O Natal de Juazeiro

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
 
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem!
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem!

Esses são versos da música Boas Festas que, muito provavelmente, você já conhece, do compositor baiano Assis Valente (ouça aqui cantada por Maria Betânia http://www.youtube.com/watch?v=8wpovHCGGuo).

Há quem afirme que o estímulo à fantasia do Natal e de Papai Noel seria algo prejudicial à criança, com consequente prejuízo à formação do adulto. Assis Valente teve a sua experiência ruim com o Natal, talvez mais de uma. Também já tive pelo menos uma que poderia se transformar, mas não se transformou, em algo negativo. Conto ela aqui http://localhost/wp/endo2/pages/posts/natal12.php.

“Vítima” da fantasia de Papai Noel, nunca consegui ver nada de negativo que tivesse interferido na minha formação. Nas minhas filhas, criadas como eu fui, também não. É a mentirinha mais gostosa do mundo.

São inesquecíveis as minhas noites de Natal, ainda criança, em minha querida Juazeiro (BA).

A Missa do Galo na Catedral era o grande momento. Os moradores, entre os quais meus pais, levavam as suas cadeiras e a missa era celebrada do lado de fora, na frente da igreja. Em toda a praça, além das orações e cânticos, ouvia-se o bater forte dos corações das crianças, pela ansiedade da hora de dormir, a hora em que Papai Noel ia passar.

Meu Deus, que magia que existia naquelas noites. Que força era aquela? Nostalgicamente, aquelas noites povoam a minha mente. Não uma nostalgia como ela é definida, melancólica, triste, mas como um sopro de vida e esperança, um sopro de vida e esperança que se projeta nas minhas filhas. Eram de uma beleza jamais imaginada. Um filme de Fellini. E eu era um dos atores.

Assim foi o meu Natal durante os mais belos anos da minha vida. Naquelas noites de Natal de Juazeiro, os nossos corações cantavam hoje é um novo dia, um novo tempo… Não era um jingle. Era um sentimento.

Que todos vocês tenham o Natal de Juazeiro.

CPI: tucanos e companhia expõem sua hipocrisia e falta de pudor

Por Demarchi

Com a manobra desencadeada e bem sucedida ontem para arquivar o relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) na CPI do Cachoeira, o PSDB expõe ao país sua hipocrisia e absoluta falta de pudor. Simplesmente esconde da nação uma organização criminosa que capturou um Estado, o de Goiás, e evita que seu governador Marconi Perillo, do PSDB, seja indiciado.

Até mesmo o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM (depois, só às vésperas de ser cassado, ele deixou o partido), é poupado, além de um deputado também do PSDB goiano. Mas ficou evidente, também, que uma ignomínia dessas só é possível com a ajuda da grande mídia, que não só apoiou a liquidação da CPI como fez campanha todo o tempo contra ela.

Fez  desde o inicio, oito meses atrás, mentindo para seus leitores ao dizer que o PT não queria a CPI, quando foi o partido que a requereu e a instaurou; continuou a fazer depois dizendo que era um ato de vingança do PT e do ex-presidente Lula; e sustentou a infâmia durante todo o funcionamento da comissão, dizendo que não queríamos investigar.

Até o último dia da CPI, mídia distorce informações

Ainda agora, continua a bater duro e enviezadamente contra a CPI e a desinformar os leitores. Como faz o Estadão, por exemplo, nessa matéria de hoje com a chamada no alto da 1ª página "CPI do Cachoeira termina em acordo e sem indiciados" e com o título interno "Base e oposição fazem acordo e CPI do Cachoeira termina sem indiciados". Isso é um escárnio do Estadão! A começar pelas chamadas, pelas manchetes. Não houve acordo, Estadão, o relatório do deputado Odair Cunha foi derrotado pelo PSDB, DEM, PPS e PMDB.

Ao final, a mídia atingiu o objetivo que sempre buscou: a impunidade para o tucanato, mais uma vez. Uma vergonha!

