Um dia (especial) com a Endodontia

Por Ronaldo Souza

Um dia que virou uma tarde que não coube em uma tarde.

Foi assim.

Inicialmente foi previsto que teríamos “Um dia com a Endodontia”.

Entretanto, por questões já explicadas, o “Um dia com a Endodontia” virou “Uma tarde com a Endodontia”.

Mas aquela tarde já se anunciava grande, plena.

Haveria o curso com o professor Estrela, a inauguração do Laboratório de Microscopia, um coquetel… e, pairando sobre tudo isso, o entusiasmo, a motivação, a perspectiva.

A perspectiva de um novo momento muitas vezes sai do controle das definições e se transforma em sentimento e nem sempre sentimentos podem ser definidos, categorizados.

Quando o coração faz a festa tudo pode se tornar um pouco mais difícil.

Os riscos são maiores.

Caso ocorra, maior será o fracasso.

Mas quando as coisas funcionam bem, a alegria será incontida.

Nós e a ABO'''

Não sei se deu para ler o entusiasmo que estava escrito no corpo dos que estavam “por trás” daqueles momentos.

Os gestos do corpo, o rosto, a fala e o sorriso se escancararam e tomaram conta de tudo.

Falhas?

Certamente ocorreram.

Mas não para aquelas pessoas.

Os pequenos imprevistos não encontraram espaço para interferir na força daquela tarde.

Tão plena que não cabia nela própria.

Tinha havido a manhã.

Turma da Especialização'''

Manhã em que o professor Estrela se deu à turma do Curso de Especialização em Endodontia (e alguns convidados) da ABO Bahia

Ali, concentrados, somente eles, mais ninguém.

Entre eles, conhecimento, envolvimento, doação, comprometimento e conquistas foram, não palavras, sentimentos.

Manhã plena.

Só assim, manhã e tarde que se complementaram, poderia haver espaço adequado para caber a Endodontia.

A Endodontia que desconhece desvios e atalhos, que segue sempre pela estrada principal.

A Endodontia que não se perde em desvios que abandonam a estrada principal e a ela insistem em não querer voltar.

Foi essa Endodontia sobre a qual se conversou.

Foi ela que fez um dia virar uma tarde que não coube em si.

Foi sim, um dia especial com a Endodontia.

E para ela.

Magnolli: o pânico dos militares com Bolsonaro

Bolsolaranjatanque

Por Fernando Brito

Demétrio Magnoli, colunista da Folha, está a um milhão de anos-luz de ser considerado um esquerdista ou petralha – distância, claro, que não é obstáculo para bolsominions fanáticos –  que esteja “torcendo” contra o capitão Bolsonaro.

Merece, portanto, redobrada atenção o que escreve hoje, sobre o lado “não tuitável” do atual governo: as suas relações com o círculo militar em que, cada vez mais, está contido.

Destaco alguns trechos:

A demissão de [Gustavo] Bebianno pode ser narrada em dois registros alternativos. Na linguagem do recreio do pré-primário: um chamou o outro de mentiroso, feio e bobo. No idioma compartilhado entre milicianos e facções do crime: um qualificou o outro como traíra, X-9. De um modo ou de outro, o evento veicula uma lição de ciência política: o governo Bolsonaro, na sua versão original, é um experimento patológico destinado a perecer sob o efeito das toxinas empregadas na sua concepção. Os militares finalmente entenderam isso.(…)

Militares que, diz ele, passaram do desprezo com que encaravam o capitão baderneiro para o pragmatismo de seu aproveitamento como aríete para delírios de volta ao poder:

os chefes fardados entusiasmaram-se com uma candidatura que prometia recuperar a estabilidade econômica, exterminar a corrupção e destruir as cidadelas do crime organizado. A velha desconfiança dos políticos profissionais, os ressentimentos nutridos pelas comendas oficiais concedidas a Marighella e Lamarca, o sonho desvairado de restauração da imagem da ditadura militar contribuíram para o imprudente abraço dos militares ao candidato da direita populista.

