Circo dos horrores

A grande obra do STF

Por Ronaldo Souza

Em função de alguns projetos pessoais que exigem tempo para ler e escrever, estou sem tempo para escrever e falar das coisas da vida de um modo geral.

No entanto, em nome da minha saúde, tenho que abrir o peito para de lá tirar as dores que me angustiam.

Faço-o escrevendo.

Previno assim, quem sabe, um infarto.

A minha perplexidade parecia ter encontrado o seu ápice, tamanha é a decadência da sociedade brasileira, particularmente daquele segmento no qual estou inserido; a classe média.

Composta, entre outros, de profissionais liberais, muitos eternamente aspirantes à elite com sua indigência intelectual e nos seus pequenos universos, a nossa classe média é um desastre.

Não pretendo me reportar ao pobre homem que ocupa a cadeira da presidência do Brasil atualmente.

Ainda que um completo asno, desqualificado para qualquer cargo, a indignação que ele provoca em qualquer ser pensante deve ser debitada à sua total e completa ignorância, mas também e sobretudo aos seus “graves distúrbios psicológicos”, conforme relatório quando da sua expulsão do Exército Brasileiro.

Flagro-me com certa frequência desejando perdoa-lo pela loucura que o aprisiona. Quem sabe isso poderia representar a minha elevação como ser humano.

Porém, diante de tantas coisas ruins que ele já fez e faz, diante da sua covardia, da sua maldade, dos seus sentimentos baixos, entristece-me a percepção de que estou longe de tamanha elevação espiritual.

Falo mais de quem está à sua volta, particularmente dos seus ministros civis e militares e dos seus assessores de um modo geral.

Pequenos homens e mulheres a serviço do preconceito e do ódio, que desmerecem qualquer sentimento de nobreza e dignidade destinado ao ser humano.

Falo também dessas coisas chamadas ministério público, judiciário, imprensa, monstrengos criados no Brasil nesses últimos tempos.

Mas falo principalmente da classe média.

“Uma abominação política porque fascista, uma abominação ética porque violenta, e uma abominação cognitiva porque ignorante”.

Forçada a se olhar no espelho por Marilena Chauí, que a definiu como poucos conseguiriam, a nossa classe média não consegue se ver.

Graças a isso, o que vemos se implantar hoje no país?

O fascismo bolsonarista.

Alguém pode negar essa violência que tomou conta de todos os cantos, particularmente das redes sociais?

A ignorância, que dói e deprime, dispensa comentários, por já ter sido reconhecida há muito tempo.

Agora, porém, além das palavras agudas e certeiras de Marilena Chauí que feriram a ferida, a classe média tem a lhe atormentar a doença da alma, a perda da dignidade a que se submeteram pessoas importantes da cena brasileira, num processo autofágico jamais visto.

Uma imprensa que perdeu completamente qualquer ligação com o jornalismo e se pauta por objetivos escusos.

Poderíamos realmente esperar algo diferente do SBT-Sílvio Santos, da Record-Edir Macedo e outros órgãos de imprensa, reconhecidos como moralmente falidos?

O que nos permitiria imaginar que o Grupo Globo assumiria uma postura digna e que pudesse ser chamado de órgão de imprensa, onde deveria imperar o compromisso com o jornalismo, se em nenhum momento da sua história ele nos deu qualquer sinal de que poderia ser este o seu caminho?

O que dizer de homens e mulheres escalados para viabilizar esse projeto de destruição do orgulho de ser do brasileiro e da soberania que este país há pouco tempo ousou ensaiar?

Homens e mulheres que vestem capas pretas assustadoras, que possuem o poder de transformar esses pobres homens e mulheres em seres humanos sórdidos.

Capas pretas que outros homens e mulheres conhecem em determinados momentos de sua atividade profissional e que, ao sentirem o poder que elas lhes outorgam, terminam, às vezes sem perceber, também se afastando das outrora nobres funções que lhes foram atribuídas, comprometendo o futuro das novas gerações.

Um triste cenário.

Janot esperança

Não é Janot que está louco, é o Brasil

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Ora, vamos, o surto nárciso-canalho-psicótico de que foi acometido o senhor Rodrigo Janot não é um episódio isolado na vida brasileira.

É apenas uma erupção explícita do grave processo de infecção autoritária que, há anos, passou a acometer nossa sociedade, desde que as corporações judiciárias entraram em metástase, potencializada pela mídia, e passaram a pretender ser o poder supremo entre nós.

Valeram-se, para isso, do mais primário maniqueísmo, erigindo na Justiça lugar do “homens do bem” e, na política, os “do mal”.

O próprio Janot, no momento em que se associou à fúria dos imberbes de Curitiba, apanhou carona na condição de “herói” , com o patético cartar em que se exibia como “Esperança do Brasil”

Ser – neste caso sentir-se e ser visto como – “do bem” dava a eles direitos extraordinários, poder absoluto sobre as pessoas.

Aos “pecadores” da política era só esperar a chegada de seus arcanjos da Polícia Federal, bem cedinho, com seu Japonês ou Lenhador, trazendo a implacável ordem do Zeus de Curitiba e, depois, de suas sucursais: Marcelo Bretas, Valisney de Oliveira…

A política trocou programas, ideias, compromissos e passou a ser feita com prontuários e promessas de armas, balas e tiros.

O direito, à base de conveniências que o adequem aos imperativos morais como o de “não prejudicar a Lava Jato”.

Veja-se agora o caso em que quer-se “modular” um princípio constitucional, o da ampla defesa, condicionando-o a que o acusado o tenha reivindicado “tempestivamente”, o que é um rematado absurdo em se tratando de direito indisponível.

Estaremos condenados a um mundo onde a realidade deva conformar-se aos ditames morais, aos dogmas de um fundamentalismo judicial, onde o crime – como o que esteve à beira de ser praticado por Rodrigo Janot se justifica pela vítima?

