Reação antígeno/anticorpo

Já tinha visto no programa de seu curso antes. Imaginei; ele deve estar estudando muito. Ninguém põe um tópico desse no curso sem que esteja estudando muito e dominando o assunto. Não era o perfil dele, mas, enfim.

Fui então assistir ao curso. Sábado pela manhã, cheio de expectativa, lá vou eu. Bela oportunidade para aprender. Notei que ele ficou um pouco desconfortável quando me viu entrando na sala.

Vi se repetir o que eu já imaginava e tinha visto anteriormente. Nada. Mas ainda restava a reação antígeno/anticorpo, ela ainda viria, tinha que vir. Veio. Você não pode fazer isso, aquilo, aquilo outro, porque dá uma reação antígeno/anticorpo. Você não pode usar essa irrigação, aquela medicação, porque pode dar reação antígeno/anticorpo. Não entrou, aliás, não passou nem pela porta.

Chocado? Decepcionado? Não. Era ele. O de sempre. Quantos existem? Não sei, mas tenho visto. Alguns me decepcionam porque não esperava isso deles, outros não.

Não sei se você imagina o quanto a condição de professor mexe com o homem. Ela o torna especial. Ter a condição, o conhecimento, a oportunidade de formar alguém é sagrado. Acredito que, se houver, poucas coisas devem proporcionar alimento tão rico em nutrientes para o ego como ser professor. Para um jovem então, incontrolável. Acho que posso dizer, com poucas chances de errar, que todos, isso mesmo, todos, que tiveram uma oportunidade de se dirigir a uma platéia como se fosse um professor, teve ali um momento de glória, sensação prazerosa e indescritível.

Ocorre, porém, que algo tão nobre nem sempre é tão nobre. Um hábito antigo, e cada vez mais praticado, a aula com o retorno, a aula de onde se tira proveito. Você falou a satisfação de ser professor ou o aprendizado? Errou. Estou falando de outra coisa. Da divulgação do nome e o retorno no consultório, na forma de indicação de pacientes. Há outro; a procura pelo curso daquele “professor”. Aquele, que mostrou que técnica tal ninguém usa mais, que os professores que usam isso, aquilo e aquilo outro estão superados.

Você deve estar me achando um babaca, isso sempre existiu. Concordo. Só quero que me permita uma coisa: o direito de ainda me indignar, pode ser?

Vejo que hoje cada vez mais prevalece o marqueteiro, não o professor. Não estou falando das conferências e cursos nos congressos, jornadas, meetings (adoro essa palavra), porque seria covardia, é o que mais se vê hoje. Estou falando das salas de aula, na graduação, na faculdade. Gente, está demais (lembre que você me permitiu). Não tem mais aula. É marketing puro, apresentação de casos clínicos (daqueles que você só vê no cinema). Alguns citam o nome dos pacientes, claro que de pessoas com alguma notoriedade. Se for artista, é uma maravilha (nessas horas uma foto com o artista cai bem, vá por mim).

São várias as formas. Um colega me contou que há pouco tempo, tendo ido com outros colegas da turma a um consultório para ver uma demonstração (o que, workshop?) de um determinado procedimento, percebeu sobre a mesa um motor para preparo automatizado do canal (não era esse o tema da demonstração). Ah! Você também já está com o seu! Resposta. Olha, já uso há muito tempo e não consigo mais trabalhar sem ele. Mentira. O colega que fez o comentário sabia, por uma razão bem simples. Aquele tinha chegado junto com o dele (a dental informara a ele), que tinha chegado há cerca de 10 dias. Somente ele sabia disso, mas é claro que contou aos outros 11 alunos. E a mim.

Algo nos falta; humildade. No dia em que ela nos permitir entender que o conhecimento é limitado, teremos conseguido um pouco de sabedoria, e aí ficará mais fácil. Não teremos que falar do que não sabemos. O risco é enorme. Pode ter certeza; haverá sempre a possibilidade, pelo menos isso, de ter alguém na sala que sabe.

