A FIESP reconhece que o PSDB age contra o Brasil

Lembra quando falei aqui que Fernando Henrique Cardoso e o PSDB estavam completamente perdidos?

Talvez você não tenha concordado e tenha achado uma bobagem. No entanto, todo o Brasil está se manifestando contra o absurdo que os governos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, todos do PSDB, estão fazendo para prejudicar o povo brasileiro em favor das concessionárias de energia (é claro que esse fato não vai aparecer na Globo e na Veja). Mais uma vez e sem nenhum pudor, curvam-se aos interesses dos grandes em prejuízo do povo, a verdadeira face do consórcio PSDB/DEM/PPS/Mídia.

Todos sabem que entre tantas outras a FIESP e a CIESP sempre se posicionaram contra PT/Lula/Dilma Veja o que eles dizem.

Skaf acusa Cesp, Cemig e Copel: Estão jogando contra todos os brasileiros
publicado em 7 de dezembro de 2012 às 0:41

Paulo Skaf: Brasil não pode abrir mão do desconto de 20% na conta de luz.

Nota à imprensa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), via e-mail

“O governo federal não deve reabrir negociações com quem não aderiu à antecipação de contratos prevista na MP 579, que possibilita o desconto nas contas de luz. Deve levar esses ativos a leilão no final dos contratos, e garantir a redução de 20% para todos. Não se pode frustrar o povo brasileiro trocando esses 20%, uma vitória de todos nós, por 16,7%.”

Essa foi a reação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Paulo Skaf, à notícia de que três estatais do setor elétrico – Cemig (MG), Copel (PR) e Cesp (SP) –  decidiram recusar a antecipação de contratos com desconto, proposta pelo governo federal.

“A presidente Dilma Rousseff anunciou 20% de desconto médio em rede nacional. As estatais que se recusam a aderir ao desconto vão ter que arcar com as consequências de frustrar os brasileiros e mais ainda: de não colaborar para que o Brasil se torne um país mais competitivo.”

Para a Fiesp, que há dois anos encabeça a campanha Energia a Preço Justo, o Brasil não pode perder a oportunidade de promover essa queda na conta de luz de todos os brasileiros.

Segundo a Fiesp, o governo federal deveria aumentar a redução de encargos de forma transitória, entre 2013 e 2015, para garantir o desconto de 20%. A partir dos novos leilões, com a queda no preço da energia, a situação poderia ser reequilibrada. “O importante agora é não abrir mão dessa conquista, que é de todos os brasileiros, ainda que essas estatais estejam jogando contra”, termina Paulo Skaf.

O PSDB vai falar ao povo por que não quer eletricidade mais barata?

O que é que Fernando Henrique Cardoso e os tucanos vão dizer para o povo? Que é preciso respeitar os privilégios abusivos que os especuladores obtiveram com as regras que o governo tucano criou no momento da privatização da Eletrobrás e das empresas produtoras e distribuidoras de energia elétrica no Brasil?

Por José Carlos Ruy

O esforço do governo federal para reduzir as tarifas de energia elétrica em pelo menos 20% esbarra na intransigência dos governos tucanos de São Paulo (Geraldo Alckmin), Paraná (Beto Richa) e Minas Gerais (do PSDB de Aécio Neves), que não aceitaram negociar a renovação das concessões da Cemig, Cesp e Copel.

A consequência foi uma decepção geral, como reconheceu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, nesta quarta-feira (5). A não adesão dos governos tucanos dos três estados levou ao anúncio de uma redução tarifária inferior, de 16,7%, pelo secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann.

Igualmente inconformada, a presidenta Dilma Rousseff declarou, durante um evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (5) que o governo federal vai manter o objetivo de reduzir a tarifa non nível que ela anunciou em 7 de setembro (20,2% no mínimo). “Reduzir o preço da energia é uma decisão da qual o governo federal não recuará, apesar de lamentar profundamente a imensa falta de sensibilidade daqueles que não percebem a importância disso”, disse. Para Dilma, a redução das tarifas elétricas é uma das ações mais importantes para a redução dos custos de produção na economia ao levar à diminuição dos custos de investimentos e ao crescimento sustentável do país.

Ela também atribuiu o valor anunciado hoje (16,6%) à intransigência das empresas concessionárias dirigidas pelos governadores tucanos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. E anunciou que, em 2013, o governo vai redobrar os esforços para reduzir as tarifas, cuja queda, comparou , tem importância semelhante à redução da taxa de juros.

“Quando perguntarem para onde vão os recursos do governo, orçamentários do governo, uma parte irá para suprir a indústria brasileira e a população brasileira, aquilo que outros não tiveram a sensibilidade de fazer. Nós somos a favor da redução dos custos de energia no país e faremos isso porque é importante para o país”, disse a presidenta.

Especuladores resistem contra o corte de privilégios

O governo vem travando, desde setembro, um braço de ferro com as concessionárias de energia elétrica. O governo propõe renovar por até 30 anos as concessões de geração, transmissão e distribuição que vencem entre 2015 e 2017. Em troca deste alargamento do prazo de concessão, as empresas teriam que aceitar uma redução remuneração dos serviços que prestam.

Esta proposta foi materializada na MP 579/12, publicada no Diário Oficial da União em 17 de setembro, e que tramita no Congresso Nacional.

As empresas concessionárias, por sua vez, defendem os altos ganhos que vêm mantendo desde que foram privatizadas, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Consideram baixa a remuneração prevista nas novas condições dos contratos de concessão (o governo fala em lucro médio de 10%, face aos atuais que vão de 15% a 25% ou mais), e reclamam também – e este talvez seja o braço de ferro – das indenizações previstas para a renovação dos contratos cujo valor deve ficar, no cálculo do governo, em 20 bilhões de reais. Estas indenizações se referem à amortização de investimentos feitos pelas empresas e à perda de receitas futuras.

