Sensibilidade ao frio

Katia Leal dos Santos:
Estou fazendo endodontia no 45,após instrumentação  e reinstrumentaçaõ a paciente continua sentindo  sensibilidade ao frio ,fiz teste no dentes ao lado, e está td normal, procurei outro conduto e nada, q pode ser? Obrigada

Katia, a sensibilidade ao frio só se explica diante da presença de polpa. Você já sondou a possibilidade de um canal que não foi tratado? Voce diz que fez “teste nos dentes ao lado e está tudo normal”, o que significa que a sensibilidade pode vir de qualquer um deles. Além disso, é comum o paciente, sabendo que tratou um canal recentemente, projetar tudo “naquele” dente e passar informações “erradas”.

Situações específicas

Karine:
ola prof.!!! mais uma vez quero parabenizar por esse blog MARAVILHOSO… entao minha duvida hj e: qual o melhor curativo de demora e por quanto tempo?dente com secreçao qual a melhor conduta? tenho de medicar o  paciente? o que fazer quando nao consigo encontrar todos os canais?qual a melhor conduta diante de um canal calcificado e que apresenta exsudato?

Karine, obrigado pelo elogio ao blog. O melhor curativo ainda é o hidróxido de cálcio e o tempo é variável, a depender de cada situação. Tem-se como tempo mínimo mais adequado cerca de 15 dias. Para qualquer situação de infecção (caso de secreção, por exemplo), todos os passos para controle de infecção são de fundamental importância. Entre eles, posso lhe afirmar que a limpeza do canal cementário desempenha papel relevante. A medicação sistêmica também merece um tratamento específico. Em linhas gerais, quando necessária, é feita como proteção ao paciente. Às vezes, os canais não são localizados mesmo, às vezes é uma questão de experiência. Além da experiência, uma boa lupa ou microscópio ajuda bastante. Devo imaginar que o exsudato não está drenando pelo canal, pois assim não estaria calcificado. Seria então uma fístula, drenagem pelo sulco gengival?

Extravasamento da obturação

Jamylle:
Oi Prof., eu trataei o canal (dente 45)de um paciente q estava com uma lesão cariosa extensa e relatava sentir dor quando o dente tocava o antagonista,no rx final eu observei q a obturação não apresentou nenhuma falha mas ficou além do forame, e dois dias depois ele voltou ao consultorio relatando dor intensa quando ocluia e q nao estava conseguindo comer nada…então tirei o dente de oclusão e passei antiinflamatorio…nesse caso eu vou precisar tbm retratar o canal?

Jamylle, se não houver um componente microbiano, se a causa é somente essa, a dor, não precisa retratar o canal. Vou insistir sempre nesse tema: é um absurdo, um grande equívoco preconizar-se o extravasamento de material obturador. Em caso acidental, como o seu, monitore o paciente e, se for necessário, prescreva analgésico e/ou antiinflamatório.

EndoOrto

Breno Araujo Batista:
Gostaria de saber se existe um tempo determinado para movimentar ortodônticamente um dente com tratamento endodôntico concluído(caso de necro com lesões extensas)! Aguardo respostas,obrigado pela atenção!!!

Breno, sei que temos alguns posts sobre esse tema aqui no blog. Sugiro que você digite tratamento ortodôntico na janela onde tem Pesquisar no Blog (parte superior do lado esquerdo) e veja o que aparece de comentários. Se ainda precisar de alguma coisa, pode falar.

O alargamento do canal

Acredito que muitos de vocês já tiveram dificuldades para instrumentar canais atrésicos, aqueles em que a penetração do primeiro instrumento já é difícil. Não são canais com configuração anatômica normal, aquilo que aprendemos a ver e gostar de tratar, o canal cônico, de fácil acesso. Não, eles aparecem na radiografia como uma linha, uma fita.

Qual é a grande dificuldade? Um instrumento que durante todo o tempo trabalha com fortes interferências em todo o trajeto do canal sofre um maior desgaste, portanto maior risco de fratura, apresenta um maior potencial de alterações na anatomia, particularmente no caso de canais curvos (degraus, desvios), maior possibilidade de entulhamento de raspas de dentina, etc.

O avanço da Endodontia tem permitido a criação de novos instrumentos e novas técnicas de instrumentação. Hoje, não só para esses canais como para os demais, o “grande segredo” é o preparo cervical. Parece haver consenso de que todos os canais devem passar pelo preparo cervical prévio ao preparo do terço apical.

Dos três segmentos do canal, cervical, médio e apical, qual é o mais importante? Está em dúvida ou já respondeu? Vamos lá.

Onde é que mais ocorre fratura dos instrumentos? Onde é mais difícil irrigar bem? Onde é mais difícil preencher bem com a medicação intracanal? Onde é mais difícil fazer uma boa obturação? Se eu disser que a resposta para essas questões é o terço apical estou muito longe de acertar?

Por que o preparo cervical é tão importante? Porque diminui de forma significativa algumas dificuldades e possibilidades de erros. Em termos de modelagem, o objetivo fundamental do preparo cervical é facilitar o preparo do terço apical. Quando se fala de preparo cervical, vêm à mente as técnicas coroa-ápice. Assim, na verdade, é o preparo dos terços cervical e médio.