Mas, mesmo com toda essa parcialidade da cobertura da imprensa, a CPI do Cachoeira deixa um aprendizado para a cidadania: com essa sucessão de manobras e com esse final, fica patente para os brasileiros que a ética e a moralidade do tucanato e de seus aliados são de ocasião. E falsas. Assim como a de seus aliados na imprensa, sejam os donos dos veículos de comunicação, sejam os jornalistas que, nessa parceria, terminaram sendo os verdadeiros autores do enterro da CPI.

A pressão sempre foi para excluir Perillo

Mesmo com esse final melancólico, a CPI deixa, ainda, outra lição para a cidadania e para a história: a de como o crime organizado capturou um Estado brasileiro e continua impune. Vamos ver agora como se comportam o Ministério Público Federal e a Justiça que, ao invés de atuarem em cima de tudo o que apurou a Comissão e estava arrolado nas mais de cinco mil páginas do relatório do deputado Odair Cunha (PT), receberão o resumo de uma página e meia aprovado na última sessão da CPI.

Página e meia com a mera e simplres recomendação de que as informações apuradas sejam compartilhadas com o MPF-GO, a Procuradoria Geral e a Polícia Federal. De onde, aliás, a maior parte delas já veio.

Tem razão, portanto, o relator, deputado Odair Cunha, em suas afirmações na sessão final de ontem da CPI: "É lamentável, que, apesar de todo o esforço feito pe¬los membros da CPI, por todos nós aqui, e diante de provas incon¬testes da CPMI, não exista um juí¬zo de valor sobre nada. Ela (a CPI) se nega a fazer aquilo que é a sua missão essencial: levantar provas, identi¬ficar indícios e apresentar conclu¬sões. As conclusões aqui são na¬da, um vazio, Uma pizza geral, lamentável."

O PSDB transforma a CPI numa grande pizza

Todos os dias vemos os políticos do PSDB na televisão criando denúncias, sempre apoiados pela “grande imprensa”. Mal sabem as pessoas o que realmente fazem, porque a farsa é bem feita.

O PSDB, por exemplo, vem sendo contra a redução da conta de luz que o governo Dilma quer fazer (veja aqui), porque os seus interesses são sempre os dos privilegiados. Claro que isso não sai na “grande imprensa”, é abafado.

O PSDB vive fazendo CPI (quando visa tentar destruir o PT), mas age por baixo do pano para barrar várias CPIs. No estado de São Paulo, onde o PSDB manda há mais de 20 anos, existem mais de 20 CPIs engavetadas pelos políticos do partido.

Tentou barrar a CPI de Carlinhos Cachoeira e como não conseguiu, fez muita confusão para fazer de conta que era o PT que não queria, claro sempre contando com o apoio da “grande imprensa”.

Todos os documentos, que a “grande imprensa” fez de tudo para manipular, mostraram o envolvimento de vários políticos, jornalistas e da revista Veja com o esquema de corrupção de Carlinhos Cachoeira. O relatório final da CPI indiciou todos eles, mas não foi nem votado. Fizeram.um relatório paralelo em que os nomes principais foram retirados da lista. Mais uma pizza.

Veja como era o relatório (no final do texto veja quem votou contra)

O relatório de Odair Cunha (PT), relator oficial da comissão durante os vários meses de funcionamento, concluía pela acusação de 41 pessoas: para 29, foi recomendado o indiciamento, e para 12, por terem foro privilegiado, foi solicitada a responsabilização. Todas, na visão do relator, têm ou tiveram relação com o esquema ilegal do bicheiro Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar uma quadrilha ligada à exploração de jogos ilegais, envolvendo autoridades e agentes públicos.

Entre as pessoas que Cunha responsabilizou estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO), o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish.

Antes da votação do relatório final, Cunha apresentou as alterações que fez após receber as sugestões dos demais integrantes da comissão, mas mesmo assim foi vencido pelos integrantes da comissão.

Cunha retirou do seu parecer final o pedido de análise da conduta do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, e de todos os jornalistas citados. Além deles, o vereador Elias Vaz (PSOL-GO) foi excluído da lista dos responsabilizados por "não nos parecer que houve associação para o crime por parte do vereador". Também foram subtraídos os pedido de indiciamento do superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Marco Aurélio Bezerra da Rocha e do empresário Rossine Guimarães. 

