Estou cansado. Era pouco antes de 01:00 da manhã quando me preparava para pegar o livro de cabeceira para ler um pouco e dormir, quando recebi o e-mail com esse vídeo, o discurso de um soldado americano. Ele mostra o que está por trás do desejo de impor sanções aos países. Não resisti e resolvi escrever algo para desabafar, nem que fosse para falar para mim mesmo, e aí poder dormir. Leia mais…
Autor: webmaster
Sobreinstrumentação
Walter:
Olá, Prof. Primeiramente parabenizar pelo excelente trabalho realizado no campo da Endodontia. Prof, estou realizando a endodontia de um 36 e tenho encontrado dificuldades em resolver uma infecção persistente. Fiz odontometria e por descuido acabei sobreinstrumentando e alargando o forame até a lima #30. Fiz a correção e tenho utilizado CTM 1mm aquém do forame (lima#40). Como curativo tricresol. A paciente constantemente está doente e gripada mas acho que não deva ser o fator de maior importância. O que fazer? Será que a causa foi ter sobreinstrumentado e alargado o forame até #30? Grato e um abraço
Walter, houve sobreinstrumentação em um canal ou em todos? Não uso tricresol. O fato de a paciente estar sempre doente e gripada tem importância. Você pode estar diante de alguém com o sistema imune deprimido (e aí, se for o caso, entre com medicação antibiótica). A sobreinstrumentação e alargamento acidental não são a mesma coisa que a limpeza ativa do forame que recomendo. Dê mais detalhes.
Lesão refratária???
Renata Friedman:
Prof.Ronaldo, estou com um caso que não encontro solução e não sei se já é o momento de buscar outro tratamento. Por favor me ajude.Vamos lá:Paciente chegou pra mim relatando ter tido o q eu imaginei pelo que ela relatou, um abscesso intrabucal na vestibular do 21 que ela mesma drenou com uma agulha. Quando a examinei havia apenas uma fístula drenando pus. No rx uma lesão com cerca de 1cm de diâmetro, sem cárie e com uma resina antiga. Pois bem, fiz a endo em sessão única, instrumentei bastante, até LK 60, irrigando com hipoclorito 2,5%, mantive a patência e fiz limpeza foraminal. Cerca de 7 meses depois ela retornou pra controle e a fístula ainda não havia cicatrizado. Optei por retratar, reinstrumentei ampliando o preparo pra LK80 e já fiz quatro trocas de hidróxido de cálcio com PMCFC, com intervalos de 7 dias as primeiras, 15 a segunda e 30 a terceira,mas nada da fístula sumir.Ao rastreá-la com o cone de guta, este vai parar no ápice do 22 que respo
nde ao teste de vitalidade. E o que mais me encomoda é que sempre que vou secar o canal no final do preparo há secreção, o que acredito que seja por causa da continuidade da infecção. Já pensei na possibilidade de fratura ou de cirurgia,mas será que já é hora de desistir ou devo continuar com o hid de cálcio?
Renata, o incisivo central superior já é naturalmente amplo, portanto, a lima K 80 ainda seria compatível com ele (no caso de pacientes jovens), mas muito cuidado daí para a frente. Sugiro fazer limpeza ativa do canal cementário. Faça boa aspiração e se possível (com esse calibre de canal e a limpeza ativa do forame deve ser) posicione a cânula no interior da lesão. Remova a camada residual (smear layer). Seque com pontas de papel, faça medicação com hidróxido de cálcio e uma curetagem da fístula. Se não me engano, você já disse que tem o livro Endodontia Clínica e todos esses passos estão lá. Além disso, você encontra aqui no site e no blog. Antes de tudo, porém, sonde bem clinicamente e com radiografia/tomografia a possibilidade de fratura.