Do desprezo ao entusiasmo —e deste ao pânico. O clã familiar dos Bolsonaro, permeado por loucas ambições, inclina-se à guerra palaciana permanente. As cliques do baixo clero parlamentar que rodeiam Lorenzoni e Bebianno prometem engolfar o governo em perenes disputas mesquinhas. Os dois ministros nomeados por Olavo de Carvalho, o Bruxo da Virginia, personagens atormentados por moinhos de vento puramente imaginários, fabricam crises fúteis em série. Segundo o diagnóstico dos chefes militares, o governo afunda sozinho na areia movediça sobre a qual apoiou seu edifício improvisado.

Magnoli critica a classificação do Governo como “fascista” – embora não a de autoritário – e chama atenção para sua inorganicidade, aliás, o reverso do que se pode dizer dos militares:

“Fascismo”? Bolsonaro não mobiliza camisas-negras ou falanges, exceto a militância virtual comandada pelo filho Carluxo que vitupera nos subterrâneos da internet. Um paralelo viável não é com Mussolini, mas com Rodrigo Duterte, o populista primitivo das Filipinas que contaminou suas forças policiais com as práticas do vigilantismo. No Brasil, um governo desse tipo está condenado à implosão. Daí, o alerta de pânico ativado pelos generais do Planalto.

Pânico, aí digo eu, que só a muito custo se contém diante da imprudência que nos colocou numa situação delicadíssima, na qual os militares estão diretamente – e a contragosto – envolvidos: a crise na Venezuela.

Tudo isso em conta, não há como deixar de achar lausível a conclusão de Magnoli:

Que ninguém se iluda: está em curso a “intervenção militar” pela qual clamavam os patetas civis extremistas na hora do impeachment.

A “Retrospectiva do Brasil do Futuro” é uma “Bagagem de Dejeitos”

BolsoBic'

Por Ronaldo Souza

Seria cômico se não fosse trágico.

Já que eu me permiti usar esta frase, de tão gasta que está, vou dize-la de outra forma.

Nada existe de cômico nesse momento; tudo é trágico.

A começar pelo homem que foi eleito presidente, o mais incapaz que este país já elegeu.

Não temos um Presidente da República, temos um ocupante do Palácio do Planalto.

Um invasor.

Um extra terrestre.

Sua incapacidade é chocante e ninguém parece ter mais dúvidas quanto a isso.

A não ser “eles”.

Um desgoverno, sob todos os aspectos.

Os Insuperáveis

Bolsoidiotacompleto''

Bolsoidiotacompleto

Nada pode haver de mais grotesco, mais rude e primitivo do que essas imagens feitas no Palácio da Alvorada.

“Que presidente é este que veste camisa falsificada de um time e posa no palácio onde mora como um indigente?”

Este foi o questionamento de Ricardo Noblat, de O Globo.

Explico a Noblat.

Como este presidente foi eleito?

Graças às mais absurdas fake news, para usar a expressão da moda, ou seja mentiras, falsidades, farsas.

Tudo ali é farsa.

Por isso, Noblat, uma farsa usar uma camisa falsa dentro do palácio não significa absolutamente nada, é uma coisa normal.

Por outro lado, a indigência que nos acostumamos a ver, de “extrema necessidade material, de penúria, miséria e pobreza”, tão comum no nosso país, é cruel e desumana.

Mas não é para esses que fala e se exibe o ocupante do Palácio do Planalto.

Ele se dirige e se exibe, com as poucas palavras que dispõe o seu vocabulário e as repetidas imagens e ações grotescas que compõem a sua vida, a um auditório de indigentes diferenciados daqueles, já que a estes não faltam bens materiais que lhes permitem viver longe, bem longe, da pobreza e da miséria.

Ele fala e se exibe para uma plateia de indigentes mentais.

Posar “como um indigente”, como você diz, Noblat, nada significa de excepcional para ele, porque é simplesmente um falando para tantos.

Trata-se de um mundo à parte.

