Conhecendo (só um pouco) a grande imprensa

Há algum tempo falo da grande (?) imprensa e é possível que alguns não entendam porque o faço com desdém. Faço assim pelo que tenho visto ao longo dos anos. Eu poderia dizer que a história contemporânea do jornalismo brasileiro não deixa ninguém que tenha neurônios ativos sem se revoltar, mas não vou dizer, por uma razão bem simples. Trata-se de alguns jornalistas, não do jornalismo.

O grande papel da imprensa é informar a sociedade. É um equívoco, porém, pensar que ela, a imprensa, não tem preferências, inclusive políticas. Afinal é feita por jornalistas, homens e mulheres, com as suas próprias idéias, para o bem e para o mal.

Porém, reza o bom jornalismo que a opinião de um jornal, não necessariamente a dos seus jornalistas, deve ser expressa em algo que se chama Editorial. Quando você lê um editorial, sabe que ali está expressa, por exemplo, a opção política daquele jornal.

Nada demais, pelo contrário. Muitos países adotam essa postura, inclusive aquele que muitas vezes, erradamente, é o referencial dessa nossa sociedade tupiniquim, os Estados Unidos. Seria muito melhor que assim fosse. Mas, não é o que ocorre no Brasil. A melhor revista brasileira, Carta Capital, fez essa opção e deixou de forma bem clara, sem nenhum subterfúgio, que apoia o atual governo. Entretanto, é interessante observar que ela faz muitas críticas ao governo, como deve ser.

Vocês já devem ter ouvido falar várias vezes da alardeada neutralidade da Rede Globo. A partir do momento em que comecei a acompanhar as coisas mais de perto, já se vão aí alguns anos, percebi, a cada momento com mais clareza, que neutralidade é uma coisa que passa à grande distância da Central Globo de Jornalismo.

Nunca me convenceram, por exemplo, os argumentos do Sr. Armando Nogueira, a tentar justificar o seu comportamento como chefe de jornalismo daquela rede de televisão, à época da ditadura militar, como única alternativa diante das pressões dos militares. O que existe, isso sim, é competência técnica, entenda bem, técnica, justificada por jornalistas competentes.

Tenho absoluta certeza que todos conhecem profissionais competentes nas suas áreas, alguns dos quais se tornam referenciais, mas que não possuem um caráter, digamos, louvável. É claro que no caso específico do jornalismo existe esse problema, mas é possível que aqui haja uma outra questão (como em qualquer outra profissão), uma coisa chamada necessidade do emprego. Acho, porém que isso não justifica certos caminhos tomados por alguns desses jornalistas. Em outros, não, a causa não é essa e sim o caráter pouco louvável, para ficar na expressão que usei anteriormente.

Sim, mas qual é o problema? O problema é que esses homens e mulheres com um microfone e uma câmera de televisão ou um jornal “nas mãos” se tornam um grande perigo.

Vocês podem não acreditar, eu entendo, mas a audiência da Rede Globo, despencou nesses últimos 10 anos. É claro que ainda é maior, mas não como antes. É possível que não se tenha percebido, mas também a revista Veja perdeu muito da sua vendagem (não confunda com tiragem, que é outra coisa). Procure saber quantas pessoas e empresas a recebem de graça em promoções. Alguns dos grandes jornais estão em situação idêntica.

Qual é a razão? Perda de credibilidade. Podem observar como surgem as reportagens: Começam nos fins de semana, com capas estrondosas da Veja e os “teriam sido descobertos”, “seriam documentos do” “teriam sido pagos” “segundo fontes sigilosas” “e assim estaria comprovada”.

Depois vem a outra fase. Repercussão no Jornal Nacional, gastando em média um terço do tempo do jornal e depois, na sequência, nos jornais Estado e Folha de São Paulo.

Perceberam que sumiu a dos sigilos fiscais. Fizeram um estardalhaço, viram que, além da farsa (clique em Serra já sabia), não ia dar em nada, criaram outra. Como não funciona, criam outra e assim vai. Não lhe chama a atenção que isso só acontece no período de eleições?

Veja três exemplos.

Desabafo do ex-leitor da Folha

Por Felis

Ontem, dia 17/09/2010, rompi, após trinta anos de relacionamento, meu derradeiro vínculo com o jornal Folha de São Paulo: cancelei minha assinatura do portal UOL, por intermédio do qual acessava a versão eletrônica daquele diário.