São inúmeras as vantagens desse tipo de instrumentação, uma delas essa de facilitar o preparo do terço apical. É claro que quando se alarga (faço questão de usar essa palavra neste momento) os terços cervical e médio, a instrumentação das porções finais do canal fica mais fácil e segura para o profissional. Desde já, entretanto, que fique bem claro, tornar mais fácil não quer dizer tornar fácil.

Agora, vamos lá. Você tem dificuldade para penetrar e instrumentar o terço apical de um incisivo central superior em condições normais? É provável que não, confere? Por que? Porque todo o canal é praticamente reto e amplo. Sendo amplo, não oferece dificuldades, concorda comigo? Tendo em vista que naturalmente já são amplos, será que você precisa alargar mais ainda os terços cervical e médio para penetrar e instrumentar o terço apical?

Quantos canais apresentam características semelhantes, ou seja, de não oferecerem maiores dificuldades à sua penetração? Posso dizer inúmeros? Nesses casos, você vai alargar mais ainda para penetrar neles? Vai usar instrumentos com conicidade acentuada (ou devo dizer taper? porque soa melhor, afinal, falar em inglês mostra os nossos conhecimentos) porque o canal comporta? Está certo, comporta, mas tenho uma pergunta bem simples para lhe fazer. Precisa?

Preciso fazer isso naquele canal sobre o qual conversamos aí em cima, atrésico, curvo, difícil de penetrar, uma linha, uma fita. Por que? Porque torna mais fácil aquilo que é muito difícil nesses canais: instrumentar o terço apical. Mas, no incisivo central superior!!!

Sim, tudo bem, não precisa, mas também por que não fazer? Por uma razão bem simples. Existe uma coisa chamada proporcionalidade. Observe que os canais são cônicos, isto é, mais amplos no terço cervical, depois médio e finalmente apical, e esse afunilamento é tão sutil que não se percebem mudanças bruscas de volume de um segmento para o outro. Por que? Porque assim são as raízes. Há uma proporcionalidade entre a luz do canal e as paredes da dentina radicular (volume de um e espessura do outro). O que ocorre quando se alarga demais o canal? As paredes radiculares ficam finas, com pouca espessura, altera-se a proporcionalidade. Resultado: maior risco de fratura. Você já reparou a quantidade de dentes fraturados com pinos largos? Isso se devia à Prótese, mas hoje também não terá a ver com a Endodontia? Não percebemos porque não conseguimos (ou não queremos?) associar uma coisa à outra, mas trabalhos já mostram preocupação com isso.

Fisiologicamente (com o decorrer dos anos) pela deposição de dentina secundária, ou patologicamente (processo acelerado pelas constantes agressões, cáries/restaurações/recidivas, doenças periodontais/cirurgias), pela deposição de dentina reparadora, a luz do canal diminui acentuadamente. Para o tratamento desses canais, o preparo cervical promove um maior alargamento para “recriar” o espaço anatômico original, uma vez que este permitirá maior facilidade com o segmento apical. Quando isso é feito não se está alterando a proporção entre canal e parede dentinária, pelo contrário, “recupera-se” a original.

No canal naturalmente acessível, simplesmente alargar para obedecer a regras pre-estabelecidas, ao modismo de conceitos e instrumentos “modernos”, alargar por alargar, não parece muito sensato. O preparo do canal é bem feito quando o alargamento, um processo natural, consequência da instrumentação, respeita todos os aspectos, particularmente o anatômico, onde se inclui a proporcionalidade. Talvez seja mais o que deve e não o que pode ser feito.

Pense nisso.

Stuart Angel

Você acha que Jesus Cristo foi um bandido? Como não? Claro que foi. Afinal, rompeu com o sistema da época. Possuidor de grande aceitação popular, subverteu as normas. Você não acha que ele foi um bandido, não é? Está bem, concordo com você, não foi. Mas você concorda comigo se eu disser que foi um subversivo, não concorda? Foi preso e torturado até a morte. Leia mais

Infecção persistente!!!

Walter:
Olá, Prof. Voltando ao caso do elemento 36 onde acabei fazendo sobreinstrumentação e a paciente está constantemente doente. Então, sobreinstrumentei os canais MV e ML, e são justamente os que apresentam exsudato. A sobreinstrumentação é a causa da infecção persistente? No dia em que troquei o tricresol pelo calen a paciente voltou no mesmo dia com uma dor intensa. O que fazer, que curativo de demora usar, que tipo de antibiótico prescrever? Grato novamente e um abraço

Walter, vamos diferenciar sobreinstrumentação de limpeza do forame (não se preocupe, há professores que também confundem). A sobreinstrumentação pode ser acidental, a limpeza do forame não é. Ela é feita dentro de um contexto de planejamento, onde são fundamentais a técnica que se usa para preparar o canal e chegar ao forame, adequação do calibre dos instrumentos ao forame apical, maneira de instrumentar o forame, irrigação/medicação intracanal… A sobreinstrumentação pode ser a causa da infecção persistente, a limpeza do canal cementário bem conduzida é, no mínimo, muito pouco provável. Sugiro a limpeza ativa do forame, boa irrigação, remoção da camada residual, medicação intracanal com hidróxido de cálcio PA com soro fisiológico, e nesse caso, medicação sistêmica com antibiótico. Pode associar amoxicilina com metronidazol (Flagyl). Além disso, cheque outras possibilidades, como perfuração, canal sem instrumentar (não foi identificado), fratura radicular, trauma oclusal.