Nunca fomos tão medíocres e tão promíscuos

Por Ronaldo Souza

Como sorrir para o canalha que sorri para mim, como apertar a mão do canalha
que aperta a minha, como abraçar o canalha que me abraça?

O ex-juiz Sérgio Conje Moro sempre se mostrou como o maior defensor da liberdade de imprensa.

Jamais negou a sua importância, pelo contrário, enalteceu-a sempre como algo fundamental para o sucesso da Lava Jato.

Por ela foi endeusado durante anos.

Moro herói

São incontáveis as matérias que Globo, Veja, Folha, Estadão, Band… fizeram ao longo desses anos, com capas e manchetes dizendo maravilhas do novo herói brasileiro; Sérgio Moro.

O vazamento de conversas, delações, ligações telefônicas ilegalmente gravadas e ilegalmente disponibilizadas para a imprensa tinha se transformado numa rotina promíscua na relação entre juiz, Lava Jato e imprensa.

Um casamento perfeito, no qual um dependia do outro.

Objetivo; destruir um partido e seus membros.

Se esse era o fim, todos os meios tornavam-se automaticamente válidos.

Não importava que entre as muitas ilegalidades cometidas estivessem absurdos como a gravação ilegal de uma conversa telefônica entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula.

O vazamento era, além de ilegal, conforme reconhecido, ainda que timidamente, pelo já acovardado e acanalhado STF, absurdamente indecente.

Mas não era assim que pensava o fervoroso defensor da liberdade de imprensa.

Para Moro não importava como o áudio tinha sido conseguido, o que importava era o conteúdo.

Os aplausos de sempre em apoio à atitude do ex-juiz ecoavam pelo Brasil.

Aplausos que eram, na verdade, automáticos para qualquer gesto, palavra ou atitude do herói nacional.

Nada mais interessava e tudo se justificava.

Afinal, estavam à frente do julgamento do maior escândalo de corrupção do Brasil, como eles próprios definiram.

Ficou célebre o show do Power Point apresentado pelo procurador Deltan Dallagnol, o pastor que tinha recebido diretamente de Deus a missão de acabar com a corrupção no Brasil.

Dallagnol''

No epicentro do maior escândalo de corrupção do Brasil estava, claro, ele, o chefe da quadrilha, o maior ladrão do país.

Lula.

E tudo corria bem, sob controle.

De repente, num belo dia de Sol, esse astro que nos dá não só a luz que ilumina e dá calor aos nossos dias, como também traz à luz do dia acontecimentos que ocorrem na calada da noite dos ambientes do poder, as placas tectônicas se moveram mais bruscamente e alteraram o curso da história.

E esse movimento das placas tectônicas parecia conspirar a favor de um jornalista americano radicado no Brasil, Glenn Greenwald, que no seu site, The Intercept Brasil, passava a divulgar uma série de diálogos entre o herói brasileiro e os auxiliares de herói, os procuradores da república de Curitiba.

Os diálogos traziam uma nova perspectiva para a Lava Jato e já de saída o reconhecimento de sua autenticidade por parte de Moro e Dallagnol.

Na sequência de publicação dos diálogos, alguns órgãos da imprensa brasileira se incorporaram à sua divulgação.

O ex-juiz Moro e o procurador Dallagnol, que no primeiro momento reconheceram como autênticas as conversas, passaram a questionar sua autenticidade.

Uma vez que já tinham reconhecido a autenticidade dos diálogos, como conseguiam agora nega-la tão descaradamente?

Para quem, como mostram os diálogos, mentira o tempo todo, não havia nenhuma novidade na tentativa de desdizer o que tinham dito no primeiro momento.

Inicialmente vítimas do inconsciente, quando a surpresa lhe pega desprevenido e a resposta sai do seu ser verdadeiro e não trabalhada, não foi difícil de perceber que se tratava tão somente de uma tentativa inútil de abafar o que já estava a caminho.

É que precisavam urgentemente de uma versão para apresentar ao seu público, mesmo sendo ridícula de tola que é.

Tola, mas não para esse público.

Já disse inúmeras vezes e repito; eles sabem para quem estão falando.

A verdade é que a máscara de Sergio Moro caiu e agora em definitivo.

Não há mais retorno, ele acabou e digo isso desde as primeiras postagens de Glenn Greenwald.

Como também Dallagnol.

Mas, independentemente disso, ainda há muita coisa por vir.

Não nego que estou particularmente curioso para ver o que vai acontecer quando for postado um áudio sobre o que diz o ex-juiz e agora ministro da justiça do mico a respeito da eleição do… mico.

Esse eu aguardo com expectativa maior ainda.

Aguardemos.

Ao se incorporarem à divulgação dos diálogos entre o herói nacional e os promotores da Lava Jato (inicialmente feita pelo jornalista Glenn Greenwald e o site The Intercept), Veja, Folha e BandNews (Reinaldo Azevedo) entraram em rota de colisão com os miquinhos amestrados e passaram a ser vistos como comunistas.

Não tá com eles, é comunista.

Uma dedução lógica, ainda mais partindo de brilhantes pensadores que nos brindam todos os dias com pensamentos (!) e ideias (!!) que, fosse vivo Stanislaw Ponte Preta, seria forçado a escrever nova edição de seu livro FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País).

E não há nada pior no mundo dos camisas amarelas de padrão FIFA do que ser comunista.

A reação deles é absolutamente normal, compatível com o universo do qual fazem parte. Não há nenhuma surpresa no comportamento dos bolsominions.

Um breve parêntese.

Ilude-se quem pensa que a manipulação do julgamento de Lula não era conhecida.

Condenação em primeira instância, segunda instância, instâncias superiores, STJ, STF, tudo isso sempre foi uma farsa, necessária para a “comprovação” de que o “julgamento” não apresentava nenhum desvio da Constituição.

Sim, tudo é uma grande farsa.

Desde sempre o comportamento do ex-juiz e de sua Lava Jato não deixava dúvidas quanto a isso.

Mas como querer “mostrar” aqui que era uma farsa, quando o poder judiciário, ministério público, imprensa, todos diziam o contrário?

Sabendo do poder deles, facilmente comprovado pela lavagem cerebral coletiva que fizeram neste lindo e maravilhoso país tropical, como diz o jurista Claudio Lembo no vídeo abaixo, “combater neste momento a luta judicial é uma quase ingenuidade, uma quase loucura, um quase suicídio”.

Neste vídeo de 1 minuto, ele também diz que tudo é uma farsa, inclusive o STF.

Não fiz a luta aberta.

Por uma razão bem simples; não seria inteligente.

Na minha Oração ao Tempo, deixei que ele, o tempo, se encarregasse disso.

Fiz a luta dos que reconhecem quando o inimigo é forte.

A luta de todos os dias.

Todos os dias acendia uma pequena luz, para que a claridade chegasse aos poucos e fosse mínimo o risco de cegueira por exposição brusca ao dia de claridade muito intensa, ainda que imaginasse que esse dia demoraria a chegar.

Mesmo evitando falar de algo que todos tinham como verdade e eu via e vejo como de fato sempre foi, farsa, não foram poucas as vezes que toquei nesse tema indiretamente, através dos meus textos sobre Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Deltan Dallagnol e Sergio Moro (como o próximo bagaço de fruta a ser jogado pela janela).

Era uma maneira de dizer que a charada da farsa da condenação de Lula passava por ali.

O que ocorre agora é que existem evidências claras e irrefutáveis que mostram isso e que seriam suficientes para afastar Moro, Dallagnol, os outros procuradores e também os desembargadores do TRF4, do julgamento de Lula.

