País em Transe

Por Ronaldo Souza

No ano passado recebi um link que levava a um site ou coisa assim de Bolsonaro, com uma espécie de “convite” para ver a lista dos seus seguidores, ou pelo menos de alguns deles.

Confesso que fiquei tentado, para logo em seguida desistir.

Tive medo.

Tive muito medo de ver.

Já vivi o suficiente para aprender que em determinados momentos ignorar faz bem ao coração.

O não saber nos poupa de muita coisa.

Mas foi em vão a minha preocupação e explico porque.

Os momentos de aparente estagnação ou mesmo eventuais passos para trás fazem parte do sempre caminhar para a frente da humanidade.

Este é o nosso destino; caminhar sempre.

Para a frente.

Assim se dá o processo civilizatório da sociedade.

Entretanto, esse processo, do qual faz parte a inclusão daquilo que ficou conhecido como minorias, muitas vezes não é aceito por boa parte da sociedade.

O povo brasileiro é cordial e pacífico

Esta frase foi consagrada no clássico livro de Sergio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.

Assim ficou conhecido o povo brasileiro.

Já houve até quem dissesse que o brasileiro era o último povo feliz da Terra.

Que não fosse, mas quem, de sã consciência, poderia imaginar que ele seria isso que hoje é?

Quem poderia imaginar que esse povo “cordial e pacífico” teria tanto ódio dentro de si?

De uma forma jamais vista na nossa sociedade.

Como que numa hipnose coletiva, as pessoas tiveram o seu estado de consciência alterado e se deixaram conduzir por aqueles que tomaram o controle das suas mentes cansadas e colonizadas, num processo de aculturamento absurdo e assustador.

Transformaram-se em zumbis que perambulam pelas trevas do inconsciente.

Destilam ódio e intolerância sem sequer imaginar que o que os aflige tem origem em algo que está lá dentro, bem no fundo, no âmago de suas almas; o preconceito.

Pessoas que se veem brancas e merecedoras de todos os privilégios.

Aos “inferiores”, nada.

Pessoas que, por nada desejarem e possuírem que não sejam bens materiais, desconhecem o que é construir uma sociedade minimamente justa, digna e humana.

Desconhecem o que é nação, o que é soberania de um povo.

Não são necessários links para conhece-los, porque resolveram sair de suas cavernas.

Não para ver o Sol e com ele iluminar suas vidas, mas para, das cavernas, trazerem as trevas para escurecer a vida que existia aqui fora.

Tempos difíceis, muito difíceis.

A história de um trabalho. 3ª parte

Nietzsche

Da série Histórias que precisam ser contadas. E serão

Por Ronaldo Souza

Sob o título Quando as evidências não estão evidentes, abordei em sete artigos aqui no site a questão das evidências científicas que falei no texto A história de um trabalho. 2ª parte.

Veja o que eu disse no Quando as evidências não estão evidentes 3.

Não parece elementar que toda nova proposta, toda nova ideia, toda nova concepção, todo novo instrumento e toda nova técnica surjam sem evidências que as sustentem, mas que surgirão à medida que se aceite e se estude a ideia do novo?

Afinal, novo é o que ainda não existe, está surgindo.

De modo simples e direto, como surgem as evidências?

Todas ao mesmo tempo?

Como surge a primeira?

Uma vez que uma hipótese é levantada, a partir daí é que são efetuadas as etapas que construirão as evidências.

Como podem estas existirem se a simples possibilidade de discussão é negada desde o início por professores engessados que não aceitam o que lhes contradiz?

Não, não vou procurar saber onde estão a inteligência e o bom senso desse tipo de professor.

Não podiam ser diferentes a perplexidade e a reação do professor Pécora diante do argumento daquele professor quanto à não existência de evidências para negar aquela nova concepção que acabara de ser colocada em discussão.

Pensar é Transgredir

Se todos pensam da mesma maneira e ninguém propôs qualquer tipo de mudança, como podem existir evidências sobre a nova concepção que está sendo proposta?

Como podem existir evidências sobre algo em que ninguém tinha pensado até então?

Como podem existir evidências sobre o que ninguém viu ou pensou, o que ainda está por surgir?

Como moderador do debate me arrepiei com aquela argumentação.

Era 2009.

Agosto.

Aquela argumentação não poderia partir de quem partiu, pelo menos pelo que se imaginava que ele fosse.

Fiquei chocado.