A decisão de fazê-lo deve ser entendida num contexto temporal mais amplo, ainda que tenha tido como motivação mais próxima a postura obscena da Folha em favor de determinado candidato na atual campanha presidencial. Não que, como é patente no caso da Folha, um veículo de imprensa não possa ter seu candidato. É legítimo que o tenha e que manifeste sua preferência por ele. Mas, para isso, há um local apropriado: o editorial. O que não se admite é que se contamine o noticiário com essa preferência, seja omitindo, distorcendo ou inventando notícias.

De qualquer forma, o fato é que, afora a falta de isenção e a resultante perda de credibilidade, há muito a Folha passava também por um processo de perda de qualidade. Ao longo dos anos realizou a façanha de se tornar, talvez atendendo um desejo dos novos tempos, um jornal para quem não gosta de ler. Textos encolhendo mais e mais pouco tinham a acrescentar a qualquer jornal televisivo, com a desvantagem do atraso da notícia em relação ao fato quando comparado à televisão. Algumas matérias chegavam ao cúmulo de mais parecerem mensagens do twitter.

Como se não bastasse, o jornal foi mais e mais se afastando do pluralism

o que foi sua marca nos anos 80. O leque de colunistas que poderia servir de contraponto ao noticiário crescentemente enviesado foi se estreitando com o passar do tempo. O tiro de misericórdia foi a recente reforma pela qual passou o jornal.

Enfim, fica aqui meu desabafo. As perdas financeiras resultantes da minha decisão para o grupo Folha resumem-se a R$ 11,90 mensais. Ainda assim tenho a esperança de que no futuro o jornal venha sofrer as conseqüências das escolhas que agora faz. Mais do que inútil, um jornal que, tal como falsário, manipula a informação, é nocivo à nação. Não merece sobreviver .


Por Terezinha Maria Scher Pereira

O que me intriga em relação à Folha de São Paulo é pouca preocupação dos responsáveis com a reputação de um jornal que já teve momentos de honra, ao se colocar, um dia, a favor da redemocratização do país. A Folha hoje demonstra um desprezo arrogante pelo povo brasileiro que aprova o governo de Lula, pelo fato indiscutível de que a vida dos mais pobres melhorou. Os enfatuados colunistas e editorialistas do jornal não se envergonham de ostentar um pouco caso, de resto, ridículo ( quem lê a Folha?) em relação ao sentimento real da maior parte da nação? Em que mundo vive essa gente? No Brasil não parece ser.

Desabafo de leitor 2

From: João Carlos Cardoso
To:
ombudsman@uol.com.br
Sent: Sunday, September 12, 2010 5:04 PM
Subject: Crítica, crítica, crítica….

Li seus comentários, hoje, e me desanimei, menos, com o futuro da cobertura da Folha. Há alguma racionalidade possível e esta parece começar a ser recuperada pela senhora. É o que sinceramente espero. Leio a Folha há muitos, muitos anos. Estudei a Folha em minha pesquisa de Doutorado, há oito anos. Não por ser leitor, mas pelos méritos do jornal em dar espaço para idéias e debates sobre a redemocratização brasileira, objeto de minhas pesquisas de então.

Mas confesso minha decepção e crescente desinteresse em ler o jornal, no que se refere à cobertura política. Comecei desconfiando das matérias. Havia coisas estranhas. Com o tempo passei a não confiar mais em vocês. Agora leio, apenas, para detectar a que ponto de indecência e decadência se pode chegar. Esta é a verdade! Não estou querendo ser rude e me desculpe se pareço sê-lo. Mas quero ser veemente em minhas colocações. A Folha deixou de fazer jornalismo políti co e passou a fazer campanha contra uma candidata. E o que é pior: sem avisar ao seu leitor fiel, como eu sempre fui e estou deixando de ser.

Tenho pensado em romper meu vínculo midiático com o portal UOL que já remonta há vários anos somente pela revolta que me assalta com o nível de dirigismo, de cinismo, de desonestidade jornalística com que o jornal e o portal têm tratado a cobertura político-eleitoral de 2010.

O ridículo do Dilmafactsfolha relatado pela senhora é parte de um processo de constante ataque que o grupo tem empreendido contra a candidata, o seu mentor e o governo dele. Tudo bem, quer fazer isso, faça! Tem todo o direito de criticar erros cometidos por quem quer que seja. Mas devo discordar quando a senhora denuncia desequilíbrio na apuração da Folha. Não é só desequilíbrio. É opção ideológica ou política. Não há críticas a Serra ou a seu governo porque obviamente ele é o candidato do grupo Folha. Mais u ma vez digo: se a Folha admitisse isso, se assumisse sua opção, em editorial, como jornais de outros países fazem eu seria o promeiro a aplaudir. Mas não o faz e finge, tanto quanto outros meios de comunicação, proceder com isenção , equidistância e "equilíbrio". Isto se chama mentir ao leitor.

