Dor persistente

Catarina:
o dente 14 teve endo realizada devido a uma fratura. Ausencia de cárie na época, endo com finalidade protética. persiste dor na palpação da região de periápice e ao mastigar. RX não evidencia alterações. O quadro persiste há cerca de um ano! Não realizo a prótese definitiva devido ao desconforto do paciente. Qual a melhor conduta na sua opinião? Obrigada!

Catarina, alguns aspectos devem ser considerados. O RX que não evidencia alterações foi feito 1 ano depois? Como estão as obturações dos canais? Aquém, no limite apical ou houve extravasamento de material obturador? Há espessamento do espaço do ligamento periodontal? A depender de questões como essas, pode-se fazer ou não a prótese.

Calcificação no canal

Rosana:
Estou tratando um 26 que tem o canal distal obstruido por uma especie de calcificação. Consigo diferenciar com facilidade as paredes do canal da suposta calcificação dentro dele, ate ja removi um pouco com uma broca, so que nao consigo ultrapassar essa obstrução e tenho medo de seguir com a broca e perfurar a raiz. O mais estranho e que no rx aparece a luz do canal. A paciente foi encaminhada para mim com irm dentro da camara pulpar e sem algodao, mas nao acredito que seja isso que esteja obstruindo o canal pq tem um aspecto de osso. Qual a sua opiniao?

Rosana, há situações em que a imagem radiográfica de luz do canal não é compatível com a condição clínica de penetrabilidade no mesmo. Recomendo muito cuidado com o uso de broca no canal DV de molares. Outros recursos devem ser utilizados e talvez seja melhor uma conversa com um endodontista mais experiente e próximo a você.

EDTA e a secagem do canal

Kécia Teles:
Boa tarde, estou num curso de especialização em endodontia da UFBA, meu trabalho de conclusão curso remete ao uso do EDTA,usado durante a instrumentação ou apenas como lavagem final, além disso me veio a curiosidade se a utilização dessa substância pode interferir na secagem do conduto, não encontro artigos para substanciar minha monografia a respeito da secagem se existe ou não relação entre uma coisa ou outra, gostaria de saber a sua opinião e se possui algum artigo a respeito. Grata

Kécia, apesar do uso alternado do EDTA e hipoclorito de sódio durante a instrumentação também ser preconizado, costumo usa-lo no final do preparo, mas não somente como “lavagem final”, como você fala. Aqui mesmo no blog e na seção Conversando com o Clínico do site você vai achar como preconizo fazer. Atualmente, não vejo a literatura dedicando muito espaço à secagem do canal, mas, uma vez que o canal é bem irrigado com soro fisiológico, água destilada… ao final de todo o processo de instrumentação/irrigação, não vejo como poderia haver interferência clínica significante na sua secagem.

A questão educacional: é pra falar sério?

Há poucos dias, um colega, a quem conheço de longa data, muito preocupado falou uma coisa interessante. Chamava a atenção para o grande risco, como ele definiu, que representava este momento para o ensino da endodontia. Por que? Perguntei. Vou lhe explicar…

…Até conversaria sobre esse tema tão interessante com ele, não sei por que não o fiz. Não sei se foi porque o colega que faz o incisivo em 8 minutos divide com ele as tarefas de coordenador e professor em curso de especialização. E ele sabe disso. Deve ter sido por esse pequeno detalhe… Leia o texto completo

A questão educacional: é pra falar sério?

Sala de aula. Estudantes de Direito, classe média e alta de uma faculdade do Rio de Janeiro, debatem a questão da violência policial. Acusam os policiais de corruptos, violentos, que não sabem se dirigir e tratar as pessoas. Animais. Opinião consensual. Naquele ambiente, era uma verdade inquestionável.

Há um filme de Woody Allen (não lembro o nome) em que em uma das cenas há uma fila na porta do cinema e um homem, querendo impressionar a sua companheira, “interpreta” a intenção do autor do filme. Woody Allen, ouvindo tudo, sai da fila, vai atrás de um biombo na mesma calçada em que estavam (quem conhece o cineasta Woody Allen sabe como os seus filmes são inteligentes, instigantes e provocativos), traz pelo braço o diretor do filme e pede para ELE dizer do que se tratava o filme. Tudo que o conquistador dissera era uma asneira só.

A cena termina com Woody Allen dizendo: “que pena que a vida não é assim”, ou seja, que pena que bobagens e dissimulações, podem passar por verdades e até por coisas sábias sem que possamos fazer nada.

O debate dos estudantes acima na verdade é uma cena do filme Tropa de Elite 1 (veja a cena). Numa reação de desespero, Matias, um dos alunos (sem que os outros soubessem, um policial), mostra a “verdadeira verdade”.

