Farsa e farsantes

Moro, Barroso, Ackerman, Dallagnol indecentes

Por Ronaldo Souza

Houve um evento realizado em 10 de agosto de 2016, sob a coordenação de Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, cujo título foi “Democracia, Corrupção e Justiça: Diálogos para um país melhor”.

Exatamente o que está projetado atrás dos palestrantes na imagem acima.

O evento teve como palestrantes a professora Susan Ackerman (na foto), da Faculdade de Direito da Universidade Yale, o professor Oscar Vilhena Vieira, da FGV-SP, o Procurador da República Deltan Dallagnol e o então Juiz Federal Sergio Moro. Por cerca de três horas, o debate girou em torno de ideias e soluções para o Brasil.

Observe a data do evento; 10 de agosto de 2016.

À época, Moro e Dallagnol gozavam de todo o prestígio, poder e um pouco mais que um homem pode ter.

Poderosos, o juiz de primeira instância e o procurador da república davam as cartas e eram exibidos como reservas morais incontestáveis do país.

Por sua vez, com uma vaidade que cabe em poucos lugares, o ministro Barroso é o que se pode chamar de um verdadeiro pavão.

Entretanto, qualquer que fosse a tentativa de comparação entre o ministro, o juiz e o procurador seria inconcebível, tão grande é a diferença entre os três.

Inteligente e preparado, não há como não reconhecer a competência do ministro.

Ainda que às vezes pareça um pouco mais preparado, o procurador Dallagnol não está muito distante do juiz ignorante, tosco e provinciano que Moro é, mas ambos perdem de goleada para o ministro em qualquer requisito. Inclusive na exibição da cauda empavonada.

Mesmo assim, o ministro, como de resto praticamente todos os seus pares, sempre esteve completamente “alinhado” com as decisões dos dois. O temor e automático acatamento do STF às decisões da Lava Jato são por demais conhecidos.

Ah, como as aparências enganam.

Diante da foto acima, um olhar desatento nos diria da dignidade desses homens e da sua obediência às leis e à Constituição Brasileira, como devem fazer juízes e ministros.

No entanto, desde que Glenn Greenwald, The Intercept e alguns órgãos de imprensa começaram a divulgar as conversas entre Moro, Dallagnol e os demais membros da Lava Jato, muita coisa mudou.

O que pareceu ontem um momento de grandeza e riqueza em termos de palestrantes e palestras, hoje é apenas a caricatura de algo que se pretendeu sério e tem sido exposto como uma grande farsa, que reinou neste país por muito tempo.

Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.
Abraham Lincoln

De forma ridícula, inicialmente tentaram desqualificar as primeiras conversas flagradas na noite que envolvia o país, negando a sua veracidade. Porém, a cada vez que tentavam eram surpreendidos e nocauteados com novas divulgações que iam sendo mostradas e comprovadas.

O evento acima, coordenado pelo ministro Barroso, não deixou de ser um desses momentos.

Não só ele apareceu nas conversas como também o jantar que houve à época.

Somente depois da divulgação pelo The Intercept é que o ministro se reportou a ele. Até então não se tinha conhecimento de que tinha ocorrido.

Uma vez que vazou, o ministro não perdeu a oportunidade para dizer que a professora Susan Ackerman tinha sido sua professora na Universidade Yale e era uma grande amiga, como também o era seu marido, o também renomado professor Bruce Ackerman, professor Sterling de Direito e Ciência Política da Universidade Yale.

Aliás, esta é uma característica cultural forte entre alguns professores brasileiros, dizerem-se grandes amigos de professores estrangeiros.

E não falo aqui somente dos professores de Direito, mas também de outras áreas.

Eles adoram.

À época, o convite, restrito a algumas personalidades, se fez acompanhar de um pedido; tudo deveria ter um caráter sigiloso e “reservento”, como diria Odorico Paraguassu, magnificamente interpretado por Paulo Gracindo na novela “O Bem Amado”, de Dias Gomes.

Diga-se de passagem, época em que se faziam boas novelas.

Merecidamente reverenciados como personalidades de destaque do mundo jurídico internacional, esses dois professores voltaram à cena.

Nesses últimos dias, alguns dos maiores juristas do mundo tomaram a iniciativa de fazer um manifesto e condenaram Moro, Dallagnol e a a Lava Jato pelos desmandos cometidos por eles e chegaram a dizer que “a Justiça brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional”.

Foi muito forte o manifesto.

Quem o assinou?

Ninguém mais, ninguém menos do que a Profa. Susan Rose-Ackerman, a “grande amiga” do ministro Barroso e reconhecida pelo próprio Dallagnol como “a maior especialista do mundo sobre corrupção”.

Dallagnol elogia Susan Rose-Ackerman

A Profa. Susan Rose-Ackerman, “a maior especialista do mundo sobre corrupção”, assinou um manifesto que diz que “a Justiça Brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional”.

Por que ela assinou o manifesto que destrói seus “amigos” brasileiros?

Além dela, quem mais assinou?

O seu marido, o também renomado professor Bruce Ackerman.

Além deles, quem mais assinou?

O também renomado Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito da Universidade Roma Três, considerado o mais importante jurista do mundo em matéria de “garantismo” no direito penal.

Além deles, quem mais…?

E agora?

O que dirão Moro, Dallagnol, o ministro Barroso e seus colegas?

O que dirá a gloriosa imprensa brasileira?

Dirão que reconhecidas autoridades do Direito Internacional estão interessadas em preservar as práticas corruptas?

Dirão que elas estão entre os que são acusados por Moro, Dallagnol, Barroso e parte da imprensa de querer derrubar a Lava Jato por serem a favor da corrupção?

Digo aqui há anos que a Lava Jato é uma grande farsa.

Aí está mais uma comprovação.

E o que são esses homens e mulheres que de forma vergonhosa e canalha se especializaram em manipular a boa fé de milhões de brasileiros?

Leia o manifesto.

Lula não foi julgado, foi vítima de uma perseguição política

Nós, advogados, juristas, ex-ministros da Justiça e ex-membros de Cortes Superiores de Justiça de vários países, queremos chamar à reflexão os juízes do Supremo Tribunal Federal e, mais amplamente, a opinião pública do Brasil para os graves vícios dos processos movidos contra Lula.

As recentes revelações do jornalista Glenn Greenwald e da equipe do site de notícias The Intercept, em parceria com os jornais Folha de São Paulo e El País, a revista Veja e outros veículos, estarreceram todos os profissionais do Direito. Ficamos chocados ao ver como as regras fundamentais do devido processo legal brasileiro foram violadas sem qualquer pudor. Num país onde a Justiça é a mesma para todos, um juiz não pode ser simultaneamente juiz e parte num processo.

Sérgio Moro não só conduziu o processo de forma parcial, como comandou a acusação desde o início. Manipulou os mecanismos da delação premiada, orientou o trabalho do Ministério Público, exigiu a substituição de uma procuradora com a qual não estava satisfeito e dirigiu a estratégia de comunicação da acusação.

Além disso, colocou sob escuta telefônica os advogados de Lula e decidiu não cumprir a decisão de um desembargador que ordenou a liberação de Lula, violando assim a lei de forma grosseira.

Hoje, está claro que Lula não teve direito a um julgamento imparcial. Ressalte-se que, segundo o próprio Sérgio Moro, ele foi condenado por “fatos indeterminados”. Um empresário cujo depoimento deu origem a uma das condenações do ex-presidente chegou a admitir que foi forçado a construir uma narrativa que incriminasse Lula, sob pressão dos procuradores. Na verdade, Lula não foi julgado, foi e está sendo vítima de uma perseguição política.

Por causa dessas práticas ilegais e imorais, a Justiça brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional.

É indispensável que os juízes do Supremo Tribunal Federal exerçam na plenitude as suas funções e sejam os garantidores do respeito à Constituição. Ao mesmo tempo, esperamos que as autoridades brasileiras tomem todas as providências necessárias para identificar os responsáveis por estes gravíssimos desvios de procedimento.

A luta contra a corrupção é hoje um assunto essencial para todos os cidadãos do mundo, assim como a defesa da democracia. No entanto, no caso de Lula, não só a Justiça foi instrumentalizada para fins políticos como o Estado de Direito foi claramente desrespeitado, a fim de eliminar o ex-presidente da disputa política.