Sem ter a menor noção de liturgia do cargo da presidência, ele passa para os seus sensíveis eleitores a ideia de simplicidade, autenticidade, originalidade…, qualquer dessas coisas que seduzem seres impensantes com facilidade assustadora, aliás, estratégia largamente utilizada na campanha eleitoral.

Pelo visto, com resultados altamente positivos.

O morador do Palácio da Alvorada veste a camisa falsificada de um time de futebol em plena reunião presidencial de um país para fazer a única coisa que sabe fazer:

Alimentar a manada.

E, fato inegável, isso ele faz muito bem.

Cada um desses semblantes expressos nas imagens representa um perfil psicológico.

As imagens vão de um constrangimento menor ao mais acusador, passando por um carrancudo que talvez dê aos sensíveis adoradores do mito mico a ideia de seriedade e respeito quando, na verdade, é tão vergonhoso quanto o sorriso escancarado vizinho, que denuncia a idiotia em altos níveis, só superada pela do chefe.

A aplaudi-los, o rebanho.

Tenho me esforçado muito, mas confesso que tenho tido dificuldades para entender o que fala o mito, ainda que reconheça a sua intelectualidade e clareza de raciocínio.

Por mais que me esforce, não consigo entender, por exemplo, o que significa “retrospectiva do futuro”.

Com o longo tempo de governo já decorrido, afinal já são 45 intermináveis dias, só mesmo o comandante supremo das forças armadas do Brasil seria capaz de nos dizer o que significa “Retrospectiva do Brasil do Futuro”.

Como não podemos exigir dele nenhum tipo de esforço intelectual, ficaremos sem saber.

Como se trata de uma retrospectiva do futuro, esperemos então que no futuro brilhantes pensadores traduzam isso para os nossos netos e bisnetos.

“Se eu cair, Bolsonaro cai junto”

A ameaça feita por Gustavo Bebianno (Secretário-Geral da Presidência) ao mito, ao mandar um recado bem claro para ele – “Se eu cair, Bolsonaro cai junto” – assustou a todos.

Dizem que ele é um homem forte no partido.

Além de ser o presidente do PSL (partido pelo qual Bolsonaro foi eleito), segundo a imprensa tem noticiado, ele é um grande plantador de laranjas.

Tanto é que, como grande conhecedor da fruta, ele usa linguagem pertinente; “Se eu cair, Bolsonaro cai junto”.

Ou seja, ele sabe que laranjas podres tendem a cair.

Bolsolaranjal

Talvez para ele não seja difícil perceber quando todo o laranjal está podre.

A sua ameaça veio como resposta às ofensas que lhe foram dirigidas pelo pitfilho 03 de Bolsonaro, Carlos, ao chama-lo de mentiroso. Ofensas endossadas pelo pai.

Caos.

Um vereador do Rio de Janeiro chama um ministro de mentiroso e o ocupante do Palácio do Planalto não só endossa como diz ao ministro que tome outro rumo porque ele está demitido.

É claro que muitos eleitores no exercício de sua sensibilidade podem argumentar com o fato de que o vereador em questão é filho do presidente, o que lhe permitiria dizer e fazer o que quiser.

Que não estamos numa Democracia todos sabemos.

Devo admitir então que o regime adotado é a Filhocracia!

É isso?

Caos.

Os 325 ministros militares do governo, núcleo militar como é conhecido, exigiu que o vereador do Rio de Janeiro fosse afastado de suas “funções” em Brasília e voltasse a ser… vereador no Rio de janeiro.

Caos.

Fiquei completamente perdido.

Tudo bem que o Rio de Janeiro, terra de Aécio Neves, é um estado importante, mas o que um vereador da cidade do Rio faz em Brasília?

Aécio fez escola?

Resultado, Carlos Bolsonaro, ministro do twitter (sim, aquele mesmo que pegou carona no Rolls Royce presidencial no dia da posse), foi afastado do seu ministério em Brasilia pelo núcleo militar do governo militar e voltou a ser vereador no Rio.