Exame clínico minuncioso
Karina:
Ola prof. Ronaldo!!!estou precisando de orientaçao…paciente com 29 anos,aparentemente saudavel,chegou ao consultorio com a queixa do dente estar escuro,durante o exame clinico observei a presença de uma fistula no dente 11,realizei o rx i ficou confirmado perda ossea(dente com lesao apical),ela tb disse que ja retratou esse dente duas vezes i que quando criança teve um trauma nesse dente.O canal esta aparentemente bem obturado.Sera q esse dente tem trinca? Sera q devo pedir uma tomografia? Sera q devo tentar mais uma vez o tratamento conservador? Sera q devo indicar p fazer cirurgia parendodontica? Aguardo resposta…
Karina, respondo na mesma sequência das suas perguntas. A confirmação ou não da trinca só poderá ser feita através de exame clínico minuncioso por você mesma ou um colega próximo a você que possa ajudar. A tomografia pode ajudar muito nesses casos. Acredito que um retratamento realizado em bases diferentes do que foi feito é recomendável. Antes de observar esses aspectos, não sugiro a cirurgia parendodôntica.
O Brasil, o Irã e o mundo
Não há como negar a importância e influência dos Estados Unidos no resto do mundo. País rico, possui duas indústrias muito poderosas, de grande importância e retorno financeiro: a cinematográfica e a bélica. A cinematográfica vai muito bem, obrigado. A bélica, precisa continuar.
Agora é a vez do Irã. Acusado de estar enriquecendo urânio para fazer a sua bomba atômica, é um país demonizado. Há algum tempo se busca uma negociação em nome da paz (parece que é o único país do mundo que tem ou quer fazer uma bomba atômica) e até pouco tempo não se conseguia. Houve fracasso nas negociações no ano passado.
Aí vem um pobre país do terceiro mundo e acha, veja que petulância, que pode tentar negociar nessa direção. Você queria o que? É claro que o mundo todo achou um absurdo. O Presidente da Rússia disse, na frente do Presidente do Brasil e da imprensa de todo o mundo, que “pelo seu entusiasmo, daria no máximo 3% de chances para o sucesso nas negociações”.
A Secretária dos Estados Unidos, a senhora Hillary Clintom, disse que, apesar de o Brasil não ter nenhuma chance, seria a última tentativa. Vazou para imprensa internacional a carta com o pedido do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Presidente do Brasil, para tentar resolver o impasse, ao mesmo tempo em que lhe desejava sorte na missão.
O governo brasileiro, juntamente com o turco, conseguiu o acordo. Detalhe: com as exigências feitas e negadas na tentativa do acordo de 2009.
No outro dia, exatamente no outro dia, os governantes dos países mais ricos do mundo negaram toda a importância do acordo e mais do que rapidamente reverteram todo o noticiário internacional para as sanções que estavam sendo estudadas para aquele país de terroristas. Inclusive, possibilidade de invasão.
O texto acima é uma parte do artigo “O mundo em paz”. Clique aqui para vê-lo.
Quando esses fatos ocorreram, a imprensa e os partidos de oposição ao atual governo fizeram todas as críticas possíveis e imagináveis. Coisas como, o Brasil está apoiando países terroristas, é um absurdo o país se envolver com coisas desse tipo, está se associando a assassinos frios, está contra os países que buscam a paz…
Vou corrigir. Não foram críticas, este seria o papel da imprensa e dos partidos de oposição. Na verdade, as razões são outras. Até o dia 03 de outubro, histórias muito piores do que essa surgirão.
O povo brasileiro, todos sabemos, sempre se caracterizou pelo seu comportamento pacífico. Tenho certeza de que você sabe que se fosse por nós não haveria nenhuma guerra no mundo. E mais, se pudéssemos faríamos qualquer coisa para acabar com elas.
Ocorre que a nossa posição, sempre num plano inferior em relação aos países que decidem os destinos do mundo, nunca permitiu qualquer iniciativa nesse sentido; simplesmente não seríamos ouvidos.
Qualquer um de nós pode ser contra o atual governo, este é um direito que estabelece a democracia, o direito de escolha. Mas, acredito que você vai concordar se eu disser que atualmente o Brasil ocupa uma posição como jamais conseguiu no cenário internacional. Se conseguirmos fazer um esforço um pouco maior, uma análise sem paixão, veremos isso.
O que a diplomacia brasileira fez foi simplesmente aproveitar esse momento. E fez o que o brasileiro sabe fazer de melhor, agir com o coração aberto. Não se trata de apoiar países terroristas, não é nada disso, não faz parte da nossa história. Que apoio ao terrorismo é esse às claras, diante dos olhos do mundo? Será que a grande imprensa pensa que somos idiotas? Esse é um jogo pesado que envolve outros interesses.
