Limpar o que?

Talvez devêssemos nos interessar mais e estudar/discutir determinados assuntos. Se isso viesse a acontecer, eu sugeriria um tema: como se perde o tesão para certas discussões.

Muito provavelmente não é característica de nenhuma área. Em qualquer uma delas, sempre haverá muita discussão em torno dos diversos temas. Mas, isso tem um custo, muitas vezes alto. Você conhece algo mais desagradável do que discutir com quem acha que domina o assunto, aquele cara que vomita conhecimento? Muito em voga nos tempos atuais, a ignorância ativa anda solta.

Nietzsche ensina que “não existe verdade absoluta, mas interpretações da realidade, condicionadas ao ponto de vista de quem as propõe”. Bastaria isso para que as discussões tomassem outro rumo. Para entender essa questão não basta inteligência, pelo contrário, ela muitas vezes atrapalha. Um profissional inteligente saca as coisas e, por se saber inteligente, acha que o seu ponto de vista é o correto.

Assim se comportam alguns professores. Tenho um amigo, professor, muito inteligente, que me disse algumas vezes em nossas conversas que há professores que são verdadeiros pregadores, são pastores. No caso, de uma doutrina chamada endodontia.

Inteligência não é sinônimo de algumas coisas, entre elas conhecimento e bom senso. São inteiramente diferentes. Quando se somam inteligência, conhecimento e bom senso o resultado é muito bom, mas é quando se junta isso à experiência que o resultado é excelente.

Experiência costuma ser reflexo de tempo vivido, razão pela qual é sempre associada à idade. Por sua vez, costuma-se associar a idade ao cansaço físico. (Oscar) Niemeyer, aos 104 anos, deve estar cansado fisicamente, mas, certamente, não é esse cansaço que o leva a dizer que está cansado da mediocridade ativa, que ele acha uma m… Dizem-me os meus botões que é esse cansaço que pode tirar o tesão para discutir certas coisas.

Uma vez batendo um papo com um jovem colega, ele disse que aprendeu desde o início na graduação e na especialização a limpar todo o comprimento do canal, tanto nos casos de polpa viva como necrosada. Ouvi e acho que entendi o que ele quis dizer.

Quando penso em tratamento endodôntico de canal com necrose pulpar, penso em infecção. É só lembrar que a maioria absoluta das alterações pulpares/periradiculares tem origem na cárie, um processo infeccioso. A literatura tem demonstrado que a infecção tende a se disseminar por todo o sistema de canais. Nesse sentido, o tempo desempenha papel fundamental.

Quando lembro que o canal cementário faz parte desse sistema de canais, penso na possibilidade/probabilidade/certeza do seu envolvimento nesse processo infeccioso. Quando lembro que onde há infecção não há reparo, penso de imediato na necessidade de promover controle de infecção. Quando penso em tudo isso, o bom senso aponta para a necessidade de incluir o canal cementário na minha tentativa de promover controle de infecção. Parece que essa situação só é passível de acontecer nos canais com polpa necrosada. Assim, nos casos de necrose pulpar, faço limpeza do forame.

O tratamento endodôntico de canais com polpa viva tem como premissa básica a ausência de infecção. Não há necessidade de se recorrer à experiência para imaginar, portanto, que o tratamento endodôntico nessas condições não tem como objetivo “limpar” o canal. Ele é realizado para remover um tecido afetado, e às vezes nem isso é, tendo em vista que algumas vezes o tratamento endodôntico encontra sua indicação na finalidade protética.

Assim, limpar o forame no tratamento endodôntico de canais com polpa viva não faz nenhum sentido. Acho pouco provável que a inteligência, o conhecimento e o bom senso respaldem esse procedimento. Outras razões existem que podem levar à manipulação do forame nessas condições, mas aí é outra história.

Caberia uma discussão. O problema é que, pelo que já vi, aprendi que geralmente não vale a pena. Às vezes fico sem tesão para discutir algumas coisas. Acho que é o cansaço.

Cimento obturador ultrapassado???

Francine Zuanetti:
Professor,gostaria de saber quais são os melhores cimentos para obturação do canal.Costumo usar Endofill, mas não sei se já está muito ultrapassado. Obrigada.

