Moro de tolo

MoroVeja

Por Ronaldo Souza

Nunca descemos tão baixo, nunca fomos tão repulsivos.

Foi assim que o sociólogo Celso Rocha de Barros definiu a eleição de Bolsonaro no seu artigo No fundo do poço há o porão, na Folha, no dia 29 de outubro de 2018, portanto, há oito meses.

Sabendo-se do perfil de absurda ignorância, desequilíbrio mental e violência de Bolsonaro, ninguém podia ter dúvidas quanto ao seu completo despreparo para assumir qualquer coisa, fato já reconhecido por ele próprio.

E, no entanto, deram a ele a presidência do país.

Sendo assim e diante de tudo que temos ouvido, lido e visto nesses últimos anos, a essa altura já deveríamos estar acostumados com tudo e vacinados contra a burrice, a estupidez, a hipocrisia, o cinismo e até mesmo a canalhice.

Mas, não.

Eles não param de surpreender.

Por si só, a nomeação do ex-juiz Sergio Conje Moro como ministro da justiça do atual governo se tornou um escândalo internacional.

A nossa imprensa, como sempre, passou longe de qualquer comentário com o mínimo de dignidade e que trouxesse algo verdadeiro para a sociedade sobre a gravidade desse fato.

Mais uma vez, ela simplesmente escondeu a canalhice que envolvia a nomeação.

Mas a imprensa internacional, não.

Não só mostrou como deu ênfase à aberração que era nomear como ministro da justiça o juiz que prendeu o candidato que ganharia a eleição já no primeiro turno.

Ao prender o ex-presidente Lula, o Conje deixou o caminho livre para aquele que ocupava a segunda posição na disputa pela presidência.

Eleito o segundo pela prisão do primeiro, o homem que o prendeu ganhou o cargo de ministro da justiça no governo do eleito.

Nada poderia ser mais claro e indigno do que isso.

Mas “eles” acharam natural.

Nada também poderia ser mais natural do que eles acharem natural.

Durante todos esses últimos anos já tinham dado sinais evidentes de que para eles tudo seria normal e aceitável desde quando fosse contra aquele homem, agora feito prisioneiro.

Deixemos de lado as eleições presidenciais que foram disputadas por Serra e Alckmin, que dispensam comentários sobre o quanto estão envolvidos em corrupção.

Voltemos somente ao recentíssimo passado da disputa de Aécio com Dilma.

Qualquer analfabeto político saberia, ou pelo menos deveria suspeitar, quem era Aécio e qual o nível de seu envolvimento em corrupção.

Eles, não.

Também era natural que nenhum dos citados tivesse sido ou estivesse preso.

Faltavam provas?

Absolutamente.

Sem que ninguém o investigasse, surgiam provas contra Aécio todos os dias, mas que sequer eram consideradas.

Ele tinha a proteção dos deuses da impunidade.

Particularmente de um deles.

MoroVazaJato

Soberano, onipotente, onipresente, intocável, ele pairava sobre o bem e o mal.

Na “Aécio Land”, rostinhos colados, olhares, sorrisos e risos, dançavam um bolero insano e cruel, embalados pela liberdade dos que a têm nas mãos e possuem o poder de oferecerem aos que podem desfruta-la.

Mas não vem ao caso.

Hoje, na sarjeta, vivendo nas trevas da história da política brasileira, Aécio vive a solidão dos renegados por quem o criou e apoiou.

E o que fazem “eles”?

Cara de paisagem, a dizer “não tive e não tenho nada a ver com isso”.

Como se todos fossem igualmente idiotas.

Ah, quantas coisas aconteceram!

Não vamos relembra-las, mas algumas considerações devem ser feitas.

Nesse espaço de tempo morreu o ministro do STF, Teori Zavascki, não sem antes repreender o Conje no episódio da gravação da conversa entre Dilma, presidenta do Brasil, e Lula, ex-presidente do país.

Faço questão de relembrar a analogia que se fez à época.

Foi comum ouvir-se dizer que uma gravação desse tipo entre Barack Obama e Bill Clinton poria o juiz na cadeia no outro dia.

O que fez o Conje?

Limitou-se a um tímido pedido de desculpas, que logo após a morte do ministro Zavascki foi desfeito.

À vontade após a morte do ministro, o Conje jogou carne para a matilha:

Não me arrependo de forma nenhuma, embora tenha ficado consternado com a celeuma que a divulgação causou”.

Como se vê, um homem valente.

Uma atitude proibida pela Constituição Brasileira, um crime contra a segurança nacional teve o apoio da imprensa brasileira, do judiciário e foi plenamente aceito pelos seus seguidores.

Natural.

Soberano, onipotente, onipresente, intocável, ele pairava sobre o bem e o mal.

O juiz sabia que podia tudo. E muito mais.

The Intercept

Podia tudo e muito mais graças ao apoio irrestrito da imprensa.

Veja, Estadão, Folha, IstoÉ, Exame, Época… todos os canais de televisão.

A sintonia com a imprensa era absoluta.

À frente de todo o processo, o Sistema Globo de Comunicação.

A missão que lhe fora atribuída veio acompanhada de todos os poderes.

O Conje foi transformado em herói.

E eis que num domingo de outono o ferreiro conhece o ferro.

Diante do primeiro momento, pegos de surpresa, Moro e Dallagnol confirmaram a veracidade das notícias vazadas dos diálogos entre Moro e os procuradores da Lava Jato, agora conhecida como Vaza Jato.

Entenda, então, que a veracidade das notícias vazadas foi confirmada pelos dois, Moro e Dallagnol, e esta confirmação foi noticiada pela imprensa, inclusive a Globo, também pegada de surpresa.

Batman e Robin estavam em dificuldades.

Com eles, os produtores desse filme canalha e covarde; a Globo

Agora, oficial e definitivamente abraçados, morrerão afogados juntos e shallow now.

As tentativas de desviar o foco são patéticas, à altura de Moro e Dallagnol, medíocres que são.

Veja o que diz o jornalista Kennedy Alencar.

Vaza Jato

A Globo entrar nessa não deixa de surpreender, mas explica-se.

Bateu o desespero.

Alguém aí é capaz de imaginar por que só a Globo insiste em tentar protege-lo?

Agora tudo é culpa da invasão de hackers.