Pessoas com inteligência emocional mais baixa são propensas a ser de direita, constata estudo

Bolsonaro e a cognição da direita

Por Kiko Nogueira, no DCM

A matéria saiu no PsyPost, portal especializado em psicologia:

Novas pesquisas da Bélgica fornecem evidências de que os déficits no entendimento das emoções e no gerenciamento das emoções estão relacionados a atitudes de direita e preconceituosas. O estudo foi publicado na revista especializada Emotion.

“Eu tenho um interesse ao longo da vida em psicologia política e em ideologia política em particular. A observação de que adeptos de esquerda e de direita tendem a diferir em tantas características psicológicas é surpreendente ”, disse o autor do estudo Alain Van Hiel, professor da Universidade de Ghent.

“Muitos estudiosos investigaram a base cognitiva da ideologia em geral e as atitudes ideológicas da direita em particular. No presente estudo, queríamos investigar se um relacionamento semelhante existiria para habilidades emocionais. ”

Em dois estudos, os pesquisadores avaliaram as habilidades emocionais e a ideologia política de 983 estudantes belgas. O segundo estudo também examinou a capacidade cognitiva dos participantes.

A capacidade emocional foi medida com três testes: o Teste Situacional de Entendimento Emocional, o Teste Situacional de Gerenciamento de Emoções e o Teste de Reconhecimento de Emoções.

Os pesquisadores descobriram que indivíduos com habilidades emocionais mais fracas – particularmente compreensão e gerenciamento emocional – tendem a pontuar mais alto em uma medida de autoritarismo de direita e orientação de dominância social.

O autoritarismo de direita é um traço de personalidade que descreve a tendência de se submeter à autoridade política e de ser hostil a outros grupos, enquanto a orientação de domínio social é uma medida da preferência de uma pessoa pela desigualdade entre os grupos sociais.

“Os resultados deste estudo foram unívocos. Pessoas que apóiam autoridade e líderes fortes e que não se importam com a desigualdade – as duas dimensões básicas subjacentes à ideologia política de direita – mostram níveis mais baixos de habilidades emocionais ”, disse Van Hiel ao PsyPost.

Aqueles com habilidades cognitivas e emocionais mais baixas também estavam mais propensos a concordar com declarações descaradamente preconceituosas, como “a raça branca é superior a todas as outras”. (…)

“Os resultados foram obtidos em um contexto particular. Resultados semelhantes seriam obtidos em outros contextos além de um país ocidental com uma democracia estável de longa data? Se essas tendências são universais ou limitadas a contextos particulares, é muito intrigante.”

Fonte: www.psypost.org/2019/09/people-with-lower-emotional-intelligence-are-more-likely-to-hold-right-wing-views-study-finds-54369

A grande farsa

Moro flagrado na armação

Por Ronaldo Souza

Há muito tempo vivemos uma grande farsa no Brasil.

Não pense em atribuir isso à ingenuidade.

Ainda que essa possibilidade exista, não ver o que na verdade nos rodeia constitui uma estupidez sem tamanho se considerarmos que vivemos num mundo de doutores.

Ressalve-se que quando cogito a possibilidade de ingenuidade não incluo a “reserva selvagem” de Bolsonaro, como muito bem definiu o jornalista Fernando Brito, referindo-se aos cães raivosos que, incansáveis, continuam vomitando barbaridades sem o menor pudor.

Para esse segmento não há retorno.

Escolheram o mundo da obscuridade e lá vão ficar, como também vão permanecer por muito tempo ainda no grande palco deles; as redes sociais. Onde todos já os identificam e conhecem o latido.

Ficarão sozinhos mais cedo do que podem imaginar.

O Bolsonarismo não resistirá e ficará restrito a essa “reserva selvagem”.

Muitos dos políticos que se elegeram com o mico, ratos que são, pularão do barco, como já estão fazendo.

Portanto, não falo para eles, mas para outros que, mesmo tendo votado no mico, ainda guardaram no seu íntimo algo que remeta à racionalidade que distingue o homem do animal.

Há, sim, muitas pessoas, anônimas ou famosas, jornalistas, profissionais liberais, artistas, políticos, que se arrependeram do pecado cometido contra o país.

Algumas já assumiram publicamente e outras assumirão

Tudo fica cada vez mais claro.

A começar por homens deploráveis como Miguel Reale Jr., o jurista que comandou a farsa jurídica do golpe contra Dilma e depois pediu desculpas por ter apoiado o golpe.

Claro que ela também não poderia ficar de fora; Janaina Paschoal, a tresloucada musa do golpe. Lembra dela?

Também reconheceu publicamente que foi golpe.

Janaína''

Como sabiam que Dilma não tinha nenhuma participação na corrupção mas precisavam elimina-la, inventaram a farsa das pedaladas fiscais, uma questão contábil à qual Reale Jr. deu suporte como jurista.

E agora, cinicamente, diz que Dilma não caiu pelas pedaladas.

O jornalista Fabio Pannunzio (Band) não deixou por menos e disse que a farsa acabou.

Mais uma vez, todos foram feitos de idiotas.

Ressalve-se, porém, que já aceitam essa condição naturalmente.

Como você já sabe, Dilma foi inocentada pouco tempo depois.

Os homens e mulheres que comandaram o golpe e controlam a corrupção ficaram soltos.

Mas como diria Moro, não vem ao caso.

O grande herói

E é justamente ele o grande responsável por todos os descaminhos que tomaram conta do país nos últimos anos.

Dispensem-se comentários sobre sua atuação, já por demais conhecida.

Ainda que muitos, por diferentes razões, continuem a defende-lo, Sérgio Moro representa o que há de pior em um homem.

Com a sua dissimulação, cinismo, covardia e canalhice, ele comandou o processo que jogou na cadeia o maior presidente que este país já teve.

