Hoje é um novo dia, de um novo tempo…

Um Novo Tempo
Marcos Valle

Hoje é um novo dia
De um novo tempo que começou
Nesses novos dias, as alegrias
Serão de todos, é só querer
Todos os nossos sonhos serão verdade
O futuro já começou

Hoje a festa é sua
Hoje a festa é nossa
É de quem quiser
Quem vier
A festa é sua
Hoje a festa é nossa
É de quem quiser
Quem vier…

Hoje é um novo dia de um novo tempo, que começou há 10 anos. Há 10 anos começava a construção de um novo dia, de um novo tempo.

Nesses novos dias, as alegrias, se não são de todos, são da grande maioria de um povo que quis e que vem transformando os seus sonhos em verdade.

O futuro é o presente, pelo qual esse povo tanto ansiou. Um povo que pode cantar hoje a festa é sua, a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier, porque é a festa de muitos, ainda que alguns poucos não a queiram.

Ainda que alguns poucos não a queiram e tentem transforma-la em um velho dia, um velho tempo, na tentativa de desconstrução do novo dia, do novo tempo que começou há 10 anos.

Nesses velhos dias desejam que as alegrias não sejam de todos, que não sejam de um povo que quis e que vem transformando os seus sonhos em verdade. Desejam que sejam só de alguns poucos.

Também fazem do futuro o presente. 2014 começou em 2012. Mas não é um tempo de festa. É um tempo em que se canta não um sentimento, mas um jingle de fim de ano. Produção técnica esmerada, perfeita, típica do embuste, da embalagem sem conteúdo. É o velho charme canastrão. É o poder de sedução pela sedação. Mas é também o tempo do sutil grosseiro, da manifestação de sentimentos (reprimidos) inconfessáveis que fogem do controle por um homem e seu grupo político, é o jogo político que deixou de lado a política. É o jogo da farsa, da manipulação. É o tempo do custe o que custar. Como diria Chico, um tempo, mais uma página infeliz da nossa história, em que querem fazer voltar a dormir distraída a nossa pátria mãe.

A festa não será sua, não será nossa, não será de quem quiser, quem vier. A festa não será de muitos. A festa será só de alguns poucos.

Que Marcos Valle me permita alterar a letra de sua música, pois esse é o canto de fim de ano que expressa o real desejo de alguns poucos.

Um velho tempo

Hoje é um velho dia
De um velho tempo que retornou
Nesses velhos dias, as alegrias
Não serão de todos, é só querer
Todos os sonhos serão inverdade
O passado já retornou

Hoje a festa não é sua
Hoje a festa não é nossa
Não é de quem quiser
Quem vier
Hoje a festa não é sua
Hoje a festa não é nossa
Não é de quem quiser
Quem vier

Cem mil

Chegamos a 100.000 visitas no site. Na verdade, chegamos antes desse momento. É que há cerca de 3 anos, na mudança do servidor que hospeda o site, perdemos alguns poucos mil registros das visitas até então. No Blog da Endodontia, a seção mais visitada, já são mais de 210.000 visitas (também aqui perdemos registros na mudança de servidor).

Pouco, muito? Não sei. Sei que nesse tempo, aconteceram algumas coisas e talvez a mais importante foi que diminuí a frequência nas respostas às colocações/perguntas que foram e são feitas. Nesse processo, é possível que alguns colegas tenham se aborrecido.

Já tive oportunidade de me desculpar algumas vezes por isso. Os compromissos foram ficando cada vez maiores e o tempo disponível menor. Confesso que tem ficado mais difícil. Se não justifica, explica. Não é muito simples manter o site em dia com a quantidade de respostas e textos que tenho que escrever. Com os aspectos positivos e negativos que isso pode representar, é um site mantido por uma pessoa só.

Justamente por não poder responder a todas as questões colocadas, pelo que mais uma vez peço desculpas, procurei contar com alguns colegas do grupo do qual faço parte para me dar mais suporte nesse sentido, mas eles também não possuem tanto tempo disponível. É a famosa correria.

Outra mudança importante foi o ganho de um conteúdo mais político na seção Falando da Vida. Houve quem se manifestasse contra essa nova cara do site usando uma frase que utilizei desde os seus primeiros momentos: “O desejo é um só; “conversar” sobre as coisas da Odontologia, particularmente, da Endodontia”. O colega estava, pelo menos em parte, correto.

O objetivo continua sendo o de conversar sobre as coisas da Odontologia, particularmente, da Endodontia. Porém, também desde os primeiros momentos, já havia essa possibilidade, na verdade um desejo, de falar de todas as coisas, inclusive política. Por isso, desde o início existe a seção Falando da Vida, que objetiva falar, como o nome diz, da vida, na qual a política está fortemente inserida e desempenha papel inquestionável. Dela dependem as nossas vidas.

Sabia que poderia enfrentar alguma dificuldade no meu posicionamento, aliás, manifestada de maneira absolutamente clara por um colega que disse que eu era “um grande professor de Endodontia, mas lamentável nas minhas posições políticas”. Por outro lado, também já houve quem dissesse que, mesmo não tendo o mesmo ponto de vista, aprendeu mais sobre política lendo os textos do Falando da Vida.

Sabia que teria pouca companhia nas “minhas posições políticas”, mas não posso fugir delas. Aos colegas que concordam com elas, dedico os textos, aos que não concordam, se me permitirem, tenho algo a dizer.