Rolou um vídeo em que um desesperado Dallagnol diz que a lava jato foi criminosamente invadida por hackers.

Que tipo de débil mental pode compartilhar aquele vídeo?

O pastor, que tem linha direta com Deus e por Ele foi incumbido da missão divina de combater a corrupção na Terra, sabe que dizer aquela estupidez completamente desconectada da realidade alcança essas pessoas, pelas quais o sentimento não é de repulsa, mas sim de pena.

Como conseguem não pensar o mínimo razoável?

A Polícia Federal solicitou os telefones celulares dos hackeados para fazer a perícia e assim chegar mais facilmente aos criminosos que invadiram a privacidade dos intocáveis.

Os Bolsoidiotas e Moroidiotas já se perguntaram qual a razão de Moro, Dallagnol e todos os procuradores se negarem a dar os telefones à PF?

E olha que a PF é órgão subordinado ao ministro da justiça, aquele ex-juiz que prendeu o candidato que ganharia a eleição no primeiro turno e depois…

O que talvez esses “jênios” não saibam é que se fala à boca pequena que existe uma parte da PF que não foi contaminada pela república de Curitiba.

É possível que tenha sido essa PF que pediu para fazer a perícia e não a outra.

Será que uma perícia nos celulares dos hackeados mostraria que os hackeados não foram hackeados?

O sorriso imbecilizado não consegue captar a gravidade da situação, mas o sorriso amarelo sim. É reflexo da submissão de quem percebe o quanto estão perdidos e do quanto ele particularmente precisa da proteção de alguém cujo equilíbrio psicológico sabe não existir.

BolsoMoro farsantes

O desespero é grande, mas para quem foi eleito através de uma grande farsa, enganar, mentir, trair, é uma arte.

Bolsofarsa

Uma arte que os cartolas conhecem muito bem, mas o torcedor não.

Ele é amor e paixão e não vai aceitar que alguém, seja quem for, use o seu time de forma tão cínica.

Veja o que escrevi sobre o Conje no artigo Um juiz desmoralizado e perdido, em março de 2018, quando ele ainda estava no auge da popularidade:

Já digo há algum tempo que o juiz Sérgio Moro é um homem limitado.

Disse também lá no começo, quando o circo começou a ser armado, que ele sairia menor na sua empreitada e que, como o ex-ministro Joaquim Barbosa, seria mais um bagaço de fruta chupada a ser jogado pela janela.

Está sendo.

Pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.

Pouco importa que o mico e o Conje continuem sendo endeusados (cada vez mais por menos gente), pelos miquinhos amestrados, até pela insignificância deles.

Estão todos perdidos.

Estão todos desmoralizados.

“O fato de que o governo Bolsonaro agora já está sendo visto, a nível global, como falido, em crise, incapaz de governar, incapaz de passar o que eles tinham prometido, liderado por um alguém que tem um QI sub zoológico e impopular, e inclusive criticado dentro de setores do próprio Deep State americano, o Moro era um ativo desses caras. Os Estados Unidos tentam o tempo todo remexer as regras do tabuleiro. Moro já cumpriu o papel, o papel dele é o que ele fez até colocar o Lula na cadeia, depois disso pode jogar fora, não tem mais importância”

“Ele pode ter com certeza, e isso na hora que acontecer vocês todos vão ver, o famoso paraquedas dourado. Ele pode dar palestra em universidades americanas, publica um livro nos Estados Unidos e ganha um monte de dinheiro de direitos autorais, então esse paraquedas já está acertado. Não era exatamente o que o Moro queria, o Moro queria ser presidente, não vai rolar, não vai rolar porque ele era uma pecinha em um esquema muito maior”.
Pepe Escobar, jornalista especialista em geopolítica

Absurdamente obtuso, incapaz, desequilibrado e agora desesperado, o mito derreteu

Por Ronaldo Souza

Jânio Quadros

1961

“Fi-lo porque quilo”.

Atribuíram essa frase a Jânio Quadros, o homem da imagem aí em cima.

Não há nenhuma possibilidade de que ele a tenha dito. Era inteligente, professor e reconhecido como um homem que falava bem o português.

Com certeza ele saberia a frase correta; “fi-lo porque o quis”.

Advogado pela USP, foi considerado excelente docente como professor de Geografia no tradicional Colégio Dante Alighieri e no Colégio Vera Cruz e depois de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie,  em São Paulo.

Foi Presidente do Brasil entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, dia de sua renúncia.

Para justificar a renúncia, alegou que “forças ocultas” não permitiam que ele governasse como pretendia e tinha prometido ao povo brasileiro.

É consenso que na verdade tentou dar um golpe para fechar o Congresso, ou, no mínimo, deixa-lo bastante enfraquecido. Renunciando, voltaria ao governo nos braços do povo.

Não deu certo.

Com imagem condizente com a de um homem religioso e temente a Deus, pregava a moral e os bons costumes de homens e mulheres de bem. Num país como o Brasil, isso representa uma arma muito importante na caminhada pela presidência.

Medidas no seu governo foram de proibição ao uso de biquínis à brigas de galo.

Jânio Quadros usou a imagem de combate à corrupção durante toda a sua carreira política.

A vassoura (varrendo a corrupção) era seu símbolo, porém enfrentou acusações de corrupção ao final de sua vida.

Jênio Quatros ou Quatro Jênios

2019

Há poucos dias o atual presidente da república divulgou um texto que dizia que ele não ia conseguir consertar o país porque não iam deixar. Tratava-o como honesto e impossibilitado de cumprir o seu desejo de levar o país ao mesmo patamar das grandes potências.

Um texto tão primário não podia surpreender. Deixou patente, porém, o desespero do chefe do “Conje”; mais claro, impossível.

Apelação barata e chantagem explícita em níveis medonhos.

O meu espanto foi ver a surpresa que alguns tiveram.

Como ficar surpreso com a reação dos eleitores de Bozo?

Se foram capazes de eleger uma anomalia, por que ficaria surpreso com a incapacidade de perceber qualquer coisa, inclusive que ele é uma anomalia?

Não ter percebido o desespero do macaco velho bom de briga, segundo grande pensador das redes sociais, é apenas um detalhe e se não conseguiram sequer perceber isso, como imaginar que perceberiam a grande farsa que mais uma vez ele protagonizou?