Pelo menos é essa a notícia mais recente.

Você sabe que essa notícia me deixou um pouco mais tranquilo?

Calma, calma, não tire conclusões precipitadas.

É que pelo menos agora, como já estava planejado desde o início, definiram-se as funções no governo.

Pelo menos já se sabe quem governa e quem twitta.

Bolsonaro twittando

Agora estou achando que começo a entender o que o mito quis dizer com “retrospectiva do futuro”.

A “retrospectiva do Brasil do futuro” é a “bagagem de dejeitos” que escorrerá sobre as nossas vidas.

O legado do seu governo.

Meu Deus!

Um dia com a Endodontia

Local

Sede da ABO-BA: Rua Altino Serbeto de Barros, 138, Pituba – Salvador, Bahia

Investimento

Profissional:                R$ 100,00

Aluno de graduação: R$ 50,00

Programa

15/03 – Manhã

Figueiredo

Prof. José Antônio P. de Figueiredo

08:00 – 08:30 – Chegada/acomodação dos participantes e abertura

08:30 – 10:00 – Desinfecção do sistema de canais radiculares e do sistema de túbulos dentinários –Técnicas alternativas ao hipoclorito de sódio

10:00 – 10:30 – Parada para o café

10:30 – 12:30 – Desinfecção do sistema de canais radiculares e do sistema de túbulos dentinários – Técnicas alternativas ao hipoclorito de sódio 

15/03 – Tarde

 Estrela

Prof. Carlos Estrela

14:00 – 16:00 – Caracterização do tratamento endodôntico bem-sucedido

16:00 – 16:30 – Parada para o café

16:30 – 18:00 – Caracterização do tratamento endodôntico bem-sucedido

18:00 – Inauguração do Laboratório de Microscopia da ABO Bahia, com um brinde para fechar a nossa programação

Evolução

Geanequini'

Por Ronaldo Souza

Médico é Deus.

Onisciente, onipresente, onipotente.

Deus, portanto, o dentista não poderia ser.

O cargo estava ocupado, já tinha dono.

Filho de Deus!

Pronto.

Tá louco!

Filho daquele cara!!!

Nem pensar.

Tinha que haver outro cargo, ou deveria ser criado um, qualquer coisa.

E aí o dentista criou uma missão de grande importância:

Corrigir a Natureza

Outra forma de ser Deus.

Como você sabe, a Natureza é cheia de falhas, bastante imperfeita.

Alguém pode me explicar, por exemplo, porque a Natureza fez dentes amarelados?

Sorriso 1

Olha que coisa horrorosa!

Inaceitável!

Mas, doutor, a dentina é amarelada e o esmalte é fino, translúcido. Ele, esmalte, só faz “refletir” a cor da dentina.

É uma coisa natural.

Então faça o seguinte; vá lá e convença ao dentista!

Pago pra ver.

Do alto do seu poder e sensibilidade, o que pensou o dentista?

Vou pintar o dente de branco.

Torno branco o que não é branco.

Não é uma ideia sensacional!

Sorriso 2

O branco imaculado, divino.

O sorriso dos deuses.

O dentista cumpria mais uma vez o seu destino; corrigir os erros da Natureza.

Sorriso completo

Acho até que começou com os artistas Globais.

Aquele desfile de gente bonita, padrão FIFA (ou padrão Globo, dá no mesmo), todo mundo com dentes brancos, tudo igual.

E aí meu amigo, ninguém segura. Vai todo mundo querer ficar igual.

Ao mundo não interessa diversidade.

Bem montadinha a indústria, começaram a produzir dentes brancos em série.

O seleto clube dos endodontistas

Esses dispensam comentários.

Os caras são feras.

Ninja.

Tudo ninja.

Num mundo em que a estética é quem manda (obedece quem quer), já lançaram até “curso de especialização em endodontia estética – a nova endodontia”.

Endodontia Estética'

Maravilha.

