É ou deveria ser?

Recentemente, Delfim Netto* publicou um artigo, cujo título é O fracasso da economia acadêmica. Ele começa dizendo que “em 1609, Galileu Galilei, (1564-1642) depois de ter aperfeiçoado um instrumento construído um pouco antes por óticos holandeses, produziu uma luneta que chamou de ‘Perspicillum’. Com ela deu origem a uma revolução na astronomia”.

Mais adiante, em outro parágrafo ele diz. “Mas qual a importância disso agora, há de perguntar-se, irritado, um daqueles economistas que se pensa portador da ‘verdadeira’ ciência econômica? Eu também uso a matemática! A pequena diferença é que o seu ‘tipo’ de conhecimento tem muito mais a ver com Aristóteles esteticamente matematizado do que com Galileu. Em lugar de tentar entender como funciona o sistema econômico, tenta ensiná-lo como deveria funcionar em resposta à beleza dos seus axiomas…”

Um conhecimento esteticamente matematizado pode nos levar a teorias interessantes. Mas, há um risco. Idealizamos tão bem, criamos teorias tão consistentes, que passamos a imaginar que aquela não é a última palavra, é a única. Pelas formulações que fizemos, pelas respostas que encontramos, muitas vezes passamos a ensinar não como funciona, mas como deveria funcionar. A prática às vezes nega. Nem sempre é como se imagina.

Mas, isso é ciência, é assim que ela funciona. Ocorre que a hegemonia do pensamento muitas vezes retarda de forma exagerada o avanço da ciência. Reinou absoluto durante muito tempo, mas o sistema financeiro desmoronou. Nele, não havia espaço para o outro, para uma outra forma de pensar. Mas, adaptando a frase de Delfim Neto, “qual a importância disso agora, há de perguntar-se, irritado, um daqueles endodontistas que se pensa portador da ‘verdadeira’ ciência endodôntica”?

Já fiz algumas vezes a analogia entre as descobertas de Galileu Galilei (posteriormente às de Nicolau Copérnico), e as resistências encontradas quando se vai de encontro aos dogmas da Endodontia. Já que Delfim Neto falou em Aristóteles e Galileu, permita-me acrescentar algo. O pensamento Aristotélico era o reinante na época, o que a própria Igreja Católica seguia. Foi justamente esse o receio maior de Galileu (já tinha sido antes de Copérnico), ir de encontro ao pensamento que reinava. Quando o fez, foi condenado. Ele contestou um dogma científico. Não se faz isso sem pagar um preço.

Quando Larzs Spangberg, um investigador biológico consagrado em toda a comunidade científica endodôntica, disse no editorial de 2003 do Oral Surgery… que “todas as informações obtidas das pesquisas endodônticas de laboratório precisam ser sistematicamente provadas em estudos clínicos randomizados para distinguir fato de ficção”, é bem provável que ele já tivesse percebido a curta sobrevida da ciência sem a clínica.
 
Qual é a concentração de hipoclorito de sódio que você usa? Qual? Ah, sim, 2,5%. Você sabe que até bem pouco tempo atrás você seria condenado, como Galileu foi, por dizer isso? Por que? Porque os trabalhos mostravam que essa concentração era altamente tóxica aos tecidos vivos. Pelo que mostravam os resultados, tinha-se que usar solução fisiológica para irrigar os canais, porque essa concentração é biocompatível. Uma beleza de axioma**.

Aceitou-se depois, o hipoclorito de sódio a 0,5% e mais tarde a 1%. Por que hoje se usa cada vez mais o hipoclorito de sódio a 2,5%? Porque além da beleza das estrelas, há algo mais no firmamento. Interpretou-se o trabalho de Grossman e Meiman como algo que indicava a necessidade de baixas concentrações de hipoclorito de sódio. Não seria o contrário, isto é, pelas dificuldades de se remover o conteúdo do canal, dever-se-ia utilizar uma concentração que proporcionasse maior ação solvente?

Para proteção dos tecidos ápico/periapicais, particularmente do coto pulpar, era fundamental a colocação de uma “gota” de hidróxido de cálcio sobre o coto pulpar. Uma beleza de axioma. A clínica não foi capaz de confirmar a viabilidade desse procedimento na rotina dos consultórios.