Just my two cents (Ariano Suassuna há de me perdoar).

Pensando fora da caixa

Venha comigo.

Existem inúmeras patologias com as quais a Medicina tem que lidar. A depender de com qual o médico lida a abordagem poderá ser diferente.

Independentemente desse aspecto, existe um conhecimento que se tornou um axioma em Medicina:

“Remova a causa que cessa o efeito”.

Em outras palavras, ainda que existam diversas patologias que exigem tratamentos específicos e diferentes abordagens cirúrgicas, a Medicina estabelece que, independente de tudo isso, os tratamentos específicos e as diferentes abordagens cirúrgicas têm um objetivo; remover a causa.

Os diversos aspectos de uma cirurgia devem ser analisados, estudados e reconhecidos na sua importância.

Por exemplo.

Cirurgias que envolvem mais marcadamente a estética do paciente fazem com que, além de todos os outros passos, algo simples como a sutura ganhe grande relevância.

Afinal, a depender de como e com que materiais ela é realizada, a cicatrização e, portanto, a estética do paciente, poderão ser comprometidas.

Não consta, porém, que por conta desse fato a Medicina credite a cura do paciente à sutura.

Assim, mesmo considerando uma cirurgia cujo componente estético adquire grande relevância, é, no mínimo, muito pouco provável que a Medicina estabeleça que a qualidade da sutura seja o fator determinante da cura da patologia.

A sutura não pode ser o fator determinante do sucesso.

A sutura não é o fator determinante do sucesso.

Já fez a analogia?

Não?

Então façamos juntos.

Diferentemente da Medicina, a Endodontia lida basicamente com uma patologia; a periodontite apical.

Por que haveriam de ser justamente elas, a Endodontia e a periodontite apical, as únicas especialidade e patologia respectivamente em que o axioma da área da saúde, “remova a causa que cessa o efeito”, não seria verdadeiro?

Por que a obturação do canal (a sutura) seria o fator determinante para o reparo da lesão periapical, como vem sendo dito há mais de 60 anos?

Faz algum sentido isso?

Se a chave para a cura é a remoção da causa, por que o selamento do canal seria o fator determinante para o reparo da lesão periapical e não a remoção da causa?

Qual é a patologia?

A lesão periapical.

Qual é a causa da lesão periapical?

A infecção do canal.

Quem remove a infecção do canal?

A obturação?

Claro que não.

Doutrinado pela necessidade de evidências acima de todas as coisas, inclusive da inteligência e do bom senso, o professor não conseguia escapar do engessamento a que submetera sua forma de pensar e ao qual estava preso.

Era o muro ao qual me referi no artigo anterior, ao dizer que “sabia que ia ser muito difícil ir de encontro ao que estava estabelecido para esse tema, afinal era consagrado como unanimidade”.

E como também disse naquele artigo, bati de frente com ele:

O paradigma da obturação.

Depois de ter publicado Apical limit of root canal filling and its relationship with success on endodontic treatment of a mandibular molar: 11 year follow-up, chegara a hora de sentar e escrever o segundo artigo da tríade, sobre a qual também falei no referido artigo anterior.

Onde publicar?

Se algum dia tive dúvida sobre a minha baianidade, deixei de ter.

Abençoado por Dorival Caymmi e orientado por Caetano Veloso, foi o artigo que escrevi com mais “sem pressa” até hoje.

O texto não lhe dá as mesmas condições que a apresentação oral.

A entonação da voz, a ênfase, a veemência…, nada disso é possível na escrita, onde cada palavra tem que ser medida e pesada.

Ainda mais depois que vi a recepção proporcionada ao primeiro da tríade.

Imaginei que não seria tão simples escrever esse, mais importante, mais complexo e mais definitivo.

Ao terminar notei que “passava” um pouco dos limites geralmente estabelecidos de quantidade de páginas e figuras permitidas.

Feita a adequação, mas ainda excedendo os limites, veio a dúvida de onde publicar, uma vez que a seção de Endodontia do Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, Oral Radiology and Endodontics não existia mais.

Através de um belo editorial “Are we doing enough?, escrito em Junho de 2011, Spangberg, lamentavelmente, já preparava a sua despedida rumo a aposentadoria.

Submeti a periódicos, inclusive os que havia tentado no artigo anterior.

Rejeitado.

Definitivamente, os deuses da Endodontia pareciam não gostar do tema, da abordagem, da condução do artigo, de alguma coisa eles não gostavam.