Limite apical de trabalho

Instrumento de aço inoxidável ou níquel-titânio? Instrumentação manual ou automatizada? Ah! Joguei fora todas as minhas limas manuais (era assim que falavam), só preparo canal com rotatório (era o máximo dizer isso; parece que para alguns ainda é). Hipoclorito de sódio ou detergente? Hipoclorito de sódio a 0,5% ou 1%? Hipoclorito de sódio a 2,5%. O que, você ‘tá louco? Hidróxido de cálcio ou corticóide? Hidróxido de cálcio ou PMCC? Hidróxido de cálcio com soro fisiológico ou com PMCC? Sobre obturação e cimento obturador não vou falar não, foi tanta bobagem dita que não vale a pena repetir.

Muitas discussões interessantes existiram ao longo desses últimos anos. Mas, se você lembrar bem, vai perceber que a discussão sobre o comprimento de trabalho estava meio acomodada, quase não se discutia mais sobre isso. Qual era a preocupação maior, lembra? Não tocar no coto pulpar. Não pode sobreinstrumentar (era assim que se falava, deixando bem claro que era um excesso, uma extravagância). Essa região é sagrada. Não foi assim que você aprendeu?

O “maior consenso” para a polpa viva era 2 mm aquém do ápice, por causa do coto pulpar, e na polpa necrosada 1 mm. E pronto. Está bem, concordo com você, existem outras medidas um pouco diferentes, mas estou falando do que era, e ainda é, o mais comum.

Muitas discussões interessantes, mas também muitos equívocos.

Já tive oportunidade de dizer em alguns momentos, inclusive em outro artigo desta seção (clique aqui para ler), que faço limpeza do forame há 21 anos (completando 22 anos neste mês, janeiro de 2009). Vários dos nossos artigos, alguns dos quais podem ser lidos na seção Artigos Publicados aqui no nosso site, e o nosso livro, Endodontia Clínica, dedicam bastante espaço a esse tema. E é claro que falar de limpeza de forame significa falar de comprimento de trabalho ou, limite apical de trabalho. Hoje vejo com muita alegria que este é um tema bastante discutido, voltou à tona.

Por que essa alegria? Observe que se tem discutido muito sobre a relação biologia/técnica. À parte a radicalização que em alguns momentos domina essa discussão, dois pontos sempre foram muito importantes, e também motivo de discussão acirrada: o alargamento do canal e o comprimento de trabalho. Você concorda comigo se eu disser que podemos chamar de limite lateral de trabalho e limite apical de trabalho? Ótimo.

Qualquer procedimento em Endodontia envolve técnica e biologia, por mais que alguns tenham enorme dificuldade em entender isso. O limite lateral de trabalho não foge à regra, pois implica em ação mecânica sobre tecidos. Acredito, no entanto, que, mais que este, o limite apical de trabalho reflete melhor essa relação. Talvez pelo fato de que o alargamento do canal mantém o endodontista “confinado” nas estruturas mineralizadas do dente. O limite apical já o põe mais em contato com a “intimidade” do organismo, via tecidos periapicais. Mais do que nunca, impõe-se a necessidade do conhecimento desse organismo, dos seus constituintes, das suas reações. Aí está a riqueza deste momento. Finalmente, desta vez a discussão não é “somente” sobre o limite apical de trabalho. Deixe-me explicar.

Um dos maiores equívocos que se cometeu, e que ainda se comete, foi discutir esse tema sob a ótica dos números. Discutia-se o quanto ficar aquém. Raras vezes, e nos últimos tempos nem isso mais, procurava-se mostrar aos alunos o porque daquele limite. Sei que você vai dizer que explicaram sim, meu professor disse que é porque… Não é bem assim. Não pode por causa do coto pulpar. Não pode traumatizar o tecido, que ele vai inflamar e pode necrosar (como se necrose impedisse reparo). Essa, quando muito, era a explicação. Tanto que poucos sabem o que é coto pulpar, pensam que é uma coisa e é outra. O que se sabe é que não se pode tocar nele. Alguém, por acaso, na hora da odontometria já fez cálculos matemáticos (eu fiz inúmeras vezes) para não passar de 2 mm? E por que isso?