Esse afastamento, entretanto, não deverá ocorrer porque o país está contaminado pela corrupção das togas, que diziam combater a corrupção. Ainda que os atos de corrupção deles estejam sendo expostos, nada deverá acontecer.

Mesmo agora, quando o país, estarrecido, toma conhecimento de que Moro, Dallagnol e os procuradores estavam montando uma empresa para ganhar dinheiro com as palestras que fazem sobre a Lava Jato.

MoroDallagnol e corrupção

“Nos diálogos, Dallagnol diz ter recebido cerca de R$ 400 mil líquidos em um ano. As revelações também dão nova carga ao debate em torno da criação de uma fundação administrada pelo MPF com R$ 2,5 bilhões recuperados da Petrobras”.

Dallagnol'

Para que não houvesse problemas pela indecência e imoralidade que estavam realizando, essa empresa seria criada em nome das esposas.

Um país contaminado

Escândalos por toda a parte.

“Primeiro a gente tira a Dilma, depois põe o Michel (Temer)… com o Supremo e tudo”.

Não vamos perder tempo repetindo e detalhando coisas como a corrupção de Onyx Lorenzoni, aceita por Moro porque Lorenzoni reconheceu e pediu desculpas. Logo em seguida ao pedido de desculpas, mais corrupção dele foi descoberta.

Mas não vem ao caso.

Também não vamos falar de Queiroz, que sumiu há sete meses e Moro e Bolsonaro não querem nem ouvir falar.

Laranjas e laranjais, esqueça.

Milicianos, esqueça.

Cocaína no avião presidencial, esqueça.

Promessas de acabar o toma lá, dá cá…

Por falar nisso, você faz ideia de quanto o governo gastou no toma lá, dá cá para aprovar a reforma da previdência?

Esqueça.

Sabe que agora vai começar a pagar a segunda parte do que foi prometido?

São tantas e tantas coisas…

E o que dizem e fazem os adoradores do mico e do ministro da justiça, de férias nos Estados Unidos?

Viver socialmente é se violentar todos os dias

Como se surpreender com pessoas que transformaram suas vidas no primeiro ato de uma peça que deveria evoluir e não evoluiu.

Vidas em que a ausência de luz trouxe a consequente sombra da irrealização.

Aparentemente pacatos, pelas vidas vazias de grandes e verdadeiras lutas e conquistas que enobrecem a raça humana, ao se perceberem carentes de tudo e diante de um fundamentalista desprovido de um sentido para a própria vida, deixaram-se levar por instintos primitivos adormecidos e, como que por combustão espontânea, explodiram num fundamentalismo até então desconhecido, mas que residia no âmago de suas almas.

Talvez sem perceber, porque está acima da sua capacidade de percepção, incorporaram ao seu modo de viver sentimentos de negação da vida e por isso o seu universo se resume a ameaçar, ofender, agredir, desqualificar… Enfim, diante de qualquer perspectiva que não seja a deles, usam todos os artifícios para destruir, seja quem for, seja o que for.

A Globo e a Veja, particularmente esses veículos, fizeram deles autômatos, seres que se movem por comandos externos, sem autonomia. E encontraram no atual governo o terreno mais fértil para a libertação dos instintos mais primitivos.

Não percebem, porém, que não são mais “anônimos”, aqueles que dizem coisas que depois caem no esquecimento conveniente e necessário para o convívio pessoal, que faz parecer que tudo vai continuar como era.

Não vai.

Como se permitir sorrir para aquele canalha cujo sorriso invade e agride a sua alma no inescapável e “inocente” gesto do cumprimento social?

Como apertar a sua mão no inescapável e “inocente” gesto do aperto de mãos?

Como abraçar, o mais autêntico dos cumprimentos, o canalha que, ao tocar seu corpo, provoca o arrepio do desprezo?

Sempre existirão as pessoas que lhes sorrirão, apertarão a mão e darão quem sabe até um abraço fraterno.

Mas eles estão no “consciente” das pessoas que os veem todos os dias destilar veneno e por isso, podem ter certeza, haverá também aqueles que chegarão com o “mesmo” sorriso e talvez eles percebam que o “mesmo” sorriso já não é o mesmo sorriso e sim um sorriso amarelo (a redundância é intencional) de quem os despreza, mas ainda permite o aperto de mão, o cumprimento universal e inevitável. Um abraço, também às vezes inevitável, não será o abraço, porque talvez não consiga abafar o desprezo que o convívio social impõe engolir.

Eles perceberão, pelo menos alguns deles.

E quando não perceberem isso com clareza, talvez tenham como companheira a dúvida de quem não percebe por não saber o que é de fato um abraço.

Tudo isso por uma razão; há limite para tudo.

E ele foi atingido.

Muitos já perceberam, e muitos mais o farão, do que é capaz esse governo absolutamente ridículo, medíocre e promíscuo, que eles continuam defendendo e protegendo da maneira que todos estão vendo.

As consequências de tudo que está ocorrendo são imprevisíveis, mas o custo será alto.

E essa conta irá para os nossos filhos e netos.

Quando todos perceberem que seus filhos e netos pagarão essa conta, o que nos restará fazer?

Não será necessário delata-los.

Há muito já saíram do armário e estão se exibindo.

E isso também terá um custo.

“Lula tá preso babaca”

Latuff, Lula e Moro 1

Por Ronaldo Souza

Meu voo estava atrasado.

Ainda teria que esperar algum tempo para embarcar para o estado onde ia ministrar um curso.

Na praça de alimentação do aeroporto, em um dos locais para lanche ou refeição mais rápida a televisão mostrava que o debate estava começando.

Era uma noite de outubro de 2012 e o debate era entre o neto de Antônio Carlos Magalhães, candidato do DEM, e Nelson Pelegrino (PT), na disputa pela prefeitura de Salvador.

O neto de Antônio Carlos Magalhães será sempre o neto de Antônio Carlos Magalhães, nada mais.

Esse é um dos problemas que podem ter alguns filhos e netos que carregam os nomes dos pais e avós; passar a vida sem ser.

Não estou dizendo que é sempre assim e, além disso, falo daqueles que recebem o prenome, nome, sobrenome, tudo, completo, acompanhados do Filho, Júnior ou Neto.

O filho, ou o neto, pode não ter o tamanho do pai, ou do avô, e em algumas circunstâncias isso pode representar um fardo muito pesado.

É o caso.

O avô, apesar do histórico, foi quem fez, ele próprio, o homem que era.

O seu neto, não.

Não tem brilho próprio.

Jamais terá.

Não tem nome.

É o neto.

E, para azar dele, será sempre comparado ao avô.

Mas o seu adversário na “corrida pela prefeitura de Salvador”, o deputado Nelson Pelegrino, mais afeito ao mundo legislativo, não tinha, como demonstrou, a devida competência para uma disputa para o executivo.

Diria, portanto, que, mais do que pelos seus próprios méritos, o neto de ACM ganhou a disputa pelo despreparo do adversário para aquele tipo de eleição.

A maior prova disso se evidenciou durante o debate e o deputado parece não ter percebido.

Tudo bem que Pelegrino tem como atenuante o fato de que o “argumento” que o neto de ACM usou, com alguma frequência, durante o debate era usado pela primeira vez nas campanhas pelo Brasil, porque foi produzido justamente para isso.

Veja o que disse o neto de ACM.

“Não são meus companheiros de partido que estão condenados por corrupção, são os seus”.

Ao dizer isso, o neto de ACM quis dizer a Salvador que havia um partido corrupto com políticos corruptos.

