Extravasamento da obturação

Luis Vasconelos:
Prof… realizei a obturação de um molar superior onde houve a sobreinstrumentação(1,0) do canal palatino… eu preciso retratar de imediato??? Ou proservo??? Sou recem-formado… aguardo sua resposta!

Luis, você fala em sobreinstrumentação e pergunta se precisa retratar, ou seja, devo entender que houve sobreobturação. Não há como remover se foi o cimento que extravasou, e se foi guta percha às vezes também não é possível. Há situações de extravasamento em que o profissional tenta corrigir e piora mais. Se for “só” o extravasamento, não retrate. Acompanhe o paciente.

Abscesso agudo e pino intraradicular

Luiz Carlos de Almeida:
O que fazer em caso de abscesso agudo em dente com pino intraradicular onde ñ se consegue drenar

Luiz, a drenagem de processo agudo é fundamental. De alguma forma este ao qual você se refere deverá ser drenado, afinal não haverá reparo espontâneo. Se, por qualquer razão, não for possível ou recomendável remover o pino, deverá ser drenagem cirúrgica ou, sob medicação antibiótica, esperar pela mobilização dos mecanismos de defesa do organismo. Essa alternativa normalmente se faz acompanhar de dor intensa. Mas lembre, o canal deverá ser retratado ou encaminhado para cirurgia parendodôntica.

Danos morais – quem pode ajudar?

Karla:
Boa noite… Tive um caso recente no consultório um acidente com extravasamento de hipoclorito para a região periapical durante a irrigação após preparo biomecanico realizado… a paciente teve edema e hematoma…Foi devidamente medicada e atendida… porém recebi uma notificação de processo para danos morais… gostaria de saber se poderiam me dizer onde encontrar artigos e/ou fotos sobre o caso para que eu possa anexar a minha defesa… agradeço desde já pela atenção.

Karla, confesso que não me ocorre nada no momento que possa lhe ajudar. Estou postando para que outros colegas vejam e possam ajudar.

Conhecimento e técnica

Alessandra Carvalho:
Olá profesor, tenho casos de retratamento em que o paciente já chega com dor naquele dente e que após iniciar o retratamento na primeira consulta ,mesmo com anestesia eu não consigo fazer parar a dor . Às vezes, a dor até passa na hora mas depois que a anestesia passa o paciente liga com muita dor. Tenho casos que ja tive até que realizar a extração. Gostaria muito de uma orientação.

Alessandra, normalmente a dor trans-operatória está associada à técnica anestésica e ao anestésico, portanto, analise essas questões. Já a dor pós-operatória é dependente de vários aspectos, normalmente associados à técnica de instrumentação, soluções irrigadoras, medicação intracanal, todos por sua vez dependentes de como são feitos. Por exemplo, não são somente as características químicas da solução irrigadora, mas como é feita a irrigação. Sendo assim, reveja como você está realizando todos esses passos. Porém, aí entra uma questão fundamental: lembre que não é só técnica, existem fatores biológicos envolvidos nesse processo.

Dor pós-operatória

Alessandra Carvalho:
Caro professor,
Após ter realizado o acesso(1 sessão) odontometria e inst. químico-mecânica (2 sessão) podemos obturar se  o paciente ainda sentir um pouco à percussão? OBS.: Da segunda sessão para a 3 sessão foi colocado como medicação intracanal a pasta de hidrox. de Calcio (cápsula)com anestésico.Obrigada!

Alessandra, nos casos de polpa viva pode obturar sim. Nos casos de necrose pulpar, se você tiver segurança de que não se deve a problemas com o controle de infecção, também pode obturar. Nessas condições, a dor não constitui fator contraindicador da obturação.

Fio de rosca

Você já observou como se troca um pneu de carro? O borracheiro pega uma chave de roda, remove os parafusos, tira a roda, conserta o pneu, põe de volta e aperta os parafusos com a chave de boca.

Já viu como se faz atualmente? O borracheiro pega uma máquina, remove os parafusos, tira a roda, conserta o pneu, põe de volta e aperta os parafusos com a máquina.

Tudo igual não é? Será? Não, entrou a máquina para auxiliar o homem. Aplica-se menos força para remover/colocar os parafusos, faz-se num tempo menor. Resultado: menor desgaste para o homem. A máquina a serviço do homem.

Já viu aquela “maquininha” que remove e coloca os parafusos da roda? O nome dela é máquina de impacto. Pare um pouco na borracharia e observe um borracheiro trabalhando. Olhe bem? Olhou? Percebeu que ele não põe o parafuso direto com a máquina? Não? Vá lá outra vez e observe melhor. Viu agora? Ele pega, ajeita o parafuso com as mãos, torce-o à esquerda, à direita, sente se encaixou bem, e aí usa a máquina. Não é assim?