A senhora vai ter trabalho. Veja o jornal de hoje: Pergunto-lhe: Por que a primeira matéria de cobertura das eleições é a repercussão da matéria do panfleto Veja anti- Dilma. Me diga com sinceridade: se a Folha quisesse tratar com isenção o episódio porque colocar a matéria como parte da cobertura eleitoral? Por que não no caderno Poder? Erenice é ministra não é candidata. Seu filho é candidato? Há.. não, mas eles estão ligados à Dilma, então….

Me permita a franqueza, cara Suzana Singer, mas colocar como manchete " Filho de sucessora de Dilma teria feito lobby" é patético. A Folha, na sua cobertura política, também o é.

Isso vem acontecendo há anos, mas somente hoje me ocorreu escrever esse texto e aí peguei os depoimentos mais recentes. Se quiserem ver a fonte cliquem em Luis Nassif Online. Lá vocês encontram mais.

Podem aguardar que até o dia 03 de outubro vai aparecer uma bomba com a maior repercussão no Jornal Nacional (grandes chances para os dias 01 e 02, quando não dá mais tempo para uma comprovação da farsa). Deve ser algo sobre as várias bombas que Dilma Roussef já atirou, as várias pessoas e criancinhas que ela já matou…

Aproveitem e aguardem também o livro que será lançado em 2011, “Nos Porões da Privataria”. Vai mostrar muita coisa. Quer que eu antecipe o que vai acontecer? Esses órgãos de imprensa mencionados aqui vão esvaziar o livro. Surgiu de quebra de sigilos fiscais, é uma fraude, não tem nada comprovado… Aliás, esse processo já está em curso.

A marolinha

Crise projeta o Brasil entre os protagonistas do mundo

No aniversário de dois anos da maior turbulência dos últimos 80 anos, Brasil comemora altas taxas de crescimento econômico

Não foi a “marolinha” que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava, mas a crise do subprime ajudou o mundo a voltar os olhos para o Brasil. Dois anos após o estopim da maior turbulência econômica dos últimos 80 anos – completados nesta quarta-feira, aniversário da quebra do banco de investimento Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008 -, a economia brasileira ganhou holofotes pela rápida recuperação, após a primeira queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 17 anos, ao contrário do que acontecia em crises anteriores das décadas de 1980 e 1990. Agora, no pós-crise, o País sustenta uma das maiores taxas de crescimento do mundo.

Enquanto na Europa e nos Estados Unidos ainda existem temores com relação a uma nova depreciação da economia, puxada, principalmente, pelos altos índices de desemprego, no Brasil, a discussão é outra: poderá a economia seguir crescendo em um ritmo tão acelerado? Para este ano, espera-se que o PIB cresça acima dos 7%, o que será a maior expansão dos últimos 24 anos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que, até 2014, o Brasil deve crescer, em média, 5.5% ao ano.

O desempenho da economia brasileira surpreendeu o mundo. Desde o estouro da crise, o Fundo Monetário Internacional (FMI) errou todas as projeções que fez sobre o Brasil. Já com relação à Europa, o Fundo se mostrou benevolente e acabou surpreendido por resultados ruins das principais economias da região. Mas o Brasil não passou ileso pela crise. Em 2009, o PIB teve queda de 0,2%, o primeiro recuo desde 1992. No entanto, a baixa foi bem menor que a observada em outros países: nos Estados Unidos, a queda foi de 2,4%, a maior desde 1946, e a União Europeia teve baixa de 4,1%.

Em 2010, o Brasil também está à frente dos chamados países desenvolvidos: com crescimento de 9% no primeiro trimestre e 8,8% no segundo, o País só é superado pela China em termos de expansão entre as principais economias do mundo.

"A recessão por aqui durou apenas dois trimestres, o último de 2008 e o primeiro de 2009, segundo o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE), da FGV", diz Octávio de Barros, economista-chefe do banco Bradesco. "Cabe destacar que a média histórica de recessão no país é de 5 trimestres. Desde então, foram 5 trimestres consecutivos de expansão forte, cuja média foi de 2,0% ao trimestre."