E que ele, o corrupto PT com seus corruptos membros, era o único partido corrupto com políticos corruptos do Brasil sem corrupção em que vive o neto de ACM.

Essa tática foi empregada por todos os candidatos em campanha Brasil afora.

E o neto de ACM disse isso mesmo sabendo que não é difícil mostrar como é o seu mundo sem corrupção.

Moro, ACM Neto e...

O que ocorre é que no mundo habitado pelo neto de ACM os políticos não são condenados, muito menos presos.

GrampinhoAécio

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Blaise Pascal

Você deve conhecer essa frase.

Podemos modifica-la um pouco e trazer para a política.

O mundo político tem razões que só o mundo político conhece.

E é isso que faz a diferença entre político comprovadamente corrupto que não está preso e político de quem não conseguem provar a corrupção, mas está preso.

Se eles conseguissem entender isso, entenderiam para que servem algumas condenações e prisões; para botar minions no bolso da estupidez e da mediocridade e assim transforma-los em bolsominions.

Também conhecidos como miquinhos amestrados.

Essa questão das condenações e prisões tem sido utilizada com competência nas campanhas eleitorais nos últimos anos.

Mas o deputado Nelson Pelegrino não conseguiu entender a armadilha que estava em curso ou não soube se desvencilhar dela.

O mensalão, como ficou conhecida a tentativa de destruir o PT, foi produzido com alguns objetivos, um dos quais esse; o de jogar na lama os seus políticos mais importantes.

Um deles, José Dirceu, tem passado pelas maiores humilhações nesse processo.

Ives Gandra, um dos juristas mais respeitados do Brasil, um homem de direita e integrante da Opus Dei (para muitos uma seita católica de direita), portanto, nada a ver com o PT, disse o seguinte à época:

Ives Gandra

Era o resultado da farsa do Domínio do Fato, orquestrada por Joaquim Barbosa, o bagaço de fruta jogado pela janela da Globo, como previ aqui inúmeras vezes à época.

Aliás, como também venho fazendo há algum tempo com o próximo, que deverá acontecer um pouco antes do que se imaginava.

A partir dali, PSDB, DEM… e imprensa disseminavam a ideia de que os membros do PT tinham tido direito a julgamento e a condenação se respaldava na lei e na justiça, porque tinha o endosso do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem poderia por em dúvida julgamentos endossados pela corte máxima do país, constituída de homens e mulheres probos e dignos?

Poucas vezes falei sobre esse tema, mas em março de 2016 resolvi aborda-lo, sob o título “Encontro marcado”, pois já há alguns anos não tinha mais nenhuma dúvida sobre o que de fato estava acontecendo e publiquei no jornal GGN, de Luis Nassif.

Veja a parte inicial da publicação.

Encontro marcado

Conheço gente boa que acreditou que o STF fosse realmente constituído por homens e mulheres probos e dignos.

Mas era perceptível que a grande farsa estava institucionalizada e lá estava atolado o stf.

A condenação já seria suficiente, mas o objetivo sempre foi a prisão.

Naquele panorama, a prisão sempre teve por objetivo a destruição moral dos homens que estavam à frente do PT, particularmente José Dirceu e Lula.

Mesmo lhe antecipando que não vai achar, procure no PSDB, DEM e todos os demais partidos um político que tenha condições de enfrentar José Dirceu em um debate.

José Dirceu é um dos políticos mais preparados da atual política brasileira e eles sabem disso.

Era preciso afasta-lo.

O único que poderia debater com ele é Ciro Gomes.

Não entram aqui o PSOL e PCdoB, por razões que me parecem óbvias, até porque nesses partidos tem gente competente e séria.

O contrário disso.

Mesmo lhe antecipando que não vai achar, procure no PSDB, DEM e todos os demais partidos um político que consiga perder um debate com Jair Messias Bolsonaro, o mico.

Nem no PSL você vai encontrar.

Nem políticos do (des)nível de Alexandre Frota e Joyce Hasselman perdem para ele.

Até porque ele não vai comparecer.

Irá apresentar um atestado médico para justificar a fuga e irá dar uma entrevista na Record.

Mesmo sabendo que não é tão simples, incomodou a dificuldade de Pelegrino em se desvencilhar do fato de que alguns dos seus companheiros de partido de fato tinham sido condenados. Mas a jogada era clara.

Não se pode falar que Joaquim Barbosa era um desonesto, muito menos um homem sem dignidade e honra.

Canalha, nem pensar.

Mas, algumas coisas entraram em cena para leva-lo a determinadas posturas e talvez todas possam ser explicadas em um único sentimento; vaidade.

O deslumbramento fez com que ele se perdesse.

A Globo conhece esse sentimento como poucos e foi com ele que a Vênus platinada “pegou” não só Joaquim Barbosa, como a pobre e infeliz Carmen Lúcia e o homem da lei que mais agiu e age fora da lei, o juiz Sérgio Conje Moro, sobre quem falarei um pouco mais tarde.

O prêmio Faz Diferença da Globo e outras “homenagens” destruíram Joaquim Barbosa.

OURO PRETO (MG), 21.04.2013 - MEDALHA DA INCONFIDÊNCIA/MG: Cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, do governador Antonio Anastasiado e do senador Aecio Neves, na Praça Tiradentes. Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Folhapress

Os holofotes fizeram muito mal a ele.

Pelo seu despreparo, o canto da sereia do Faz Diferença não era necessário para Carmem Lúcia. Um prêmio de consolação teria sido suficiente. Ela se contentaria.

Como dito aí em cima, se não se deve traçar com tintas muito pesadas o perfil do ex-ministro Joaquim Barbosa, isso não se aplica ao Conje.

Sérgio Conje Moro é o que de pior surgiu e existe no cenário judicial-político-midiático do Brasil. Mas não perderei muito tempo falando dele.

Assim o definiu o jornalista Leandro Fortes, no texto O conje fujão.

“Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde.

Na comparação, Moro é um rato diante de Dilma Rousseff e Lula, pessoas a quem ajudou a perseguir e destruir pessoal e politicamente.

Dilma aguentou, de cabeça erguida, sem afinar a voz, o suplício das câmaras de tortura da ditadura. Depois, manteve-se íntegra durante o longo, cruel e injusto processo de impeachment a que foi submetida pelos golpistas de 2016″.

A “valentia” que o Conje exibe é somente reflexo da sua arrogância.

O ex-juiz e agora ministro da justiça e sua tropa de choque estão recorrendo a todos os artifícios que lhes oferece o poder para difamar, investigar ilegalmente, perseguir, afrontando princípios básicos da Democracia, para desqualificar o jornalista Glenn Greenwald e o seu site The Intercept Brasil, agora associado ao jornalista Reinaldo Azevedo (BandNews), à Folha e Veja.

Os diálogos escandalosos que fazem parte da trama armada por essa turma da pesada, “homens da lei”, estão sendo divulgados por Glenn Greenwald no Brasil e no mundo, mostrando a corrupção que os envolve.

Como diria Eduardo Galeano, escritor uruguaio, “as veias abertas” da corrupção de parte do judiciário e ministério público na missão de “julgar”, condenar e prender um homem sem provas estão sendo trazidas à luz com a clareza dos dias de sol no verão de Juazeiro da Bahia, a terra de João Gilberto.

Inicialmente esquivando-se e agora fugindo, inclusive da imprensa que tanto lhes ajudou nos famosos vazamentos seletivos, o ex-juiz e o procurador que tinha recebido diretamente de Deus a divina missão de acabar com a corrupção no Brasil, mostram os covardes que são diante das evidências, que surgirão cada vez mais fortes a mostrar quem eles são.

