Atestado de covardia

Atestado médico

Por Ronaldo Souza

Acredito que todo profissional da área de saúde sabe da importância do atestado médico.

Apesar dos inúmeros episódios conhecidos de atestados que são dados graciosamente para de alguma forma favorecer o paciente, acredito também, e torço para que seja verdade, que todo profissional da área de saúde sabe da responsabilidade que deve existir para quem o emite.

Sendo assim, descarto qualquer comentário sobre a seriedade com que o cirurgião Antônio Macedo emitiu atestado médico vetando a participação do ex-capitão do Exército Brasileiro, o hoje deputado federal e candidato à Presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, sob a alegação de que suas condições precárias de saúde o impediriam de participar de qualquer evento que exigisse dele falar por mais de dez minutos.

“Ele está muito bem, mas não está em condições de ficar mais do que dez minutos conversando”.

Questionado sobre as transmissões que o candidato do PSL tem feito pessoalmente no Facebook diariamente desde a última segunda-feira, dia 1º, o médico disse que a avaliação foi feita especificamente para o debate. Nós contraindicamos a ida dele ao debate”.

De acordo com o doutor Macedo, uma nova avaliação será feita na próxima semana e ainda não há previsão para quando Bolsonaro possa participar novamente dos debates.

Se não devo fazer, e não o farei, qualquer comentário sobre a confiabilidade do atestado, posso comentar pelo menos sobre dois outros aspectos:

  1. O paciente desmoralizou completamente o médico e seu atestado ao diariamente fazer vídeos para sua campanha e mais ainda ao participar de uma entrevista na Rede Record no mesmo horário destinado ao debate numa televisão da rede concorrente, Rede Globo.
  2. Parece haver por parte do médico uma estranha obsessão pela não participação do candidato nos debates.

Vou além, ao sair do comentário sobre a óbvia desmoralização do médico e seu atestado, para fazer um comentário pessoal.

Ao escolher para a entrevista o mesmo horário na mais forte concorrente, além do recado que mandou para a Globo, o candidato à presidência do Brasil protagonizou um verdadeiro deboche com o povo e o país que deseja presidir.

Bolsonaro se esconde na Record

Como se estivesse dizendo; “Tolos, não preciso e não quero participar de debates, por isso estou conversando aqui na Record”.

O Marechal-de-Exército Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, é o patrono do exército brasileiro

Um Marechal que ganha o apelido de “O Pacificador” deve ser um homem admirável, pois, “formado” para a batalha, para a guerra, consegue ser um comandante que inspira moderação e equilíbrio aos seus comandados.

Ao mesmo tempo, porém, o “Duque de Ferro”, como também ficou conhecido, diz do pulso forte, do guerreiro, do valente, do militar que não foge.

Um homem que honra e justifica o Hino Nacional Brasileiro;

“Verás que um filho teu não foge à luta”.

Atestados médicos passam, como também passam os médicos, e por isso somem na poeira da história.

Não passa, porém, e jamais sumirá na poeira da história o atestado de covardia que o homem se dá.

Esse atestado de covardia em particular, ficará para sempre registrado na memória dos militares e do povo brasileiro.

Um militar que se acovardou diante de uma batalha rumo à presidência do Brasil mancha a história dos militares e do Exército Brasileiro, honra e glória desse país.

Todo e qualquer militar deve ter se sentido traído na sua tradição e particularmente aquele do Exército Brasileiro, quando diante dos seus colegas militares da Aeronáutica e da Marinha.

Podem os militares conviver com tamanha desonra?

Se eleito for, o ex-capitão deixará de ser um simples militar e passará, como Presidente do Brasil, à honrosa condição de comandante supremo das Forças Armadas Brasileiras.

Terá honra para isso?

Essa resposta precisa ser dada pelos militares ao povo brasileiro.

Essa resposta precisa ser dada pelos militares que honraram e honram as nossas Forças Armadas.

Essa resposta precisa ser dada pela honra e glória do Marechal-de-Exército Luiz Alves de Lima e Silva.

O Patrono do Exército Brasileiro.

O Duque de Caxias.

O Duque de Ferro.

O militar brasileiro.

Quando a ignorância se apossa do saber

Professor Raimundo

Por Ronaldo Souza

E chegamos lá.

Ao fundo do poço.

Quem, após tantas e tantas críticas pesadas à ignorância de um torneiro mecânico analfabeto, que não fala inglês, poderia imaginar que um analfabeto que frequentou a escola seria hoje a grande esperança de segmentos importantes da sociedade?

Quem, após tantas e tantas críticas pesadas à ignorância desse torneiro mecânico, poderia imaginar que esse analfabeto que frequentou a escola seria hoje a grande esperança dos homens que detêm o saber?

Esclareçamos que não falo da grande esperança na construção de um país justo, educado, civilizado, sem violência.

Um país que até há pouco sorria para as crianças apontando-lhes um futuro promissor e que hoje ensina a criança a apontar o dedo não na direção de algo que deseja, mas como uma arma.

Não, a grande esperança dos detentores do saber nesse analfabeto que frequentou a escola não é por qualquer possibilidade de ver o país e seu povo avançarem.

A grande esperança dos detentores do saber nesse analfabeto que frequentou a escola é no sentido de que ele possa ajudar no projeto de destruição do torneiro mecânico que, como presidente, criou mais empregos, construiu mais escolas e universidades e mais acesso a elas, como nunca antes na história desse país.

A grande esperança dos detentores do saber nesse analfabeto que frequentou a escola é no sentido de que ele possa ajudar a destruir o partido que tornou lei a aplicação de 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde e 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para esses mesmos setores.

Dilma e Pré-Sal

Professor, você prestou atenção no que acabou de ler?

A aplicação de 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde e 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para esses mesmos setores já era lei.

Você, professor, que detém o conhecimento, sabe que a lei que destinava 75% dos royalties do petróleo para educação e 25% para a saúde e 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para esses mesmos setores não existe mais?

Graças a esse analfabeto que frequentou a escola e seus comparsas, 75% do Pré-Sal hoje já pertencem à companhias internacionais de petróleo.

Todos os investimentos sociais foram congelados por 20 anos.

Quanto incentivo e criação de mecanismos para o crescimento da pesquisa foram feitos e que agora foram congelados por 20 anos, professor!

Professor, com a sua grande colaboração, foi-se o futuro dos nossos filhos e netos.

E pela sua participação só posso crer que os seus filhos e netos não fazem parte desse grupo sem futuro.