Resolvi então escrever uma “apresentação” (um arrazoado) do artigo ao próximo periódico ao qual seria submetido.

Em rápidas palavras, justifiquei-o dizendo que era possível que o texto e as figuras ultrapassassem os limites de espaço estabelecidos pelo periódico, mas acreditava que a supressão de parte de qualquer um deles tiraria a força do artigo, razão pela qual…

O editor do JADA, Michael Glick, enviou uma mensagem duas semanas depois aceitando o artigo.

JADA 3'

As tarjas pretas são para bloquear endereços que prefiro resguardar.

Não havia nenhuma sugestão para fazer correção em qualquer parte do artigo.

Nem no texto, nem nas figuras.

Havia somente uma pendência e você a vê na parte final da mensagem grifada em vermelho.

Uma vez que o trabalho não tinha sido submetido a nenhum órgão, o JADA pedia para providenciar uma autorização do Comitê de Ética para sua publicação.

Mais do que compreensível, até porque já esperava por isso.

Busquei a resolução de implantação do Comitê de Ética no Brasil; veja aqui Comitê de Ética – Resolução nº 196, 10 de outubro de 1996.

O Ministro da Saúde era o Prof. Adib Jatene, governo Fernando Henrique Cardoso.

Como já disse aqui na primeira parte deste texto, “o trabalho sobre o qual estamos conversando foi feito no meu consultório entre 1987 e 1996. Exatamente 10 anos o tempo em que foi realizado”.

O Comitê de Ética foi implantado no Brasil em 10 de outubro de 1996, ano em que conclui o trabalho. Não existia antes.

Enviei a resolução explicando do que se tratava.

Aceitaram e me pediram então que conseguisse a autorização para utilização das radiografias de acompanhamento dos casos clínicos, tendo em vista que a partir de outubro de 1986 elas tinham sido feitas já sob a vigência do Comitê de Ética.

Uma vez que não consegui imaginar qualquer dificuldade nesse sentido, pensei que tudo estava sob controle.

Não, não estava.

Para resumir e sem entrar em detalhes, o Comitê de Ética não me deu a autorização que permitiria ao JADA publicar o artigo.

Não haveria necessidade de qualquer tipo de intervenção nos pacientes.

Não haveria necessidade de novas radiografias.

Nada.

Mas, graças à recusa do Comitê de Ética em autorizar o uso das radiografias de controle dos meus arquivos, o trabalho não pôde ser publicado.

Comuniquei ao JADA que ia retirar o artigo do processo de submissão e, para minha surpresa, contei com grande boa vontade de Susan Lozinak, secretária do periódico que, sob orientação do Dr. Michael Glick (que a orientava sobre como proceder, com cópias das mensagens para mim), me deu alguns meses a mais para tentar contornar a dificuldade.

Não nego que guardo todas essas mensagens até hoje, seis anos depois.

Por que conto tudo isso?

Há razões para faze-lo, pode acreditar.

E se algum dia eu sentir que é necessário, algo que cada vez mais parece bater à porta, explicarei.

Os ventos que soprarão darão rumo às coisas.

O que não posso deixar de comentar agora é que fiquei muito chateado, claro.

Ao mesmo tempo, porém, fiquei sereno e resolvi “deixar pra lá”.

Não toquei mais no artigo.

Mas, há um final na história desse trabalho?

Há, sim.

E começo a conta-lo no próximo texto.

Obs. “Pensar é Transgredir” é o título de um dos livros de Lya Luft.

Descubra sete formas de fazer sexo sem atrapalhar ninguém

Por Ronaldo Souza

Ao que ocorre entre um homem e uma mulher, “na cama, na lama, na grama”, como canta Gonzaguinha, não cabem explicações, definições e muito menos limitações.

É algo tão grandioso que tudo é possível e permitido entre eles na intimidade desse encontro.

Tudo mais gira em torno de interesses de toda espécie e, claro, o maior deles, o que se pode ganhar de dinheiro em cima desse tema.

Tinha acabado de “entrar” na Internet e vi a chamada de uma matéria com esse título; “Descubra sete formas de fazer sexo sem atrapalhar ninguém”.

Minha mulher estava ao meu lado e mostrei a ela, fazendo o seguinte comentário; depois muitos não entendem quando se fala da enorme pobreza da mídia e da imbecilização que ela gera na sociedade.