Se, cinicamente, ele e sua equipe de procuradores, sempre argumentaram com o “ninguém está acima da lei”, foram eles próprios que se puseram todo o tempo acima dela, como vem mostrando o The Intercept.

Sabendo agora, como todos sabem porque já está comprovado e reconhecido, que tudo divulgado por Glenn Greenwald é verdade, forjaram situações inimagináveis que desonram qualquer juiz, procurador, desembargador, ministro, seja qual for o cargo que se ocupe no campo da justiça de um país.

Como homens e mulheres, como seres sociais e, principalmente, como seres humanos, foram de uma desumanidade e crueldade poucas vezes vistas, se vistas, na história do Brasil.

Ainda que permaneçam nos cargos que desonraram, o preço é alto.

Deltan Dallagnol hoje é o que é.

Nada.

E o que restou de Moro?

Humilhado publicamente seguidas vezes por Bolsonaro, aceita a humilhação com a passividade dos covardes que mendigam por cargos.

Chegou a tal ponto que membros da Polícia Federal pediram que ele se demitisse para não perder o pouco de credibilidade que ainda lhe restava.

Não resta mais, porque se agarrou ao posto que ocupa e dele não quer arredar pé.

Assumiu de vez que se transformou em um bajulador frágil, por descartável, de Bolsonaro.

Ao ponto de criticar a Globo, que o criou e sem a qual nada seria, pela matéria da revista Época que envolvia a mulher do 03.

Moro sequer pensa em deixar o governo por conta de um detalhe; foro privilegiado.

Moro morre de medo de perder o foro privilegiado porque sabe de todos os riscos que corre.

Um breve comentário.

Já se sabe hoje que ele manipulou a questão da nomeação de Lula como ministro de Dilma, como demonstraram recentes divulgações do The Intercept.

Ele tinha 22 gravações de conversas de Lula com outras pessoas, entre elas conversas com Michel Temer (ainda vice-presidente), pois Lula acreditava que poderia evitar o golpe em Dilma.

Observe que no programa Roda Viva de ontem, 16/09, Temer não só confirma que foi golpe por duas vezes, como também confirma as conversas em que Lula tentava impedir que o golpe se confirmasse.

Temer é somente mais um que assume a farsa do golpe, da qual, apesar de tentar negar, fez parte.

O mais importante, porém, é saber que algumas das conversas gravadas de Lula mostravam claramente que ele não queria aceitar ser ministro de Dilma. Pensava somente em salvar o governo dela.

Moro escondeu todas, mas vazou para o Jornal Nacional uma delas que, bem editada, poderia fazer as pessoas pensarem que Lula estava atrás somente do foro privilegiado.

Justamente ele, Moro, que fez de tudo para passar a impressão de que Lula quis ser ministro de Dilma somente para ter foro privilegiado, hoje faz qualquer negócio para preservar o seu próprio foro privilegiado.

Por isso, poucos levam a sério a possibilidade de ele deixar o ministério da justiça.

Ameaça e fica, ameaça e fica.

Ele não vai se demitir.

Bolsonaro já percebeu e por isso o humilha, mas o mantém no cargo para desgasta-lo mais ainda.

Enfraquece-lo significa um eventual concorrente a menos nas próximas eleições presidenciais.

Bolsonaro sabe mais do que ninguém que um país que o elege é capaz de eleger qualquer um.

Talvez não haja um sentimento mais deprimente do que ter pena de alguém, mas hoje é o que muita gente sente por Sérgio Moro, por vê-lo, sem dignidade, arrastar-se na lama de quem perdeu a honra.

Estamos diante de um ministro da justiça completamente incapaz e inoperante.

Nada mereceu sua investigação e o que não falta são casos que a exigiram.

Como o Diabo foge da cruz, ele foge de qualquer coisa que lembre Queiroz.

A revista Veja (a “reserva selvagem” a conhece, já ouviu falar dela?) fez o papel que cabia à Polícia Federal e descobriu onde está Queiroz.

Sim, e daí?

Alguém foi lá?

Será que deixaram de ler a Veja e por isso não ficaram sabendo que Queiroz foi localizado e está morando no Morumbi, ali pertinho de uma das sedes da própria Policia Federal?

Você ouviu falar de alguma investigação, interrogatório ou qualquer outra coisa sobre os milicianos?

Sobre as mortes que vêm acontecendo?

Sobre as ameaças que várias pessoas estão recebendo?

Você soube que Bolsonaro demitiu o chefe da polícia federal no Rio de Janeiro, justamente onde ocorriam as investigações sobre as ligações de Flavio Bolsonaro com Queiroz e as milícias?

Se choca a surpreendente ausência de firmeza e falta de atitude de Sérgio Moro como ministro da justiça diante de tantos fatos, muito mais chocante se tornou a sua falta de dignidade.

O que fazem os poderes constituídos?

Nada, além de se acovardar como faz o Supremo Tribunal Federal.

Estamos perdidos e sem ter a quem apelar.

Moro e Lava Jato, corrupção explícita e vergonhosa

Moro apanha de Kennedy Alencar

Por Kennedy Alencar

É gravíssima a reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” e o “The Intercept Brasil” com o título “Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro”.

A reportagem revela que Moro, policiais federais e procuradores da República agiram para interferir no processo político a fim de evitar a nomeação de Lula para a Casa Civil no governo Dilma e contribuíram para radicalizar o ambiente político no país, tramando a queda da então presidente do PT do poder.

Leiam a reportagem e os diálogos na íntegra no final deste texto. Procuradores celebram estratégia política e ilegal. Sem humanidade, chamam Lula de “9”, numa referência pejorativa aos nove dedos do presidente, que perdeu um deles em acidente de trabalho. Deixam claro que seguiram orientações de “Russo”, apelido de Moro, que agiu como acusador e não juiz na Lava Jato. Todos demonstram ter ciência de que praticavam ilegalidades e alguns zombam disso no Telegram. Neste episódio, vazaram o que interessava para manipular a opinião publica, criar mobilizações nas ruas contra o governo e envenenar o debate político.