Assim se escreve a história recente do país em que homens da lei “julgaram” e condenaram pessoas sem prova com a ajuda fundamental da imprensa, como eles próprios sempre fizeram questão de afirmar, e agora condenam parte dessa mesma imprensa por divulgar os atos de corrupção do judiciário e ministério público perpetrados por eles.

“Lula tá preso babaca”

Vamos corrigir a história no tempo presente, porque ela está acontecendo diante dos nossos olhos.

Começando com a pontuação da frase com a vírgula que, por não saberem para que serve, não usam.

Lula está preso, babaca.

Está preso porque tinha e tem que estar preso.

Solto, ele põe todos em pânico.

Talvez vocês consigam entender agora porque músicas como essa são feitas.

Lula é o pesadelo de vocês.

Lula é ele.

Lula somos nós.

Lula é música.

Lula é um projeto.

Lula é uma ideia.

E, pelo lado negativo, Lula é a razão de viver de vocês.

Posso passar o dia inteiro falando sobre isso mas vocês jamais irão entender.

A ignorância e a burrice dos miquinhos amestrados, completos idiotas, não vão permitir que eles entendam o que isso significa.

Saiam ameaçando e agredindo a todos e blindem à vontade gente como Moro, Dallagnol e Cia. e continuem, nessa perdoável ignorância, pensando (!) que a Lava Jato foi montada para combater a corrupção.

Continuem, nessa perdoável ignorância, pensando (!) que o pacote anticorrupção do ex-juiz é realmente um pacote anti-corrupção.

Continuem pensando que a briga pelo controle do Coaf tinha razões nobres por parte do ex-juiz e sua troupe a explica-la.

Nas suas mentes nada mais do que ideias pobres e estúpidas como essas podem entrar, por falta de espaço.

Mas continuem felizes e confortáveis. Saibam que “Deus protege os bêbados e os inocentes”.

Por extensão, torçamos para que o faça também com os ignorantes.

A ignorância é uma benção.

Mas não saiam ao Sol.

A luz que ele traz para alguns pode cegar.

#Somos todos Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

Por Denise Assis, jornalista

Não. Não falarei da trajetória do jornalista Paulo Henrique Amorim. Disto vários mais próximos já se ocuparam, e todos nós a testemunhamos na sua sanha diária por denunciar, ironizar e desafiar os que teimam em nos tirar direitos com a volúpia dos que traçam uma carne suculenta em uma churrascaria.

PHA o fazia com a bagagem de quem acumulou conhecimento, contatos, lembranças e testemunhos do repórter que nunca deixou de ser. Paulo Henrique Amorim tinha “bagagem”, como dizemos no jornalismo. E por bagagem entendam o conteúdo que vai sendo adicionado a cada caso, a cada cobertura, a cada apuração que fazemos no exercício do ofício. Isto não é pouco. Isto é tudo para um profissional do ramo.

Hoje, conforme prometi no Facebook, me empenho em dar continuidade à sua luta. Escreverei sobre o objeto de sua inquietação nos últimos dias. A liberdade de expressão e o direito de informar. 

Paulo Henrique, como todos nós sabemos, foi calado a “pedido” do Planalto, em seu “Domingo Espetacular”, programa que fazia na Record, o canal que o presidente escolhido numa eleição fraudada elegeu como o “oficial” para disseminar as suas bobagens – enquanto Paulo Guedes age na Economia, nos vendendo a preço de rapadura. Como coadjuvantes, Guedes tem Rodrigo Maia, – o maestro da orquestra de deputados que atropela nossos direito na Câmara – e Davi Alcolumbre, o garantidor, na presidência do Senado,  de todas as maldades contidas na cabeça dos que, aboletados no poder, só pensam no hoje, esquecendo-se que esse país – a colônia agrícola em que se transforma – vai ser a terra dos seus filhos e netos. Claro que eles têm a opção de mandá-los à Suíça, ou aos Estates, mas vai que algum necessita voltar e viver sob as regras malévolas que criaram, no patropi?

Vamos repisar aqui, notícia impactante veiculada no dia 2 de julho, pelo site “O Antagonista”, e que dava conta à sociedade, do pedido, feito pela Polícia Federal, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) de investigação sobre a vida privada e as movimentações financeiras do jornalista e advogado Glenn Greenwald, diretor do portal The Intercept Brasil. O objetivo era muito claro, gritante: pegá-lo em alguma transação que o desabonasse e permitisse a sua prisão ou indiciamento. Ou, que o flagrassem em um diálogo próximo aos vazados por ele, evidenciando os crimes cometidos pelo ex-juiz Sérgio Moro e seus coleguinhas de Força-tarefa.

Hoje, na função de ministro incumbido do bom desempenho do Ministério da Justiça, Moro é senhor do destino de todos quanto caiam na mira da Polícia Federal, subordinada a ele e ao seu ministério. Seria inadmissível em qualquer canto civilizado do planeta, tal situação. 

Glenn está informando ao país situações irregulares e vergonhosas que apenas três veículos da mídia tradicional toparam veicular. Ou seja, desempenhando o seu ofício. A situação descortina uma deslavada manobra para impedir que o grande público conheça as atitudes totalmente irregulares e criminosas que Sergio Moro, ele mesmo, o que deu ordem para que Glenn seja investigado, cometeu.

Organizações internacionais se posicionaram contra o abuso, assunto abordado também em reportagens da mídia, no exterior. O jornal The Guardian na América Latina classificou a ação de “Assustadora”. Sim. A palavra foi muito bem escolhida. É assustador que o freio da censura abata o trabalho de denúncias realizado por Glenn Greenwald e sua equipe. Sim. É assustador que Paulo Henrique Amorim tenha que morrer de desgosto por ter o seu trabalho podado por um governo ditatorial e inquisidor. Sim. É assustador que nós jornalistas tenhamos que morrer um pouco a cada um combatente que se vai. 

Sim. Continuaremos a sua luta na trincheira por liberdade de expressão. E se Glenn for alcançado pelas manobras espúrias de Sergio Moro e preso, – o que eu não acredito, pois Glenn não tem rabo preso, sabendo dos riscos – eu conclamo a todos os colegas decentes que se entreguem junto com ele, pois estaremos todos moralmente presos. Então que o sejamos de fato. Pra vergonha nacional. Lotaremos a cela da Polícia Federal e, com certeza, as manchetes pelo mundo.

O conje fujão

Moro constrangido

Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia

Não é de hoje que Sergio Moro planeja fugas.

Em dezembro de 2017, ele havia programado um “período sabático” de um ano, fora do Brasil, depois de ter cumprido a primeira e mais vigorosa carga da Operação Lava Jato.

Dilma Rousseff e o PT haviam sido apeados do poder, a economia brasileira estava em frangalhos, o fascismo tinha virado moda e, no Palácio do Planalto, Michel Temer iniciava o desmonte do estado social e venda do País, projeto bloqueado, até ali, nos 13 anos anteriores, pelos governos petistas.

Moro tinha cumprido uma missão que, no ano seguinte, imaginavam os golpistas envolvidos com a Lava Jato, resultaria na natural eleição de um candidato do PSDB para a Presidência da República. Algo, no entanto, saiu errado.

Mesmo com apoio da mídia e de grande parte dos representantes do poder econômico, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, não parecia ter força para decolar. A direita brasileira apegou-se, então, outra vez, ao saco de maldades da Lava Jato. Moro foi obrigado a suspender o sonhado período sabático para cumprir outra missão, ainda mais urgente: prender e condenar Luiz Inácio Lula da Silva, favorito nas pesquisas para as eleições de 2018.