Qual é o detalhe? Aqueles garotos e garotas, “conhecedores profundos da realidade social”, consomem droga, alimentam todo esse processo e ficam teorizando sobre o problema do qual são peça fundamental, responsáveis diretos, apesar de serem incapazes (será?) de se verem assim. Mas, é dali, e de tantas outras salas, que saem as teorias sobre a corrupção na polícia e as suas causas.

Você já se sentiu como Matias? Já ouviu palavras ao vento, ditas sem nenhum compromisso ou ligação com o real?

Há poucos dias, um colega, a quem conheço de longa data, muito preocupado falou uma coisa interessante. Chamava a atenção para o grande risco, como ele definiu, que representava este momento para o ensino da endodontia. Por que? Perguntei. Vou lhe explicar.

Até pouco tempo, quando o tratamento endodôntico era demorado, lembra que alguns já ensinavam a “fazer canal” em poucos minutos? Lembro sim, inclusive numa cidade aqui da Bahia tem um que faz molar em 40 minutos (preparo e obturação) e manda até marcar 8 minutos para ele fazer um incisivo central (há cerca de 25 anos ele fala isso). E daí? Estou preocupado!!! Por que? Se era assim, imagine como vão ensinar agora que o preparo, obturação, tudo é muito mais rápido.

Veja o que é um professor consciente, merecedor dos mais altos elogios, alguém de fato com grande maturidade, inclusive científica. Quantas vezes você já viu um professor externar tamanha preocupação com o processo educacional? Poucas vezes? Já vi várias.

Até conversaria sobre esse tema tão interessante com ele, não sei por que não o fiz. Não sei se foi porque o colega que faz o incisivo em 8 minutos divide com ele as tarefas de coordenador e professor em curso de especialização. E ele sabe disso. Deve ter sido por esse pequeno detalhe.

Palavras ao vento, por mais belas que sejam, ditas sem nenhum compromisso ou ligação com o real não me seduzem. Já fui, não sou mais Matias. Aprendi a discutir coisas sérias em ambientes sérios com pessoas sérias. Recolho-me.

Ao longo dos anos tento acompanhar a discussão sobre a questão educacional, tão profunda e complexa. Já há alguns anos, sempre que posso tenho conversado com colegas com experiência no assunto e aprendo muito com eles e cheguei a imaginar que em curto espaço de tempo as coisas melhorariam.

Porém, o desinteresse sobre o tema é a realidade. É evidente a preocupação de alguns “professores” exclusivamente com os seus cursos de especialização, principalmente os dadores de curso. É até aí que chega o interesse. A dissimulação é grande, mas facilmente perceptível.

Argumentos como “democratização” da discussão podem ser interessantes como meio de angariar simpatia, seguidores e notoriedade, mas, certamente não resistem a uma discussão séria. Seria a internet o terreno adequado para essa discussão?

Já tive oportunidade de escrever há alguns anos que é possível que em nenhum outro momento se tenha registro de mudanças tão acentuadas (e importantes) como ocorreu com a chegada do computador e, com ele, da Internet. As mudanças nos planos social, da comunicação e político são impressionantes e chegam a ser assustadoras. Elas são tão fortes que, neste momento, não se tem a exata dimensão do que poderá ocorrer. Existem riscos? Talvez enormes.

Seriam as associações/entidades de classe ou de especialidades o terreno adequado para essa discussão? Possivelmente. Há de se ter cuidado, entretanto. A valiosa parceria com as empresas comerciais sempre será muito bem vinda, contudo, em alguns casos parece se tornar cada vez mais difícil a identificação da fronteira entre entidade e empresa.

Somos os responsáveis. Na sala dos professores, estamos sentados uns ao lado dos outros. A convivência é inevitável, a conivência não. Um assunto de tamanha complexidade e importância só pode ser discutido por professores sérios, comprometidos de fato com a qualidade do ensino e não parece difícil identifica-los. Tenho absoluta certeza de que eles são reconhecidos. Que estes sentem à mesa e tratem do assunto.

Um dia desses escrevi um texto (veja aqui) em que dizia estar “sem tesão para discutir algumas coisas”. Conheço professores que também estão se sentindo impotentes diante do rumo que o “ensino” da endodontia tomou e por isso se recolheram. Tenho certeza de que, se for pra falar sério, eles não recusarão ao chamamento.