Moro, agentes da PF e procuradores mantiveram em segredo diálogos de Lula com o então vice-presidente Michel Temer na busca de um entendimento para evitar o impeachment. Esconderam também toda a hesitação do petista em aceitar ser ministro da Casa Civil. Quem acompanhou os bastidores de verdade e tinha informação na época sabe que o motivo principal daquela articulação era tentar salvar o governo, não obter foro privilegiado no STF.

Mas a Lava Jato, ciente disso, manipulou a opinião pública e mudou o rumo da história do país para que chegássemos hoje ao governo Bolsonaro. Até agora, muita gente dizia que a Lava Jato contribuiu para o impeachment. Essa reportagem mostra que a Lava Jato atuou para que Dilma fosse derrubada e jogou ilegalmente para prender Lula. Isso não é papel do sistema judicial. É uma forma de corrupção grave. Autoridades públicas têm compromisso com a lei que os criminosos não possuem.

Se as ações de Moro, delegados da PF e procuradores da República são um combate legal à corrupção, o país está frito. Está nas mãos de um estado paralelo que persegue inimigos políticos. Ontem foi Lula. Amanhã serão os críticos desses messiânicos que abusaram do seus poderes.

Se o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Congresso tinham dúvidas de que precisam tomar providências para investigar e punir crimes e abusos de poder das estrelas da Lava Jato, a reportagem de hoje elimina qualquer hesitação ou objeção a uma resposta dura da parte de nossas instituições.

Leiam a reportagemVejam os diálogos da Lava Jato sobre conversas de Lula. Leiam os resumos de conversas grampeadas de Lula com Temer e aliados.

Tirem suas conclusões se são métodos de um Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal de uma democracia plena ou de uma república de bananas. A lei e o jornalismo devem valer para todos. A Vaza Jato está dando uma contribuição ao combate à corrupção no Brasil. Só não enxerga quem não quer.

“A tua piscina tá cheia de ratos”

Por Ronaldo Souza

Queiroz vive num bairro luxuoso de SP e faz tratamento no Albert Einstein. O segredo do sucesso? Venda
de carros e plantação de laranja. Ah, ele é muito amigo dos Bolsonaro também. Mas isso não importa muito

A ironia do advogado João Gabriel Prates no Twitter dá a medida desse episódio.

BolsoQueirozadvogado

Deixemos de lado os detalhes da “história” de Queiroz, milicianos, empregos de sua gente em gabinetes de políticos onde nem apareciam, os “pedágios” que pagavam pelos empregos, dinheiro depositado na conta de Michele Bolsonaro…

Deixe tudo isso de lado.

O homem que sumiu há meses e que Moro e sua polícia federal não conseguiam achar, foi “achado” (houve quem  insinuasse que ele estaria morto, como o grande deputado e [ex] grande amigo da famíglia, Alexandre Frota).

A reportagem da revista Veja (já ouviram falar dessa revista?) mostra que ele está morando no Morumbi. Segundo o deputado Paulo Pimenta, “a Polícia Federal fica a 12 quilômetros do Morumbi” e pergunta; “incompetência ou omissão determinada por Moro?”.

Mais do que responder à “pergunta” de Pimenta, estou interessado em lhe fazer uma.

Qual é a sua opinião sobre tudo isso?

Das tantas perguntas que esse homem misterioso precisa responder, algumas mais simples.

Quem pagou a sua estadia e cirurgia no Albert Einstein, um dos hospitais mais caros desse país?

Quem paga para ele morar no Morumbi, bairro da classe alta de São Paulo, inimaginável para a maioria absoluta dos mortais?

Quem paga pelo tratamento atual no mesmo hospital?

Por que ele estava sumido, escondido e a polícia federal (você duvida da competência dela?) não conseguia saber “do seu paradeiro”, como diriam alguns, morando ele ali pertinho de uma das sedes da mesma polícia?

E eles, presidente e seguidores, se acham os representantes da honestidade, dignidade, homens de bem, casta da luta contra a corrupção do país, bla bla bla.

Pausa para rir ou chorar.

Escolha.

Em mais uma divulgação do The Intercept, ficamos conhecendo melhor o perfil psicológico e o comportamento rasteiro, cruel e desumano dos homens e mulheres que compõem a Lava Jato.

Os comentários sobre as mortes de familiares de Lula e seu direito de ir aos enterros, negado com desdém e humilhação, são de uma baixeza e pequenez jamais vistos, mesmo na ditadura militar.

Já tinha falado aqui sobre como são iguais, o pobre homem que hoje ocupa a presidência da república e seus seguidores.

Não lhe parece que em tudo são muito parecidos com Moro e esses pobres homens e mulheres da Lava Jato.

Procuradora pede desculpas a Lula 1

A Procuradora da República, Jerusa Burmann Viecili, pediu desculpas pelos comentários feitos por ela sobre a morte de familiares de Lula que foram divulgados pelo The Intercept.

Mais uma vez, deixemos tudo de lado (sensibilidade, leveza, dignidade, caráter… que possuem algumas mulheres) e vamos ao mais importante.

Você percebeu, claro, que ao fazer isso ela passou a ser mais um que reconheceu a veracidade dos diálogos divulgados.

Faustão, da Globo, também reconheceu quando confirmou a sua conversa com os procuradores da Lava Jato.

Para encurtar a conversa, Moro e Dallagnol também já tinham reconhecido no primeiro momento que eram verdadeiros. Depois da orientação que receberam é que passaram a falar de hackers, crime de invasão de privacidade, etc.