Francine, é claro que existem alguns cimentos com características interessantes, mas acho que ainda há muito a se falar sobre esses materiais e os equívocos que foram e são cometidos quanto ao seu real papel em endodontia. Enquanto não se mudar a concepção na qual se apoia a endodontia, não teremos grandes e verdadeiros avanços. Observe que diante da quantidade de publicações sobre o tema (um sem número de monografias, dissertações e teses já foram feitas abordando essa questão), os avanços não são significantes; pouco acrescentaram ao resultado final do tratamento endodôntico, conforme atestam trabalhos recentes. Certamente ainda irei abordar esse tema outras vezes aqui no site. Por enquanto, duas coisas a dizer: a primeira é que você encontrará alguns textos sobre isso aqui no Blog e também na seção Conversando com o Clinico clique aqui do site. A segunda; eu também uso o Endofill.

Ápice aberto e lesão periapical

Cristiano:
Olá Professor! Preciso intervir em um incisivo lateral de um paciente com 29 anos. Este dente se apresenta necrosado (com imagem de lesão associada no exame radiográfico) e com ápice aberto. Tenho dúvidas em relação que mistura fazer com o hidróxido de cálcio  se…”solução aquosa ou oleosa”. outra questão é relativa aos periodos de troca deste curativo e também a previsão de término do tratamento para o paciente. Só mais um detalhe… posteriormente ao sucesso do meu tratamento este paciente retornará ao ortodontista para correção. Há algum problema??? Desde já agradeço a atenção.

Cristiano, não use o hidróxido de cálcio com veículo oleoso, use o aquoso. Não há uma única maneira, mas, como princípio geral, serve esta. Prepare o canal, faça a medicação intracanal e renove depois de cerca de 2 semanas. Nova medicação por mais 2 ou 3 semanas e renovação por 30 dias. Daí em diante, dois caminhos: tampão apical com hidróxido de cálcio (pode ser também com MTA) e obturação do canal ou terapia de apicificação até fechar o ápice, e obturação. Depois de concluído o tratamento, o paciente pode fazer a correção ortodôntica.

Diagnóstico em Endodontia

Michelle:
Paciente chegou no consultório com uma fístula no palato na região do 16, o qual possui trat. de canal ( feito a muito tempo) pino e coroa, sendo o mesial mal obturado e o distal, o cone ultrapassou 1mm.O dente está com mobilidade e paciente relatou sensação de dente crescido. Fiz um mapeamento dessa fístula com um cone que vai direto na raiz do 16 … porém não há lesão periapical … não observo fratura. Aí levanto a dúvida … essa fístula é periodontal e com raspagem melhora ou é necessário retratar esse canal?
O que fiz foi remover o dente de oclusão e drenar a fístula.

Michele, não há como “fechar” esse diagnóstico à distância. Você fala que o dente está com mobilidade e o paciente relatou sensação de dente crescido. Há doença periodontal, observada clinica e radiograficamente? Quantos anos tem esse tratamento endodôntico “feito a muito tempo”? Reveja o caso. É possível que haja necessidade de retratamento. De qualquer maneira, somente tirar o dente de oclusão e drenar a fístula não resolverá, tem que tratar a causa.

Radiologia em Endodontia

Priscila:
Boa noite… Gostaria de saber como faco pra saber na radiografia de um premolar ql e a raiz palatina e a vestibular? Grata

Priscila, existem algumas maneiras de ver isso e talvez a mais simples seja observar as asas do grampo na radiografia. A que aparece em um nível superior, “em cima”, é a que está na face palatina da coroa e a inferior na vestibular. É a imagem do que está em vestibular que se movimenta, para a direita ou para a esquerda, a da palatina “fica parada”. Se você observar na imagem radiográfica que a asa superior do grampo está mais para distal, a radiografia foi distalizada (a raiz vestibular “vai” para mesial). Se estiver mais para mesial, foi mesializada (a raiz vestibular “vai” para distal).

A Privataria Tucana 1

 
Nos últimos 9 anos, todos os eventos negativos que podiam ter alguma ligação com o PT e/ou governos de Lula e Dilma foram transformados em escândalos pela Rede Globo, VEJA, Folha e Estadão (os maiores jornais de São Paulo) e boa parte da imprensa brasileira.
 
