A história registra que em diversas situações a Igreja esteve ao lado do poder, inclusive respondendo por vários momentos de violência.
Um deles mereceu a seguinte frase do Papa João Paulo II: "A Inquisição é um capítulo doloroso do qual os católicos devem se arrepender", dita já no primeiro ano de seu pontificado, em 1978, como que antecipando o revisionismo que se seguiria. O primeiro alvo direto dele foi o obscurantismo científico da Igreja, como também registra a história contemporânea.
Quando Nicolau Copérnico percebeu que não era a Terra o centro do Universo e sim o Sol, não foi adiante com os seus achados porque teve medo da Igreja, que se apoiava nas escrituras bíblicas.
Galileu Galilei seguiu adiante com os estudos que o levaram a afirmar, confirmando Copérnico, que o Sol era o centro do Universo. Por conta disso, foi ameaçado de ser queimado vivo na fogueira pela Igreja Católica. Teve que recuar e assumir que estava enganado. O que significa para um homem recuar das suas convicções por imposição? O que significou para a Humanidade esse recuo? Pasmem, somente 445 anos depois a Igreja, através do Papa João Paulo II, reconheceu oficialmente o erro e pediu desculpas.
Nesse processo de reabilitação do obscurantismo científico da Igreja, o Papa João Paulo II reabilitou também o cientista inglês Charles Darwin, pai da teoria de que o homem é parente longínquo do macaco – e, portanto, não descende dos personagens bíblicos Adão e Eva. Afirmou que "hoje, os novos conhecimentos e as descobertas obtidas em várias disciplinas nos levam a reconhecer na teoria da evolução mais que uma hipótese"
“Fora do âmbito da ciência, João Paulo II pediu desculpas pelo fato de a Igreja Católica ter compactuado com a escravização de africanos e índios, e por não ter tido um papel mais efetivo na luta contra o nazismo. Foram, ao todo, mais de 100 pedidos de desculpas. O auge da expiação ocorreu na missa que deu início à Quaresma do ano 2000. "Perdoamos e pedimos para ser perdoados", proclamou João Paulo II na Basílica de São Pedro, passando em seguida a listar os atos a ser perdoados – entre eles, pecados contra a unidade cristã (perseguição a protestantes e ortodoxos), uso da violência "a serviço da verdade" (cruzadas e Inquisição) e a marginalização das mulheres” (será que é isso?) (revista Veja, 2005).
Por que as Igrejas não se apresentam com a mesma veemência (na verdade, violência) usada contra a Sra. Dilma Roussef contra os abusos sexuais e pedofilia que ocorrem nas suas entranhas? Quantos jovens foram abusados sexualmente por esse mundo afora? Quantos jovens e famílias foram assassinados na sua pureza, no seu amor, no que há de mais sagrado no seio da família? Já que as Igrejas condenam o homossexualismo, quantos jovens não se tornaram homossexuais por abusos sexuais sofridos e o consequente assassinato da sua estrutura psicológica? E os religiosos homossexuais dentro das Igrejas? Quando o atual Papa assume a postura que todos conhecemos, ele está falando verdades ou mentiras? Quando os pastores defendem os seus colegas que praticaram e praticam crimes sexuais estão em sintonia com Deus? Quantos escândalos financeiros (isso que se chama de corrupção) já foram descobertos envolvendo as Igrejas? Quantos já foram flagrados, alguns por câmeras de televisão, se apossando do dinheiro de fiéis.
Na mesma Internet que possibilita a disseminação da covardia e da canalhice, pode-se ver com enorme clareza as acusações entre pastores com relação à “grana” recebida para apoiar esse ou aquele candidato. Veja aqui. Da mesma forma pode-se ver padres, em nome de Deus, chamando o Presidente da República e o Governo de “corja de patifes” durante a homilia. Veja aqui.
Nenhuma mulher é a favor do aborto. Vou além. Ninguém é. Agora, pergunte se as pessoas concordam com a morte de mulheres ou com as sequelas irreversíveis à sua saúde física e psicológica, pelo simples fato de não terem condições de ir a um médico que possa lhes prestar o atendimento digno e humano. Pelo fato do aborto ser considerado crime, a assistência social a essas mulheres simplesmente não existe. Devidamente orientadas pela assistência social, quantas não optariam pela Vida dos seus filhos? Ninguém é a favor do aborto, mas parece que uma quantidade enorme de gente é a favor da descriminalização do aborto, inclusive as pessoas nas quais Marina Silva apoiou a sua candidatura. Mas a chance de melhor assistência e vida mais digna é negada a todas essas mulheres. Em nome de quem?
Nesse sentido, a posição de Dilma Roussef é igual à de Marina Silva, evangélica, que se diz pessoalmente contra o aborto, mas, caso fosse eleita presidente da república, permitiria a discussão e aceitaria a decisão da sociedade.
Mas, já que esse é o jogo, por que o pastor Malafaia e outros não querem ver quem de fato já fez algo nesse sentido? "José Serra (PSDB) assinou, em novembro de 1998, quando era Ministro da Saúde, uma Norma Técnica que instituiu a prática do aborto no Sistema Único de Saúde em nível federal". Veja aqui e aqui.
Não estou fazendo juízo de valor, mas já que esse é o jogo, por que não ver que esses mesmos políticos do PV, que estão com Marina, e agora com Serra, são a favor do aborto e da maconha. Os religiosos não sabem disso? Por que então demonizar Dilma? Ou há outros interesses por trás?
Existem erros no posicionamento do PT? Ora, se as Igrejas, que representariam a palavra de Deus, erram, como pretender-se que não existam equívocos em programas políticos. Que se debatam esses equívocos (para isso existe um congresso), inclusive com a participação das Igrejas, tão importante segmento da vida das pessoas em um país religioso como o Brasil. Mas, quem nega a discussão? Quem impede que ela seja levada adiante? Brada-se com todas palavras, contra tudo e contra todos, demoniza-se qualquer um que ouse sugerir a discussão do tema. Simplesmente, pelo poder que se sabe ter sobre a população, impõe
-se. Impor é ditar. Recorro à definição de ditadura: “forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembléia, dum partido…” (Novo Dicionário Aurélio). Então, qualquer um pode falar do risco de uma ditadura religiosa.
Mãe,
Você me pergunta se eu acredito em Deus e eu te pergunto, que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus dentro do homem, pois, somente no homem ele pode existir.
Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão. Todo homem por si só influencia a natureza do futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações.
Esse poder, que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina eu me curvo diante do Deus dentro de mim.
Essa carta não foi escrita por nenhum religioso. Foi escrita por Stuart Edgar Angel Jones (filho de Zuzu Angel, como ficou conhecida, cuja morte por acidente de carro à época da ditadura até hoje não foi explicada), pouco antes de morrer torturado pelo regime militar. Um garoto que deixou a família de classe média alta por um ideal. Dilma Roussef sobreviveu, ele não.
Eu queria ter no meu coração, com a mesma beleza e força, esse Deus de que fala o jovem guerrilheiro Stuart Angel.