Desempenho impressionante

“O desempenho do Brasil tem sido extremamente impressionante”, diz Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs e criador do termo Brics (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China). Para ele, o Brasil deve crescer de 5% a 6% na década e, nos próximos 20 anos, deve responder por 5% de toda economia mundial.

Ricupero destaca que a crise ajudou o Brasil a ganhar voz no cenário internacional, a partir do momento em que o G20 ganhou força como grande fórum da discussão mundial. No estouro da crise, a presidência rotativa do grupo das 20 maiores economias do mundo era ocupada pelo Brasil.

Desde então, praticamente todos os indicadores brasileiros já responderam ao pior da crise. As reservas internacionais – importante “colchão de proteção” contra a variação da moeda – estão em alta há 16 meses, ultrapassando a casa dos US$ 250 bilhões (no estouro da crise, estavam em US$ 207,4 bilhões). A geração de empregos com carteira assinada está em alta em todos os meses de 2010, enquanto a utilização da capacidade instalada da indústria e a produção industrial se aproximam dos patamares pré-crise.

Do ponto de vista do consumo (importante motor para a economia), o rendimento médio real habitual dos trabalhadores está no maior nível desde o estouro da crise. Pela primeira vez na história, mais da metade da população passou a compor a classe média. Cerca de 3,1 milhões de pessoas das classes D e E migraram para o segmento C entre 2008 e 2009.

Segundo Daniela Prates, professora de economia da Universidade de Campinas (Unicamp), a crise reforçou a condição do Brasil de “menina dos olhos” da economia mundial…

Acordo hoje, quarta-feira, 15 de setembro de 2010, às 05:00, um dia bonito, temperatura agradável, data de aniversário da deflagração da maior crise mundial dos últimos 80 anos (15 de setembro de 2008), “abro” a Internet e vejo a reportagem que você acabou de ler.

Li com atenção. Li outra vez. Acho que entendi bem, mas confesso que fiquei confuso. E ao ficar confuso, fiquei mais confuso ainda. Como pode alguém ficar confuso com algo que leu e entendeu? Vou tentar explicar.

O Brasil tinha quebrado três vezes durante o período entre 1993 e 2002 (não sou eu quem diz, são os estudiosos do assunto), e por isso recorrido ao FMI.

Durante a crise que hoje faz dois anos, a maior dos últimos 80 anos, o Brasil teve esse comportamento relatado acima. O governo responsável por essa condição, reconhecido e aclamado em todo o mundo, sempre foi, é e continuará sendo humilhado e mal tratado pela imprensa brasileira. Foi aí que fiquei confuso.

Freud explica? Explica sim. Mas a explicação maior você vai encontrar lendo como se formou a sociedade brasileira, como se formaram as castas, como se constituíram as relações entre a Casa Grande e a Senzala.

Ainda é assim.

A farsa dos sigilos (ou Serra já sabia)

Já tive oportunidade de dizer aqui o quanto a grande (?) imprensa manipula o noticiário no Brasil. Para alguns talvez seja difícil acreditar, mas quem acompanha essas questões de perto já sabe disso há muito tempo. A Rede Globo, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo… esqueceram as regras do bom jornalismo. Isso não é de agora, muito pelo contrário.
 
Não sei para que falei isso, sabia que você não ia acreditar.

Outra coisa que você não vai acreditar, mas é por demais sabido que o Sr. José Serra é um homem que, politicamente, como devo dizer, é barra pesada. Antes que você ache que estou exagerando, vou dar um exemplo bem prático. Vamos a fatos recentes.

Em 2009, quando ainda havia a “briga” entre Aécio Neves e José Serra para ver quem seria o candidato do PSDB à presidência da república, houve uma guerra interna. Veja o que escreveu então Mauro Chaves, do Estadão (como é conhecido o jornal Estado de São Paulo), um dos jornalistas apontados como integrante da tropa de choque de José Serra.

Pó pará, governador?

Em conversa com o presidente Lula no dia 6 de fevereiro, uma sexta-feira, o governador Aécio Neves expôs-lhe a estratégia que iria adotar com o PSDB, com vista a obter a indicação de sua candidatura a presidente da República. Essa estratégia consistia num ultimato para que a cúpula tucana definisse a realização de prévias eleitorais presidenciais impreterivelmente até o dia 30 de março – "nem um dia a mais". Era muito estranho, primeiro, que um candidato a candidato comunicasse sua estratégia eleitoral ao adversário político antes de fazê-lo a seus correligionários. Mais estranho ainda era o fato de uma proposta de procedimento jamais adotada por um partido desde sua fundação, há 20 anos – o que exigiria, no mínimo, uma ampla discussão partidária interna -, fosse introduzida por meio de um ultimato, uma "exigência" a ser cumprida em um mês e meio, sob pena de… De quê, mesmo?