Repercussão

Cunha disse que a CPI terminou em uma "pizza geral, lamentável". "Não me compete aqui ficar tendo sentimentos, o que eu posso dizer que é lamentável, que apesar de todo o esforço feito pelos membros da CPI, por todos nós aqui, diante de provas incontestes, a CPMI não existe um juízo de valor sobre nada. Ela se nega a fazer aquilo que é a sua missão essencial. Levantar provas, identificar indícios e apresentar conclusões. As conclusões aqui são nada, um vazio, Uma pizza geral, lamentável", afirmou ao final da sessão. 

Você conhece o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) porque todos os dias ele aparece no Jornal Nacional pregando moralidade, um jogo conhecido. A Rede Globo e a Veja fazem dele o paladino da justiça e da moral (como faziam com Demóstenes Torres), mas quem acompanha política sabe quem ele realmente é. Com todo o seu cinismo foi capaz de dizer que “o Parlamento abdicou da sua responsabilidade de investigar", mas negou que o PSDB tenha articulado para aprovar o relatório de Pitiman para livrar o tucano Perillo.

Todos os políticos do PSDB que fizeram parte da CPI votaram contra o relatório final que indiciava vários políticos (veja no final do texto como votaram os integrantes da CPI) e ele diz que o PSDB não trabalhou contra.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) criticou o acordo feito entre parlamentares para aprovar o relatório de Pitiman: "O que vocês assistiram hoje aqui é pior do que pizza, é champanhe francês em Paris com guardanapo na cabeça. (…) Aqueles que protagonizaram a conspiração da madrugada, da calada da noite, de mudanças de parlamentares para votar na última hora serão julgados pela história."

O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) fez coro: "De mais de 5.000 páginas [do relatório de Cunha], nós tivemos uma página e meia do relatório do deputado Pitiman, o que é lamentável sob todos os aspectos. Como estamos em véspera de Natal, é uma presepada o que foi apresentado na CPI".

Senadores a favor do relatório final da CPI (o que não foi aprovado pelo PSDB):

Aníbal Diniz (PT-AC)
Jorge Viana (PT-AC)

Lídice da Mata (PSB-BA)
Pedro Taques (PDT-MT)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
João Costa (PPL-TO)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)

Senadores contra o relatório final da CPI:

Sérgio Petecão (PSD-AC)
Sérgio Souza (PMDB-PR)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Ivo Cassol (PP-RO)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Jayme Campos (DEM-MT)
Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP)
Marco Antonio Costa (PSD-TO)

Deputados a favor do relatório final da CPI:

Cândido Vacarezza (PT-SP)
Odair Cunha (PT-MG)
Paulo Teixeira (PT-MG)
Íris de Araújo (PMDB-GO)
Ônyx Lorenzoni (DEM-RS)
Glauber Braga (PSB-RJ)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Rubens Bueno (PPS-PR)< br /> Jô Moraes (PCdoB-MG)

Deputados contra o relatório final da CPI:

Luiz Pitiman (PMDB-DF)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Domingos Sávio (PSDB-MG
)
Gladson Cameli (PP-AC)
Maurício Quintela Lessa (PR-AL)
Sílvio Costa (PTB-PE)
Filipe Pereira (PSC-RJ)
Armando Vergílio (PSD-GO)
César Halum (PSD-TO)

Datafolha: De onde vem a força de Dilma-Lula?

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

"Se a eleição fosse hoje, Dilma ou Lula venceriam", anuncia a manchete da "Folha" deste domingo para surpresa dos muitos analistas da grande imprensa que nos últimos meses chegaram a prever o fim da hegemonia do PT e das suas principais lideranças, que em janeiro completam dez anos no comando do país.

Após sofrer o mais violento bombardeio midiático desde a sua fundação, em 1980, o PT chega ao final de 2012, em meio do seu terceiro mandato consecutivo no Palácio do Planalto, como franco favorito para a sucessão presidencial, sem adversários à vista, segundo o Datafolha.