Observem que os textos estão somente no Falando da Vida, não interferem em nada no restante do site. Certo ou errado, o pensamento está sempre voltado para o bem estar da maior parte da população brasileira, o povo, do qual faço parte, e para as minorias. Talvez não se possa imaginar o bem que faz e a paz que traz lutar ao lado dos mais fracos. Ao mesmo tempo, sempre procuro colocar links que levam às fontes/comprovações do que é dito.

Reconheço que os textos políticos terminaram ganhando grande espaço, mas posso assegurar que isso se deveu às distorções que promoveram e promovem na forma de fazer política no Brasil.

Tenho o testemunho de todos vocês de que em nenhum momento o endodontiaclinica.odo.br se rendeu a causas menos nobres. Nunca teve interesses ou vínculos que não fossem com os verdadeiros valores da Endodontia, muitas vezes com algum desgaste por bater de frente com interesses menores, infelizmente tão comuns nos tempos atuais.

Por isso, nesse momento em que ultrapassamos as 100.000 visitas no site e mais de 210.000 no blog, acho que temos o que comemorar. Ainda que com as dificuldades apontadas, espero poder continuar conversando com vocês por um bom tempo.

Que realmente 2013 seja um Ano Novo muito feliz.

Grande abraço,
Ronaldo Araújo Souza

Cem mil

Chegamos a 100.000 visitas no site. Na verdade, chegamos antes desse momento. É que há cerca de 3 anos, na mudança do servidor que hospeda o site, perdemos alguns poucos mil registros das visitas até então. No Blog da Endodontia, a seção mais visitada, já são mais de 210.000 visitas (também aqui perdemos registros na mudança de servidor).

Pouco, muito? Não sei. Sei que nesse tempo, aconteceram algumas coisas e talvez a mais importante foi que diminuí a frequência nas respostas às colocações/perguntas que foram e são feitas. Nesse processo, é possível que alguns colegas tenham se aborrecido.

Já tive oportunidade de me desculpar algumas vezes por isso. Os compromissos foram ficando cada vez maiores e o tempo disponível menor. Confesso que tem ficado mais difícil. Se não justifica, explica. Não é muito simples manter o site em dia com a quantidade de respostas e textos que tenho que escrever. Com os aspectos positivos e negativos que isso pode representar, é um site mantido por uma pessoa só.

Justamente por não poder responder a todas as questões colocadas, pelo que mais uma vez peço desculpas, procurei contar com alguns colegas do grupo do qual faço parte para me dar mais suporte nesse sentido, mas eles também não possuem tanto tempo disponível. É a famosa correria.

Outra mudança importante foi o ganho de um conteúdo mais político na seção Falando da Vida. Houve quem se manifestasse contra essa nova cara do site usando uma frase que utilizei desde os seus primeiros momentos: “O desejo é um só; “conversar” sobre as coisas da Odontologia, particularmente, da Endodontia”. O colega estava, pelo menos em parte, correto.

O objetivo continua sendo o de conversar sobre as coisas da Odontologia, particularmente, da Endodontia. Porém, também desde os primeiros momentos, já havia essa possibilidade, na verdade um desejo, de falar de todas as coisas, inclusive política. Por isso, desde o início existe a seção Falando da Vida, que objetiva falar, como o nome diz, da vida, na qual a política está fortemente inserida e desempenha papel inquestionável. Dela dependem as nossas vidas.

Sabia que poderia enfrentar alguma dificuldade no meu posicionamento, aliás, manifestada de maneira absolutamente clara por um colega que disse que eu era “um grande professor de Endodontia, mas lamentável nas minhas posições políticas”. Por outro lado, também já houve quem dissesse que, mesmo não tendo o mesmo ponto de vista, aprendeu mais sobre política lendo os textos do Falando da Vida.

Sabia que teria pouca companhia nas “minhas posições políticas”, mas não posso fugir delas. Aos colegas que concordam com elas, dedico os textos, aos que não concordam, se me permitirem, tenho algo a dizer.

Observem que os textos estão somente no Falando da Vida, não interferem em nada no restante do site. Certo ou errado, o pensamento está sempre voltado para o bem estar da maior parte da população brasileira, o povo, do qual faço parte, e para as minorias. Talvez não se possa imaginar o bem que faz e a paz que traz lutar ao lado dos mais fracos. Ao mesmo tempo, sempre procuro colocar links que levam às fontes/comprovações do que é dito.

Reconheço que os textos políticos terminaram ganhando grande espaço, mas posso assegurar que isso se deveu às distorções que promoveram e promovem na forma de fazer política no Brasil.

Tenho o testemunho de todos vocês de que em nenhum momento o endodontiaclinica.odo.br se rendeu a causas menos nobres. Nunca teve interesses ou vínculos que não fossem com os verdadeiros valores da Endodontia, muitas vezes com algum desgaste por bater de frente com interesses menores, infelizmente tão comuns nos tempos atuais.

Por isso, nesse momento em que ultrapassamos as 100.000 visitas no site e mais de 210.000 no blog, acho que temos o que comemorar. Ainda que com as dificuldades apontadas, espero poder continuar conversando com vocês por um bom tempo.

Que realmente 2013 seja um Ano Novo muito feliz.

Grande abraço,
Ronaldo Araújo Souza

Confronto que endurece

Jânio de Freitas Da Folha

Para aturdir os governantes do PT, deixando-os à mercê da pancadaria, um aparelho em pane é suficiente.

Tão palavrosos como dirigentes partidários e como militantes, nos seus governos os petistas são um fracasso de comunicação até aqui inexplicável. E pagam preços altíssimos por isso, sem no entanto se aperceberem dos desastres e suas consequências. Ou melhor, às vezes percebem, e até se autocriticam, mas com atraso de anos.

