Precisa secar o canal?

Susan:
Há necessidade de secar o canal com cone de papel absorvente antes da medicação intracanal? Resquícios de hipoclorito reagem com a medicação intracanal?

Susan, o canal deve ser “preparado” para receber a medicação intracanal (hidróxido de cálcio com soro fisiológico é a minha recomendação), o que inclui aspiração e secagem com cones de papel. Além disso, sugiro a remoção da camada residual (smear layer).

Tratamento conservador 2

Thais Galvão:
Ola Ronaldo!!1 Gostaria de saber qual o melhor material a ser usado em dente permanente com rizogênese incompleta e polpa viva? Li a respeito do hidroxido de cálcio e do óxido de zinco!!!Como que é essa técnica de apicogênese?

Thais, o tratamento endodôntico de canais com rizogênese incompleta e polpa necrosada é realizado com hidróxido de cálcio, preenchendo todo o canal. Após um tempo variável de tratamento forma-se uma barreira de tecido mineralizado, fechando o ápice, mas não há desenvolvimento radicular. É conhecido como apicificação. Nos casos de polpa viva, após capeamento direto, curetagem pulpar ou pulpotomia, faz-se a proteção do remanescente pulpar também com hidróxido de cálcio. Perceba que, diferentemente dos casos de necrose, essa substância é usada na câmara pulpar em contato com um remanescente tecidual (polpa) vivo e aí o desenvolvimento radicular terá continuidade. É a apicogênese.

Tratamento conservador

Thais Galvão:
Ola Ronaldo !!! Gostaria de saber qual o melhor material a ser utilizado em casos de dente permanente, com rizogênese incompleta e  polpa viva? Li a respeito do hidróxido de cálcio e do óxido de zinco!!!

Thais, você deve estar falando de tratamento conservador (capeamento direto, curetagem pulpar, pulpotomia), que é o mais indicado nesses casos. Recomendo o hidróxido de cálcio PA, preparado com soro fisiológico ou água destilada.

E agora?

Liliam Satller:
Cone ultrapassado,sem dor,pode levar a processo ou devolução de dinheiro?

Liliam, não tenho experiência com situações desse tipo, porém, vejamos o seguinte. Digamos que muitos profissionais, inclusive autores, defendam que a obturação deve ser feita a 1 mm aquém do ápice. É possível que, juridicamente, um advogado possa ganhar uma causa em caso de “qualquer” obturação que esteja fora desse padrão. Por outro lado, o processado poderá alegar que outros autores defendem outras medidas. E aí, quem ganha? O que ocorre é que é costume afirmar-se que a obturação, e é claro o limite em que é feita, é fator determinante do sucesso. Se os professores, de quem se espera um conhecimento que se justifique cientificamente, ensinam assim, que culpa tem o perito ou o protesista, que aprenderam dessa forma? Faço uma pergunta; qual é esse limite? Como na resposta anterior, se a ultrapassagem do cone é o único pecado, em outras palavras, se o tratamento foi bem realizado e esse acidente foi o único erro, não vejo muito como justificar um processo contra o profissional. Quem sabe seja interessante você se aconselhar com alguém que tenha experiência com extravasamentos de material obturador. É o que posso lhe dizer.

Cone ultrapassado

Liliam Satller:
Cone de obrturação foi ultrapassado 2mm. Paciente não relata sensibilidade! Devo retratar?

Liliam, a resposta a perguntas como essa irá sempre depender de algumas condições. Por exemplo, as respostas podem ser diferentes a depender de se o tratamento é realizado em canais com polpa viva ou polpa necrosada. Deve-se ainda levar em conta que retratar um canal é sempre mais difícil do que tratar e em alguns casos pode complicar mais ainda. E se, ao tentar remover o cone (algo que não é tão simples), você o projetar mais ainda para os tecidos periapicais? Diante disso, perceba bem o significado das minhas palavras: se o tratamento foi bem feito e a ultrapassagem do cone foi o único “erro”, não precisa retratar.

O malandro

Sexta-feira, cervejinha gelada, tira-gosto, jogando conversa fora, relaxamento, eu também sou filho de Deus. É muito bom. Descontração total, esquece-se de tudo, vive-se o momento. Quer coisa melhor?

Ouve-se também de tudo. Kaká é melhor do que Messi, ‘cê tá louco!!! Messi é melhor do que Pelé, você é maluco, é? Aquela mulher é um avião, não acho isso tudo não. Aquele cara é viado, ‘cê tá brincando!!!

Mesa vizinha, muito próximo, não pude deixar de ouvir que as pessoas não falavam muito bem do atual Presidente da República. É, mas temos que reconhecer que o cara é inteligente.

Inteligente, não, ele é malandro, ele é malandro.

Que se façam restrições a isso ou aquilo, que se façam restrições às limitações culturais (não confundir com inteligência), que se diga que não pertence à encantadora elite brasileira, que se diga que é um semi-analfabeto, que se diga que não daria um voto a ele, ou a quem quer que apoie, que se diga o que quiser, mas chamar de malandro o homem eleito o estadista do mundo (faço um esforço danado e não consigo lembrar de outro político brasileiro, de qualquer época, que tenha recebido essa honraria), para mim é um legítimo atestado de…

Não há mais o que dizer, trata-se de algo que só Freud conseguiria explicar.

Por duas vezes pelo menos, em épocas diferentes, o jornalista Luis Nassif foi bastante elogiado pelas pessoas Brasil afora por um texto que lhe foi atribuído, um texto de uma agressividade enorme contra o presidente. Percebi então que elas tinham um grande respeito pelo jornalista, a ponto de elogia-lo e espalhar o seu texto pela internet.