Curso de especialização – conhecimento básico e clínica

Em momentos diferentes, os professores José Antônio P. de Figueiredo (RS – Histologia em Endodontia) e Francisco Ribeiro (ES – Patologia em Endodontia) deram aulas aos nossos alunos da especialização. Tendo em vista que ambos são professores de Endodontia e Histologia (Prof. Figueiredo) e Endodontia e Patologia (Prof. Francisco), as aulas tiveram um direcionamento clínico como os alunos jamais tinham visto, razão pela qual ficaram todos encantados. Durante 2 dias para cada um dos professores, foram momentos de perfeita união entre conhecimento básico e clínica, abordando temas que foram do desenvolvimento das pulpopatias/periapicopatias à revascularização.  Fazer sabendo porque está fazendo.

O Prof. Gilson Sydney (PR – preparo automatizado), também durante 2 dias entre aula teórica e prática, inclusive com filmagem e projeção simultâneas ao preparo do canal, falou de todos os sistemas de preparo automatizado. Os alunos praticaram em canais simulados e dentes extraídos e passaram a fazer nos pacientes.

Figuras humanas admiráveis e grandes professores, cada um ao seu modo, deixaram os alunos encantados, o que não é surpresa.

Ficam aqui alguns registros desses encontros (clique sobre as imagens para ampliar).

Atrás: Luciana Brasil, Catarina Terceiro, Vanessa Souza, Renata Reis, Carol Soares, Robson Cunha Souza e Vanessa Reis. No meio: Lina Lobo, Cleide Souza e Tanise Andrade. Agachado: Prof. Figueiredo (estão ausentes da foto os alunos Diego Macedo e  Ana Carla Menezes).

Além dos alunos mencionados na foto anterior, nesta estão os professores Francisco Ribeiro e João Dantas (em pe à direita). Ausentes na foto anterior, a aluna Ana Carla Menezes está na frente deles e Diego Macedo está sentado.

Prof. Gilson Sydney com os alunos após 2 dias de aula sobre preparo automatizado.

Como parte do programa, em março iremos com os alunos a Campinas fazer o módulo de microscopia e cirurgia parendodôntica com o Prof. Rielson Cardoso e equipe.

Solventes de guta percha

Bárbara Teixeira:
Prof. Ronaldo, O senhor usa só o eucalipirol para fazer retratamento ??Ou têm outro produto melhor? Obrigada

Bárbara, o melhor é o clorofórmio, mas existem as restrições que lhe são feitas. O xilol também funciona bem, mas evapora mais rapidamente. Já há algum tempo surgiu a alternativa do óleo de laranja. Além do odor agradável, não consegui perceber vantagens significantes sobre o eucaliptol.

Pobre Joel

estupidificação coletiva é um processo lento e gradativo e a televisão tem papel fundamental nesse processo. Ao longo dos anos foi desavergonhada e gradativamente baixando o nível de tal maneira que fez boa parte da sociedade perder a noção de bom senso. Ela se supera a cada dia e não bastassem os BBBs da vida, surgem programas como “As ricas” da Rede Bandeirantes. Não vi, mas li sobre.

Não seria o futebol a exceção. O recente episódio que envolveu Joel Santana (técnico de futebol), o Bahia (a sardinha) e o Flamengo (o tubarão) foi de fazer chorar.

O Bahia, bi-campeão brasileiro, o primeiro time a ser campeão brasileiro e a disputar a Libertadores das Américas, o time que tem a maior quantidade de títulos regionais do Brasil (se estiver errado, por favor, corrijam), com uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do futebol brasileiro, certamente não é uma sardinha. Ao passar sete anos entre as séries B e C (por razões que o Brasil desconhece, o que é natural, e que não cabe comentar aqui), perdeu parte do seu prestigio, da sua força, mas, certamente, não é uma sardinha. A prova mais recente disso é o fato de que o Bahia foi um dos times brasileiros escolhidos pela Nike, a maior empresa de material esportivo do mundo, para fazer parte de um grupo seleto. Bahia, Corinthians, Coritiba, Internacional e Santos fazem parte desse “clube”, juntamente com a Seleção Brasileira.

Mas, por mais que ele tenha tentado provar o contrário ao fazer juras de amor eterno, beijado mil vezes a sua bandeia, foi como sardinha que Joel se referiu ao Bahia naquele fatídico “Entre amigos”, programa de esportes do SPORTV.

Abro um parêntese para dizer que não assisto ao referido programa. Já há alguns anos sou portador da síndrome “não consigo ouvir Galvão Bueno”, diagnosticada como incurável. Diante da repercussão que teve o programa, vi na internet a parte referente ao momento específico em que Joel atinge o ápice da (estou em dúvida se chamo de estupidez ou uso uma expressão mais sutil, como insensatez). Gargalhadas ecoaram.