Para aturdir os governantes e dirigentes petistas, deixando-os à mercê da pancadaria, nem é preciso um canhonaço como foi o mensalão. Um aparelho de ar refrigerado em pane é suficiente. Nada mais normal do que a quebra de uma máquina. Mas há cinco dias os usuários do aeroporto Santos Dumont se esfalfam em queixas e acusações; e, no outro lado, a presidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Secretaria de Aviação Civil (a que veio mesmo?) e a Infraero apanham, inertes, dos meios de comunicação e da estimulada opinião pública.

No governo imenso, cheio de assessorias de comunicação próprias e contratadas, a ninguém ocorreu romper o marasmo burocrático e dirigir-se à população com as explicações devidas. A quebra foi assim-assado, tomaram-se tais providências, e, depois, o reparo está demorando ou não deu certo por tais motivos, diante dos quais estão tomadas as seguintes providências, e por aí afora.

Nada de difícil ou especial. Aquilo mesmo que se espera ao buscar o carrinho ou, se tucano, ir pegar o carrão e não o encontrar pronto na oficina. Aborrece, mas se a explicação não falta e é honesta, o provável é perceber-se uma situação desagradavelmente normal na era das máquinas. E nada mais.

No aeroporto Tom Jobim deu-se o mesmo, com a pane local de um transformador. Mas tudo virou um problema enorme de falta de geração de energia, de apagão.

Até os índios do Xingu e do Madeira foram condenados, com o brado destemido de Regina Duarte a favor da inundação das terras indígenas e da floresta: "Viva Belo Monte! Essa [um aparelho de ar refrigerado quebrado] é a prova de que precisamos de uma nova estrutura em energia!"

Talvez, contra o calorão do Santos Dumont, comprar um aparelho novo fosse mais barato e eficiente do que construir uma hidrelétrica na Amazônia. Bem, depois a atriz se disse preocupada também com o calorão na Copa do Mundo. A qual, aliás, será no inverno. Mas o que interessa é ter aproveitado a bobeada do governo petista. (Comentário de Ronaldo: Regina Duarte continua um fenômeno de inteligência e sensibilidade).

Desde a entrevista de Lula em Paris, sentado a meio de um jardim de hotel, com uma jovem entrevistadora mal improvisada, para gaguejar grotescos esclarecimentos do mensalão, logo serão dez anos.

A inesgotável oratória de Lula, com sua mescla de populismo político e ativismo social, nesse tempo contornou a maioria dos percalços que o sistema de comunicação dos governos petistas não encarou. Com o julgamento do mensalão e com as cenas que ainda promete, o governo Dilma Rousseff é o alvo do agora exaltado antilulismo ou antipetismo (a rigor, não são o mesmo). Assim, neste embate endurecido, tende a ser o 2013 que veremos.

Comentário de Ronaldo: concordo em parte com Jânio de Freitas. Concordo porque acho que o PT e o governo Dilma realmente pecam em termos de comunicação com a sociedade. Para amenizar a perseguição da mídia precisa conversar mais diretamente com o povo. Discordo porque o que quer que o PT e Dilma digam, a imprensa distorcerá tudo. É possível que você não acredite, mas a imprensa vive inventando coisas contra Lula/PT/Dilma e distorcendo as notícias que existem (não é à toa que um jornalista do peso de Jânio não consegue se conter e escreve vários textos sobre o tema reconhecendo o abuso de sua própria classe). O jornal A Folha (SP), do qual faz parte Jânio de Freitas, encabeça essa lista juntamente com o Estadão, Veja e a Rede Globo, esta sem dúvida, a maior líder em jornalismo cínico/antiético.

Nunca houve tanto ódio na mídia conservadora do Brasil

Mais uma vez a Rede Globo seduz o povo com o seu jingle de fim de ano; “hoje é um novo dia, um novo tempo…” Produção esmerada que condiz com o padrão Globo. Por que será que o padrão Globo não anda em sintonia com o padrão Povo?

Nunca houve tanto ódio na mídia conservadora do Brasil
Por Jaime Amparo Alves* | No Pragmatismo Politico

Os textos de Demétrio Magnoli, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, entre outros, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira.

Os brasileiros no exterior que acompanham o noticiário brasileiro pela internet têm a impressão de que o país nunca esteve tão mal. Explodem os casos de corrupção, a crise ronda a economia, a inflação está de volta, e o país vive imerso no caos moral. Isso é o que querem nos fazer crer as redações jornalísticas do eixo Rio – São Paulo. Com seus gatekeepers escolhidos a dedo, Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e O Globo investem pesadamente no caos com duas intenções: inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e destruir a imagem pública do ex-presidente Lula da Silva. Até aí nada novo.

Tanto Lula quanto Dilma sabem que a mídia não lhes dará trégua, embora não tenham – nem terão – a coragem de uma Cristina Kirchner de levar a cabo uma nova legislação que democratize os meios de comunicação e redistribua as verbas para o setor. Pelo contrário, a Polícia Federal segue perseguindo as rádios comunitárias e os conglomerados de mídia Globo/Veja celebram os recordes de cotas de publicidade governamentais. O PT sofre da síndrome de Estocolmo (aquela na qual o sequestrado se apaixona pelo sequestrador) e o exemplo mais emblemático disso é a posição de Marta Suplicy como colunista de um jornal cuja marca tem sido o linchamento e a inviabilização política das duas administrações petistas em São Paulo.