Certamente, como você se imagina parte dela, imagina que eles também constituirão a elite desse país.

Por que perder tempo falando dessas e de tantas outras bobagens, não é mesmo?

Tudo já foi dito e mostrado, mas nada tem importância, porque nada que tenha sido feito por governos do partido pecador interessa ou será reconhecido.

E para participar desse nobre momento, professor, você não mediu esforços.

No seu douto saber, permitiu-se até protagonizar um dos dias mais patéticos da recente história política brasileira, quando, sob o comando da Globo, vestiu luto.

Como se permitiram descer a nível tão degradante, como um rebanho que é levado ao curral para ser marcado com o ferro da estupidez.

Como ficará registrado aquele dia na história do ensino brasileiro?

Dia em que, sem dúvida, você foi o heróis dos alunos, nos seus 17, 18, 20, 21 anos.

Que idade deliciosa e tão perigosa, não é mesmo?

Tanto chão por caminhar (que perspectiva maravilhosa!), mas tão desprotegidos.

Sujeitos, por exemplo, a professores que se vestem de preto, sob a batuta de uma rede de televisão, com seu canto da sereia inconfundível e sedutor incorporado às mentes brasileiras; plim, plim.

Aqueles 17, 18, 20, 21 anos um dia serão 40, 41, 45, 50.

Ainda que o atual momento do ensino brasileiro não me permita ter muitas ilusões nesse sentido, alguns daqueles alunos irão olhar para trás e se perguntar; o que fizeram os meus professores?

Que pena que, decisivos para a atual situação do país, agora estão sendo novamente decisivos, por escolha ou omissão, na tentativa de implantação do fascismo no país, aniquilando de vez qualquer possibilidade de futuro para os jovens desse país.

A nobre missão do professor.

Para que?

Hoje preferem difamar as pessoas e mais uma vez, particularmente, a mulher.

2. Manuela violentada'

Por que isso?

Quem se permite tamanha covardia?

Qual foi a intenção de distorcer tão grosseiramente a aparência de Manuela D’Ávila?

Qual foi a intenção de dar a ela esses olhos fundos, com enormes olheiras, tantas tatuagens, como se pertencessem a… ?

Uma drogada?

Quem é Manuela D’ Ávila?

   3. Manuela mulher 4. Manuela mulher'

Uma flor tatuada.

Por que essa violência contra Manuela D’Ávila (que coincidência, uma mulher), distorcendo cruel e covardemente a sua aparência e jogando-a às feras na arena, sedentas por mais um assassinato de reputação?

E a dignidade dela, foi para onde?

E a mãe?

5. Manuela mãe

Você, como alguém cuja sensibilidade está à flor da pele (ou para ser um bom professor isso não é necessário?), não consegue projetar isso para a sua mãe?

Ou para a mãe dos seus filhos?

Como ficam as crianças?

Se fossem seus filhos, abordados por covardes como esses, o que você seria capaz de fazer?

Se os visse ou os soubesse acuados e com medo, buscando a parede como apoio, como lutadores que buscam as cordas quando não têm como se defender, o que diria de quem age assim?

Saber, professor, que com sua omissão por encampar esse projeto, agressões como essa se alastraram por todo o país, como tem sido ver-se no espelho e perceber a aura da covardia envolvendo seu ser?

Canalhices como essa se incorporaram ao dia-a-dia desse tipo de gente.

Que pena que você tenha se apequenado ao ponto de permitir que o preconceito se transformasse em tanto ódio que, como todo ódio, se transforma em violência, e agora, aplaude e acoberta com sua omissão a violência explícita contra as mães, mulheres e filhos do Brasil.

Onde vão buscar motivação e proteção aqueles que ateiam fogo em índios, matam mulheres por confundirem com empregadas domésticas, matam homossexuais e negros por simplesmente serem homossexuais e negros?

Na impunidade da justiça e da podre estrutura que aos homens brancos protege.

O argumento de usar esse analfabeto que frequentou a escola para corrigir os rumos do país (meu Deus!!!) e depois botar lá (na presidência) uma coisa melhor, só faz de quem o usa um cretino completo.

Primeiro, a gente tira a Dilma, depois…

Lembra?

– Pra você ser burro, só ‘falta’ as penas.

– Idiota, burro não tem penas.

– Então não falta nada.

Esse “diálogo” fez parte da infância de muita gente, inclusive da minha.

Ah, a infância.

Nunca nos deixa.

– Pra você ser um canalha só faltam as penas.

– Idiota, canalha não tem penas.

– Então…

Ah, sim, tenhamos todos um bom dia de aulas.

#ElaSim

#EleNão - Salvador'''

Por Ronaldo Souza

Escrevo sob dois sentimentos.

O primeiro, de tristeza.

O entusiasmo com que a minha filha chegou em casa vindo do #EleNão me fez ficar triste.

Não pude ir.

Emocionei-me vendo-a dizer como foi.

A quantidade de gente, pessoas idosas com nítida dificuldade para andar (sendo ajudada por parentes), cadeirantes, negros, brancos, homossexuais, ricos, pobres.

Povo.

O Povo Brasileiro.

O clima, o mesmo, conhecido de outras jornadas; muita sintonia e a chama da eterna luta pela causa, algo que conhecemos como ninguém.

Temos lado, temos causa.

E eu não estava lá.

“Meu pai, só pensei em você”.

Mais triste ainda.

Mas os olhos dela brilhavam tanto que mandaram embora a minha tristeza.

O entusiasmo dela me contagiou e então comecei a ver o que não fui ver.

Por já ter estado lá tantas vezes, algumas com ela, pude sentir a velha emoção; ver, sentir, tocar nas pessoas…

Eu estive lá.

E nunca estive tão bem acompanhado.

Ela, que em tantas outras vezes também esteve lá, era agora a dona da festa.

A mulher.

Ela, que só nasce quando o homem dá uma “fraquejada”.

Ela, que tem que ganhar menos que o homem porque engravida.

A mulher idiota, mentirosa e analfabeta.

A mulher estuprada, a depender de sua beleza.

Foi essa mulher que foi às ruas do Brasil ontem, encurralou e venceu o fascismo e seus pequenos machos.

Foi essa mulher que soltou o peito e a voz contra homens inseguros, com medo, frustrados, que buscam refúgio na violência.

A mulher.

#ElaSim.