Estou cansado. Era pouco antes de 01:00 da manhã quando me preparava para pegar o livro de cabeceira para ler um pouco e dormir, quando recebi o e-mail com esse vídeo. Clique aqui para ver o discurso de um soldado americano. Ele mostra o que está por trás do desejo de impor sanções aos países. Não resisti e resolvi escrever algo para desabafar, nem que fosse para falar para mim mesmo, e aí poder dormir.
PS. Dois dias após o discurso, o soldado apareceu morto. A autopsia revelou ter sido um ataque cardíaco …
Um metalúrgico presidente ou um presidene metalúrgico?
Todos temos os nossos segredos. Alguns, contamos para os amigos. Alguns, só para o melhor amigo. Outros, só para nós mesmos. Mas, existe um tipo de segredo da nossa personalidade que nem para nós mesmos contamos. São aqueles que não queremos aceitar. Costumo dizer que são os nossos pontos escuros. São os sentimentos que sabemos existirem, mas que nos trazem desconforto.
Convivemos socialmente à custa de sentimentos nobres; carinho, afeto, dedicação, amor, compreensão, solidariedade… Nos momentos de discussão, de ira, veem à tona sentimentos menores, porém reais; indiferença, incompreensão, ódio, vingança. Instintos mais primitivos que teimam em escapar do nosso controle. O homem é assim.
Voce vê alguém dizer, sou ladrão, sou cruel, sou um assassino (em potencial)? Se alguém, em momento de extrema ira, diz eu vou lhe matar e aquela pessoa morre, o que disse pode se tornar o primeiro suspeito, quando na verdade, foi só o desabafar de uma mágoa, ele “jamais” concretizaria o dito no momento da ira.
Não é politicamente correto, e muito difícil de ser visto, expor os sentimentos menos nobres. Você é racista! Não, não sou não, inclusive tenho vários amigos pretos. Às vezes na frase, em como ela é dita, já está lá. Isso é compreensível (aceitável é outra coisa), afinal, socialmente, não devemos ser o que somos, mas o que precisamos ser. Somente isso pode explicar muitas coisas à nossa volta.
Como nação, há um sentimento antigo, enraizado, que parece fazer parte do nosso DNA. Somos um país de terceiro mundo. Paciência, é o Brasil, aqui é assim. Se fosse nos Estados Unidos…
Um breve parêntese. A indústria da seca, como ficou conhecida a miséria no nordeste brasileiro, sempre foi lucrativa para muitos. Mas, além desse plano, foi um processo tão longo, tão devastador e motivador de anos de migração para as pessoas dessa região, que criou uma sub-raça, uma raça inferior. Uma raça sobre a qual incide um preconceito que não se explica. Para isso, pasme, até o sotaque contribui. Fecha o parêntese.
Por incrível que possa parecer, esse mesmo comportamento pode ser observado em boa parte das elites brasileiras. Os destinos do terceiro mundo, onde há séculos está inserido o Brasil, devem ser resolvidos pelo primeiro mundo. Não nos cabe decidir sobre o nosso destino. Sempre foi assim. Quem é o Brasil para determinar o seu próprio futuro? Autonomia é algo a que não temos direito. Muito menos opinar sobre as coisas do mundo.
Todos os que têm o hábito de viajar pelo mundo sempre afirmaram que ao dizer a senha “sou do Brasil” vinha de imediato a identificação: ah! Pelé, carnaval, samba. A alegria reinava. A isso se limitava o reconhecimento internacional do Brasil. E todos voltavam satisfeitos. Com a bagagem cheia de compras.
As mudanças ocorridas têm permitido um posicionamento diferente do Brasil, que saiu da condição de mero coadjuvante, sem nenhuma importância, para a de protagonista. Para citar uma delas, de devedor do FMI passou a credor, algo jamais visto na nossa história.
A mobilidade social causou admiração em toda a comunidade internacional. Mais de trinta milhões de brasileiros saíram da miséria e outros mais de vinte milhões migraram das classes D/E para a C (dados oficiais do IBGE).
Naquela que é considerada a maior crise internacional dos últimos 80 anos, o Brasil foi apontado como o último país a entrar e o primeiro a sair dela, como uma prova da força da sua economia. O seu presidente tem sido destacado pelos mais importantes jornais e revistas do mundo e comunidade internacional como um dos estadistas mais importantes e influentes da atualidade.