O que chama a atenção na nova onda conservadora é o time de intelectuais e artistas com uma retórica que amedronta. Que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso use a gramática sociológica para confundir os menos atentos já era de se esperar, como é o caso das análises de Demétrio Magnoli, especialista sênior da imprensa em todas as áreas do conhecimento. Nunca alguém assumiu com tanta maestria e com tanta desenvoltura papel tão medíocre quanto Magnoli: especialista em políticas públicas, cotas raciais, sindicalismo, movimentos sociais, comunicação, direitos humanos, política internacional… Demétrio Magnoli é o porta-voz maior do que a direita brasileira tem de pior, ainda que seus artigos não resistam a uma análise crítica.

Agora, a nova cruzada moral recebe, além dos já conhecidos defensores dos “valores civilizatórios”, nomes como Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro. A raiva com que escrevem poderia ser canalizada para causas bem mais nobres se ambos não se deixassem cativar pelo canto da sereia. Eles assumiram a construção midiática do escândalo, e do que chamam de degenerescência moral, com o fato. E, porque estão convencidos de que o país está em perigo, de que o ex-presidente Lula é a encarnação do mal, e de que o PT deve ser extinguido para que o país sobreviva, reproduzem a retórica dos conglomerados de mídia com uma ingenuidade inconcebível para quem tanto nos inspirou com sua imaginação literária.

Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro fazem parte agora daquela intelligentsia nacional que dá legitimidade científica a uma insidiosa prática jornalística que tem na Veja sua maior expressão. Para além das divergências ideológicas com o projeto político do PT – as quais eu também tenho -, o discurso político que emana dos colunistas dos jornalões paulistanos/cariocas impressiona pela brutalidade. Os mais sofisticados sugerem que a exemplo de Getúlio Vargas, o ex-presidente Lula cometa suicídio; os menos cínicos celebraram o “câncer” como a única forma de imobilizá-lo. Os leitores de tais jornais, claro, celebram seus argumentos com comentários irreproduzíveis aqui.

Quais os limites da retórica de ódio contra o ex-presidente metalúrgico? Seria o ódio contra o seu papel político, a sua condição nordestina, o lugar que ocupa no imaginário das elites? Como figuras públicas tão preparadas para a leitura social do mundo se juntam ao coro de um discurso tão cruel e tão covarde já fartamente reproduzido pelos colunistas de sempre? Se a morte biológica do inimigo político já é celebrada abertamente – e a morte simbólica ritualizada cotidianamente nos discursos desumanizadores – estaríamos inaugurando uma nova etapa no jornalismo lombrosiano?

Para além da nossa condenação aos crimes cometidos por dirigentes dos partidos políticos na era Lula, os textos de Demétrio Magnoli , Marco Antonio Villa, Ricardo Noblat , Merval Pereira, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, além dos que agora se somam a eles, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira. Seus textos serão utilizados nas disciplinas de ontologia jornalística não apenas como exemplos concretos da falência ética do jornalismo tal qual entendíamos até aqui, mas também como sintoma dos novos desafios para uma profissão cada vez mais dominada por uma economia da moralidade que confere legitimidade a práticas corporativas inquisitoriais vendidas como de interesse público.

O chamado “mensalão” tem recebido a projeção de uma bomba de Hiroshima não porque os barões da mídia e os seus gatekeepers estejam ultrajados em sua sensibilidade humana. Bobagem! Tamanha diligência não se viu em relação à série d

e assaltos à nação empreendidos no governo do presidente sociólogo! A verdade é que o “mensalão” surge como a oportunidade histórica para que se faça o que a oposição – que nas palavras de um dos colunistas da Veja “se recusa a fazer o seu papel” – não conseguiu até aqui: destruir a biografia do presidente metalúrgico, inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e reconduzir o projeto da elite ‘sudestina’ ao Palácio do Planalto.

Minha esperança ingênua e utópica é que o Partido dos Trabalhadores aprenda a lição e leve adiante as propostas de refundação do país abandonadas com o acordo tácito para uma trégua da mídia. Não haverá trégua, ainda que a nova ministra da Cultura se sinta tentada a corroborar com o lobby da Folha de S. Paulo pela lei dos direitos autorais, ou que o governo Dilma continue derramando milhões de reais nos cofres das organizações Globo e Abril via publicidade oficial. Não é o PT, o Congresso Nacional ou o governo federal que estão nas mãos da mídia.

Somos todos reféns da meia dúzia de jornais que definem o que é notícia, as práticas de corrupção que merecem ser condenadas, e, incrivelmente, quais e como devem ser julgadas pela mais alta corte de Justiça do país. Na última sessão do julgamento da ação penal 470, por exemplo, um furioso ministro-relator exigia a distribuição antecipada do voto do ministro-revisor para agilizar o trabalho da imprensa (!). O STF se transformou na nova arena midiática onde o enredo jornalístico do espetáculo da punição exemplar vai sendo sancionado.

Depois de cinco anos morando fora do país, estou menos convencido por que diabos tenho um diploma de jornalismo em minhas mãos. Por outro lado, estou mais convencido de que estou melhor informado sobre o Brasil assistindo à imprensa internacional. Foi pelas agências de notícias internacionais que informei aos meus amigos no Brasil de que a política externa do ex-presidente metalúrgico se transformou em tema padrão na cobertura jornalística por aqui. Informei-lhes que o protagonismo político do Brasil na mediação de um acordo nuclear entre Irã e Turquia recebeu atenção muito mais generosa da mídia estadunidense, ainda que boicotado na mídia nacional. Informei-lhes que acompanhei daqui o presidente analfabeto receber o título de doutor honoris causa em instituições européias, e avisei-lhes que por causa da política soberana do governo do presidente metalúrgico, ser brasileiro no exterior passou a ter uma outra conotação. O Brasil finalmente recebeu um status de respeitabilidade e o presidente nordestino projetou para o mundo nossa estratégia de uma America Latina soberana.