O diretor geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hübner, foi claro a respeito, e considerou “muito alta” a remuneração recebida atualmente pelas concessionárias, dizendo que elas “terão que se readaptar” às novas condições definidas pelo governo.

Hübner explicou que grande parte da tarifa cobrada aos consumidores (sobretudo indústrias e famílias) de energia elétrica inclui a amortização de investimentos feitos que, “uma vez amortizados, restam operação e manutenção”.

Na mesma linha de raciocínio, o secretário geral do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, defende que, uma vez amortizados, estes bens (os equipamentos e as instalações das empresas concessionárias de energia elétrica) pertencem à sociedade, não aos acionistas das empresas. Trata-se de um bem público concedido para a exploração privada por tempo determinado. “Não estamos propondo remuneração de ativos amortizados porque esse é um valor que tem de ir para a sociedade e não para o Tesouro Nacional, como aconteceu em situações anteriores”, disse em audiência pública no Senado. “Um ponto importante a ser considerado (envolve) a decisão de que esses valores sejam levados à sociedade, respeitando todo os contratos e não para acionistas de empresas que estão mudando princípios básicos para se apoderarem de recursos que são da União”.

O capitalismo sem risco dos tucanos

Entretanto, os ganhos especulativos se acumulam sobre estes ativos, explicou Hübner. “Tínhamos uma base de ativos totalmente depreciados e os retornos para os proprietários desses ativos eram enormes. Agora é a hora de levarmos o retorno disso para a sociedade que pagou por essa amortização de ativos”, disse. Isto é, as empresas continuam cobrando na conta de luz a remuneração de ativos que já foram amortizados, remuneração que deveria deixar de existir uma vez que o valor investido já foi reposto. Há situações em que as empresas cobraram duas ou três vezes o valor correspondente à construção da usina geradora de energia elétrica ou aos equipamentos necessários para sua distribuição.

É o capitalismo sem risco, e com ganhos exorbitantes, consolidado no Brasil pelo governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Em outra audiência, na Câmara dos Deputados, Zimmermann referiu-se a este privilégio especulativo defendendo uma postura pública contrária a ele. “É importante que você n

ão beneficie apenas meia dúzia de acionistas, mas sim toda a sociedade”, disse. “Não posso dar direito de um rio a uma concessionária para ficar eternamente remunerando e pagando duas, três vezes o investimento que ela faz”.

Outra reclamação das empresas diz respeito à base de cálculo das indenizações. O governo usa o valor histórico das concessões que vencerão em 2015 e 2017 – isto é, o valor investido pela concessionária quando venceu a licitação e assumiu o controle das empresas, calculado em 18,7 bilhões. As empresas querem o privilégio de serem contabilizadas pelo valor de mercado atual (de R$ 32,7 bilhões), e pleiteiam mais R$ 14 bilhões no cálculo da indenização. O governo não aceita pois os investimentos feitos, que geraram estes ativos, foram amortizados há muitos anos. Já estão pagos.

A enorme resistência que o governo enfrenta para reduzir as tarifas dá uma dimensão do vulto dos interesses especulativos envolvidos. A privatização promovida por Fernando Henrique Cardoso fatiou o sistema Eletrobrás e deu o controle da produção e distribuição da energia elétrica a grandes grupos capitalistas brasileiros e estrangeiros. Na esteira da privatização veio a mudança nos critérios de composição da conta de luz. Desde a década de 1970 eles incluíam a operação e manutenção das empresas, mais uma taxa de remuneração dos investimentos. Com a privatização, a conta de luz passou a incluir também os custos financeiros das empresas concessionárias, entre eles pagamentos de dívidas e juros. O custo da tarifa de energia elétrica deu um salto, colocando o preço deste bem – cuja produção, no Brasil, é muito barata – no topo entre as mais caras do mundo.

Os tucanos dificilmente levarão este debate para as ruas. Não vão falar disso para o povo; aliás, vão esconder. E, como sempre, defender o dogma do “respeito aos contratos” que, na verdade, significa, respeito aos ganhos exorbitantes do capital.

Mais honesta, neste sentido, foi a Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec). Na carta ao secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, defendeu que “não se pode admitir, com a devida licença, que o interesse público que justificou e autorizou a criação de uma sociedade de economia mista seja, posteriormente, transformado em interesse social como forma de justificar a prática por parte de sua administração de atos contrários ao interesse econômico da companhia”. Traduzido em bom português, os interesses do capital estão acima do interesse social!

Por que as populações de São Paulo, Minas Gerais e Paraná pagam energia mais cara?

 

Por Eduardo Guimarães

De 2003 para cá, eleição após eleição a oposição ao governo federal vem minguando em termos de representação parlamentar no Congresso Nacional e do eleitorado que governa. O caso mais grave é o do DEM, que está à beira da extinção, mas o PSDB também tem perdido apoio da sociedade, tendo hoje menos da metade do tamanho que tinha há uma década.

Nas eleições deste ano, enquanto o PT cresceu em número de prefeituras, de vereadores e de munícipes governados, a oposição diminuiu. Inclusive vêm surgindo especulações sobre fusão de PSDB, DEM e PPS, de forma a evitar que se tornem partidos “nanicos”.

Não há melhor explicação para esse fenômeno do que a atitude inexplicável de três governadores do PSDB que tentam sabotar iniciativa do governo Dilma Rousseff que poderia reduzir fortemente o valor das contas de luz de empresas e de pessoas físicas.

A queda no preço da luz poderá ser bem menor do que os 16,2% previstos pela presidente Dilma em setembro, quando anunciou a redução das tarifas.