Por que não instrumentar o canal cementário? Para não agredir os tecidos periapicais. Os trabalhos mostram que quando se manipula o forame gera-se uma reação inflamatória nos tecidos (periapicais) vizinhos. O canal cementário é, assim, uma região sagrada. Uma beleza de axioma. Será que entendi bem? Quer dizer que um determinado segmento do organismo humano, mesmo infectado, é sagrado, não deve ser manipulado, é isso?

O pensamento Aristotélico diz, ao longo desses últimos mais de cinquenta anos, que se a obturação do canal não for hermética não há sucesso e vários trabalhos “provaram” isso. Daí a necessidade de se vedar todas as entradas/saídas do sistema de canais. Onde estão os registros da confirmação dessa teoria na literatura? A hegemonia do pensamento não permitiu sequer a discussão da sensatez e viabilidade da concepção. Que se condenem e levem à fogueira idéias contrárias.

Já disse em outra oportunidade que não basta elaborar belas hipóteses e a partir delas ensinar como fazer um tratamento endodôntico. É preciso saber e entender o que ocorre no tratamento endodôntico, para que se possa ter a melhor noção da validade ou não dos nossos postulados teóricos na aplicação clínica. A Endodontia registra alguns momentos em que os resultados clínicos entraram em choque com o que se idealizara nos laboratórios.

O neoliberalismo é um modelo falido, e com ele faliu o mundo. O interessante é que alguns cardeais do neoliberalismo estão negando o que fizeram e já estão dando entrevistas de como as coisas devem ser feitas para salvar o mundo (no Brasil, todos os dias estão na televisão dizendo o que o governo deve fazer). O sufocamento de novas idéias parece ser comum  também na ciência endodôntica. São criticadas com o devido respaldo do conhecimento esteticamente matematizado. Mas, como diz Victor Hugo***, “é possível resistir à invasão dos exércitos, não à invasão das idéias”. Diante do surgimento delas, ensinam a fazer. E desejam assumir a paternidade.

Adaptando a frase de outro artigo de economia, desta vez de Dani Rodrik****, a culpa não é da endodontia, é dos endodontistas.

* Antônio Delfim

Netto – economista e político paulista.
** Axioma – premissa imediatamente evidente que se admite como universalmente verdadeira sem exigência de demonstração.
*** Victor Hugo – (1802-1885), escritor e poeta francês de grande atuação política em seu país.
**** Dani Rodrik – economista americano, professor na Escola de Governo, de Harvard.

Um convite honroso

Recebi um convite que me deixa alegre e honrado; escrever um texto sobre “Quais as perspectivas da pesquisa em endodontia?”, para ser postado no Blog da Equipe de Endodontia de Campinas. Pelo que pude perceber, parece que alguns professores do Brasil foram convidados a emitir as suas opiniões. O curioso é que estava escrevendo um artigo para o Conversando com o Clínico do nosso site que, de uma certa forma, também aborda esse tema. Sei que textos para blogs devem ser breves e tentei faze-lo o menor possível. Espero que eles gostem.

Publicarei em breve no Conversando com o Clínico o artigo que falei que estou escrevendo com abordagem semelhante ao acima comentado. Por enquanto, resolvi publicar o que enviei para os professores de Campinas. Veja aqui.

Se voce deseja ver o Blog da Equipe de Endodontia de Campinas, clique aqui

Através do Prof. Carlos Bueno, mando um abraço para os professores da Equipe de Endodontia de Campinas.

Quais as perspectivas da pesquisa em Endodontia?

Em qualquer área do conhecimento humano a pesquisa desempenha um papel fundamental. Tratando-se de Ciências da Saúde, a importância do seu papel se manifesta com força maior ainda.

Não seria diferente, e não é, na Endodontia. Todos, pesquisadores e clínicos, sabem disso. Ocorre, porém, que na Endodontia a pesquisa ganhou conotações perigosas e equivocadas. Parece ter havido em determinado momento o desejo de se considerar pesquisa somente aquilo que era feito em laboratório, e, portanto, só se reconhecia como pesquisador quem assim fazia. Graças a essa concepção, houve um distanciamento entre a pesquisa, como ela era vista, e a clínica. Esta parecia representar somente o ponto de desague dos experimentos laboratoriais, não tinha importância.