Meus amigos no Brasil são privados do direito à informação e continuarão a ser porque nem o governo federal nem o Congresso Nacional estão dispostos a pagar o preço por uma “reforma” em área tão estratégica e tão fundamental para o exercício da cidadania. Com 70% de aprovação popular, e com os movimentos sociais nas ruas, Lula da Silva não teve coragem de enfrentar o monstro e agora paga caro por sua covardia. Terá a Dilma coragem com aprovação semelhante, ou nossa meia dúzia de Murdochs seguirão intocáveis sob o manto da liberdade de e(i)mprensa?

 
*Jaime Amparo Alves é jornalista, doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas em Austin –amparoalves@gmail.com

Revistas de alto impacto publicam as piores fraudes

Do Observatório da Imprensa, Por Mauro Malin em 24/12/2012 na edição 726

Um professor veterano da Universidade do Texas, Charles “Chip” Groat, pediu demissão ao final da revisão de um estudo que conduziu sobre o processo de perfuração do solo conhecido como fracionamento hidráulico (“hydraulic fracturing”, ou “fracking”). A informação saiu em reportagem do site StateImpact Texas no dia 6 de dezembro.

O relatório original de Groat, divulgado em fevereiro de 2012, tratava de extração de gás de xisto (“Fact-Based Regulation for Environmental Protection in the Shale Gas Development”). Concluía não haver relação entre método de perfuração e contaminação da água. O que o autor não revelou é que ele integrou o conselho de uma empresa de perfuração durante todo o tempo que durou o estudo, o que lhe valeu receber US$ 1,5 milhão em cinco anos. A revisão encontrou erros de elaboração, além de outras falhas na maneira como o relatório foi divulgado.

Fórum Mundial de Ciência

Ética na ciência e na comunicação de ciência é um dos grandes temas propostos para a discussão da participação brasileira no sexto Fórum Mundial de Ciências (FMC), que se realizará no Rio de Janeiro em novembro de 2013 (veja informações sobre o evento em http://fmc.cgee.org.br/). Uma entrevista e um artigo trataram do assunto em edições recentes deste Observatório (“Comunicação científica para um público mais atento” e “Ciência em tom jornalístico”).

A preparação brasileira para o FMC incluiu até agora quatro encontros preparatórios, realizados em São Paulo, Belo Horizonte, Manaus e Salvador. Nesse último, a médica Eliane S. Azevêdo, professora emérita e ex-reitora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em palestra sobre “Desafios da Ética e Integridade Científica”, falou sobre a influência da ciência na definição de políticas públicas nas áreas da saúde pública, medicina, clima, ambiente, agricultura, energia, influência que amplia a exigência de ética na condução e na divulgação das pesquisas.

Dois fenômenos foram destacados pela professora: o crescimento do número de desvios éticos em publicações científicas e subsequente retratação pública de artigos publicados, e o custo da má prática em ciência, assunto novo, abordado com rigor e clareza pela palestrante.

A professora Eliane concordou em dar a entrevista abaixo, feita por correio eletrônico, na qual ela destaca que as fraudes mais graves são produzidas por pesquisadores de primeiro time, por isso sua detecção é mais difícil, custa mais caro e demora mais, do que resultam danos mais extensos e profundos.

Em relação aos meios de comunicação, a ex-reitora diz que “as desonestidades mais graves, isso é, fabricação e ou falsificação de dados são preferencialmente publicadas em revistas de alto impacto (Science, Nature, Cell etc.).”

Mais fraudes, vigilância intensificada

O aumento do número de retratações, observado em pesquisa que a senhora mencionou em sua apresentação, indica acréscimo da ocorrência de comportamentos fraudulentos ou intensificação da vigilância?

Eliane S. Azevêdo – Creio tratar-se de uma confluência de fatores dentre os quais intensificação da vigilância e aumento de ocorrência, conforme lembrado. Esses fatores, todavia, estão interligados a variáveis causais como pressões institucionais por publicações; obsessão em atendê-las; competição por recursos; prestígio conferido a currículos longos; crescente número de pesquisadores; ambições pessoais sem crivo moral, etc. Além disso, ações educativas para a boa prática científica ainda são incipientes e até mesmo ausentes em muitas instituições universitárias, grupos de pesquisa, cursos de pós-graduação, editores de revistas, etc.

A senhora diria que falhas de filtragem de artigos em revistas científicas tendem a ser magnificadas em jornais e revistas, cujos filtros costumam ser muito mais precários?

E.S.A. – As editoras de revistas científicas e seu corpo editorial compartilham igual responsabilidade social na divulgação de boa ciência, isso é, ciência sem fraudes, fabricação, falsificação, plágios, autoplágios, duplicações, fatiamentos, etc. A criação do COPE (Commitee on Publications Ethics) em 1997, na Inglaterra, e ampliação à Wade (World Association of Medical Editors) com objetivo central de prover editores e revisores com conhecimentos para melhor lidar com situações suspeitas de desvios éticos na pesquisa, traduz a importância do problema sob o olhar das revistas científicas. Infelizmente, não se trata de uma prática dos editores em todos os países, e suspeitamos ser praticamente inexistente em jornais e revistas de divulgação.

