O canal está pronto? Obture

Melissa:
Oi Ronaldo, boa tarde! Ontem ao instrumentar o canal distal do dente 46 que era atresiado e com curvatura no terço apical eu fraturei uma lima flexível 40,porém eu já tinha feito todo o PQC e estava na última lima e ela fraturou pq ficou aderida a uma das paredes do canal, está muito aderida, eu até tentei removê-la mas optei por deixá-la lá quietinha pq consegui uma boa passagem do lado dela até o CT. Então terminei o PQC dos outros dois canais, mediquei com Hidróxido de Cálcio(Callen)e prescrevi antibiótico e antiinflámatório, hoje o paciente não apresenta dor alguma, diz que está tudo bem e eu vou obturá-lo hoje. Acha que no futuro isso pode ocasionar uma dor,uma lesão ou até à perda do dente? Estou muito preocupada porque foi a primeira vez que isso ocorreu comigo e o paciente em questão é meu familiar. E então, o que vc acha?

Melissa, se o canal já estava pronto, em condições de obturar, acho que nada deve acontecer.

Retratar?

Renato:
Realizei tratamento endodôntico no elemento 36 e agora o paciente se queixa de dor  somente durante a mastigação o que pode ta acontecendo?será se medicamento sistêmico resolveria? Obrigado

Renato, veja se há trauma oclusal, fissura/fratura, etc. Já tem quanto tempo? Se não for algo assim e era polpa viva, acompanhe, mas pode precisar retratar. Polpa necrosada, o mais provável é retratar.

Calcificação do canal

Renata Friedman:
Me foi encaminhada uma paciente que apresentava ligeira alteração de cor no elemento 21, sem nenhum sintoma ou imagem que sugerisse lesão. Porém, observei que o canal estaria sofrendo calcificação, de modo que era difícil de destinguir a câmara pulpar. Associei essa calcificação ao histórico de tratamento ortodôntico de cercade 7 anos. Fiz o teste de vitalidade e a resposta foi positiva.A dúvida é: devo fazer a endo apenas para evitar a calcificação completa?

Renata, acho que sim.

pH do hidróxido de cálcio

Polyanna:
olá ! gostaria de saber se o hidróxido de cálcio manipulado com soro fisiológico para medicação intra canal em tratamento endodontico pode causar alguma irritação ou queimação no paciente, se sim, o que pode ser feito? há necessidade de prescrição medicamentosa ou há algo, mesmo que paliativo, para se fazer? obrigada!

Polyanna, não entendi se foi na pele ou sensação de “queimação” no periápice. Pelo seu pH elevado ele pode dar irritar sim.

Cada caso é um caso

Marisa:
Dr. Ronaldo, Atendi um caso de urgência esta semana em que a paciente apresentava um quadro de abscesso em fase de evolução originada do dente 45. Fiz a abertura e neutralização porém não foi possivel o desbridamento devido a calcificação dos 5mm finais. Prescrevi antibiótico e analgésico-antiinflamatório mas a dor aguda continuou por dois dias e ainda persiste um pouco porém não é intensa. Nestes casos de abscesso,calcificação e dor procedi de forma correta ou há algo melhor que possa ser feito?

Marisa, você fez certo para um primeiro atendimento nessas condições. Às vezes o canal está com penetração muito difícil, mas não calcificado. Aí seria o caso de tentativa com alguém com muita experiência. Acho que é o que deve fazer.

O que fazer?

Daniela:
Ola professor, durante a obturacao de um canal MB num 26 houve sangramento.O canal se mostrou seco com o uso de cones de papel.Fiquei com receio de retirar a guta e fechei assim mesmo. O que pode acontecer? O que devo fazer?

Daniela, quando for assim interrompa a obturação e busque a causa. O que pode acontecer depende de uma série de coisas, entre as quais se era polpa viva ou necrosada. Não há como dizer o que fazer porque também é possível que nada aconteça. A depender do caso, o mais correto seria retratar.