Em primeiro lugar, o que ele disse?

Que o texto era de autor desconhecido.

Quando lhe perguntaram sobre o texto, respondeu; “O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas”.

Poderia ser uma ironia tipo; “se eu disse que é autor desconhecido, como é que vou saber quem é?”.

Todos sabem, porém, que ele não tem condições de fazer ironias.

Grosserias, sim, ironias, não.

“Como eu tava solteiro, esse dinheiro do auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

Não deve ser difícil entender que para um homem que é capaz de dar esse tipo de resposta, respostas irônicas sutis exigiriam muito dele.

Um detalhe.

Essa resposta do bom de briga foi dada a uma mulher, uma repórter.

E nesses momentos irrompe o valente, o capitão, com o revolver na cintura para deleite dos miquinhos amestrados.

A questão é outra bem mais simples; o texto não é de autor desconhecido.

O “autor desconhecido” é Paulo Portinho, (46 anos), candidato a vereador pelo partido “Novo” (RJ), partido que apoiou e apoia o mico.

O “autor desconhecido” não é desconhecido.

Portanto, uma farsa.

Mais uma.

Fala de “forças ocultas”, de um “Brasil ingovernável”. Além disso, o mico vomitou; “o sistema vai me matar”.

A chantagem é explícita.

Um “Brasil ingovernável” não lhe soa conhecido?

Isso, ele mesmo:

Jânio Quadros.

“O mais ruim”

Desde já fica descartada qualquer outra possibilidade de comparação.

A única seria a frase lá em cima, com a certeza de que Jânio Quadros não a disse e o mico seria capaz de construí-la daquela maneira.

Duvida?

E por falar em consenso, há pelo menos mais dois.

Não há e não haverá na história do Brasil nenhum outro presidente “mais ruim” do que o mico.

E também está se tornando consensual que o seu reconhecido desequilíbrio mental tem se agravado de maneira preocupante nos últimos tempos.

“APOSTO NO PRESIDENTE!!!”

Destacando a bravura do macaco velho bom de briga, um pensador das redes sociais disse que apostava no presidente na “briga” com Rodrigo Maia.

Rodrigo Maia tem feito do mico um joguete; faz dele o que quer.

Ao assumir a presidência, o valente capitão desafiou os quatro cantos do mundo.

Voltei à minha infância.

Eu tinha um tio que era soldado da Polícia Militar.

Eu o via com aquela farda e dava asas à minha imaginação.

Meu sonho!!!

Ser soldado quando crescesse.

Assim são as crianças.

Brincávamos de quem queria ser o que quando crescesse.

Não faltava quem quisesse ser presidente do Brasil.

“Já pensou, eu mandando no Brasil, o homem mais poderoso do Brasil?”

Assim os adolescentes brasileiros de 18 a 65 anos de idade viram o capitão; o homem mais poderoso do Brasil.

E o dono do Brasil decretou; vou começar destruindo um dos meus grandes inimigos:

A Globo.

Os orgasmos se misturaram ao espocar dos champanhes.

Ali estava, finalmente, o homem que ia por ordem na casa. O homem que ia enfrentar os poderosos e corruptos.

O Robin Hood da floresta brasileira.

Tolos, não conseguem perceber, e nunca conseguirão, que estiveram durante todos esses últimos anos umbilicalmente ligados à Globo, fazendo o que ela mandava.

Ou já esqueceram, por exemplo, do dia do luto, aquela coisa patética do dia em que vestiram roupa preta contra Dilma por orientação da Globo?

A anomalia determinou a extinção da família Marinho, até então a protetora do Brasil deles.

O Brasil de Aécio.

A anomalia mostrava a sua força e vencia a Globo.

Inacreditável!

Mais uma vez a absurda ignorância fez com que comemorassem a força do Robin Hood.

Não perceberam que ali estava o primeiro grande erro do senhor da floresta.

Na sua extrema incapacidade de ver qualquer coisa que não seja alguém frágil para agredir (as mulheres que o digam), o mico não percebeu que não se briga com a Globo impunemente.

Expulsa do paraíso, a Globo foi pra cima dele.

De onde será que ele pensa que saem as investigações e quebras de sigilo da famiglia, particularmente do 01?

Do ministério público federal do Rio de Janeiro.

Quem ganha a Globo nesse terreno?

A Globo foi pra cima do mico.

E o bravo, incompreendido, solitário e incansável lutador entrou num processo de autocomiseração e autoflagelação digno de pena.

E derreteu.

O macaco velho bom de briga não suportou.

Pipocou, abriu as pernas e convidou a Globo para uma conversa, através de Paulo Tonet, um de seus diretores.

BolsoGlobo

A Globo foi, viu e… não topou.

Recusou o desejado acordo.

Reforçaram-se as “forças ocultas” de Jânio Quadros.

Perceba-se, entretanto, que foi a mídia brasileira, capitaneada pela Globo, quem gestou o ovo da serpente.

E no início a Globo não se afastou do capitão, pelo contrário, tentou ficar com ele.

Foi o capitão que a expulsou do paraíso, para deixar ali só os evangélicos de Edir Macedo, Malafaia e outros.

Eles não entendem que a vênus platinada não está contra esse governo, muito pelo contrário, apoia-o quase que integralmente.

Ela se voltou somente contra o capitão (afinal, ele a expulsou do paraíso), mas continua protegendo Sérgio “Conje” (o ex-juiz agora ministro da justiça), Paulo Guedes, Lorenzoni…

É possível, porém, que mais cedo do que o previsto, parta também pra cima deles.

Lorenzoni não conta, um pobre diabo nesta terra em que mandam tantos pastores, astrólogos, estudiosos de pés de goiaba divinos e tantos outros desequilibrados.

Se não entregar o prometido, particularmente a reforma da previdência, Paulo Guedes dança.

Sergio “Conje”, ainda sob o controle da Globo (na sua inteligência, ele diria “sobre” o controle), também começa a correr riscos.

O Conje já não tem mais a certeza de que o mico vai garantir a sua vaga no STF (percebeu como ele tá comendo na mão do macaco velho bom de briga?).

Com a jogada da possível indicação de Marcelo Bretas para o STF porque ele é evangélico, o Conje está morrendo de medo de perder essa vaga, promessa feita pelo “mais ruim” na campanha para a presidência.