Nesse mundo à parte, a biologia, fisiologia tecidual, histologia…, essas coisas sem importância, mostram (tentam mostrar) quão agressivo é o extravasamento de material obturador para os tecidos periapicais e o quanto essa “técnica” interfere na cura da patologia.

Você pensa que os caras ligam pra isso?

Os canalistas já mostraram que tudo isso é bobagem.

Surplus'''

Jogam quilos de material obturador nos tecidos periapicais e nada acontece, não morre nenhum paciente. Eu pelo menos nunca vi nenhum morto no Instagram.

Nem dor eles sentem, e posso garantir que também nunca vi nenhum gemendo por lá.

Agora veja se não faz sentido?

Fica aquele osso periapical todo lá, enorme, paradão, sem fazer nada.

Por que vocês acham que os macrófagos vão querer ir lá se não tem nada pra fazer?

Agora, jogue uns três quilos de material obturador (não precisa mais do que isso, não precisa exagerar), jogue um iodoformiozinho amigo…

Macrófagos

Chove macrófago nos tecidos periapicais.

Ficam todos assanhados, doidinhos.

Só vai assim.

E não adianta se não fizer isso. Esses macrófagos de última geração são cheios de exigências, se você não jogar uma coisinha lá nos tecidos periapicais eles nem aparecem.

Não vão nem a pau.

Os endodontistas sabem disso como ninguém.

Os caras são bons.

Nesses eu acredito.

Tudo ninja.

“Marreco de Maringá”

Pato ou marreco

Por Ronaldo Souza

Um medíocre dificilmente será visto como medíocre por outro medíocre.

É uma lei natural.

Podem existir medíocres “brilhantes”?

Sim.

Mas serão assim considerados, claro, por um igual.

Um pode chegar ao extremo de achar o outro inteligente ao ponto de sugerir, por exemplo, que escreva um livro. E aí se declara; ele seria o primeiro a comprar.

Deprime observar a não percepção de que existem muitos homens e mulheres assim.

Flutuam alheios na espuma da vida.

Algo facilmente tolerável não fosse um detalhe; muitos deles ocupam postos e funções “importantes” e por isso exercem muita influência sobre os sem noção mortais.

Por falar em mortais, como dizer que um imortal é um deles?

Pois é, Merval Pereira, pasmem, Merval Pereira, é imortal, membro da Academia Brasileira de Letras.

Unbelievable, diriam os americanos que nasceram no Brasil por acidente geográfico.

Just my two cents!

Ariano Suassuna acabou de dar três reviradas no túmulo.

Aquele fardão verde oliva da Academia Brasileira de Letras vestindo o corpo que guarda a mente de Merval é uma afronta à inteligência brasileira.

É claro que existem outros, não necessariamente imortais, mas em cargos muito importantes, que agridem a nossa inteligência com suas evidentes limitações.

Advêm daí algumas frases de efeito cujo objetivo é explorar a “inocência” de jovens na faixa dos 20 aos 60 anos.

Frases cujo efeito maior é a perpetuação dessa “inocência”.

“Bandido bom é bandido morto; Brasil acima de tudo, Deus acima de todos; a nossa bandeira jamais será vermelha; a nossa luta é contra a corrupção…”.

Imaginadas como expressões de relevância, denunciam a pobreza e o vazio deprimente que caracterizam o FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País, de Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta).

Pensam como patos (pato pensa?), agem como patos, são patos.

E, sobretudo, falam para os patos.

Veio-me à mente a discussão entre dois amigos há cerca de 5 anos quando, diante de uma ave em um lago, brigavam pela dúvida que surgira; é pato ou marreco?

Rimos muito.

Pato é pato.

E haverá sempre um pato na história.

Da mesma família, uma das semelhanças do marreco com o pato está na capacidade de flutuar sobre a água.

O que é flutuar?

Podemos definir como “conservar-se à tona”, “boiar”, o que por sua vez significa não afundar.

Não aprofundar não deixa de ser uma maneira de não afundar.

Quem não se aprofunda não ganha profundidade.