Portanto, por mais bobagens que já tenham dito ou venham a dizer, só quem continua questionando a veracidade deles são os idiotas assumidos, levando-se em consideração que idiotas todos eles são; só não assumem.

E o público dele?

Sensacional!

O presidente chama o país do qual ele é presidente de LIXO e o que fazem eles?

Dão gargalhadas e aplaudem!!!

“Brasil acima de todos!”

Meu Deus, como são burros!

Eles não percebem nada.

Essa é a famosa “reserva selvagem” do mico.

“Tô com ele e não abro”!

Você tem ideia de quantas pessoas já estão fazendo as devidas correlações?

Se já está demonstrado que tudo é verdade, se já está demonstrado que cometeram corrupção de tudo que é jeito no processo da Lava Jato, se já são reconhecidos como corruptos, o que estão pensando ou irão pensar pacientes/clientes dos profissionais liberais que mostram que continuam defendendo Bolsonaro e Moro a qualquer preço?

Se esse profissional que cuida de mim defende abertamente essa corrupção, do que ele é capaz sobre coisas das quais ninguém toma conhecimento, inclusive eu, que estou sob seus cuidados?

E o meu professor?

https://www.youtube.com/watch?v=vPAlphS6LtE

Te perdoo por te trair

Bolso, porra, é legal ser presidente

Por Ronaldo Souza

Hoje faço ao contrário.

Primeiro, o interessante texto da jornalista Denise Assis. Depois, lá embaixo, converso com você.

Bolso traição'

Te perdoo por te trair

Por Denise Assis, jornalista

O que não dá para engolir é o discurso de Gustavo Bebianno, a muito pouco tempo
das eleições municipais, e muito tempo depois de descer do (des)governo

Nem precisava dos resultados da última pesquisa, que aponta uma rejeição de 40% a Bolsonaro, para saber que as fileiras dos arrependidos de optar por apoiá-lo, só fazem crescer. Dos menos ostensivos, como o cantor Fagner, aos mais ruidosos nos comentários sobre o conjunto de ações que nos legaram esse momento/vergonha, há de tudo. Inclusive o cineasta José Padilha, diretor do filme B, “O Mecanismo”, que pretendeu retratar (e incensar) a operação Lava-Jato – hoje transformada em Vaza-Jato. Isto, sem esquecer de mencionar o cantor e compositor Lobão, um dos mais entusiastas na defesa do candidato, no período da eleição.

Para esses, olhamos com certa benevolência. Boa vontade mesmo, murmurando: “perdoai-os senhor, eles não sabem o que fizeram” … O que não dá para engolir é o discurso de Gustavo Bebianno, a muito pouco tempo das eleições municipais, e muito tempo depois de descer do (des)governo.

Ora, Bebianno. O senhor foi um dos coordenadores da campanha, conviveu com esta pessoa, revirou o seu passado para transformá-lo em um produto a quem os desavisados chamaram “mito”. O senhor foi responsável por vender para a sociedade este “sabonete”. Quem não sabia que ele era alguém irrecuperável, impermeável ao conhecimento e “misógino internacional”?

Depois de ser descido do cargo de secretário-geral da Presidência, seis meses e um dia depois o senhor vem a público nos falar de Bolsonaro como falamos nós, nas ruas, nos bares, nas passeatas e por todo o canto desse país. Seria crível, se não soasse oportunista, nesta hora em que se dá o troca-troca de partidos, e a discussão para nomes a candidaturas para as eleições municipais.

Bem-vindo ao time. Mas quando é que o senhor vai nos revelar os bastidores da campanha, de que participou ativamente e, não vamos esquecer, é motivo de processo no TRE (talvez se saiba o resultado lá por 2030)? O que o senhor tem a nos falar sobre o uso de abuso econômico, para bancar o jorro de “fake news”, cujo time de envio é definido pelos coordenadores do comitê da campanha? E sobre o episódio da “facada”, que o senhor acompanhou de perto, como braço direito do candidato? E o almoço com o porta-voz da Globo, na véspera do segundo turno, para pegar “bizus” de assessoramento?

Aqueles arrependidos citados acima puderam entrar e sair do bonde do “mito” quando bem quiseram. A eles é facultado do direito de alegar – embora já bastante crescidinhos para isto – que se equivocaram. Não emprestaram serviços para obtenção do resultado. Quanto ao senhor, a sua indignação tardia, o seu silêncio cúmplice, como já foi dito acima, soa oportunista. A construção do “mito” foi sua. 

Em entrevista para o jornal, O Estado de São Paulo, no dia 18 de agosto último, o senhor disse: “Acho que posso ajudar minha cidade que está um caos. O Rio precisa hoje de menos ideologia e de melhor gestão, mais eficiência. Como gestor, acho que posso ajudar de alguma maneira, não necessariamente como prefeito. Recebi alguns convites e, na hora certa, vai ser decidido”. Pelo seu afiar de bico, não é difícil saber em que muro estará em 2020. Guarde a sua indignação. O caos que vivemos hoje, em todo o país, já está debitado na sua conta.

Mil Perdões

Por Ronaldo Souza

Volto a falar com você.

Primeiro, para comentar o título do texto de Denise Assis.

“Te perdoo por te trair” é de uma obra prima de Chico Buarque (“Mil Perdões”) que, por sua vez tem a ver com a peça de Nelson Rodrigues, “Perdoa-me por me traíres”.

Venha comigo.

“Te perdoo por te trair” não seria “Te perdoo por me trair”?

“Perdoa-me por me traíres” não seria “Perdoa-me por te trair”

O que ambos, Chico e Nelson, fazem com  música e peça respectivamente deveria fazer parte de cursos de Psicologia e Psicanálise.

Acredito até que alguns façam isso.

Em segundo lugar, penso como a jornalista Denise Assis quanto a (Gustavo) Bebianno.