Moro cumpriu a sua parte ao prender Lula, afasta-lo das eleições presidenciais e assim garantir a vitória do mito que derreteu, mas teme que, agora que foi eleito, Bolsomico o traia e indique Bretas para o STF. Quem sabe o que sai daquela cabecinha?

O Conje virou um boneco nas mãos do mico.

“Agora, estão fazendo esculacho em cima do meu filho. Querem me atingir? Venham para cima de mim! Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem que ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar”.

E há poucos dias, queixando-se da perseguição aos seus três filhos vice-presidentes, o mico soltou essa pérola!

Como têm feito os covardes ao longo da história, agora deu pra ficar se vitimizando dizendo que o estão perseguindo.

E deu pra “chorar pra caramba”.

Alguém lembra do que fizeram com toda a família de Lula, incluindo aí, claro, os seus filhos?

Acho que não.

Acho que ninguém lembra mais.

O próprio capitão não deve estar lembrado do que ELE fez e faz com aquela família.

A perseguição, a humilhação, as ofensas, as agressões…

E os netos!!!

Até dos netos o ex-juiz de direito Sérgio “Conje” mandou tomar os tablets e não devolveu.

Dos netos!!!

E a mulher, companheira, mãe, avó, que não suportou e num AVC foi embora!

Tudo bem que se trata de uma raça inferior, uma sub-raça e por isso não merece nenhum respeito e consideração. Certamente, bem merecido.

Mas, para comover os corações de bravos homens e mulheres que covardemente agrediram Dilma com todas as ofensas possíveis e imagináveis, o macho chora.

O macho que viveu nos corredores do Congresso ofendendo e agredindo mulheres.

Senhores machos desse país covarde, DILMA, UMA MULHER, foi ofendida, agredida, xingada de tudo quanto é jeito, foi humilhada, mas NÃO CHOROU!!!

Não ficou dando entrevista para chorar e depois ficar dizendo e mostrando que tem chorado pra caramba!

Dilma enfrentou tudo com altivez e dignidade, coisas que vocês desconhecem.

Fazer-se de vítima não é coisa de homem.

Ficou evidente o desespero do mico, ao ponto de tentar negociar um acordo com a Globo.

O toma-lá-dá-cá do Congresso, que os seus eleitores num exercício supremo de estupidez imaginaram que você acabaria, está a todo vapor.

Notícias recentes da imprensa chegam a dizer que está em 10 milhões o custo de cada parlamentar para aprovar a reforma da previdência.

“Venham pra cima de mim! Não vão me pegar”?

Como nas cabeças retrógradas dos machos um homem não chora, de que servem esses rompantes do mico?

Acho que vão pegar sim, Jair.

Na verdade, já pegaram.

O que vai acontecer é que ainda não sabemos, porque você tem a proteção de muitos poderosos, aqueles mesmos que os tolos acharam que você enfrentaria.

Mas que já lhe pegaram, isso já.

Carta a um jovem brasileiro

O jovem de Goeldi,

Cerqueira Leite: do que não se pode falar e do que não cansaremos de dizer

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Poeta 5

Não sei se é a este texto do poeta Rainier Maria Rilke a que se refere, em seu artigo de hoje na Folha, o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite, aos 87 anos um das glórias da ciência nacional, um engenheiro e físico que é “pai” de algumas das mais importantes linhas de pesquisa de física atômica do Brasil e de algumas delas, no mundo.

Se não é, expressam a amargura e a esperança com que a geração dele – e a minha, que já vai pelo outono – gostaríamos de dizer aos jovens do que aprendemos e que já não nos permitem ensinar.

Mas teimamos, como faz o velho professor, em sua comovente

Carta a um jovem brasileiro

Por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico e professor

Eu gostaria de escrever-lhe uma carta sobre poesia, embora sem o talento do alemão Rainer Maria Rilke, sobre a importância da literatura, das artes, do conhecimento; enfim, sobre tudo o que enriquece a humanidade. Mas eis que nossos líderes agridem tudo que alicerça a cultura de um povo, tal seja a filosofia, a sociologia, a história.

Eu queria escrever-lhe sobre a dádiva da natureza ao brasileiro, sobre as nossas matas, os nossos rios, a nossa fauna e a nossa rica e bela biodiversidade. Pois bem, nossos dirigentes não apenas corrompem as providências para amenizar as inexoráveis e trágicas consequências do aquecimento global como também incentivam o desmatamento e a poluição da atmosfera.

Eu queria falar-lhe, jovem brasileiro, da dignidade do trabalho e da necessidade de conhecimento para enfrentar a dinâmica implacável do progresso tecnológico. Entretanto, esse novo governo asfixia nossas universidades com cortes de verbas e obtusa perseguição.

Eu queria falar-lhe de ciência e tecnologia, da consequente industrialização do nosso país e dos benefícios sociais e econômicos que adviriam de investimentos em pesquisas. Mas esses nossos governantes continuam a desindustrialização começada nos governos Collor e FHC, cortando recursos para ciência, tecnologia e formação pós-graduada, sem o que não haverá industrialização possível já em futuro próximo.

Eu queria escrever-lhe sobre o valor da cidadania, da liberdade, sobre a decência do homem de bem. Porém, “esses arremedos de déspotas” que presidem sobre esta nação liberam a posse de armas, cooptam e protegem milicianos, homenageiam extorsionários e torturadores, estimulam a violência.

Eu gostaria de poder falar-lhe sobre nosso país, sobre nossa história, nossa arte, nossos escritores, nossa música, nossas conquistas. Mas não posso. Nosso país se curva aos interesses imperialistas dos EUA.

Eu queria falar-lhe do ideal de justiça, da solidariedade. Contudo, só vejo ostentação, narcisismo. Juízes vivendo em palácios “nababescos”, servidos a lagostas, pagas com o suor do trabalhador brasileiro. O que um juiz do Supremo come de lagosta e bebe de vinho importado, diariamente em uma única refeição, equivale ao que come por mês uma família que vive com salário mínimo. E, ao contrário de suas excelências, o cidadão brasileiro paga por suas refeições. Eu pensava em conversarmos sobre seu futuro, seus sonhos. E olho para nossos congressistas, supostos guardiões da cidadania e de seu porvir. E só ostentam escandalosa cupidez.

