Corpos e almas em festa

Música e alma

Por Ronaldo Souza

Por conta da finalização de uma pequena reforma no nosso apartamento, desde sexta feira estamos na casa de nossa filha mais velha.

Apesar de não estarmos “completos” (a mais nova está fora de Salvador), não há como não festejar nossos corpos e almas numa grande alegria.

Curtindo bastante e neste momento ouvindo música, por uma feliz coincidência recebi e vi um vídeo que um amigo enviou.

Simplesmente maravilhoso.

Vim ao computador e “peguei” na Internet.

Curta um dos maiores compositores brasileiros em uma de suas belas músicas, uma das maravilhas da música brasileira.

Após entrevista no JN, Haddad se encontra com Chico Buarque

Haddad na Globo

Antes, porém

Por Ronaldo Souza

Estava escrevendo um texto que nada tem a ver com política, quando parei um pouco para respirar e aí resolvi dar uma olhada na internet. Li então a matéria da Revista Fórum.

Não vi a “entrevista” de Haddad ao JN, como não vi nenhuma outra. São pelo menos 10 anos que deixei de assistir à Globo, particularmente ao seu “jornalismo”.

Vi, porém, alguns comentários em sites e blogs.

Bonner (aquele mesmo que disse que vê quem assiste ao Jornal Nacional como um Simpson, personagem medíocre em inteligência e sensibilidade de “Os Simpsons”, desenho animado da televisão) e Renata Vasconcellos fizeram da entrevista uma inquisição dos tempos da Idade Média.

Foram 62 interrupções às tentativas de respostas de Haddad (tinham sido 17 com Alckmin). De 27 minutos de inquisição, 16 ficaram com Bonner/Renata, sempre em tom agressivo. Somente 11 minutos com Haddad. Não foi uma entrevista bem conduzida?

Em uma das interrupções, Renata Vasconcellos se superou:

– O senhor já respondeu à pergunta de Bonner. Acho que ele já está satisfeito.

Ou seja, cale a boca!

Ao que Haddad respondeu:

– Mas eu não estou.

Segundo o jornalista Kiko Nogueira, a frase de Renata deve entrar para a antologia dos momentos mais vergonhosos da imprensa brasileira.

Quem conhece minimamente a obra de Nelson Rodrigues sabe de uma peça chamada “Bonitinha, mas ordinária”.

Veja o que disse Arcírio Gouvêa Neto, ex-jornalista do Globo e atual presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa):

“Me sinto envergonhado vendo o jornalismo brasileiro acabar de ser vilipendiado e ultrajado por Willian Bonner e Renata Vasconcellos nesta sessão de inquisição aos melhores moldes dos inquisidores da Idade Média. Isso não foi e jamais será jornalismo”.

Por que, de repente, às vésperas da eleição presidencial, a Globo resolveu massacrar Haddad?

Por que, de repente, às vésperas da eleição presidencial, resolveram ressuscitar coisas de até mais de três anos que já tinham sido abandonadas porque são inverdades comprovadas para tentar bater em Haddad?

Por que novamente a história de mais um “poste” de Lula???

Por uma razão bem simples; a Globo e os demais órgãos de imprensa estão em pânico.

É claro que ao dizer isso os coxinhas/bolsomicos não estão entendendo nada.

Não entendem porque da pesquisa DataFolha só mostraram a eles os números aparentemente favoráveis. Esconderam alguns gráficos, aqueles que mostram o crescimento assustador de Haddad.

Haddad estava crescendo a 1% ao dia (resultado da transferência de votos de Lula para ele), o que deve aumentar porque somente agora ele foi definido como o “cara” que vai ficar no lugar de Lula.

Isso só começou, porque é o próprio DataFolha quem diz que nada menos que 32% dos eleitores votarão com certeza no “candidato indicado por Lula”; além disso, outros 16% podem vir a votar, portanto, potencial de votos de 48%, que seria suficiente até para uma vitória em primeiro turno.

Esses dados só foram divulgados ontem, sábado, mas toda a imprensa já sabia.

Quer mais um dado?

Ainda de acordo com o DataFolha, a preferência partidária se mantém disparada no Partido dos Trabalhadores; a maioria dos eleitores não tem um partido de preferência (58%), mas entre os que citam uma legenda, 21% mencionam o PT, contra apenas 3% do segundo colocado, o PSDB; o MDB, de Temer, e PSL, de Bolsonaro, registram 2%, enquanto PDT e PSOL têm 1% cada”.

Por que será que a jornalista Eliane Cantanhede amanheceu o domingo dizendo que todos os candidatos deviam se unir contra o crescimento de Haddad?

Enquanto isso, ficam forçando a barra com a nossa língua para manipular os coxinhas/bolsomicos e aí, claro, eles ficam, como sempre, ignorando tudo. Quem tudo ignora…

Esse erro foi intencional, para alimentar a manada. Fazem isso todos os dias. Perceberam o exagero da forçação de barra e o consequente ridículo e corrigiram.

Sabe quem oscilou?

Ele mesmo, o capitão. Esse sim, dentro da margem de erro.

O crescimento de Haddad pegou todo mundo com as calças na mão (aguardemos as próximas pesquisas, a não ser que “segurem” os resultados um pouquinho).

O Valor, jornal dos Marinho, e o senhor “mercado” já estão falando de Haddad e Bolsonaro no segundo turno, com grandes chances para o… primeiro.

De acordo com Ciro Gomes o capitão “é o cabra marcado para perder no segundo turno”.

O ambiente, aliás, está ótimo entre eles, com o general vice tentando dar outra facada no capitão (seria a terceira, porque a segunda ele já deu). Um general, diga-se de passagem, à altura do capitão, o que é um elogio, tendo em vista que este é um “jênio”.

Devo dizer que também não vi os comentários sobre o episódio nas redes, mas consigo imagina-los. Com certeza, os “jênios” acharam Haddad muito fraco.

Gosto muito dos comentários deles.

Vamos sintetizar numa frase dita por eles em um momento qualquer; “não haverá passeata da direita pra defesa de corruptos ladroes”.

É sério?

Quem foi que coloriu as avenidas paulistas de verde e amarelo na luta contra a corrupção ao lado de Aécio, Serra, Alckmin, Geddel, Aleluia, Imbassahy… (o que fizeram do Farol da Barra, um dos cartões de visita de Salvador, meu Deus!!!).