Esse distanciamento muitas vezes não permitiu que se percebesse que não basta elaborar belas hipóteses e a partir delas ensinar como fazer um tratamento endodôntico. É preciso saber e entender o que ocorre no tratamento endodôntico, para que se possa ter a melhor noção da validade ou não dos nossos postulados teóricos na aplicação clínica. E a Endodontia registra alguns momentos em que os resultados clínicos entraram em choque com o que se idealizara nos laboratórios.

Quando se fala em pesquisa não se pode desconsiderar a pesquisa clínica, aliás, o que sempre foi da maior importância em todas as áreas da Medicina, onde a pesquisa clínica anda de mãos dadas com a laboratorial. Dentro dessa perspectiva, das necessárias evidências científicas e clínicas, há um espaço enorme para o desenvolvimento da pesquisa bem direcionada em Endodontia, o que traz de volta ao cenário endodôntico alguém que jamais devia ter ficado de fora: o endodontista.

Assim caminha a humanidade

Assim caminha a humanidade *

Passamos vários carnavais juntos, eu e Sérgio, médico, radiologista, sem dúvida, o maior amigo que já tive. Constituímos o que se costuma chamar de amigo-irmão. É aí que muitas vezes a vida, se não é cruel, tem momentos de crueldade. Ela nos leva por diversos caminhos, o que com alguma freqüência separa os amigos. Apesar da ausência de convivência, acho que ele será sempre o maior amigo que pude ter.

Ficávamos sempre no que chamávamos de QG (quartel general), um apartamento que era, como o nome diz, o nosso quartel-general durante todo o carnaval. Ali, desde a sexta-feira (o carnaval de Salvador ainda começava no sábado), ficávamos até a quarta-feira de cinzas. Tinha pão, queijo, presunto, leite, ovos, um pequeno arsenal para recompor as energias, e muita, muita cerveja e whisky.

Lá nos abastecíamos para ir para a avenida. Durante alguns belos anos saímos no Bloco do Jacu (se não me engano, apenas em um carnaval) e depois no Amigos do Barão, blocos inesquecíveis do carnaval de Salvador. À noite íamos para os bailes nos clubes (ainda existiam), principalmente o Clube Bahiano (com h mesmo) de Tênis, e quando voltávamos destes, geralmente pelas 6 da manhã, dormíamos, para recomeçar tudo por volta das 10 ou 11 horas, lógico que também da manhã. Bom demais. Em alguns desses carnavais outros amigos também ficaram e outros tantos por lá circulavam o tempo todo. Por lá também passaram algumas amigas. Uma maravilha.

Foi em dois ou três desses carnavais que também ficou um dos nossos amigos, um engenheiro. No mesmo esquema, durante cerca de três carnavais ele foi membro do QG. Em uma dessas vezes, depois de acordarmos, já naquela faixa de tempo em que reaquecíamos os motores, entre as 11 e 15:00, estávamos na janela do apartamento conversando. Décimo quarto andar, edifício Serra do Crepúsculo, Ladeira da Barra, com o mar do mundo todo à nossa frente e ao fundo a Ilha de Itaparica (será que existe algo melhor?), ele disse: “um dia ainda vou ser rico, não sei como, mas vou ser, nem que tenha que casar com mulher rica”. E arrematou; “meu sonho é ter uma construtora como a …”.

Conseguiu os dois. Tornou-se um importante empresário, dono de grande construtora, um homem poderoso. E, é lógico, não podia ser diferente, bajulado, paparicado.

Uma vez, durante o coquetel de inauguração da sede de um clube social que a sua empresa tinha construído, eu o vi com toda a sua diretoria, ou pelo menos boa parte dela. No mundo contemporâneo, onde tudo é possível, onde tudo se faz, onde se faz qualquer coisa para atingir os objetivos, a minha estúpida ausência de contemporaneidade me tortura. Vender a alma sempre foi demais para mim. Não consegui ir até ele e cumprimenta-lo, não fui capaz. Fiz de contas que não vi.