Não há Estado de Direito sem respeito ao devido processo legal. E não há respeito ao devido processo legal quando um juiz não é imparcial, mas atua como chefe da acusação. Para que o Judiciário brasileiro restaure sua credibilidade, o Supremo Tribunal Federal tem o dever de libertar Lula e anular essas condenações.

– Bruce Ackerman, professor Sterling de direito e ciência política, Universidade Yale

– John Ackerman, professor de direito e ciência política, Universidade Nacional Autônoma do México

– Susan Rose-Ackerman, professora emérita Henry R. Luce de jurisprudência, Escola de direito da Universidade Yale

– Alfredo Beltrán, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia

– William Bourdon, advogado inscrito na ordem de Paris – Pablo Cáceres, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça da Colômbia

– Alberto Costa, Advogado, ex-ministro da Justiça de Portugal

– Herta Daubler-Gmelin, advogada, ex-ministra da Justiça da Alemanha

– Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito, Universidade Roma Três

– Baltasar Garzón, advogado inscrito na ordem de Madri

– António Marinho e Pinto, advogado, antigo bastonário (presidente) da ordem dos advogados portugueses

– Christophe Marchand, advogado inscrito na ordem de Bruxelas

– Jean-Pierre Mignard, advogado inscrito na ordem de Paris

– Eduardo Montealegre, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia

– Philippe Texier, ex-juiz, Conselheiro honorário da Corte de Cassassão da França, ex-presidente do Conselho econômico e social das Nações Unidas

– Diego Valadés, ex-juiz da Corte Suprema de Justiça do México, ex-procurador-Geral da República

– Gustavo Zafra, ex-juiz ad hoc da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Sob o comando do intestino

Bolso ensacando cocô

Por Ronaldo Souza

Vejamos um breve currículo de Dilma Rousseff.

Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, secretária da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988), presidente da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-1993) e secretária de Estado de Energia, Minas e Comunicações (1993-1994 e 1999-2002). Em 2002, coordenou a equipe de Infraestrutura do Governo de Transição, instituída pelo Presidente Lula. Foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e junho de 2005.

O seu conhecimento no setor de energia é reconhecido, o que se pode confirmar e entender ao observar alguns cargos ocupados por ela.

No episódio da estocagem de vento, fizeram parecer que ela recomendara algo como estocar vento em sacos e guardar no armário.

Foi uma festa.

De tudo se disse.

Ao mesmo tempo em que choviam ironias, sarcasmos e ofensas, alguns foram pesquisar sobre o tema e tiveram surpresas.

Algumas publicações já falavam do tema e a Europa já estava com projetos avançados nesse sentido.

Dilma estava certa; era possível sim estocar vento.

É claro que a grande imprensa, aquela que controla o país (e vocês, miquinhos amestrados), não quis divulgar; mais importante que o dever de informar a sociedade era destruir o governo dela.

Mas já havia um entendimento do que ela disse e isso foi divulgado por jornalistas e pela imprensa independente e séria do país.

Dilma estoca vento

Fonte: www.dm.com.br/opiniao/2015/10/dilma-esta-certa-ciencia-mostra-que-ja-e-possivel-estocar-vento/

É claro também que além da desinformação, que impera em alguns segmentos da sociedade (aqueles “bem informados”), o fato de que nunca tiveram nem têm o menor interesse em saber.

Além de alguns poucos órgãos de imprensa, matérias sobre o tema podiam ser vistas em sites dedicados à Engenharia, como neste abaixo.

Estocando vento

Estocando vento'

Fonte: www.engenharia360.com/e-possivel-estocar-vento/

Em outras palavras, mais uma vez a presidenta Dilma Rousseff se dirigia à nação brasileira com informações técnicas relevantes e com a mesma seriedade e dignidade que sempre foram e são suas características e dever de um presidente da república.

Ignorância e molecagem

“É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também”.

Esta foi a resposta do presidente Jair Bolsonaro à imprensa diante de uma pergunta sobre política ambiental.

Mereceu este comentário abaixo do jornalista Fernando Brito.

“Além de um idiota, um porco… Até desperta dúvidas se os competentes médicos que o atenderam religaram corretamente os intestinos.

Pode ser que em algo ele tenha razão: se o presidente falasse apenas dia sim, dia não, melhoraria “bastante a nossa vida também”. 

Deixemos de lado a absoluta incapacidade do senhor presidente em construir uma simples frase.

Não parece lógico a você que “deixar de comer menos” significa passar a comer… mais?

Quem deixa de comer muito, passa a comer menos.

Quem deixa de comer pouco, passa a comer mais.

Seria interessante procurar alguém na equipe do governo que entenda algumas coisas, entre elas a nossa língua, para orientar o presidente.

Ainda que fezes mentais não guardem relação direta com a alimentação das pessoas, passar a comer mais certamente tornaria mais difícil cumprir a sugestão do presidente de “fazer cocô dia sim, dia não”, tendo em vista que a alimentação tem, isso sim, relação direta com a necessidade fisiológica em questão, que de maneira sutil, inteligente e delicada foi trazida para a conversa do presidente com seu povo.

Assim, como proposta peculiar e sui generis para a preservação do meio ambiente, é possível que a do presidente (que já passou a fazer parte dos anais da literatura da fisiologia humana e sua relação com a questão ambiental), tenha que ser repensada.

A lamentar, o tempo e esforço intelectual despendidos pelo presidente na elaboração de teoria tão rica, mas quem está acostumado a militar nessa área (atenção, presidente, o verbo em questão, militar, nada tem a ver com o adjetivo. Por favor), sabe que teorias podem ser aceitas ou não.

Mestre na arte de agredir e ofender, o presidente da república já não exerce mais essa sua qualidade somente com mulheres, negros, nordestinos e homossexuais, mas com todo o povo brasileiro, pela forma como se dirige a ele.

Juntos e misturados, a ignorância e o desrespeito acima de tudo e de todos.

Tudo dito, correm sempre para desdizer, com as escusas (como diria Sérgio “Conje” Moro) de sempre, ou tentar dar uma interpretação mais amena.

Não cola mais porque já foram tantas e outras mais ocorrerão, que ninguém duvida mais do que é capaz esse homem quando se trata de dizer asneira e ser primitivo.

Tentar minimizar mais um desarranjo intestinal, cuja manifestação oral já se tornou uma tônica no presidente, dizendo que foi uma ironia e criticar os que “levaram a sério a história do cocô” (como ensaiaram fazer) seria muito pior.

Se eles não têm noção (e não têm) de que se dirigir à nação de maneira irônica e esculachada seria muito pior do que se fosse simplesmente mais uma estupidez fruto da ignorância dele, só mostra os completos sem noção que são. Falar dessa maneira ao povo brasileiro é um desrespeito absurdo, com nítidos contornos de molecagem.

Mesmo percebendo hoje o seu desequilíbrio mental e comportamento bárbaro, como muitos já o fazem, um povo não pode se acostumar a ser desrespeitado pelo seu presidente.

Consta no folclore político da Bahia que Antônio Carlos Magalhães desejava nomear alguém para a Secretaria de Saneamento do Estado.

Em dúvida diante dos nomes sugeridos por sua equipe, teria escolhido um determinado político com esse argumento; “como é para ser secretário de saneamento, que lida com merda e ele só faz merda, ponham o…” e deu o nome do seu escolhido.

A sugestão de Bolsonaro na luta para preservar o ambiente me fez lembrar dessa analogia feita por ACM.

Tendo em vista que a questão é cocô, quem você acha que seria a pessoa mais adequada para conduzir essa luta contra a poluição ambiental?

Acertou.

Voos sem controle

Glen bate em Moro

Por Ronaldo Souza

Moro, Dallagnol e Lava Jato sempre atacaram as palestras de Lula dizendo que eram uma forma de receber propina. Nunca tocaram nas de Fernando Henrique Cardoso, feitas nas mesmas condições.

Quando Dallagnol mostrou o famoso Power Point, fez questão de afirmar e não deixar sombra de dúvida de que Lula era o chefe da maior quadrilha de que se tinha conhecimento no Brasil.

Como duvidar dos paladinos da moral e da justiça?

Como duvidar dos homens de bem?

E o país seguiu o destino que lhe foi traçado pelos seus novos heróis; Moro, Dallagnol e Lava Jato.

Eles apontavam e prendiam os corruptos do país.