Veja o que diz o inglês Jim O’Neill, economista-chefe do banco norte-americano Goldman Sachs (ganhou notoriedade mundial ao criar, em 2001, o termo Bric, grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China) sobre as eleições de 2010. “É fundamental que, independentemente de quem ganhe, o novo presidente mantenha o sucesso de atingir as metas para a inflação e tenha a mesma habilidade notável do Lula para se envolver com todos os espectros da sociedade”.
(Quase) todo mundo sabe que o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso sempre contou com o apoio total e irrestrito da grande (?) imprensa e por ela ainda hoje é blindado. (Quase) ninguém sabe, mas a blindagem ao candidato dele, o Sr. José Serra, é muito maior. (Quase) todos conhecem as razões para isso.
Recentemente foi divulgada pela grande (?) imprensa a queda na linha de miséria no país. O Jornal Nacional deu com grande ênfase: Caiu a linha de miséria no Brasil. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, apoiados em indicadores do IBGE, desde 1995 a miséria vem caindo no país.
Vamos aos fatos. A notícia só é verdadeira quanto ao fato de que são dados oficiais levantados pela FGV em cima de indicadores do IBGE, mais nada. Veja aqui a verdade.
Vamos só reavivar a memória. Por causa do impeachment de Fernando Collor de Melo, Itamar Franco assumiu a Presidência da República de 29 de dezembro de 1992 a 31 de dezembro de 2004. Fernando Henrique Cardoso assumiu no dia 1 de janeiro de 1995 e governou até dezembro de 1998 e foi reeleito, governando de 1999 a 2002 (dezembro). O atual presidente passou a governar de 2003 a 2006, quando foi reeleito, e o segundo mandato vai de 2007 até os dias atuais.
Percebeu nos dados da FGV/IBGE que de 1992 a 1994 (Itamar Franco) houve realmente uma queda na linha de miséria? De 1995 a 2002 (Fernando Henrique Cardoso) ela
se manteve estável e voltou a cair de 2003 a 2009 (atual governo). Deve ser lembrado que aí não estão computados os dados de 2010, ano em que houve forte reaquecimento da economia brasileira e que se estima um PIB acima de 9% (IBGE), recorde absoluto em toda a história do país e que deverá ser o 2o ou 3o do mundo.
Um metalúrgico presidente, prova inconteste do amadurecimento da nação e de sua democracia. Ao escravo era dado o direito de acesso à Casa Grande. Era importante para o momento da história, a abolição da escravatura. Chamava a atenção do mundo, era até folclórico (um novo Lech Walesa*). Não sabia ele que a sua permanência não era o que tinha sido traçado pelos senhores da Casa Grande. Um metalúrgico presidente, sim, um presidente metalúrgico, não.
O texto abaixo corresponde a uma enquete feita pelo Valor**.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bom para o setor empresarial e será lembrado como um período de forte crescimento do setor produtivo, segundo empresários e dirigentes de grandes grupos industriais. Em enquete realizada pelo Valor na terça-feira, na entrega do prêmio "Executivo de Valor 2010", todos os que responderam à sondagem informaram que suas empresas cresceram de forma significativa nos últimos oito anos. Dos 142 empresários que participaram da pesquisa, nenhum disse que nesse período sua companhia estagnou ou encolheu. No entanto, a maioria pretende votar na oposição na eleição presidencial de outubro. José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, recebeu 78% dos votos. A candidata do presidente Lula, ex-ministra Dilma Rousseff, teve 9% das intenções de voto. A pré-candidata do PV, senadora Marina Silva, conquistou 5,6% dos votos e o deputado Ciro Gomes, do PSB, teve apenas um voto, 0,7% do total.
O governo Lula é bem avaliado, segundo a sondagem: 52,8% consideram a gestão ótima ou boa e três em cada quatro empresários disseram que suas companhias ganharam muito no governo Lula. Apenas 6,3% classificam a administração como ruim ou péssima. A visão positiva em relação ao governo, entretanto, ainda não foi convertida em intenção de voto para a petista. Entre os que informaram que suas empresas cresceram muito, Dilma recebeu 9,3% dos votos e Serra, 79,4%.
Clique aqui para ver a veracidade da informação em “O voto dos empresários” no Valor on line, mas você vai ver que é só para assinantes. Aqui você consegue ler o texto, no Luis Nassif on line.