Todo professor gosta (gente, o nosso ego é enorme) de dar curso em auditórios com grandes platéias. Você acha que eu detesto? Claro que não. É antes de tudo uma bela oportunidade de mostrar o seu trabalho para mais pessoas. Mas também adoro quando viajo para dar aulas para turmas menores (especialização, mestrado, etc) porque aí podemos detalhar bem. Aí podemos mostrar que coto pulpar não é coto pulpar e que não pode ser visto como tem sido até agora.

Que não fique aqui, entretanto, a idéia de que se trata simplesmente da sua remoção, até porque como esta tem sido defendida, muito mais lacera do que remove. Tem-se recomendado a correção de um erro com outro erro. A discussão desse tema implica em algumas horas e talvez não caiba aqui e agora. Quem sabe num outro momento.

Por outro lado, a questão da limpeza do forame nos casos de polpa necrosada precisa ser melhor entendida. Em primeiro lugar, no seu consultório, quando você vai tratar um canal com polpa necrosada, sempre sabe o limite exato até onde ela está necrosada, se ainda falta 1 ou 1,5 mm ou faltam 2 ou 3 mm para necrosar? Sabe se necrosou ontem, há uma semana, há dois meses? Tem certeza do que está me dizendo? Tem certeza de que nos tecidos periapicais não existe uma lesão periapical que ainda não se manifestou radiograficamente. Sabia que a lesão periapical é uma reação inflamatória como resposta à agressão que vem da polpa? Que essa reação inflamatória periapical começa a acontecer mesmo antes da total necrose/infecção pulpar? Em outras palavras, que a lesão periapical já pode estar presente antes do canal estar totalmente infectado?

Então, esqueça esse negócio de dizerem que não tem lesão periapical e por isso não precisa limpar o canal cementário.

Desta vez, a discussão do limite apical de trabalho está mostrando a sua real dimensão. Para discutir essa questão esqueça os números e considere os tecidos envolvidos. Quando comecei a usar a obturação para mostrar isso, foi um pânico geral. Isso pegou muitos professores desprevenidos e aí alguns ficaram meio tontos. Imagino que para alguns seja difícil dizer que a forma como se ensinava estava errada, e muito mais ainda dizer quem levantou a bola. Não precisa. Crie uma maneira de dizer. O que não se pode mais fazer &eac

ute; esconder a discussão. Tornou-se impossível.

Qual é o limite apical de trabalho que você deve usar? Estude bem esse tema. Na hora que o entender um pouco melhor, você saberá escolher, sem nenhum sofrimento, o seu limite apical de trabalho, aquele que deve ser usado nos seus diferentes casos. É você quem está com o paciente na cadeira.

João e John

Fui criado no cinema americano. Os artistas, as artistas (estas eu achava maravilhosas, quantos desejos me provocaram, todos satisfeitos na solidão), era perfeito. Não considerava outros filmes porque simplesmente não os conhecia. Sonho maior, morar nos Estados Unidos, provavelmente no Havaí, graças a Elvis Presley e a aquelas mulheres que só ele podia ter.

Na adolescência, novos horizontes, uma vez assistia a um filme, produção franco-brasileira, com um amigo, com cenas rodadas no Brasil e na França. As cenas no Brasil, uma delas rodada em uma feira livre com o samba como pano de fundo, feias, um desastre. As da França, uma maravilha, com a bela e sensual música francesa a me fazer sonhar, e agora também a desejar as mulheres francesas. Ainda ali, o desprezo pelas nossas coisas, a idéia de que o outro é melhor.

A vida está aí, para quem quiser. Evolui-se ou não. Vi grandes filmes brasileiros. A música, não sei se há igual. A Música Popular Brasileira está entre as melhores do mundo. O futebol, apesar dos dirigentes e da imprensa, dispensa comentários. E as mulheres! Meu Deus do Céu. Essas eu faço questão de comentar. São demais. Bonitas, gostosíssimas, super sensuais (arrebentam). Tem mais, não tem? Tem sim, mas é melhor não se entusiasmar demais, dá problema.

Não sei, mas ainda acho que aquela sensação esquisita do outro ser melhor continua solta por aí. O que, você não concorda?