Por homens como ele não tenho nenhum respeito, e não posso defini-los como gostaria porque seriam grandes as chances de ser processado.

Como ele, gente como Miguel Reali Jr., o jurista que comandou o processo do golpe contra Dilma (que chamaram de impeachment, tentando emprestar-lhe alguma dignidade) e já se confessou arrependido.

Você sabia que logo após o golpe a justiça brasileira inocentou Dilma Rousseff?

Pois é, fique sabendo.

Mas vou discordar da jornalista quanto a outros e começo com o cantor Fagner, um babão bobão.

José Padilha é imperdoável. Fez a apologia de Bolsonaro e Moro diversas vezes, inclusive nos seus filmes, onde colocou Moro como herói e a Lava Jato como a redenção do país.

Hoje, Padilha não perdoa Moro, a quem finalmente reconheceu como um grande oportunista. Disse que “seu pacote anticorrupção é, também, um pacotinho de chiclete que parece ser de tutti-fruti, mas na verdade é de pimenta.”

Mas, convenhamos, Padilha não é nenhum garoto e não consigo ver como inocência a sua postura inicial.

Essa inocência, no nível em que se deu, ou seja, ultrapassando com incrível facilidade a fronteira com a completa estupidez, é inadmissível em um cineasta que se preze.

Moro é um oportunista covarde.

O ex-todo poderoso tem sido humilhado de todas as formas pelo mico.

Alguém que se acovarda dessa maneira por causa de um cargo não é homem de verdade.

Os holofotes, aos quais perigosamente se acostumou, não podem se apagar, o que aconteceria com a sua saída do palco do governo.

Hoje, sem honra (ao ponto de membros importantes da Polícia Federal pedirem para ele se demitir em nome do pouco que ainda lhe resta de dignidade), luta desesperadamente para se manter no cargo.

O juiz que ajudou a perseguir, orientou os procuradores, comandou a agenda da Lava Jato, julgou e condenou o homem que estaria hoje na presidência da república.

Presenteado com um cargo no governo eleito, não só desonradamente o aceitou como briga desesperadamente para não perde-lo.

Pare pra pensar e você verá que Moro mostra claramente que todo o tempo agiu por aspirações políticas.

Miriam Leitão e mesmo Merval Pereira, ela principalmente, não merecem nem um pingo de compreensão, muito menos de credibilidade.

A empresa na qual trabalham, a Globo, é a grande responsável pelo Ovo da Serpente.

Moro nem se fala, mas também Bolsonaro, são frutos da Globo e não acredito que nenhum dos seus jornalistas desconheça essa paternidade e o que ela significa.

Sugiro aos iletrados miquinhos amestrados que procurem se informar do que se trata.

Já há um sem-número de pessoas arrependidas por terem votado em Jair Bolsonaro, algumas das quais já manifestaram o seu arrependimento.

Deixemos de lado, pelo menos por ora, as razões que os levaram a gesto de tamanha insanidade.

As pesquisas mostram que o mico segue ladeira abaixo e não há previsão de quando e como tudo isso vai terminar.

O mico derreteu, acabou.

Hoje é um homem ridicularizado e desprezado em todo o mundo e está completamente perdido e desesperado.

O envolvimento da sua família é assustador e vergonhoso, por isso, abafado a qualquer preço.

Há sim pessoas que foram enganadas na sua boa fé e não haveria porque condena-las pela inocência.

Não teria, entretanto, um tratamento tão compreensivo com muitos deles, alguns dos quais citei aqui.

Os interesses foram e continuam sendo muitos.

Lucraram muito, a corrupção tem sido grande e está correndo solta.

Mas os miquinhos amestrados continuam rosnando e latindo todos os dias nas redes sociais em nome do combate à corrupção.

Sem comentários.

Vejo-os com alguma frequência quando “entro” no “feicibuqui” para fazer uma postagem com o link para o meu site.

Sabemos que é a eles particularmente que o mico se dirige e que por eles é mantido.

Imaginava-se que fossem em maior número, talvez pelo fato de que latem muito e alto, porém, pelos últimos resultados das pesquisas Vox Populi e DataFolha, o número é bem menor, cerca de 12%.

Esta é a parcela que se propõe a continuar entrincheirada atirando para todos os lados tentando salva-lo.

Ainda que isso signifique muita gente, é um segmento bem menor do que aquele que votou nele (as pesquisas estão mostrando a grande queda que vem ocorrendo na sua aceitação em todos os segmentos da sociedade), o que parece querer mostrar um erro de estratégia do mico.

Alimentar-se de 12% dos eleitores, a “reserva selvagem” de Bolsonaro, como bem definiu o jornalista Fernando Brito, não deve permitir grandes voos ao ex-capitão daqui em diante.

Por falar em voo, vamos voar um pouco com a música de Chico.

É coisa de Chico, esse gênio das artes brasileiras.

Só ele poderia fazer algo assim.

Bestas humanas

Bolso covarde'

Por Ronaldo Souza

O nível é muito baixo.

Infelizmente, porém, já estamos nos acostumando com os dejetos que saem da boca do presidente da república, o que é um péssimo sinal porque não se pode acostumar e aceitar o que não presta.

Ele é tão pequeno, nojento, indigno e covarde que o que diz ou faz já está deixando de impactar.

Mas quando vi o seu comportamento diante do casal Macron, percebi que ele não se cansa de se superar e que essas baixarias não terão fim.

É o mais asqueroso e burro dos presidentes que esse país já conheceu.

E o que fizeram alguns  dos seus principais ministros e o 03, o nosso futuro embaixador?

Também ofenderam Macron.

O que mais poderiam fazer se nada mais sabem fazer?

Apesar disso, entretanto, resolvi que nada escreveria sobre o episódio.

Acostumar-se ao baixíssimo nível do presidente se tornou uma necessidade, afinal teremos que vê-lo fazer isso por mais cerca de três anos e meio.