Confesso que eu queria inculcar-lhe, jovem brasileiro, uma certa compulsão por justiça social, um certo interesse pelo próximo e pelo distante, um pouco de civilidade enfim. Mas seria um esforço perdido, tendo em vista a dominação intelectual e ideológica desse governo por um farsante, obsceno e fascista, uma espécie de Rasputin de bordel.

Eu gostaria de encontrar alguma palavra de alento para apaziguá-lo. Eu não queria ser cínico ou parecer desalentado, derrotado. Seria talvez bom se eu pudesse fingir, mentir um pouco. Mas não. Só posso pedir-lhe que me perdoe, e a todos aqueles das gerações que precederam a sua, pelo que lhe subtraíram e talvez também pelo que lhe ensinaram.

A rua, amanhã (hoje), é minha história e minha família

Escolar

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Meu pai, filho de migrantes de Alagoas, era um bancário que só virou professor porque havia uma universidade pública.

Minha mãe, filha de pintor de paredes e de uma costureira, austeros e queridos, também só pôde começar uma faculdade – e depois, já na maturidade, concluí-la – porque era pública, pois ser professora primária e criar dois filhos jamais a permitiriam pagar por isso.

Eu e meu irmão, universidades públicas. Minha filha mais velha, pós-doutora por uma universidade pública. Minha sobrinha mais velha, igual, formada numa universidade pública.

Não ir à rua amanhã seria trair a mim e trair a todos eles.

Pior, a todos os homens e mulheres, de ontem, de hoje e de amanhã que, como nós, tem, teve e terá na universidade pública a oportunidade, que infelizmente ainda é um privilégio, de aprendermos tudo: a sentir, a pensar e a trabalhar.

Mesmo os que podiam pagar, mesmo os que hoje são economicamente bem sucedidos economicamente –  colegas ontem, amigos hoje e sempre, que são executivos ou ex-executivos de grandes empresas – sabem e reconhecem que se tornaram pessoas melhores naquele ambiente democrático e plural, muito mais que se tivessem vivido em gaiolas de ouro.

Fizemos, todos nós – exceção, acho eu, feita à minha mãe, do tempo em que “moças de bem” não podiam fazê-las – balbúrdias, bagunças, cervejadas, empurramos trabalhos meia-boca, seminários de fancaria, tudo o que se permite aos jovens fazer quando se despedem da irresponsabilidade e passam a ser profissionais.

Aliás, na juventude, talvez pudéssemos não perceber o quanto eram importantes aquelas escolas que, se privadas, não teríamos. Na maturidade, porém, já nem este direito temos.

Desertar do dever de defender a universidade é fugir de lutar por seus pais, por seus filhos, por seu país.

Sim, o nosso país, que não pode existir e menos ainda crescer se não houver produção de conhecimento e a ânsia de saber e de criar.

O que moveu e o que moldou minha vida, desde quando usávamos a blusa branca, com “EP” de Escola Pública bordado em linha azul, que passou pelo ensino técnico, que foi à Universidade, que me levou a Brizola e a Darcy Ribeiro, faz disso, aliás, mais que um dever.  É algo tão vital como respirar e pulsar.

Nem minha escolha em ser eremita, o dia inteiro a escrever,  pode servir de desculpa à omissão, à obrigação de colocar a cara e o corpo  diante dos monstros que nos assombram.

Não, loucos eles não são

Por Ronaldo Souza

Dispensemos perder tempo com comentários sobre as hoje famosas fake news, inclusive as da campanha do “macaco velho bom de briga”, segundo um grande pensador de redes sociais.

Vergonhoso.

Mentiras, assassinatos de reputação, covardia no mais alto grau… houve de tudo.

Há pouco tempo a imprensa noticiou que “o perfil no Twitter do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi analisado pelo Fake Followers Audit, programa que identifica perfis falsos, inativos ou robôs seguindo uma conta, e o resultado foi que 60,9% dos seguidores do presidente são falsos.

Surpresa?

Nenhuma.

Afinal, foi dentro dessa perspectiva que a campanha do mico foi realizada.

No texto Somente idiotas? escrevi o seguinte sobre o mito e seus miquinhos amestrados:

“Não é mais cinismo.

Não sei porque me lembrei da frase ‘os canalhas também envelhecem’.

Sabe de quem é esta frase?

Rui Barbosa.

Mas a primeira vez que a ouvi foi em 1993, da boca de um dos maiores canalhas que já conheci.

Ninguém tem dúvida de que os que elegeram o macaco velho foram, são e serão sempre úteis, muito úteis.

Mas é possível que para alguns ainda reste uma dúvida.

São somente idiotas?”

O ex-presidente Lula disse que o país está sob o comando de um bando de loucos.

Discordo do ex-presidente.

O que eles fizeram e continuam fazendo não é loucura.

Tem outro nome.

Canalhice.

Devidamente compartilhada pelos miquinhos ignorantes, amestrados e também canalhas.

O que lhes cabe é manter o padrão.

Veja você mesmo na matéria abaixo.

Bolsonaro usa foto de 2015 em post sobre protestos do dia 26; mulher morreu em novembro

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Bolso mamadeira de piroca'

Jair Bolsonaro continua oferecendo mamadeira de piroca em diferentes formatos para seu público.

No domingo, enquanto seus seguidores pediam o fechamento do Congresso e do STF, ele postou uma mensagem demagógica e chantagista nas redes.

Como legenda da foto de uma senhora idosa vestindo verde e amarelo, enrolada em uma bandeira do Brasil, usando um andador, ele — ou Carlos — escreveu um “apelo”.

 “Presidente, Ministros, Senadores, Deputados, Governadores, Prefeitos, Vereadores, Juízes: OLHEM A NOSSA RESPONSABILIDADE.”

A cena, porém, é de um protesto pelo impeachment de Dilma datado de 15 de março de 2015.

A capixaba Maria Nina Rattes, que morava no Rio de Janeiro, morreu em novembro passado.

Nina

Obs. do Falando da Vida – Como teria feito ela, morta em novembro de 2018, para participar da manifestação em maio de 2019? Só a mitologia explica.

A revolução dos brancos

Bolso branco

Por Leandro Fortes, jornalista

Desde 2013, já era possível notar que essas manifestações de fascismo urbano eram, por assim dizer, piqueniques cívicos da classe média branca, racista e iletrada do Brasil.