‘Mito’ do herói honesto é soterrado por acusações e trapalhadas

Bolsonaro, mito soterrado

Por Mauro Lopes

A campanha de Bolsonaro caminhava sobre uma montanha sob risco iminente de uma avalanche, sem que o eleitorado disso soubesse e sob um cerco de proteção das elites e da mídia conservadora. Mas a terra ruiu, veio a avalanche e o “mito” caiu montanha abaixo. O mito do homem honesto está soterrado sob toneladas de denúncias e debaixo de uma sequência de trapalhadas e barbaridades raramente vistas na cena política nacional. Será o suficiente para abalar sua candidatura? Ele irá muito enfraquecido para o segundo turno ou sequer passará pela peneira do primeiro?

Cedo para dizer, teremos que esperar pelas próximas pesquisas. O eleitorado de Bolsonaro parece em boa medida operar numa bolha, infenso ao mundo exterior, que enxerga como uma ameaça, cercado por inseguranças, medos e ódio contra a esquerda, o comunismo, a liberdade sexual, a cultura. O sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituo Vox Populi, acredita que o mais provável é um enfraquecimento de Bolsonaro, sem que a avalanche consiga tirá-lo do segundo turno.

Foi uma sucessão vertiginosa.

De “homem honesto” e “candidato da família” a acusado pela ex-mulher de furto, violência, indício claro de corrupção (aqui).

De candidato fascista a caminho de uma candidatura de perfil neoliberal a líder de uma trupe de patetas. Seu economista-chefe, o ex-posto Ipiranga Paulo Guedes, causou um desastre de enormes proporções ao propor a recriação da CPMF e uma mudança nas regras do Imposto de Renda mais regressivas que já se tem conhecimento. O general do capitão, seu candidato a vice, tornou-se uma usina de desastres, da defesa de um golpe militar a uma Constituinte sem eleição, de xingamentos a indígenas e quilombolas a ofensas a mães e avós chefes de família, até o último desastre, o ataque frontal ao 13º salário. Uma confusão tamanha que ambos, posto Ipiranga e general, foram recolhidos ao silêncio por ordem expressa de Bolsonaro.

O problema da ordem de Bolsonaro é que ela levanta uma questão. Quem manda na campanha? O jornalista José Roberto de Toledo, apontou com precisão e mordacidade: na hierarquia e mentalidade militar capitão não manda em general. “Estivessem ambos na ativa, Bolsonaro seria preso por quebra de hierarquia”, escreveu Toledo (aqui). O fato é que Bolsonaro mandou Mourão ficar quieto há pelos menos duas semanas. E o general ignorou solenemente até agora.

O mito está soterrado. Até a mídia conservadora, que vinha tratando-o com a deferência de Bolsonaro ter se tornado seu “plano B” depois que Alckmin naufragou, perdeu a paciência e começa a produzir manchetes contra o ex-mito. A revista Veja, à beira da falência, deixou de lado por uma semana seu ódio a Lula para dedicar uma rara capa a outro tema: o processo da ex-mulher contra o capitão.

As revelações da reportagem a partir do processo movido por Ana Cristina Siqueira Valle no processo de separação de Bolsonaro em ação a partir de abril de 2008 são contundentes. As acusações de Ana Cristinar relatadas em Veja:

• Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006. Quando foi candidato a deputado federal, declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, 433 934 reais. Sua ex-mulher, no mesmo processo, anexou uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido, mostrando que seu patrimônio incluía também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens do casal, em valores de hoje, somariam cerca de 7,8 milhões de reais.

• Bolsonaro tinha uma “próspera condição financeira” quando era casado com Ana Cristina, segundo ela própria. A renda mensal do deputado chegava a 100 000 reais — cerca de 183 000 reais, em valores atualizados. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar da reserva. Para chegar aos 100 000 reais, diz a ex-mulher, Bolsonaro recebia “outros proventos”, que ela não identifica.

• Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo: joias avaliadas em 600 000 reais, 30 000 dólares em espécie e mais 200 000 reais em dinheiro vivo — totalizando, em valores de hoje, cerca de 1,6 milhão de reais. O cofre ficava na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio. Seu conteúdo é incompatível com as rendas conhecidas do então casal.

• Bolsonaro era um marido de “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”. Essa foi a razão que levou Ana Cristina a separar-se, segundo ela mesma informa.

Bolsonaro conseguirá, mesmo assim, ir ao segundo turno? Resposta em uma semana.

O que fazer com o coto pulpar? Parte 2

Por Ronaldo Souza

Coto pulpar versus Coto periodontal

Apesar de termos vivido um momento de “regeneração pulpar”, também conhecido como revascularização pulpar, não se tem conhecimento de que polpa necrosada se revitalize.

Aliás, foi incompreensível esse momento vivido.

Revascularização

É provável que em breve trarei e comentarei esse caso, mas devo dizer duas coisas agora.

  1. a obturação nesse limite foi intencional
  2. nunca o apresentei como revascularização pulpar, por uma razão bem simples; nada a ver.

Considerando-se que polpa necrosada não se reconstitui, não recupera a sua vitalidade, seria menos sensato ainda imaginar a ocorrência desse fenômeno, revitalização, no segmento tecidual onde ela é menos celularizada e por isso menos capaz de se defender e se reparar.

Assim, o coto pulpar que entra em processo de necrose teria menor chance ainda de se refazer e promover reparo. O reparo não ocorre simplesmente porque a polpa não se regenera.

Em outras palavras, podemos dizer que polpa necrosada não se revasculariza e renasce das cinzas, apesar do recente desejo demonstrado por alguns profissionais.

Assim, seria um equívoco creditar à polpa a responsabilidade pelo reparo onde ela é menos capaz.

Entre as funções do ligamento periodontal está a de servir como um “amortecedor” para os impactos que o dente sofre ao exercer as suas funções.

Talvez por conta dessa função, o ligamento periodontal “precisa” ser um tecido mais fibroso do que celularizado.

Você já ouviu dizer que a Natureza é sábia?

Na sua sabedoria, teria a Natureza “envolvido” o dente num folículo com tecido fibroso para que os impactos sobre ele fossem minimizados?

Veja o que dizem o Prof. de Histologia Flávio Fava de Morais (um dos grandes nomes e página especial da Odontologia Brasileira) e colaboradores no capítulo Histologia do Periodonto, no livro Periodontia Clínica, de Lascala e Moussalli (1989).

Fava e o ligamento periodontal

Por que, “diferentemente dos demais tecidos fibrosos…”, foi dado ao ligamento periodontal esse excepcional índice metabólico?

Para utilizar uma expressão bastante conhecida quando se trata do ligamento periodontal, esse tecido apresenta um alto turnover, um dos mais elevados do organismo humano.