Nas duas oportunidades Nassif negou no seu blog a autoria do texto (qualquer um que o conhecesse minimamente veria que nem de longe, pela linguagem usada, poderia ser dele). Para mim, entretanto, ficou registrada a credibilidade que ele tinha diante das pessoas.

Recentemente, sob o título “Índia apoia Lula para a ONU”, essa notícia foi veiculada:

Após a derrota de seu candidato para o sul-coreano Ban Ki-moon em 2007, o governo indiano avalia que terá no ano que vem mais chances de indicar o próximo secretário-geral das Nações Unidas. Mas se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiver entre os postulantes, abriria mão da disputa por ver nele a personificação dos países emergentes e da capacidade de mediação entre ricos e pobres, disse ao UOL Notícias um diplomata ligado à Índia e à ONU.

Aproveito a credibilidade de Nassif para usar um comentário, agora sim, feito por ele (para confirmar a veracidade clique aqui), sobre essa notícia:

É possível criticar a política diplomática brasileira com profundidade ou com besteirol – como, por exemplo, chamar Lula de “simplório”  e Celso Amorim de “trêfego”, como fez o notável analista Otávio Frias Filho*.
Mas não há como bater contra os fatos. Hoje em dia o Brasil tem posição ativa no cenário diplomático internacional – muito maior, aliás, que a projeção da sua força. E Lula tornou-se um dos líderes mundiais mais respeitados e, seguramente, o mais admirado.

Como o mundo se engana. Estadista, não, ele é malandro, ele é malandro.

* Um esclarecimento: Na verdade, Luis Nassif foi irônico ao chamar de notável analista o Sr. Otávio Frias Filho, dono do jornal Folha de São Paulo. Quem acompanha as coisas da política fora do eixo da “grande mídia” sabe o que ele quis dizer.

Quarto canal! Onde?

Carlos Eduardo:
Bom, vou tentar sem bem objetivo, chegou um paciente no meu consultorio de aproximandamente ns 55 anos, com necrose pulpar do dente 17. Fiz o acesso a camara pulpar, penetração desinfetante, preparo biomecanico etc. Até entrão tinha notado apenas os 3 canais habituais. Na sessão em que fui obturar o canal suspeitei de um 4º canal, refiz a odontometria e notei q havia msm o 4º canal na raiz palatina. Gostaria que me dissesse sobre a frequencia desse 4º canal, alguma indicação de tratamento…etc. Muito obrigado!

Carlos, não é comum o 2o canal na raiz palatina, pelo contrário. O comum é o 4o canal ser na raiz mesio-vestibular, entre o MV e o P. O tratamento segue os princípios gerais dos outros canais, com os devidos cuidados com as peculiaridades anatômicas que alguns podem apresentar.

Fratura ou reabsorção?

Cassia:
Ola Ronaldo!!! fratura radicular…..paciente chegou no consultorio pq estava precisando refazer a restauraçao do 12,mas durante a remoçao do tecido cariado houve a comunicaçao com a polpa, sendo assim este dente indicado p fazer o canal.foi realizado abertura, instrumentaçao crown down, curativo hidroxido de calcio pa, a paciente sempre reclamando de dor durante a mastigaçao, realizei  ajuste oclusal e a paciente continua sentindo dor… apos a terceira troca do curativo realizei outro rx e observei uma fratura no terço apical. qual o melhor tratamento? como diferenciar fratura de uma reabsorçao? agora estou na duvida…e mais ou menos nos tres milimetros finais…. aguardo resposta.abraços.

Cassia, fratura ou reabsorção, ambas exigem um tratamento um pouco diferenciado, também a depender da condição de a polpa estar viva ou necrosada. Se for fratura, sempre que possível recomendo tratar o canal e manter o fragmento apical, quando não, trata-se a “porção coronária” do canal radicular e remove cirurgicamente o fragmento apical. No caso de reabsorção, o tratamento deve ser feito com hidróxido de cálcio. Contornado o problema, o canal deve ser obturado, possivelmente com uma técnica que plastifique a guta percha.

Não deu certo, retrata.

Rita:
Prof.,terminei um canal do elemento 46 ha cerca de uns 20 dias, pos o tratamento o paciente me relatou intensa dor e agora ha um edema intra osseo na regiao da raiz mesial com lesao periapical. O q fazer: retratar, acompanhar ou cirurgia paraendodontica?

Rita, é pouco provável que uma lesão periapical se manifeste radiograficamente após somente 20 dias de realizado o tratamento. De qualquer forma, diante do seu relato e da viabilidade, a opção mais adequada é o retratamento.

Alargou onde não devia?

Marcelo:
quando ocorre uma sobreinstrumentação e, durante a prova do cone, este fica 3 mm além da patência, o que eu faço? posso recuar os 3 mm e obturar ou preencho o conduto com CaOH2 e obturo em outra sessão, deixando o CaOH2 como tampão apical?

Marcelo, você pode fazer a primeira opção, porém há um grande risco de extravasamento de material obturador. Para diminuir as chances de extravasamento do cone, ele tem que estar muito bem travado (não associe o travamento ao vedamento hermético, um erro cometido durante muito tempo), mesmo assim, o cone vai lubrificado pelo cimento obturador, o que contribui para o seu “deslizamento” para os tecidos periapicais. Evitar o extravasamento do cimento obturador é mais difícil. Um recurso é não levá-lo na ponta do cone. Obturar com o tampão apical de hidróxido de cálcio é uma boa alternativa. Finalmente, há a opção de corrigir o CT, fazer nova instrumentação para criar uma matriz apical e obturar. Precisa analisar se já houve um alargamento acentuado porque, ao alargar mais para confecção da matriz apical, pode fragilizar as paredes remanescentes.