Extravasamanto de cimento obturador

Daniel Xavier:
Professor, primeiramente achei muito interessante o seu blog. É excelente para trocarmos experiências e tirarmos dúvidas. Bom, o meu caso é o seguinte:
Fiz o tratamento endodôntico do elemento 48, afim de ser usado como pilar de ponte-fixa. Ele estava hígido, e o tratei em 2 sessões. Na primeira fiz pulpectomia e odontometria. Remarquei a paciente e ela não teve queixa nenhuma de dor. Na segunda sessão eu terminei o canal. Na radiografia final percebe-se um leve estravasamento do cimento endodôntico. Usei o Endofil da Dentsply. Isso foi há uma semana e meia. No dia seguinte à obturação a paciente se queixou de dor. Eu a receitei Nimesulida 100mg. Passado 2 dias ela continuou sentindo incômodo no dente. Então receitei o Codaten 50mg (Diclofenaco Sódico + Codeína). É um medicamento mais forte, e só o receito quando a dor é muito intensa. Com uma semana a dor acabou, porém, ela começou a se queixar de parestesia no lado direito da mandíbula. Olhei a radiografia final e percebi q aparentemente havia proximidade da raiz mesial com o canal mandibular. Perguntei a outros Cirurgiões-Dentistas o que eu deveria fazer. Um buco-maxilo me sugeriu receitar o Kanakion. Medicamento de aplicação intramuscular. Gostaria de uma ajuda nesse caso.
Obrigado

Daniel, sinto pelas suas palavras que não foi intencional (ótimo), mas provavelmente essa dor é devida ao extravasamento do cimento obturador. Independente de qual seja, nenhum cimento deve ser extravasado. Quanto à parestesia, deverá passar, mas o tempo necessário para isso é variável. Acho que você não deve usar Kanakion. Pode até usar o Codaten, mas acho desnecessário (a paciente já está sem dor). Existem várias propostas de tratamento, porém, como a paciente não parece estar sofrendo, além do desconforto, sugiro fazer fisioterapia com compressas de água quente.

Endo-Orto

Rosamaria Sakaguchi Martins:
Prof Ronaldo,uma colega de trabalho que é ortodontista me apresentou uma radiografia de um incisivo central com tratamento endodontico e apresentava uma lesão periapical,a paciente relatou que faz 15anos que tratou o canal e que não sente dor,a dúvida é saber se pode movimentar o dente ortodonticamente e retrar o canal ao mesmo tempo sem que ocorra um dano maior. Ou primeiro retra o canal e depois faz a movimentação ortodontica?
Obrigada

Rosamaria, se houver realmente necessidade de retratar, é melhor fazer isso antes da movimentação ortodôntica.

“Lesão periapical” com polpa viva?

Igor Rocha:
Professor,tenho um caso clínico,que o rx mostra imagens radiolúcidas periapiciais nos dentes 41,42,31,32,22 e 12,porém todos estão vitais.O que pode ser e o que fazer?

Igor, isso é característico de displasia cementária periapical, comum nessa área. Pelo que você relata deve estar no primeiro estágio (imagens radiolúcidas). Se for, ainda passará por outras fases (focos radiolúcidos/radiopacos e radiopaco). Não deve ser tratado, só faça acompanhamento radiográfico do paciente.

Colunismo social

No Rio de Janeiro, há alguns anos, lendo o Jornal do Brasil, vi que Márcia Peltier estava à frente da sua coluna social. Confesso, fiquei desapontado. Sempre gostei dela como jornalista (quem lembra, uma loura bonita do Jornal da Manchete, faz tempo, não?). Por que o desapontamento?
Sempre tive uma certa dificuldade para encarar coluna social. Para mim é o espelho das almas vazias… veja mais

Colunismo social

No Rio de Janeiro, há alguns anos, lendo o Jornal do Brasil, vi que Márcia Peltier estava à frente da sua coluna social. Confesso, fiquei desapontado. Sempre gostei dela como jornalista (quem lembra, uma loura bonita do Jornal da Manchete, faz tempo, não?). Por que o desapontamento?

Sempre tive uma certa dificuldade para encarar coluna social. Para mim é o espelho das almas vazias. Concordo que alguns colunistas têm tentado dar um ar um pouco diferente, trazendo inclusive algumas informações mais “relevantes”, mas não me parece que estes sejam a tônica.

Ibrahim Sued, um clássico do colunismo social, era um homem de óbvias limitações culturais. Preencheu a vida de muita gente. Dizem que na verdade era um tremendo gozador e que, no fundo, gozava todos, ou quase todos, que ele colocava na coluna.

Zózimo Barroso do Amaral, outro bastante conhecido (confesso que não sei se ainda está vivo), talvez tenha mostrado todo o seu brilho ao fazer um comentário bastante pejorativo, de uma estupidez sem limites, a respeito de Bobô (lembra dele, jogador do Bahia, a elegância sutil de Bobô, segundo Caetano Veloso?).