Sabe por que ele faz isso? Está buscando o fio de rosca, a posição em que o parafuso está bem adaptado à configuração da rosca, quando então poderá ser apertado com segurança. Se fizer direto com a máquina e não assim, o parafuso pode “montar”, travar tudo, inclusive fraturar o parafuso.

Esse é um momento que exige a sensibilidade que só as mãos possuem. Já observou como alguns borracheiros mais cuidadosos gostam de fazer? Depois que colocam os parafusos com a máquina, dão um arremate final conferindo e apertando com a chave de roda.

Doutor, não se pode confiar 100% na máquina; a gente é que fez ela. Assim o Sr. José de Jesus, um homem simples, definiu a situação para mim. Alguma cultura, conhecimento acadêmico? Nenhum. Sabedoria? Sem dúvida.

Momentos iniciais dos instrumentos automatizados de níquel-titânio: Joguei fora todas as minhas limas manuais. Voce já ouviu isso alguma vez? Eu já.Várias.

As limas não fraturavam, podia-se usar como bem entendesse. Sondagem, exploração, “negociação” do canal (está na moda). Acabou tudo. Acesso feito, ponha uma lima NiTi, entre no canal, instrumente rapidinho e está pronto. Voce quer ou conhece coisa melhor do que isso? É bom demais. Muitos fraturaram instrumentos, encostaram as limas/motores.

Voce é coordenador de cursos de aperfeiçoamento e/ou de especialização. Percebeu como ficou difícil explicar aos “garotos” que lhe procuravam para fazer curso que não era bem assim. Percebeu que se deslocaram para outros que fazem assim? Voce pode dar a isso o nome que quiser, e acredito que alguns podem ser utilizados. Não, não diga isso, não seja tão agressivo, não são picaretas. Seja mais sutil. Diga vendedores de ilusão. Eles não vão entender o que é e você pode continuar a conviver com eles numa boa.

Momento atual do preparo automatizado: sondagem do canal com limas K 10 e 15, instrumentação automatizada com rotação contínua e/ou alternada com o sistema de sua escolha, refinamento do canal com limas manuais, como alguns sugerem, tudo isso dentro de uma perspectiva em que se consideram alguns aspectos, entre os quais, fazer o que é possível.

Dizem que o prazer do inteligente é se passar por idiota diante de um idiota que pensa que é inteligente. Tenho a impressão de que precisam conversar um pouco com o Sr. José de Jesus para incorporar sabedoria ao pouco conhecimento que têm.

Calibre das limas

Renato Amado Pacola:
Por que nas limas de 15 a 60 o número das limas aumentam de 5 em 5 e de 60 a 140 o número aumentam de 10 em 10?

Renato, a lima 15 tem o diâmetro de 0,15 mm em D1. Ela aumenta 0,05 mm e passa a ser 0,20 (lima 20) e assim sucessivamente. Da lima 60 em diante o aumento é de 0,1 mm, portanto, 0,60 + 0,1=0,70 (lima 70).

Limite O!!!

Adriana:
olá prof. qdo no caso de retratamento não se consegue chegar ao 0 apical, poderemos ter sucesso? obrigada

Adriana, no limite O seria o que, patência e/ou limpeza do forame? Esses procedimentos não são a garantia do sucesso, contribuem para ele. Pode ter sucesso sim.

Canal calcificado!!!

Raika:
Bom dia, chegou paciente com dente tratado edondonticamente ate o terço medio da raiz ( com dor),e o mesmo precisaria de um pino, minha recomendação é o retratamento do canal, apos a remoção da guta o canal esta calcificado ( do terço medio da raiz ate o apice) neste caso o que eu poderia fazer?

Raika, se estiver realmente calcificado, retrate a porção “retratável”. Observe que aí existem as questões da prótese, como o comprimento do pino, portanto analise bem com o protesista. Seria bom estudar bem o caso para ver a causa dessa dor da qual se queixa o paciente. É sempre bom lembrar que em algumas situações ainda há chance de encontrar o canal.

Um complemento importante

Cristiano:
Olá Prof. Dr. Ronaldo!, Em vários casos clinicos o sr. faz uma obturação “intencionalmente aquém”… realmente fiquei chocado… principalmente com os excelentes resultados… mas o “intencional” foi só para mostrar a importância suprema da limpeza e modelagem do canal??????

Cristiano, em primeiro lugar, não é uma proposta de como fazer a obturação. Não é para fazer assim. Segundo, você acertou. Como voce diz, “foi só para mostrar a importância suprema da limpeza e modelagem do canal”. Por algumas razões, já conhecidas, a obturação deve ser bem feita, porém o fator determinante do sucesso em endodontia é o preparo do canal. A obturação é um complemento, importante, mas um complemento.