A presunção de inocência, cláusula pétrea da Constituição Brasileira, tinha sido abolida do Direito.

Por alguma razão estranha, que fugia da compreensão de muitos, todos os corruptos eram de um único partido; PT.

O PSDB era um partido inimputável.

Ainda que aparecessem com frequência, as provas de corrupção contra políticos como Aécio, Serra, Alckmin e Cia. eram simplesmente ignoradas e, em seguida, arquivadas.

Na campanha de Aécio à presidência, na qual vocês, cinicamente, fazem de conta que não tiveram nenhuma participação, tudo foi permitido a ele dizer e fazer.

Agressões e ofensas diárias, desrespeito absoluto a Dilma, tudo era permitido.

Com o apoio decisivo de Moro, Dallagnoll, Lava Jato (trio intocável), judiciário, MPF, mídia…

Os demais partidos eram deixados de lado.

E vocês fazendo o jogo sujo do compartilhamento e disseminação de todo o processo de mentiras, difamações e assassinatos de reputação nas redes sociais, tudo que pudesse atingir ao PT e seus membros.

A baratinha

Tudo era possível e permitido, menos para Lula, Dilma e o PT.

Absolutos e impunes, todos se sentiram à vontade.

Soltaram-se, sem pudor.

Sem amarras.

Todas as transações se tornaram possíveis.

Voltava a ecoar nas nossas cabeças a música de Chico Buarque.

Passava outra vez na “avenida um samba popular…”.

Estavam de volta “os barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e  os pigmeus do boulevard”.

“Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Mais uma vez, desfilava na avenida o samba da desfaçatez, da farsa, da corrupção.

Um carnaval em que velhos conhecidos outra vez se travestiam de homens de bem, em nome do combate à corrupção.

Nessa confraria, estavam todos eles, mas havia também a participação de novos membros.

Juntos e misturados, coube aos novos membros, “imaculados” que eram, representantes da “nova política”, da política que não é política, assumirem o papel principal.

Embriagados pelo carnaval, jogaram fora todas as rédeas.

E todos os cuidados.

E foi aí que em plena quarta-feira de cinzas, o Sol resolveu aparecer.

Os seus primeiros raios entraram pelas frestas da festa.

Glenn Greenwald e o The Intercept começaram a desnudar os bastidores dos guerreiros anti-corrupção.

E das trevas fez-se a luz.

Descobriu-se a volúpia de Moro e Dallagnol por poder e dinheiro, já revelada e cada vez mais confirmada em cada conversa entre eles registrada pela Vaza Jato.

Entre outras coisas, Moro e Dallagnol tinham se transformado em grandes palestrantes.

Palestras bem remuneradas, mas não declaradas, como confessa o próprio Moro.

Projeto de criação de empresa em nome das esposas para ganhar dinheiro com as palestras.

Por trás das cortinas, corriam soltos comentários pejorativos, zombarias, risadas…

O deboche, escancarado e cínico, era a tônica das conversas entre juízes e procuradores.

Cá fora, o mundo era perfeito sob os aplausos dos miquinhos amestrados.

Talvez aí caibam algumas considerações.

Destaco dois “detalhezinhos” para os quais os miquinhos amestrados certamente nunca atentaram.

  1. Todas as palestras de Lula foram divulgadas e declaradas.
  2. Quando Lula fez as palestras não era mais presidente, já estava fora do governo, portanto, não era mais servidor público.

Mesmo assim, eram taxadas de propina pelos heróis nacionais.

Aqui cabem mais dois “detalhezinhos”, para os quais os miquinhos amestrados certamente também nunca atentaram. Nem querem.

  1. As palestras de Moro e Dallagnol foram inicialmente feitas às escondidas, não eram do conhecimento da sociedade e muitas vezes sequer declaradas (quantas?). Depois é que se tomou conhecimento.
  2. Foram realizadas com Moro e Dallagnol exercendo os cargos, como servidores públicos.

Pego com a boca na botija, a defesa de Moro foi uma verdeira pérola;

“Puro lapso”.

Voltava à tona a amnésia do ex-juiz e atual-até quando-só Deus sabe-ministro da justiça.

Ele teria esquecido de declarar o que tinha feito e para o qual tinha sido muito bem remunerado, segundo ele próprio.

Postou umas desculpas esfarrapadas.

Recorro a Jarbas Passarinho, ministro do Trabalho e da Previdência Social do Governo Médici.

Quando ele foi assinar o AI 5 no regime militar, disse.

“Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

Moro e Dallagnol fizeram o mesmo.

Quando perceberam que estavam acima do bem do mal, mandaram “às favas… todos os escrúpulos de consciência”.

Há um detalhe, porém, que, por razões diversas, raras vezes é observado.

“O poder corrompe o homem”.

Esta é a frase que todos dizem.

Não vejo assim.

Digo há muitos anos que ‘o poder mostra o homem’.

Quando o homem manda os escrúpulos às favas, há no seu gesto fortes indícios de que ele não tem escrúpulos.

Moro resolveu fazer voos sem controle, por ilegais que eram.

Voos ilegais não são autorizados pelas torres de controle e não é incomum que terminem em graves acidentes.

E é quando ocorrem esses acidentes que as consequentes investigações expõem a sua ilegalidade.

As baratas devem saber dos riscos que correm nos seus voos.

“A baratinha iaiá, a baratinha ioiô, a baratinha bateu asas e voou”.

Haverá sobreviventes?

Se houver, por quanto tempo resistirão?

Por favor, não argumentem com a atividade docente que é permitida aos magistrados de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, porque só confirmarão os cínicos que vocês são, como também estarão fazendo pouco da inteligência das pessoas, algo talvez difícil de ser identificado por vocês.

Estamos numa encruzilhada!

Quem combate a corrupção dos que combatem a corrupção?

Quem controla esses voos clandestinos?

E o que fazem vocês, miquinhos amestrados?

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, ficam agredindo Glenn Greenwald.

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, ficam agredindo a mãe de Glenn Greenwald.

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, querem prender Glenn Greenwald, ou expulsa-lo do país.

E vocês, miquinhos amestrados, defenderam, defendem e vão continuar defendendo (alguém tem dúvida?) esses homens e mulheres como honestos, dignos e que lutam contra a corrupção.

Só eles são canalhas?

Não se preocupem.

A gente entende a atitude de vocês.

É corporativismo de classe.

Glenn Greenwald e The Intercept exibem Moro e sua lava jato como eles são

Por Ronaldo Souza

MoroDallagnol e juízes federais

MoroDallagnol e juízes federais''''

Observe aí em cima (“caixa” em vermelho) que as três associações de juízes existentes no Brasil veem ‘ilegalidades no conteúdo das mensagens’. No corpo da matéria os juízes não só reconhecem como descrevem como ‘fato grave’ e ‘verdadeiro absurdo’, expressões que constam do título lá em cima.

Chamo a atenção desse detalhe porque tenho visto os miquinhos amestrados ainda hoje dizerem coisas como “Moro é um juiz honesto que tem coragem pra combater a corrupção do PT”, “Perseguem Bolsonaro porque ele quer fazer um governo diferente e não deixam ele governar”, “os esquerdopatas querem culpar Moro e Bolsonaro”, “os petralhas…” e mais outras pérolas.

Vou pedir a eles algo impossível, mas vou pedir.

Pensem um pouquinho só, pelo amor de Deus!

Proteção é o que não está faltando aos dois, particularmente a Moro.

Sem falar do corporativismo que há em todas as classes.

Sem falar também no interesse de muitos juízes que protegem Moro, simplesmente porque Moro forte, eles, juízes, também ficam fortes. Aliás, como estão.

Vocês conseguem entender?

Vejam, porém, que, apesar de tudo isso, são as três associações de juízes do Brasil que estão dizendo que veem ‘ilegalidades no conteúdo das mensagens’, que elas descrevem como ‘fato grave’ e ‘verdadeiro absurdo’.

Além delas, todos os juristas e professores de Direito dizem a mesma coisa.

Não são os esquerdopatas que estão dizendo!!!

O fato de vocês entenderem ou não e aceitarem ou não, não tem a menor relevância.

Mas, é claro, podem continuar indo para o Farol da Barra e para as avenidas paulistas brigar contra a corrupção.

Nós já entendemos essa questão de vocês.