Há alguns anos, o Bahia e o Flamengo foram campeões no mesmo ano, na Bahia e no Rio de Janeiro respectivamente. Lembro de uma coisa bem interessante que, tenho certeza, passou despercebido.

O presidente do Flamengo era Márcio Braga e noticiou-se que ele teria assistido a um determinado filme, não lembro qual, mas desses clássicos elogiados por todos, como parte das comemorações do título conquistado. Uma colunista social, muito conhecida na Bahia, fez um comentário na sua coluna sobre o então presidente do Bahia (aquele que chamam de eterno presidente e que com a conivência de parte importante da imprensa fez do Bahia o que ele é hoje, um arremedo de time). Mais ou menos assim o comentário: “Certamente Márcio Braga é um homem sofisticado. Se fosse o presidente do Bahia teria ido assistir ao Último Tango em Paris*”.

Não sei se ela era torcedora do Vitória e não estava conseguindo se conter. O mais importante, porém, é a tentativa de ridicularizar alguém, deixando fluir todo o seu provincianismo e absoluta falta de um grau mínimo de conhecimento, particularmente sobre o mundo do cinema.

Pelo contrário. O “então ontem hoje sempre eterno” presidente do Bahia jamais iria assistir a aquele filme, por uma razão bem simples; ele não ia entender nada. E ela, achando que ele iria assistir porque deve ter imaginado que era um simples filme de sexo, mostrou que também não entendia de nada.

Já viu essas revistas que você não tem o que ler? Só tem foto das pessoas mostrando aquele sorriso de uma vida feliz e plena (dizem as más línguas que elas brigam para sair na revista; será que é verdade?). Até vaso sanitário mostram. Não é um novo estilo de colunismo social?

Quem estava certo era Ziraldo ao lançar o slogan de sua revista Bundas: Quem mostrou a bunda em Caras, não mostra a cara em Bundas.

Meu pai era amigo de Enádio Morais (trabalharam juntos no Banco do Brasil), um dos diretores do Jornal da Bahia (aquele mesmo que o protetor da Bahia destruiu ‘não deixe essa chama se apagar’, lembra?). Não, não é da época de vocês. Aos 21 anos de idade, quando estava me formando em Odontologia, meu pai, um homem bastante simples do interior, me falou que Enádio Morais tinha oferecido a coluna social do jornal para colocar uma nota sobre aquele momento tão importante para a nossa família. Não, meu pai, na coluna social não.

Hoje, olho para trás e penso: aos 21 anos eu não sabia um bocado de coisa (ainda não sei), mas já tinha noções do que não queria.

 

* Último Tango em Paris – Filme de Bernardo Bertolucci, com Marlon Brando e Maria Schneider. Um bom filme, polêmico, de um diretor consagrado, com um dos monstros sagrados do cinema, Marlon Brando, que retrata a decadência da burguesia.

Dados perdidos

Olá pessoal, já disse anteriormente que por falta de tempo várias perguntas estavam acumuladas sem resposta no Blog da Endodontia. Aos poucos vinha respondendo a todas, porém tive um problema com o laptop e ele teve que ser formatado novamente, razão pela qual perdi alguns dados. O resultado é que inicialmente não pude recuperar os endereços e as mensagens antigas. Depois de tentativas consegui recuperar os primeiros, mas não os últimos, o que quer dizer que não tenho mais as perguntas que foram feitas. Por favor, quem quiser enviar novamente pode fazê-lo.
Aproveito para dizer que mais alguns artigos foram colocados na seção Artigos Publicados (veja aqui).
Obrigado.

Perfurou…?

Denise Alves:
Olá professor, gostaria que me orientasse no seguinte caso:
paciente chegou ao meu consultório para retratamento das unidades 11 e 12. Sendo que nessas unidades, o  tratamento foi realizado há 11 anos por  motivo,   segundo o pacie
nte, trauma. Durante esse tempo ele relatou sensibilidade na unidade 11. O paciente possui aparelho ortodôntico e durante esse tratamento, foi colocado um contemplado nessas unidades que  deslocaram e fez as raízes se tocar sendo necessário o tratamento das unidades. Depois disso,o paciente relatou ainda  origem de um cisto entre essas unidades e o mesmo foi encaminhado para cirugia parendondontica. Anos depois o paciente apresentou a necessidade colocação duas coroas nessas unidades. Foi quando o paciente me procurou para relatar sua historia e retratar os canais. Comecei a retratar a unidade 12 que possui uma lesão. Durante a remoção da GP  percebi um pouco de sangramento, mas pelo rx a lima encontra-se dentro do canal. Ao final da sessão, o paciente relatou um pouco de dor ao cimentar o provisório. E agora o que será que aconteceu será q eu perfurei? , será q há. uma reabsorção. Será que existe um segundo canal. Lembrando que o paciente possui lesão periapical e não sentia nenhuma sintomatologia nessa unidade apenas sentia na unidade 11 e esta não apresentava nenhuma alteração periapical.