Ou seja, ao contrário da polpa, o ligamento periodontal se reconstitui, se refaz, se … revitaliza, com extrema facilidade.

Você também “arranca” o coto pulpar?

Por que você “arranca” o coto pulpar?

Porque lhe ensinaram que ele vai necrosar e necrosando deve surgir uma lesão periapical e você “perde” o caso.

Ótimo, parabéns.

Disseram também que se você fizer ampliação foraminal não só elimina o coto pulpar e se livra desse problema, como cria um espaço maior para que ocorra a invaginação do novo tecido que se forma nesse espaço criado pela ampliação. Esse tecido constitui a base do reparo.

Para facilitar a nossa conversa, trago de volta essa imagem do primeiro texto.

Coto pulpar'

Lá, eu disse que aquele tecido que está “dentro” do canal e representa o coto pulpar não é constituído por polpa, mas por tecido periodontal.

Durante o próprio tratamento o coto sofrerá agressões de natureza mecânica (instrumentação) e química (soluções irrigadoras).

Veja o que diz Catanzaro Guimarães, AS, no seu livro Patologia Básica da Cavidade Bucal (1982)

Terminada a pulpectomia, … tanto o coágulo como a faixa necrótica subjacente intensificam a reação inflamatória aguda ao longo do coto pulpar remanescente, … sendo que na maioria dos casos o processo necrótico envolve todo o coto pulpar.

Perceba que, ao contrário do que se ensinou durante muito tempo, a preservação do coto não ocorre na maioria dos casos porque o processo necrótico envolve todo o coto pulpar.

Voltemos então a aquelas duas questões com as quais terminamos o texto anterior.

  1. O fato de ser coto pulpar ou coto periodontal muda alguma coisa?
  2. A necrose daquele tecido impede o reparo?

Muda sim e muito.

Se, de fato, aquela porção final fosse polpa (coto pulpar), tendo em vista que ele necrosa na maioria dos casos seriam bem remotas as chances de haver reparo, dada a sua incapacidade de se revitalizar, de se regenerar.

Fica mais fácil agora entender porque diferentemente dos demais tecidos fibrosos, o ligamento periodontal apresenta excepcional índice metabólico”.

Sendo assim, e agora respondendo à segunda pergunta, a necrose daquele tecido não impede o reparo porque se trada do ligamento periodontal, que, graças a essa característica, se refaz e assume a responsabilidade pela reparação.

Em outras palavras, mesmo quando o processo necrótico envolve todo o coto pulpar, ele se refaz e readquire a condição de coto… periodontal

São os tecidos periodontais os responsáveis pelo reparo pós tratamento endodôntico.

Vamos lá?

Tecido necrosado não impede reparo

Foi um equívoco ensinar que o coto pulpar necrosado levaria ao insucesso.

Tecido necrosado não desempenha esse papel. Fluido tecidual estagnado também não.

É para isso que existe o sistema fagocitário.

Ao remover o tecido necrosado ele cria as condições favoráveis ao surgimento de um novo tecido.

É a presença da bactéria que muda essa perspectiva. É ela que, ao fazer do tecido necrosado e fluido tecidual estagnado nutrientes, torna-se responsável pelo fracasso do tratamento.

Há, portanto, duas alternativas de tratamento.

  1. Preservar o coto

O que acontecerá?

Perceba que não estou falando de preservação da vitalidade do coto, mas sim de preservação do coto. Estou falando da sua não remoção. Deixa-lo lá.

Deve ser lembrado que durante o preparo do canal ele sempre sofrerá agressões de natureza mecânica (instrumentação) e química (soluções irrigadoras), algo inerente ao próprio preparo.

Nessas condições, ele poderá:

  1. permanecer vivo
  2. necrosar parcialmente
  3. necrosar totalmente

Clinicamente, não temos como saber.

Diante da afirmativa de Catanzaro Guimarães de que na maioria dos casos o processo necrótico envolve todo o coto pulpar”, se isso ocorrer ele será reabsorvido e novo coto será formado.

Portanto, preservando-se o coto, se não o removermos, haverá reparo.

  1. Remover o coto

O que acontecerá?

Uma vez que ele não é preservado e sim removido, tal qual na primeira situação surgirá um novo tecido e também haverá reparo.

E agora, como ficamos?

Preservando, surgirá um novo coto.

Removendo, surgirá um novo coto.

A primeira coisa a ser feita é uma dedução.

Haverá a formação de um novo coto do mesmo jeito. Nesse sentido não há diferença.

Aquela história de “você ainda tá preocupado com coto pulpar?”, “coto pulpar tá ultrapassado” e outras coisas assim, tudo isso é…

Isso mesmo.

E esse marketing que os professores “modernos” fazem nada mais é do que… marketing.

Ah, se os auditórios e as salas de aula soubessem disso!O professor descoladoperderia o marketing.

É uma pena que auditórios e salas de aula não sejam informados sobre isso.

Sim, mas não há nenhuma diferença?

Há sim.

  1. A ampliação foraminal implica no uso de instrumentos (diâmetro/conicidade) para se conseguir uma boa ampliação. Não é incomum que pelo trauma tecidual adicional induzido aos tecidos ocorra dor pós-operatória com maior intensidade e mais frequentemente. Provavelmente por essa razão o uso de analgésicos e anti-inflamatórios tem sido bastante estimulado e utilizado para essas situações.
  1. Quando você faz ampliação foraminal e remove o coto, a qualidade da sua obturação tende a ser menor pela maior possibilidade de extravasamento de material obturador. É por conta disso que mais comumente são feitas aquelas obturações que desfilam (sob aplausos, conhecidos como curtidas, e muitos elogios) pelo facebook e instagram, onde se vê material obturador extravasando por todos os poros do paciente.

Ambas situações, ampliação foraminal e extravasamento de material obturador, constituem fatores de agressão aos tecidos envolvidos no tratamento. Não parece sensato submeter o paciente à maior possibilidade dessas ocorrências em nome de um procedimento que não lhe traz benefícios.

Não entendeu?

Vou repetir.

Ampliação foraminal e extravasamento de material obturador não trazem nenhum benefício ao tratamento.

Nenhum.

Além disso, a possibilidade de dor pós-operatória mais intensa e mais frequente e a recorrência a analgésicos e anti-inflamatórios podem levantar suspeitas sobre a competência do profissional quando comparado a outros, fato constatável no dia-a-dia.