O antipetismo alimentado pela mídia fez os pobres apoiá-las, mas não conseguiu manchá-las de pardo: durante todo o processo que resultou no impeachment de Dilma Rousseff, a histeria das ruas manteve-se branca, alva, em fantasias verdes e amarelas.

Mesmo fracassada, as manifestações de apoio a Bolsonaro mantiveram esse padrão intacto. Mais ainda, filtraram esse fenômeno até o limite de qualquer percepção.

Nas ruas, nos pequenos e grandes grupos, eram sempre brancos e brancas em máscaras de ódio, rancor e tristeza. Uma gente tão infeliz que não causa espanto nenhum as opções que faz.

Essa gente horrível, plena de desgosto, ainda vive seu momento, embora seja óbvio o seu ocaso.

Ainda assim, me embrulha o estômago ver essa turba ignorante empunhando banners de vinil expondo a própria ignorância, disseminando ódio e intolerância, erguendo bonecos infláveis para disfarçar uma vida inteira de insignificância.

Bolsonaro diz que crise “é fofoca” e suas falanges querem só “agilidade”

Bolsobrincadeirinha

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Jair Bolsonaro não junta lé com cré.

Num dia, distribui um texto “apavorante”, onde diz que o Brasil “é ingovernável” e que está sendo manietado pelas “corporações” e pelas “oligarquias”.

Seus seguidores entram em polvorosa e convocam marchas para “invadir Brasília”, “orar para o Presidente” e defender a aprovação sem mudanças de suas propostas.

Três dias depois, Sua Excelência faz um discurso a empresários dizendo que “não existe crise entre os Poderes” e que tudo não passa de “fofoca”. E que as manifestações convocadas para o dia 26 reivindicam apenas “agilidade”, para que o Congresso aprove tudo como achar que deve.

Do que diz o presidente, só uma conclusão se pode tirar: ou ele é um mentiroso ou é um bipolar, ambas características aterrorizantes para alguem que é responsável pelo destino de 210 milhões de brasileiros.

Ao contrário do que acontece com Bolsonaro, o país, ao que parece, voltou a pensar, após a temporada de ódio insano que viveu.

E porque pensa, sua maior preocupação em relação a ele é minimizar os estragos da presença de um energúmeno irresponsável como ele à frente do Governo. Alguém que, como escrevi aqui, porta-se como um destes moleques que toca a campainha das casas e sai correndo, apenas para sobressaltar os moradores.

E para sua “turma de rua” sair, aos gritos, atemorizando políticos semm estofo nem opinião.

O país está enfiado numa crise política e econômica das mais graves e Bolsonaro finge que tudo “é brincadeirinha”.

A guerra do pai e dos filhos

Bolsonaro e os filhos

Um homem atormentado, colocou os filhos em um labirinto sem saída

Por Moisés Mendes, jornalista, do seu blog do Moisés Mendes

Bolsonaro não é um governante, mas apenas um homem atormentado que pensa gerenciar o Brasil pelo Twitter e pelo WhatsApp. Ele e os filhos foram destruídos por um erro primário da política. Atacaram sem parar, desde que a família chegou ao poder, e provocaram guerras que não irão ganhar nunca.

Algumas perguntas que, num ambiente de racionalidade, mereceriam respostas. A primeira: se estavam envolvidos com milícias e se construíram uma fortuna imobiliária suspeita, para falar apenas de dois aspectos da vida complicada que vinham mantendo, por que os Bolsonaros acharam que seriam intocáveis só por terem chegado ao poder?

Se sempre se envolveram em atividades que um dia seriam investigadas, por que os Bolsonaros compraram briga com aliados, com o Ministério Público, com adversários que não conseguirão dobrar, sempre de forma agressiva?

Por que os Bolsonaros, desde o famoso discurso da vitória na Avenida Paulista, em que Bolsonaro ameaça perseguir e eliminar os adversários, não baixaram as armas? Por que desde o início do governo atacam até os generais do primeiro escalão?

Que incapacidade é essa dos Bolsonaros de calibrar o enfrentamento com quem consideram inimigos? Que insegurança move os Bolsonaros?

E aí há outro detalhe importante. Bolsonaro jogou os filhos na guerra. Empurrou Carlucho para o confronto virtual. Transformou o filho vereador no formulador das agressões pelas redes sociais e em seu porta-voz oculto.

Atiçou Eduardo, o outro filho deputado federal, contra inimigos internos e externos e tentou transformá-lo em ajudante do golpe na Venezuela.

Eduardo preparou-se, na última tentativa de golpe, para entrar em Caracas como herói da direita latino-americana, O pai o empurrou para uma guerra de trapalhões.

Bolsonaro também desfruta da capacidade empreendedora do outro filho, o chefe de Queiroz, o filho que abastece, via laranjas, até a conta de Michelle Bolsonaro. Flávio é o filho que faz dinheiro.

O Ministério Público já tem pistas de que a quadrilha em torno de Flávio Bolsonaro era coisa de família. A família dele, a família de Queiroz, as famílias dos milicianos do entorno.

Bolsonaro puxou os filhos na política (ao contrário do que Lula sempre evitou) para tê-los como seus principais pensadores e operadores. No governo, o projeto se materializou com a distribuição de tarefas.

Mas deu tudo errado. Carlucho era competente para disseminar fakenews, mas não para ser propositivo, para vender ideias, por mais furadas que fossem. Era um blefe, ou já teria acionado um plano para salvar a imagem do pai abandonado.

O filho que se apresenta como pretendente ao posto de líder da direita (ou da extrema direita mesmo) da América Latina parece ser o mais perigoso de todos. Mas é também o mais tomado pelo autoengano, pela ilusão de que lidera alguma coisa, incluindo a ideia mais recente de que o Brasil deve ter a bomba atômica.

E o filho mais velho, o negociante, já é um zumbi no Senado. Antes mesmo das conclusões do Ministério Público, que podem levar meses, está destroçado politicamente como chefe de uma gangue que não só saqueava recursos públicos via assessores laranjas, mas lavava dinheiro com imóveis e outros rolos.

Bolsonaro meteu os filhos numa fria. Podem dizer que todos são adultos e homens públicos e sabiam o que estavam fazendo. Mas foi o pai quem puxou a família para o seu delírio extremista de que governaria com o lastro dos militares perseguindo inimigos, minorias, professores, artistas, estudantes, índios, enquanto mantinham as conexões com os milicianos.