Conservar-se à tona é o mesmo que boiar, não ganhar profundidade, comum a patos e marrecos; vivem boiando na superfície, nunca se aprofundam.

Há, porém, marrecos espertos.

E cínicos.

Alguns sabem até contar em inglês (mas o máximo que conseguem é até nine).

Esses se adaptam muito bem a viver na superfície e descobrem como controlar iguais, aqueles que jamais se aprofundam e nenhum interesse demonstram para saber de fato como são as águas.

Passam a vida na superfície.

Passam a vida boiando.

Curta um pouco o texto de Laurindo Lalo Leal Filho (Lalo Leal), jornalista, sociólogo e escritor.

Ele é um dos jornalistas que presenciaram o momento em que William Bonner comparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson.

Bonner tinha identificado os marrecos patos do Jornal Nacional.

Herói ontem, odiado hoje, Bonner não tem agradado aos marrecos patos, que sempre viram nele uma referência.

Agora, mais uma vez ao sabor das águas (para onde elas levam, eles vão), os marrecos patos foram levados pela correnteza para a margem contrária à de Bonner e seu Jornal Nacional. Aquele mesmo que os fez ficar de luto e vestir preto.

Imagem inesquecível, que ficará gravada na retina da contemporaneidade.

Nada pior deve existir do que vestir luto por si próprio.

Sem o perceber.

Como continuam boiando na superfície, de lá dificilmente sairão.

Até que uma nova onda os arraste.

Será uma onda verde, um verde oliva parecido com o do fardão do imortal Merval?

Tal qual Moisés conduziu os judeus por entre as águas do mar Vermelho, um marreco os conduzirá por entre as águas do mar da insanidade?

————–

Teatro do Absurdo estado da arte

A esperteza ridicularizada

Por Laurindo Lalo Leal Filho

Não se deve lutar contra um apelido por mais que ele nos desgoste. Essa lição aprendi ainda criança. Quanto mais o apelidado repudia o apelido mais a alcunha fica nele grudada. Lembro disso porque soube que o ex-juiz Moro está injuriado com a excelente denominação recebida: “Marreco de Maringá”. É mais um erro na sua já longa carreira de desacertos. Sua irritação só fez crescer o número de referências ao apelido nas redes sociais. Para quem ousa revelar o ridículo dessa figura surgida das trevas brasileiras, com voz em falsete e conteúdo insosso, é um tiro na mosca, com perdão da analogia bélica. 

O caso serve para colocar em pauta um tema de importante atualidade: como as pessoas bem informadas e esclarecidas, críticas daqueles que se apossaram do poder no país, devem se relacionar com os defensores do atual estado de coisas, donos de saberes rasteiros e contumazes no uso de linguagem vulgar? 
 
Discutir de forma elegante, a partir de argumentos racionais e empiricamente comprovados ou partir para o bate-boca nivelando-se aos seus opositores? Há respostas afirmativas para as duas formas de lidar com os adversários mas ambas, a meu ver, inconsequentes. 
 
A primeira é praticamente ininteligível pela massa a qual se dirige. Trata-se de segmento da sociedade que não possui os instrumentos culturais necessários para interpretar ideias um pouco mais elaboradas, capazes de escapar dos limites dados pelos chavões típicos do WhatsApp. Fogem ao debate e refugiam-se nos xingamentos. Seguem, dessa forma, o ocasional líder do grupo, responsável hoje por governar o país. 
 
A segunda também não leva a nada. Na troca de insultos, acaba prevalecendo aquele que só conhece esse tipo de relação, uma vez que o outro, esgotado pela limitação repetitiva do adversário, tende a se cansar rapidamente e deixar de lado a disputa infrutífera. 
 
A meu ver existe uma saída eficaz: combinar as duas formas de relacionamento e ir à luta. Usar o conhecimento e até mesmo a erudição para, na medida do possível, embalá-las em fórmulas simples, mas irrefutáveis. 
 