Houvesse um pouco mais de discernimento e bom senso, bastaria ler esse título para as pessoas entenderem o que isso representa.

Não abri para ler a matéria.

Fui embora.

Ao primeiro site que cheguei, vi essa chamada para uma matéria.

Bolsonaro, imbecil por natureza

Meu Deus!

Mesmo se tratando de Bolsonaro, fiquei chocado.

Cheguei quase a acreditar que a matéria estaria forçando a barra e fui ler.

Não estava.

É tudo verdade, como diria Orson Welles.

Voltei lá para a matéria sobre o sexo bonzinho que não atrapalha ninguém, copiei o título e com ele fiz o meu.

E aí muitos podem perguntar.

Mas o que tem a ver fazer sexo com Bolsonaro?

Muito.

A idiotização de uma sociedade não pode, não deve e nunca é feita às pressas, de uma única vez.

A mídia seria extremamente incompetente, coisa que ela não é, se o fizesse assim.

Ela sabe que esse processo precisa ser lento e gradativo e por isso o faz todos os dias, contínua e ininterruptamente.

Os recursos utilizados são os mais diversos, como matérias diárias absolutamente irrelevantes, e aí entra a do sexo bonzinho e silencioso, mas que vão alimentando o que há de mais pobre na mente daquele segmento mais intelectualmente carente e mais visado da sociedade; a classe média.

O segmento onde se encontra a maioria dos profissionais liberais que fazem tremendo esforço para chegar ao patamar mais alto dos seus sonhos; pertencer ao que chamam de elite.

Uma vez que esse processo está bem estabelecido, ou seja, quando quase nada mais se percebe, aí sim ela, a mídia, lança suas bombas de estupidez para aniquilar o que ainda pode restar de sensatez e percepção nas pessoas na guerra de desconstrução de um país.

Todos sabem que o deputado Jair Bolsonaro é um dos homens mais estúpidos desse país.

Numa linguagem mais  popular e de mais fácil compreensão, o referido deputado é um homem burro.

Como deputado, tem somente 2 projetos aprovados em 26 anos.

Um recorde.

É um quadrúpede que usa duas patas para andar e as outras duas para matar, como ele próprio assume.

Bolsonaro sabe matar'

Essa ignorância poderia e deveria ficar restrita ao ambiente familiar, mas é impossível conte-la.

Bolsonaro, o filho

Essa frase do seu filho, também deputado (quem será que os elege?), deveria fazer parte de todas as aulas de gramática em todas as escolas do Brasil, para que as crianças pudessem aprender e crescer sem esses exemplos diários de pura estupidez, para não chegar em outros momentos da vida com esse nível de formação.

O português é inaceitável.

Mas o que eu gostaria mesmo é que alguém explicasse que diabo significa “extremo centro”.

E, por favor, não perguntem aos eleitores deles porque você terá que explicar antes o que é extremo e a alguns o que é centro.

Voltemos ao momento de iluminismo do país.

O outro lado do paraíso

“Quem nunca deu um tapa no bum bum do filho e depois se arrependeu? Acontece”.

Com essa frase brilhante, o deputado Jair Bolsonaro tenta justificar a ordem dada por presidentes do regime militar para matar centenas de pessoas.

Em outras palavras, Médici, Geisel, Figueiredo… mandaram dar tiros no bum bum e em outras partes dos presos da ditadura e depois, como os pais, se arrependeram de dar os tirinhos como castigo.

Aconteceu, paciência. Faz parte.

Como “um tapa no bum bum do filho”, faz parte uns tirinhos dos militares no bum bum de pais, filhos, amigos, colegas, que foram mortos pelo regime militar.

Não vem ao caso.

Devidamente comprovado por documentos da CIA (outros mais ainda virão à luz), este episódio desmascara de vez a farsa da ditadura militar no Brasil, sempre escondida da sociedade brasileira pela Globo, Folha, Estadão…

Nada poderia ser pior do que ver essa ideia viva nos dias de hoje.

Nada poderia ser pior do que vê-la viva na cabeça de jovens.

Nada poderia ser pior do que vê-la por perto rondando os nossos filhos.

Ainda que venha de um homem que assume que sua especialidade é matar, ao tentar justificar as mortes autorizadas pelos presidentes do regime militar, Bolsonaro expõe mais ainda as suas entranhas podres.