Não se trata de “medo” da dor, como alguns gostam de alardear, inclusive em videoaulas no YouTube. Recomenda-se que não nos tornemos pobres demais nas nossas argumentações.

Esses homens maravilhosos e suas máquinas localizadoras de limite CDC

Esses homens maravilhosos e suas máquinas voadoras

Agora?

Não, depois.

Sai efeito Bolsonaro, entra efeito Haddad

Efeito Haddad

Um breve comentário

Por Ronaldo Souza

Não gosto de falar de pesquisa e raras vezes o faço.

A razão maior para isso?

Os institutos de pesquisa.

Se alguém tem dúvidas, por exemplo, sobre o IBOPE, basta lembrar de um episódio bastante conhecido pelos baianos (existem outros).

Na disputa entre Jaques Wagner (PT) e Paulo Souto (DEM) para governador da Bahia, o IBOPE passou 300 anos afirmando que Paulo Souto ganharia no primeiro turno com 56% das intenções de voto (70% dos votos válidos). Jaques Wagner (PT) estava em segundo lugar, com 13%.

Jaques Wagner ganhou no primeiro turno com 53,00% dos votos válidos, contra 43,00% de Paulo Souto.

Foi muito “esquisito”.

Ficou feio.

Aquele momento representou a morte do “carlismo” na Bahia.

O Datafolha não fica muito atrás.

Os dois estão segurando Haddad.

Aguardemos.

Já tinha visto a matéria acima e não ia comenta-la. Foi aí que vi a de Fernando Brito (abaixo) e resolvi trazer as duas.

Na verdade, da primeira só trouxe o print .

Para não saírem por aí dizendo que é coisa de petralha, que o blog é petista, faço um registro.

O estudo foi feito pelo professor Sergio Wechsler, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, com exclusividade para a GO Associados, da qual Gesner é sócio executivo.

Por sua vez, Gesner Oliveira é ligado ao PSDB e foi presidente do Cade durante o governo FHC.

Além disso, para você que tem ouvido falar muito em voto útil, veja a matéria de Fernando Brito.

Alguém quer falar em voto útil?

Haddad e gráfico

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Não é possível, claro, falar que uma eleição está decidida antes da contagem dos votos.

Mas é enganoso julgar que, pelos resultados de pesquisas de 2° turno, isoladamente, qualquer candidato é “melhor” que outro.

A Revista Forum publicou a análise do matemático Sérgio Wechsler, professor da dono da consultoria Numbers Care, que presta serviços de análise estatística a empresas e pesquisadores, preparada a pedido da Gesner Oliveira Associados.

Nela, usando um método complicado para nós, leigos, chamado inferência bayseana e utilizando as pesquisas de opinião publicadas até agora, o matemático agrega possibilidade de cada candidato passar ao 2° turno e, nele, vencer a disputa final.

O resultado está no gráfico e aponta, hoje, uma possibilidade superior a 99% de que Fernando Haddad vença as eleições.

“No 2º. turno, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad: o candidato petista tem, no momento, formidáveis 99,96% de chances de bater Bolsonaro na disputa final. Considerados os dois turnos, Haddad tem, no momento, 99,4% de probabilidade de ser o próximo presidente da República”, diz o professor da USP à Forum.

Claro que ainda restam dez dias para que se produzam fatos novos e há eventos imprevisíveis quando se tem uma mídia e um sistema judicial que, faz tempo, deixou de lado a imparcialidade e o afastamento da política. E, portanto, as certezas políticas são muito menores que as matemáticas.

Mas, se é para falar em hipóteses de viabilidade de candidatos, do chamado “voto útil”, não há mais discussão possível. Não é uma questão de discutir vantagens de Ciro num confronto com Bolsonaro: é aceitar a evidência de que não é ele, em princípio, que irá para a disputa final.

A negação da vida

Carnaval

Por Ronaldo Souza

“A vida é bela. Viram? Então, com toda certeza, riram e choraram. Mais uma vez, a arte tenta mostrar como, às vezes, fazem a vida. Quem poderia, nas nossas vidas, gerar atos de tamanha violência, mesmo que disfarçada. Quem, pelo poder, poderia esquecer os mais elementares direitos à vida, através da arrogância e da prepotência. Mas, sobretudo, quem, como a personagem do filme, tem procurado dar vida à vida?

Mesmo assim, a vida é bela”.

Estes são os dois últimos parágrafos de A vida é bela, um texto que publiquei em março de 2008, no site endodontiaclinica.odo.br, aproveitando o título do filme que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano.

Assim que digitei o título deste que escrevo agora, ele me veio à mente.

Fui ao site, reli e vi que, pouco mais de dez anos depois o modo como encerrei aquele texto não poderia ser mais atual.

Ninguém deveria precisar escrever sobre a beleza da vida.

Ela está aí para ser curtida, sentida, protegida.

Vivida.

“olhos bem mortos e apavorantes” não a veem.

“olhos bem mortos e apavorantes”, angustiados por não conseguirem ver que a vida é bela, veem-na sob o estigma das trevas, o estigma das noites onde não chega o amor.

As dificuldades com as quais convivemos no nosso dia-a-dia nunca nos fez ter a morte como companheira, como alguém que caminha ao nosso lado.

Não, nunca foi assim.

“Cor, riqueza, diversidade, simpatia espantosa e cordialidade” são a nossa marca.

Foi o “espírito brasileiro de inclusão, aceitação, amor e puro prazer na variedade” que nos fez ser vistos como o último povo feliz que ainda habitava a Terra.

Nós, que já perdemos tanto, não podemos perder a nossa alma.

Não podemos negar a vida.

Que soubemos viver como nenhum outro povo.

Assim reconhece o mundo, como bem descreve o ator britânico Stephen Fry, num depoimento emocionante.

https://www.youtube.com/watch?v=-plg-8f0Lv4

“Direitos humanos são para humanos direitos”

Por Ronaldo Souza

Apesar de ocuparem cargos que podem lhes dar algum destaque, determinados homens vivem no anonimato.

Por qualquer razão que seja, entretanto, não é incomum que a vida dê a essas pessoas oportunidades que normalmente não lhes seriam dadas.

E de repente, os holofotes se voltam para elas.

A excitação é imediata e, de certa forma, compreensível.

A excitação, no entanto, muito raramente se faz acompanhar do bom senso. Até porque, o bom senso costuma ter como companheiras e boas conselheiras a inteligência e a sensibilidade.

Aí o bicho pega.

De deputado medíocre (por várias razões, mas basta citar uma; em 27 anos como deputado só teve dois projetos) a forte candidato à presidência da república, de repente o capitão Bolsonaro se viu importante.