Sem Alckmin, um desastre ferroviário anunciado, e com Fernando Haddad potencialmente capaz de herdar os votos de Lula, mesmo na cadeia, Moro jogou todas as fichas na candidatura do fascista Jair Bolsonaro. Sabemos, agora, estava de olho num projeto de poder de curto prazo: tornar-se ministro da Justiça e, dali a dois anos, conseguir uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

De novo, algo saiu errado.

Os vazamentos do Intercept Brasil abortaram os sonhos do ex-juiz e, novamente, Moro precisou ensaiar um plano de fuga, essas férias sem cabimento, apenas seis meses depois de começar no novo emprego.

Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde.

Na comparação, Moro é um rato diante de Dilma Rousseff e Lula, pessoas a quem ajudou a perseguir e destruir pessoal e politicamente.

Dilma aguentou, de cabeça erguida, sem afinar a voz, o suplício das câmaras de tortura da ditadura. Depois, manteve-se íntegra durante o longo, cruel e injusto processo de impeachment a que foi submetida pelos golpistas de 2016.

Não entrou de férias, não anunciou período sabático. No Congresso Nacional, enfrentou seus algozes olho no olho, sem fugir de perguntas nem se esconder, como Moro, atrás de bajuladores baratos.

Lula, condenado, caminhou voluntariamente para o cárcere, quando poderia ter fugido. O fez porque nunca aceitou menos do que provar integralmente sua inocência.

Foi calado, humilhado, colocado numa solitária para morrer e ser esquecido, mas, para desespero desses cretinos flagrados pelo Telegram, está mais vivo e digno do que nunca.

Dilma e Lula nunca tiraram folga da dor que Moro lhes impôs.

O mesmo não se pode dizer dessa triste figura que não aguentou um mês levando petelecos nas redes sociais e já anuncia uma licença do trabalho para se “reenergizar”.

Não terá como voltar, porque, como dizia o caudilho Juan Domingo Perón, do ridículo, não se volta.

Os bagaços

Bagaços

Por Emiliano José, professor e jornalista

Fico olhando, de soslaio.

Quando há crise de hegemonia, a volatilidade das figuras políticas dominantes é altíssima.

Os de cima navegam entre o pragmatismo e a traição.

Valer-se de figuras sem princípios para atingir objetivos de um preciso instante torna-se regra.

Aliada a outra: descartá-las logo que percam utilidade.

Eduardo Cunha foi essencial no golpe contra Dilma, preservado enquanto conduzia-o “com Supremo e tudo”, no dizer jucaniano.

Alcançado o objetivo, é jogado à masmorra, como traste imprestável.

E que não fizesse delação.

Michel Temer, alçado à presidência pelo mesmo golpe, prepara o terreno para o sucessor, com um pacote de maldades consistente contra os trabalhadores.

Terminado o serviço, voam no pescoço dele.

Não serve mais pra nada.

Como não atrapalha, pode esperar em liberdade – e é da lei que assim seja.

Como Aécio Neves, tão útil na preparação do golpe.

Como Serra, escanteado, mas livre.

Como FHC, um pavão sem serventia atualmente, não obstante aliado da Inquisição.

São laranjas maduras.

O próximo tirou licença por alguns dias.

É laranja madura na beira da estrada.

Prestou inimitável serviço à destruição dos pilares da Nação.

Prendeu o principal líder de nossa história, Lula, que ganharia a eleição com um pé nas costas.

Combinou ganhar em troca a Justiça.

Tudo que é sólido desmancha no ar.

Não tem mais nenhuma utilidade.

Atrapalha, quem diria, até o governo da extrema-direita, morou?

O jornalismo sério o interceptou – desculpem o trocadilho.

Moro será uma triste lembrança na história.

Um bagaço.

Lula, ainda preso, eterna presença no coração do nosso povo.

A culpa é do queijo

NYT'

Por Ronaldo Souza

Você lembra daquelas matérias do Jornal Nacional, quando William Bonner capricha no franzir das sobrancelhas?

Geralmente eram feitas em parceria com a Veja.

Sim, ela mesma.

O Jornal Nacional repercutia a matéria da revista à noite, dando aqueles destaques que “puxam” algumas frases do corpo da reportagem em zoom para chamar a atenção sobre elas.

Ah, como vocês vibravam, não era mesmo?

Os repórteres da Globo trabalhando em cima da reportagem da Veja, caras e bocas, Bonner caprichando na locução, Renata Vasconcelos exibindo sua beleza que, por si só já dá uma embalagem maravilhosa que ajuda a esconder o conteúdo muitas vezes vergonhoso pela tradicional manipulação…, era uma festa o Jornal Nacional de Bonner.

Não havia o contraditório, o contraponto, em outras palavras, a opinião da defesa.

E quando havia, o tempo que lhe era dado era mínimo.

Mas, reconheçamos, são competentes os repórteres da Globo.

As reportagens eram caprichadas, tecnicamente muito bem feitas e isso “eliminava” a necessidade de se ouvir o outro. Ali, o que era dito era a verdade.

Como contestar a verdade?

Globo, meu rumo, minha vida.

No outro dia velhinhos caminhando ou sentados nos bancos das praças e exibindo todo o conhecimento politico adquirido na noite anterior também eram entusiasmo puro.

Nos consultórios, escritórios, nas ruas, também eram grandes o conhecimento exibido e o entusiasmo.

Lobotomizados, estavam todos prontos para as manifestações nas avenidas paulistas espalhadas por todo o país.

Não havia mais como reverter o golpe que viria na sequência e que terminaria por derrubar a Presidenta da República, sob o guarda-chuva das pedaladas fiscais.

Não importa que durante o processo de elaboração e conclusão do golpe já tinha sido comprovado que o argumento era furado; Dilma foi considerada inocente.

Mas não vem ao caso.

A vida era uma festa, cuja estrela mais reluzente era um juiz.

Um juiz que brilhava como nenhum outro jamais ousara.

Moro e a corrente

Moro na GloboMoro na IstoÉ

Moro e o poder

O juiz se tornou um pop star.

Um herói.

E herói não tem defeitos.

Mas tem identidade secreta.

Como será o herói na sua vida pessoal?

Como devem ser os heróis na intimidade?

Como devem ser os heróis com seus amigos e colegas de trabalho?

O que conversam?

Como se vê um homem com super poderes?

O homem com super poderes se vê homem ou super homem?

O que pode o homem?

O que pode o super homem?

Eu vejo, eu ouço

No primeiro momento o ex-juiz e o seu office boy, um procurador da república, reconheceram a veracidade dos diálogos.

Devo repetir?

O ex-juiz e o procurador da república disseram que era verdade o que estava nos diálogos divulgados pelo site The Intercept.

Mas ambos disseram que não viam nada de mais.

A expectativa do que ainda podia existir ficou grande e por isso gerou uma ansiedade na mesma proporção.

Estava bem claro que o ex-juiz não conseguia mais esconder o quanto estava ansioso mas, diante da divulgação de novos diálogos, por um momento imaginou-se salvo.

Não via nada de mais.

Sem falar que passou a dizer que não reconhecia a autenticidade daqueles diálogos, que aqueles vazamentos criminosos podiam estar adulterados, que criminosos haviam invadido os telefones deles…

Além do avião da presidência com cocaína, havia agora uma nova versão no ar.

Devidamente orientado (será que Faustão também fez parte dessa equipe de consultoria?), pareceu ao ex-juiz que ali estava a salvação.

Ficou tão animado que tentou navegar por águas mais profundas, algo sempre perigoso.