De que convento eles são?

Querem se fazer de que?

Eles assustam pela incapacidade de fazer uma simples e única ligação, piores do que eu imaginava.

Estão fazendo igualzinho a Alckmin, quando diz em seu programa político que “o PSDB não tem nada a ver com o governo Temer”.

Enquadram-se basicamente em uma das duas categorias:

  1. Absurdamente ignorantes por nada saberem
  2. Absurdamente cínicos (para não dizer outra coisa) por acharem que nada têm a ver com a corrupção de Aécio e companhia

Ou nas duas.

O bom de tudo isso para Haddad foi, sem dúvida, o encontro posterior com Chico.

Depois de encarar jornalistas com o padrão Globo/FIFA (Ave Maria, assunto pra três quilos de conversa) de qualidade, nada melhor do que um encontro com o talento e a leveza de Chico.

Prazer e honra concedidos a poucos.

Agora sim, veja a matéria do Fórum.

Após entrevista no JN, Haddad se encontra com Chico Buarque

Chico e Haddad

“Depois da Globo, Chico, porque ninguém é de ferro”, escreveu o candidato

No Rio de Janeiro, o candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, teve um encontro com o músico e compositor Chico Buarque, após ser entrevistado no Jornal Nacional na noite desta sexta-feira (14). “Depois da Globo, Chico, porque ninguém é de ferro”, escreveu o candidato.

A entrevista na emissora chamou a atenção pelo tom inquisitório e pela quantidade de interrupções dos apresentadores. O candidato petista foi interrompido 62 vezes, enquanto o presidenciável tucano, 17 vezes.

“Não sei o que mais me impressionou: se o sangue frio e o poder argumentativo de Haddad ou o se o ar e a postura inquisitoriais dos ‘entrevistadores’, que já tinham réplicas antes da elaboração completa da resposta”, disse o escritor Lira Neto, autor, entre outros livros, de Getúlio, a biografia do ex-presidente Getúlio Vargas.

A foto com Chico Buarque fez sucesso nas redes. Em apenas 2 horas, a publicação já somava mais de 1,7 mil compartilhamentos e 7 mil reações. “Enquanto uns são apoiados por Gustavo Lima, Felipe Melo, Danilo Gentili… outros são apoiados por Chico Buarque. A diferença é gigante”, disse um internauta.

O Professor Descolado

Professor descolado''

Por Jean Pierre Chauvin

“[…] ao descobrir-me ingênuo, comecei a tornar-me crítico” (Paulo Freire)1

“[…] o esclarecimento abdicou de sua própria realização” (Theodor Adorno & Max Horkheimer)2

*

Se há uma figura capaz de cair mais facilmente nas graças do alunado (e dos “gestores”) é a do “professor descolado”. Você já terá cruzado com um destes. Ele conhece “tudo” sobre as “novas mídias”; fala “de igual para igual” com os estudantes; reproduz os pseudovalores do empresariado. A linguagem é vazia, mas up to date: ele é o “líder” e os alunos são eufemisticamente chamados de “colaboradores”. Com um toque de condão, a “turma” vira “equipe”.

Esqueça o sócio construtivismo ou a hipótese mais realista, freiriana, que pressupõe a escuta pelo educador (do que aporta e diz o aluno) e a mediação do conhecimento para o aluno (pelo educador). A pedagogia do “descolado” “inova” no que Paulo Freire disse, sem nunca tê-lo lido: “atualiza” (mas nunca revoluciona, é claro) o teor do que nosso maior educador defendia.

Mas, alto lá! Engana-se quem acredita que o “professor descolado” limita-se aos níveis fundamental e médio. Ele está, há tempos, nas melhores universidades do país. Aprendeu, — desde as primeiras reuniões estratégicas para “captar” matriculados — que o estudante é cliente e que, para assegurar o emprego é preciso manter a melhor relação possível com eles.

O ciclo é vicioso e perverso, mas, a julgar pelo teor dos comerciais que circulam na televisão, no rádio e na internet, é a Faculdade que deve agradar ao Mercado… Fico a me perguntar: ok; mas, se o mercado cooptar a palavra daqueles que refletem, onde, como, por quem, com quem e para quem o pensamento será produzido? Qual será o seu lugar – supondo-se a aliança “benéfica” entre pragmatismo imediato e formação plena?

**

Porém, faça reparo. O “professor descolado” não se confunde com o Sir Mark Thackeray, de Ao Mestre com Carinho (1967), nem com o Professor John Keating, de Sociedade dos Poetas Mortos (1989), tampouco com Merlí Bergeron, da série Merlí (2015-2018). Diferentemente das personagens interpretadas nas telas, o “professor descolado” confunde “revolução” nos métodos de ensino com subserviência aos seus estudantes.

O saldo é que os papéis de professor e aluno se confundem. Não se peça a um estudante que tenha mais discernimento que seus mestres… Ah, bem, esqueci-me de que a palavra “mestre” foi praticamente expurgada da Educação formal. Mestre, mesmo, só se pertencer à ordem dos Jedi, como defende a dita “cultura” geek.

***

A questão ganha maior gravidade, se considerarmos outra acepção de “descolamento”. Refiro-me ao sujeito que, por algum motivo, continua a confundir a dignidade do seu ofício com a atitude arrogante. Neste segundo caso, o “professor descolado” age em descompasso com o mundo que o cerca.

Isso não quer dizer que ignore as mídias sociais, os novos suportes e tecnologias. Significa que, precarizado financeiramente, destituído de seu lugar honroso, dos “bons tempos” de cátedra, o professor lança mão de recursos toscos, de modo a ser percebido como sujeito vetusto, sério, repleto de saberes e domínios sobre os seus alunos.

Na universidade pública (que ainda tem algum prestígio, neste país) é bastante comum topar com o “professor descolado nível 2”. É aquele sujeito que se recusa a almoçar em qualquer lugar, vestir-se sem ostentação e passar mais de seis meses sem viajar – de preferência para o exterior.

Embora tenha incorporado o discurso da modernização e se diga deslumbrado pelas novas tecnologias, discorre fragmentariamente sobre os temas da “sua” aula; tem visível dificuldade para falar de algo não contemplado por “sua” tese de doutorado e costuma agir de maneira incoerente com relação ao que declara durante o horário de aula.