Não são poucos os casos em que a importância do que se pensa, diz e faz tem muito a ver com a origem geográfica. A nossa história registra isso de forma clara, faz parte da nossa cultura. Nesse sentido, a Europa e os Estados Unidos, principalmente este nos últimos tempos, sempre exerceram um grande fascínio, em todos os aspectos, sobre a sociedade brasileira. Há uma frase famosa na política, certamente desconhecida por muitos, que expressa bem essa condição; “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. O comportamento tupiniquim já foi usado para definir essa postura como um que de subserviência, de colonialismo.

Talvez se possa verificar isso com mais clareza nas ciências. Os grandes cientistas, as grandes pesquisas, as grandes descobertas, sempre aconteceram “lá”, razão pela qual os nossos congressos sempre criaram condições e espaços generosos para que toda essa obra pudesse ser vista. Porém, também não foram poucas as vezes que muitos desses monstros sagrados nos frustraram com aulas e conhecimentos incompatíveis com a sua condição geográfica. Mesmo assim havia, e ainda há, o peso da tradição. Numa cultura tupiniquim isso ainda funciona, e muito.

Num país de dimensões continentais como o Brasil também se pode observar esse tipo de comportamento dentro das suas próprias fronteiras. Regiões mais ricas do país criaram, por exemplo, nas artes, as condições mais favoráveis para o surgimento e crescimento de artistas. Assim surgiu o “sul maravilha” e o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença construiu uma frase lapidar para situar isso: “o artista nordestino precisa fazer o vestibular do sul. Se for aprovado, aí ele será aceito no nordeste”.

Natural que essas regiões também tenham assumido a vanguarda nas pesquisas científicas e tenham feito surgir um “sul maravilha” da ciência. Alceu Valença diria então que o pesquisador nordestino precisa fazer o vestibular do sul para ser aceito no nordeste. Projete-se isso para qualquer outra região do Brasil.

É um traço cultural nosso, brasileiro.

Um neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, paulistano, preterido por importante universidade brasileira, foi buscar o seu reconhecimento e hoje, radicado nos Estados Unidos há quase vinte anos, é tido como um dos mais relevantes pesquisadores do mundo na sua área, inclusive com indicação ao Prêmio Nobel. Está liderando pesquisas importantes no Brasil há cerca de três anos, com pesquisadores americanos que ele está trazendo de lá para trabalhar com pesquisadores brasileiros. Tem um belíssimo projeto de implantação de centros de pesquisa, inicialmente no nordeste brasileiro, com um deles já instalado, o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), no Rio Grande do Norte, e outro em processo de instalação em Serrinha, cidade do interior da Bahia.

Outro dia presenciei uma discussão interessante sobre as coisas da endodontia. Mudanças conceituais em foco. Lá para as tantas, uma mudança de concepção foi defendida e não só causou surpresa aquela defesa em si, nunca antes feita naquele grupo, mas, sobretudo, a ênfase com que ela foi feita.

Nada demais, pelo contrário, altamente louvável. Um problema; João já falava daquilo há muitos anos. Será que não o tinham ouvido antes? De repente, algo novo, aquela ênfase, aquela defesa vibrante. Veio a luz (ou você acha que devo dizer caiu a ficha?). Não era o que e muito menos porque João falava. Era que agora John também estava falando. Agora era considerável.

O outro ainda é melhor.

A vida está aí, para quem quiser. Evolui-se ou não. Se não pode ser com João, que seja com John.

A elite global

A nossa grande imprensa tem registrado com frequência o protesto de pessoas importantes do Brasil, reconhecidamente pessoas finas, da elite, que manifestam a sua justa indignação pelo fato de um nordestino sem berço e formação, que fala mal o português e, pior ainda, não sabe falar inglês, francês, alemão, italiano, chinês, japonês, javanês, hebraico e esperanto, portanto, alguém que não pertence ao mundo deles, dirigir o país. Nesse sentido, quem não lembra de um recente, e de grande impacto, movimento, o CANSEI?