As revistas científicas devem funcionar como a última barreira na filtragem ética. Se falha a filtragem e a publicação é reproduzida em jornais e revistas dificilmente haverá reversão de danos com a retratação.

No Brasil, cientistas alertam imprensa

Ao que tudo indica, a grande imprensa brasileira está alheia à extensão dos prejuízos causados pelas falhas éticas em publicações científicas. A senhora concorda com essa hipótese?

E.S.A. – Ainda que esteja alheia a uma avaliação criteriosa dos prejuízos, não está alheia à existência das questões da integridade científica. Existem cientistas brasileiros alertando e até mesmo conclamando por ações educativas e ou de vigilância. Considero urgente que, no Brasil, a geração atual de pesquisadores íntegros aponte os danos intelectuais, morais e financeiros gerados pela má prática científica e agregue reflexões pertinentes aos ensinamentos que transmite aos alunos. Existe ampla literatura internacional sobre o tema, inclusive com estudos de meta-análise sobre artigos retratados e formula&cced

il;ão matemática para cálculo do custo financeiro de um artigo retratado. [Meta-análise, segundo o criador do termo, Gene Glass, é “uma análise estatística de grandes coleções de resultados de estudos individuais com o propósito de integrar os achados desses estudos”; fonte: Wikipedia.]

O perfil dos desonestos em ciência já começa a ser desenhado: não são intelectualmente medíocres; as desonestidades mais graves, isso é, fabricação e ou falsificação de dados são preferencialmente publicadas em revistas de alto impacto (Science, Nature, Cell etc.). Quando a má prática é menos grave, por plágio ou duplicação, a preferência é por revistas de médio impacto. Essas associações são relatadas com significância estatística. Assim, a ocorrência e o tipo de má prática em ciência têm certa aderência ao nível intelectual dos desonestos. O recorte moral dos cientistas atuais parece não diferir do resto da humanidade… Teríamos sido diferentes no passado? Confiamos que melhoremos no futuro…

Demora agrava prejuízos

Fale sobre as consequências negativas da demora entre a publicação de texto fraudulento e a retratação.

E.S.A. – Começamos a pensar sobre essa associação em 2009, quando lemos na newsletter do Office of Research Integrity (ORI) o relato de dezesseis artigos retratados, todos da autoria de dois pesquisadores americanos e publicados entre os anos de 1997 e 2005. Entre o início das publicações e a data das retratações passaram-se doze anos, período suficiente para que se construísse uma corrente de pensamento médico e práticas de ensino fundamentadas na consulta a artigos de revisão ou de meta-análise. Assim, resolvemos verificar através do repositório PubMed. Encontramos não apenas um longo trabalho de revisão com quatro citações dos artigos retratados, mas, também, o próprio texto da revisão tecia elogios aos trabalhos dos dois pesquisadores, agora reconhecidos como desonestos. Imaginamos que quanto maior o tempo decorrido entre a publicação fraudulenta e sua retratação mais se difundem danos irreparáveis à ciência. Com essa visão, escrevemos à direção do ORI, que publicou nossas considerações na newsletter de dezembro de 2009. Estudos recentes (Fang e col. 2012) demonstraram que o tempo entre a publicação e a retratação é em média de dois anos nos casos de plágio e de quatro anos nos casos de fraudes.

Plágio e fraude

Que mecanismo está por trás da constatação de que “quanto pior o tipo de fraude, mais tempo ela demora para ser reparada”.

E.S.A. – Os casos de plágios podem ser detectados por qualquer pessoa e comprovados mediante comparação dos dois textos: original e plagiado. Além disso, já existem no mercado aplicativos com funções específicas para detectar plágios.

Nos casos de fraudes, por outro lado, percorre-se penoso processo de investigação que nasce com a denúncia de suspeita, verificação inicial por comissão local da instituição, subsequente abertura de processo investigatório por órgão credenciado. A investigação examina as anotações originais, entrevista pessoas da equipe, além de conduzir o interrogatório aos pesquisadores suspeitos. Tudo isso requer tempo/horas de competentes pesquisadores, advogados, técnicos, burocracias, etc. e tem alto custo financeiro. É raro situações como a de certo pesquisador que impediu o andamento da investigação sob a alegação que os papéis com as anotações originais “o cupim comeu…” Por outro lado, não são raros os pesquisadores assumirem-se culpados, conforme constatamos nos relatórios públicos do ORI. Nos EUA, o ORI é órgão governamental com função específica de receber denuncia de má prática científica, conduzir o processo investigatório, divulgar as conclusões, indicar artigos para retratação e aplicar as respectivas penalidades aos pesquisadores infratores. Infere-se, assim, que quanto mais elaborada a montagem científica da fraude mais difícil vencer as dissimulações do pesquisador desonesto.

O CNPq constituiu uma comissão de ética, mas, salvo engano, ela ainda não teve oportunidade de examinar nenhum caso e de tomar alguma deliberação. Qual sua expectativa em torno do trabalho dessa comissão? Os problemas de fraude são graves no meio científico brasileiro?

E.S.A. – Temos conhecimento, sim, da criação dessa comissão. Percebemos que criar uma comissão tenha sido o passo preliminar para posterior instalação de um órgão ligado ao CNPq, mas independente, dirigido por pessoa de alta qualificação moral e científica e em dedicação exclusiva, amparada por competente equipe e infraestrutura investigatória, tudo isso bem protegido de qualquer fluxo de influência. Acreditamos não ser fácil, porém, sem ser impossível, criar-se algo semelhante ao ORI aqui no Brasil.