O esquema já é conhecido. Praticamente em todos os fins de semana a VEJA cria uma reportagem escandalosa e o Jornal Nacional repercute, com direito a detalhes, ênfases nas partes “mais delicadas” do texto e Folha e Estadão fazem a mesma coisa. Vamos a dois exemplos recentes. 
 
O primeiro deles, a ficha do DOI-Codi (órgão de repressão muito utilizado no período da ditadura militar) de Dilma Roussef, estampada na primeira página da Folha com foto e tudo mais, foi motivo de intensas reportagens durante muito tempo pelos órgãos de imprensa citados. 
 
Abro aqui 2 parênteses. Na praça onde faço as minhas caminhadas tem um banco onde “velhinhos” ficam sentados conversando. Quando passava por esse banquinho nas várias voltas das caminhadas, ouvi diversas vezes “a mulher é terrorista”, “já matou não sei quantos”, “como é que eu vou votar numa mulher dessa”!!! Uma vizinha do edifício onde moro, professora, cansava de dizer “a mulher já matou mais de 100 criancinhas”.
 
Resumo da história. A ficha era falsa, comprovada por análise feita por 2 institutos independentes do Brasil, um da UNICAMP (o outro não lembro neste momento) e ambos confirmados logo em seguida de maneira interessante: o próprio DOI-Codi afirmou que a ficha era falsa. Após o estrago que tinha feito na imagem da “mulher”, restou à Folha um pedido de desculpas em um canto de página, do qual a sociedade não tomou conhecimento. Atingia-se mais uma vez o objetivo; escandaliza-se com manchetes sensacionais na primeira página, depois pede-se desculpas, quando muito, num canto de página.
 
O outro exemplo se refere ao episódio da quebra de sigilos de pessoas ligadas ao PSDB, atribuída ao PT durante a campanha presidencial. Mais uma farsa. Na verdade o que estava acontecendo era uma arapongagem dentro do próprio PSDB entre Serra e Aécio e que tentaram aproveitar para dizer que o PT estava armando dossiês sobre Serra. Daqui a pouquinho volto a falar sobre isso.
 
Amaury Ribeiro Júnior é um jornalista, um repórter premiado, dono de trinta prêmios nacionais de jornalismo, entre os quais 3 prêmios Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro. Com passagens por jornais como O Globo, Correio Braziliense, Jornal do Brasil, Estado de Minas e pela revista Isto É, faz parte do ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Um currículo invejável e um repórter respeitado em todo o meio jornalístico. Foi esse jornalista que foi acusado na campanha presidencial de ser o responsável pelos tais dossiês do PT. As reportagens feitas pelo Jornal Nacional eram fantásticas, dignas de uma grande emissora…, se fossem verdade.
 
Há 25 dias de quando escrevo esse texto, ele lançou o livro “A Privataria Tucana”, pela  Geração Editoral. O livro fala sobre as privatizações ocorridas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso. Prometi a você que voltaria à questão da quebra de sigilo fiscal. Chegou a hora. Vamos ver um pouco de mais outra manipulação na campanha e que está devidamente documentado no livro.
 
Durante a campanha presidencial, quando ainda havia a disputa de quem seria o candidato do PSDB, Aécio Neves foi informado de que Serra estava com uma equipe de arapongas (profissionais que vasculham a vida de pessoas e/ou empresas – escuta telefônica, documentos, vídeos…) para espioná-lo.
 
Aécio deu o troco e fez contra-espionagem. Através do jornal Estado de Minas, aliado de todas as horas, como aliás praticamente toda a imprensa mineira, Amaury Ribeiro Jr., que trabalhava no jornal, foi designado para acompanhar Serra nos seus movimentos políticos. Em outras palavras, Aécio e Serra se espionavam.
 
Quando o PSDB paulista decidiu que Serra seria o candidato, a espionagem perdeu o sentido e Amaury deixou de cobrir Serra. Ocorre que ele já vinha investigando as privatizações há 10 anos (graças ao que descobriu muito sobre a famosa questão do Banestado, quando mais de 30 bilhões de dólares foram desviados dos cofres públicos brasileiros). As investigações sobre Serra acrescentaram documentos importantes às investigações das privatizações. Juntou tudo e resolveu transformar em livro.
 