E mais uma vez mostra grande estupidez.

https://www.youtube.com/watch?v=54KUDU-u1P0

O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, de quem Bolsonaro fala com tanto entusiasmo no vídeo acima, foi um dos piores torturadores da ditadura militar.

O maior prazer dele era colocar bichos como baratas e aranhas na vagina das mulheres, como fez com Dilma Rousseff.

E naquele dia, que já se tornou uma das maiores farsas da história do Brasil, Jair Bolsonaro fez a apologia desse homem sob os aplausos de milhares de mulheres pelo Brasil.

Nada importa a essas pobres mulheres desprezadas e ridicularizadas por homens como ele, que chega ao cúmulo de transformar a própria filha em algo menor e motivo de piadinha de mau gosto.

Nada importa a essas mulheres que, por não terem amor próprio, não sabem o que é ser mulher.

Nada importa a esse ser que tem desprezo por tudo que não é homem, branco e poderoso.

Nada importa a esse digno representante de uma parcela considerável da sociedade brasileira na sua incrível degradação.

O desprezo pelos homossexuais e negros então, é doentio.

Somente o desequilíbrio mental explica tal comportamento.

Aliás, desequilíbrio já diagnosticado no seu caso pelo Superior Tribunal Militar, ainda que mantido em segredo por muito tempo.

Bolsonaro e desvio de personalidade

Não pense você que me lê neste momento que quando digo que o nobre deputado é burro, muito burro, estou dizendo que não há nele nenhum traço, nenhum resíduo, de algo que se poderia confundir com inteligência.

Há sim.

Mas, entenda.

Confundir, não chamar.

É a esperteza dele.

O “mito” sabe muito bem que cada vez que abre a boca e nos brinda com essas pérolas ele consolida a sua imagem perante os seus eleitores.

Como isso é possível?

Vou tentar ajudar relembrando a frase de um dos mais renomados filósofos e pensadores da raça humana.

“A inteligência do homem tem limites. A estupidez, não”.
Nietzsche

“Não tem escapação”

Firmamento

Por Ronaldo Souza

Estávamos nos 15 anos e traçávamos os destinos do mundo, como costuma acontecer nessa idade.

Em determinado momento, fechou-se o semblante de um dos meus amigos e veio a sua triste conclusão:

– É, não tem escapamento.

Atônito com o que acabara de ouvir, outro, do alto da sua sapiência, corrigiu-o de imediato.

– Escapamento o que seu burro, não tem escapação.

Deu-se o impasse.

Ah, os 15 anos.

Tempo delicioso em que tudo é possível e… permitido.

O nosso vasto conhecimento sobre as coisas da vida é mostrado a todo instante.

Há um prazer incontido em exibir o quanto sabemos.

Na frente das meninas, então!

Hoje, não.

Estamos calados, introspectivos.

A sabedoria chegou.

E a sabedoria recomenda prudência.

Ninguém mais anda exibindo conhecimento sobre as coisas.

E olha que não falta onde fazer isso.

Lembro das reportagens do Canal 100, que eram exibidas antes dos filmes no cinema, mostrando as pessoas em pé na frente das bancas de jornais e revistas.

Liam as manchetes.

Só, mais nada.

Dali saiam dominando todas as informações em profundidade e prontos para exibir o conhecimento recém adquirido nas discussões que travariam com amigos e colegas de trabalho.

– Li no jornal que…

Talvez venha daí o hábito dos dias atuais de ampliar o conhecimento através da leitura… das manchetes. 

Tudo mudou.

Lembra daquele casal de um programa humorístico, em que Ofélia, depois de dizer as maiores barbaridades na frente de alguém que lhes visitava, dizia para Fernandinho, o marido?

– Fernandinho, eu só abro a boca quando tenho certeza!!!

Hoje as pessoas só abrem a boca quando têm certeza.

Bem informadas pela televisão e uma imprensa escrita de alto nível, parece que adquiriram o hábito da prudência.

Por saberem que sabem muito, parece que ficaram com medo de falar, porque sabem que os outros também sabem muito.

É a insegurança do grande saber.

Onde todos sabem tudo, é prudente não falar muito.

E escrever!!!

Já reparou como escrevem?

Quando muito, três, quatro linhas.

Há quem diga que é porque não sabem escrever.

Inveja dos maldosos.

É sabedoria.

Alguns gastam o vocabulário em comentários que levam à reflexão.

– Você é um idiota!

Pronto.