As populações e as empresas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná serão as únicas do país que não irão se beneficiar do programa federal de redução das contas de luz porque os governadores tucanos Geraldo Alckmin, Antonio Anastasia e Beto Richa estão sabotando abertamente a iniciativa da presidente Dilma Rousseff.

As empresas Cesp, Cemig e Copel, sob controle do PSDB de São Paulo, de Minas Gerais e do Paraná optaram por não prorrogar os contratos de suas hidrelétricas nos moldes propostos pela União.

O mais grave é que, do total de geradoras, 60% aderiram ao plano de Dilma.Todas as nove empresas de transmissão aceitaram renovar agora as concessões que venceriam entre 2015 e 2017.

Veja, abaixo, trecho de matéria da Folha de São Paulo desta quarta-feira (5):

“O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que a opção de Cesp, Cemig e Copel -estatais de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, Estados administrados pelo PSDB, principal partido de oposição ao governo federal- pune também a população desses Estados e que as companhias olharam apenas para o curto prazo.

‘Elas estão causando diretamente o impacto de não atingir os 20,2%. Estão sendo penalizadas as populações de São Paulo, Minas Gerais e Paraná pela decisão que essas empresas tomaram de não aceitar essas regras’, afirmou Zimmermann”

Se fosse preciso encontrar uma explicação para a débâcle oposicionista na última década, ela se resumiria a esse episódio inacreditável. Vejam que, de Norte a Sul, de Leste a Oeste do país, só as empresas geradoras de energia controladas pelo PSDB foram de encontro ao programa do governo federal.

Fica fácil entender que os governadores tucanos acham que podem impedir que o povo e os empresários dos Estados que governam fiquem sabendo que a promessa de Dilma não se concretizou nesses Estados porque eles sabotaram o programa que a materializaria.

Não é à toa que São Paulo, Minas Gerais e Paraná são Estados em que a vida vem piorando enquanto que, no resto do Brasil, melhora a cada ano. Todos os principais programas federais que têm impacto direto junto à população vêm sendo bloqueados.

Em São Paulo, particularmente, governadores como Geraldo Alckmin e José Serra rejeitaram programas federais para a Segurança Pública, para a Saúde, para a Educação, só para evitar que a logomarca do governo federal figurasse nesses programas.

Confiando na aliança com grandes grupos de comunicação, o PSDB e o DEM vêm prejudicando as populações dos Estados e Municípios que governam por razões puramente eleitoreiras. Porém, como se viu na recente eleição no maior colégio eleitoral do país (São Paulo), essas populações já começam a entender que esses partidos são nefastos para o país.

A moral de velhas prostitutas

Por Leandro Fortes http://www.cartacapital.com.br/politica/a-moral-de-velhas-prostitutas/#todos-comentarios

Aos poucos, sem nenhum respeito ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.

Como a versão das conversas grampeadas entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.

Já que a torcida pelo câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está, por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito foi apelar para a vida privada.

Lula pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana. Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos, atingi-lo na vida pessoal.

Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da República.

Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha.

Não há um único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez 18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso. Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto.

O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal. Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem lhes confere o soldo.

Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma, era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam ao emporcalhamento do jornalismo.

Veja o nível dos ministros que julgaram o mensalão

É chocante e assustador ver o quanto as pessoas de “nível superior” são manipuladas todos os dias pela imprensa brasileira. Não são poucos os momentos em que isso se manifesta e um deles está ocorrendo neste exato momento.

A sociedade brasileira não faz a menor ideia da grande farsa que foi o julgamento do mensalão (veja aqui). Juristas renomados, brasileiros e internacionais, já se manifestaram sobre isso (veja aqui). Porém, por diversas razões, não vale a pena falar disso aqui e agora. Entretanto, não há como deixar de registrar que, bem mais cedo do que se esperava, fatos que desmontam o circo começam a aparecer.

Vamos conhecer primeiro o ministro Luiz Fux. Veja a que ponto ele chegou na entrevista da Folha.

Em campanha para o STF, Fux procurou Dirceu
MÔNICA BERGAMO da FOLHA

O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. "Estava nessa luta" para o STF desde 2004 –sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. "Bati na trave três vezes", diz.

‘Pensei que não tinha provas; li o processo do mensalão e fiquei estarrecido’, diz Fux

AVAL
Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada.

Fux "grudou" em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários.

E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. "Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula."

O ministro diz não se lembrar quem era o "alguém" que o apresentou ao petista.

Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de "mensaleiro".

"Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei", diz o magistrado. "Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente."

Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: "A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ".

Foram reuniões discretas e reservadas.

CURRÍCULO

Para Dirceu, também era a hora do tudo ou nada.

Ele aguardava o julgamento do mensalão. O ministro a ser indicado para o STF, nos estertores do governo Lula, poderia ser o voto chave da tão sonhada absolvição.

A escolha era crucial.

Fux diz que, no encontro com Dirceu, nada disso foi tratado. Ele fez o seguinte relato àFolha:

Luiz Fux – Eu levei o meu currículo e pedi que ele [Dirceu] levasse ao Lula. Só isso.

Folha – Ele não falou nada [do mensalão]?

Ele falou da vida dele, que tava se sentindo… em outros processos a que respondia…

Tipo perseguido?

É, um perseguido e tal. E eu disse: "Não, se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer". Uma palavra, assim, de conforto, que você fala para uma pessoa que está se lamentando.

MATO NO PEITO

Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles.

Uma expressão usual do ministro, "mato no peito", foi interpretada como promessa de que ele os absolveria.

Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.