Os dois petistas estão praticamente empatados: Dilma teria 57% dos votos e Lula, 56%, ambos com mais votos do que todos os adversários juntos.

Na pesquisa espontânea, Lula, Dilma e o PT chegariam a 39%, enquanto os candidatos de oposição somariam apenas 7%.

A grande surpresa da pesquisa é a força demonstrada por Marina Silva (ex-PT e ex-PV), que ficaria em segundo lugar nos quatro cenários pesquisados.

O curioso é que Marina, que teve 19,3% dos votos na eleição de 2010, está há dois anos sem partido, desaparecida do noticiário político, e chega a 18% das intenções de voto na pesquisa estimulada, bem acima do principal candidato da oposição, o tucano Aécio Neves, que oscila entre 9% e 14%.

Por mais que a mídia se empenhe em jogar criador contra criatura, a verdade é que a atual presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecem formar uma entidade só, a "Dilmalula" – e é exatamente daí que emana a força da dupla, cada um fazendo a sua parte no intricado jogo do poder.

Dilma, que até aqui vem sendo preservada pela imprensa, mais preocupada em destruir a imagem de Lula e do seu governo, saiu esta semana em defesa do ex-presidente quando se tornaram mais violentos os ataques – e foi bastante criticada por isso.

Mas é exatamente na lealdade entre os dois, tanto pessoal como no projeto político, que se baseia esta parceria aprovada por 62% da população brasileira, de acordo com a pesquisa CNI-Ibope divulgada esta semana.

Desde a posse em janeiro do ano passado, Dilma e Lula combinaram de se encontrar a cada 15 dias para conversar pessoalmente sobre os rumos do governo, afastando assim as intrigas que costumam frequentar os salões palacianos.

O resultado está aí: com julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e novas denúncias contra o PT e Lula quase todos os dias, as pesquisas mostram que a grande maioria da população continua satisfeita com o governo e quer que ele continue.

No auge do bombardeio dos últimos dias, e certamente ainda sem saber os resultados das pesquisas, Gilberto Carvalho, ministro da secretaria-geral da Presidência da República, amigo tanto de Dilma como de Lula, desabafou:

"Os ataques sem limites que estão fazendo ao nosso querido presidente Lula têm um único objetivo: destruir nosso projeto, destruir o PT, destruir o nosso governo".

Pelo jeito, até agora não conseguiram. Ao contrário, apenas revelaram o tamanho do abismo que existe hoje entre o mundo real dos brasileiros, que vivem melhor do que antes, e o noticiário dos principais meios de imprensa, que coloca o país permanentemente à beira do abismo, envolvido em crises sem fim.

Isso talvez explique também porque aumentou, no mesmo Datafolha, o índice dos que não confiam na imprensa, que passou de 18% em agosto para 28% em dezembro.

Por tudo isso, penso que é hora do PT sair da defensiva e contar ao país e aos seus militantes o que está em jogo neste momento, dizendo de onde partem e com que interesses os ataques denunciados por Gilberto Carvalho.

Por que insistem?

Outro dia estava lendo um desses textos escritos em jornais da classe (página inteira) e me deparei com esse trecho: “a conhecida técnica de obturação de condensação lateral tem dado lugar às técnicas, como obturação com cone único, obturação por meio da termoplastificação da guta percha com a utilização de aparelhos condutores de calor… melhor preenchimento do sistema de canais radiculares com a obturação, pelo preenchimento dos canais laterais, secundários reduzindo e combatendo a infecção e aumentando o índice de sucesso do tratamento endodôntico”

…Sendo assim, algumas perguntas me vieram à mente: Leia o texto completo

Por que insistem?

É mais do que natural defendermos os nossos pontos de vista. Temos as nossas convicções e o direito de defende-las. Parece, no entanto, não ser recomendável que diante da ausência de evidências, ou, pior ainda, na presença de evidências contrárias insistir com eles.