E podem continuar gritando “Lula tá preso babaca”, “Dilma é vagabunda”, “Brasil acima de tudo”, essas frases complexas que vocês gostam de dizer.

Como eu disse no artigo Herói ontem, capacho hoje, Moro já é lixo da História, Moro e Dallagnol “só não foram afastados dos seus cargos porque o Brasil de hoje é um país que perdeu o respeito por si próprio”.

Mais uma vez, não errei.

Apesar de os novos diálogos do The Intercept publicados pela Folha mostrarem que as arbitrariedades e falta de escrúpulos de Moro e Dallagnol foram longe demais, o afastamento de Dallagnol não deverá acontecer.

Pelo menos é assim que pensa a procuradora geral da república (letras minúsculas mesmo), Raquel Dodge, que já declarou que ele não será afastado, chegando a afirmar que ele é “inamovível”.

A procuradora demonstra que não está nem um pouco preocupada com questões de justiça, caráter e dignidade. Nada disso importa.

Não é incomum que, uma vez alcançado o objetivo, muitos mudem de opinião.

Assim, poderíamos esperar que depois de reconduzida ao cargo a procuradora tomasse uma atitude que lhe poderia devolver parte que fosse da dignidade, mas nada sugere que se deva esperar por isso.

Nesse sentido, ela é “inamovível”.

Preocupada única e exclusivamente em ser reconduzida ao cargo, manda às favas qualquer escrúpulo.

Ela só quer agradar à categoria da qual faz parte.

Assim, acredita ela, deverá aumentar as chances de se manter como procuradora geral da república.

Como para muitos homens, também para muitas mulheres não importa o merecer, importam tão somente homenagens, títulos e cargos.

Olhe à sua volta e é o que você verá.

Independentemente disso, mantenhamos a esperança de que alguma coisa ainda poderá acontecer em nome da correção dos rumos desse país.

Moro suspeito'

Não esqueçamos, porém, de que há outros bandidos.

Moro, apesar das aparências, vem sendo investigado há muito tempo.

Moro suspeito

Ocorre que todos tinham medo dele, inclusive o STF, e qualquer investigação sobre ele era imediatamente arquivada.

Entretanto, desde a chegada de Glenn Greenwald e do The Intercept muita coisa mudou, afinal os diálogos têm mostrado que ele é o verdadeiro chefe da hoje reconhecida como quadrilha da Lava Jato.

Moro suspeito''

Moro, o ex-juiz que destruiu reputações e vidas de pessoas, hoje não tem mais o controle da sua.

Sua vida está nas mãos da Globo e de Bolsonaro.

Até quando a Globo vai protege-lo?

Até quando o mico vai pagar esse mico?

Mesmo sabendo que, da mesma forma que com o pastor Dallagnol, que tem linha direta com Deus e Dele recebeu a nobre missão de acabar com a corrupção no Brasil (miquinhos amestrados, vocês são canalhas, ninguém tem mais dúvidas, mas também são muito burros), com Sergio “Conje Moro” também nada deverá acontecer, mas não podemos esmorecer.

Todas as tramas estão sendo descobertas e ainda que permaneça a possibilidade da impunidade, todos já foram desmoralizados.

A não ser seres primitivos, ainda que possuidores de diplomas que os transformam em seres de formação de “nível superior”, poucos hoje não percebem, por exemplo, que o Power Point de Dallagnol foi completamente distorcido à época, aliás, como tudo deles sempre foi manipulado e distorcido.

Desde sempre, agora demonstrado e comprovado pelo The Intercept, o Power Point teria os dois, Moro e ele, como figuras centrais e não Lula.

MoroDallagnol power point

Obs. Quem quiser ler a matéria completa da Folha, pode clicar aqui www1.folha.uol.com.br/poder/2019/08/janaina-defende-deltan-enquanto-associacoes-veem-fato-grave-e-verdadeiro-absurdo.shtml

EL PAÍS detona Moro e Dallagnol

MoroDallagnol apagando

Por Ronaldo Souza

Moro e Dallagnol dizem há algum tempo que já apagaram as mensagens nos seus celulares.

Assim, estariam livres de comparações entre as mensagens originais dos seus telefones e as dos hackers que, segundo eles, estariam alteradas.

Mais claro não poderia ser que eles não querem fazer nenhuma comparação.

Perceberam um pouco tarde o tiro que deram no pé com a história dos hackers e vão fugir de qualquer comparação como o Diabo foge da cruz.

Mais do que qualquer outra pessoa, eles sabem que ela só iria mostrar que tudo é verdade.

Você ainda tem alguma dúvida de que eles não têm nenhum interesse em fazer isso?

Vamos lá.

Na sua edição em português, o jornal espanhol EL PAÍS liquida a argumentação de Moro e Dallagnol ao dizer que “obteve documentos da própria Operação Lava Jato e fez entrevista com o fornecedor de uma ferramenta utilizada pela Polícia Federal que demonstram que, sim, é possível recuperar mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos”.

Você acha que Moro, Dallagnol e a Polícia Federal desconhecem essas ferramentas?

Não é possível, pois a Lava Jato fez isso várias vezes nos celulares e computadores de empresários e delatores, como mostra a matéria abaixo do EL PAÍS.

Então por que eles não fazem?

É inacreditável como não cansam de se desmoralizar.

Haveria outra possibilidade?

Talvez.

Já se sabe que os hackers são estelionatários, entretanto, a própria Polícia Federal disse que não via neles conhecimento de tecnologia suficiente para fazer um trabalho do porte do que foi feito e aí talvez possa surgir uma questão.

E se de repente, no material hackeado não houver nenhum diálogo do que tem mostrado o The Intercept?

Veja a matéria do EL PAÍS.

Moro se esconde no hacker

Por Daniel Haidar, no EL PAÍS

Enquanto o mundo político debate as possíveis consequências legais das conversas de Deltan Dallagnol e Sergio Moro publicadas pelo site The Intercept, o procurador e o ex-juiz da Lava Jato, agora ministro da Justiça, repetem um discurso que lhes ajuda a conter os riscos de investigações na esfera criminal, o único tipo de cerco que poderia apreender seus telefones celulares e verificar a autenticidade dos diálogos vazados. Moro e Dallagnol, desde as primeiras conversas vazadas, afirmam que os diálogos poderiam ter sido adulterados por hackers que roubaram criminosamente as conversas. Afirmaram ainda que não podiam provar essa eventual adulteração porque apagaram os aplicativos do Telegram de seus celulares e, consequentemente, as mensagens.

“Várias análises mostraram que os diálogos são falseáveis. A origem são pessoas acusadas de crimes, inclusive de falsificação, e quem tem o documento com os diálogos não o apresentou para verificação”, repetiu Dallagnol em entrevista à rádio CBN, na sexta-feira, após a prisão dos hackers suspeitos de ter tentado roubar dados de seu celular e de quase mil autoridades.

Mesmo depois que o principal detido confessou o suposto crime à Polícia Federal e disse não ter alterado o conteúdo, o procurador de Curitiba segue repetindo que suas conversas podem ter sido mudadas e não é possível cotejar com as originais (ainda que não detalhe se apenas deixou de usar o Telegram no celular ou se apagou a conta em si no serviço, o que mudaria o tempo de armazenamento do conteúdo). O EL PAÍS, no entanto, obteve documentos da própria Operação Lava Jato e fez entrevista com o fornecedor de uma ferramenta utilizada pela Polícia Federal que demonstram que, sim, é possível recuperar, em muitos casos, mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos.

Tanto é possível resgatar mensagens deletadas de SMS, WhatsApp, Telegram e até de outros aplicativos que peritos da PF recuperaram várias conversas dos celulares de presos da Lava Jato. Desde o começo da megainvestigação em Curitiba, em 2014, a Superintendência da Polícia Federal no Paraná utiliza a tecnologia que executa a tarefa. Trata-se de um dispositivo eletrônico batizado de UFED (Universal Forensic Extraction Device), parecido a um microcomputador em formato de maleta, que foi vendido pela empresa israelense Cellebrite. O dispositivo, que também é oferecido como aplicativo para instalação em computadores ou notebooks, já foi vendido para outras unidades policiais do país.