Escrevem isso como comentário sobre o texto de alguém, tomam uma cerveja, dão um arroto e vão dormir.

Felizes da vida porque mais uma vez filosofaram sob as estrelas no firmamento.

Os quase “jênios” sempre se arriscam um pouco mais.

Com comentários com a profundidade de uma piscina para bebês, adoram expressões sábias, sofisticadas e de grande sensibilidade como “coliformes fecais”, “esquerda caviar”, “petralhas”…

Acham o máximo e assim se destacam entre os seus.

Não tem escapamento.

Opa, perdão!

Não tem escapação.

É o preço que se paga por viver entre pessoas muito bem informadas, com muito conhecimento.

Diferenciadas.

Doutores.

De onde vem a força do fraco e desesperado juiz?

Por Ronaldo Souza

Enumerar as vezes em que o juiz Moro atropelou as leis brasileiras para condenar Lula é perda de tempo.

São muitas.

É bom que se ressalve que não sou eu quem diz.

Identificar as suas claras limitações intelectuais qualquer um pode fazer, basta ter o mínimo de inteligência, mas apontar a sua incompetência jurídica é tarefa para os homens do Direito.

E ela já foi apontada por inúmeros e reconhecidos juristas e professores de Direito.

Ao mesmo tempo, sendo ou não homem do Direito, qualquer ser minimamente inteligente já percebeu a indignidade da condenação do ex-presidente, particularmente nos badalados casos do triplex e do sítio de Atibaia.

Nesses casos, o juiz e seu grupo se fizeram ridículos.

Assim, o fraco do título deste texto se explica com assustadora facilidade.

Por outro lado, ainda que alguns possam encontrar dificuldade em entender o desespero do qual falo no mesmo título, ele está cada vez mais evidente nas suas atitudes mais recentes, desde quando percebeu que a sua unanimidade já se foi e a sua rejeição é maior a cada pesquisa.

Para a eventualidade de alguma deficiência neuronal dificultar o entendimento, é recomendável que se abra aqui um parêntese.

Observe que não falo de medo do juiz, mas de desespero.

O medo costuma ter a sua origem no desconhecido.

Temos medo do que não conhecemos, do que pode acontecer, do que está por vir.

É o não sabermos o que pode acontecer que nos mete medo.

Temos medo da nota que vamos tirar na prova, do que pode acontecer com os nossos filhos, do futuro…

Moro não tem medo.

Ele não tem medo, por exemplo, do seu futuro.

Quantos professores teriam coragem de renunciar ao cargo de professor na Universidade Federal do Paraná?

Nos tempos atuais, quantos fariam isso sem que lhes viessem à mente os temores naturais que os mortais enfrentam ao pensar na possibilidade de deixar um emprego, ainda mais sendo ele tão importante sob todos os aspectos?

Ao se cogitar deixar um emprego, vem de imediato uma enorme dúvida; o que nos reserva o futuro?

Essa dúvida faz o medo.

Como quer que seja e porque razão seja, estaria garantido o futuro do juiz Moro de tal maneira que desprezar o cargo de professor em uma das mais importantes Universidades do Brasil não lhe tira o sono?

Em que estaria confiando?

Além disso, a vaidade.

Tendo-a em níveis incontroláveis, por que renunciaria a ela com tamanha naturalidade?

Por outro lado, as atitudes do juiz revelam grande desespero, que ele não consegue disfarçar.

Lembra daqueles caras, amigos de Ronaldo (o fenômeno, jogador de futebol, que agora, como Romário, é fenômeno ao avesso em questões sócio-políticas) que pararam Chico Buarque ao sair de um jantar com alguns amigos?

Claramente, no seu reduzido universo aqueles caras não tinham a menor noção do que é ser Chico Buarque.

Para eles, Chico é um compositor de samba com algumas músicas de sucesso, como outro qualquer.

Pelas suas evidentes limitações intelectuais e uma absurda ignorância sócio-política, também é natural que Moro não perceba a dimensão das coisas.

Na sua falta de noção e obcecado por cumprir a missão que lhe foi dada, o juiz não tem a menor ideia do que é ser Lula.

Para ele, Lula é apenas o nine.

Lula velório Marisa

Moro não tem, ou não tinha, a menor noção do tamanho de nine.

Latuff, Lula e Moro 1

No seu reduzido universo, certamente o imaginava do mesmo tamanho que os ten que ele conhece e a quem trata tão bem, como Aécio, FHC, Alckmin, Serra, Doria…

O melhor sorriso

Oh, vida, como és bela, prazerosa e sedutora.