Outro dia estava lendo um desses textos escritos em jornais da classe (página inteira) e me deparei com esse trecho: “a conhecida técnica de obturação de condensação lateral tem dado lugar às técnicas, como obturação com cone único, obturação por meio da termoplastificação da guta percha com a utilização de aparelhos condutores de calor… melhor preenchimento do sistema de canais radiculares com a obturação, pelo preenchimento dos canais laterais, secundários reduzindo e combatendo a infecção e aumentando o índice de sucesso do tratamento endodôntico”.

Percebe-se sem grande dificuldade que o texto descarta a técnica da condensação lateral e enaltece as vantagens das outras técnicas citadas. Não pretendo entrar no mérito da questão quanto às eventuais vantagens ou desvantagens das técnicas, até porque não é isso que me preocupa. Preocupam-me, mais uma vez, os argumentos utilizados, pela simples razão de que não encontram o devido respaldo nos tampos atuais. Quantos terão lido esse texto (lembre que foi publicado em um jornal da classe) e principalmente, quantos jovens em processo de formação o terão lido?

Vou me ater só a uma pequena parte dele.

Tendo em vista que os canais laterais e secundários (representando os canais que não sejam o principal) são citados separada e especificamente, devo deduzir que ao dizer o “preenchimento do sistema de canais radiculares com a obturação” o autor está se reportando aos túbulos dentinários, concorda comigo?

Sendo assim, algumas perguntas me vieram à mente:

1. Quais são os trabalhos que comprovam que os túbulos dentinários são de fato preenchidos?
2. Quais são os trabalhos atuais que comprovam que realmente os canais laterais, secundários, são de fato preenchidos?
3. Quais são os trabalhos atuais que comprovam que a obturação combate a infecção?
4. Quais são os trabalhos atuais que comprovam que a obturação aumenta o índice de sucesso do tratamento endodôntico?

Há muitas coisas a discutir sobre esse tema, mas é impressionante como, sem nenhum trabalho que o tenha comprovado, ainda se insiste na ideia de vedamento hermético e matar bactéria com a obturação.

Recomendo a leitura de pelo menos esses dois artigos:

Barthel CR, Zimmer S, Trope M. Relationship of Radiologic and Histologic Signs of Inflammation in Human Root-filled Teeth. J Endod 2004:30(2);75-79.
– “Não se encontrou nenhuma relação entre canais laterais ou acessórios não obturados e a presença ou ausência de lesão periapical”.

Ricucci D, Siqueira Jr, JF. Fate of the Tissue in Lateral Canals and Apical Ramifications in Response to Pathologic Conditions and Treatment Procedures. J Endod 2010:36(1);1-15.
 – “Nossas observações histopatológicas demonstraram claramente que os canais laterais nunca estavam completamente preenchidos por materiais obturadores”.

Ofensiva contra Lula não tem mais limites

Por Ricardo Kotscho

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/12/12/ofensiva-contra-lula-nao-tem-mais-limites/

Julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e agora o vazamento na imprensa de novo depoimento feito à Procuradoria-Geral da República por Marcos Valério, réu condenado a 40 anos de prisão: a ofensiva contra o ex-presidente Lula não tem mais limites, é uma guerra sem quartel, sem data para acabar.

Em texto publicado aqui mesmo no Balaio no último dia 2 de novembro, eu já previa: "O alvo agora é Lula na guerra sem fim"

Não bastava condenar os dirigentes do PT acusados no processo do mensalão. O objetivo maior era demolir a imagem do principal líder do partido que completa dez anos no governo central agora em janeiro.

Os antigos donos do poder simplesmente não se conformam de ter perdido o controle do país depois de 500 anos de dominío.

Como não conseguiram recuperá-lo em sucessivas eleições, buscam agora outros meios para impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, atingindo o seu principal eleitor, o ex-presidente Lula.

Para atingir este objetivo, tentam desde o início do governo Dilma jogar um contra o outro, buscando desqualificar o PT e as forças sociais que o levaram à vitória em 2002.