Ele diz que, já no governo Dilma Rousseff, no começo de 2011, ainda em campanha para o STF (Lula acabou deixando a escolha para a sucessora), levou seu currículo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na conversa, pode ter dito "mato no peito".

Folha – Cardozo não perguntou sobre o mensalão?

Não. Ele perguntou como era o meu perfil. Havia causas importantes no Supremo para desempatar: a Ficha Limpa, [a extradição de Cesare] Battisti. Aí eu disse: "Bom, eu sou juiz de carreira, eu mato no peito". Em casos difíceis, juiz de carreira mata no peito porque tem experiência.

Em 2010, ainda no governo Lula, quando a disputa para o STF atingia temperatura máxima, Fux também teve encontros com Evanise Santos, mulher de Dirceu.

Em alguns deles estava o advogado Jackson Uchôa Vianna, do Rio, um dos melhores amigos do magistra do.

Evanise é diretora do jornal "Brasil Econômico". Os dois combinaram entrevista "de cinco páginas" do ministro à publicação.

Evanise passou a torcer pela indicação de Fux.

Em Brasília, outro réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), articulava apoio para Fux na bancada do PT.

A movimentação é até hoje um tabu no partido. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) é um dos poucos que falam do assunto.

Vacarezza – Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.

Folha – E o senhor esteve também na casa do ministro Fux com João Paulo Cunha?

Eu confirmo. João Paulo me ligou dizendo que era um café da manhã muito importante e queria que eu fosse. Eu não te procurei para contar. Mas você tem a informação, não vou te tirar da notícia.

O mensalão foi abordado?

Não vou confirmar nem vou negar as informações que você tem. Mas eu participei de uma reunião que me parecia fechada. Tinha um empresário, tinha o João Paulo. Sobre os assuntos discutidos, eu preferia não falar.

Fux confirma a reunião. Mas diz que ela ocorreu depois que ele já tinha sido escolhido para o STF. Os petistas teriam ido cumprimentá-lo.

Na época, Cunha presidia comissão na Câmara por onde tramitaria o novo Código de Processo Civil, que Fux ajudou a elaborar.

Sobre Maluf, diz o magistrado: "Eu nunca nem vi esse homem". Maluf, avisado do tema, disse que estava ocupado e não atendeu mais às chamadas da Folha. Ele é réu em três processos no STF.

CHORO

No dia em que sites começaram a noticiar que ele tinha sido indicado por Dilma para o STF, "vencendo" candidatos fortes como os ministros César Asfor Rocha e Teori Zavascki, também do STJ, Fux sofreu, rezou, chorou.

Luiz Fux – A notícia saiu tipo 11h. Mas eu não tinha sido comunicado de nada. E comecei a entrar numa sensação de que estavam me fritando. Até falei para o meu motorista: "Meu Deus do céu, eu acho que essa eu perdi. Não é possível". De repente, toca o telefone. Era o José Eduardo Cardoso. Aí eu, com aquela ansiedade, falei: "Bendita ligação!". Ele pediu que eu fosse ao seu gabinete.

No Ministério da Justiça, ficou na sala de espera.

Luiz Fux – Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: "Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal". Foi aí que eu chorei. Extravasei.

De fevereiro de 2011, quando foi indicado, a agosto de 2012, quando começou o julgamento do mensalão, Fux passou um período tranquilo. Assim que o processo começou a ser votado, no entanto, o clima mudou.

Para surpresa dos réus, em especial de Dirceu e João Paulo Cunha, ele foi implacável. Seguiu Joaquim Barbosa, relator do caso e considerado o mais rigoroso ministro do STF, em cada condenação.

Foi o único magistrado a fazer de seus votos um espelho dos votos de Barbosa. Divergiu dele só uma vez.

Quanto mais Fux seguia Barbosa, mais o fato de ter se reunido com réus antes do julgamento se espalhava no PT e na comunidade jurídica.

Advogados de SP, Rio e Brasília passaram a comentar o fato com jornalistas.

A raiva dos condenados, e até de Dilma, em relação a Fux chegou às páginas dos jornais, em forma de notas cifradas em colunas –inclusive da Folha.

Pelo menos seis ministros do STF já ouviram falar do assunto. E comentaram com terceiros.

Fux passou a ficar incomodado. Conversou com José Sarney, presidente do Senado. "Sei que a Dilma está chateada comigo, mas eu não prometi nada." Ele confirma.

Na posse de Joaquim Barbosa, pouco antes de tocar guitarra, abordou o ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo pessoal de Lula. Cobrou dele o fato de estarem "espalhando" que prometera absolver os mensaleiros.

Ao perceber que a Folha presenciava a cena, puxou a repórter para um canto. "Querem me sacanear. O pau vai cantar!", disse. Questionado se daria declarações oficiais, não respondeu.

Veja o que diz Luis Nassif sobre Luiz Fux.
Quando, no decorrer do julgamento do "mensalão", começaram a circular as primeiras versões sobre o périplo de Luiz Fux em Brasília, para conseguir a indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal), confesso que fiquei com um pé atrás e me recusei a divulgar.

O quadro que me traçavam era de uma pessoa sem nenhum caráter. Eram histórias tão esdrúxulas que só podiam partir de quem pretendia desmoralizar o Supremo.

Uma das histórias era sobre sua visita a Antonio Palocci. Ele próprio, Luiz Fux, teria entrado no tema "mensalão" e assegurado que, se indicado Ministro do STF, "mataria no peito" o processo, afastando o perigo de gol.

A mesma conversa teria tido com José Dirceu. Falava-se também das manobras para aproximar-se de Delfim (veja o que Fux disse sobre Delfim – “alguém me disse: ‘Olha, o Delfim é uma pessoa ouvida pelo governo’. Aí eu colei no pé dele [risos]”) e do MST, mas descrevendo um cara de pau tão completo que parecia um exercício de ficção em cima de Pedro Malasartes, Macunaíma ou outros personagens folclóricos.