Quando os dois partidos de oposição mais fortes do Brasil, o PIG* e o PSDB**, descobriram que o livro estava sendo escrito foi um Deus nos acuda. 
 
Vamos ligar os pontos? Foi daí que surgiram os dossiês e a história da quebra de sigilos fiscais, em que personagens como o próprio Serra, sua filha Verônica e outros apareciam todos os dias nos órgãos de imprensa, mostrando indignação e acusando o PT e a equipe de Dilma por estarem produzindo dossiês com documentos falsos. 
 
Escandalizada, a opinião pública levou as eleições para o segundo turno, com a devida ajuda de Marina Silva, também candidata à presidência da república, sem nenhuma chance e, coitada, inocentemente (?) usada pela imprensa. Detalhe; Verônica Serra, a filha de Serra, ela sim, segundo dados divulgados à época e relatados no livro, tinha quebrado o sigilo bancário de 60 milhões de pessoas e por isso foi indiciada há 9 anos (também segundo os documentos mostrados no livro ela é ré no processo 370-36-2003.401.6181, na 3ª Vara Criminal de São Paulo. Quando completar 10 anos o crime será prescrito).
 
Ali começava um trabalho muito bem feito pela imprensa de esvaziar qualquer documento que pudesse comprometer a candidatura de Serra à presidência e que a sociedade brasileira sequer imaginava. E muito menos poderia imaginar qu

e também ali começava um processo de esvaziamento do livro que poderia destruir o PSDB, como está ocorrendo e vocês verão logo adiante. A única televisão que mostrou os fatos como eram foi a Record.

 
*PIG – Partido da Imprensa Golpista (expressão consagrada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim).
** PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira.
 

 

A Privataria Tucana 2

Não é a primeira vez que um livro aborda o tema das privatizações. Outros já o fizeram e pode ser citado “O Brasil Privatizado”, de Aloysio Biondi que, é lógico, também foi boicotado pela grande (?) imprensa.

 
 
Mas, voltemos ao “A Privataria Tucana”.
 
O livro foi lançado no dia 09 de dezembro de 2011, uma sexta-feira. Não há registro na história do jornalismo brasileiro de um livro com tamanha documentação. São 340 páginas, sendo 112 só com documentos mostrando toda a corrupção que houve no processo de privatização durante os governos de Fernando Henrique Cardoso. Documentos legalmente conseguidos em cartórios, juntas comerciais, Ministério Público Federal, na Justiça e em paraísos fiscais. Tanto é que todos estão temendo processar o autor do livro e a editora, porque ambos possuem mais documentos que poderão mostrar assim que necessário (já se fala em um segundo livro) e o autor está pedindo, na verdade desafiando, que o processem. Para entender o porque disso, procure saber o que é “exceção da verdade”, um dos recursos que Amaury Ribeiro Jr. usou para ter acesso a alguns dos documentos apresentados.
 
Você deve ter visto inúmeras vezes aquelas reportagens fantásticas da Globo toda vez que surge um malfeito de alguém que possa ter qualquer ligação com o governo. Aqueles diversos textos, de onde saem em destaque os pontos mais importantes que comprovariam a corrupção. Começam já na primeira manchete do Jornal Nacional, com o semblante compenetrado e a voz empostada de Wiliam Bonner. É assim todas as vezes.
 
Já são 4 semanas do lançamento do “A Privataria Tucana”, o livro mais documentado do jornalismo brasileiro. Está batendo todos os recordes de vendagem no Brasil (primeiro lugar nos sites das livrarias Cultura, Saraiva, Folha e Siciliano), mas é bem provável que muitos não saibam da sua existência. É bem provável que muitos não saibam que uma CPI (a CPI da privataria tucana, como está sendo chamada), já foi protocolada na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados agora em dezembro e que o PSDB já está se mobilizando para que ela não aconteça.
 
Apesar de tudo isso, decorridas 4 semanas do lançamento e de sucesso do livro, não houve uma única reportagem por parte da grande (?) mídia. Aquelas reportagens fantásticas da Globo toda vez que surge um malfeito de alguém (!!!) não aconteceram. As primeiras manchetes do Jornal Nacional com o semblante compenetrado e a voz empostada de Wiliam Bonner por repetidos dias também não. Aqueles diversos textos, de onde saem em destaque os pontos mais importantes que comprovariam a corrupção também não estão sendo vistos. Dessa vez foi diferente.
 