A ferramenta funciona da seguinte forma: uma vez apreendido o celular, basta conectar por cabo o celular à maleta ou ao computador com a ferramenta instalada. Pelo aplicativo da Cellebrite, o perito escolhe se faz a extração integral dos dados ou se produz relatórios específicos. A Cellebrite, no entanto, explica que nem sempre é possível recuperar mensagens deletadas de um aparelho celular. É preciso que os dados estejam acessíveis na memória interna do aparelho, que costuma deixar os dados registrados mesmo depois de deletados dos aplicativos, ou na nuvem de dados do aplicativo utilizado. Também é preciso que a versão do aplicativo da Cellebrite esteja atualizada para acessar os sistemas operacionais mais recentes dos aparelhos. A empresa israelense oferece novas atualizações à medida em que fabricantes como Apple e Samsung criam novos sistemas operacionais.

Leia o texto completo aqui www.brasil.elpais.com/brasil/2019/07/31/politica/1564606298_023940.html

Moro Mente

Moro mente'

Associação Brasileira de Juristas pela Democracia

Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco, em São Paulo, para denunciar a conduta do atual ministro da Justiça, que segue extrapolando limites éticos e do cargo que ocupa, sem sofrer uma investigação séria e rigorosa.

Gravidade dos fatos

A ABJD considera fundamental que a sociedade entenda que os diálogos divulgados são de uma gravidade absoluta, e que Moro e os procuradores da Lava Jato agiam de forma ilegal para atingir pessoas e fins específicos.

Desde que foi flagrado em conversas com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, Moro insiste em dizer que não reconhece a autenticidade das mensagens, que elas podem ter sido parcial ou totalmente adulteradas e, mais impressionante, que o conteúdo não traz nada de ilegal, e que ilustra a atuação normal de um juiz, comum ao dia a dia de uma operação.

 Para a entidade, o discurso do ministro da Justiça é falso e mentiroso, porque não é normal um juiz antecipar que está faltando determinada prova, sugerir testemunhas, sinalizar quando as ações devem ser realizadas, verificar petições antes que elas sejam protocoladas e façam parte do processo, avisar dos prazos, opinar sobre delações premiadas e combinar ações de investigação de atos processuais. Tudo isso em relação a uma das partes, enquanto trata com desrespeito a outra.

#VazaJato

Considerado o grande herói do combate à corrupção, a imagem mítica de Sergio Moro começou a se desfazer no dia 9 de junho de 2019, quando o portal de notícias The Intercept Brasil lançou uma série de reportagens com as conversas privadas, obtidas de forma anônima, do ex-juiz com o procurador chefe da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol e entre o grupo de procuradores.

As divulgações, em parceria com outros veículos, mostram ao Brasil e ao mundo que as ações da operação eram combinadas e coordenadas entre os membros do Ministério Público Federal, que conduziam as investigações e Moro, que era o responsável pela análise e julgamento dos envolvidos.

Desde então, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) está entre as entidades que busca respostas dos órgãos competentes, e exige medidas rigorosas e necessárias contra os envolvidos.

Herói ontem, capacho hoje, Moro já é lixo da História

Moro merda e hacker

Por Ronaldo Souza

A degradação de Sergio “Conje” Moro foi muito rápida.

Quantos conseguem ou querem ver é o que menos importa, ou simplesmente não importa.

O herói nacional que entrou no governo do mico para lhe dar respaldo moral, o super ministro que seria a grande referência do governo, derreteu.

Completamente desmoralizado, foi-se por completo o sonho de ser presidente da república, seu desejo de há muito.

Sonho esse que ele já trabalhava como ministro da justiça, o que o tornava alguém perigoso para o pensador que hoje ocupa a cadeira da presidência.

O pensador, também conhecido como mico, já fora alertado para isso por assessores; “Cuidado! Na sua sanha por poder, Moro vai lhe trazer dificuldades”.

Claro que não nesses termos, pois traria “dificuldades” para a compreensão do mico.

Foi esse o teor, mas dito de outra forma.

Os vazamentos iniciais do governo do mico para a Globo deram os primeiros sinais de que realmente as coisas fugiriam do controle e acenderam a luz amarela. O mico, num esforço mental que quase queima seu esforçado neurônio, começou a perceber que de fato corria risco.

A rapidez com que andavam as investigações no ministério público do Rio de Janeiro sobre um dos vice-presidentes, Flávio Bolsonaro, um rico plantador de laranjas, chamaram a atenção também.

E aí, como que de repente, Bolsonaro deixou de brigar para dar o Coaf a Moro.

Vamos lá.

Não é pelo Coaf que se investigam as movimentações financeiras?

Estas não ‘abririam’ de vez a caixa preta das relações com os milicianos?

Nas mãos de Moro, como andariam, por exemplo, as investigações do Coaf sobre o vice-presidente Flavio Bolsonaro e sua íntima relação com os milicianos?

Você percebe que com o Coaf, Moro teria um poder enorme?

Percebe também que ele teria Bolsonaro na mão?

Mesmo o mico percebeu que, de lá de dentro, Moro trabalharia para detonar seu governo.

O que fez?

Como um Red Bull ao contrário, cortou-lhe as asas.

Tirou o Coaf dele.

Enquanto isso, os geniais gênios de genialidade genial, sentados com as suas camisas amarelas CBF-padrão FIFA nas confortáveis poltronas dos auditórios da estupidez no Farol da Barra (como dói falar assim de algo que é tão caro aos baianos como o Farol da Barra, símbolo de tanta coisa na nossa história e ao mesmo tempo de rara beleza) e nas avenidas paulistas espalhadas pelo país, defendiam bravamente o Coaf nas mãos do Conje; em nome do combate à corrupção.

Como se Bolsonaro quisesse realmente que fosse assim.

Meu Deus!

Como são geniais os geniais gênios de genialidade genial, também conhecidos como miquinhos amestrados, nata da inteligência e intelectualidade da nossa rica e culta classe média.

Aproveito para parabenizar a Polícia Federal.

Que se registrem, com os devidos elogios, a competência e rapidez da Polícia Federal em localizar bandidos.

Viram como rapidinho, rapidinho chegaram nos hackers!

Por falar nisso, cadê Queiroz?

O problema é que o episódio dos hackers só complicou a vida de Moro e expôs toda a sua incapacidade de pensar, acostumado que ficou a não precisar fazer isso. A força que teve como juiz lhe permitiu fazer o que agora mostra ser a sua grande característica; a truculência.

Mesmo partindo de um homem do qual sempre chamei a atenção para as evidentes limitações de inteligência (falo disso há anos), é incrível como ele não percebeu o tiro que daria no pé por conduzir a questão dos vazamentos e dos hackers como fez.

Moro prenderam os hackers

É inacreditável.

Nitidamente tentando tirar do foco mais uma fraude que cometera, atraiu a atenção do país para a necessidade de identificação dos “criminosos invasores” do celular de autoridades brasileiras, como brilhantemente afirmado por Dallagnol, o procurador que procura e acha dinheiro com extrema facilidade.

Foi tão convincente na necessidade de se buscarem os criminosos, que por pouco os miquinhos amestrados também não saíram à procura daqueles miseráveis bandidos.

E, não esqueça, bandido bom é bandido morto.

Ou pelo menos deportado.

O He-Man (eu tenho a força, lembra?) usou o que tinha; a força.

Não pensou.

Não pensou e procurou os autores do que não existia.

Afinal, depois de reconhecerem os diálogos, ele e Dallagnol passaram a dizer que eram falsos, que não reconheciam e que caso fossem verdadeiros poderiam estar alterados.

No entanto, ele se apressou a pedir desculpas ao MBL por causa de uma crítica feita a eles, revelada nos… diálogos.

Pedir desculpas por uma crítica feita em diálogo que não existe!!!

Descer do pedestal da arrogância e prepotência e pedir desculpas só mostra uma coisa quando se trata de Moro; o desespero que tomou conta dele. Ele está de tal forma que não pode desagradar a ninguém. Agora precisa de todos, sem exceção, até do MBL.

Por outro lado, se os diálogos são falsos por que tamanha preocupação em descobrir os hackers?

Depois de tanto procura-los e perceber que só fizeram confirmar que os diálogos são verdadeiros, o que faz Moro agora?

Tenta desqualifica-los!!!

E nisso, desqualificar os adversários (agora no Brasil juízes têm adversários e não eventuais réus para julgar), há que se reconhecer; eles são mestres.

Mas algo mais ainda estava por vir.

O maior escândalo do judiciário brasileiro estava para vir à tona.