Você acha difícil explicar o voto dos empresários?
Apesar de todas as mudanças no panorama nacional e de todo o reconhecimento internacional, o homem que está à frente do processo, em cujo governo todas essas mudanças ocorreram, tem sido frequentemente insultado, desrespeitado. Na Internet proliferam e-mails tentando ridicularizar a sua figura. Em nenhum momento, a sua justa indignação jamais chegou perto da virulência com que tem sido atacado.
Jamais um homem, que por coincidência é o Presidente da República, foi tão humilhado. Por que será?
São os nossos pontos escuros falando mais alto.
* Lech Walesa – Operário polonês que se tornou presidente da Polônia (1990-1994) e não foi bem sucedido.
** Valor (Econômico) – Jornal sobre economia, tido como a mais completa cobertura sobre economia, negócios e investimentos do país.
O que diz o IBOPE?
Na campanha para a presidência da república de 1955, o candidato do Partido Social Democrata (PSD) sofreu uma infinidade de pressões por parte das oposições, principalmente da União Democrática Nacional (UDN). Essas pressões, entretanto, não deram resultado e no dia 3 de outubro de 1955, o candidato daquele partido era eleito Presidente do Brasil.
Tratava-se de Juscelino Kubitschek*. Você que é muito jovem talvez não saiba; foi o homem que construiu Brasília. Ele e Getúlio Vargas são considerados os dois maiores Presidentes do Brasil.
Ficou famosa a frase de Roberto Marinho, fundador e proprietário da Rede Globo: “Juscelino não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito e se for eleito não pode governar”.
Foi eleito, governou o Brasil e atribui-se a ele um dos períodos de maior desenvolvimento do país.
A história contemporânea tem registrado a dificuldade que a Rede Globo sempre teve de conviver com governos tidos como progressistas. A sua própria história mostra o porque dessa dificuldade (se você quiser saber como ela se transformou rapidamente no império que é hoje, clique aqui. É um arquivo pesado [645.1 MB] e o nome é Cidadão Kane).
Outro episódio famoso ocorreu com a eleição de Leonel Brizola para governador do Rio de Janeiro. Naquela oportunidade, as ligações de sempre voltavam a acontecer mais uma vez e, entre elas, estava a união do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) com a Rede Globo. Foi um escândalo.
Você já deve ter percebido alguns exemplos de candidatos que “perdem” em todas as pesquisas, chegam às eleições como perdedores e ao final das apurações, saem eleitos. Um dos casos mais vergonhosos aconteceu na Bahia. Até o dia da eleição (03/10/2009), segundo o IBOPE, Paulo Souto (candidato de ACM) seria o vencedor no primeiro turno. Com as apurações, de fato a eleição foi decidida no primeiro turno, mas o eleito foi Jacques Wagner, candidato do PT.
Mas, provavelmente, o mais escandaloso foi a eleição de Brizola. Na sua reeleição o IBOPE (lá vem ele de novo) dava a derrota de Brizola como certa. Brizola ganhou (e ainda tentaram manipular os resultados). Em seu segundo mandato como governador do Rio de Janeiro (15/03/1991 a 02/04/1994), tantas foram as vezes em que os fatos foram manipulados e distorcidos, que ele obteve o famoso direito de resposta à Rede Globo (veja aqui).
Acusado de ter apresentado algumas pesquisas com resultados esquisitos para a atual campanha (juntamente com o Data Folha, do jornal Folha de São Paulo)**, o IBOPE está aí novamente. No ano passado, o Sr. Carlos Augusto Montenegro (presidente do IBOPE) disse que a candidata Dilma Roussef jamais passaria de 15% da intenção de votos na campanha para Presidente do Brasil. Parece que mudou de opinião. Veja o que ele diz em recente reportagem ao jornal O Globo (Rede Globo).
SÃO PAULO – O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse nesta terça-feira em São Paulo que a eleição presidencial deste ano pode ser decidida no primeiro turno, tanto em favor da candidata Dilma Rousseff (PT) quanto de José Serra (PSDB), que apresentaram empate em 37% das intenções de voto em pesquisa divulgada pelo instituto no último final de semana. Na sua avaliação, a candidata do PV, a senadora Marina Silva, que teve 9% na mesma pesquisa do Ibope, será decisiva para a realização do segundo turno.