Ao se ver em destaque, a pessoa pode perder a noção de espaço e o controle de si mesma.

Vendo-se autoridade, assim passa a agir.

A partir daí tudo é possível.

Talvez não consigamos dimensionar o quanto deve ser complicado para certas mentes imaginar-se capaz sem ter a menor noção do real; a incapacidade.

Já ouviu dizer que mais importante do que as homenagens é merece-las?

As pessoas homenageadas não pensam assim.

Por não sermos capazes de imaginar o tamanho da dificuldade que isso deve representar, talvez devêssemos ser mais compreensivos com essas pessoas.

Bolsonaro e a burrice

Guga Noblat, filho do jornalista Ricardo Noblat, de O Globo, não agiu assim.

Tudo bem que nunca houve dúvidas sobre a capacidade cognitiva de Bolsonaro, mas bem que ele, Guga Noblat, podia ter sido mais cuidadoso com as palavras.

Quando me reportei ao general Hamilton Mourão (vice do capitão) e disse “um general, diga-se de passagem, à altura do capitão”, não errei.

Eles, capitão e general, devem possuir QI semelhante (de um dígito), a mesma sensibilidade, o mesmo profundo conhecimento sobre as coisas da vida, enfim, pensam igual.

Bolsonaro e Direitos Humanos

Em recente entrevista, o general mostrou seu potencial, com alguns momentos de grande brilho, como por exemplo quando disse que “direitos humanos são para humanos direitos”.

É uma frase de efeito e de grande profundidade.

Quantos mais poderiam dizer algo tão enriquecedor e pleno de sabedoria como essa frase?

Poucos!

Diante da proposta “higienista” do general, quem determinaria quais são os humanos direitos?

Na classificação de Bolsonaro-Mourão, certamente não estariam as mulheres, porque são seres inferiores e que só nascem quando o homem dá uma “fraquejada”, como diz Bolsonaro.

Ainda segundo o capitão, têm que ganhar menos que os homens porque engravidam (realmente, um defeito imperdoável da mulher; engravidar) e merecem ser estupradas (se não forem feias, claro).

Idiotas, mentirosas e analfabetas, aí sim, é que nada merecem mesmo.

Do catálogo de humanos direitos de Bolsonaro-Mourão certamente também não fariam parte os negros, os homossexuais, os índios e outros tipos inferiores como eles.

Sobre a relação do Brasil com os países da África e da América Latina, Mourão foi além e fez críticas com a mesma sutileza paquidérmica da dupla:

“E aí nos ligamos com toda a ‘mulambada’, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano, do lado de cá…”

General capitão'

Ou seja, já tínhamos um capitão do Exército Brasileiro que bate continência diante da bandeira dos Estados Unidos e agora um general que não deixa dúvidas sobre a sua preferência nesse sentido.

É bem possível que nesse momento, Guga Noblat esteja reforçando os comentários sobre a qualidade da escola militar.

Digo há muito tempo; o que move todos eles é uma coisa só; preconceito.

O general Mourão se imagina e se vê branco.

Como ele, com a mesma cor e o mesmo tom de pele, muitos se veem brancos.

E desfilam pelas passarelas das redes sociais todos os dias, tentando disfarçar o racismo embrenhado lá dentro, bem no fundo, no mais fundo das suas almas.

Imaginam-se brancos também, claro.

É o nazismo ignorante que não tem a menor noção do que é ser branco na concepção de Adolf Hitler.

É o nazismo que, na sua ignorância, desconhece completamente o que é o arianismo e o projeto de depuração da raça desse personagem da história universal cujo desequilíbrio dispensa comentários.

Aproveito para colocar outra frase que adoram e repetem como um mantra:

“Bandido bom é bandido morto”.

Meu Deus!!! Esta é uma das maiores demonstrações de ignorância e subdesenvolvimento que uma pessoa pode dar.

E a repetem com o orgulho pulsando forte nas veias onde corre o sangue nobre; o sangue da classe média brasileira.

Não é preciso ser um estudioso de Antropologia e Sociologia para perceber que, além de representar um acinte à dignidade do ser humano, frases como essa demonstram o profundo desconhecimento de princípios básicos necessários para o desenvolvimento do homem ao longo do tempo.

“Pô, São Pedro, tem como voltar, cara, pelo menos trocando um tirinho lá com o pessoal  que merece, porra”?

Nesse discurso brilhante, o filho de Bolsonaro mostra qual será o seu argumento para voltar à Terra assim que se deparar com São Pedro; “trocar um tirinho”.

Bolsonaro percebeu há muito tempo, e seu filho também, a inteligência e sabedoria do seu eleitor. Por isso elevam o nível.

“Trocar um tirinho”!

O DNA de uma família será agora de um povo?

Do povo brasileiro?

Este país não suportaria tamanho retrocesso.

A história de um trabalho. Final

 Rubem Alves'

Da série Histórias que precisam ser contadas. E serão

Por Ronaldo Souza

Este é o final deste texto, que foi dividido em 4 partes.

Sugiro que você leia as primeiras partes antes de ler esta, para entender melhor as razões pelas quais ele foi escrito (1ª parte aqui, 2ª parte aqui e 3ª parte aqui) ou leia novamente (se já leu), até pelo tempo em que foram escritas e postadas.

Como disse no final do texto anterior, deixei a publicação do artigo de lado, tratei de “esquecer”.

Não posso pautar a vida por episódios como esse.

Apesar do “desapontamento” com todo o episódio e a não publicação, apesar da importância da Endodontia e do que ela representa para mim, há algo maior, bem maior.

E é na direção desse algo maior que está focada a minha vida.

Já disse aqui que o encontro marcado que tenho é comigo mesmo e para mim o que mais importa é o caminho que tenho que seguir para chegar lá e, ao final de tudo, bater um bom papo comigo mesmo.

Era 2012.

A publicação daquele artigo ficaria para um dia qualquer.

Ou, quem sabe, para nunca mais.

Ocorre que ao final do dia 20 de junho de 2017, cinco anos depois, pouco antes da meia noite, cansado, resolvi ler um artigo que estava guardado me esperando.

Ao ler, vi que ali estava algo que refletia o que eu já pensava há muito tempo, só que agora escrito por alguém que conhece muito bem o assunto.

Depois de ler, fui dormir.

A mente, porém, inquieta, não estava mais ali, estava longe, viajando.

Viagem que uma vez iniciada não se sabe quando termina.