E foi aí que aconteceu.

Moro revelou qual era o verdadeiro objetivo em descobrir os hackers.

Uma violência jamais vista no Brasil.

O Ministro da Justiça do Brasil propôs a destruição de provas.

Destruição de provas.

Diante de todos os microfones e câmeras, diante de toda a nação.

Abertamente.

Escancaradamente.

Vergonhosamente.

O rei está, definitivamente, nu.

Moro e a corrente

Ainda há mais, que aos poucos vai aparecer, mas a podridão que já veio à tona desse reinado em qualquer país que se diga sério seria suficiente para, no mínimo, afastar esses homens dos seus cargos públicos.

É uma verdadeira imoralidade.

Para Moro foi-se de vez o sonho da presidência.

Mas há ainda um plano B.

Supremo Tribunal Federal.

STF. 

A sigla mágica.

A que faz homens e mulheres pensarem que são supremos homens e mulheres, quando muitas vezes sequer são homens e mulheres.

Mesmo para esse tribunal também vergonhoso, Moro está completamente desqualificado, como desqualificado está para qualquer cargo público.

Moro é um homem indecente.

O super ex-juiz, agora super ex-ministro, continua ardentemente desejando ser um supremo ministro.

Por conta disso, tornou-se um dependente da boa vontade do mico.

Passou a comer na sua mão.

Um capacho que agora se limita a concordar e aprovar tudo que o mico propõe ou faz.

Não que isso represente qualquer tipo de dificuldade para ele.

Camaleônicos se adaptam a qualquer situação.

Para eles, nenhum energético é mais efetivo que a ambição pelo poder.

Moro é a maior fraude do Brasil nesses longos e tenebrosos últimos anos.

Ele e Dallagnol só não foram afastados dos seus cargos porque o Brasil de hoje é um país que perdeu o respeito por si próprio.

O inconsciente coletivo

Inconsciente Coletivo

Por Ronaldo Souza

Eu poderia começar este artigo dizendo algo como “não importa o que eles pensam…”, mas não vou.

A razão é bem simples; eles não pensam.

Assim, a frase “não importa o que eles pensam” não teria sentido.

Quem não pensa não toma conhecimento das coisas e aí tudo se torna bem mais difícil.

Pode parecer haver uma contradição em quem diz que a ignorância é uma benção e diz que na ignorância “tudo se torna bem mais difícil”.

Não há.

Explico.

A ignorância é uma benção para o ignorante.

Quem ignora não sabe o que desconhece e por desconhecer não consegue expandir a mente.

A mente pequena não é exigente.

Nela não há esforço, não há padecer.

Mas há outra categoria que ocupa um andar um pouco mais abaixo.

Já ouviu dizer que “o pior cego é aquele que não quer ver”?

É o caso deles; além de não pensar, eles não querem tomar conhecimento de nada.

A ignorância traz bloqueios enormes e um deles é o horizonte curto.

A pessoa muitas vezes não consegue compreender sequer o que foi dito ou escrito. Ir além disso, nem pensar.

Já que nos situamos, vamos ao assunto.

A campanha eleitoral de Bolsonaro, todos sabem, foi uma grande fraude.

Não há registro de algo parecido na recente história do país. Se houve antes, a minha leitura não alcançou.

Ocorre, porém, que a adoção da expressão fake news teve um efeito desastroso na vida do brasileiro.

A grande indignação que se teria como reação à mentira deslavada, ao cinismo e à canalhice foi tremendamente amenizada e muitas vezes sequer existiu, porque se transformou em fake news, expressão que só por ser ouvida e lida em inglês já se torna automaticamente aceita.

A mentira se incorporou de maneira absurda e inaceitável à vida das pessoas.

A campanha deslavadamente apoiada em mentiras feita pelo atual presidente, sob a coordenação e orientação de um dos seus gurus, o norte americano Steve Bannon (o mesmo que fez a campanha de Trump e por ele foi indicado a Bolsonaro), foi facilmente aceita porque entrou em perfeita sintonia com a forma de agir dos seus fieis seguidores.

Vamos lá.

Quantos robôs foram utilizados para enviar mensagens, disparos de whatsapp com mensagens escandalosamente falsas?

Quantos amarelinhos-CBF-padrão FIFA fazem o mesmo nas suas atividades profissionais?

Quantos “adotaram” a postura de exibir milhares de seguidores nas redes sociais, quando na verdade são robôs?

Será que eles, que vão para o Farol da Barra, Avenida Paulista… bradar contra a corrupção nos domingos de sol das manifestações, imaginam que ninguém sabe quem são os que fazem esse tipo de coisa e outras mais?

Será que eles, que passam por mim e por você nas faculdades, nos eventos, nas praias, nos shoppings, no futebol,  imaginam que nós estamos sempre olhando para a Lua?

Que não sabemos o que já fizeram e fazem, como disse, nas suas atividades profissionais?

Gente a quem eu e você damos bom dia, boa tarde, “oi, tudo bem?”, como impõe a convivência social e profissional.

O que explica essa estranha e “imperceptível” afinidade entre eles e instituições como CBF-FIFA, internacionalmente reconhecidas pela corrupção?

Tão espertos e tão tolos.

Fecho os olhos e vejo vários deles.

Achei emblemática essa frase de uma postagem do meu amigo, o Prof. Marcel Arriaga:

“Ressalto que conheço bem todos os que se pronunciaram”.

A breve matéria que vocês vão ler aqui embaixo foi publicada em um jornal português.

Ela mostra que Bolsonaro diz 1,1 mentira por dia.

Isso já era sabido.

Todos sabem que ele mente muito. 

Só não tínhamos esses números.

Mas sabe o que é o pior de tudo?

É saber que vocês são cópias dele.

Ou jamais se percebeu a quantidade de mentiras que são postadas nas redes sociais diariamente?

Por quem?

Vocês o repetem nos gestos, nas palavras, nas ações, nas ofensas.

As afinidades explicam a explosão do preconceito, ódio e violência em vocês.

Eleger um mito é se ver nele.

O mito é reflexo do inconsciente coletivo.

Sabe o que é sedutor no inconsciente coletivo?

É que, sem que se perceba, por isso é “inconsciente”, ele traz um grande conforto às mentes menos exigentes.

O conforto da correnteza; deixar-se levar.

Manada

Deixar-se levar elimina o esforço do pensar.

A correnteza faz uma massa única onde iguais agem por instinto.

Macaco vê, macaco faz.

Vocês não têm e por isso não usam outras armas que não sejam as dele.

“Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços”.
José Régio

Há sim, ironias e cansaços que quisera eu não existissem.

Ironias como forma de reagir a tanto preconceito, a tanto ódio, a tanta violência.

Ironias para enfrentar a covardia de homens e mulheres pequenos, que encontram na ofensa uma forma de viver.

Cansaços por tanto dispêndio de energia.

Cansaços do corpo e da alma no enfrentamento de seres tão abjetos.

“Ressalto que conheço bem todos os que se pronunciaram”.

A canalhice ultrapassou todas as fronteiras.

E hoje anda ao nosso lado.

Bolso mentira

Diário de Notícias

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro prestou 2054 declarações falsas ou distorcidas nos primeiros 184 dias do seu mandato, concluiu o site digital Aos Fatos, dedicada à verificação do rigor das informações divulgadas pelos media do país.

Esse resultado dá uma média diária de 1,1 declarações falsas ou distorcidas feitas por Bolsonaro entre a posse, a 1 de janeiro deste ano, e o dia 4 de julho.

Com verificações feitas semanalmente pelos jornalistas do Aos Fatos, algumas das “afirmações mais repetidas” por Bolsonaro e que carecem de rigor são “Nós devemos a nossa democracia às Forças Armadas” ou “Montamos nossa equipe [governamental] de forma técnica, sem o tradicional viés político…”.

Com vários observadores a apontarem semelhanças na ação política de Bolsonaro e Donald Trump, outra dessas afirmações dúbias foi: “Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é antiamericano chega a Washington.”

A mais recente afirmação questionável de Bolsonaro identificada pelo Aos Fatos foi no próprio dia 4 de julho: tendo o presidente dito que trabalhara “com nove, dez anos de idade na fazenda” da família, o site comparou-as com declarações em sentido contrário feitas em 2015 pelo seu irmão Renato.