Como você sabe, o CANSEI foi um movimento de grande participação popular e que se alastrou por todo o país. Porém, apesar disso e da sua grande importância, houve alguns protestos da população pelos grandes engarrafamentos de trânsito que ele provocou em todas as cidades do Brasil, com o maior deles tendo ocorrido em São Paulo, cidade em que foi criado e onde todas as ruas ficaram intransitáveis por três minutos (acho que foi um pouco menos, mas um pouquinho só).

Diante de algumas dúvidas quanto à importância e validade do CANSEI, a imprensa se apressou em divulgar a participação, inclusive com outdoors espalhados por todo o país, das musas do movimento, Hebe Camargo, Regina Duarte (a namoradinha do Brasil, que ameaçou e não cumpriu, para a nossa alegria, sair do Brasil caso o atual presidente fosse eleito), Ivete Sangalo e Ana Maria Braga, que, como se sabe, são personalidades da mais alta importância em todos os grandes movimentos populares e da cultura brasileira.

Foi sabendo de coisas tão importantes e legítimas como o CANSEI que tomei um susto quando vi a imprensa brasileira anunciar, de maneira muito sem graça, concordo com você, que o Presidente Lula tinha sido relacionado em 18o lugar entre as 50 pessoas mais influentes do planeta. Essa reportagem está correndo o mundo sob o título “A elite global” e alguns colocam como “Os 50 da NewsWeek”.

Caí para trás. Não pode ser. A minha indignação foi imediata.

Em princípio achei que a NewsWeek estava equivocada. Como pode um nordestino sem berço e formação, que fala mal o português e, pior ainda, não sabe falar inglês, francês, alemão, italiano, chinês, japonês, javanês, hebraico e esperanto, ser a décima oitava pessoa mais influente do planeta? Ele não faz parte de nada importante aqui no Brasil, de nenhuma elite, como poderia pertencer à elite do mundo? Fui direto no site da NewsWeek. Li a relação outra vez e, para aumentar a minha indignação, constatei que o diabo da notícia era verdade. Mas isso não pode ser sério. Aí me ocorreu um pensamento maldoso (peço desculpas por isso). Pensei: ele comprou a NewsWeek. Afinal, é uma revistazinha. Não é lida e respeitada no mundo todo e movida somente por princípios jornalísticos éticos como são os nossos jornais e revistas semanais, sob a liderança da Veja. No desespero, ocorreu-me então o seguinte. Vou ver se consigo pinçar algum nome importante da relação divulgada para ver se essa tal de NewsWeek realmente merece alguma credibilidade. Não encontrei nenhum.

1. Barack Obama (presidente eleito dos Estados Unidos)
2. Hu Jintao (presidente da China)
3. Nicolas Sarkozy (presidente da França)
7. Gordon Brown (primeiro-ministro do Reino Unido)
8. Angela Merkel (chanceler alemã)
9. Vladimir Putin (primeiro-ministro da Rússia)
10. Abdullah bin Abdulaziz Al-Saud (Rei da Arábia Saudita)
13. Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos)
14. Hilary Clinton (secretária de estado do presidente eleito dos Estados Unidos)
18. Luiz Inácio Lula da Silva (presidente do Brasil)
25. Khalifa bin Zayed Al Nahyan (presidente dos Emirados Árabes)
28. Eric Schmidt (presidente e chefe executivo da Google)
32. Dominique Strauss-Kahn (presidente do Fundo Monetário Internacional – FMI)
37. Papa Benedito XVI (papa da Igreja Católica)
38. Katsuaki Watanabe (presidente e chefe executivo da Toyota)
46. Dalai Lama (líder budista)

Confesso que fiquei surpreso com alguns nomes. Não me consta, por exemplo, que o Dalai Lama seja um homem fino e se destaque no uso de talheres à mesa, condição indispensável para fazer parte da elite brasileira. Será que ele sabe como dispor as taças de vinho tinto, vinho branco e água? Tenho minhas dúvidas. Como pode um homem desse fazer parte da elite global? No Brasil ele não tem nenhuma chance de fazer parte da nossa elite. Danuza Leão e João Dória Jr. não iam deixar mesmo, ainda mais do jeito que ele se veste.