A revista VEJA, tão preocupada com a corrupção no Brasil, tão pródiga em manchetes e reportagens sensacionais cada vez que isso acontece (segundo ela, todos os dias), não se manifestou. Não houve uma única reportagem sobre o assunto e manchetes sensacionais e reportagens de capa durante semanas, nem pensar. Pelo mesmo caminho, a Folha e o Estadão. Ignoraram solenemente o livro. Por que será? 
 
Mesmo assim, com um boicote jamais visto no jornalismo brasileiro, recorde absoluto de vendas. Mais uma vez a resposta é Internet. Apesar da força dos órgãos de imprensa, tão poderosos na sua capacidade de manipulação da mente humana, ainda que incipiente há hoje um contraponto: a blogosfera.
 
Finalmente, vamos ao livro, pelo menos a algumas das suas passagens.
 
Apesar de na campanha presidencial de 2010 ter havido a negação do desejo de privatizar tudo no Brasil, inclusive o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás, algumas frases e diálogos ficaram famosos e estão no livro:
“É preciso dizer sempre e em todo lugar que este governo não retarda privatização, não é contra nenhuma privatização e vai vender tudo que der para vender” (Fernando Henrique Cardoso). Página 36.
“Só um bobo dá a estrangeiros serviços públicos como as telefonias fixa e móvel” (Luis Carlos Bresser Pereira, ex-ministro de FHC, criticando a privatização da telefonia). Página 68.
O Banco Opportunity (de Daniel Dantas) estava com um problema de fiança para participar do leilão das telefonias. Luis Carlos Mendonça de Barros (presidente do BNDES e depois Ministro das Comunicações) liga para Ricardo Sérgio (diretor do setor internacional do Banco do Brasil), segundo o livro um dos mentores e principais envolvidos no desvio de dinheiro das privatizações e fala; “Não dá para o Banco do Brasil dar a fiança”? “Acabei de dar”, responde Ricardo Sérgio, que conseguiu R$874 milhões para o consórcio de Dantas e acrescenta aquela que seria a frase mais famosa das privatizações: “Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. Na hora que der merda, estamos juntos desde o início” (página 73). Devo ressaltar que essa frase vazou na época e a gravação foi colocada no ar pelas televisões.
 
Com relação ao apoio da grande (?) imprensa, outro diálogo ficou muito conhecido e agora é relembrado.
“A imprensa está muito favorável, com muitos editoriais”, comenta Mendonça de Barros.
“Está demais, , estão exagerando até”, diz FHC (página 73).
 
Gregório Marins Preciado, o “espanhol”, como é conhecido, é casado com uma prima de Serra e também um dos principais envolvidos no desvio de dinheiro das privatizações. Adquiriu 3 estatais de energia elétrica, entre as quais a Coelba, da Bahia (página 170), e hoje é dono de uma mansão de US$1 milhão (notou que é de dólares?) em Trancoso (sul d

a Bahia), onde Serra se hospedava e passou o réveillon de 2010 (página 171). Serra agora se hospeda na casa de sua filha, Verônica, que também comprou uma mansão em Trancoso. 

 
Pois bem, Amaury Ribeiro Jr. narra um episódio que envolve Paulo Souto (afilhado político de Antônio Carlos Magalhães). Logo após a derrota para Jacques Wagner, no final do seu mandato como governador da Bahia em 2006 Paulo Souto doou a Gregório Marins Preciado a ilha do Urubu, um recanto paradisíaco considerado uma das áreas mais valorizadas do litoral do Atlântico (página 173).
 
Vale a pena a leitura. Algo que já se sabia, agora devidamente documentado.
 
 
PS. Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma (Joseph Pulitzer).
 
 
Abaixo, coloquei alguns links para que você possa ver alguns vídeos sobre o lançamento do livro.
 