O que Aécio fará se o PSDB não adotar as prévias presidenciais até 30 de março? Não foi dito pelo governador mineiro (certamente para não assinar oficialmente um termo de chantagem política), mas foi barulhentamente insinuado: em caso da não-aprovação das prévias, Aécio voaria para ser presidenciável do PMDB. É claro que para o presidente Lula e sua ungida presidenciável, a neomeiga mãe do PAC, não haveria melhor oportunidade de cindir as forças oposicionistas, deixando cada uma em um dos dois maiores colégios eleitorais do País. E é claro que para o PMDB, com tantos milhões de votos no País, mas sem ter quem os receba, como candidato a presidente da República, a adoção de Aécio como correligionário/candidato poderia significar um upgrade fisiológico capaz de lhe propiciar um não programado salto na conquista do poder maior – já que os menores acabou de conquistar.

Pela pesquisa nacional do Instituto Datafolha, os presidenciáveis tucanos têm os seguintes índices: José Serra, 41% (disparado na frente), e Aécio Neves, 17% (atrás de Ciro Gomes, com 25%, e de Heloisa Helena, com 19%). Por que, então, o governador de Minas se julga capaz de reverter espetacularmente esses índices, fazendo sua candidatura presidencial subir feito um foguete e a de seu colega e correligionário paulista despencar feito um viaduto? Que informações essenciais haveria, para se transmitirem aos cerca de 1 milhão e pouco de militantes tucanos – supondo-se que estes fossem os eleitores das "exigidas" prévias, que ninguém tem ideia de como devam ser -, para que pudesse ocorrer uma formidável inversão de avaliação eleitoral, que desse vitória a Aécio sobre Serra (supondo que o governador mineiro pretenda, de fato, vencê-las)?

Vejamos o modus faciendi de preparação das prévias, sugerido (ou "exigido"?) pelo governador mineiro: ele e Serra sairiam pelo Brasil afora apresentando suas "propostas" de governo, suas soluções para a crise econômica, as críticas cabíveis ao governo federal e coisas do tipo. Seriam diferentes ou semelhantes tais propostas, soluções e críticas? Se semelhantes, apresentadas em conjunto nos mesmos palanques "prévios", para obter o voto do eleitor "prévio" cada um dos concorrentes tucanos teria de tentar mostrar alguma vantagem diferencial. Talvez Aécio apostasse em sua condição de mais moço, com bastante cabelo e imagem de "boa pinta", só restando a Serra falar de sua maior experiência política, administrativa e seu preparo geral, em termos de conhecimento, cultura e traquejo internacional. Mas se falassem a mesma coisa, harmonizados e só com vozes diferentes, os dois correriam o risco de em algum lugar ermo do interior ser confundidos com dupla sertaneja – quem sabe Zé Serra e Ah é, sô.

Agora, se os discursos forem diferentes, em palanques "prévios" diferentes, haverá uma disputa de acirramento imprevisível. E no Brasil não temos a prática norte-americana das primárias – que uniu Obama e Hillary depois de se terem escalpelado. Por mais que disfarcem e até simulem alianças, aqui os concorrentes, após as eleições, sempre se tornam cordiais inimigos figadais. E aí as semelhanças políticas estão na razão direta das diferenças pessoais. Mas não há dúvida de que sob o ponto de vista político-administrativo Serra e Aécio são semelhantes, porque comandam administrações competentes.

Ressalvem-se apenas as profundas diferenças de cobrança de opinião pública entre Minas e São Paulo. Quem já leu os jornais mineiros fica impressionado com a absoluta falta de crítica em relação a tudo o que se relacione, direta ou indiretamente, ao governo ou ao governador.

O caso do "mensalão tucano" só foi publicado pelos jornais de Minas depois que a imprensa do País inteiro já tinha dele tratado – e que o governador se pronunciou a respeito. É que em Minas imprensa e governo são irmãos xifópagos. Em São Paulo, ao contrário, não só Serra como todos os governos e governadores anteriores sempre foram cobrados com força, cabresto curto, especialmente pelos dois jornais mais importantes. Neste aspecto a democracia em São Paulo é mais direta que a mineir

a (assim como a de Montoro era mais direta que a de Tancredo). Fora isso, os governadores dos dois Estados são, com justiça, bem avaliados por suas respectivas populações.