Aproveito para abrir outro parêntese. Aquele momento foi de extrema infelicidade e grosseria para com um time de futebol com as tradições do Bahia, como teria sido com qualquer outro. Aquelas gargalhadas refletiram algo que faltou também aos jornalistas presentes; sensibilidade. Confesso, porém, que não me surpreendeu. Uma coisa que aprendi há muito tempo foi que as aparências enganam.

É claro que a torcida do Bahia ficou horrorizada, como qualquer outra ficaria, ao ver aquele momento de grosseria imperdoável com o seu time. Também fiquei, mas não por essa razão. Fiquei horrorizado pela pobreza de espírito que reinou naquele momento.

Nesse processo de estupidificação, Joel não percebe que muitas vezes, sutilmente ou não, episódios como aquele são usados para tornar “folclóricos” os seus personagens. Do folclórico para o ridículo é um passo. Nesse episódio, o passo foi dado.

A mídia se enganou, e não foi pouco, ao colocar que a torcida do Bahia “chorava” a saída de Joel do Bahia. Muito pelo contrário, ela festejou. Por que? Porque ela tem a mesma percepção que a própria imprensa tem e deixou clara nesses últimos dias; Joel é um técnico ultrapassado (se quiser ser mais sutil, diga como disse Lédio Carmona no seu blog, um técnico de “ideias anacrônicas”).

Os resultados do Bahia com Joel no Campeonato Brasileiro de 2011 foram iguais aos de Renê Simões, a quem ele substituiu, com uma diferença: com Renê o time jogava melhor. Atribuir a ele a conquista da vaga na Copa Sul-Americana em 2012 é, no mínimo, equivocada. Uma combinação de resultados, inclusive aquele absolutamente inesperado Cruzeiro 6X1 Atlético Mineiro, contribuiu muito para isso.

Os resultados de Joel neste início do Campeonato Baiano foram pobres (em parte aceitáveis por ser início de temporada), mas muito pobre e inaceitável foi a forma como o time jogou em todas as partidas. O presidente do Bahia, que deve ter as suas razões, não, mas a torcida festejou a saída de Joel.

A torcida chorou, isso sim, pela forma melancólica como ele deixou o time. O seu comportamento aqui em Salvador nos dias que antecederam a ida para o Flamengo teria sido pueril, se fosse um jovem técnico diante da possibilidade de ir para o Flamengo, para o Rio de Janeiro, de estar ao alcance da imprensa carioca, vitrines irresistíveis. Não se pode aplicar a palavra pueril para alguém com a experiência de Joel Santana. Foi muito mais do que isso.

A questão ética, na verdade a ausência dela, foi outro desastre, ainda que se argumente que no futebol é assim. Tudo foi tramado com Vanderlei Luxemburgo ainda técnico do Flamengo. Aliás, os não flamenguistas estão adorando ele ter ido para o Flamengo. Acreditam eles que Joel Santana, Ronaldinho carioca e Patrícia Amorim (presidente do Flamengo), juntos têm grande chance de arrebentar o clube, Zico que o diga. Como dizem que o verdadeiro projeto dela, Patrícia Amorim, é candidatar-se a algum cargo político, possivelmente vereadora (pelo menos por enquanto), esse projeto parece andar meio ameaçado.

Ronaldinho carioca não consegue mais se conter diante da força que tem no Flamengo e é autor de frases que falam por si: “Agora, quem manda obedece”. O que ele faz com a presidente do Flamengo e a sua diretoria nos dá a sensação de pena e tristeza. Pena por ver pessoas se submeterem ridícula e publicamente a essa total inversão de valores e hierarquia e tristeza por ver um clube com a tradição do Flamengo aceitar tudo isso.

Atribui-se ao técnico de futebol a missão de comandar o time. Com todos os seus defeitos e virtudes, do alto do seu currículo, Vanderlei Luxemburgo não conseguiu. Brigou com o dono do time. Perdeu o cargo de comandante do time. Qualquer técnico inteligente que fosse sondado para substitui-lo, no mínimo deveria pensar que, ao aceitar ser comandado por um comandado, a carreira de comandante estará ameaçada.

Com o seu comportamento “pueril”, Joel não percebeu uma coisa elementar, de profundidade menor do que piscina para bebê. Ao aceitar a condição de técnico do Flamengo neste momento, o seu descrédito pode vir como prêmio. Já se sabe quem vai mandar. E não será ele. Os jornalistas que disseram que &ld

quo;Joel será um bombeiro” não quiseram dizer exatamente isso.