Desconhecemos estudos que indiquem a frequência de fraudes científicas no Brasil. Casos isolados já vieram a público. Concluímos reafirmando que ações educativas sobre integridade científica devem ser oferecidas, de imediato, na formação de jovens em iniciação científica, nos cursos de graduação e de pós-graduação, nos institutos de pesquisa, e paralelamente exigidas pelas agencias de fomento e revistas científicas.

Mais um acusador no banco dos réus

Para um moralista que vive apontando os deslizes éticos dos outros, nenhuma foto pode definir melhor o senador Álvaro Dias, PSDB do Paraná, do que esta. Tornou-se um dos maiores acusadores do PT, do governo e muito particularmente de Lula, o grande alvo de todos eles.

Ninguém pode imaginar que qualquer homem, ainda mais sendo um político, será unanimidade em qualquer parte do mundo. Assim, é natural que sempre existam os que jamais aceitarão as virtudes de quem quer que seja.

A aprovação de Lula bateu todos os recordes no Brasil, alcançando níveis jamais observados. Além disso, não só se projetou internacionalmente de forma inimaginável como o Brasil ganhou destaque e passou à condição de país indispensável nas discussões sobre os destinos do mundo.

Insisto em dizer, porém, que é mais do que natural que muitos não aceitem. O que chama a atenção, entretanto, é a insistência dessa parcela da sociedade em acreditar em tudo que se diz contra Lula, não importa quem diga.

Marcos Valério, envolvido em todo tipo de corrupção desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando começou todo o processo, condenado a 40 anos de prisão, desesperado, tenta recorrer a delação premiada e acusa Lula. É claro que a nossa grande e isenta (!!!) mídia, leia-se Rede Globo, Veja, Folha e Estadão, transforma isso em mais um escândalo.

À noite no Jornal Nacional, o mesmo desfile de sempre exibe os mesmos historiadores, sociólogos, colunistas, artistas e claro, eles, os políticos da nossa pobre e moribunda oposição. E lá, é claro, não podiam estar de fora, como nunca estiveram, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Carlos Sampaio, Onix Lorenzoni, ACM Neto (meu Deus do Céu)…

Com a descoberta do verdadeiro caráter, envolvimento com corrupção e consequente cassação de Demóstenes Torres (ex-senador pelo DEM de Goiás), um dos homens mais pródigos em acusação e tramas gurgelescas* (claro que contra o PT) no cenário político brasileiro, o posto de acusador mor ficou a cargo de Álvaro Dias, senador pelo PSDB do Paraná (que já disputava esse cargo com Demóstenes).

Justiça se faça, sempre desempenhou muito bem esse papel, haja vista a quantidade de CPIs que ele sempre tenta abrir (não precisa ficar aqui toda hora dizendo contra o PT, claro).

É evidente que o papel de acusador mor tem que ficar a cargo de um político sério, digno, de moral ilibada, acima do bem e do mal, alguém como Demóstenes Torres. Assim, como não poderia ser diferente, coube a Álvaro Dias, senador pelo PSDB do Paraná.

O nobre senador http://localhost/wp/endo2/pages//posts/senador-alvaro-dias-um-novo-demostenes-torres448.php, no momento, acumula oito processos. Um deles resultou nas perguntas feitas por Helena Sthephanowitz, que podem ser vistas aqui http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/ e aqui, no blog de Luis Nassif http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/oito-perguntas-para-o-senador-alvaro-dias

 

Oito perguntas para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sobre o aparecimento de sua fortuna de mais de R$ 16 milhões:

1) Tem cheque da organização de Cachoeira nos R$ 16 milhões da venda das casas, assim como aconteceu com o colega tucano Marconi Perillo? Afinal, por que Álvaro Dias votou contra o indiciamento de Cachoeira na CPI?

2) A grilagem de terrenos públicos em Brasília para especulação imobiliária sempre foi caso de polícia no Distrito Federal, principalmente nos governos de Joaquim Roriz, mas também há indícios durante o governo de José Roberto Arruda (o do mensalão do DEM). O senador tucano poderia divulgar a escritura pública de aquisição dos terrenos e a certidão no Registro de Imóveis? Ou o jornalismo investigativo terá que fazer busca nos cartórios?

3) Qual foi a empreiteira que construiu as casas? E por qual valor por metro quadrado?

4) Há lobistas ou corruptores atuantes no Senado entre os compradores das casas? O senador tucano poderia divulgar as escrituras públicas de venda das casas? Ou o jornalismo investigativo terá que fazer busca nos cartórios?

5) O senador tucano oferece seus sigilos bancários e fiscais para averiguação da origem da fortuna superior à R$ 16 milhões?

6) O senador tucano vai pedir para Comissão de Ética e Decoro parlamentar abrir uma investigação sobre si, já que votou no passado pela cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por um problema de pensão semelhante, porém envolvendo valores muito mais baixos.

7) O senador tucano vai pedir para o Instituto de Criminalística da Polícia Federal fazer uma investigação sobre sua evolução patrimonial, semelhante à que foi solicitada no caso do senador Renan Calheiros?

8) O senador tucano vai pedir para o Procurador Geral da República abrir um inquérito sobre a origem dos R$ 16 milhões, da mesma forma que exigiu no caso do ex-ministro Palocci?

*Gurgelesco – assim como maquiavélico é relativo a Maquiavel, gurgelesco é relativo a Gurgel.