E entre os diversos atributos que não possui, recorreu ao que lhe é mais precário; aventurou-se pelos mares e oceanos do  conhecimento e apelou ao Latim, sem perceber que exibia o quanto lhe incomoda a identificação da sua ignorância.

Moro rato

Corre-se sempre um risco muito grande quando, na arrogância dos ignorantes, pretende-se mostrar uma coisa que não existe.

Recorrendo à célebre frase de Horácio, poeta romano, o ex-juiz disse, em Latim, “parturiunt montes, nascetur ridiculus mus”, que numa tradução livre significa “a montanha pariu um ridículo rato”. Frase que se aplica a todas as coisas pomposamente anunciadas e que, concretizadas, produzem uma grande decepção, um resultado pífio diante da expectativa gerada.

Estava ali, escancarado, o seu provincianismo, reconhecido e comentado pelos próprios colegas da Lava Jato, como mostraram os diálogos divulgados.

Ali estava a famosa ignorância ativa.

E na sequência, reportando-se às manifestações em seu apoio, ocorridas em 30/06, filosofou; “eu vejo, eu ouço”.

Deixemos de lado o fato de que as manifestações a favor de Moro e Bolsonaro de 30 de junho caíram quase que à metade em termos de cidades envolvidas em comparação com as de 26 de maio (88 e 155 cidades respectivamente) e com participação bem menor das pessoas do bem (padrão FIFA), mesmo em São Paulo, apesar de algumas imagens postadas e já identificadas como falsas.

Não vou perder tempo com essas baboseiras.

Volto ao sábio filósofo.

Eu também, Moro, vejo e ouço.

Vejo que a montanha pariu não um ridículo rato, mas diversos deles.

Atraídos pelo toque mágico do canto da sereia do golpe (“primeiro a gente tira a Dilma, depois a gente põe o Michel [Temer] e aí deita e rola…, com Supremo e tudo”).

Ratos que se instalaram em todos os segmentos da sociedade, inclusive e infelizmente em segmentos decisivos para ela, como o judiciário.

Vejo o que fazem e ouço o que dizem como se ratos não fossem.

Atingido de forma irreversível já a partir dos primeiros diálogos que foram divulgados pelo The Intercept, agora em parceria com a Band News (Reinaldo Azevedo), Folha e Veja, o ex-juiz vem se mostrando um herói com pés de barro que não se sustenta em pé.

Moro inflável

Todo boneco inflado se desinfla com rapidez surpreendente.

Vazio, não fica em pé e quando se percebe a inutilidade de um boneco vazio, ele perde a serventia.

É questão de tempo.

Aterrorizado e paralisado pela perspectiva do que ainda está por vir (segundo o jornalista Ricardo Noblat, só de áudio são cerca de 2.000), o ministro não tem mais o que dizer e se tornou uma figura patética na repetição de respostas evasivas.

Quando usou e abusou de depoimentos arrancados a fórceps, quando humilhou e intimidou depoentes, quando fez prisões preventivas que duravam uma eternidade, o ex-juiz usou e abusou de vazamentos para a imprensa, particularmente para a Globo.

Dizia abertamente que a operação que o inspirara, a italiana Operação Mãos Limpas, tinha tido o apoio indispensável da imprensa na divulgação dos vazamentos.

Fez o mesmo na sua lava Jato.

Os elogios eram muitos e frequentes à imprensa brasileira (Globo, Veja, Folha, Estadão…), pela divulgação dos vazamentos, muito frequentemente de forma sensacionalista.

Ele, o ex-juiz, defendia isso com unhas e dentes.

Com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

Os fins justificam os meios.

Muitos homens e mulheres e suas famílias foram jogados na lama das acusações, julgamento e condenação automáticos por parte de um público sedento de sangue, em tudo igual à Roma antiga, ou mesmo ao julgamento e condenação de Cristo, já que muitos se dizem cristãos.

Mesmo o mais vergonhoso e ilegal dos vazamentos, o da conversa entre a presidenta da república (Dilma) e o ex-presidente (Lula), foi tranquilamente defendido pelo homem que devia preservar as leis do país.

E mais uma vez, com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

E o fez dizendo que “onde há o problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo, o problema [o mais importante] era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo”.

Ou seja, não importa como foi conseguido e sim que foi conseguido.

Mas esse homem, cuja forma como passaria para a história parecia já estar desenhada, vê agora o súbito assumir o comando da sua vida e da mesma maneira o destino, do qual nenhum homem consegue escapar, tomar as rédeas das suas mãos.

Encurralado pelo futuro que bateu à sua porta, sente na pele a amargura que muitas vezes cruel, covarde e injustamente proporcionou à vida de muitas pessoas.

Tentando escapar do inescapável, entrega-se dócil e covardemente a comandos sob os quais jamais se imaginou.

Com o poder que ainda possui, o que o ministro da justiça está tentando fazer neste momento é condenar publicamente um homem por mostrar à sociedade, sempre tão frágil e vulnerável, quem verdadeiramente ele é.

O que o tornou um herói, com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira, agora é crime.

Confirma-se de maneira assustadora o que disse Millôr Fernandes:

“O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo”.

Tudo isso com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

E esse é o grande problema.

Ao apoiar esses homens e mulheres e defende-los incondicionalmente, como fazem, importantes segmentos da sociedade brasileira se desnudam e mostram o seu caráter.

Caráter no mínimo preocupante para as futuras gerações, porque entre esses segmentos estão formadores de opinião.

Como serão formados os nossos filhos e netos por professores com esse perfil?

Estamos tratando aqui de princípios éticos básicos.

É muito triste e de uma indignidade incompreensível e inaceitável que parcela considerável da sociedade assuma esse comportamento tão absurdo motivado pelo preconceito e ódio que se incorporaram às suas vidas, invertendo e transgredindo valores tão importantes para a raça humana.

Serão tão incapazes ao ponto de não conseguir esquecer por alguns minutos o ódio que sentem e perceber que não se trata, pelo menos neste momento, de simplesmente libertar alguém, quem quer que seja, mas de endeusar e dar super poderes a homens e mulheres que manipulam, perseguem, infernizam a vida de pessoas aprisionando-nas quando querem e pelo tempo que querem e agora têm os seus métodos expostos através de diálogos entre eles, numa trama diabólica e cínica?

Ou será que acham que nada é verdade?

Que tipo de cegueira os impede de ver a veracidade dos diálogos que já foram divulgados, se foi pela divulgação de diálogos assim que os mesmos que estão fazendo de tudo para condenar foram transformados em heróis?

O que são vocês?

Ratos?

Como e por que estariam ali os conselhos de Faustão (famoso animador de auditório da Globo) a Moro e já confirmados pelo próprio Faustão?

Ou também não vale a confirmação de um Procurador?

Procurador confirma veracidade das mensagens

E quando vierem os áudios e os vídeos?

O que você fará quando perceber que seu filho estará desprotegido pela lei diante de qualquer eventualidade em que do outro lado esteja alguém mais poderoso ou protegido do “julgador”, em favor de quem a justiça não julgará, tomará partido.

Homens e mulheres poderosos e covardes estão fazendo isso nesse momento debaixo do seu nariz.

Hoje com alguém que não conhecemos.

Amanhã com seu filho, ou com você mesmo.

Para onde você irá quando perceber que seu filho está nas mãos de homens sujos?

É a pergunta que faz o The New York Times lá em cima.

“Para onde você corre quando os cruzados anticorrupção são sujos?”