Denise, todas as possibilidades estão abertas. Comece pela mais simples. Na próxima consulta observe com mais cuidado e veja se continua o sangramento. Não sei se você fez muita pressão para desobturar o canal, o que poderia desviar o instrumento e fazer uma perfuração. Lembre que a imagem é bidimensional e apesar de estar “dentro” do canal nessa perspectiva, pode estar no periodonto, por vestibular ou palatino. Faça incidências mesializadas e distalizadas para ver melhor essa possibilidade e converse com um radiologista, pois as mudanças de posição do instrumento podem orientar. Observe na radiografia pré-operatória para ver se havia uma reabsorção anterior à sua intervenção (geralmente dá para se ter algum indício). Se for possível para você e o paciente solicite uma tomografia computadorizada (cone beam).

A dor passa?

Carolina:
Olá minha dúvida é a seguinte: Fiz a endodôntia do dente 47 de um paciente, que foi realizada porque o mesmo apresentava dor pulsátil e espontânea devido a uma cárie profunda que já havia sido removida e feita restauração. Pois bem fiz o canal, localizei os 3 canais procurei um quarto canal mas achei, porém o mésio lingual era muito atrésico, não entrava gattes consegui apenas limar. Agora o paciente se queixa de dor espontânea e ao mastigar. Já prescrevi nimesulida, celestone, e dipirona mas quando para a medicação ele diz q continua a dor isto a 2 semanas. Gostaria de uma sugestão, vou ter que retratar o canal? Obrigada

Carolina, se for somente dor pós-operatória em caso de polpa viva, em princípio não precisa retratar. Quais foram os limites apicais utilizados, se você já obturou houve extravasamento de material obturador? Pode ser um quarto canal (não entendi se você achou ou não). Outras informações são necessárias.

Qual é a hora certa?

Veruschka:
Olá,Prof.Estou com uma duvida em um caso clinico,que chegou até a mim por conta de dor na UD 21,indicada por uma ortodontista.Porém quando radiografei constatei lesão periapical nas UD 12,11 21.Instrumentei os canais,e tratei com Caoh PA,no momento não ha mais sintomalogia,mas as lesões naõ regrediram totalmente.Devo esperar ou posso obturar.Corre risco de reabsorção?

Veruschka, a imagem da lesão periapical demora alguns meses para desparecer, portanto, tendo sido feito o controle de infecção (que se consegue com um bom preparo do canal), pode obturar. Nessas condições, se houver reabsorção será nos níveis normais inerentes à correção ortodôntica, se esta for bem conduzida.

É preciso agir

Vivi a minha infância em Juazeiro (da Bahia). Tempos maravilhosos. Da pré-adolescência até hoje, Salvador.

Os ídolos chegando, Elvis Presley, Beatles, Renato e seus Blue Caps, Hayley Mills, soldados nas ruas, Chico Buarque, Edu Lobo, Gil, Caetano, festivais de música da Record, sentimentos se misturando.

Uma imagem marcante. Garoto ainda, vi nas ruas toda aquela movimentação por conta dos primeiros momentos da revolução de 64. Pessoas correndo, a polícia batendo. Livros sendo jogados fora, queimados, é preciso se esconder. Depois, filhos, irmãos, pais, presos, torturados, exilados. Tempos difíceis.

Hoje, tempos diferentes, mas ainda difíceis. O que, você não acha? Respeito a sua opinião, mas são sim, tempos difíceis.

A começar pela “ausência” da juventude de determinados momentos do país. Não, não precisa ir às ruas brigar com ninguém, muito menos com a polícia. Inteirar-se um pouco dos assuntos que interessam à sociedade já está de bom tamanho. Tudo bem, eu sei que participam ativamente do Big Brother Brasil, mas estou tentando falar de outra coisa.

Este é um ano muito importante. O país do futuro, o gigante adormecido, parece que finalmente despertou e vive um presente que pela primeira vez é prenúncio de algo bom e consistente, uma realidade um pouco menos injusta, como nunca antes na história desse país.

Vivemos hoje numa sociedade, ainda que muito longe do que se deseja, onde as desigualdades econômicas se tornaram um pouco menores, onde alguns “sem tudo” passaram a ter um pouco.

Não tenho a menor idéia do que é isso. Não sei o que é dificuldade para sobreviver. Tenho o privilégio de viver longe desses problemas. Por que me preocupar com algo que não me atinge. Será?

É PRECISO AGIR
Bertold Brecht (1898-1956)

Primeiro levaram os comunistas
Mas não me importei com isso
Eu não era comunista

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os sindicalistas
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou sindicalista

Depois agarraram uns sacerdotes
Mas como não sou religioso
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

O país passará por momentos de decisão importantes neste ano e você será protagonista, você decidirá se ele avança mais ou retroage. Não veja só a grande mídia. Busque alternativas, e conheça mais o momento atual.

Feliz 2010.