Ao justificar a escolha do Presidente Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a NewsWeek diz que, "depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003, o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes”.

Confio cegamente na grande imprensa e na elite do meu país e não vejo como eles poderiam errar. Continuo achando que não pode ser. Tem algum equívoco. Ainda vou descobrir.

Discussão aberta

Fausto Renato Castro Costa:
Caro colegas quem poderia me ajudar?compareçeu na clínica uma paciente que apresentava fistula no 11,12,21 foi feito o preparo dos canais medicacao, desapareceu a fistula do 21 e do 12 já foi obturaçao, mas a do 11 persistiu já fiz nova instrumentacao e troca de medicacao, calen pmcc,já fiz troca 2 vezes 15 em 15 dias o que deve ta acontecendo que ainda nao desapareçeu?desde já agradeço!

Olá pessoal,
Sei que muitos estão de férias (coisa boa, não é?), mas vamos lá. Vamos fazer diferente dessa vez. O nosso colega Fausto pede uma ajuda. Espero a opinião de vocês. Podem mandar também via comentários. Clique em Sem comentários, no canto superior direito.

2 – Estão tímidos? Tudo bem, também ficaria. Então, que tal se aproveitarmos a questão que ele pôs na mesa para entendermos um pouco mais a base do problema como um todo? Faço um convite. Se você já leu, faça-o novamente, se não, leia o artigo Preparo e obturação do canal clique aqui. Ao lado do convite vou fazer um pedido; leia com atenção e, sobretudo, refletindo sobre o que está lendo (aproveite e fique à vontade para ler os outros artigos). Vamos ver se esse artigo nos ajuda a encontrar a resposta. Depois de ler deem as suas opiniões.

A pesquisa e a clínica

O estágio de desenvolvimento do homem é algo fantástico. Ciência e tecnologia chegaram a um momento inimaginável, e com perspectivas mais inimagináveis ainda.

A difusão do conhecimento é tamanha que se tornou muito difícil acompanhar a literatura científica. Não era assim. Até há bem pouco tempo o conhecimento não era acessível a todos e por isso poucos possuiam o saber científico. Infelizmente, não eram muitos os cirurgiões-dentistas que tinham o hábito de estudar. Os profissionais de consultório, os clínicos, através da freqüência aos congressos, jornadas, encontros, sempre estiveram atentos às novidades científicas, aos avanços da tecnologia, entretanto, não tinham como hábito o estudo. Tinham relativo domínio do como fazer, mas não tinham do porque fazer. Esse sempre foi o conceito que se teve do clínico.

Será que ele é injusto? Talvez não. E tem mais, talvez se possa aplica-lo a professores. Alguns desenvolvem uma atividade muito corrida, entre faculdade, consultório, cursos de especialização/atualização e no fim de semana viajam/descansam. Resultado, não sobra tempo para estudar. Percebe-se em alguns um conhecimento defasado.

Há um outro lado da moeda. Na Odontologia, e talvez particularmente na Endodontia, esse aspecto promoveu uma distorção sem precedentes. Surgiu, cresceu e manteve-se por alguns anos a idéia de que somente aqueles professores mais ligados a área básica, o “investigador biológico”, mereceriam a confiabilidade e respeito dos demais. Apesar de experimentar um certo declínio, essa idéia ainda persiste.

Em 1992 tive oportunidade de ouvir de um dos maiores nomes da Endodontia críticas veementes aos que ele definia como “teóricos” da Endodontia. Naquele momento, mesmo sendo eminentemente clínico, tentei faze-lo ver, de forma respeitosa, a insensatez daquele tipo de colocação. Dois anos depois, quando eu começava a trilhar os caminhos que me levariam à atividade docente, ouvi de outro grande nome que “às vezes é melhor chamar (para um congresso) um bom clínico do que um pesquisador duvidoso”.

A discussão sobre quem é mais importante, se o pesquisador ou o clínico, jamais deveria ter chegado aos níveis que chegou em determinados momentos. Há equívocos por todos os lados, mas, aqui para nós, um pesquisador duvidoso jamais deveria ser convidado, em nenhuma circunstância.