A essa turma de “professores descolados”, interessa-lhe destacar-se socialmente. Seu representante típico é aquele que não se considera autoritário feito um big boss, embora recorra aos alunos para suplementar a “sua” produção pífia. É aquele que anseia pelas formas de distinção social, nem que para isso precise inventar viagens que não fez e simule participar de eventos para os quais não foi convidado.

****

O “descolado” da primeira espécie corresponde ao que Umberto Eco chamava de sujeito “integrado” ao sistema4. Ele não ensina a refletir; molda seus alunos para que atendam às expectativas do famigerado Mercado. O “descolado” da segunda espécie corresponde ao que Pierre Bourdieu chamava de homos academicus5 – vive em busca de índices de distinção, pois incorporou o conceito de “capital cultural”.

Por exemplo, ele acredita que não responder a e-mails enviados pelos alunos (inclusive os mais interessados) pode valorizar o “seu” passe e estimular maior respeito por parte de seus futuros pupilos.

Nem confundir as tintas, nem criar obstáculos para se relacionar com os demais. A primeira providência do professor universitário é declarar-se parte do povo (e não seu guia iluminado, capaz de conduzir as massas pelos desvãos da cegueira). Assumindo-se desta forma será mais fácil sentir a dor dos outros e desejar fazer algo para além dos muros da muy douta academia.

Alguém precisa avisá-lo de que a era do Iluminismo terminou mais ou menos entre os séculos XVIII e XIX.

Mas, porventura esse lembrete não seja suficiente, sugiro que o “deslocado” (re)leia A Dialética do Esclarecimento, de Theodor Adorno e Max Horkheimer. E, se isso não bastar, recomendo outro alvitre: perceber o seu lugar e o do outro, na luta contra o lucro — instituído, pela menor parcela da sociedade, como razão da existência. “Valor” absoluto e universal.

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1. Pedagogia do Oprimido. 64a ed. São Paulo: Paz e Terra, 2017, p. 32.

2. Dialética do Esclarecimento. 1a reimp. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 2006, p. 45.

3. Homo Academicus. Trad. Ariel Dilon. Buenos Aires: Siglo XXI, 2008, p. 56.

4. Apocalípticos e Integrados. 6a ed.; 3a reimp. Trad. Pérola de Carvalho. São Paulo: Perspectiva, 2008.

5. Op. Cit.

Pura coincidência

Moro Richa

Olha o Moro aí, gente

Por Ronaldo Souza

Vamos ser breves e diretos?

O grande Sérgio Moro nunca pôs a mão em nenhum tucano.

É só olhar; Aécio, Serra, Alckmin, Beto Richa (não vamos ficar perdendo tempo citando os outros) estão soltos há séculos.

Todos do PSDB.

Certamente ninguém sabe, ninguém viu, portanto, ninguém lembra daquelas fotos maravilhosas de Moro e Aécio às gargalhadas em um evento da IstoÉ. Ali também estavam Alckmin, Serra, Temer…

Ninguém conhece também a blindagem ao PSDB.

Todas as investigações, processos, inquéritos são… arquivados.

Agora mesmo, a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, mandou arquivar mais um inquérito contra Aécio.

Motivo!

Tem muitas delações contra Aécio, mas não tem… provas.

SEN-SA-CIO-NAL.

As estripulias de Beto Richa são por demais conhecidas e o homem continuava livre, leve e solto.

Como Aécio.

Eis que de repente, não mais que de repente, Moro manda prender Beto Richa.

Estranho, esquisito, inacreditável, incompreensível, inexplicável, injustificável, fim do mundo…

Moro mandou prender um tucano!!!

Vi até jornalistas surpresos.

Com a inteligência aguçada que possuem, Merval Pereira e Sardemberg devem ter ficado que nem baratas tontas.

Eu, baiano, filho de Caetano Veloso, sobrinho de Gilberto Gil, neto de Dorival Caymmi, com toda falta de pressa que herdei deles, fiquei pensando, pensando, pensando, pensando, pensando, ops, esqueci que tinha que parar, e então caetaniei:

– Aí tem coisa, ou não!

Dr. Moro correu pra se justificar.

Disse que o suposto esquema de corrupção de Richa “não se trata de um crime trivial”. Ou seja, a coisa é pesada.

Mas o Dr. Moro só descobriu agora?

Pô, capitão… ah, não, desculpe. Capitão é o outro, o do sangue invisível.

Pô, dr. juiz-promotor-delegado-concursado, logo em cima das eleições!!!

Moro é danado.

Você faz ideia de como estava a disputa atual pelo Senado no Paraná?

Não?

Estava assim:

Roberto Requião       43%
Beto Richa                  28%
Flávio Arns                 17%

Somente dois senadores serão eleitos.

Beto Richa, como se pode ver, estava em segundo lugar, portanto, ia ser eleito com Requião, este em primeiro lugar.

Preso e desmoralizado (a mulher dele foi presa também, foi para desmoralizar mesmo), Richa agora está fora do páreo.

O terceiro lugar então passará a ser o segundo colocado e, assim, será eleito.

Quem é ele?

Flávio Arns.

Não tô dizendo que esse Moro é danado.

Preciso que nem um relógio suíço.

Tudo dele é bem programado.

Em cima das eleições!!!

Ah, sim, quase esqueço.

Você sabe quem é Flavio Arns?

Veja a matéria do GGN.

Prisão de Beto Richa favorece aliado de Rosângela Moro na eleição do Senado

Rosângela Moro e Flávio Arns

Foto divulgada pela equipe de Flávio Arns em 2014, no Flickr. Da esquerda à direita:
Rosângela Moro, esposa do juiz Sergio Moro e atual procuradora da Federação das
APAES; a então presidente da Federação Nacional das APAEs, Aracy Lêdo e Flávio Arns

No dia em que o PT deve fazer a substituição oficial de Lula por Fernando Haddad na disputa presidencial, o Ministério Público Federal e Estadual no Paraná, junto com a Polícia Federal e a Justiça estadual e federal, deram à imprensa uma outra pauta para ocupar o noticiário: a prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

O que a maior parte dos veículos da grande mídia tem esquecido de contar aos seus leitores é que a prisão de Richa, a menos de 1 mês da eleição, favorece um aliado de Rosângela Moro, esposa do juiz federal Sergio Moro: Flávio Arns, ex-presidente da Federação Nacional das APAEs, que tem como procuradora jurídica a primeira-dama da Lava Jato.

