.00.000.006651/2011-19.

Em 17 de fevereiro de 2013, o Viomundo publicou esta reportagem:“ Se o Gurgel não abrir inquérito contra o Aécio estará prevaricando”.

Fazia 22 meses e 17 dias que a representação contra Aécio e a irmã  estava na gaveta do procurador-geral.

Esta semana esta repórter contatou novamente a assessoria de imprensa da PGR para saber se havia alguma novidade sobre a representação.

Resposta da assessoria da imprensa ao Viomundo: “O processo continua sob análise do PGR”.

Ou seja:

1. Hoje, 31 de maio de 2013, faz dois anos que a representação contra Aécio e Andréa Neves está na gaveta de Gurgel.

2. Faz lembrar a representação do ex-senador Demóstenes Torres, que dormiu lá por mais de  dois anos.

3. Fica cada vez mais evidente a parcialidade e o partidarismo do procurador-geral da República. Enquanto as ações contra integrantes do Partido dos Trabalhadores andam rápido, as contra os opositores do PT se arrastam, isso quando não são arquivadas quase de pronto.

“A representação que entregamos há dois anos ficou escondida na gaveta de Gurgel”, condena Correia. “O procurador está deixando o cargo em menos de dois meses sem abrir inquérito para averiguar as denúncias nem dar qualquer explicação à sociedade. Ao que tudo indica terá prevaricado para proteger Aécio e o PSDB.”
 

“Mas a máscara do senador Aécio Neves está caindo”, afirma Correia. “O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou o andamento de duas ações importantes que o envolve. Em uma, ele é réu. Deve responder pelo desvio de R$ 4,3 bilhões  de verba da saúde.” 

A herança de Fernando Henrique Cardoso

Por Marcos Coimbra*

Enquanto não surgir coisa mais avançada, as pesquisas de opinião continuarão a ser a melhor maneira de saber o que pensa a população a respeito das questões coletivas.

Sem elas, ficamos com o que acha cada individuo ou dizem os grupos mais organizados e loquazes . Os sentimentos e atitudes da maioria permanecem ignorados. É como se não existissem.

Mas as pesquisas estão aí, permitindo que compreendamos os juízos e as expectativas dos que não se expressam, não mandam cartas ou postam comentários na internet. Há outras formas de fazê-lo, mas nenhuma mais confiável.

Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Sequer custam tanto que um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, não possa encomendar as suas. Ou que um jornal fique pobre se tiver que contratar alguma.

Por que, então, as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública?

Tome-se a velha ideia de que as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá o porquê, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências que a sustentassem.

Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.

Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro se ofereceu para o posto.

E as pessoas comuns, o que pensam desse “legado”?

Em pesquisa recente de âmbito nacional, a Vox Populi tratou do assunto. Ao invés de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito.

Os entrevistados foram solicitados a avaliar quinze áreas de atuação do governo Dilma. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique era presidente.

As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.

Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram; na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma; nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas; na educação, FHC foi defendido por 5% e Lula e Dilma por 63%; na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8% e os petistas por 71% dos entrevistados.

No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: 10% acharam que foi melhor que os sucessores, mas 65% responderam que Lula e Dilma é que agiram ou agem melhor.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados; na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.

No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram que Lula e Dilma foram-lhe superiores.

Os políticos (e as empresas jornalísticas) são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levi Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.

Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político, que nem Serra, nem Alckmin quiseram praticar. Não foi por não fazê-la que perderam. Seu problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.

Resta ver como se comportará, na prática, Aécio. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.

 

* Marcos Coimbra – Sóciologo