Dedo seco, clinicão, tecnicista, tecnologista, laboratorista, etc, são algumas das expressões que já foram utilizadas para definição/agressão das partes envolvidas. Porém, não parece difícil de se perceber que ao clínico muitas vezes foi reservado um espaço de menor importância na estrutura da Endodontia. A sua resposta é imediata: A clínica é soberana.

Não me ocorre que isso aconteça na Medicina, pelo menos nos níveis da Endodontia. Pesquisador e clínico têm papéis bem definidos e não há porque não conviverem muito bem, até porque um é complemento do outro.

Alguns temas, mesmo trazidos à luz, não são tão facilmente percebidos. Parece, entretanto, que, mais recentemente, com o surgimento de uma “nova categoria”, o pesquisador clínico, uma nova discussão tem vindo à tona, mesmo que de forma velada. Quem é mais importante, o pesquisador biológico ou o pesquisador clínico?

Será que há resposta para essa pergunta? Acredito que não. Mas, e se houver? Ela não tem importância. A sua eventual existência em nada alteraria a ciência endodôntica, não a tornaria maior ou menor. A consideração disso sim, tira a grandeza de pesquisadores que, tecnicamente, são bons.

O que gera tudo isso? Algumas coisas, mas talvez dois sentimentos sintetizem todas; vaidade e insegurança. Talvez pareça estranho presumir pela insegurança onde reina o conhecimento. Acredite, é verdade, até porque muitas vezes a vaidade se explica na insegurança. Além disso, e apesar de se pretender absoluto, o conhecimento é sempre limitado. A vaidade é que não nos permite ver.

Segundo um dos grandes mestres da pedagogia brasileira, Paulo Freire *, “não há saber maior ou menor. Há saberes diferentes”. Isso nunca foi tão verdadeiro como agora, no entanto, para ver seria necessário não o conhecimento, mas a sabedoria. Esta está em falta.

* Paulo Freire (1921-1997) – Educador pernambucano, considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, com um trabalho voltado para a área da educação popular, tanto para a escolarização como para a formação da consciência. (Adaptado da Wikipédia).

Feliz Ano Novo

Mais um ano que termina, mais um que começa. Você achou bom o ano que se vai? Acha que o que está chegando será? Sem chance. Como ser feliz num país como o que está sendo mostrado?

Você já viu acidentes de avião em algum lugar do mundo? Quando aconteceram na França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, etc, tentaram lhe mostrar e você ficou convencido de que todos eles aconteceram por culpa dos presidentes desses países? Percebeu que, no nosso país, em nenhum momento se usou a dor das famílias enlutadas pela morte de seus entes queridos para tentar por a culpa em um homem? Também não adiantaria, porque, como sociedade consciente que somos, jamais acreditaríamos que um homem seria responsável por aquele crime hediondo.

Você não xingou todo mundo pelas tantas vezes que ficou às escuras (sem poder ouvir sua música, ver a sua novela, os alimentos que deterioraram na geladeira porque não tinha energia) por causa da crise do apagão que foi anunciada? Não ficou irado pelo racionamento de energia a que teve que se submeter? E o prejuízo à nação pela paralisação da indústria!

Você lembra da epidemia de febre amarela que recentemente “devastou” o Brasil, em que milhões de pessoas morreram? Não morreram vários amigos/parentes seus? Não? Então você é uma pessoa de sorte. Você sabia que a febre amarela urbana está erradicada do Brasil há muitos anos e que a que “assolou” o país é a febre silvestre e que ela é cíclica, já esperada a cada período de 5 a 7 anos, correspondente ao ciclo de nascimento de novos macacos? Devido ao medo do grande risco que a imprensa disse que corriam, soube que morreram pessoas por reforço indevido da vacina? Sabia que a maior “epidemia” não foi neste governo e sim em outro recentíssimo? Você sabe qual foi? Não? O seu telejornal preferido não lhe informou sobre isso?