GGN já produziu uma série de reportagens sobre as ligações entre Rosângela Moro, os Arns, as APAEs e o governo do Paraná. Acesse por aqui.

Richa e sua esposa, Fernanda, foram presos nesta terça (11), em Curitiba. A ordem, de acordo com o Estadão, partiu da Justiça estadual, não de Moro, na operação Patrulha do Campo.

Mas a Lava Jato sob Moro também colocou nas ruas uma mega operação, batizada de Operação Piloto, com cerca de 180 agentes cumprindo 36 ordens de prisão, busca e apreensão e outras diligências, contra aliados do ex-governador tucano.

Ou seja: a investida contra Richa ocorre, simultaneamente, em duas frentes.

Antes das 10h, o Estadão já havia publicado uma série de reportagens a respeito da Operação Piloto, incluindo trechos de delações premiadas e documentos utilizados para sustentar a tese de que houve um suposto esquema de corrupção no governo do Paraná e pagamento de propina por parte da Odebrecht, em 2014, por obra envolvendo a “duplicação, manutenção e operação da ordovia estadual PR-323”, uma PPP (parceria público-privada).

Desde a semana passada, Joaquim de Carvalho, no DCM, tem chamado atenção para a investida da Lava Jato contra Richa.

As pesquisas de opinião feitas nos últimos tempos vinham indicando que Richa tinha condições de ganhar uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná. Ele aparece com 28% das intenções de voto, atrás apenas de Roberto Requião (PMDB), com 43%.

Com a candidatura de Richa atacada pelo Judiciário e MP, quem sai beneficiado na corrida pelo Senado é Flávio Arns, ex-vice-governador do Paraná que está filiado à Rede de Marina Silva, e tem 17% das intenções de voto.

A família Arns confere à advogada Rosângela Moro algumas parcerias profissionais. Ela é procuradora das APAEs (Associações de Pais e AMigos dos Excepcionais), “que têm na pessoa de Flávio Arns sua maior liderança”, segundo o DCM. Ele já foi presidente da instituição algumas vezes e, até o ano passado, era do conselho consultivo.

A relação de Rosângela, que ainda hoje é a procuradora jurídica da Federação das APAEs, com a família Arns não para por aí. Ela também integrou equipe do advogado Marlus Arns, sobrinho de Flávio. Marlus foi advogado de delatores na Lava Jato, que foram homologados por Sergio Moro, a despeito da relação com a esposa.

Obs. do Falando da Vida – Que não digam que não foi Moro quem mandou prender, mas a justiça estadual do Paraná. São analfabetos políticos, mas não podem querer zombar da inteligência dos outros.

O que fazer com o coto pulpar?

Coto pulpar

Por Ronaldo Souza

No princípio, era a Polpa.

Nela, o Coto Pulpar.

Sagrado, intocável.

Todas as técnicas de instrumentação, soluções irrigadoras e materiais obturadores lhe deviam reverências.

Da sua sobrevivência dependiam os endodontistas.

Surgiram então os deuses do olimpo.

Fizeram-se novas leis e tratados.

Rasgando o velho testamento, disseram os deuses:

“O coto pulpar não serve para nada”.

Arranquem!

Chamemos de Natureza o universo que compõe toda a estrutura fisiobiológica do corpo humano.

Ela, a Natureza, mais uma vez, falhara ao criar um tecido que não tem função.

Um peso na vida do endodontista.

A Natureza é assim, cheia de falhas.

Mas, ainda bem que existe o endodontista que, na sua humildade, mais uma vez estava ali, pronto para corrigir os erros dela.

O endodontista gosta desse papel de corretor da Natureza que se atribui e desempenha com frequência.

Os tecidos periapicais, por exemplo, como qualquer tecido do corpo humano não gostam de ser agredidos.

O endodontista, entretanto, na sua onisciência, não concorda com essa fixação tola de preocupação com a fisiologia tecidual.

Diante, por exemplo, da recomendação de se evitar extravasamentos de materiais obturadores para os tecidos periapicais, pela reconhecida agressão que isso causa aos tecidos, os deuses estabeleceram que não só podiam como deviam promover esses extravasamentos.

Assim foi dito, assim tem sido feito.

Surplus'''

Não se tem conhecimento de uma agressão desse porte intencionalmente provocada em qualquer outra área da Saúde.

O que haveria por trás disso?

Os pastores dessa nova seita saíram então pregando no Facebook e Instagram, seus templos prediletos, e mesmo em salas de aula.

E assim surgiu o novo testamento.

Que entre outras coisas decretou a extinção do coto pulpar.

E nós, pobres mortais, como ficamos?

Com o velho ou o novo testamento?

Ou criamos outro?

O sagrado coto pulpar

Nos primórdios, contínuas modificações ocorrem quando a papila dental vai se transformando em polpa.

Esta, ainda jovem, vai se modificando no seu ser e definindo suas características.

Um passeio por ela nos mostrará que nas suas porções mais coronárias ela é mais celularizada, característica que vai perdendo à medida que caminhamos em direção ao terço apical, onde é menos celularizada.

É justamente ali que fica o coto pulpar.

Partindo da premissa de que tecidos menos celularizados apresentam menor potencial de defesa e reparo, é ali, no terço apical, onde a polpa se mostra mais vulnerável a ataques e agressões.

Podemos deduzir então que o coto pulpar é a porção tecidual mais frágil da polpa, com menor potencial de defesa e reparo.

Sendo assim, as agressões mecânicas e ou químicas inerentes ao tratamento endodôntico poderiam leva-lo à necrose.

Coto pulpar necrosado era sinônimo de fracasso do tratamento.

Tão frágil, tornou-se intocável, sagrado.

Por outro lado, a sua preservação era garantia de sucesso do tratamento endodôntico.

“A reparação não se produz quando não se preserva a vitalidade do coto pulpar”.
Mario Leonardo

Estabeleceu-se então que a preservação da vitalidade do coto pulpar era compromisso obrigatório do endodontista e razão do sucesso do tratamento endodôntico.