São as viagens da imaginação, à qual, segundo o comercial de uma bebida energética, deve-se dar asas.

A imaginação não deveria precisar de artifícios químicos para ganhar asas.

Às 02:30 da madrugada de 21 de junho eu ainda não tinha conseguido dormir.

A viagem se tornara longa.

Contei com o cansaço.

Ele veio.

Dormi.

Mas não por muito tempo.

Às 06:00 já estava enviando o artigo para dois grandes amigos, os professores Pécora e Figueiredo, dizendo; vejam que artigo interessante.

O título é “A miopia dos indicadores bibliométricos”, da professora Lilian Nassi-Calò.

Escrevi o texto “Qual é o nosso real tamanho?” e postei junto com ele. Se desejar, clique aqui, leia os dois com atenção e depois volte.

Trago alguns trechos dele:

“Isso levou os autores a concluir que o sistema atual de avaliação da pesquisa subestima trabalhos que possivelmente terão alto impacto na avaliação em longo prazo. É importante também ressaltar que artigos que se revelaram de alto impacto no decorrer do tempo foram publicados em periódicos de menor FI”.

“Quanto mais estamos ligados a indicadores bibliométricos de curto prazo, mais longe estamos de recompensar a pesquisa com alto potencial de ir além das fronteiras – e aqueles que o fazem”.

“Deveria causar surpresa o fato de que o uso de um indicador torne elegível um ou outro autor pelo fato de que tenha publicado em um periódico de FI mais alto, de que é mais importante saber onde ele publicou do que ler seu trabalho”.

“Se realmente a comunidade acadêmica deseja criar avaliações mais objetivas, todos aqueles envolvidos – desde pesquisadores em início de carreira até os presidentes das agências de fomento – devem usar indicadores qualitativos e quantitativos de forma responsável […] de forma a evitar o uso de indicadores que penalize os pesquisadores e projetos que tem o maior potencial para romper fronteiras”.

Fronteiras.

Talvez seja essa a grande questão.

Quantos trabalhos nos últimos tempos romperam as fronteiras do saber na Endodontia e, sobretudo, as da imaginação?

Aliás, quantos trabalhos mexeram com a imaginação nos últimos tempos na Endodontia?

Perdemos a noção de que bem antes do saber, na mesma rua mora a imaginação.

“A imaginação é mais importante do que o conhecimento”.
Einstein

Mesmo sendo Einstein, e acho que só mesmo ele para dizer algo assim, imagino o desconforto que essa frase gerou nos meios acadêmicos, tão doutores são os seus doutores!

Direto ao assunto

Agora, numa linguagem bem simples, bem ao estilo que adoto aqui no site, vamos direto ao assunto.

Quem deve ser fator de impacto, o periódico ou o artigo?

Quem quebra as barreiras?

Quem derruba os paradigmas?

O editor/revisor ou o autor?

Quem canta mais afinado, o urubu ou o sabiá?

Aliás, urubu canta?

Deixemos de lado as distorções e inversões e caminhemos.

De preferência, cantando como um sabiá.

Fiz este questionamento no texto anterior:

Uma vez que uma hipótese é levantada, a partir daí é que são efetuadas as etapas que construirão as evidências.

Como podem estas existirem se a simples possibilidade de discussão é negada desde o início por professores engessados que não aceitam o que lhes contradiz?

Não, não vou procurar saber onde estão a inteligência e o bom senso desse tipo de professor.

A construção de uma linha de raciocínio que se opõe ao estabelecido tende a criar muitos questionamentos. A possibilidade de uma nova concepção gera rejeições, às vezes fortes, que podem surgir por diversas razões.

É compreensível a resistência que se oferece diante do desconhecido, mas negar a discussão não parece combinar com a tão enaltecida nobre missão do professor.

No primeiro texto deste tema, eu disse; Soltei então todas as rédeas que poderiam conter a minha intuição, deixei o bom senso me conduzir por onde ele bem entendesse e liberei todas as asas da minha imaginação.

Acompanhe comigo o caso clínico abaixo. Todos os canais do primeiro molar inferior esquerdo serão retratados, mas vamos destacar os canais mesiais, onde há um instrumento fraturado no terço apical.

Fig. 1'

A seta preta em A mostra o final da obturação, que não está bem feita. As setas brancas apontam para a lesão periapical. Observe como na radiografia da imagem em B (2 anos e oito meses depois), a obturação está bem “pior”, com grande espaço vazio que não existia (seta amarela) e as setas brancas mostram que a lesão periapical aumentou consideravelmente de tamanho. O instrumento fraturado aparece agora bem destacado.

De acordo com a literatura endodôntica, estes são indícios claros de que, por não ter sido possível fazer o travamento do cone de guta percha por causa do instrumento fraturado, não houve vedamento hermético. Não havendo vedamento hermético, ocorreu infiltração de fluidos teciduais e por isso a parte solúvel da obturação, o cimento, foi solubilizado e “desapareceu” do canal. Por essa razão, a obturação agora se mostra com muito mais falhas na imagem radiográfica. Pela mesma razão, a lesão periapical teria aumentado (setas brancas em B).

Fig. 2

Em C já estou ultrapassando o instrumento fraturado com uma lima 08 para fazer a instrumentação do canal cementário, o que pode ser observado melhor em D, graças ao zoom da porção final da raiz.

Devo fazer a ressalva de que após a instrumentação dos canais foi feita medicação intracanal com hidróxido de cálcio, como faço e preconizo em todos os casos de lesão periapical.

Fig. 5

Em E está sendo feita a prova dos cones de guta percha para a obturação. Perceba que os cones dos canais mesiais “alcançam” o instrumento fraturado. Na verdade vão um pouco além e se posicionam ao lado, no início da fratura (seta preta). Ali, juntamente com o cimento, poderia promover um bom selamento, ainda que prejudicado pela presença do instrumento fraturado. No entanto, intencionalmente, a obturação não será feita naquele limite, mas nos limites apontados pela seta amarela em F.

Por que fiz isso?

Se a literatura diz que o fracasso do tratamento endodôntico se deve à infiltração de fluidos teciduais nos espaços vazios deixados pelas falhas da obturação e a consequente ausência de vedamento hermético (figuras A e B), resolvi “convidar” os fluidos a penetrarem no canal. Se essa é a questão, não há nenhuma chance de reparo, pois agora o espaço vazio intencionalmente deixado é muito maior, quando comparado ao da figura A (seta preta).