Os números da Globo: lenta decadência

por Rodrigo Vianna

Altamiro Borges e Paulo Henrique Amorim destacam fatos que demonstram a decadência da TV Globo.

O texto de Miro mostra que o Faustão – em crise de audiência (e de faturamento?) – demitiu a banda de músicos. E que o “Fantástico” enfrenta a pior crise de sua longa história. O Paulo Henrique relata como a audiência do “JN” encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 – são números oficiais do IBOPE.

São fatos. Não é bom brigar com eles. Mas é bom analisar esse proceso com cautela.

Quando entrei na TV Globo, em 95, o “JN” dava quase 50 pontos de audiência. Era massacrante.  O “Globo Repórter” dava perto de 40 pontos.

Em 2005/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o “JN” já tinha caído pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audiência do que o principal jornal da casa) e o “Globo Repórter”  se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).
Esse tempo ficou pra trás. O “JN” já caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Repórter hoje patina em 24 ou 25 – dizem-me.

O “Jornal da Record” dobrou de audiência. Em São Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manhãs, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atrás) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos horários matutinos, há meses. Aos domingos, a Globo também sofre. A grande jóia da coroa da emissora carioca é o horário nobre durante a semana: novelas+ JN. Nesse caso, os números revelam que o domínio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.

Muita gente espera o dia em que a Globo vai passar por uma hecatombe e deixará de ser a Globo. Acredito que isso não vai acontecer: a queda será lenta, negociada, chorada…
 
A Globo poderia ter quebrado ali pelo ano 2000. No primeiro governo FHC, Marluce (então diretora geral) tivera duas idéias “brilhantes”: tomar dinheiro emprestado, em dólar, para capitalizar a empresa de TV a cabo do grupo; e centralizar as operações numa “holding”. Ela acreditou nas previsões do Gustavo Franco e da Miriam Leitão, de que o Real valeria um dólar para todo o sempre! Passada a reeleição de FHC, em 98, o Brasil quebrou, veio a crise cambial e a Globo ficou pendurada numa dívida em dólar que (de uma semana pra outra) triplicou.

A dívida era da TV a cabo mas, como Marluce e os geniais irmãos Marinho tinham centralizado as operações na holding, contaminou todo o grupo. A Globo entrou em “default”. Quebrou tecnicamente. Poderia ter virado uma Varig. Mas conseguiu (sabe-se lá com quais acordos e pressões políticas) equalizar a dívida.

Quando saiu da crise, em meados do primeiro mandato de Lula, a Globo (o jornalismo) estava já sob os auspícios de Ali Kamel – o Ratzinger. Ele conduziu a empresa para a direita: contra as cotas nas universidades, contras as políticas de combate ao racismo (“Não somos racistas”, diz), contra o Bolsa-Família. O grande público não percebe isso de forma racional. Mas (mesmo que de forma despolitizada) sente que a Globo ficou contra todos os avanços sociais dos últimos 8 anos. Lentamente, foi-se criando uma antipatia no público. Ouve-se por aí: a Globo não fica do lado do povão.

Não é à toa que um fenômeno novo surge nas grandes cidades, como São Paulo. Nas padarias, restaurantes populares, pontos de táxi, era comum ver televisores ligados sempre na Globo. Isso há 7 ou 8 anos. Acabou. De manhã, especialmente, a programação da Record e do SBT (e às vezes também dos canais a cabo) entra nas padarias, ocupa os lugares públicos.

Essa é uma mudança simbólica.

Mas é bom não brigar com outro fato: boa parte do público segue a ter admiração e carinho pela progamação da Globo. E há motivos pra isso, entre eles a qualidade técnica. A iluminação, a textura da imagem, o cuidado com o bom acabamento. Tudo isso a Globo conseguiu manter – apesar de muitos tropeços aqui e ali.