Até hoje não funcionou. Ainda ontem, durante visita oficial à França, a presidente Dilma foi a primeira autoridade brasileira a sair em defesa de Lula:
"É sabida a minha admiração,  meu respeito e a minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas – e esta não será a primeira vez – de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem".
A iniciativa do debate político no país para a discussão dos grandes temas nacionais deixou de ser do Executivo e do Legislativo e hoje é determinado por uma ação coordenada entre a mídia e as instituições jurídico-policiais, que estabelecem a pauta do noticiário.

Na mesma terça-feira em que uma reportagem do "Estadão" vazou as declarações feitas por Marcos Valério em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em setembro, envolvendo Lula no mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao ser indagado sobre a necessidade da abertura de novas investigações, não pensou duas vezes: "Creio que sim".

Foi o que bastou para que a concorrente "Folha" saísse com a manchete garrafal: "Presidente do Supremo quer Lula investigado no mensalão".

Faltando ainda dois anos para as eleições presidenciais de 2014, só posso atribuir esta ofensiva contra Lula agora ao desespero de setores alijados do poder pelo PT que não conseguem encontrar um candidato viável e confiável. Na falta de um candidato, procuram destruir o outro lado.

Cada vez que sai uma nova pesquisa de opinião mostrando a força de Dilma e Lula no eleitorado e a fragilidade dos candidatos da oposição, parece aumentar o furor dos que não se conformam com as conquistas sociais e econômicas dos últimos anos que garantem a alta popularidade dos líderes petistas, apesar do bombardeio sofrido nos últimos meses.

Desta forma, antes mesmo do julgamento do mensalão terminar, vai começar tudo de novo, quem sabe esticando o caso até as próximas eleições presidenciais, enquanto repousam no Supremo Tribunal Federal toneladas de processos antigos envolvendo outros políticos de outros partidos.

O golpe tardio de Marcos Valério

Por Miguel do Rosário
http://www.ocafezinho.com/2012/12/11/o-golpe-tardio-de-marcos-valerio/

Uma das características mais interessantes do golpismo midiático é o endeusamento de bandidos. Desde que estes se prestem a servir a “causa”, ganham ilimitado espaço nos grandes meios de comunicação. Quem irá esquecer os oito minutos que o Jornal Nacional, às vésperas de uma eleição presidencial, deu àquele bandidinho de segunda, que havia acabado de sair da cadeia, Rubnei Quicoli, onde ele acusava a Casa Civil de lhe ajudar a obter um empréstimo de 8 bilhões junto ao BNDES?

Não há santos em política. Não é preciso muita imaginação para supor a quantidade estonteante de chantagens, pressões indevidas, tráficos de influência, subornos, caixa 2, ameaças, que acontecem nos bastidores de Brasília. Se há poder envolvido, tem-se necessariamente um jogo pesado.

Nem PT nem Lula escapam dessa lógica. Eles não têm o poder mágico de remover a podridão humana, nem a alheia, nem a própria.

Dito isto, qualquer acusação contra Lula merece ser analisada com triplo cuidado, porque faz parte do jogo político, desde priscas eras, acusar o adversário das piores felonias.

Hoje o Estadão volta com uma acusação que ele mesmo havia feito há alguns meses, mas acrescentando detalhes que implicariam a pessoa do Lula.

A matéria informa que Valério diz que o esquema pagou despesas pessoais de Lula, e que o presidente deu ok aos empréstimos que o publicitário fez em nome do PT. A acusação, porém, tem as seguintes falhas:

