Endodontia em sessão única!!!

Prof. Ronaldo!
Admiro muito seu trabalho, seus conceitos e principalmente a sua forma de posicionamento. A questão da Sessão Única, a meu ver, reside no fato exatamente do poder da medicação intracanal. Ou seja no poder atribuído a ela como algo que vai complementar a ação química e mecânica do preparo. Fico decepcionado ao ver que a discussão desta questão fica rondando com assuntos do tipo, anatomia complexa, tempo do paciente na cadeira, questão econômica, marketing. Acho que são qustões que sim aé devem ser consideradas mas são tangentes ao ponto central. Eu consigo uma desinfecção intracanal maior com o uso de um Mic? E qual seria esta MIC? Como diferenciar um insucesso endodôntico de uma desinfecção intracanal insuficiente de um possível biofilme extra radicular? Acredito também que a filosofia da sessão única não deveria estar acorrentada à questão matemática de ter que ser em uma sessão. Quando perguntado se faço em sessão única respondo que sim, em 100% dos casos, o que não quer dizer que faço todos os casos em uma consulta só. Humildemente espero ter contribuído de alguma forma, um grande abraço com profunda admiração
Rodrigo Torriani

Rodrigo, postei o seu comentário para gerar discussão. Os colegas estão convidados a fazer as suas considerações, inclusive você se quiser acrescentar mais alguma coisa.

Precisa misturar?

Zélia:
Olá professor Ronaldo, primeiramente quero parabenizá-lo pelo blog, é de grande importância e aprendizado para nós seus leitores. Professor geralmente costumo usar como medicação intracanal o hidrócido de cálcio P.A. e C com periogard por causa da clorexidina 0,12% e tb as vezes callen com periogard e vejo bons resultados. Seriam inadequados estes curativos ou devo fazer a mistura sempre com soro fisiológico ou a própria clorexidina manipulada e porque?

Zélia, acho que já respondi na postagem anterior. O que talvez possa acrescentar é que não costumo recomendar misturas de substâncias.

Será que tem que mudar?

Zélia:
Geralmente uso como medicação intracanal com lesão periapical uma mistura de hidróxido de cálcio P.A. e callem pura sem pmcc ( ambos separados) com periogard por causa da clorexidina 0,12%, e vejo bons resultados na regressão da lesão. Este veículo é recomendado ou devo usar sempre o soro fisiolágico?

Zélia, não é como eu faço, mas se você tem bons resultados não me sinto à vontade para recomendar que você mude.

E agora???

Zélia:
Ocorreu a fratura de uma lima no terço apical da raiz ML do dente 46. Infelizmente ainda não tinha conseguido chegar a patência (CPC), estava na primeira penetração de lima. Qual procedimento devo realizar, já que não consegui remover nem passar pela lima para chegar ao forame.

Zélia, veja a possibilidade de alguém com um pouco mais de experiência conseguir passar por ela. Se for polpa viva e todos os devidos cuidados forem tomados no sentido de não permitir que haja contaminação do canal, pelo menos em tese não haveria maiores consequências. Se for polpa necrosada, todos os cuidados terão que ser redobrados.

Geração de ouro

As sociedades com pouca ou nenhuma cultura têm o péssimo hábito de não valorizar a experiência, às vezes até assumindo uma postura pejorativa e cruel, taxando os mais experientes de ultrapassados. No Brasil essa é uma realidade facilmente perceptível. Percebem-se profissionais que, encantados com os recursos disponíveis hoje para se fazer uma “boa” endodontia, não conseguem disfarçar a arrogância e a prepotência e se exibem diariamente. Lamentavelmente, não são muitas as exceções.

Alceu Berbert, João Humberto Antoniazzi, Clovis Monteiro Bramante, Quintiliano Diniz De Deus, Roberto Holland, Jaime Maurício Leal, Mário Roberto Leonardo, José Gustavo de Paiva, Jesus Djalma Pécora, Luis Valdrighi… Leia mais

Geração de Ouro

Você já ouviu falar de Pelé, Didi, Gerson, Nilton Santos, Rivelino, Tostão… e tantos outros jogadores que nos encantaram com o seu futebol? E mais recentemente, Falcão, Júnior, Sócrates, Zico, as atuais gerações do volley…?

E de Chico Buarque, já ouviu falar? Caetano Veloso, Edu Lobo, Fernando Brant, Gilberto Gil, Gonzaguinha, João Bosco, Ivan Lins, Milton Nascimento, Tom Jobim, Vinícius de Morais…, alguns dos quais foram e ainda são de importância fundamental para a história contemporânea do país.