Senador Álvaro Dias: Um novo Demóstenes Torres?

Demóstenes Torres era um dos nomes da oposição (PSDB/DEM/Mídia) que estavam sendo preparados para uma eventual disputa à presidência da república. Todos os dias aparecia nas telas da TV, particularmente da Globo, como um paladino da justiça e da moral.

Entretanto, apesar das várias tentativas, de tão escandaloso que era não houve como abafar o caso do seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira e ele foi cassado mesmo antes da CPI (do Cachoeira, como ficou conhecida). Apesar da grande pizza que o PSDB/DEM/Mídia armou (veja aqui http://localhost/wp/endo2/pages/posts/o-psdb-transforma-a-cpi-numa-grande-pizza444.php), o que a CPI apurou é que há muito mais gente envolvida, inclusive o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e a revista Veja, com o seu editor, Policarpo Jr. (segundo Collor, o caneta).

Há poucos dias postei aqui no site um texto de Leandro Fortes com o título “A moral de velhas prostitutas” (veja aqui http://localhost/wp/endo2/pages/posts/a-moral-de-velhas-prostitutas434.php). Leandro Fortes fala justamente desses paladinos cuja vida política nesses últimos 10 anos se resume a acusar, claro que o PT e/ou governo.

Surge agora mais um Demóstenes Torres. Trata-se nada mais nada menos de Álvaro Dias, senador pelo PSDB do Paraná, um recordista em pedir a instalação de CPIs, claro que contra o PT e/ou governo.

Ocorre que o senador Álvaro Dias do PSDB acabou de ser condenado pela Justiça por não ter pago pensão a uma filha – ainda menor de idade – fruto de relacionamento extraconjugal com a funcionária pública Monica Magdalena Alves. O tucano responde a processos em segredo de justiça por abandono afetivo e corre risco de ter o seu patrimônio bloqueado. A ação judicial pede ainda a anulação da venda de cinco casas em Brasília avaliadas em R$ 16 milhões – patrimônio muito alto para alguém que vive apenas da atividade política (veja aqui http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/88809/Filha-condena-%C3%81lvaro-Dias-em-caso-de-R$-16-milh%C3%B5es-cachoeira-senador-requerimento.htm)

Em princípio pode parecer uma questão pessoal e não interessaria a ninguém. Concordo inteiramente, mas deve ser lembrado que o PSDB/DEM/Mídia não tem a menor preocupação com questões pessoais quando quer atingir Lula e o PT. São vários os exemplos, o mais atual é o que estão tentando fazer para criar um caso amoroso entre Lula e Rosemary Noronha. Sobre essas questões, conversaremos muito em breve.

Deixemos de lado a vida pessoal do senador. O grande problema é que a ação judicial pede a anulação da venda de cinco casas em Brasília avaliadas em R$ 16 milhões. Por muito menos, aliás, como sempre, o PSDB/DEM/Mídia produziu mais um escândalo do governo e do PT, derrubando o ex-ministro Palocci. Ele teve que se explicar quando apareceu com apartamento de R$ 6 milhões em São Paulo. Como é que agora fica essa questão de casas de Álvaro Dias, Senador pelo PSDB, no valor de R$ 16 milhões, só em Brasília?

É claro que você não vai ver a escandalização dessa questão no Jornal Nacional e na Veja. Na verdade, você não vai ver essa notícia. Recorro a Leandro Fortes e o seu artigo sobre a moral de velhas prostitutas.

O Natal de Juazeiro

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
 
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem!
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem!

Esses são versos da música Boas Festas que, muito provavelmente, você já conhece, do compositor baiano Assis Valente (ouça aqui cantada por Maria Betânia http://www.youtube.com/watch?v=8wpovHCGGuo).

Há quem afirme que o estímulo à fantasia do Natal e de Papai Noel seria algo prejudicial à criança, com consequente prejuízo à formação do adulto. Assis Valente teve a sua experiência ruim com o Natal, talvez mais de uma. Também já tive pelo menos uma que poderia se transformar, mas não se transformou, em algo negativo. Conto ela aqui http://localhost/wp/endo2/pages/posts/natal12.php.

“Vítima” da fantasia de Papai Noel, nunca consegui ver nada de negativo que tivesse interferido na minha formação. Nas minhas filhas, criadas como eu fui, também não. É a mentirinha mais gostosa do mundo.

São inesquecíveis as minhas noites de Natal, ainda criança, em minha querida Juazeiro (BA).

A Missa do Galo na Catedral era o grande momento. Os moradores, entre os quais meus pais, levavam as suas cadeiras e a missa era celebrada do lado de fora, na frente da igreja. Em toda a praça, além das orações e cânticos, ouvia-se o bater forte dos corações das crianças, pela ansiedade da hora de dormir, a hora em que Papai Noel ia passar.

Meu Deus, que magia que existia naquelas noites. Que força era aquela? Nostalgicamente, aquelas noites povoam a minha mente. Não uma nostalgia como ela é definida, melancólica, triste, mas como um sopro de vida e esperança, um sopro de vida e esperança que se projeta nas minhas filhas. Eram de uma beleza jamais imaginada. Um filme de Fellini. E eu era um dos atores.

Assim foi o meu Natal durante os mais belos anos da minha vida. Naquelas noites de Natal de Juazeiro, os nossos corações cantavam hoje é um novo dia, um novo tempo… Não era um jingle. Era um sentimento.

Que todos vocês tenham o Natal de Juazeiro.