• Como sempre faltam provas. E, segundo o próprio Valério, não há provas de que o dinheiro se destinou a pagar despesas pessoais de Lula, visto que não foi depositado na conta do ex-presidente.
• Lula já era presidente, a maior parte de suas contas poderia ser paga, regularmente, por seu gabinete. Não tem sentido esperar dinheiro de Marcos Valério. Se Valério falasse que depositou milhões para Lula em conta no exterior, haveria sentido, que era o enriquecimento ilícito. Mas pagar contas?
• Quanto ao aval sobre o empréstimo, aí é que não faz sentido mesmo. Em primeiro lugar, foi um empréstimo, que o PT inclusive já quitou. O STF criminalizou um empréstimo legal. Tentou-se, desde o início, pintar o PT como um partido inadimplente e falido, o que é um contrasenso: o PT havia acabado de sair vitorioso de uma eleição onde vencera em estados, além da vitória maior, a presidência. Qualquer banco privado emprestaria ao PT por este motivo.
• Marcos Valério, obviamente, está desesperado com a possibilidade de ficar em cana por décadas. Isso é motivo para, no mínimo, se desconfiar de suas intenções. Além do mais, todo bandido brasileiro da área política já entendeu que basta dar umas cacetadas no PT e, sobretudo, em Lula, para receber a solidariedade inconteste e definitiva da grande mídia.
• Quanto às “ameaças de morte” que teria recebido de Paulo Okamoto, pode-se tratar de uma estratégia astuta para se pintar como vítima.

Felizmente, o golpe em Lula, o milionésimo, chegou tarde. O ex-presidente teve tempo de fazer o que tinha de fazer: melhorar a vida do brasileiro, sobretudo o mais pobre. Para milhões de brasileiros, liberdade de expressão não é apenas poder falar o que quiser, mas também obter as proteínas e a dignidade necessárias para fazê-lo de cabeça erguida.

Os holofotes na Endodontia

Alguns sabem como poucos como atrair os holofotes e se adaptam facilmente às circunstâncias. Novo instrumento, nova técnica, nova possibilidade de solução irrigadora, novo material obturador, funcionam muito mais como oportunidade de atrair os holofotes do que qualquer desejo de fazer avançar a endodontia. É comum haver uma grande distância entre o desejo e o real. Entre o que gostariam que fosse e o que realmente é. Leia o texto completo

Os holofotes na Endodontia

Duvidar da inteligência de Arnaldo Jabor? Não. Dê um microfone e uma câmera de televisão a ele que você verá que, como poucos, facilmente ele fará uma festa. Infelizmente, porém, não o move o jornalismo, mas servir a algo ou alguém e a necessidade dos holofotes. Muitos artistas, escritores, poetas, jornalistas e políticos fazem isso com extrema competência.

Há poucos anos fui convidado para fazer parte de um belo evento de endodontia. Era, na verdade, a segunda vez que iria participar dele. Na primeira, cada professor deu a sua aula e pronto.

Dessa vez, não. Seria diferente (e interessante). Éramos seis brasileiros e 2 estrangeiros. A cada dupla de professores (falando de um mesmo tema, “defendendo e atacando”), todos éramos chamados à frente para participar de um debate. Após cada confronto, como queria o evento, ficávamos debatendo.

Confesso que no início fiquei um pouco preocupado e explico porque. O professor que faria o “confronto” comigo era daqueles bons de gogó. Até aí, sem problema. Ocorre que era daqueles que jogam para a arquibancada. Até aí, sem problema. Ele era inteligente. Aí está o problema.

“Enfrentar” profissionais inteligentes que jogam para a arquibancada é sempre um risco. Você está voltado para apresentar um tema, defender um ponto de vista, colocar argumentos consistentes… Ele está voltado para o seu erro. Ele não pensa em defender um ponto de vista, às vezes nem o tem. Ele quer agradar, dizer o que a plateia deseja ouvir. É comum serem bons comunicadores e é isso que os torna perigosos.

Entretanto, passei a desejar cada vez mais que houvesse o “confronto”. Queria ver até que ponto ele era bom na arte de dissimular. Não houve. Por uma razão qualquer, ele terminou não indo e foi outro professor no seu lugar. Mas, mesmo assim, foi um belo evento.

Alguns sabem como poucos como atrair os holofotes e se adaptam facilmente às circunstâncias. Novo instrumento, nova técnica, nova possibilidade de solução irrigadora, novo material obturador, funcionam muito mais como oportunidade de atrair os holofotes do que qualquer desejo de fazer avançar a endodontia. É comum haver uma grande distância entre o desejo e o real. Entre o que gostariam que fosse e o que realmente é.

Estão espalhados por aí.