Reportagem da Record News  http://www.youtube.com/watch?v=T-eukqC0iOg

Ou no próprio site da Record http://noticias.r7.com/brasil/noticias/livro-revela-esquema-de-propina-nas-privatizacoes-do-governo-fhc-20111213.html

Entrevista de Amaury Ribeiro Jr. (autor do livro) http://www.youtube.com/watch?v=ufUjcYOY_iE

Entrevista à Rede Record http://www.youtube.com/watch?v=V14fyWK9Cnc

Jornalista Bob Fernandes comenta no Jornal da Gazeta o “silêncio ensurdecedor” da mídia sobre o livro http://www.youtube.com/watch?v=LZQleDJLNMo&feature=endscreen&NR=1

Finalmente Ricardo Boechat comenta a privataria tucana http://www.youtube.com/watch?v=xu0nt_sY72k

Questão de justiça

Temos que tirar proveito desses ensinamentos e dar os méritos a quem merece também no futebol brasileiro. Em 1990, o técnico da Seleção Brasileira de futebol era Lazaroni e com ele perdemos a Copa (fomos eliminados já na segunda fase da competição), em um dos momentos mais vergonhosos da seleção canarinho. Se existisse FMI no futebol, teríamos sido salvos.
A seleção voltou a convencer, a brilhar, na Copa do Mundo de 2002, com Felipão como treinador. Mas, por uma questão de justiça, devemos reconhecer que o mérito do título de campeão da Copa do Mundo de 2002 é de Lazaroni. Leia mais

Questão de justiça

Quando Itamar Franco passou o governo a Fernando Henrique Cardoso em 1994, o Brasil era a 7ª economia do mundo.

De 1995 a 2002, período dos 2 governos de FHC, o Brasil quebrou 3 vezes e 3 vezes recorreu ao FMI, ou seja, pediu dinheiro emprestado ao FMI. Em uma dessas vezes, o FMI se negou a emprestar e foi necessária a intervenção de Bill Clinton presidente dos Estados Unidos. O Brasil estava totalmente desmoralizado. Você não acredita? Então, aproveito para mostrar um vídeo que sei que a maioria absoluta dos brasileiros não conhece. Clique aqui http://www.youtube.com/watch?v=MeAOen8vyiQ

Resultado. Em 2002, quando FHC entregou o país a Lula, o Brasil estava rebaixado para a condição de 13ª economia do mundo. Vamos lembrar que FHC recebeu na 7ª posição e entregou na décima terceira, praticamente o dobro no sentido de queda da nossa economia.

Lula recebeu de FHC um país desacreditado, na condição de 13ª economia, e em 2010 entregou a Dilma na 7ª posição, com uma economia saneada e sólida, ultrapassando de novo México, Espanha, Coreia do Sul, Canadá, Índia e, pela primeira vez na história, ultrapassando a Itália.

Lula não recorreu a Obama (o Clintom atual), pelo contrário, por ele foi chamado de “o cara”. O Brasil, hoje, não é mais devedor, mas sim credor do FMI. Em outras palavras, não pede mais dinheiro ao FMI, empresta (em 01/12/2011, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, veio ao Brasil pedir o apoio do governo para salvar países da Europa).

Agora, o Brasil acabou de ultrapassar o Reino Unido e se tornou a 6ª economia do mundo (os especialistas do mundo todo dizem que em breve será a quarta). Um feito histórico que, estranhamente, não mereceu uma maior cobertura por parte da nossa grande (?) e velha imprensa.

Se você pensa que o mérito de o Brasil ser hoje a 6ª economia do mundo, caminhando para ser a quarta, é de Lula e Dilma, está redondamente enganado. O mérito é de Fernando Henrique Cardoso que, ao deixar o Brasil com a economia forte (tendo quebrado o país 3 vezes) e o terreno preparado, permitiu aos dois colher os frutos. Pelo menos é o que ensinam a imprensa brasileira e algumas das pessoas que conheço. Como diria Milton Leite, locutor de futebol do SporTV, que beleza!!!

Temos que tirar proveito desses ensinamentos e dar os méritos a quem merece também no futebol brasileiro. Em 1990, o técnico da Seleção Brasileira de futebol era Lazaroni e com ele perdemos a Copa (fomos eliminados já na segunda fase da competição), em um dos momentos mais vergonhosos da seleção canarinho. Se existisse FMI no futebol, teríamos sido salvos.

A seleção voltou a convencer, a brilhar, na Copa do Mundo de 2002, com Felipão como treinador. Mas, por uma questão de justiça, devemos reconhecer que o mérito do título de campeão da Copa do Mundo de 2002 é de Lazaroni.