O famigerado coto pulpar

Se podemos deduzir que o coto pulpar é a porção tecidual mais frágil da polpa, com menores chances de reparar, por que então preserva-lo, correr os riscos de perde-lo por necrose e, como consequência, perdermos o caso?

Não lhe parece lógico o questionamento?

Esse foi o argumento, quem sabe o mais forte, para que fosse condenado ao extermínio.

Surgiam ali os exterminadores do futuro.

O do coto pulpar.

Aquela Endodontia que falava da importância do coto pulpar ia sendo assim sepultada, sem honras e glória, como costumam fazer os moderninhos*.

Aceito de imediato como um grande avanço, o movimento dos moderninhos da Endodontia se alastrou pelo país.

Falar de preservação do coto pulpar era ser taxado de ultrapassado.

A comunidade endodôntica passou então a ser dividida em duas categorias; os adeptos da preservação do coto pulpar e os defensores do seu extermínio.

As pessoas gostam de criar essas divisões. Sentem-se valorizadas e precisam disso.

É compreensível, são carências e assim precisam ser entendidas.

Além disso, no caso da Endodontia, vira peça de marketing.

“Ah, você ainda é da época do coto pulpar”!!!

Aí acham que marcaram aquele profissional com as cores do inferno e ele agora “tá desgraçado”, como diz Ariano Suassuna.

Ah, você ainda é da época do hidróxido de cálcio”!

Lembra?

A mesma coisa.

O que é coto pulpar?

É comum aprendermos em cima do que é certo ou errado.

Rotulam-se como modernos e avançados e aí criam coisas “modernas e avançadas”, claro.

Mas, com a cabeça no passado, dogmatizam; ou é assim ou está errado.

Se você trabalha apoiado no conceito de certo e errado, é certo que você está errado.

Ensina-se a técnica de instrumentação, indicam-se os instrumentos que devem ser comprados, determinam-se a técnica e materiais para obturar o canal, protocolos são definidos e tudo está resolvido.

Não deu certo?

Você fez alguma coisa errada.

Não tem outra.

Venha comigo.

O coto pulpar não é coto pulpar.

Alguém pode dizer; ah, já sabemos disso.

Não parece.

A imagem acima no começo do texto foi gentilmente cedida pelo Prof. Roberto Holland há muitos anos, final dos anos 80, quando eu ainda nem sonhava em ser professor. Guardo-a com carinho pela gentileza de alguém especial, o professor Holland.

Trata-se do terço apical de um canal evidenciando o coto pulpar. Fiz nela algumas sinalizações para facilitar a compreensão do texto, como você pode ver abaixo.

Coto pulpar'

Os círculos amarelos dizem que ali estamos em tecidos que não “pertencem” ao canal, estão fora dele. São tecidos periodontais, mais precisamente, ligamento periodontal.

O círculo verde está “dentro” do canal, portanto, aquele tecido “faz parte” dele.

Constitui o coto pulpar. Por representar a porção mais frágil, indefesa e apresentar baixa capacidade de reparo, como ficou estabelecido deve ser removido.

Perceba, porém, que esse tecido é muito parecido com aquele que está fora, o dos círculos amarelos. A semelhança é muito grande, pode-se dizer que é igual.

Na verdade, não é só igual, é o mesmo, exatamente o mesmo. É o tecido periodontal que invagina para o canal.

Em outras palavras, aquele tecido que está “dentro” do canal e representa o coto pulpar não é constituído por polpa, mas por tecido periodontal.

Sendo assim, quando se diz que o coto pulpar necrosou, na verdade quem necrosou foi o coto periodontal.

Ou estou errado por chamar de coto periodontal um remanescente tecidual constituído de tecido periodontal?

Ora, professor, digamos que seja, mas que importância isso tem? Se vai necrosar, terá que ser removido do mesmo jeito.

Será?

Podemos colocar da seguinte forma.

  1. O fato de ser coto pulpar ou coto periodontal muda alguma coisa?
  2. A necrose daquele tecido impede o reparo?

Veremos.

A expressão moderninhos foi usada neste texto para não confundir com os modernistas do movimento cultural conhecido como Modernismo no Brasil, cujo marco inicial foi a Semana de Arte Moderna, em 1922. Absolutamente nada a ver em termos de horizontes, postura e proposta.

O teclado da minha mente

Cabeça quente

Por Ronaldo Souza

Como é bom sentar e ver o tempo passar.

Como é bom ter tempo para ver o tempo passar e observar.

Ver e ouvir.

Diante de tanta coisa, como é bom aprender.

Mas, por que dói?

Por que os anos não se tornaram bons conselheiros e acalmaram meus pensamentos?

Ao contrário, fizeram-me ver.

Nada pior.

“Se tivesses olhos para ver o que sou forçado a ver todos os dias, também quererias ficar cego”.
José Saramago

Por que fizeram isso comigo?

Nomes, gestos e atos que passam repetidas vezes à minha frente?

Que desfile estranho e incômodo é esse?

O que quer me dizer?

Os nomes surgem nas teclas do computador como que uma corrente que arrasta a tudo e a todos.

Uma corrente, porém, contida.

Por que, ao contrário das correntes, que tudo arrastam e destroem, essa me prende e me faz passivo?

Correntes e correntes.

Que arrastam e que acorrentam.

Oh, Deus, por quanto tempo ainda terei que suportar a inércia que impede o livre movimento das minhas mãos na tentativa de expressar o que a minha mente liberta e reprime?

Por que essa tortura?

Quando se acenderá aquela ínfima fagulha que fará explodir o meu cérebro, libertando-o dos grilhões da convivência profissional?

Quando finalmente terei a coragem para denunciar farsa e farsantes que se auto afirmam diante dos meus olhos?

Que dizem o que se quer ouvir.

Evangelistas do óbvio.

Doutrinadores.

Que, pequenos, fazem alunos do seu tamanho.

Eles estão aqui, do meu lado!

Basta que eu dê dois passos.

Oh céus, oh vida!

“Yuppies”

Yuppie''

Por Ronaldo Souza

Outro dia assisti a um belo debate sobre Evidências Científicas em Medicina.

Todos médicos, eram três professores; um baiano, um sergipano e um terceiro que prefiro não dizer o estado de origem.