Há alguns anos soube que, percebendo a pobre relação entre ele e os filhos, começava a leva-los à Fonte Nova para ver o Bahia jogar (quando ainda valia a pena, e agora começa a valer outra vez). Quantos desejariam e desejam ser ele. Por outro lado, em quantos momentos ele deve ter sentido um vazio enorme e buscou o conforto no reencontro com os filhos. Que bom esse reencontro, melhor seria se fosse algo tão forte que o fizesse repensar os valores da vida.

Acredito que muitos conhecem histórias parecidas com essa. Conheço algumas. Quantas vidas perdidas, vazias, uniões desastradas (a rigor, algumas nunca existiram), por interesse. Apesar dos óbvios reflexos (será que não são tão óbvios assim?), vemos os filhos demonstrarem comportamentos semelhantes ao visualizarem "bons partidos”. Uma loucura.

A vida tem ou não tem momentos de crueldade? Deu saudade dos tempos de carnaval. Por falar nisso, Sérgio, um grande abraço, um abraço de amigo-irmão.

* “Assim caminha a humanidade” é o título de um antigo e belo filme com Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean, cujo título original é Giant.

Uma grande farsa (mais uma)

Existem duas cidades fortemente marcadas pela presença do negro no Brasil; Salvador e Rio de Janeiro. Não se pode ter nenhuma dúvida que graças a esse detalhe, elas se destacam em vários setores e chegam a ser únicas. A riqueza na culinária, religiosidade, dança, música, só para citar alguns, dessas cidades salta aos olhos. Salvador, a cidade mais negra do Brasil.

Os historiadores confirmam as diferenças existentes entre os negros que vieram da África para Salvador e Rio de Janeiro. Famílias diferentes, costumes, traços pessoais e até condições financeiras diferentes.

Nessas cidades nasceu o samba (a origem primeira é Salvador), “o ritmo nacional por excelência”, a música mais universal brasileira. A presença, a batida, o gingado, a musicalidade do negro, exercendo influência em vários dos maiores músicos do mundo.

O carnaval sempre foi definido como festa de intensa participação popular. Nessas duas cidades, os carnavais mais fortes do Brasil, e como tal uma enorme força para atrair os grandes interesses comerciais. Foram se modificando com o tempo.

O carnaval de Salvador, como aliás as coisas de Salvador, não é estático, tem uma dinâmica muito própria. Sofre críticas, entre elas a ausência de participação popular, já que os blocos ocupariam as ruas, impedindo que o povo brinque. Grande bobagem, uma crítica com outras intenções e qualquer hora falaremos mais especificamente sobre isso.

Carnaval do Rio, samba do início ao fim, ótimo. A cada ano, novas sambistas se destacando. Chego na sala e vejo uma reportagem da Rede Globo mostrando a Miss Brasil, uma nova sambista que pintava no pedaço, sambando. Uma das cenas mais grotescas que pude ver, absoluta, flagrante, completa ausência de sintonia entre ela e o samba. Para quem? Por que?

Todos cedem à presença de figuras que nunca tiveram, não teem (a nova ortografia diz que deve ser assim) e jamais terão qualquer ligação, por menor que seja, com o samba, com o negro, ou com os brancos/negros. A serviço de quem?

Abro um parêntese. Olá pessoal do Filhos de Gandhi, está a mesma coisa aí, uma brincadeira de mau gosto, gente que não tem nada a ver com o afoxé, um horror. Convidem logo Brad Pitt, George Clooney, Beckhan, é melhor e entra mais dinheiro.

Luma de Oliveira, Adriane Galisteu, Luiza Brunet, Juliana Paes, e tantas outras (parece que também até os intelectuais do Big Brother Brasil, ou é Brazil? sempre esqueço) de menor importância. O que teem a ver com o carnaval? Absolutamente nada. Para elas, uma belíssima oportunidade para aparecer. Chegam a ser rainha de uma escola em um carnaval e de outra em outro, numa grande demonstração da ligação umbilical com a escola. O espaço que antes era dos passistas, mestres sala, do homem e da mulher do morro, esses sim, com o amor pela escola de samba correndo sem controle pelas veias, agora é delas.