O problema tucano, na sucessão presidencial, é que na política cabocla as ambições pessoais têm razões que a razão da fidelidade política desconhece. Agora, quando a isso se junta o sebastianismo – a volta do rei que nunca foi -, haja pressa em restaurar o trono de São João Del Rey… Só que Aécio devia refletir sobre o que disse seu grande conterrâneo João Guimarães Rosa: "Deus é paciência. O diabo é o contrário."

E hoje talvez ele advertisse: Pó pará, governador?

Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor.

Agora vamos entender. Vamos começar pelo título. Por que a maldade e covardia do Pó pará, governador? Simples. A palavra entra aqui porque atribuem a Aécio Neves hábito, digamos, não convencional. Era um aviso: se você insistir na sua candidatura nós vamos jogar pesado. Viram a data? 28 de fevereiro de 2009.
 
Abro um parêntese para dizer que, como recebo quase que diariamente e-mails com muita bobagem atribuída a alguém famoso, se você quiser ver o texto original clique em Pó pará, governador?

Foram muitas iguais a essa. Vejamos o momento atual.
 
Nessa guerra interna no ano de 2009, Aécio Neves foi avisado de que pessoas ligadas a José Serra estavam investigando a sua vida pessoal. O deputado Marcelo Itagiba*, ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro, braço direito de José Serra, estaria à frente dessa operação.

Minas Gerais se mobilizou. Aécio Neves e o jornal Estado de Minas puseram o jornalista Amaury Ribeiro Jr., ganhador de vários prêmios nacionais de reportagens, para fazer a contra-espionagem. Amaury viajou a vários lugares coletando material sobre José Serra e as pessoas ligadas a ele. O famoso caso do superfaturamento das ambulâncias feito por José Serra (será que conhecem essa história?), como tinham ocorrido as privatizações, tudo, inclusive sigilos fiscais.

Quando se decidiu que José Serra seria o candidato do PSDB, “acabou” a guerra. “Dispensaram” os serviços de Amaury. Ele então percebeu que tinha muito material nas mãos para simplesmente descartar. Resolveu escrever um livro, Nos Porões da Privataria.

Moral da história: essa questão que está sendo bastante explorada e amplificada há cerca de três semanas por toda a grande (?) imprensa já é conhecida há mais de um ano e nada tem a ver com a atual eleição (até agora são pelo menos 140 pessoas que tiveram seus sigilos violados). Parece que os caminhos levam a Minas Gerais.

Ou seja, todo dia dizendo que é coisa de bandido, do partido dos trabalhadores, da Sra. Dilma Roussef, Serra já sabia que o sigilo da filha foi violado há muito tempo. E achou normal, reagiu com a maior tranquilidade do mundo, como você pode ver nessa reportagem de 2009 do SBT Serra já sabia

Qual é a preocupação agora? Segundo alguns analistas, José Serra, o PSDB e a grande (?) imprensa já sabem que a eleição está perdida. Estão tratando de cortar a mata em volta para conter o desastre que o incêndio está provocando. O livro Nos Porões da Privataria disseca as privatizações no Brasil. Ia ser lançado antes das eleições, mas, Amaury Ribeiro Jr, recém contratado pela TV Record, parece que acatou o pedido da emissora para que só o fizesse depois. Os que já tiveram acesso a partes dele dizem que está todo documentado e que a coisa vai pegar para muita gente que fez parte das privatizações.

Você não está achando estranho demais a mesma reportagem, o mesmo do mesmo, por vários dias seguidos. Dizem que toda essa guerra da violação dos sigilos fiscais, além do desejo de levar as eleições para o segundo turno, já é para esvaziar o livro. Quando ele for lançado, dirão: é um livro apoiado em dossiês ilegais e falsos.
 
Você já percebeu que agora toda eleição tem dossiê?

Ah, ia esquecendo. Todos estão se perguntando qual vai ser a bala de prata dessa vez. Aquela que, como já fez antes, o Jornal Nacional vai soltar às vésperas da eleição, sexta-feira, quando não dá mais tempo para desmascarar, destruindo Dilma Roussef. Estão apostando que vai ser um vídeo com ela metralhando alguém.

 
*Marcelo Itagiba – Deputado Federal (PSDB), assessor de José Serra no Ministério da Saúde, Superintendente Regional da Polícia Federal do Estado do Rio de Janeiro e Secretário de Segurança Pública.