Cada um e todos eles representaram em momentos específicos o que havia de melhor nas suas áreas de atuação, algo muito especial. Não há nenhuma dúvida de que já têm os seus nomes na história.

Acredito que todos os segmentos da sociedade possuem representantes desse porte, que enchem de orgulho as gerações às quais pertencem ou pertenceram. Aquele grupo de pessoas que não só se destacaram, mas, principalmente, contribuíram de forma significativa para o engrandecimento de alguma coisa, causa, profissão.

Qual é a técnica que você usa para instrumentar os canais? A solução química auxiliar do preparo/irrigadora é hipoclorito de sódio, detergente, EDTA, cremes? Você usa hidróxido de cálcio, PMCC, corticóides, tricresol formalina…? E a obturação, como é que você faz?

Você, que já tem algum tempo de experiência, não acha “fácil” fazer um bom tratamento endodôntico hoje em dia? E você que é recém-formado tem alguma idéia de como era difícil faze-lo até bem pouco tempo?

Quando você fazia um tratamento endodôntico e o paciente se queixava de dor, apresentava um pós-operatório com abscesso em fase aguda, quando uma fístula não queria “desaparecer”, tinha alguma idéia do que estava acontecendo? Já sabe agora? Faz alguma idéia de como esses conhecimentos foram incorporados à Endodontia?

As sociedades com pouca ou nenhuma cultura têm o péssimo hábito de não valorizar a experiência, às vezes até assumindo uma postura pejorativa e cruel, taxando os mais experientes de ultrapassados. No Brasil essa é uma realidade facilmente perceptível. Percebem-se profissionais que, encantados com os recursos disponíveis hoje para se fazer uma “boa” endodontia, não conseguem disfarçar a arrogância e a prepotência e se exibem diariamente. Lamentavelmente, não são muitas as exceções.

Alceu Berbert, João Humberto Antoniazzi, Clovis Monteiro Bramante, Quintiliano Diniz De Deus, Roberto Holland, Jaime Maurício Leal, Mário Roberto Leonardo, José Gustavo de Paiva, Jesus Djalma Pécora, Luis Valdrighi

Aos mais jovens: guardem e reverenciem esses nomes. Foram eles que levaram a endodontia brasileira ao lugar que ela ocupa. Cada um ao seu modo, cada um com as suas virtudes e defeitos, eles fizeram a nossa Endodontia. Entendam que a maioria não fez as técnicas modernas atuais (alguns inclusive não estão mais entre nós), mas foram todos eles que criaram a base do que está hoje ao nosso alcance.

Como professor de Endodontia, já me permiti concordar e discordar deles e possivelmente o farei outras vezes, afinal assim caminha a Ciência. Neste momento, recolho-me para dizer muito obrigado. A Endodontia Brasileira lhes deve muito.

Essa é uma geração de ouro.

PS. Em 29/08/2007 comecei a escrever esse texto e não conclui. Não me lembro de razões para isso. Não busque explicação para tudo, você não vai encontra-las. Talvez por essa razão, ou seja, a falta de razões específicas, concluo e publico agora. Uma coisa está clara para mim: eu tinha esse dever para comigo mesmo.

O Dia sem Globo ou A “desestupidificação” do Brasil ou Peço desculpas aos jovens

Confesso a minha grande surpresa. Explico.
 
A Rede Globo, particularmente o seu jornalismo (?), vem mostrando há anos total desvinculação com os interesses do país. Ao dizer isso, sei que tudo é possível em termos de interpretação; para alguns é uma inverdade, para outros esse “há anos” é um exagero e ainda que é no máximo coisa bem recente.
 
Entendo e aceito que alguns tenham dificuldades para entender essa questão, no fundo complexa. Afinal, através da desinformação, ou o que é pior, da informação manipulada e distorcida, a Globo trabalha justamente para isso, como diz Veronese, para a estupidificação coletiva (clique aqui para ver a masturbação nacional)

 
Ressurge a Democracia
 
Esta foi a manchete do jornal O Globo, de 04 de abril de 1964. Desta forma era saudada a ditadura militar, que surgia após o golpe militar que depôs o presidente João Goulart, com a decisiva participação de importantes órgãos da imprensa brasileira, entre os quais a Rede Globo. A consequência mais drástica foi o desaparecimento e morte de diversos brasileiros, assunto sobre o qual não pretendo me alongar. Sugeriria a quem quiser conhecer pelo menos um pouco dessa história clicar aqui a real história da Globo.
 