Fux se vangloria tanto da esperteza que deixou de lado a prudência e confirmou todas as malandragens. Como se diz em Minas, a esperteza comeu o esperto.

Prefere entrar para a história como o esperto. Que assim seja.

“O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga o joga da seriedade para melhor esconder a loucura”. Salvador Dali

]] >

Fernando Henrique Cardoso e o PSDB, completamente perdidos (que loucura)

Quando eu era criança lá na minha querida Juazeiro (BA) já me encantava com os Estados Unidos. Meu sonho; morar lá. É claro que tudo isso se devia ao cinema americano.

Os filmes de “coboi”, de guerra, de amor, de tudo, eram justamente isso, tudo na minha vida. Os filmes de Elvis Presley vieram e deram o tom definitivo daquela paixão. As músicas, os cenários (o Havaí era o paraíso), as mulheres que se atiravam aos seus pés (que inveja). Falar inglês era o sonho de consumo inatingível para aquele garoto. Pelo menos naquele momento.

A influência dos Estados Unidos sobre o Brasil é um fato facilmente observável em nossas vidas. É possível que essa influência encontre poucos momentos de dramaticidade como o da célebre frase de Juraci Magalhães (cearense que fez carreira política na Bahia, tendo sido inclusive governador do estado) – “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. É comum que as pessoas não percebam o peso das palavras.

A vida se encarregou de me mostrar que os Estados Unidos não são exatamente aquilo que eu imaginara. Para muitos, entretanto, ainda é. O espírito de colonizados ainda reina muito forte entre nós, aceitemos ou não.

Fernando Henrique Cardoso é um sociólogo e é tido como um homem inteligente. Entre os que conhecem o assunto há quem afirme que bem melhor do que ele como sociólogo era a sua mulher, Ruth Cardoso, já falecida.

Homem de esquerda que parecia ser e diante dos primeiros momentos da sua guinada no sentido oposto do espectro das esquerdas, há anos disse a frase que se tornou célebre: “esqueçam o que escrevi”. Já esquecemos. Talvez devamos esquecer também o que ele está dizendo e escrevendo hoje.

Diante do fracasso do PSDB/DEM/PPS nas eleições nos últimos 10 anos, inclusive para prefeito agora em outubro, a notícia mais recente (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fhc-vai-sugerir-bill-clinton-para-melhorar-o-psdb) diz que Fernando Henrique Cardoso e o PSDB querem adotar técnicas novas e ousadas de marketing político e eleitoral. Os tucanos consideram que a dinâmica social do Brasil é igual à americana e querem estabelecer um intercâmbio com o Partido Democrata do presidente Barack Obama. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai tratar disso com o ex-presidente Bill Clinton, nos Estados Unidos, nos próximos dias.

Veja o comentário de Luis Nassif sobre a proposta de FHC e do PSDB: “É inacreditável a incapacidade de FHC de desenvolver um discurso programático minimamente eficiente. Periodicamente tira coelhos da cartola, conselhos acacianos ou bobagens como esta, de captar a dinâmica social norte-americana. Como é possível a um sociólogo reconhecido apresentar tal proposta?

Acho que Dona Ruth Cardoso não diria algo tão espantoso. Recorri ao dicionário.

Sociologia – Estudo objetivo das relações que se estabelecem, consciente ou inconscientemente, entre pessoas que viveam numa comunidade ou num grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla.

Considerando-se que essa sociedade seja o Brasil, imagina-se que um sociólogo brasileiro, por acaso um ex-presidente que governou a sociedade brasileira por 8 anos, deva conhece-la. Na mesma linha de raciocínio, imagina-se que recorrer e dar a alguém que não pertença a essa sociedade, seja esse alguém sociólogo ou não, o poder de definição sobre os seus anseios é de uma, me perdoem, estupidez sem tamanho.

Fernando Henrique Cardoso é um homem inteligente? É sim. Está desnorteado? Está. Há muito tempo. Veja esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=JhCQfsH-R9Q.

O que ocorre, e isso todo mundo sabe, é que a sua vaidade supera em muito a sua inteligência. Sempre devidamente blindado pela mídia, cada vez que fala ou escreve ele o faz com um objetivo: atingir Lula. Motivo; não aceita que um operário semianalfabeto seja reconhecido e reverenciado no mundo todo e ele, um sociólogo, não. Ao ponto de em campanhas eleitorais nenhum candidato do PSDB querer atrelar a imagem à dele. Ao contrário, vários candidatos do partido dele Brasil afora quiseram, e alguns conseguiram, ligar as suas campanhas a Lula. Até Serra.
 