Dilma será presa nos Estados Unidos

Há algum tempo circulou na Internet um texto atribuído a Luis Nassif em que ele fazia pesadas e ofensivas críticas ao atual presidente da república. Qualquer um podia ver que pela (falta de) qualidade e sutileza do texto jamais poderia ter sido escrito por Nassif. Ele desmentiu a sua autoria. Tempos depois, o mesmo texto voltou a circular na Internet. Nassif, irritado, negou outra vez e divulgou no seu site, Luis Nassif Online.

Surgiram vários outros. Mais recentemente, circulou um atribuído à jornalista e apresentadora de televisão Marília Gabriela, com o mesmo teor, isto é, críticas pesadas e ofensivas ao atual presidente da república. Marília Gabriela, irritada, não só negou como ameaçou processar quem o divulgasse, inclusive jornalistas e políticos que colocaram nos seus blogs e sites, entre os quais, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), dois dos mais representativos exemplos de dignidade na política brasileira. Deve ser dito que, de imediato (confesso que não sei porque), eles tiraram dos seus sites.

Agora tem outro, com mais uma bobagem (de novo!!!). Depois que a grande (?) imprensa repercutiu a falsa ficha do DOI-CODI mostrando a Sra. Dilma Roussef, candidata à presidência da república, como terrorista assassina (o jornal Folha de São Paulo, que “criou” essa pérola do jornalismo e colocou em destaque na primeira página, teve que pedir desculpas, ainda que ninguém tenha percebido, porque o pedido de desculpas foi publicado em poucas palavras em um canto de página), surge agora outro movimento.

A nova mensagem que vem sendo espalhada na rede diz que a candidata Dilma Rousseff não poderá representar o Brasil se for eleita, por ter condenação nos Estados Unidos!!! Para variar, esse texto também prima pela inteligência e sensibilidade.

Veja a obra prima.

O texto:
Você pode responder a esta pergunta ?
A PERGUNTA É A SEGUINTE:
No caso da srª Dilmente ser eleita Presidente do Brasil, quem será a pessoa que irá aos Estados Unidos para a fala habitual na Assembléia Geral da ONU, ou para discutir com o presidente americano sobre questões de comércio, por exemplo?
A Presidente não irá, com 100% de certeza.
Então, repito a pergunta: Quem irá aos Estados Unidos no lugar dela?
Bem, você deve estar intrigado com esta pergunta meio sem sentido, não é?
Aqui vai a explicação:
Dilma Roussef foi condenada nos Estados Unidos pelo seqüestro do embaixador norte-americano, na década de 60 (Charles Elbrick) remember ? Juntamente com outras pessoas (por exemplo: Fernando Gabeira).
A pena é bem grande e não há como pensar em liberdade condicional. Lá o crime não prescreve !
A questão secundária é que isto vale para outros 11 países.
Muitos governantes de países periféricos já foram apanhados nesta armadilha e a maioria perdeu o cargo que ocupava, para satisfação da oposição local.
Nós temos uma solução ideal para resolver esta questão: não elegê-la presidente. Desta maneira ela poderá escolher lugares muito confortáveis para viver o resto da vida como, por exemplo, Havana, em Cuba, ou La Paz na Bolívia, o que resolverá vários problemas: os dela e os nossos.
Portanto, pare de imaginar que é implicância minha quando coloco na Internet a folha corrida policial desta senhora, cheia de crimes. Esqueça estes documentos e (se for o seu caso) continue com a sua fé inabalável nas qualidades desta mulher, legítima porta-voz da quadrilha do sr.Lula da Selva.
Mas……. se eu fosse você, começava a me preocupar com esta possibilidade. Já pensou se ela resolve fazer uma visitinha àquele cara simpático e ultra democrático da Venezuela, o Huguinho Chávez e, de repente, uma tempestade no Caribe obriga o avião a descer em Miami, que fica ali perto. Imagine a encrenca monumental que nem o presidente americano vai poder desfazer?
Bem… talvez você seja um sábio e tenha uma boa idéia para resolver a situação. Por isto volto a perguntar:
Quem vai representar o Brasil nas viagens internacionais aos Estados Unidos e aos 11 países onde ela pode ser presa no próprio aeroporto onde desembarcar?
TENHO CERTEZA ABSOLUTA QUE ESTA, VOCE DESCONHECIA !

A Internet é uma das melhores coisas do mundo contemporâneo. As informações estão à nossa disposição ali, na hora, na bucha, não importa em que parte do mundo esteja acontecendo. Não tem e não deve ter mecanismos de controle, porém, como tal, há um preço a pagar e este é ver essas bobagens diariamente.