– Marina é uma boa candidata, uma pessoa diferente. Não sei se vai ter estrutura, tempo de televisão, para chegar perto dos primeiros. Pode ser uma surpresa. Acho que ela pode crescer com a ajuda da internet, da juventude, com a ajuda de uma série de coisas. Ela certamente vai ter um papel importante, podendo levar a eleição para um segundo turno. Caso ela fique estacionada ou caia um pouco, as pessoas tentem aplicar um voto útil ou tentar resolver a eleição logo, essa eleição pode sim ser decidida no primeiro turno para um lado ou para o outro – disse Montenegro.
Em café da manhã com empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o presidente do Ibope disse que dois terços do eleitorado já estão "radicalizados" e decididos entre Dilma e Serra, mas um terço ainda não definiu o voto, o que só deve acontecer depois da Copa do Mundo.
– Um terço já se posicionou a favor da Dilma, um terço a favor do Serra e acho que tem um terço, menos radical, mais tranquilo, que já votou no Fernando Henrique, já votou no Lula, que está atento a todos esses detalhes, a currículo, a postura, a carisma, credibilidade, propostas de governo, continuidade do governo. Esse pessoal vai analisar depois da Copa do Mundo e é esse pessoal que vai decidir a eleição.
Candidato precisa mostrar "preparo", diz Montenegro
Montenegro, que havia declarado à revista "Veja" no final do ano passado que o Brasil não elegeria um "poste" e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faria seu sucessor e, ainda, que Serra era o favorito, reformulou sua afirmação dizendo que o candidato precisa, além do apoio presidencial, "mostrar preparo".
– Disse que ele não elegeria um poste. E continuo achando isso. O que é eleger um poste? O Brasil, antes da reeleição, tinha mandatos de quatro anos – justificou, explicando ainda mais: – Quando falava que não elegeria um poste, era até acreditando no povo brasileiro. Acho que o Lula pegar qualquer pessoa, por mais que ele tenha 80% de aprovação e dizer: "Olha, você vai ser o presidente", não acredito nisso. Acho que a pessoa tem que mostrar preparo. A pessoa tem que mostrar liderança, programa de governo, que está preparada para governar um país como o Brasil – disse afirmando que a entrevista à revista "saiu truncada&quo
t;.
A pessoa tem que mostrar liderança, programa de governo, que está preparada para governar um país como o Brasil
Carlos Montenegro ainda voltou atrás na previsão de que Dilma Rousseff não passaria dos 15% de intenção de votos e que Lula não transferiria votos para a candidata petista.
– Acho que a Dilma está ocupando muito bem o espaço que estava vazio e alguém ia ocupar, fosse a Dilma, fosse o Tarso Genro, fosse o Fernando Haddad, fosse qualquer um candidato do presidente Lula iria ocupar esse espaço. Acho, por exemplo, que nos 37% a 37% divulgados você não tem só transferência de votos – disse, remetendo a sua opinião de que a eleição está "radicalizada" entre os dois principais candidatos.
De acordo com o presidente do Ibope, uma das partes de sua entrevista à "Veja" que foi "descartada" foi a sua previsão de que Lula deixará a presidência da República no ano que vem como "um dos maiores presidentes da história".
– A parte principal que foi descartada foi a minha percepção de que o presidente Lula vai sair como uma dos maiores presidentes da história do Brasil. O presidente Lula hoje talvez esteja no mesmo patamar que o presidente Getúlio Vargas e o presidente Juscelino. Mas só que como esses dois presidentes a maior parte dos brasileiros não tive oportunidade de conhecer, o Lula certamente vai sair como o maior presidente da história do Brasil. Isso as pesquisas estão constatando e me parece claro – disse.
O grifo da última frase não é meu.
É bastante conhecido o tipo de jornalismo da revista Veja ao longo desses pelo menos 20 anos. Apesar de já ter perdido parte considerável dos seus leitores (por isso ela faz tantas promoções de assinatura), ainda é a de maior tiragem (não é a mesma coisa que vendagem) no Brasil e a coisa mais fácil do mundo é explicar isso. Entretanto, não cabe aqui agora.