Em entrevista à revista Crescer, “Renato disse que o pai ‘[…] nunca deixou nenhum filho trabalhar, porque achava que filho tinha que estudar’. Isso torna CONTRADITÓRIA a declaração feita pelo presidente”, afirma aquele site de verificação de notícias.

Outra das declarações falsas mais repetidas por Bolsonaro é a que “Israel é menor que o menor estado do Brasil, Sergipe”. Basta comparar as áreas para se aferir a verdade. Israel tem 22 070 quilómetros quadrados e Sirgipe tem 21 927 quilómetros quadrados. Esta declaração foi repetida três vezes por Bolsonaro, desde que tomou posse.

O Aos Fatos, sediado no Rio de Janeiro e São Paulo, nasceu em 2015 e foi fundado pela jornalista Tai Nalon e pelo especialista informático Rômulo Collopy. Este é um dos sites nascidos nos últimos anos no meio jornalístico para combater as chamadas fake news – de que o mais conhecido será o Fact Checker do jornal Washington Post, que já identificou mais de 10 mil afirmações falsas ou dúbias feitas pelo presidente Donald Trump.

Bolsonaro declara guerra ao Nordeste

Bolso ama o nordestino

Por Ronaldo Souza

Bastaria ver o nome do aeroporto.

Aeroporto Glauber Rocha.

Baiano, tido por muitos como um gênio do cinema, autor de clássicos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Glauber Rocha certamente não era um cineasta “terrivelmente evangélico”.

Ainda bem, porque seria terrivelmente ruim se fosse.

Portanto, a inteligência e o bom senso, raros nos tempos atuais, sugerem fortemente que o Aeroporto Glauber Rocha jamais seria uma obra do governo Bolsonaro.

Jamais.

Aos cães raivosos, que por um bom tempo ainda continuarão vomitando a sua raiva, é uma obra do Governo Federal, governo Dilma, em parceria com o Governo do Estado da Bahia, governo Rui Costa.

E o mico anda dizendo que mesmo sem recurso ele conseguiu concluir a obra.

O presidente foi… como dizer sem chama-lo de mentiroso? Não foi honesto.

Houve um último pagamento feito no governo de Temer, que teria sido no governo dela própria, Dilma, mas como o tomaram…

Realizado pelo governo do mico, que paga mico todo dia, nada, zero, “neca de pitibiriba”, como dizemos aqui no Nordeste que ele tanto odeia.

Bolsonaro  vinha para a solenidade como convidado do Governo do Estado da Bahia, dentro de um processo de convivência saudável entre governador e presidente, de partidos opostos, mas não inimigos.

Ocorre que, como tudo mais, o presidente desconhece as relações de convívio saudável em qualquer nível.

E como autoridade máxima do país, às escondidas ele transformou a inauguração numa festa dele.

E veio como intruso.

Penetra.

Receoso das vaias que receberia, mesmo sendo uma região rica e de muitos fazendeiros (afinal, apesar de alguns preferirem que assim não fosse, Vitória da Conquista é uma cidade do Nordeste), Bolsonaro determinou que a inauguração não seria aberta à população.

Se você não acredita, aqui está a foto do aeroporto hoje pela manhã. Observe que os tapumes da obra não foram retirados para impedir a aproximação do povo.

Conquista e o muro da vergonha

Determinou que seriam 300 convidados, dos quais somente 70 do governador. Um ambiente hostil ao governador estava sendo preparado.

Soube-se depois que de 300 teria passado para 600 convidados, sem alteração no número daqueles de responsabilidade do governo do estado, proporcionando ambiente mais hostil ainda.

Não satisfeito, como você pode ver na manchete lá em cima, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) proibiu o pouso do avião que levaria governador e comitiva para a inauguração do aeroporto.

Tornou-se uma festa particular.

Mas, certamente, o presidente vai dizer o que lhe vier na cabeça.

E dali nunca sai coisa boa.

No seu twitter (não seria bom que ele trabalhasse um pouco, um pouquinho só pelo menos?), ele postou que o governador mandou tirar a Polícia Militar da sua segurança, mentindo mais uma vez.

Os seus miquinhos amestrados não sabem, mas todos sabemos que o policiamento interno dos ambientes onde ele estará é de responsabilidade da Abin, da sua segurança pessoal e da Polícia Federal (a mesma que deixou acontecer a “punhalada” que, estranhamente ele autorizou que parassem as investigações e até o grande Alexandre Frota, deputado do seu partido, estranhou).

Além disso, o exército cercou o local e ele mandou posicionar atiradores de elite no topo do aeroporto.

O que faria a Polícia Militar, que nem teria acesso às dependências internas da solenidade de inauguração?

Bater nas pessoas que ousassem se aproximar para conhecer o aeroporto de sua cidade?

Mas, como disse o jornalista Fernando Brito, “o clima é de inteira liberdade. Dentro do ‘cercadinho’, claro”.

Presidente, veja o que o senhor consegue fazer.

Depois de dizer isso, o senhor consegue ter a cara de pau de dizer que não disse.

E aí sai outra vez jurando amor eterno aos nordestinos.

Cerca de três ou quatro dias depois o senhor fez isso.

Todos sabemos que o senhor gosta de pau de arara, mas do outro, aquele que tanto se usou na ditadura militar e o senhor costuma fazer a apologia, particularmente quando fala do coronel Brilhante Ustra, um torturador que se deliciava colocando baratas e ratos na vagina de mulheres.

Mas esse pau de arara de que o senhor fala no vídeo mais acima é, mais uma vez, o sarcasmo, o deboche, a humilhação com que muitos se referem ao paraíba, esse ser inferior, de quem o senhor tinha acabado de dizer tanto gostar.

A aquele pau de arara que tanto mal fez e faz o senhor faz a apologia, num discurso inflamado e doentio.

Ao outro pau de arara, o paraíba, o senhor se refere com o desprezo, a gargalhada larga, escancarada, do deboche que fere a carne e atinge a alma de um povo sofrido, mal tratado e eternamente subjugado na sua pureza e esperança, que de tão grandes e fragilizadoras chegam vez por outra a depositar em homens asquerosos como o senhor.

O que restou ao paraíba que está ao seu lado e do seu lado?

Sujeitar-se aos abusos do chefe e cumprir o mesmo papel que cumpre o deputado Hélio Bolsonaro, trastes humanos que são.

Mas não se preocupe, presidente, todos nós nordestinos sabemos do seu amor pelo Nordeste e sabemos o quanto nos tem ajudado.

Todos os seus gestos, palavras e ações mostram isso de maneira bem clara.

Bolsonaro impede verbas para o Nordeste Na hora certa saberemos reconhecer tudo isso.

Pode ter certeza, não esqueceremos.

Permita-me usar aquelas coisas geniais que os seus miquinhos amestrados, cada vez com mais raiva de tudo, adoravam dizer.

Acho bom Jair se acostumando porque o Nordeste já percebeu quem você é.

A autofagia do Nordeste

Nordeste

Por Ronaldo Souza

O Nordeste é autofágico

Aquilo devia ter me chocado.

Mas não foi o que aconteceu.

Não chocou e, mais ainda, concordei com o que tinha acabado de ouvir.

Com tristeza, mas concordei.

Em mais uma das conversas que sempre tínhamos, um professor, amigo e brilhante como poucos, me disse.

“O Nordeste é autofágico”.

Era 2006.

Por mais que algo possa parecer provável, a força da probabilidade jamais será maior do que a força do fato.

A viajem que por segundos fiz pela reflexão me permitiu ver o que já sabia e me fez mais facilmente concordar com o que acabara de ouvir.

Tenho uma certa repulsa por homens e mulheres que se permitem subjugar.

Se houvesse alguma virtude no atual presidente da república seria a de não esconder que ele sempre foi e será racista, xenófobo, homofóbico e misógino.

Quando digo “se houvesse alguma virtude” nele é porque o que poderia ser uma virtude, a da autenticidade, uma característica que aquelas mesmas mentes privilegiadas de sempre atribuem a ele, nele não passa de mais uma comprovação da sua absoluta estupidez, que o torna um completo sem noção.

Ser “um completo sem noção” faz com que ele diga as coisas mais estapafúrdias do mundo a qualquer hora e em qualquer lugar, sem saber o que está dizendo.

A ignorância não pede licença.

Toma o lugar.