Alternativas?

Darcy Ribeiro, incansável sociólogo brasileiro, dizia que ao brasileiro restariam duas alternativas; indignação ou resignação.

Duas mais parecem ter surgido no cenário político brasileiro; depressão ou infarto.

Estupidez e canalhice

Tudo se inviabiliza quando a podridão de caráter se dissemina e é incorporada por toda a matilha.

Aí veio a indignação.

Mas não pelo trogloditismo do pobre homem que nesse momento ocupa o mais alto cargo desse país.

Foi por ver, não sem sentir enorme repulsa, o baixíssimo nível intelectual e moral que, de forma lamentável e irreversível, tomou conta de pessoas com as quais convivemos todo esse tempo.

À burrice já tínhamos nos acostumado.

Samir 1

José Cordeiro

Coisas assim não provocam indignação, mas risos.

Portanto, ainda que também já estivéssemos nos acostumando com o cinismo e a canalhice dessas pessoas e, por isso, ignorando seus gestos e ações, há um limite suportável.

E esse limite foi ultrapassado há muito.

Vários dos momentos que registram isso ficaram marcados, como o do professor que postou montagens grosseiras de Manuela d’Ávila (candidata a vice-presidente na chapa de Haddad) com enormes olheiras e inúmeras tatuagens, com a clara intenção de exibi-la como uma drogada.

E a pergunta cruel e covarde; “você votaria nessa mulher para presidente do Brasil?”.

No seu mundo pequeno e horroroso o professor não deve ter pensado por um segundo sequer o quanto isso deve ser doloroso para os filhos dela, todos crianças.

Como muitos estão fazendo, era mais um que covardemente se escondia nas fake news.

Não há mais dúvidas sobre o que os une, presidente e seguidores, e os torna iguais.

A barbárie.

Samir

Dispenso-me de qualquer comentário sobre essa postagem, de tão indigna e covarde que é.

Enquanto o país vive um momento delicado e complexo e exibe a truculência que nunca fez parte da vida do seu povo, idiotas fazem trocadilhos infames com o incêndio que devasta boa parte da floresta amazônica.

Se inveja mata ou queima não sei.

Sei, porém, como é difícil conviver com seres tão primitivos.

Não é à toa que relações e convívio com algumas pessoas já vêm se inviabilizando há algum tempo, pessoas com quem eventuais contatos agora se limitam a situações bem específicas, geralmente de cunho profissional.

Civilização e barbárie

Não se trata de política há muito tempo.

Quando foi que opções políticas inviabilizaram a convivência das pessoas no Brasil?

Nunca.

A ignorância absurda, a violência (frequentemente resultado da ignorância), o ódio, a desqualificação agressiva aos que pensam diferente, a ofensa gratuita… chegaram a níveis insuportáveis.

É o odor fétido que emana de tudo isso que está afastando as pessoas.

O terceiro milênio nos expõe a confrontos que ainda parecem inevitáveis.

Perguntado sobre a asquerosa manifestação do presidente do Brasil sobre sua esposa, o presidente da França deu uma resposta que não alcança o nosso presidente porque ele não consegue entendê-la.

Infelizmente, entretanto, de maneira elegante e civilizada, o presidente Macron deu uma resposta que humilha a todos nós brasileiros.

“Isso é triste. É triste para ele e para o povo  brasileiro. As mulheres brasileiras provavelmente sentem vergonha de ouvir isso do presidente. Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que tenham rapidamente um presidente que se comporte à altura”.

O presidente Macron pôs a culpa em nós.

Sabe o que é pior?

Ele tem razão.

A culpa do bode na sala não pode ser do bode.

Professor Figueiredo

FINK4987

Por Ronaldo Souza

Um colega costumava dizer que a Endodontia é uma especialidade que deixa você super alegre pela manhã e joga pra baixo à tarde.

Trocando em miúdos, você faz um caso maravilhoso e depois o outro sai “feio”.

Hoje, parece que não é mais assim.

Explico.

Como negar que hoje todos os casos parecem sair bonitos, bem tratados?

Ah, como nos tem ajudado a tecnologia, não é verdade?

Como tem ficado mais fácil preparar e obturar, por exemplo, canais curvos.

Como já foi uma tarefa muitas vezes árdua “faze-los” com a qualidade técnica com que fazemos hoje, não é mesmo?

Que me respondam principalmente os que já têm alguns anos a mais de formados.

E o tempo gasto para isso?

Mínimo!

Divulgam-se palestras e cursos (também os de especialização e atualização) que anunciam e ensinam a “fazer molar” em 40 minutos.

Já diminuiu?

“Que m****, hein, sabia não!”, como diria Marinho, o jogador de futebol;

O tempo se tornou um fiel aliado, um amigo.

Fazemos bem e rápido.

Tornou-se bem mais fácil encher os auditórios dos eventos, cada vez mais cheios de endodontistas ávidos por tecnologia.

A tecnologia redentora.

Quem não quer o instrumento que faz ter o domínio da anatomia?

Quem não quer o cimento obturador que promove a cura?

Abreviou-se o tempo entre as salas e auditórios e os stands.

Há pontes e atalhos que levam mais rápido e direto de um para o outro.

O professor

Esteve entre nós nesta semana que termina hoje, o professor José Antônio Poli de Figueiredo.

O professor Figueiredo.

Como sempre, encantador como figura humana.

Veio dar aulas durante dois dias no Curso de Especialização em Endodontia da ABO Bahia, algo que faz desde a primeira turma, em 2000.

Excepcionais!

É como posso definir as aulas.

Como professor de Endodontia e Histologia e endodontista de muita qualidade, mostrou a Endodontia que explica porque o tratamento endodôntico dá certo.

Ao fazer isso, fica mais fácil para o aluno entender porque muitas vezes o tratamento falha.