Você, que estava acostumado a morar num país dependente da ajuda financeira de órgãos internacionais de socorro a países, como dizer, eternamente devedores, aprova o fato de agora viver em um país que passou a ser credor? Claro que não. Esses caras estão pensando que nós somos o que, idiotas? Pensam que fazemos parte daquela ralé que Zé Ramalho canta? ouça aqui. Não, somos esclarecidos, temos nível superior, nós freqüentamos a universidade.

Agora que o país, por milagre divino, conseguiu se equilibrar economicamente, você não concorda com alguns homens públicos que, muito sensíveis e diante da crise, estão preocupados se o presidente da república vai torrar as reservas financeiras do país, conseguidas por milagre divino, para manter os seus índices de popularidade? Hebe Camargo concorda.

Você acha certo que 20 milhões de brasileiros desgraçados (só chamando assim) tenham tido ascensão social e possam fazer parte da nossa querida classe média, pela qual Hebe Camargo, Regina Duarte, Danuza Leão e João Dória Jr. lutam tanto? É claro que não. Um absurdo. Pior, pessoas que não tinham o que comer agora passaram a comer, veja que gracinha. Isso com o seu e o meu dinheiro. Onde é que vamos parar?

Perdoe-me a franqueza, não quero estragar o prazer da sua champagne no reveillon, mas você não tem nenhuma chance de ter um Feliz Ano Novo num país como esse.

Untitled

Casimiro Ricardo:
Prof.Ronaldo tenho observado canais tratados e obturados muito aquém sem nenhuma rarefação apical, isso realizados com mais de cinco(05) anos. Diante da necessidade de uma reintervenção (p.ex.protética)verifiquei em algumas situações a resistência na exploração do forame apical. Será que estamos diante de um selamento apical biológico? Ou não existiria essa possibilidade pelo o fato da terapia endodôntica ter sido mal conduzida(?)? Aproveito o momento para desejar a todos um Feliz Natal e um Bom Ano Novo e que possamos tratar da endodôntia pelos melhores caminhos e que os túneis da vida sejam preencidos com muito conhecimento e não só com técnica. Abraço

Casimiro, se não houver contaminação durante o tratamento (isolamento absoluto que de fato isole o dente, não tocar com as mãos/luvas nas partes dos instrumentos/materiais que vão ao canal…) ou entre as consultas (selamento marginal precário, se por qualquer razão não puder ser realizado em sessão única), o resultado do tratamento endodôntico de canais com polpa viva não deverá apresentar nenhum problema. Nos casos de polpa necrosada, para que haja reparo precisamos de dois requisitos básicos: controle de infecção e sistema imune competente. Um tratamento endodôntico mal conduzido não promove as melhores condições para o reparo porque não exerce controle de infecção, e o sistema imune não faz sozinho. Ocorre que às vezes o tratamento é “aparentemente” mal conduzido dentro dos padrões técnicos clássicos e aí o que conta é basicamente a aparência radiográfica final. O que vemos? A obturação. Se ela estiver mal feita (canal com obturação “fininha”, com eventual(is) falha(s) de preenchimento e principalmente “curta”), o caso será visto como mal tratado. Imaginamos, mas não sabemos como foi realmente tratado em todos os seus passos. Ocorre que, por razões diversas, o que foi feito em determinadas situações pode ser suficiente para o controle daquele caso. Perceba que eu falei “pode ser suficiente”, porque aí entram em cena outros fatores como quantidade de bactérias, virulência delas e sistema imune. Portanto, você pode encontrar selamento apical biológico sim em situações como voce relata. Essa discussão é complexa e muitos professores não a entendem, razão pela qual perpetuam-se conceitos como travamento perfeito do cone de guta percha e vedamento hermético como fatores determinantes do sucesso, um grande equívoco. O tratamento endodôntico deve ser muito bem feito tecnicamente em todas as suas etapas, o que inclui evidentemente a obturação, mas a compreensão dele ainda está longe de ter sido alcançada. Perceba que, de maneiras diferentes, nas duas condições o “grande segredo” está no controle de infecção. Na polpa viva não deixar que ela, a infecção, se instale e na polpa necrosada elimina-la. Além disso, não esqueça que, em se tratando de saúde, o sistema imune do paciente sempre representará papel fundamental.