Veja o que diz Paulo Cesar Pereio, ator de cinema e teatro e apresentador de televisão: “Respeito até o mentiroso, o debilóide, um cretino com ideia fixa (tipo Serra). Mas não aceito cinismo. Nunca fui cínico e o FHC é um – Um sujeito que faz carreira como sociólogo de esquerda, respeitado e incensado, chega ao poder e pede "esqueçam o que eu escrevi", presta? – Só a elite paulistana, decadente, ridícula, quatrocentona de merda, pra achar que um presidente que quebrou o país vale alguma coisa, porra! – E o avião presidencial, levando o Paulo Henrique Cardoso, mulher e filhas para passear em Punta del Este? Já se esqueceram dessa esbórnia? – Centenas de conversas telefônicas entre Eduardo Jorge, braço-direito de FHC, e o juiz Lalau, aquele corruptaço. Eram – Foi, também, no gov. FHC que um grampo mostrou conversas entre ele, André Lara Resende, Mendonção, direcionando a privatização da telefonia – No governo do FHC um grampo pegou o embaixador Júlio César Santos, seu homem de confiança, se corrompendo. Foi na CPI do Sivam e caiu – Governo FHC: a mulher, o filho, a filha e o genro. E quem confunde o público com o privado é o Lula, sem um parente no governo. Que cínico! – Luciana Cardoso, a mulher mais mal-educada da República, foi secretaria de qual presidente? Do Lula? Não! Do paizão FHC. E o Lula é o aético? – FHC diz que Lula confunde o público com privado. Paulo Henrique Cardoso, que torrou mais de US$ 20 milhões na Feira de Hannover é filho de Lula?– FHC, aquele senhor simpático que protagonizou três quebradeiras do Brasil, criticando o PIB da Dilma. Tá faltando espelho para o Narciso – David Zulberstajn, um esperto que foi presidente-dono da Agência Nacional do Petróleo no governo de FHC, era genro do Lula? Não! Era de FHC!-Recordar é viver: quem revelou as contas escandalosas da Comunidade Solidária, brinquedo da falecida Ruth (mulher de FHC), foi o tucano Álvaro Dias, porra! – FHC, volta para o seu mausoléu de luxo…”

O sociólogo Marcos Coimbra está coberto de razão; precisamos urgentemente salvar a oposição…

A dor e a anestesia

Nada seria possível ou suportável se não fosse descoberta uma forma de vencer a dor. Por isso, a humanidade deve muito a Thomas Green Morton, dentista americano. Foi ele quem inventou a anestesia.

Dentista como ele, ao longo dos anos tive oportunidade de “ver” o valor da anestesia. Como endodontista, sempre fez bem ver que tinha nas minhas mãos o dom de aliviar a dor dos meus pacientes no momento da anestesia. Ali, para eles, o alívio de todo o sofrimento, para mim a alegria de ser o responsável por isso.

Para eles, o alívio, para mim a alegria. Mal sabiam que a minha alegria era maior do que o sentimento de alívio deles, alegria que se transformava em estímulo constante para enfrentar as dificuldades inerentes a qualquer profissão, ainda mais na área de saúde.

Com o tempo, porém, fui percebendo que aquele momento, tão importante para ele por ter de volta o bem estar, inclusive emocional, era pouco para mim. Fui aprendendo que mais importante do que tirar a dor era tirar a causa da dor. Se o tratamento endodôntico (tratamento de canal) que eu faria na sequência não eliminasse a causa, o simples controle da dor, apesar dos evidentes benefícios ao paciente naquele momento, perdia o valor. Como profissional de saúde, eu estava ali para trazer aquele alívio imediato ao meu paciente, mas, sobretudo, para remover a causa da sua dor; a sua doença.

Não foi muito difícil. Hoje vejo assim. Não foi muito difícil.

Entretanto, apesar de normalmente indesejável, a dor, aprendi com os livros, mas também com a vida, não significa somente sofrimento. Ela é uma dádiva divina. A dor é o sinal de alerta do organismo para dizer que algo não está bem. A dor é um dos sinais que o organismo utiliza para mostrar que já está mobilizado no sentido de localizar, combater e eliminar a doença que se manifesta.

É difícil, porém, imaginar que as dores de um povo são um reflexo da mobilização do “organismo” que pode alivia-las; os governantes. Os governantes são os profissionais da saúde do povo.

A história brasileira revela em todos os seus momentos governos para o bem estar dos privilegiados. Os poderosos, os ricos, sempre tiveram a proteção dos deuses. Vá um pouco lá atrás à história brasileira e veja como se formaram as castas, as “famílias tradicionais” e do que elas foram capazes.

Simples e objetivamente, a história mais recente registra que dois governos deram atenção aos menos favorecidos; o de Getúlio Vargas e o de João Goulart (Jango). Como terminaram? Em afastamentos impostos pelas classes privilegiadas. Getúlio, levado ao suicídio e João Goulart, governo marcado pela abertura às organizações sociais, deposto, exilado, com a instalação da ditadura militar de 1964.

Quem estava ao lado das forças que impuseram essas páginas negras e sofrimento à nação brasileira? A imprensa, historicamente ligada aos poderosos. É inesquecível a manchete de O Globo em 04 de abril de 1964, quatro dias após a implantação do golpe militar: “Ressurge a Democracia”.

A doença de que está acometida a sociedade brasileira jamais teve cura. A anestesia social, produzida em larga escala pelos faustões, gugus, luciano hulks, tufões, carminhas, tem se mostrado com uma eficiência de causar inveja ao melhor dos anestesiologistas.

Em um momento em que muitas verdades, comprovadas, sequer chegam ao conhecimento da sociedade, outras “verdades” são criadas, manipuladas, distorcidas, pela imprensa que só responde aos seus interesses em nome, mais uma vez, daqueles que são a razão da sua existência: os privilegiados.

A imprensa brasileira tem se revelado o mais inescrupuloso dos médicos. Mantém o seu paciente eternamente anestesiado, sem o menor compromisso com a cura do mal do qual ele padece.

Diante de qualquer sinal de que não somente as dores do povo, mas a sua causa, vão sendo resolvidas, os cavaleiros do apocalipse ressurgem das cinzas e ateiam fogo em que tudo que se põe contra os seus interesses. O seu poder de sedação, entretanto, é cada vez menor. Já perceberam. Daí o desespero.

A história mais recente está mostrando que, provavelmente como em nenhum outro momento, os poderosos homens que julgam e dizem o que é certo e o que é errado também se puseram ao lado dos privilegiados e lhes oferecem as análises e julgamentos desejados. Devidamente trombeteados pela imprensa, os resultados desses julgamentos parecem apontar para mais uma vitória dos eleitos. Não, não é.