O humor fino é um ingrediente importante nesse processo. Vídeos como os produzidos por Marcelo Adnet, na Globo, satirizando a prepotência do atual presidente da República, e de Gregório Duvivier, no canal Porta dos Fundos, ironizando a empáfia dos economistas neoliberais, são exemplos do momento. 
 
Não ofendem nem muito menos xingam. Com linguagem compreensível até para os menos informados, revelam o ridículo dos discursos de corruptos falando contra a corrupção, de interessados nos seus negócios privados defendendo reformas em nome do interesse público e de negociantes da fé clamando por moralidade. Se não mudam opiniões, pelo menos devem colocar interrogações nas cabeças dos que seguem esses ilusionistas. 
 
Em tempos obscuros, esse tipo de humor nos palcos e nas telas, somado à ironia – fina mas compreensível – em debates nas redes ou nas ruas, torna-se arma poderosa contra adversários medíocres. 
 
William Shakespeare (1564-1616) já provara isso em suas peças ao traduzir para plateias populares as tramas urdidas pelos poderosos em meio à censura imposta pela rainha Elizabeth I, no Reino Unido. No Brasil, Millôr Fernandes e Flávio Rangel, construíram um espetáculo teatral clássico: “Liberdade, liberdade”, desafiando com humor e inteligência os militares que assaltaram o poder em 1964. 
 
No Rio, os atores Paulo Autran, Tereza Rachel, Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho, eram interrompidos por aplausos e risadas do público a cada frase em que ridicularizavam aquilo que os militares chamavam de “revolução”. Em Montevidéu vi, pouco antes da implantação da ditadura uruguaia, a peça ser saudada aos gritos de “Frente Amplia”, movimento que chegaria ao poder depois da redemocratização do país. 
 
Os tempos são difíceis outra vez, mas estas experiências nos ensinam a enfrentá-los. Desnudar o poder mostrando suas entranhas de forma simples, facilmente compreensível e, se possível, bem humorada é o melhor caminho para abrir corações e mentes. 
 
A superioridade cultural de quem tem mais informações e discernimento não pode ser utilizada como imposição elitista de ideias e nem como amparo misericordioso dos menos afortunados. Deve, isso sim, servir para dar suporte para construções bem elaboradas, capazes de mostrar o ridículo daqueles que se julgam espertos.

Um dia com a Endodontia

Figueiredo e Estrela'

Olá pessoal,

Aqui está mais uma boa notícia do Departamento de Endodontia da ABO Bahia para esse início de 2019.

Aproveitando a vinda dos professores Estrela e Figueiredo para os Cursos de Especialização e Atualização, teremos um momento à parte para que eles tenham um encontro com os endodontistas da Bahia.

Vamos promover Um dia com a Endodontia.

Serão dois cursos para os profissionais e alunos da Bahia que gostam de Endodontia.

Um de 04 horas com o professor Figueiredo na manhã de sexta-feira e outro à tarde com o professor Estrela, com a mesma carga horária.

Anote na sua agenda.

Dia 15/03 – sexta-feira

Tema do Prof. José Antônio P. de Figueiredo – Desinfecção do sistema de canais radiculares e do sistema de túbulos dentinários – Técnicas alternativas ao hipoclorito de sódio

Tema do Prof. Carlos Estrela – Caracterização do tratamento endodôntico bem sucedido

Depois, uma cervejinha.

A Bahia de todos, inclusive Iemanjá

Vista Aérea Bahiamar Hotel em Salvador

Por Ronaldo Souza

Religioso, profano, folclore ou tudo junto, pense numa festa popular, procure em todo o mundo que você não encontrará um povo que saiba fazer isso como o baiano.

Festa popular, esta é uma das nossas especialidades.

Não me lembro de ter visto tanta gente no Rio Vermelho; completamente lotado.

Todas as ruas do bairro de Jorge Amado estavam tomadas pelo povo.

A mistura é inimaginável, você não faz ideia.

Não, não procure algo igual.

Não existe.

Vi homens e mulheres de muitos lugares, inclusive de fora do Brasil.

Literalmente, todo tipo de gente.

Para ajudar, neste ano 02 de fevereiro caiu no sábado.