Mediocridade e covardia explodem por todos os poros

Por Ronaldo Souza

Bolso medíocre 1

“Este homem parece um idiota, age como um idiota, mas, não se confunda!
Essa pessoa é realmente um idiota!”
Groucho Marx

Por favor, antes que queiram cuspir em mim, agredir o comunista safado, atear fogo às minhas vestes, como diriam alguns escritores, Groucho Marx não tem nada a ver com Karl Marx.

Esse Marx de que falo agora era um comediante americano.

Americano, ouviu bem?

Do país de Trump.

Isso, do país de Trump.

Prestou atenção?

Trump!

Entendeu a senha?

Pronto, tô salvo.

Não serei xingado e chamado de comunista por eles.

Até a Globo já foi.

Adoro eles de paixão.

Não consigo resistir ao charme do conhecimento político que possuem.

A inteligência, a sensibilidade, a leveza…

“A insustentável leveza do ser”, como diria Milan Kundera.

E eles são.

Leves, inteligentes, sensíveis…

Foi com todo esse arsenal que o mico nos brindou mais uma vez.

Ele acabou de proibir a venda no Brasil daquele que é tido como o melhor e mais vendido charuto do mundo, o Cohiba.

Bolso medíocre 2'

A Anvisa justificou a decisão por causa do “excesso de ácido sórbico” encontrado nos charutos. A importadora Emporium, que trabalha há 20 anos com o Cohiba, garante que “não há inclusão de qualquer aditivo, por tratar-se de um produto 100% natural, a folha de tabaco”.

Por que o melhor e mais vendido charuto em todo o mundo teria sido proibido no Brasil?

Você já ouviu falar de cabeça sem cérebro?

E de pessoas tapadas, já ouviu falar?

Você sabia que a Terra é plana?

Que Einstein é um idiota?

E de “escola sem partido”, já ouviu falar?

É por aí.

A fonte é a mesma.

A estupidez.

Diz a lenda que, no começo, a produção do charuto Cohiba estava reservada a Fidel Castro e outros líderes comunistas, além de ser oferecido aos mandatários aliados que visitavam Havana. Somente a partir de 1982, passou a ser produto de exportação.

Em que ambientes whiskies, vinhos e perfumes caros são consumidos e transformados em grande prazer?

Em ambientes de maior poder aquisitivo, claro!

Whiskies, vinhos, perfumes, sapatos, gravatas… escoceses, franceses, italianos, para um público consumidor seleto.

A esses produtos sempre foram incorporados os charutos.

Em todo o mundo.

Capitalista ou não.

De Freud a Hemingway.

Quem será que cultiva e curte a harmonização de whiskies e charutos, essa coisa tão fina?

Não sei, mas sei que não costumam ser pessoas comuns.

São os escolhidos dos deuses, os “iguais”.

Mas, infelizmente, o justo costuma pagar pelo pecador, como diz a crença popular.

E os eleitos do Brasil agora terão que ir mais vezes a Miami para terem o seu sagrado direito de viver bem, com o padrão FIFA, com as suas camisinhas amarelinhas bonitinhas.

Explico.

Lembra que o mico acabou com a assistência médica aos pobres e miseráveis do país ao mandar os médicos cubanos embora porque eram… cubanos?

Ele agora fez o mesmo com os eleitos.

É que a infiel criatura que está à frente do governo desse país, eleito que foi por alguns indigentes mentais e intelectuais, proibiu a venda dos melhores charutos do mundo aqui no Brasil.

Por que?

Porque os charutos são cubanos.

Não é sensacional?

Não há mais como se surpreender diante do atual governo.

Todos os limites foram ultrapassados.

Não é à toa que o Brasil passa por vexames a toda hora.

Vexames que atingiram níveis inimagináveis, como agora no Japão durante a reunião do G20.

Para citar somente um desses momentos, nesse evento houve uma reunião “extra” do BRICS, grupo econômico constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O Brasil não foi convidado para essa reunião, algo que jamais tinha acontecido.

O encontro foi realizado pelos líderes Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Xi Xinping (China).

BRIC's sem B

Tomadas as resoluções, foram devidamente divulgadas na reunião “oficial” sob a presidência do Brasil, aí sim diante dos microfones e câmeras de todo o mundo.

Entretanto, para além das tradicionais fotos oficiais, não deixou de ser registrado o encontro entre Putin e o mico.

Confesso que nunca tinha visto um homem aniquilar outro com o olhar.

Observe os semblantes tensos, como que na expectativa do que pode acontecer, mas observe particularmente o desespero de um dos vice-presidentes do Brasil ao perceber o olhar acovardado do pai diante de um homem.

Bolso e Putin

O olhar fugidio.

Que não olha.

O velho olhar de quem não enfrenta, de quem foge do confronto, já percebido pelos brasileiros em passado recente e que foi descrito por um pensador de redes sociais baiano como um “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga”.

Nada deve ser pior para um filho do que ver seu pai agir como um covarde, mesmo sendo um.

Putin o trucidou.

Nem precisou de um cabo e um soldado.

Bastou um olhar.

E o fez mudar de posição.

Veja o que relatou a jornalista Helena Sthephanowitz:

Bolso e Putin''

Chocante.

Tive pena.

Entretanto, assim que se sentiu seguro ao lado do principal diplomata dos Estados Unidos no Brasil, o macaco velho voltou a ficar valente e “afirmou, nesta quarta-feira (3), que seu governo atua para que não surja uma nova Venezuela na América do Sul”.

Bolsocovarde

De fato, o “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga” é muito valente.

“Temos um problema aqui ao norte do Brasil e não queremos que outros países enveredem para esse lado”, disse ele, durante a cerimônia de celebração da independência dos Estados Unidos, na embaixada norte-americana em Brasília.

Foi sim vexatória a “participação” do Brasil.

Mas, de uma certa forma ficamos um pouco mais tranquilos ao ver que os miquinhos amestrados não perceberam nada do vexame do mico brasileiro.

Ao ignorar o que de fato acontece, permanecem felizes.

A ignorância é uma benção.

Mas foram devidamente alimentados pelo general Heleno, esse personagem folclórico da política brasileira, nesse belo, verdadeiro, digno e comovente discurso.

Um general que, como seu chefe, mente sem nenhum pudor e tenta apresentar o mico como “devidamente homenageado pelos grandes chefes de estado do mundo, recebido com todas as honras”.

Eles devem pensar que as fotos protocolares significam ser recebido com todas as honras.

O que se viu foi um pobre coitado inteiramente perdido e desprezado, que só tem isolado o país das decisões do mundo.

Você percebeu que ao final do vídeo que mostra os “dignatários”, como diz o pequeno general, fazendo o aceno de saudação para o mundo ele nem estava mais, já tinha saído, pelo desconforto que deve ter sentido.

E não era assim que o Brasil era tratado. O país já tinha se acostumado a ser destaque.

Dilma no G20

Veja a que ponto chegou a participação do país.

“O mais importante, na hora quase do encerramento, nós conseguimos saber da assinatura do acordo do Mercosul”, disse o general no vídeo.

Ficaram sabendo da assinatura do acordo somente na hora do encerramento do evento e voltam para o Brasil chamando as honras e glórias da assinatura do acordo para aquela pobre alma desgarrada do resto do mundo e desprovida de qualquer coisa, um sem noção.

É impressionante como eles nada percebem e fazem dos seus torcedores uns tolos.

Um país que através de Paulo Nogueira Batista Jr. ocupava a vice-presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) em Xangai, hoje se vê nesse papel ridículo pelo qual acabou de passar.

Na sua insignificância tosca, restou ao mico pagar mais um mico; vender bijuterias em uma sala qualquer.