Ao longo desse tempo, tem mostrado como poucos as virtudes e limitações da instrumentação, seja ela manual ou mecanizada, as características e como agem as soluções irrigadoras, os sistemas de obturação, enfim, o que é e como fazer um tratamento endodôntico de qualidade.

Voltou para Porto Alegre e eu, no dia seguinte, para a turma.

Conversei com os alunos.

Estavam encantados.

Conhecimento, seriedade e simplicidade juntos como poucas vezes se vê.

Foi como me passaram a impressão deixada por Figueiredo.

Veio-me à mente uma questão que me inquieta há bastante tempo; por que não vemos muitos professores Figueiredos viajando pelo Brasil mostrando essa Endodontia?

Por que eles não cortam os ares do país como convidados para os eventos de Endodontia?

Será porque eles falam de Endodontia e não de…?

Obs. Na foto lá em cima não estão três alunos; Isabele Calheira, Sandra Oliveira e Tahynanda Rios.
Da esquerda para a direita: Manuela Lobo, Mateus Passos de Souza, Marcos Cook, Katharina Maia, Prof. Figueiredo, Laís Sampaio, Viviane Borges, Taline Bianque, Rodolfo Barros, Thais Ribeiro e Humberto Dias Filho.

Palcos azuis

Inocência ou hipocrisia

Por Ronaldo Souza

Dias cinzentos.

Dias de céu azul.

Como neste inverno de Salvador, os dias se alternam.

Entre tristezas e alegrias.

A música diz que “Os dias eram assim”.

Os dias eram assim, mas não eram assim.

Os dias eram assim porque sempre houve dias cinzentos e de céu azul.

Os dias eram assim porque sempre houve tristezas e alegrias.

Os dias não eram assim porque há tempos não eram tão cinzentos.

Os dias não eram assim porque há tempos não eram tão tristes.

Descoloridos.

Preciso respirar.

Sair.

Urgente.

Seguir Bandeira.

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei”

Mas não quero ser amigo do rei.

Quero ser amigo de Chico.

Chega de reis.

Léguas e léguas de distância deles.

Não posso deixar que os dias cinzentos acinzentem a minha alma.

Não posso deixar que a tristeza me deixe sem fôlego.

Luz, quero luz!

Por favor, me deem um Chico.

Hoje não tem Bolsonaro

ChicoCamões

Por Joaquim Ferreira dos Santos, jornalista

Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas hoje não tem Bolsonaro ou qualquer esquisitice de seu circo de gente ordeira e virtuosa, essa nova nata da malandragem.

Hoje tem Chico Buarque, prêmio Camões de literatura, e ele vem com o chocalho amarrado na canela. Não interessa se é na da esquerda ou na da perna direita. Aos gênios, a feijoada completa e a festa, pá!, da morena dos olhos d’água.

Consta nos astros, nos autos, nos signos, que hoje não vai se perder tempo com mané Crivela ou com o que-será-que-será que andam cochichando nas reformas da previdência, nas contingências de verbas e demais desinteressências. Todo dia tudo sempre igual. O malandro agora é presidencial e dia-sim dia-não, com honra e júbilo, ele medalha de mérito os próprios filhos. Tijolo por tijolo num desenho sórdido. Vão passar.

Hoje é dia de lembrar satisfeito, o radinho tocando direito, que por aqui já passaram sambas imortais e, a despeito do Sanatório Geral que a todos loucupleteia, o piano do compositor popular, essa glória nacional, vai continuar subindo a Mangueira.

Deus é cara gozador, a ponto de botar o filho para pregar em cima das goiabeiras nordestinas. Mas também joga a favor. Ele podia colocar qualquer um de nós cabreiro, fazer nascer mexicano e morar debaixo de um ridículo sombreiro. Só que não. Em troca do fardo de ser brasileiro, Deus, com açúcar e com afeto, deu a todos nós o upgrade de viver no mesmo período em que aqui está, a caminhar ligeiro pelo Leblon maneiro, o Chico Buarque de Holanda peladeiro.

Hoje não tem o diploma falso do Witzel. O personagem da semana é um herói de verdade. Montado num cavalo que fala o mais fino português, Chico educa o ouvido nacional quando diz, no meio de um sambinha, que ‘a porta dela não tem tramela e a janela é sem gelosia’. Drummond invejou o ritmo. Em meio a tanta lama, tão pouca brahma, meninos se alimentando de luz, vive-se num país em que é possível ouvir no rádio do táxi que nós gatos já nascemos fortes e somos capazes de enfrentar os batalhões, os alemães e os seus canhões. Mire-se no exemplo.

Outras nações são feitas de homens e livros, elementos que faltam aqui. Chico Buarque é a voz que nos resta, a veia que salta, aquele que torna suportável essa noite de mascarados e pigmeus de boulevard. Sempre que tira o violão da capa e pega o dicionário de rimas, o país melhora. Há quem prefira escrever a história do Brasil com fuzil, desligar o radar da estrada e azucrinar os golfinhos de Angra com turistas esporrentos. Chico, armado com a bemol natural sustenida no ar, atira de volta o “luz, quero luz” que cantam os poetas mais delirantes.

O Brasil de 2019 é uma pátria-mãe tão distraída que parece ter perdido a noção da hora. Ao Deus-dará. É um trem de candango, um bando de orangotango, todos com um bom motivo para esfolar o próximo. A maioria, trancada em pânico nos seus camarins, toma calmante com um bocado de gin. Lá fora, no Brejo da Cruz, desfila a estarrecedora banda de napoleões cretinos, todos de marcha-ré em permanente ode aos ratos e às tenebrosas transações. Nas horas vagas, apedreja-se a mais recente Geni.

Chico dá esperança. Mesmo com todo o problema, todo o sistema, ele inventa um outro país – e a gente vai levando. É só uma página infeliz da nossa história.