Não à toa ele é o grande mito dos sem noção.

Na campanha, sempre com a sutileza paquidérmica que lhe é característica, aos seus três vice-presidentes também, ele jamais negou as características que o tornaram desde sempre um completo pateta e sempre mostraram todo o seu desprezo por negros, homossexuais, mulheres e… nordestinos.

Que candidato em plena campanha exporia repetidas vezes o seu ódio por essas sub raças, não fosse ele o mais estúpido dos estúpidos?

Diante desse desastre, a pergunta que não cala e que nos atormenta parece não ter resposta!

O que pensar de negros, homossexuais, mulheres e nordestinos que votaram nele?

O que são de fato e não na aparência esses homens e mulheres?

Não sei, mas homens e mulheres não são.

São, quando muito, protótipos que, em algum momento, tiveram seus projetos abortados e não conseguiram atingir o ponto mais elevado no desenvolvimento:

Ser homem ou mulher de verdade; plenos.

Não parece difícil ver o que historicamente sofreram e sofrem os nordestinos em termos de humilhação e desprezo, momentos em que se revela a enorme pobreza mental e intelectual desse país, vinda todos sabemos de que partes dele.

Vasculhe o mapa do Brasil na sua memória e você as encontrará; muitas vezes ao seu lado.

E por favor, não tentem fazer o velho jogo do cinismo de sempre, negando a verdade que há nisso, levando a conversa para o “ah, você está apelando”, “tá dramatizando “…, pois “baianos” e “paraíbas” identificam com extrema facilidade de onde partem os frequentes ataques à sua dignidade pelo simples fato de existirem.

Os registros da imprensa estão aí para não permitir qualquer tentativa nesse sentido.

Complexo de vira-latas

E o que fazem alguns nordestinos?

Põem-se de cócoras em movimento de submissão.

A absurda, inconcebível e injustificável postura que esses homens e mulheres assumem reflete a sua frouxidão, muitas vezes pelo desejo de serem agradáveis a quem julgam serem superiores a eles.

Não se trata simplesmente de confundir o bem tratar, o bem receber, o “braços abertos”, com a docilidade exagerada e a disponibilidade eterna.

É o desejo de ser aceito como igual, “conceito” que tantas vezes buscamos na luta para não sermos tão desiguais, mas que virou uma expressão boçal, “ser igual”, tantas vezes utilizada para definir “iguais” como especiais; os eleitos pelos deuses do viver bem.

Tudo para se sentirem aceitos.

“Só tenho a agradecer a esse grupo, nata da… por me permitir fazer parte dele”.

E aí se sentem aceitos.

Não são.

Também aí confundem as coisas.

Confundem permissão para participar com espaço para ser.

O bem tratar, o bem receber, o “braços abertos” raras vezes encontra reciprocidade.

Experimentem demonstrar conceitos diferentes, ideias próprias, que confrontem as já existentes e estabelecidas por eles.

Experimente conquistar espaço próprio.

Você já ouviu falar de boicote, sabotagem…?

Reserva de mercado, como ocorre entre empresas, já que alguns estão hoje intimamente ligados a elas.

Frouxidão que é puro reflexo da ignorância sócio-política que possuem e que não lhes permite afirmarem-se como pessoas importantes que poderiam ser.

Afinal, fazem parte da segunda região mais populosa do país.

Fazem parte de uma região rica como poucas em música, cinema, arte, folclore, culinária, grandes escritores, ou seja, de riqueza cultural inigualável.

Mas, nada disso significa alguma coisa para eles, porque, no fundo, reflete o quanto são absolutamente iguais aos que hoje comandam os destinos desse país.

Essa afinidade, envergonhada e trancafiada durante muito tempo no íntimo de suas almas, rompeu todas as fronteiras da civilidade quando finalmente encontrou terreno fértil no atual governo para assumir a pequenez dos pigmeus que são, e explodiu em palavras, gestos e ações de incontrolável preconceito e ódio.

Como os nossos atuais dirigentes, além de completos idiotas, muitos já exibem sem pudor a sua canalhice.

Tudo em nome de uma subserviência histórica, explicada pelo complexo de vira latas.

Sofrem de problemas crônicos na coluna vertebral por curvarem-se em excesso diante do sul maravilha, expressão muito conhecida no Nordeste mas que, apesar do nome, tem muito mais a ver com o encanto por estados do Sudeste, em particular por São Paulo.

Mero reflexo da enorme lacuna na formação, que, numa amplitude maior, também apresenta o brasileiro em relação a alguns países, muito particularmente o de Trump, agora tão mais próximo do nosso pela grande semelhança no desequilíbrio mental e na estupidez incomensurável dos seus respectivos presidentes.

Refiro-me particularmente a essa classe média ignorante e medíocre, tão bem definida por Marilena Chaui.

Definição que causou muita revolta neles, por não perceberam que o que os incomodou não foi ela ter tocado na ferida; na verdade, ela feriu a ferida.

A ferida da alma.

Classe média onde vamos encontrar os nossos profissionais liberais, os nossos “mestres”, os nossos “doutores”, os nossos “professores”, todos entre aspas sim.

Professores, meu Deus!!!

Muitos mal conhecem a sua especialidade.

Há exceções?

Sim, claro, mas cada vez mais crescem as razões para duvidar disso.

Chega de contemporizar.

Já basta o convívio que nos é imposto em nome das relações sociais e profissionais.

É insuportável atura-los, agora que mostraram e se entregaram com vontade ao que há de pior e mais vil em termos de sentimentos da raça humana.

As insinuações que sempre ouvimos, as depreciações que testemunhamos, os dedos sempre apontados para os males que só os outros possuem, como que a tentar mostrar a sua diferenciação por serem “homens de bem”.

São iguais a eles, nossos dirigentes.

Representam o que há de mais deplorável no ser humano.

Escória.

Covarde como sempre, o presidente já recuou e disse que não ofendeu os nordestinos.

E nos chama de “irmãos”.

Consegue negar o que está registrado em microfones e câmeras.

Por que recuou?

Porque alguém o advertiu que o Nordeste é a segunda região mais populosa do país.

E que ele, na sua estonteante estupidez e pequeno mundo povoado por milicianos, esquece do potencial eleitoral.

Nordeste que deu a ele grande quantidade de votos, com participação decisiva dos nossos profissionais liberais, nossos “mestres”, nossos “doutores”, nossos “professores”.

Que sentimento posso ter por esses homens e mulheres que se permitiram subjugar?

Não queremos ser locomotiva de nada.

Só queremos viver bem.

Com a alegria que sempre tivemos.

Temos as cores que ninguém tem.

O azul do Céu que ninguém tem.

Os raios de Sol num verão que a ninguém mais coube e que não só aquece os nossos corpos; ilumina as nossas almas.

E o nosso pôr do Sol?

Você morre todos os dias com ele e renasce na manhã seguinte, quando ele vem lhe despertar na sua janela; “ei, ei, acorde, vamos viver mais um dia, dia que foi feito para você”.

E permite que seu corpo se espreguice com vontade, porque a alma, ah essa já está acordada e viva.

Você conhece o céu e as estrelas das noites do sertão nordestino?

Você já viu alguma vez o luar do sertão, banhado por milhões de estrelas?

https://www.youtube.com/watch?v=KzR9R5-6fBk

Somos brancos, negros, índios, homens, mulheres, gays, lésbicas, somos tudo, num Brasil de muita gente, porque tudo é gente, gente como a gente.

Por que nos desejam tanto mal, até a morte?

Nunca fizemos isso com vocês.

Se temos o que vocês não têm, já perceberam como os nossos braços estão sempre abertos, aí sim, no abraço apertado que vocês tanto estranham.

Somos calor, energia, precisamos tocar, sentir o outro, porque sentir é ver a alma

Não nos levem a mal, somos assim.

O abraço apertado não é para sufocar, é uma forma que inventamos de dizer; seja bem-vindo.

É o que de melhor temos para compartilhar; afeto.

E não escolhemos a quem dar.

Obs. Quando estava fechando este texto recebi esse vídeo, enviado por uma de minhas irmãs. É de José Barbosa Júnior (com adaptações), de 2016, mas nunca foi tão atual. Ponho aqui em homenagem a todos os profissionais liberais, mestres, doutores e professores, particularmente os do Nordeste, que se perderam e contribuíram para o maior apequenamento da história desse país.