Nada contra ele e muito menos seu estado, pelo contrário, me pareceu também competente, mas com um detalhe sobre o qual falarei mais tarde e por isso prefiro preservar sua identificação. Direi apenas que é “lá do Sul”, jeito de dizer de alguns quando querem falar de alguém que pode ser tanto do Sul quanto do Sudeste. Assim, você que está me lendo não terá ideia de onde realmente ele é.

Sem o dom da comunicação ao ponto de destacá-lo na apresentação, o professor de Sergipe esteve muito bem, pela competência, conhecimento do tema e abordagem que fez. Muito interessante.

Digo isso porque o professor da Bahia, que eu não conhecia, este sim, foi simplesmente brilhante.

Conhecedor do assunto, domínio da palavra, grande fluência, palestrante raro.

Via-se ali um professor de muita qualidade, dando uma bela aula e com respostas objetivas e bem colocadas durante o debate.

Outra coisa também me chamou a atenção; o real compromisso com o tema.

A competência, compromisso e fidelidade ao tema foram suficientes para que ele fosse o grande destaque, mostrando toda sua independência ao atacar pontos importantes que precisavam ser apontados. Sem qualquer tipo de vínculo que não fosse com a Medicina.

O “sulista”, insisto, também mostrando conhecimento do assunto, teve uma boa participação.

Mas tudo nele cheirava a preocupação em se mostrar “moderno”.

Para entender bem esse moderno, recorro a uma expressão em inglês; up to date.

Interessante, não? Para me fazer entender melhor em português, recorro ao inglês.

Aliás, que ele usou e abusou.

Foi muito “up to date” pra lá, “odds ratio” e outras expressões pra cá!

Sabe o cara moderninho?

Ele me fez lembrar de um tipo que surgiu ali pelos anos 80 e ganhou muito destaque, sendo motivo de muitas reportagens e capas de revistas importantes, aqui e fora do Brasil.

O “yuppie”.

Vamos ao Wikipédia.

“Yuppie é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano.

É um termo usado para se referir a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta.

Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. O termo também passou a ser utilizado no Brasil e em Portugal sem tradução, e com o mesmo significado adotado na língua inglesa”.

Em primeiro lugar, pode estender mais a faixa etária, vai além dos quarenta e pode até surpreender no seu alcance.

Uma expressão (gíria) também utilizada para esse tipo de profissional é “Ambitious Young Professional”, ou seja, Jovem Profissional Ambicioso.

A ambição é enorme e nada a detém.

Passam por cima de qualquer coisa.

Objetivo!

Notoriedade.

Ambas expressões ganharam conotação pejorativa. Seria difícil evitar que isso acontecesse.

Para muitos deles, a forma será sempre mais importante do que o conteúdo e não é incomum que sirva para disfarçar a ausência deste.

O conteúdo, quando existe, costuma ser para dourar a pílula, dar-lhe mais colorido. O colorido chama mais a atenção e põe mais em destaque.

Causar.

Este é o lema.

Tendo surgido ali pelos anos 80, os yuppies não se foram, apesar de assim às vezes parecer.

Continuam por aí compondo alguns segmentos sociais.

O alto custo das eleições

Bolsonaro eleito''

Por Ronaldo Souza

De acordo com os membros do iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez), a pesquisa que tinha acabado de sair dava Bolsonaro com 88% das intenções de voto. “Todos os outros juntos”, incluindo o nine apedeuta preso, tinham 12%.

Bastaria uma análise bem simples, uma só, para se perceber a sensatez, inteligência e sensibilidade existentes nesse percentual, fruto de uma mente bastante rudimentar.

No texto que então escrevi sobre isso (veja aqui), eu disse;

Observe que o IBOPE nem saiu ainda.

O Vox Populi deve sair antes dele e do DataFolha.

E afirmei.

E quando o IBOPE sair não vai confirmar essa ‘notícia’. Como é que fica?.

O IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) saiu e realmente não confirmou aquele percentual, tampouco o fizeram o Vox Populi e o DataFolha.

No pouco tempo de que disponho, nem sempre posso ou mesmo quero escrever sobre determinados temas.

No momento, política é um deles.

O nível dos comentários é um horror, baixíssimo, o que torna qualquer diálogo impossível.

Cansado disso, deixei de lado, nada escrevi.

No entanto, é muito difícil ficar indiferente a tanta estupidez e canalhice, ainda mais quando estas dão as mãos e saem por aí agredindo a tudo e a todos. Diante disso, vamos aos fatos.

Bolsonaro 88% foi divulgado pelo iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez) em 24/07. Uma semana depois, 02/08, a pesquisa do IBOPE foi divulgada.

Aqui está ela.

Ibope'

Como se vê, Lula tinha 33% e Bolsonaro 15%, menos da metade.

De onde teria saído aquele percentual?

Claro, do iBope, o instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez.

Quanto à minha preocupação “E quando o IBOPE sair não vai confirmar essa ‘notícia’. Como é que fica?, claro, era e é tola.

Eles não estão nem aí. Nada mais importa.

O que se conhece hoje como fake news, insisto, é pura canalhice.

Nesta semana vi outra.

Não sei se detectada mais recentemente por algum outro “instituto de pesquisa” ao qual só eles têm acesso, foi postado que Bolsomito teria 75%.

Bolsonaro eleito'''

“Jênios”.

Divulgam com fogos e banda de música o que seria uma queda absurda, de 88% para 75%.

Em apenas um mês.

Eles não percebem.

Aliás, nada percebem.

No mesmo dia, porém, saiu mais uma pesquisa do IBOPE, a que está aí embaixo.

Ibope nacional 20.08.2018

Lula subiu ainda mais e tem mais que o dobro de Bolsonaro 88.

Logo em seguida, nesta quarta-feira (22/08) foi divulgada aquela que vem sendo apontada como a mais completa até agora, a do DataFolha.

As pesquisas de modo geral são realizadas num universo de pouco mais de 2.000 pessoas. Esta, do DataFolha, foi realizada num universo muito maior; 8.433 entrevistados.

Veja o que diz.

DataFolha 22.08

Não gosto de falar de pesquisas e raras vezes faço isso, como você que me lê já deve ter percebido. No entanto, fica difícil suportar as bobagens ditas.