Observe, porém, que um dos homens que sempre se valeu das ligações com a revista e com outros órgãos de imprensa, como a Rede Globo, Folha de São Paulo, Jornal Estado de São Paulo (Estadão) e outros (há quem chame de PIG – Partido da Imprensa Golpista), ele próprio é quem diz que a revista só publicou a parte que parecia não favorecer ao Presidente da República e à sua candidata. A parte que o Sr. Carlos Augusto Montenegro, mesmo contrariado, elogia o presidente, a Veja “descartou”.
Viva a nossa elite.
* Juscelino Kubitschek (1902-1976) – Médico e político mineiro, Presidente do Brasil de 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961.
** É possível que você não saiba que há alguns meses o Jornal Nacional declarou, por razões que desconheço, que só ia divulgar os resultados das pesquisas do IBOPE e do Data Folha (da Folha de São Paulo). Deve haver alguma razão para isso.
Obs. Abaixo está o link que dava acesso à reportagem com Carlos Augusto Montenegro em O Globo. Também por razões que desconheço, a reportagem foi tirada do site já no dia seguinte à sua publicação, em 09/06/2010 (tente ver aqui).
A sapa que virou princesa
Era uma vez uma jovem que morava em uma terra distante. Naqueles tempos difíceis na terra em que morava, ela teve um sonho. Sonhou que a vida dos homens, mulheres e crianças daquele povo podia ser melhor, algo que beirasse a uma vida digna.
Jovem, muito jovem, e diante de uma conjuntura que nada permitia, mesmo aos jovens, saiu noite adentro na luta pela conquista dos seus ideais (alguns jovens costumam ter esses sonhos malucos). Abdicou do que ao jovem é dado ter; barzinho da moda, o último lançamento, a bolsa nova, e foi brigar pelo ar que lhe era negado.
Louca, não percebeu que nem sempre é permitido sonhar (só mesmo um jovem para não perceber isso). Não sei se você já percebeu, mas os jovens fazem muitas bobagens. É só o coração que conta. Razão, nem um pingo. É paixão, ímpeto, desejo, típicos deles (ah, como me lembro).
Consta que nessa loucura por coisas tão banais, como princípios e ideais, juntou-se a outros e enveredou por caminhos que pareciam à época, se não a única, uma das alternativas mais viáveis. Foi presa e torturada.
Dizia-se de tudo: guerrilheiros, assassinos cruéis, destruidores da família, comiam criancinhas, verdadeiros monstros. Imperdoável. Vamos acabar com essa raça. Onde já se viu, comer criancinhas. Aí todos ficaram com raiva deles. Para piorar as coisas, um país irmão, sempre preocupado em proteger os povos em perigo, também ficou zangado e passou a ajudar a caçar aqueles terroristas. Muitos amigos, filhos, irmãos, pais, maridos, desapareceram ou morreram.
Um dos defeitos do jovem é tornar-se adulto, quando geralmente o coração deixa de dar as ordens. A razão dita as ações. E a jovem, já adulta, tomou outros rumos, na verdade, os mesmos, só que de outra forma, mas fiel ao seu passado. Para o bem e para o mal, o adulto é a continuação do jovem, com outros gestos.
Estava traçado. Aquela mulher tinha que estar ligada a funções que, de alguma maneira, fossem reflexo do seu passado. Começa a ocupar postos que lhe permitiriam chamar a atenção pelo caráter forte e competência naquilo que fazia: entrara na política.
Em momento de grande desvario, aceita a indicação do seu nome como candidata ao mais alto posto de comando daquela terra, tendo como avalista um conhecido sapo barbudo, reverenciado pela grande maioria da população, mas odiado por forte setor dela. Afinal, era um sapo. Começaram então a surgir “fatos” que denegriam a sua imagem.
Daqueles tempos, qualquer ligação com eventual trajetória de luta (certa ou errada) que pudesse espelhar uma mulher de fibra, revolucionária (palavra que ganhou contornos condenáveis), foi esquecida. Só ficou o que pudesse ser manipulado e permitisse chama-la de terrorista assassina.
Um dos momentos marcantes foi quando um grande jornal de uma das províncias daquela terra publicou, em destaque na primeira página, a sua ficha de terrorista, com foto e tudo. Outros importantes órgãos de imprensa, inclusive grandes redes de televisão, destacaram mais ainda em letras garrafais e muitos decibéis acima do suportável pelos sensíveis ouvidos humanos.