Como és amiga e nos traz de volta o melhor da nossa vida.

Como nos traz de volta aquele sorriso espontâneo e encantado da adolescência quando diante dos nossos ídolos, dos nossos heróis, das nossas referências.

Aquele sorriso adolescente e espontâneo que brota resplandecente quando estamos entre os nossos.

Moro e PSDB

Moro e Globo prêmio

Moro na Globo

Moro e o poder

Encantador.

No roteiro que foi dado a Moro, há uma patente preocupação com o tempo e este tem prazo de validade.

As eleições de 2018.

Mas, independente disso, entre tantos absurdos promovidos pelo juiz, ele cometeu um pecado grave e imperdoável.

Na sua estupidez, ele arrastou milhares de pessoas.

Senão vejamos somente alguns dos seus feitos mais recentes.

1. Um juiz de primeira instância que grampeia, grava ilegalmente e entrega à Rede Globo a conversa da presidenta da república (Dilma) do seu país com um ex-presidente (Lula).
Para facilitar a compreensão dos iletrados doutores, imaginem o que aconteceria se um juiz nos Estados Unidos grampeasse, gravasse ilegalmente a conversa entre Donald Trump e Obama (respectivamente presidente e ex-presidente do nosso país irmão) e a entregasse a um sistema de comunicação. No mesmo dia ele seria preso.

2. Com que intuito um juiz se faz tão pequeno e grava conversas telefônicas familiares de uma mulher (D. Marisa Letícia, mulher de Lula) com seus filhos e netos se não o de expor e humilhar toda a família, incluindo aí crianças em idade escolar, e entrega as gravações à mesma emissora?

3. Um juiz que desrespeita a mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) e descumpre suas decisões, a mais recente a de não enviar os processos de Lula para a justiça de São Paulo, estado onde ficam o triplex e o sítio de Atibaia.

4. Um juiz que desrespeita decisões do Superior Tribunal de Justiça.

5. Um juiz que desrespeita decisão do Pleno da Corte da Espanha e fere acordo internacional em caso de extradição.

6. Um juiz que desrespeita decisão do Pleno da Corte de Portugal e fere acordo internacional em caso de extradição.

Há pelo menos duas questões a se considerar.

  1. Em que país do mundo isso seria possível e sob que interesses?
  2. De onde vem tamanha força de um simples juiz de primeira instância?

Entende agora porque eu disse que Moro arrastou milhares de pessoas para a estupidez total?

Somente a estupidez total explica não perceberem que ele, Moro, é um herói de barro que defende uma causa que não é a de seu país.

Somente a estupidez total explica não perceberem que ele é simplesmente peça de um jogo cujo controle está em outras mãos.

Somente a estupidez total explica não perceberem que o controle sequer está nas mãos da Globo, que representa outra peça desse mesmo jogo, esta sim, fundamental para o seu bom andamento.

Somente a estupidez total explica não perceberem que Moro e Globo estão sob um controle remoto que movimenta as peças à distância.

Somente a estupidez total explica não perceberem que esse processo teve início no Mensalão com Joaquim Barbosa.

Somente a estupidez total explica não perceberem que Moro e Carmen Lucia são meras peças que dão continuidade a esse processo.

Somente a estupidez total explica não perceberem a coincidência de justamente Joaquim Barbosa, Moro e Carmen Lucia ganharem o “Prêmio Faz Diferença” da Globo.

Somente a estupidez total explica não perceberem as implicações e consequências que fatos como esses trazem para o país.

De onde vem toda essa estupidez?

Como essas pessoas a suportam?

E como não se dão conta de quão tolas são?

Ou não são tolas e há outra razão para agirem assim?

Há pouco tempo a imprensa brasileira divulgou que assim que terminar a sua missão na Lava Jato, o juiz Moro vai morar nos Estados Unidos.

Assim, claro, não há porque o juiz temer alguma coisa.

Se há algo que não faz parte da vida do juiz Sérgio Moro é o medo do futuro.

Isso, porém, não costuma ser suficiente para evitar o desespero pela desmoralização pessoal.

Obs. Em ambos os casos de extradição, o juiz brasileiro foi conduzido à sua insignificância. Diferentemente do Brasil, os Superiores Tribunais de Justiça da Espanha e de Portugal não têm compromissos que não sejam com as leis dos seus países, razão pela qual ignoraram o desejo de Moro.