O morro passa o ano entregue ao trabalho da escola. Você vai lá? Muito menos elas. Chegou janeiro, verão, academia, ensaio das escolas, televisão em cima, as grandes sambistas aparecem e sobem o morro, outra vez numa grande demonstração da ligação umbilical com a escola. E tome aula de como sambar.

Chegou o carnaval. Os melhores momentos das câmeras da televisão agora são dispensados a ela, a grande sambista do Brasil; Luma Galisteu Brunet de Paes. Com sua roupa (?) deslumbrante e o samba no pé como ninguém mais, encanta a todos.

Quase esqueço. Onde está o povo? Onde está a intensa participação popular? Nas arquibancadas, aplaudindo.

Deveria causar estranheza a grande mídia alardeando aos quatro ventos a originalidade do carnaval carioca. Há muito tempo a grande mídia brasileira não surpreende mais ninguém que tenha mais de dois neurônios funcionando.

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Fábio:
Olá Prof.!!! Estou com um problema! Hj instrumentando um canal (36), tive a infelicidade de fraturar uma lima 30 no canal mésio-lingual, fraturei 4 mm de lima. Preciso de ajuda, por favor o que faço?
Obrigada,

Fábio, a sua situação é muito semelhante à de Dayana Vilela. A solicitação dela e a resposta estão num post logo abaixo. Acredito que a resposta para o seu caso seria a mesma. Dê uma olhada e se você ainda desejar algum detalhe a mais, verei se posso ajuda-lo. Se puder, terei alegria em faze-lo.

Você já amou realmente uma mulher?

Hoje, dia 08 de março de 2009, é o Dia Internacional da Mulher. Poderia tentar escrever algo a respeito, mesmo sabendo que jamais terei a capacidade de escrever alguma coisa que esteja a altura da mulher. Mesmo assim, poderia escrever. Poderia também aproveitar um texto que escrevi há poucos dias falando do homem, das suas dificuldades para amar realmente a mulher. Este texto está pronto e qualquer dia será postado aqui no site.

Não vou fazer nada disso agora. Vou fazer algo muito melhor. Vou reproduzir um texto que recebi há poucos dias pela internet. No e-mail consta que o autor é desconhecido, mas que seria um fotógrafo e que ele teria dito isso numa exposição de fotografias.

Não conseguiria escrever algo assim, sensível e forte, terno e seco (no sentido de direto), tão verdadeiro que deve doer aos corações mais sensíveis. Resta-me o consolo de que em alguns momentos ele usa as mesmas expressões que uso no texto ao qual me referi acima. Neste texto, de um autor desconhecido, vai o meu desejo, o desejo de um homem que insiste todos os dias em querer aprender a amar a mulher.

Gostar de mulher

Para fotografar nu feminino, é preciso gostar de mulher. Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo.

Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso.

Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher são necessários outros requisitos que são raros. Por isso a mulherada anda insatisfeita.

Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, a sensibilidade para cativa-la a cada dia, não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher, o que é bem diferente. Gostar de mulher é algo além. É penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso, que é muito mais espontâneo que o nosso. Gostar de mulher é querer faze-la feliz. Levar flores sem nenhum motivo, a não ser o de ver o seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas.

O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim, com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida.

O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.

“Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro”, afirmou Vinícius de Moraes no poema; Para amar verdadeiramente uma mulher, o homem deve ser totalmente fiel… traí-la, jamais! Ama-la até a raiz dos cabelos. Admira-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar… e principalmente conquista-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez.

O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, não se iluda… não gosta nem um pouco de mulher. Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostam de mulher é que conquistam várias vezes, a mesma mulher.

E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância, do impenetrável universo feminino. Gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torna-las cativas e sim liberta-las, admira-las em sua insuperável liberdade.

Uma das músicas com que mais me identifico é uma inglês, por incrível que pareça. “Have you really ever loved a woman”. É do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer “você já amou realmente uma mulher?”. Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dar-lhe apoio, para amar realmente uma mulher. Essa música é perfeita.

Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora… gostar de mulher, é dificílimo.

Permito-me acrescentar uma frase de Nietzsche* “Somente sendo homem consegue um homem liberar a mulher em uma mulher”.