Tratavam-na mais uma vez como sapa (e eles estavam certos, afinal sapa é sapa, sapa não é princesa). O mundo parecia ruir sobre os seus ombros.
Ocorre que em todo conto de fadas há os maus e os bons. Àquela época, outros meios de comunicação já estavam bastante disseminados na sociedade daquela terra, e jornalistas independentes mostraram, através dos diversos blogs existentes, que aquilo era um documento falso. A falsidade do “documento” foi comprovada pelo próprio órgão de onde se dizia ter ele saído. Por aquele documento falso, que tinha merecido destaque na primeira página daquele velho e decadente órgão da imprensa, o seu dono limitou-se a um pedido de desculpas que ninguém viu, porque foi publicado em poucas palavras em um canto qualquer daquele jornal. O problema é que não era a primeira vez que eles faziam aquilo, nem seria a última.
Se eu acreditasse em contos de fadas diria que a história tinha reservado dias especiais para aquela sapa. Uma senhora da alta sociedade daquela terra, viúva de um mega empresário das comunicações, achou que ela não parecia ser aquilo que diziam. Desconfiando disso, quis conhece-la mais de perto e em um belo dia resolveu convida-la para um almoço.
É evidente que essa senhora não estava gozando de boa saúde mental, afinal, onde já se viu, pessoa tão fina, da alta sociedade, convidar uma sapa para o almoço? E o pior de tudo, também convidou cinquenta das suas mais importantes amigas, o jet set do mundo feminino daquelas plagas.
É claro que não concordaram com aquilo, mas, como recusar ao convite da grande dama? Seria o fim das suas carreiras de amigas dela (dizem que naquele meio é muito comum a prática do alpinismo social). “A Lily (Marinho) estava um pouco ansiosa porque muitas têm até medo de chegar perto do PT e da Dilma. Mas todo mundo está chegando, graças a Deus”, dizia uma amiga da anfitriã.
Muitos comentários após o almoço: “Ela é uma política e tanto, tudo que ela falou está certo. Ela está preparada para governar o Brasil”. Alguns mais profundos: “Me surpreendeu positivamente. Acho que posso convidá-la para minha clínica de estética, que não vai fazer feio” (veja aqui).
Muitos jornalistas e fotógrafos presentes. Perguntada sobre o conhecido sapo barbudo (muito amigo da sapa e uma espécie de protetor dela), a grande dama respondeu: “Ele é muito inteligente. Ele conseguiu nesses anos se fazer apreciar na Europa, nos Estados Unidos, é um encanto. Não o conheço pessoalmente, mas acho ele fantástico”. Era a maior demonstração da sua insanidade mental.
A partir daquele dia, como que num passe de mágica, a terrorista, perdão, a sapa
se transformou em uma bela princesa. Mesmo jornalistas e colunistas sociais dos decadentes jornais se renderam a aquela metamorfose (veja aqui e aqui).
Estou quase acreditando em contos de fadas.
Seja louco, mas nem tanto
Ricardo Passos:
Prof. Ronaldo gostaria da sua opinião a respeito da correlação entre a saúde geral e a inflamação crônica periapical
Ricardo, “Não é pelo fato da Medicina, como um todo, não saber ainda estabelecer as correlações que podem existir nesse campo que devemos ignorar essa possibilidade. Em outras palavras, não é pelo fato da Medicina não saber exatamente o que acontece, que nada acontece”. Essa citação está no sexto parágrafo (página 134) do capítulo Medicação Intracanal do nosso livro, Endodontia Clínica. Reconheço, porém, a defasagem dela. No momento em que se preconiza a endodontia feita em função do tempo que se gasta para a realização do tratamento, ela não tem nenhum valor. No momento em que o que importa é a quantidade de sessões em que se realiza o tratamento endodôntico, ela não tem nenhum valor. No momento em que se preconiza obturar o canal mesmo com exsudação, ela não tem nenhum valor. Você pede a minha opinião, mas, lamento, ela não tem nenhum valor. O que vale é a corrente, não a margem. É melhor ser louco segundo a moda do que fora dela (Emanuel Kant).
Mais cimento obturador
Thylander:
O cimento MTA FILL APEX substitui outros cimentos como Sealapex , endofil,fill canal?
Thylander, a idéia é essa.