Fig. 4

Compare a imagem da figura G (dia em que os canais foram obturados) com a imagem da radiografia de acompanhamento de 2 anos depois (H). Não pode haver dúvidas quanto ao reparo da lesão periapical.

Quanto a essa abordagem do caso clínico apresentado acima, deixemos bem claro o seguinte.

Não estou propondo obturações desse tipo. A obturação precisa, deve e tem que ser feita com os mesmos cuidados de sempre e não será aqui que esgotaremos esse assunto. Trata-se simplesmente de chamar a atenção para vários aspectos do tratamento endodôntico, entre os quais estão:

  1. Travamento do cone de guta percha não é sinônimo de vedamento hermético
  2. Vedamento hermético proporcionado pela obturação, qualquer que seja a técnica, não existe
  3. A obturação não é o fator determinante do reparo

O fator determinante do reparo em Endodontia é o preparo do canal

Certamente, muitas dúvidas ficarão no ar.

É inevitável e ao mesmo tempo intencional.

Pretendo fazer com que você reflita sobre a Endodontia. É a única maneira de se fortalecer e não se deixar enganar por tanta coisa que estão “ensinando” por aí.

Aqui pra nós, que ninguém nos ouça; faz algum sentido falar nessa bobagem que chamam de surplus?

Como já escrevi aqui, “surplus” é embuste em inglês.

Faz algum sentido fazer obturações como essas que você vê abaixo e, pior ainda, ensinar a fazer isso?

Surplus'''

Não pode existir tolice maior do que isso.

Onde podemos enquadrar essa maneira de fazer Endodontia?

No mais absurdo descompromisso com as coisas sérias ou no desconhecimento dos princípios mais elementares das ciências médicas?

Ou nos dois?

Não tenho nenhuma dúvida de que voltaremos a esse tema muitas outras vezes, mas termina aqui a série que chamei de “A história de um trabalho”.

Termina com a recente publicação do trabalho relatado nesses ‘4 capítulos’ de “A história de um trabalho”

O caso clínico apresentado e outros foram publicados agora em maio de 2018, no Endodontic Practice.

Relationship between the apical limit of root canal filling and repair

São 20 casos clínicos, dos quais 10 são apresentados no artigo.

Como falei, são todos do meu consultório, realizados entre 1987 e 1996 (10 anos), com tempo de acompanhamento de até 21 anos e com tomografia de alguns deles. O último acompanhamento foi feito em 2008.

Quando vi o material que tinha nas mãos (aí já era professor), resolvi que um dia sentaria para escrever sobre ele.

Sem pressa, como também já falei, só comecei a escrever enter 2010-2011 e se desenrolou então toda essa “história” que contei aqui.

Por tudo que relatei, no final do ano passado resolvi voltar a “pensar” na publicação.

Dei a ela um novo rumo e aí escolhi o Endodontic Practice, uma revista inglesa bem clínica.

Achei que devia contar a você.

Em virtude do que tenho visto ultimamente, essa conversa certamente não morre aqui.

Os dias não eram assim

Por Ronaldo Souza

Quando olho para trás vejo sem dificuldade que a minha vida parece ter sido “guiada” por alguém.

E se há algo que me agrada é ver que ela não foi linear.

Não se trata de altos e baixos.

Dramas e tragédias?

Não, não os vivi.

Não foi por aí, mas, certamente, houve mudanças de rota bem significativas.

Fiz eu próprio, “alguém” me conduziu, as duas coisas?

Isso não me aflige, não me tira o sono.

É grande e gostosa a sensação de que fiz o que canta Zeca Pagodinho; deixei a vida me levar.

Num desses momentos conheci a minha companheira.

O que vinha sendo tão “incidental”, acho que posso chamar assim, continuou sendo em boa parte, diria até com uma dose de inconsequência um pouco acima do tom.

Mas a sabedoria dela passava a ser fator importante para o homem que estava em formação.

Com ela aprendi muito.

E as nossas filhas chegaram.

Ali estava tudo.

Ali estávamos nós.

Ali estavam as nossas ligações com o mundo.

Que nos fizeram curtir mais e melhor o passado como doce lembrança, viver o fogo do presente e projetar o futuro.

O nosso, que continua vivo, mas, sem poder negar que, sobretudo, o delas.

Nesse Universo, foi muito o tudo que construimos juntos.

Foi com elas que aprendi a ver com mais clareza o feminino que há em mim.

Como diz Gilberto Gil na sua bela canção:

“Minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É que me faz viver”.

O meu futuro é feminino.

Elas são o meu futuro.

Por elas, sofro por esse legado de horror, com tanto preconceito, ódio e violência.

Por elas, também me sinto vítima dessas aberrações, desses homens violentos.

Homens que desrespeitam e ofendem as suas próprias companheiras e filhas.

Homens que, mesmo quando vítimas da violência que disseminam, apontam armas, simbólicas ou não, como reflexo da violência que vive neles.

Homens que, mesmo no leito de um hospital, com a saúde seriamente abalada, não percebem a dimensão da vida.

Não, não alimento nenhum ódio por homens como Bolsonaro.

Na busca de uma vida que me permita viver em paz comigo mesmo, não posso e não devo alimentar esse ódio.

Ainda que seja um sentimento pesado, tenho, isso sim, pena de quem parece não encontrar um sentido maior para sua vida, que deveria ir além, muito além, do preconceito e do ódio.

Quanto às mulheres que votam em Bolsonaro, só me resta chorar por elas, porque parecem ter perdido o amor próprio.

Depois de tantas lutas e conquistas, parecem não saber mais o que significa ser mulher.

Como saber, assim, reconhecer um homem?

“Eu preciso é ter consciência do que eu represento nesse exato momento
No exato instante na cama, na lama, na grama,
Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos”.
Gonzaguinha

https://www.youtube.com/watch?v=EJw5fthOk00

Muito me importa e agride a face da violência que mata o melhor da criança; a sua inocência e pureza.

Bolsonaro e criança arma

No entanto, muito além disso me angustia a mente doente por trás desses gestos.

Naquela criança ainda moram a inocência e a pureza que vi nas minhas filhas e você viu nas suas.

Por isso, muito mais do que pelas mulheres que caminham ao lado de homens como o capitão Jair Bolsonaro, homens que não sabem o que é ter uma vida nas mãos, choro pelo futuro dos seus filhos, particularmente de suas filhas.

Porque terão sido fruto de uma “fraquejada”.

Serão idiotas.

Serão analfabetas.

Serão estupradas, a depender de serem bonitas ou feias.

Serão vagabundas.