Mas o que elas estão mostrando é que Lula está a cerca de 2 pontos de ganhar no primeiro turno, num evidente contraste com os 88 ou mesmo 75% dados pelos Bolsominions.

Torna-se evidente a lavagem cerebral a que estão sendo submetidos ao longo desses últimos tempos, o que trouxe danos irreversíveis ao que outrora foi um cérebro.

E isso se acentuou diante do recente episódio que envolve renomados juristas internacionais do Comitê da ONU em relação à candidatura de Lula.

Capitaneados não pelo capitão Bolsonaro, claro, (compreenda que nada se deve exigir de mentes como a do capitão), mas pela Globo, a mídia pôs de plantão os seus expoentes para emitir opiniões “orientando” aos seus seguidores como “pensar” sobre o episódio.

Assim, têm desfilado diariamente jornalistas com o peso de Merval Pereira e Sardenberg (inegavelmente, “jênios” da comunicação) apontando para a insignificância da ONU.

Nesse concurso de pérolas a serem ditas e escritas, outros se esmeram nas suas interpretações do episódio.

Eliane Cantanhede, por exemplo, colunista do Estadão, caprichou ao chamar o Comitê de Direitos Humanos da ONU, integrado por alguns dos mais renomados juristas internacionais, de “comitezinho”.

Nesse deserto, o poder judiciário do Brasil, em consonância com o momento, comemora os dias felizes que vive o país soltando os pulmões com a cantora Alcione, tendo à frente Carmen Lúcia (presidente do stf) e Raquel Dodge (procuradora geral da república).

Certamente, um gesto grotesco e de nenhum bom senso.

Elas nada sabem sobre o samba, um sentimento nacional.

Mas temos sim que lutar para não deixar morrer o samba no país em que quem o criou, o seu povo, vive excluído e infeliz.

Ressalve-se que ambos, mídia e poder judiciário, enalteceram e fizeram juras de amor a esse mesmo Comitê de Direitos Humanos da ONU em outros momentos.

Veja trechos da matéria do jornalista Joaquim de Carvalho, no DCM

A imprensa, que praticamente ignorou o comitê de direitos humanos da ONU no episódio da decisão favorável a Lula, deu destaque ao órgão em maio deste ano, quando a decisão tomada era desfavorável a Lula.

A defesa do ex-presidente havia pedido medida cautelar da ONU para obrigar o Estado brasileiro a libertar Lula, enquanto os recursos não fossem julgados pelas cortes superiores no Brasil.

O jornal O Globo deu à notícia o título “Comitê da ONU rejeita recursos da defesa contra prisão de Lula” e a publicou na página principal tanto do G1 quanto do jornal. O Estadão destacou “ONU rejeita pedido de Lula contra a prisão”.

E fez um editorial em que ataca a defesa de Lula:

“O recurso à ONU prestava-se tão somente a tentar escamotear o fato de que Lula da Silva é um criminoso comum, um cidadão brasileiro que, diante das graves acusações oferecidas contra ele pelo Ministério Público Federal, foi submetido ao devido processo legal e condenado após a apresentação de seus argumentos de defesa”.

Fez ironia diante da declaração do porta-voz do comitê de que não seriam concedidas medidas cautelares no caso de Lula.

“Resta saber se a ONU também faz parte do ‘complô’ contra o ex-presidente”, tripudiou o jornal.

A versão da ‘perseguição política’ pode mobilizar militantes, mas não órgãos sérios e apartidários.”

Vários ministros já tinham afirmado anteriormente que o Comitê está acima da lei no Brasil, entre eles Carmen Lúcia, Luis Roberto Barroso e Rosa Weber.

Ou seja, até bem pouco tempo um órgão sério e apartidário ao qual se devia obedecer, o Comitê de Direitos Humanos da ONU é agora um “comitezinho insignificante”.

Com declarações infantis e ridículas, jornalistas e poder judiciário tentam desqualificar a determinação da ONU.

A verdade é que perderam o pouco de vergonha que imaginávamos ainda lhes restar.

Os reis estão todos nus.

E cada vez mais a exibição da absurda incapacidade de Bolsonaro em produzir duas frases com alguma conexão será percebida por mais gente e é muito pouco provável que ele permaneça impune a isso.

Já está sendo comparado a Marina Silva, dizendo uma tolice para logo em seguida voltar atrás, como fez ao dizer que ia retirar o Brasil da ONU (demonstração clara e assustadora do seu total desconhecimento sobre as coisas mais elementares que envolvem as relações de um país como o Brasil) e que não ia mais participar de debates.

Ao voltar atrás e desdizer tudo, Bolsonaro mostra claramente que já não é ele quem comanda a sua campanha.

Para tornar o candidato mais palatável, estão tentando fabricar um “novo” Bolsonaro.

Ao mostrar-se assim, fraco, inseguro e desorientado, só perde apoio.

Não é à toa que a sua rejeição tem aumentado de maneira inesperada nas pesquisas (nesta semana chegou a 59%), algo que se acentuou após a sua participação no programa Roda Viva, reflexo evidente de que quanto mais tempo tem para falar pior é para ele.

Não se pode pretender que seus seguidores percebam coisas assim.

Essas mesmas pessoas, por outro lado, também não percebem que Moro é o maior cabo eleitoral de Lula.

Graças à sua insana obsessão na perseguição a Lula, desde 2015 o ex-presidente vem revertendo toda a expectativa que existia em torno dele e só faz subir nas pesquisas.

Ao se defender no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) da acusação de extrapolar e descumprir uma ordem judicial que determinava a soltura do ex-presidente Lula, Moro argumentou que a medida provocaria uma “situação de risco”.

Ao usar essa argumentação, o juiz claramente sinalizou que imagina que, como seus seguidores, todos perderam a capacidade de pensar.

Não percebem também que Moro já foi descartado, algo de que já falei algumas vezes, a última quando disse que ele seria o próximo bagaço de fruta a ser jogado pela janela.

Confira.

Já digo há algum tempo que o juiz Sérgio Moro é um homem limitado.

Disse também lá no começo, quando o circo começou a ser armado, que ele sairia menor na sua empreitada e que, como o ex-ministro Joaquim Barbosa, seria mais um bagaço de fruta chupada a ser jogado pela janela.