Muitos homens, alguns anonimamente, lutam diariamente contra essa força. Esses homens certamente fazem da frase de Darcy Ribeiro o seu lema: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Presidente da Índia coloca Lula ao lado de Indira e Mahatma Gandhi

Por Marcos Coimbra Correio Braziliense

É comum haver discrepância entre a imagem de uma liderança em seu país e no resto do mundo.

Isso costuma decorrer dos alinhamentos partidários internos, que, para um estrangeiro, são pouco relevantes. Ou vem do sentimento traduzido pelo aforismo “Ninguém é profeta em sua terra”.

É mais fácil condescender com quem conhecemos menos.

No Brasil, são raríssimos os políticos que adquiriram notoriedade fora de nossas fronteiras. Só os brasilianistas conhecem a vasta maioria, que chegou, no máximo, à América do Sul e aos países de expressão portuguesa.

Lideranças brasileiras de fato conhecidas internacionalmente são duas: Fernando Henrique e Lula. Dilma está a caminho de ser a terceira.

O tucano é um exemplo daqueles cuja imagem interna e externa é marcadamente distinta.

Fora do Brasil, FHC é visto com olhos muito mais favoráveis que pela maior parte dos brasileiros. É evidente que tem admiradores no País, mas em proporção substancialmente menor que o daqueles que não gostam dele.

Tem, no entanto, reconhecimento internacional, que se traduz em homenagens, prêmios e convites para integrar colegiados de notáveis.

Sempre que é saudado no exterior, nossa mídia e os “formadores de opinião” de plantão registram com destaque o acontecimento, considerando-o natural e como a compreensível celebração de suas virtudes.

Acham injusta a implicância da maioria dos brasileiros para com ele.

Lula é um caso à parte. A começar por ser admirado dentro e fora do país.

Como mostram as pesquisas, os números de sua popularidade são únicos em nossa história. Foi um governante com aprovação recorde em todos os segmentos relevantes da sociedade, em termos regionais e socioeconômicos.

Acaba de colher uma vitória eleitoral importante, com a eleição de Fernando Haddad, a quem indicou pessoalmente e por quem trabalhou. Feito só inferior ao desafio que era eleger Dilma em 2010.

No resto do mundo, é figura amplamente respeitada, à esquerda e à direita, por gregos e troianos. Já recebeu uma impressionante quantidade de honrarias.

Esta semana, foi-lhe entregue o prêmio Indira Gandhi, o mais importante da Índia, por sua contribuição à paz, ao desarmamento e ao desenvolvimento. Na cerimônia, o presidente do país ressaltou que Lula o merecia por defender os mesmos princípios que Indira e Mahatma Gandhi. O que representa, para eles, associá-lo à mais ilustre companhia possível.

Quem conhece a imagem que Lula tem quase consensualmente no Brasil e no estrangeiro deve ficar perplexo.

Será que todo mundo – literalmente – está errado e a direita brasileira certa? Só sua imprensa, seus porta-vozes e representantes sabem “quem é o verdadeiro Lula”? O resto do planeta foi ludibriado pelas artimanhas do petista?

É até engraçado ouvir o que dizem alguns expoentes da direita tupiniquim, quantos adjetivos grosseiros são capazes de encontrar para qualificar uma pessoa que o presidente da Índia (que, supõe-se, nada tem de “lulopetista”) coloca ao lado do Mahatma.

Só pode ser porque não conhece o que pensa aquele fulaninho, um dos tais que sabem “a verdade sobre Lula”.

A pobreza do Correio da Bahia

A fama de valente do Sr. Antônio Carlos Magalhães é antiga, porém, até hoje, ainda não consegui encontrar uma razão que a justifique.

Garoto ainda, morei por 7 anos no Jardim Baiano, um local de Salvador a cerca de 100 metros do Campo da Pólvora, de onde teriam surgido as primeiras versões da referida valentia.

Ali, no jogar conversa fora das noites, ouvi algumas histórias que davam outra versão a aquela fama. O que se comentava é que, na verdade, ele aprontava, mas na hora “saía de baixo”, não brigava. Os que brigavam eram aqueles que faziam jus à fama, porque de fato brigavam. Definia-se a situação com uma expressão muito comum à época: “ele se escondia na barra das calças dos que realmente brigavam”.

A história contemporânea está repleta de fatos que mostram a grande proximidade do Sr. Antônio Carlos Magalhães com o regime militar que concebeu e manteve um dos mais negros períodos pelos quais passou o Brasil. Tamanha foi essa proximidade que ele, Antônio Carlos Magalhães, ganhou uma alcunha, que, por ser muito forte, deixaremos de lado.

Pois bem, em determinado momento, mais precisamente em julho de 1984, houve o famoso e “destemido” discurso contra o então Ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro Délio Jardim de Matos. Houve, entretanto, quem dissesse que aquilo tinha outra razão. Atribuía-se aquele destemor ao fato de que aquele era o período em que o governo militar já não tinha mais força. Se observarmos o ano em que ocorreu o discurso, veremos que de fato há uma grande coincidência com os tempos de mudança de regime. Os narradores de futebol diriam “fecham-se as cortinas…” Dizia-se que Antônio Carlos Magalhães era um mestre nessa passagem. Explico. Dizia-se que poucos tinham a sua capacidade de passar de um governo para outro.

Há, porém, um episódio bem recente sobre o qual já ouvi dizerem que reflete bem esse perfil. Quando o episódio da fraude do painel do senado tomou corpo e começou a fugir do controle, à pergunta de uma repórter se ele, Antônio Carlos Magalhães, renunciaria ao senado para não ser cassado, veio uma resposta firme: “no meu dicionário não existe a palavra renúncia”. Senti firmeza e ali comecei a pensar; essa é a resposta de um homem valente. Renunciou.