Dador de curso

Mas, há um tipo muito especial, muito em voga nos tempos atuais, que não pode passar despercebido. Alguns não são professores de graduação (acho que já foram alunos de graduação, não tenho certeza). Esse tipo não tem a menor noção do que é um aluno de graduação, de como ele é, de como se comporta, de como age e reage, qual o seu nível de comprometimento, qual a sua idade “real”. Ele próprio não tem compromisso com o que “ensina”. Geralmente, dá cursos em finais de semana. Este é o dador de curso. Leia o texto completo

Dador de curso

Como é bom ser professor. Estudo, conhecimento, status, entrevista (na televisão, a glória), ser homenageado, compor mesas, destaque em eventos, retorno financeiro para o consultório, uma maravilha.

Somos diversos. Como somos pela visão de alunos e dos próprios professores? Juntei um e outro e colhi os “depoimentos”. Tentei alinhavar e interpretar da melhor forma possível e da mesma forma tento passar para você.

Antes, porém, abro um parêntese. Quem conhece um pouco da obra de (Federico) Fellini e já viu algum filme seu, sabe que era um mestre em construir personagens. Em um dos melhores filmes que vi na minha vida, Amarcord, ele constrói uma galeria de professores em que é quase impossível que não reconheçamos pelo menos um dos nossos entre eles.

Não precisaria chamar a atenção, mas mesmo assim o faço, para o fato de que jamais pretenderia fazer uma análise felliniana, até porque não se trata de interpretação pessoal, mas sim de resultado de considerações colhidas e repassadas. Veja o que deu.

Há o professor “bom de ambulatório”. O que é ser bom de ambulatório? É estar sempre disposto, corre para um lado, corre para o outro, senta para demonstrar, diz para tirar um, para aumentar um, agora sim, o comprimento ‘tá bom (endodontia). Às vezes não tem um discernimento que permita desenvolver o discernimento do aluno, mas é bom de ambulatório. Pode ser um bom professor quem é somente bom de ambulatório?

Há o professor tecnologia pura. Note book de última geração (eu, como sempre desavisado, no início achava que era mek de McDonald’s), Ipad (vocês preferem tablet?), material didático de grande qualidade audiovisual, tudo sempre de última geração (penúltima, nem pensar). Um show. Só não pode dar problema no mek, porque aí dá zebra; não tem aula.

Há o professor amiguinho, que depois se torna amigo (geralmente ali pelo 10º semestre). E tome churrasco.

Há o professor expositor, adora expor fotos suas ao lado de gente famosa.

Há o professor artista. Gosta de se exibir, inclusive nas aulas; a sala de aula é um palco.

Há o professor viajante, que adora colocar fotos das viagens, inclusive do que come, no facebook.

Há o professor BBB (nessa os alunos pegaram pesado, foram cruéis). Calma, calma, não é o que você está pensando. É Babaca, Besta (ufa, por pouco), Boçal.

Há o professor “estou sempre presente”. Acha que ser professor é não faltar às aulas, a presença física mostra o seu compromisso com o ensino.

O professor babão baba o o… de todo mundo. Tecido predileto, a seda, para que possa rasgar à vontade. De personalidade duvidosa, é amigo-irmão de todo mundo. Todos com quem cruza são os maiores. 

O professor protocolo é incapaz de pensar, mas um fiel seguidor de protocolos. Renuncia a qualquer coisa em nome de um protocolo, de preferência de faculdades renomadas. Assim se equipara aos criadores.

O professor dos professores quer reverter a ordem mundial das coisas e convencer os outros de que, apesar das evidências, a sua evidência é a maior.

Há o Prof. Dr. Até ontem era professor, hoje é Prof. Dr. Crème de la crème, elite, nata, o eleito, Deus dos deuses.

É claro que também há o professor chato. Aqui talvez existam sub-divisões, entre elas aquele que é chato porque insiste em querer ensinar. Há um outro tipo, pior ainda, aquele que, além de insistir em querer ensinar, quer que os alunos não sejam só dentistas, médicos, advogados… Tem a pretensão de que sejam algo que realmente faça parte da sociedade. Muito chato.

Mas, há um tipo muito especial, muito em voga nos tempos atuais, que não pode passar despercebido. Alguns não são professores de graduação (acho que já foram alunos de graduação, não tenho certeza). Esse tipo não tem a menor noção do que é um aluno de graduação, de como ele é, de como se comporta, de como age e reage, qual o seu nível de comprometimento, qual a sua idade “real”. Ele próprio não tem compromisso com o que “ensina”. Geralmente, dá cursos em finais de semana. Este é o dador de curso.

 

PS. Sugestões para tipos que não foram considerados serão aceitas e incorporadas ao texto, que, como a Ciência, não é imutável.