Ao dizer isso, o que muitos irão pensar?

Quem ele acha que é para chamar de limitado um juiz de Direito, ainda mais quando esse juiz é o Dr. Sérgio Moro?

Por algumas razões, não perderei tempo com isso.

Sérgio Moro é sim um homem de horizonte intelectual curto e, como homem do Direito, desmoralizado.

Por razões óbvias, os seus seguidores não perceberam e não perceberão, mas Moro sabe o quanto já foi derrotado pelo advogado de Lula, Dr. Cristiano Zanin. Este não só o derrota seguidas vezes, como o expõe a situações vexatórias.
(Veja o texto completo aqui Um juiz desmoralizado e perdido)

Eles não percebem os movimentos, mas cada vez isso está mais claro.

“Moro estava condenado a me condenar”

A sagacidade dessa frase de Lula jamais será alcançada por ele, Moro.

O juiz não percebeu e continuou na sua cruzada pessoal.

Não tinha chances, o inimigo sempre foi muito maior do que ele.

Também nus e absurdamente mais ignorantes estão eles, os seguidores dos reis.

Uma comprovação disso é o que parece querer ressurgir.

Alguns estão querendo trazer de volta um dos momentos mais tristes do golpe em Dilma, aquele em que se uniram em torno do deputado federal Eduardo Cunha e construíram o movimento “Somos todos Cunha”.

Foi, sem dúvida, um dos momentos mais pobres da vida brasileira nos últimos tempos.

Preservando a linha mestra da manada, o pensamento binário, algumas das mentes rudimentares que compõem o iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez) já estão ensaiando os primeiros passos nesse sentido.

Aqui e ali já se ouve.

“Somos todos Bolsonaro!”

“Somos todos Moro!”

Aproveito, modificando um pouco, o que me disse há dois dias um colega professor quando falou do desnudamento de muitas pessoas com as quais convive.

Esse será o maior legado de figuras como Moro, Bolsonaro…

A imbecilização de uma sociedade.

A incrível obsessão de um juiz que perdeu o respeito por si mesmo

Moro e holofotes

Por Ronaldo Souza

Desmoralizado já há algum tempo e agora perdido na sua obsessão, o outrora pop star e juiz Sérgio Moro parece não perceber que o seu alto índice de rejeição demonstrado pelas pesquisas é pura e simplesmente um reflexo da autofagia que se impôs.

Obstinado pela destruição de um homem e seu partido, na realidade destruiu a sua carreira que, agora se sabe, não lhe conferiria, como professor, nenhum reconhecimento acadêmico, e como juiz de Direito, o respeito que a profissão já rendeu em tempos passados. Mas que, por outro lado, também não conduziria ao ocaso que o aguarda assim que finda a missão que lhe foi dada.

Moro e Rosãngela

A cegueira que provocam os holofotes nos momentos de resplendor torna opaca a visão, mesmo quando aqueles se apagam ou diminuem a sua intensidade. A pessoa não recebe mais uma imagem clara do que deveria estar enxergando.

A matéria abaixo é antiga, de 12/08, mas, vale a pena ler para se ter uma ideia de como passam por cima de tudo, na perseguição insana, como jamais visto, a um homem.

Dia a dia só aumenta a angústia do juiz.

Veja alguns trechos da entrevista de Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal, ao Estadão.

Moro, a serviço de quem

Por Andreza Matais, no Estadão

Trinta homens do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da Polícia Federal, estavam a postos com suas armas para invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Com mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistia a se entregar.

Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, relata detalhes das negociações para levar o petista a Curitiba naquele sábado, 7 de abril. O número um da polícia se aproximou dos negociadores de Lula: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado.

Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?

Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.

Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?

No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco? 

Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós vamos entrar’. E dei a ordem para entrar. Às 18h, ele saiu.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?

Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?

Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente? 

Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura.

‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

O mal do mau é a ignorância boçal

Pedro Berenguer'

Por Ronaldo Souza

A primeira coisa que me veio à mente foi; será que o mau se perdeu de vez, foi às últimas consequências e agrediu alguém fisicamente?

Explico.

Já falei aqui algumas vezes sobre a violência galopante de Bolsonaro e sobre isso há poucos dias postei A voz da violência, texto de Janio de Freitas, na Folha de São Paulo.

É claro que a essa altura, pela obviedade, falar dessa violência e da burrice que a acompanha deveria ser absolutamente desnecessário.

Mas não é.

Os “profissionais” do IBOPE (Instituto Brasileiro de Obtusidade e Produção de Estupidez), seguidores e admiradores de Bolsonaro, continuam sem limites.

Tentando justificar a participação do “mito” no programa Roda Viva, um deles fez a brilhante ponderação acima como resposta ao comentário simples, direto e bastante lúcido do meu querido amigo, professor Marcel Arriaga.

Não assisti ao programa, mas, pelo seu padrão nos últimos tempos, tenho certeza de que Bolsonaro esteve à altura dele.

Apesar de mau, o capitão não foi mau, foi mal.

E ir mal é característica dele sempre que a ocasião exige que os seus dois neurônios trabalhem juntos, como equipe. Nessas horas, dizem que é comum ouvir-se o barulho dos dois neurônios batendo cabeça.

Mas, mau Bolsonaro não foi, como inicialmente cheguei a imaginar pelas palavras do seu fiel seguidor, um bolsominion à altura do capitão.

Pelo menos não tomei conhecimento de que tivesse agredido fisicamente nenhum dos entrevistadores.

Mau, malvado, perverso, cruel, foi justamente ele, o fiel seguidor, com a língua portuguesa.

E, por favor, que não se atribua ao corretor. Testei essa possibilidade algumas vezes e ele não entrou em ação.

A razão de viver deles, Lula, o nine apedeuta, representa uma tortura que eles se auto impõem pelo preconceito e ódio que determinam suas vidas.

Tanto o criticam pela ignorância e se expõem na exuberância da própria.

Como se alimentam disso, os subprodutos, depois de metabolizados, são dejetados sob a forma de violência e de… insensatez.

Como devem sofrer!

Ainda que, pelas próprias e claras limitações pessoais, não percebam o sofrimento e muito menos a raiz dele.

“A estupidez se coloca na primeira fila para ser vista; a inteligência se coloca na retaguarda para ver”.
Bertrand Russel