Veja como a Sra. Dilma Roussef está proibida de entrar nos Estados Unidos:

Em Nova York, Dilma diz ser a favor da Ficha Limpa
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,em-no…  http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/…

Nos EUA, Dilma se manifesta contra privatização de empresas do setor elétrico e da Petrobrás http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/defau…

Dilma Rousseff promete nos EUA que o Brasil crescerá e permanecerá estável http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia1…

Dilma chega a NY para premiação de Meirelles
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma…

Só mais duas informações. Tudo isso aconteceu sem ela ter sido eleita. Se for eleita, como presidente ela tem acesso a todos os países do mundo com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. O cargo está acima de qualquer outra questão.

Nietszche* já dizia que “a inteligência humana tem limite, a estupidez, não”.

 

* (Friedrich) Nietszche, filósofo alemão do século XIX, um dos mais respeitados filósofos de todos os tempos.

Dental Press Endodontics

Renata Friedman:
Prof. Ronaldo, tenho muita dificuldade de encontrar artigos que me atualizem sobre a nossa especialidade a menos que eu esteja procurando um  assunto específico na internet. Sinto falta de um periódico de endodontia.Lendoseus artigos vi que o senhor já publicou no Jornal Brasileiro de Endodontia,entãome veio a dúvida, ele ainda existe? Se não o senhor me recomenda alguma revista?

Renata, infelizmente o JBE não existe mais. Neste momento não temos nenhum periódico só de endodontia no Brasil. Houve durante um período, o Brazilian Endodontic Journal (editado em inglês), cujos editores eram os meus queridos amigos, os professores Gilson Sydney, Carlos Estrela e Figueiredo. Um projeto ousado, típico de três jovens idealistas que sempre procuraram dar dignidade à endodontia, inclusive recorrendo a recursos financeiros pessoais para manter o projeto. Mas não é fácil “sustentar” um periódico, as dificuldades são grandes, até pelas atividades de cada um. Mas, adianto para você e todos os nossos amigos aqui do blog que até o final do ano chegará um novo. Trata-se do Dental Press Endodontics, com eles à frente, agora com o suporte de uma editora, a Dental Press. Será em inglês.

Reabsorção?

Juliana Arantes:
Oi Prof! Realizei a endodontia de um dente 46, o qual a queixa era de dor  à mastigação e levemente espontânea, o dente tinha restauração extensa e ao teste térmico resposta positiva, e não havia imagem radiolúcida no terço apical. Obturei o dente e na radiografia final para minha surpresa, houve um desvio no terço apical da raiz mesial( o cone passou reto e não fez a curvatura)e a paciente continua com a mesma dor, poré mais exacerbada. Sou endodontista experiente e evidentemente a primeira coisa a pensar é q fiz uma iatrogenia, mas estou inconformada, de repente não pode ser uma reabsorção q desviou o preparo?

Juliana, desvios e perfurações ainda ocorrem com frequência, principalmente em canais curvos. Nos canais mesiais dos molares inferiores e vestibulares dos molares superiores é mais comum ainda. Pelo que você fala era uma polpa viva, portanto pouco provável que uma reabsorção levasse a esse quadro. Observe a radiografia pré-operatória para ver se havia alguma reabsorção, mas acredito que houve de fato uma perfuração.

Análise cuidadosa

Fabine Freitas:
paciente com restauração mesioclusal em amalgáma assintomática no elemento 27. foi retirada a restauração para confecção de um bloco de protese fixa. após a retirada da restauração o paciente passou a sentir dor com quente. foi iniciado o tratamento endodôntico senco q no rx e abertura foi constatada a presença de dois canais um vestibular e outro palatino, na 1º sessão o curativo utilizado foi eugenol, o paciente continuou sentindo dor com substâncias quentes, com 3 dias troquei o curativo por pasta callen com iodoformio, ainda continuou com dor, entrei com medicação, amox e nimesulida, após 5 dias de medicação o dene voltou a doer. o que posso fazer a mais para acabar com esse estado sintomático? o dente só dói com quente.

Fabine, não faça nenhuma medicação local ou sistêmica, suspenda todas. Analise as radiografias (quantidade de raízes) e procure com grande atenção se há outro canal que não foi observado. Observe também se há algum dente vizinho suspeito e que justifique essa dor (cárie e/ou restauração profunda). Discuta o caso com algum colega próximo a voce e com um pouco mais de experiência.