Em pleno G20.

Quem poderia imaginar que um dia iríamos passar por isso?

Oração ao Tempo

Tempo

Por Ronaldo Souza

Num momento em que precisei de tempo para me reacomodar.

Num momento em que precisei de tempo para repensar a minha vida.

Num momento em que precisei de tempo para me refazer.

Lá estava o tempo.

Amigo, parceiro, companheiro de todos os tempos.

Não sei se o tempo é remédio para todos os males, para todas as dores.

Há quem diga que não.

Há quem já tenha dito que o tempo não cura todas as dores.

Mas, mesmo eles, reconhecem que o tempo, no mínimo, alivia as dores.

Quando alguém diz “tudo passa” é verdade.

Tudo passa.

Dizem que “o que os olhos não veem, o coração não padece”.

Por isso, uma placa com esse dizer, “tudo passa”, deveria estar pendurada em algum canto da nossa casa.

Para que todos os dias os nossos olhos a vissem e assim pudéssemos “padecer” da esperança de que tudo passa.

Mas, sobretudo, deveria estar pendurada em algum lugar da nossa alma.

Para aquieta-la e nos permitir viver nos momentos em que tudo parece estar perdido.

Tudo passa.

“Tudo tem seu tempo e sua hora”.

Já ouviu?

É a sabedoria do povo falando.

O que diz ela?

Que a verdade um dia virá à tona.

Quem diz isso está contando com o que?

Com o tempo.

De fato, mais cedo ou mais tarde, a verdade um dia aparecerá.

Olha aí o tempo dando as cartas, dizendo que será.

E um dia é.

Um dia qualquer, mas um dia.

Um dia do tempo que virá.

A mentira é agora, hoje.

A verdade, amanhã.

Porque o tempo é amigo da verdade.

Um grande poeta baiano soube captar esse tudo que o tempo é e lhe fez uma oração.

E o chamou de Compositor de Destinos.

Divino!

Ah, o que seria da vida se não fossem os poetas?

Eis aqui os seus heróis

Leo Pinheiro

“É improvável que vazamentos encontrem um diálogo em que o procurador
exige do delator que incrimine alguém. Mas, a rigor, não precisa disso”

O feirão das evidências

Por Walfrido Warde – advogado, escritor e presidente do IREE, Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa.

Convido o leitor a fechar os olhos. E a pensar, por alguns minutos, em um homem de quase 70 anos preso há semanas, lançado à realidade dura do concreto armado de sua cela fria e ao tilintar das grades que o separam do mundo. Ao detento, que é Léo Pinheiro, o ex-presidente da empreiteira OAS, então, sugere-se dizer algo sobre você, caro leitor, que você praticou um crime, para que, desse modo, a tortura cesse e ele, o velhinho massacrado pela cana dura, saia da cadeia.

Em julho, os procuradores ainda concluíam que algo faltava na delação do ex-presidente da OAS. No mês seguinte, as opiniões já se dividiam. No final de agosto, um dos procuradores afirmou: “Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guaruja. Diziam q não tinha crime. Nunca falaram de conta.”

Ao que parece, os próprios procuradores se mostraram surpresos com o acréscimo dessas informações, que só agora implicavam o ex-presidente Lula, informações que jamais estiveram nos anexos até então e que, pelo que se pode concluir, teriam sido vazadas pelos próprios advogados do delator à revista Veja .

Tudo faz crer que os novos fatos foram jogados no ventilador, justamente para pressionar os procuradores a concordar com a delação de Pinheiro e lhe atribuir os benefícios que pretendia. Foi essa pressão que levou uma procuradora a fazer duras críticas aos advogados de Pinheiro, e a dizer: “Esses Advs não valem nada”

Quase um ano depois, em 13 de julho de 2017, o coordenador da força-tarefa da PGR para a Lava Jato , Deltan Dallagnol se mostrou preocupado com a opinião pública e disse: “[…] é um ponto pensar no timming do acordo com o Léo Pinheiro. Não pode parecer um prêmio pela condenação do Lula”.

Depois de tudo isso, o que se sabe é que o ex-presidente da OAS finalmente assinou um acordo de delação premiada com a PGR, em janeiro deste ano, quando ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Em novembro do ano passado, importante lembrar, Pinheiro declarou à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, que Lula se comportava como proprietário do sítio de Atibaia e como o real beneficiário das obras que a OAS realizou naquele imóvel.

É uma confusão dos infernos, não é?

É uma confusão que nos distancia da verdade, que prende e que solta, que acusa e absolve, que unge e arruína ao sabor das conveniências. Foi precisamente para essa confusão, que mora muito, muito longe da verdade, que rumou o processo penal no Brasil. 

A barganha, no feirão das evidências, tomou o lugar da verdade.

O acoplamento das prisões cautelares, muitas delas imotivadas, e de prisão depois de condenação em segundo grau com delação premiada está na origem desse mercado de provas. Provas que nem precisam ser tão fortes assim, que podem ser produzidas pela boca do delator preso, com a língua pronta para disparar qualquer coisa que o alivie.

É improvável que os vazamentos do Intercept Brasil encontrem um diálogo em que o procurador exige do delator que incrimine alguém. Mas, a rigor, não precisa disso. Esse é precisamente o conteúdo do diálogo silencioso e eloquente que se estabelece entre os negociadores da liberdade de alguém. De um lado, os seus advogados, aos quais o prêmio é libertar o delator. E, de outro, os procuradores, que já tem o delator, mas querem dele a incriminação de um terceiro, tanto mais importante quanto possível. Os dois lados sabem que esse é o jogo, um jogo torto, capaz de produzir inverdades e graves distorções. 
Essa negociação silenciosa levou os acusadores a exibir, orgulhosos, muitas provas de açúcar e com elas construir um grande castelo prestes a desmoronar.

Fonte: Último Segundo – iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/poder-para-o-povo/2019-07-01/o-feirao-das-evidencias.html

O Batman Moro virou Robin de Bolsonaro

Os nada

Por Fernando Brito, no Tijolaço

“Eu vejo, eu ouço, eu agradeço”.

A frase de Sérgio Moro diante das manifestações de ontem é, de fato, o sumo do seu pensamento limitado e medíocre.

O que está em questão, neste momento, não é a sua popularidade (em visível declínio, aliás) ou a sua posição no governo Bolsonaro. É o seu comportamento como juiz que toma partido e orienta a acusação, ponto.

Sobre estas questões, não adianta alegar que é o “herói” de senhoras bem vestidas ou de rapazes “bombados”. Vê-los, ouvi-los e agradecer o apoio é irrelevante.

Aliás, porque, para esta turma, o “messias” é outro, o Jair, a menos que se considerem os destroços do MBL como os seus cavaleiros templários.

Mas Moro não é mais assim, apenas de direita: viu e ouviu que pertence agora a extrema-direita e que, nela, já não é o Batman, mas o Robin de Bolsonaro, do qual é agora um protegido, não mais um troféu.

E mais dependente ficará, enquanto mingua seu apoio entre pessoas que, embora tenham se curvado à avalanche lavajatista, não vão resistir às evidências que vieram – e mais ainda as que virão – sobre sua atitude conspiratória como juiz.

Moro, que brilhou sob os holofotes da mídia e achou que tinha luz própria, não vai se sustentar apenas com evasivas e acusações ao suposto hacker e aos jornalistas do The Intercept.

Os vazamentos sobre os procuradores, seus subordinados na operação, são apenas a porta de entrada que se vai abrindo na blindagem jurídico-midiática da Lava Jato.

Teremos um agosto à altura das tradições do mês.