São, portanto, 48 anos do surgimento e consagração do império Sistema Globo de Comunicação, império que, apesar de se encontrar diante do declínio da sua audiência, ainda é o maior do Brasil. Nesse tempo, o seu poder e influência foram e ainda são enormes na vida do país. Tido por muitos como o quarto entre os poderes no Brasil, dada a influência que exerce sobre os outros pessoalmente considero-o o segundo.
 
Por estar diante dessa máquina poderosa e compreender o que ela representa, é que disse acima que entendo e aceito que alguns tenham dificuldades para entender essa questão. E agora explico o porque da minha surpresa, também relatada acima. 
 
Sempre critiquei a indiferença/alienação da sociedade em relação aos atos da Globo, e aí incluía os jovens (apesar de dar os descontos pelas características da juventude). Pois agora parte deles um movimento que nega, pelo menos em parte, a minha “má vontade” com eles. Como já fizeram em momentos anteriores da nossa história, será que os jovens vão participar e, quem sabe, até tomar a frente do processo “desestupidificação”?
 
O lançamento do DIA SEM GLOBO nas redes sociais parece querer mostrar isso. Veja você mesmo.
 
 

Se a proposta não tiver a repercussão que se poderia esperar, não há problema, outras podem e devem ser tocadas, há tempo de sobra para isso. O mais importante é ter de volta aquele segmento com o qual contam todas as sociedades que desejam e têm avançado na qualidade de vida do seu povo. Se assim for, fica aqui mais do que o meu pedido de desculpas a eles. Fica o meu agradecimento. 

Limpar o que?

Quando penso em tratamento endodôntico de canal com necrose pulpar, penso em infecção. É só lembrar que a maioria absoluta das alterações pulpares/periradiculares tem origem na cárie, um processo infeccioso. A literatura tem demonstrado que a infecção tende a se disseminar por todo o sistema de canais. Nesse sentido, o tempo desempenha papel fundamental.

Quando lembro que o canal cementário faz parte desse sistema de canais, penso na possibilidade/probabilidade/certeza do seu envolvimento nesse processo infeccioso. Quando lembro que onde há infecção não há reparo… Leia o texto completo

Patência!!!

Victor Nóbrega:Professor, eu tenho uma dúvida quanto ao conceito de patência, inicialmente achava que a definição de patência seria uma lima K ou outra que fosse de um diâmetro fino que eu consegueria chegar até o fim do canal, porém estou confuso se conseguir patência e manter a patência são coisas realmente distintas… Faz parte de ”conseguir patência” ultrapassar a lima de patência após a instrumentação das outras limas ? … No caso minha dúvida praticamente seria ” conseguir patência” e manter a ”patência” são coisas distintas ? se possivle gostaria da definição de patência, que já procurei e não consigo achá-la.

Victor, a incompreensão dos procedimentos realizados no forame ainda é claramente perceptível em alguns comentários que ouço e textos que leio. Fala-se muito, entende-se pouco. Para começar, patência de que? Para responder a sua pergunta, vamos simplificar. Conseguir patência foraminal é chegar ao forame pela “primeira vez” e manter patência é voltar frequentemente ao forame enquanto se prepara o canal. Aqui mesmo no Blog e no Conversando com o Clinico clique aqui você pode encontrar textos sobre esse tema (como tambem no meu livro).

Retratamento!!!

Francine Zuanetti:Prof. Ronaldo. Algumas vezes,somente em casos de pulpectomia com tratamento em sessão única, observo que alguns pacientes se queixam no pós-operatório de dor à percussão.Estou sempre atenta para instrumentar no limite correto e irrigar com pouca pressão, mas ainda assim, de vez em quando, sou obrigada a desobturar posteriormente, medicar com hidróxido de cãlcio e esperar que desapareça o sintoma.Segundo sua experiência , gostaria que tentasse me mostrar onde pode estar meu erro. Obrigada.

Francine, alguns procedimentos favorecem o seu surgimento, mas a dor pós-operatória é passível de acontecer em qualquer tratamento endodôntico. Se ocorrer dor após tratamento endodôntico nos casos de polpa viva (o que você relata) realizados dentro dos parâmetros recomendados, não há necessidade de retratamento. Medidas simples como aplicação de gelo na região em questão ou mesmo a prescrição de analgésicos e/ou antiinflamatórios contornam o problema em alguns poucos dias. Portanto, nessas circunstâncias, não retrate.