Fora isso, apesar de toda crítica que façamos (e eu aqui faço muito) ao jornalismo global, é bom não esquecer que na TV da família Marinho há sim ótimos profissionais, gente séria que tenta (e muitas vezes consegue) fazer bom jornalismo. 

Esse capital – qualidade técnica – a turma do Jardim Botânico tem conseguido manter. O que não ajuda: a política editorial, adotada por exemplo durante a posse de Dilma. Ironias desmedidas, falta de compreensão do momento histórico e uma arrogância de quem se acha no direito de “ensinar” como Dilma deve governar. A seguir nessa toada, a decadência será mais rápida…

E o que mais pode entornar o caldo por lá? Grana.

A Globo tem custos altíssimos de produção. Quem conhece de perto o Projac diz que aquilo é uma fábrica de boas novelas e minisséries, mas também uma fábrica de desperdício. Empresa familiar, que cresceu demais. Cada naco dominado por um diretor, como se fosse um feudo. Até hoje a Globo conseguiu manter essa estrutura porque ficava com uma porção gigante das verbas públicas de publicidade (isso mudou com Lula/Franklin) e com uma porção enorme da publicidade privada: o BV – bônus em que a agência é “premiada” pela Globo se concentrar seus anúncios na emissora – explica em parte essa “mágica”; outra explicação é que a Globo detem (detinha!?) de fato fatia avassaladora da audiência.

Com menos audiência, as agências (ou as empresas anunciantes, através das agências) podem pressionar para que o valor dos anúncios caia. Se isso acontecer, a Globo vai virar um elefante branco. Impossível manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar.

Qual o limite que a Globo suporta? Difícil saber. Mas dispensa da banda do Faustão é um indicador de que a água pode estar subindo rápido.

Outro problema sério: o risco de perder a transmissão do futebol, ou de ter que pagar caro demais para mantê-lo.

Tudo isso está no horizonte. E mais: a entrada das teles no jogo. O Grupo Telefônica, por exemplo, fatura dez vezes mais que a Globo. Como concorrer? Só com regulação do mercado, assegurando nacos para os propr

ietários nacionais.

Ou seja: a Globo – que é contra a regulamentação (“censura”, eles bradam) por princípio – vai ter que pedir água, vai ter que negociar alguma regulação pra conter os estrangeiros. E aí pode entrar também a regulação que interessa à sociedade: critérios para concessões, e também para evitar o lixo eletrônico e os abusos generalizados na TV. Regulação, como em qualquer país civilizado. Até aqui a Globo tentou barrar esse debate. Mas vai ter que aceitá-lo agora, porque ficou mais frágil.

De minha parte, não torço pra que aconteça nenhuma “hecatombe”, nem que a Globo quebre. Mas para que fique menos forte, e que o mercado se divida.

Parece que é isso que está pra acontecer. Seria saudável para o Brasil.

Previsões para o (novo) Ano Novo

E chegou o novo Ano Novo.

E começo como terminei o velho (percebeu que já falo do velho com um certo desprezo? Preciso urgentemente me vacinar contra essa doença de que o que vale é o novo).

Naquela oportunidade eu dizia que “no final do próximo ano (era final de 2009) sei que a imprensa virá em cima, cobrando os pontos de acerto. Não temo esse momento, acho que estou preparado para isso”.

E aí, acham que acertei mais do que errei? Votem. Se mais de três pessoas votarem, ganharei um prêmio do Google de site de endodontia mais visitado. Leia mais

Previsões para o (novo) Ano Novo

E chegou o novo Ano Novo.

E começo como terminei o velho (percebeu que já falo do velho com um certo desprezo? Preciso urgentemente me vacinar contra essa doença de que o que vale é o novo).

Naquela oportunidade (veja aqui) eu dizia que “no final do próximo ano (era final de 2009) sei que a imprensa virá em cima, cobrando os pontos de acerto. Não temo esse momento, acho que estou preparado para isso”.

E aí, acham que acertei mais do que errei? Votem. Se mais de três pessoas votarem, ganharei um prêmio do Google de site de endodontia mais visitado.