A Bahia toda “se picou” para o Rio Vermelho.

Estava com minha mulher e a filha mais velha (a mais nova foi com a turma dela).

Sufoco para atravessar aquele mar de gente e chegar à praia para oferecer as flores à rainha dos mares.

Da praia, a minha filha fez o vídeo que você verá em seguida.

A Natureza se fez presente, não podia faltar.

Ela comanda.

O céu, aquele azul do céu do Nordeste.

O mar, o mar da Bahia.

O Sol, brilhando para Iemanjá.

Escunas e lanchas, algumas de grande porte, completavam o quadro que artista nenhum ousaria retocar.

Religioso, profano, folclore, isso não faz parte das minhas preocupações.

A filha mais nova “vem chegando” há algum tempo. A mais velha já está no pedaço há mais tempo.

Louca pelas coisas da Bahia.

Vou definir tudo pelas palavras dela no seu Instagram. Eu não teria como fazer com a força que ela fez.

“Orgulho da minha cidade, orgulho do meu povo e orgulho das nossas raízes. Somos privilegiados pelas heranças que recebemos dos povos africanos, que enriquecem a nossa cultura e nos tornam únicos. Essa é a nossa origem. Dia de festejar, agradecer e manifestar os mais sinceros desejos por mais tolerância, respeito, amor e paz. Salve Iemanjá”.

A Bahia sempre foi amor, convivência, tolerância, cores, diversidade.

Mudar?

Em nome de quem?

A Bahia sempre resiste quando tentam enfear o Brasil.

A Bahia é de todos e nenhuma outra terra será de todos como a Bahia é.

Aos que não nos entendem, mesmo os que se expressam nos ofendendo, paciência, respeitamos as diferenças.

Entendam que jamais nos sentiremos ofendidos por viver a vida do nosso jeito único de viver.

Ao contrário, isso nos enche de orgulho.

A necessidade de tocar e sentir o outro, que tantos estranham, o abraço efusivo e escancarado, tudo isso tem um só significado; venha, me abrace, você é bem-vindo.

Se chegue meu rei.

Alegria, você está na Bahia.

Desde 1987

Influence of foraminal enlargement on the healing of periapical lesions in rat molars'

Por Ronaldo Souza

Esse é o artigo da dissertação de Paula Maciel Brandão, minha orientanda no Mestrado do Curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Foi publicado em novembro de 2018 no Clinical Oral Investigations, porém, somente agora tive condições de sentar e escrever para falar um pouco sobre ele.

É o primeiro de alguns que estamos fazendo na mesma linha de pesquisa, em ratos. Outra orientanda já defendeu e o artigo está em fase de redação.

Ambos foram realizados no laboratório da PUC-RS, em Porto Alegre, com o professor José Antonio P. de Figueiredo e sua equipe.

Aproveito para agradecer à PUC-RS e ao professor Figueiredo e sua equipe por tudo, desde a gentileza com que fui tratado todas as vezes em que estive lá, como pelo uso do laboratório onde pudemos fazer trabalhos com a qualidade que as imagens abaixo podem comprovar.

Influence of foraminal enlargement on the healing of periapical lesions in rat molars''

Não bastasse isso, tive a honra de participar de discussões científicas com a Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) através de seminários.

O experimento do terceiro orientando será iniciado neste mês de fevereiro, mas, de agora por diante no laboratório da UFRGS.

Já como Professor Titular, Figueiredo passa a se dedicar exclusivamente a aquela bela Universidade.

É um tema que comecei a estudar em maio de 1987 e vinha publicando alguns artigos realizados com microscopia eletrônica de varredura com outro grande amigo e referência importante para mim, o professor Pécora. Na sequência, também com o Prof. Figueiredo.

Agora, nesse novo momento, estamos realizando esses estudos com acompanhamento histopatológico.

Achei que devia trazer essa informação para vocês.

Se desejar ler, clique aqui Influence of foraminal enlargement on the healing of periapical lesions in rat molars