Não há saída para Bolsonaro nem para os filhos, que poderão sobreviver como políticos (a classe média reaça e a ignorância por ela manobrada têm eleitores de sobra para eles) e ainda manter o aparelhamento de setores do governo. Mas nunca mais serão como antes.

Os Bolsonaros venceram a eleição, mas perderão todas as guerras que provocaram, as reais e também as imaginárias.

Jornalistas da mídia bolsonarista relatam cansaço, irritação e descontrole de Jair

BolsoRecord

Por Mauro Donato

Corre já há alguns dias entre jornalistas que trabalham nas emissoras de TV às quais o presidente esteve concedendo entrevistas recentemente a percepção geral de que ele não está aguentando o tranco.

Nos bastidores de programas como o de Luciana Gimenez o presidente se mostra muito mais claudicante que sua imagem de pistoleiro vendida para fora.

Sua nota enigmática de hoje, distribuída via whatsappparece confirmar que a rádio peão continua eficientíssima como termômetro.

Ao ser questionado sobre o texto – anônimo – cheio de termos como “forças ocultas”, que menciona as “pressões de corporações” e que tem a desfaçatez de afirmar que “o Brasil está disfuncional” (jura?) o porta-voz leu a seguinte resposta: 

“Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”

Emenda pior que o soneto.

Há os que apostam que Bolsonaro não renunciará jamais. A verdade é que ele mesmo já vem dando declarações do gênero “não nasci para ser presidente” faz tempo. E olha que sua gestão está no quinto mês apenas.

Um presidente que emenda no mesmo parágrafo “infelizmente” com “desafios inúmeros” e conclui recorrendo a Deus está jogando a toalha. Ou não?

Ele previu um tsunami uma semana antes de serem quebrados o sigilo do filho zero-um e de mais de 80 assessores ligados aos Bolsonaro. Tsunamis são fenômenos arrasadores. Não costumam deixar goiabeiras em pé e varrem laranjais inteiros.

Até o antigo arauto da direita, Reinaldo Azevedo, escreveu em sua coluna desta sexta-feira que o impeachment de Bolsonaro entrou no radar de vez.

Bolsonaro não tem uma equipe melhor que ele que seja capaz de assessorá-lo. Pelo contrário. Tem ministros que jogam gasolina em fogueira e filhos que tumultuam sua cabeça com teorias de conspiração.

O triângulo que forma seu governo tem militares, olavetes neo-liberais, com cada um desses grupos em vértices opostos e em constante confronto. Tem como dar certo? Nem se Bolsonaro fosse o melhor mediador do mundo, coisa que ele não faz ideia do que significa. Jair Bolsonaro é anti político na sua essência, no seu DNA.

Os ventos estão estranhosBolsonaro é paraquedista e está na porta do avião decidindo o que fazer. O foda é que estamos a bordo né?

Somente idiotas?

Somente idiota

Por Ronaldo Souza

A estupidez se coloca na primeira fila para ser vista;
a inteligência se coloca na retaguarda para ver
Bertrand Russel

Há pouco tempo falei aqui sobre algumas pérolas que um grande pensador do “feicibuqui” escreveu, como costuma fazer, que você pode ver no texto Não votei em Flávio. Votei em Jair.

Ele atacou de novo.

Leia abaixo.

“Qualquer presidente sempre passou por isso.
Tanto que dentro do Congresso existem os líderes dos partidos e o líder do governo. Pra q?
Bolsonaro sempre foi Legislativo. 27 anos. Macaco velho. Tem muita experiência de Câmara dos deputados, de Congresso como um todo e da “articulação” sempre necessária. Sempre reeleito.
Alguém se arrisca a dizer porque ele nunca foi ventilado para cargo de Presidente da Câmara ou membro da mesa diretora?
Desde sempre foi alheio a este “esquema”.
Concordo que não tem experiência no Executivo, mas quem tinha? Lula? Dilma?
A diferença está no caráter. No discurso.
Maia sabe disso. Sabe que as coisas precisam mudar e vão mudar. O resto é esperneio.
Agora é quebra de braço.
Maia, e a sua Câmara mal acostumada na sombra do STF, ou Bolsonaro e seus milhões de seus eleitores
A briga promete.
A diferença é que Bolsonaro fala abertamente dos motivos da discórdia. Maia não se atreve.
E Maia se esquece também que Bolsonaro deve saber de muitos podres de muita gente, inclisive de Maia. E, a princípio, acredito que o rabo do presidente tá soltinho.
Além de ser bocudo, Bolsonaro adora uma briga.
APOSTO NO PRESIDENTE!!!!”

Sob todos os aspectos, é um primor este texto, legítima expressão de bom senso e profundo conhecimento político.

Li e reli para tentar entender a falta de conexão entre os “fatos” narrados; em vão.

Deixemos então de lado a “desnarração”. Fiz alguns negritos para chamar a atenção de alguma coisa que pudesse ser comentada.

O país se desmanchando, vendo serem destruídos todos os direitos dos seus cidadãos e sendo entregue a grandes grupos e algumas mentes privilegiadas ficam preocupadas em fazer apostas numa briga entre Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) e Bolsonaro, cuja diferença está no caráter.

Não sei se Bolsonaro, por ser mais mau caráter, mais macaco velho e afeito a brigas sujas, ganharia ou se Maia ganharia pelas mesmas razões. Confesso que não alcancei quem finalmente era o mais mau caráter e por isso venceria.

Alguém se arrisca a dizer porque ele nunca foi ventilado para cargo de Presidente da Câmara ou membro da mesa diretora?

Eu me arrisco.

Um político que estava há 28 anos no Congresso e teve 2 projetos não deixa nenhuma dúvida de que é um macaco velho inoperante e inútil.

Não servia para nada, a não ser ficar nos corredores do Congresso agredindo a todas que passassem por perto dele.

Pergunte a qualquer político do Congresso qual dos dois, Maia ou o macaco velho, ganharia numa eventual briga política.

O macaco velho não tem chance de ganhar qualquer briga contra qualquer político em qualquer tempo.

Falta-lhe tudo.