Hoje, no supermercado, numa rápida incursão pelas manchetes dos jornais, uma em particular me chamou a atenção. Estava lá, como legenda para a foto do grande pequeno homem, com os dedos polegar e indicador fazendo um círculo: “E Zé Dirceu, ó”. O jornal, Correio da Bahia. De propriedade da família do Sr. Antônio Carlos Magalhães, não lembro quando o jornal foi criado. Nunca li o Correio da Bahia.

Em 2005 estourou o episódio que ficou conhecido como mensalão, sobre o qual não vou falar, pelo menos por agora (veja algumas historinhas recentes aqui). Um dos grandes objetivos (existe um outro bem maior) do episódio era pegar José Dirceu.

Não havia outra possibilidade. Desde cedo, todos sabíamos, ele mais do que todos, que José Dirceu teria o seu mandato cassado. Como não podia deixar de ser, veio a pergunta: “o senhor vai renunciar para não ser cassado”. “Não, se renunciar ao mandato que os meus eleitores me confiaram, jamais poderei olhar nos olhos deles outra vez”. Não renunciou. Foi cassado.

Nenhuma novidade. Para quem tinha enfrentado os tempos duros da ditadura, para quem nunca teve proximidade com o regime militar, para quem nunca mereceu qualquer alcunha pejorativa por reverenciar as botas dos generais, para quem tinha sido preso e banido do país, não faltaria coragem para enfrentar uma cassação. Logo após aquele primeiro momento do mensalão, Fernanda Montenegro, a primeira dama do teatro brasileiro, não se conteve ao encontrar com ele em um restaurante no Rio de Janeiro: “você foi um leão”.

Entendo a pobreza e a pequenez da manchete do Correio da Bahia, um representante menor da grande pequena imprensa brasileira. Eles jamais irão entender isso.

Primeiro jurista europeu a condenar a farsa do julgamento do mensalão

Um dos responsáveis pela teoria citada no julgamento do STF, Claus Roxin, jurista alemão, que esteve há duas semanas em seminário de direito penal do Rio, diz que juiz não deve ceder a clamor popular

Daniel Marenco/Folhapress 

Da Folha

Insatisfeito com a jurisprudência alemã -que até meados dos anos 1960 via como participante, e não como autor de um crime, aquele que ocupando posição de comando dava a ordem para a execução de um delito-, o jurista alemão Claus Roxin, 81, decidiu estudar o tema.

Aprimorou a teoria do domínio do fato, segundo a qual autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e faz o planejamento estratégico para que ele aconteça.

Roxin diz que essa decisão precisa ser provada, não basta que haja indícios de que ela possa ter ocorrido.

Nas últimas semanas, sua teoria foi citada por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. Foi um dos fundamentos usados por Joaquim Barbosa na condenação do ex-ministro José Dirceu.

"Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado", diz Roxin. Ele esteve no Rio há duas semanas participando de seminário sobre direito penal.

Folha – O que o levou ao estudo da teoria do domínio do fato?

Claus Roxin – O que me perturbava eram os crimes do nacional socialismo. Achava que quem ocupa posição dentro de um chamado aparato organizado de poder e dá o comando para que se execute um delito, tem de responder como autor e não só como partícipe, como queria a doutrina da época.

Na época, a jurisprudência alemã ignorou minha teoria. Mas conseguimos alguns êxitos. Na Argentina, o processo contra a junta militar de Videla [Jorge Rafael Videla, presidente da Junta Militar que governou o país de 1976 a 1981] aplicou a teoria, considerando culpados os comandantes da junta pelo desaparecimento de pessoas. Está no estatuto do Tribunal Penal Internacional e no equivalente ao STJ alemão, que a adotou para julgar crimes na Alemanha Oriental. A Corte Suprema do Peru também usou a teoria para julgar Fujimori [presidente entre 1990 e 2000].

Folha – É possível usar a teoria para fundamentar a condenação de um acusado supondo sua participação apenas pelo fato de sua posição hierárquica?

Claus Roxin – Não, em absoluto. A pessoa que ocupa a posição no topo de uma organização tem também que ter comandado esse fato, emitido uma ordem. Isso seria um mau uso.

Folha – O dever de conhecer os atos de um subordinado não implica em co-responsabilidade?

Claus Roxin – A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato. O mero ter que saber não basta. Essa construção ["dever de saber"] é do direito anglo-saxão e não a considero correta. No caso do Fujimori, por exemplo, foi importante ter provas de que ele controlou os sequestros e homicídios realizados.

Folha – A opinião pública pede punições severas no mensalão. A pressão da opinião pública pode influenciar o juiz?

Claus Roxin – Na Alemanha temos o mesmo problema. É interessante saber que aqui também há o clamor por condenações severas, mesmo sem provas suficientes. O problema é que isso não corresponde ao direito. O juiz não tem que ficar ao lado da opinião pública.

Observe que essa entrevista foi concedida há 2 semanas, ou seja, ficou guardadinha na prateleira da Folha. Por que será que somente agora foi publicada? Vou dar só uma dica. Lembra que há 2 semanas atrás as condenações estavam sendo feitas e as eleições municipais estavam acontecendo?

Há pouco tempo o Supremo Tribunal Federal foi condenado por cortes internacionais pelo julgamento sobre a questão dos direitos humanos na ditadura brasileira. Sabe-se que isso vai ocorrer também com o julgamento (?) do mensalão. Como estava no Brasil, Claus Roxin foi o primeiro jurista internacional a fazer isso. Aguardemos um pouco mais.