O filme a que o texto se refere é estrelado por Marlon Brando, Johnny Depp e Faye Dunaway, um dos mais belos que já assisti. É um hino ao amor entre homem e mulher, esse amor de que fala o texto. Acho que todas as mulheres e homens, particularmente estes, deveriam assisti-lo. Homem e mulher se amando como deveria ser, uma sinfonia perfeita.

A música, também lindíssima, serve como pano de fundo ao e-mail que recebi com o texto. Na verdade, o nome correto é “Have you ever really loved a woman”. Está aqui, como um presente para os ouvidos, mas, sobretudo para o coração. Clique aqui  e curta essa delícia.

* Friederick Nietzsche – filósofo alemão do século XIX, uma das mentes brilhantes da humanidade.

Ninguém se manifestou!!!

Fausto Costa:
Colegas peço mais uma vez ajuda de vocês.Meu paciente apresenta uma lesão periapical de aproximadamente 20mm, entre o 22 e 23, relatou que o dente está aberto há mais de ano, neutralizei o canal fiz desbridamento e um aboa instrumentação com hipoclorito a 2,5% e medicação calen com PMCC, 1 vez por mês já foram feitas 3, a lesão não regrediu nada, sente sensibilidade a percussão, o que devo fazer agora???pelo tamanho da lesão será se devo partir para a cirurgia paraendodôntica?

Em comentários do post “E a vida volta ao normal” Fausto Costa colocou um comentário (desde o dia 26/02/2009, esse aí em cima) com um pedido de ajuda. Ninguém quis se manifestar e dar uma opinião? Vou dar a minha e peço a ajuda de vocês com outras considerações. Vamos tentar ajuda-lo?

Fausto, é possível que você tenha que recorrer à cirurgia, afinal existem casos que por razões diferentes podem não responder favoravelmente. Avalie as condições clínicas do paciente e, em função disso, se necessitaria de um suporte medicamentoso com antibióticos. Além disso, como não sei como você faz o desbridamento, o que tenho sugerido para situações como essa é passar cerca de 3 mm do forame apical e instrumentar (raspar) as suas paredes de forma vigorosa com o instrumento que se ajusta às suas paredes e mais 3 em aumento sequencial de calibre (pode “raspar” sem medo, não é o que será feito na cirurgia?). Faça a remoção da camada residual (smear layer) com EDTA agitado (faço com Lentulo) e deixado em repouso por pelo menos 3 minutos. Em seguida, uma irrigação com hipoclorito de sódio a 2,5%, também agitando com lentulo e deixando em repouso pelo menos por 5 minutos dentro do canal. Se você quiser pode aquecer ligeiramente o hipoclorito de sódio. Experimente então o hidróxido de cálcio manipulado somente com soro fisiológico (pode ser água destilada ou anestésico).

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Dayana Vilela:
Olá Prof.
Professor,estou  com um “probleminha” o  qual  queria muito  sua ajuda pra  solucionar.
Estou tratando o canal do dente 46 de meu paciente,o qual estava ocorrendo tudo  otimo,e no momento  da  instrumentação ocorreu  a  fratura do instrumento 30 no terço medio.Prof,.tem como remover?,Ja tentei remover ela varias vezes e não consigo,cologuei muito EDTA,limei mas não consigo..o  que  devo  fazer?

Dayana, pode ser removido sim, mas nem sempre se consegue. A primeira coisa a fazer é passar por ele e em seguida definir como se vai tentar. O método clássico seria a remoção com uma lima H que também passe por ele. Com movimentos de apreensão das suas lâminas ao instrumento fraturado, tente puxa-lo, o que pode levar à necessidade de algumas tentativas. Você também pode tentar a remoção com o ultrasom. Finalmente, em qualquer uma das opções, se você tiver uma lupa ou micoscópio, certamente terá miores chances de sucesso. Deve ser dito que qualquer das manobras exigirá um pouco de conhecimento e experiência.
Um detalhe de grande importância: se não for possível remover, mas consegue passar por ele, isto é, tem acesso normal a todo o canal, prepare-o como se nada tivesse ocorrido. Daí em diante, execute os mesmos passos que você normalmente executaria e conclua o tratamento. Nesse caso, as suas chances também são boas.