E antes que o pensador pense em fazer o enorme esforço de querer pensar para argumentar com a eleição presidencial e assim caia mais ainda no ridículo, pergunto que eleição ele ganhou se não houve nenhuma “briga” porque fugiu de todas?

Ao “pensar” assim o pensador confirmaria que, de fato, não pensa.

Não vou perder tempo falando de outras coisas que ocorreram nas eleições. Deixo por conta da “imaginação” (!) do pensador.

Desde sempre foi alheio a este “esquema”.

Aqui eu me perdi.

Que esquema?

O de Furnas?

 Bolsonaro e Furnas 1

O dos laranjas do PSL, o do dinheiro dos funcionários dos gabinetes depositado nas contas da família, o dos 13 parentes (inclusive a ex-mulher, mãe do filho mais novo), milicianos e parentes empregados nos gabinetes da família do macaco velho, ou o mais recentemente descoberto da compra de 19 imóveis pelo filho Flávio sem declaração de renda?

Todos segundo a Policia Federal e o Ministério Público Federal.

O Ministério Público já fala em lavagem de dinheiro.

E o Senado em cassação.

Há uma parte que merece destaque e que, por si só, deveria fazer o pensador pensar, coisa que, infelizmente, não tem o hábito de fazer.

“Além de ser bocudo, Bolsonaro adora uma briga”.

Isso é verdade.

Bocudo ele sempre foi.

E adora uma briga com… mulheres.

Brigou e agrediu mulheres parlamentares (Maria do Rosário que o diga) e jornalistas que cobrem Brasília.

Quem poderia negar a valentia dele na “briga” dos debates?

Foi a todos e brigou com todo mundo.

Quando Haddad o chamou de covarde em todos os microfones e câmeras, a resposta veio em cima da bucha, na cara!

Você viu, não viu?

Não!!

O pensador viu.

No Twitter.

Enquanto os debates aconteciam na Band, SBT (se não me engano a Globo cancelou o dela, não foi isso?) ele, bravamente, respondia tudo diante das câmeras e microfones da TV… Record, brigando muito, sozinho, sem ninguém por perto.

À sua frente, o repórter da Record.

Foi valente.

Mostrou que adora uma briga.

Sob os aplausos e bênçãos dos seus miquinhos amestrados e do Conje, ex-juiz de direito e agora delatado por Bolsonaro como pedinte de uma vaguinha no STF.

Não, não ouse, isso não é corrupção.

Combinar com o presidente da república uma vaguinha num cargo vitalício não é nada demais para quem tanto ajudou, aliás, ajudou não, criou as condições necessárias para que o presidente, depois de tanta briga, pudesse ser eleito.

Uma vaguinha no STF é somente um meio de melhorar a vida dele, Conje, nada mais.

Vai dizer que não é justo?

Não vem ao caso.

Mas, voltando a Bolso bom de briga, veja o que disse um deputado aliado do mito, o Capitão Wagner (PROS-CE).

Por que ele falou com todo o cuidado de preservar o macaco velho?

Você acha que o deputado ia dizer que foi o presidente que não fez o que parecia estar fazendo?

Será que o bom de briga ligou mesmo para o ministro ou a ligação foi de brincadeirinha?

“Será que o presidente forjou a ligação na nossa frente?”

macaco velho sentiu o cheiro de briga e, mesmo vendo o país em manifestações contra suas medidas, como diz o baiano, Bolso bom de briga se picou pra Dallas.

Como Nova York o expulsou e ninguém o tinha convidado para ir a Dallas, ele se convidou.

O que fez o prefeito de Dallas?

Não o recebeu.

Prefeitos agora se recusam a receber o Presidente do Brasil!!!

Prefeitos!

Mas ele realmente precisava ir lá.

Afinal, lá no Texas estão alguns dos ricos homens do petróleo e ainda temos muito para oferecer a eles.

Além disso, também para aproveitar e perguntar o que fazer ao guru lá dos Estados Unidos que fica atrapalhando (como diz o deputado no vídeo aí em cima).

O guru deve ter aconselhado a permanecer nessa linha de total subserviência aos Estados Unidos.

Mas Bolso bom de briga não esqueceu de suas funções.

De lá já xingou todo mundo.

Fato inédito, o presidente da república chamou os brasileiros de idiotas e imbecis.

Cabra bom de briga, esse.

Sei que os seus seguidores são incansáveis e imbatíveis na capacidade de dizer asneiras, mas abusam há muito tempo.

Para tudo há um limite.

Aliás, há controvérsias.

A inteligência humana tem limites, a estupidez não.
Claude Chabrol

Mesmo diante da confissão involuntária de quem “desde sempre foi alheio a este esquema” de que iam enfrentar um tsunami, os fieis seguidores do macaco velho continuam achando que ele é o mais íntegro dos políticos, ou o único.

Por que Jair Bolsonaro disse há dias que iam “enfrentar um Tsunami na próxima semana” (esta agora)?

Por que Carlos Bolsonaro já temia.png

Por que Carlos Bolsonaro começou a temer quando viu que a quebra de sigilo de seu irmão Flávio tinha sido autorizada? Ao ponto de dizer que “o que está por vir pode derrubar o capitão”.

Novas informações de corrupção e ligações perigosas da família ao longo de muitos anos são divulgadas a todo instante.

Bolsolavagem

Por tudo isso, já não é pequena a onda de perplexidade que tomou conta de muita gente que já começa a achar que a “fidelidade” dos seguidores do macaco velho já passou dos limites.

Serão capazes de imaginar que ele nada sabia?

Para ficar somente em um exemplo, pessoas de destaque nacional como José Padilha (diretor de Tropa de Elite e outros filmes) já foram um pouco mais além e perceberam quem é Sérgio Moro.

Para eles, até um dia desses Padilha era uma referência inquestionável. Não é mais?

Há muito tempo a reconhecida e absurda ignorância política se transformou em hipocrisia e na sequência em cinismo.

Não é mais cinismo.

Não sei porque me lembrei da frase “os canalhas também envelhecem”.

Sabe de quem é esta frase?

Rui Barbosa.

Mas a primeira vez que a ouvi foi em 1993, da boca de um dos maiores canalhas que já conheci.

Ninguém tem dúvida de que os que elegeram o macaco velho foram, são e serão sempre úteis, muito úteis.

Mas é possível que para alguns ainda reste uma dúvida.

São somente idiotas?