Continuam válidos os desejos de fazer alimentação só nutritiva (nada de MacDonalds, agora só Subway), malhar todos os dias, e também a vida dos outros (fez um bem enorme no ano que terminou), andar todos os dias (de carro) e essa mais do que nunca: mulher feia nem pensar (dá azar). Esta promessa foi feita na Igreja do Senhor do Bonfim.

Da mesma forma que da vez passada, consultei os búzios, orixás, pais de santo, mãe Gerrilde, Mico da Sorte, joguei tarô, fiz de tudo, e aí está o resultado: mais previsões (seguras), agora para o ano de 2011.

– Alguns provarão (da outra vez falei que iam dizer, agora vão provar) que o microscópio clínico em Endodontia é a salvação do mundo.
– Alguns dirão que foram ao oftalmologista, agora enxergam tudo e vão abrir cursos para mostrar isso (não, não serão cursos de oftalmologia).
– Médicos virão fazer cursos na Odontologia de como usar o microscópio (cursos de marketing).
– Alguns provarão que não precisa mais instrumentar o canal. Basta passar uma lima. Como diria Totó, personagem de Tony Ramos na novela; ponto e basta.
– Alguns dirão que a irrigação com hipoclorito de sódio a 101% (100% não mostrou ser o ideal) é a salvação do mundo.
– Alguns mostrarão que o sucesso está na obturação com “puff”. Putz.
– Adotar-se-á (gostou?) a obturação do canal mandibular como técnica em 2011(claro que aí se inclui o forame mentoniano), como já foi demonstrado.
– Alguns alunos de pós-graduação provarão ao mundo que não existe salvação fora da clorexidina.
– Alguns provarão: o marketing é a solução.
– Alguns dirão que está na hora de se criar a nova salvação do mundo (essa previsão será repetida todos os anos).
– Alguns dirão que endodontia nunca foi profissão. É paixão. Eles se mantêm financeiramente vendendo instrumental/material para implante.
– Alguns “professadores” professarão cada vez mais (perderão mais ainda os limites que já perderam).
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) dirão definitivamente que a técnica da condensação lateral está descartada. No máximo, no máximo, e olhe lá, talvez aceitem lateral condensation technique.
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) dirão que PDT é melhor do que PT, PSDB, PCdoB, PSB. Chegarão ao absurdo de dizer que é melhor do que o DEM (não há nada melhor do que esse). Aqui corrijo um equívoco cometido nas previsões anteriores quando não expliquei o que significava. Vejam o que quis dizer com PhotoDynamic Therapy.
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) irão perguntar ao espelho: “espelho meu, espelho meu, existe algum endodontista melhor do que eu”? (essa previsão também se repetirá sempre, com consequências imprevisíveis para a saúde emocional).
– Alguns alunos de pós-graduação provarão que o hipoclorito de sódio não possui ação solvente (e não se discute). Voltarão para as suas cidades (alguns já estão voltando) e cantarão em prosa e verso essa mais recente verdade universal, apesar de o mundo não saber dela.
– Alguns defensores da última flor do Lácio continuarão defendendo a última flor do Lácio. Como siléptico (que diabo é isso?), eu compreendo.
– Será anunciado que José Saramago morreu, mas deixou como obra póstuma o livro “Ensaio sobre a estupidez”.

Feliz 2011.

Solicitando radiografias

Karolynne Rodrigues:
Professor como deve ser a solicitação de uma radiografia qualquer de maneira mais formal,ou seja,mais correta possível?Obrigada!

Karolynne, acho que não há regras para isso. É o jeito de cada um escrever, o que é muito pessoal. As clínicas de radiologia costumam oferecer blocos que já possuem isso, é só marcar o tipo de exame que você quer. Se necessário, para endodontia pode ser algo bem simples como: “Solicito radiografia periapical da unidade tal para efeito de diagnóstico” ou para acompanhamento de tratamento endodôntico realizado…”