A história de um trabalho. 2ª parte

Obturação'

Da série Histórias que precisam ser contadas. E serão

Por Ronaldo Souza

Bati de frente com um muro chamado paradigma.

O paradigma da obturação.

Sabia que ia ser muito difícil ir de encontro ao que estava estabelecido para esse tema, afinal era consagrado como unanimidade.

Todos os autores, nacionais e internacionais, ensinavam que se o canal não fosse hermeticamente vedado o resultado final do tratamento endodôntico a ser esperado era o fracasso.

Era consensual: “A obturação é o fator determinante do sucesso em Endodontia”.

Obturação''

Mas eu não tinha mais nenhuma dúvida de que esse conceito de mais de 60 anos era um grande equívoco.

Antes de ver porque, um pequeno parêntese.

Se alguém pegar o meu currículo quando comecei a entrar de vez na carreira docente (ali por volta de 2000), vai observar que já os meus primeiros artigos são sobre preparo do canal, “limpeza do forame” (como eu chamava à época) e obturação.

Se esse alguém ler os artigos verá que em todos, TODOS, enfatizo o papel do preparo do canal e questiono o papel da obturação.

Questiono o limite apical da obturação, travamento do cone, vedamento hermético, importância do cimento…

Convido-o a ler alguns deles aqui Publicações (permita-me orienta-lo; para ver na ordem cronológica em que foram publicados leia os artigos da parte de baixo da seção para cima).

Não espere encontrar metodologias bem delineadas e sofisticadas. Muito pelo contrário, os trabalhos eram muito simples e tinha plena consciência disso.

Eu era um clínico dedicado exclusivamente ao consultório e, portanto, com muito pouco conhecimento de metodologias de pesquisa.

Além disso, não tinha acesso a nenhum laboratório.

Era simplesmente o desejo de mostrar como pensava aquele professor que dava os primeiros passos no mundo da docência.

Reconheço que seria normal e de uma certa forma até compreensível que os artigos não fossem “considerados” pela comunidade endodôntica.

Entretanto, para quem quis ler, já havia ali os primeiros sinais do que estaria por vir.

Quando fui para o mestrado (com 20 anos de formado), por exemplo, já tinha em mente o que fazer. A minha dissertação, publicada no artigo Interferência da camada residual no selamento apical, foi o primeiro teste.

Aproveito para fazer duas considerações.

  1. O Journal of Endodontics fez um editorial em dezembro de 2007 em que dizia que a partir de julho de 2008 nenhum artigo sobre avaliação da qualidade da obturação através de métodos de infiltração apical seria aceito. De corante nem pensar.
  2. A avaliação da qualidade da obturação através desses métodos foi então rejeitada por pesquisadores e professores.

Meu recém inaugurado laboratório de pesquisa, constituído por um frasco de corante, era o meu consultório e só funcionava, claro, aos sábados e domingos.

O único método ao meu alcance era justamente… infiltração apical de corante.

Assim, a minha também recém inaugurada carreira de “pesquisador” estava condenada.

O que fazer, então?

Uma vez que eu não tinha nenhuma estrutura que me permitisse investigar a real participação da obturação no processo de reparo, resolvi recorrer a algo que tinha feito no meu consultório; analisar se havia alguma relação entre o limite apical da obturação e o reparo de lesões periapicais.

Um dos temas mais polêmicos em Endodontia.

Resolvi escrever e publicar o trabalho que fora iniciado em 1987 e concluído em 1996, exatamente 10 anos.

O mesmo cujos resultados já vinha mostrando Brasil afora e que vinha tendo rejeição ampla, total e irrestrita por parte de toda a comunidade endodôntica do país.

Para dar um exemplo, em um debate em 2009 em que alguém da plateia fez uma pergunta sobre a forma como eu vinha abordando o limite apical de trabalho e particularmente o papel da obturação, um dos professores negou a validade da minha concepção sob o argumento da ausência de evidências científicas.

Um breve comentário; a colega que fez a pergunta me procurou no intervalo do debate para dizer que tinha visto minha aula em Curitiba e tinha gostado da abordagem que eu apresentara, tanto sobre a instrumentação do canal cementário quanto da obturação. Por isso ela tinha feito questão de colocar o tema para a discussão.

Logo após a negação daquele professor, o professor Pécora, à frente no tempo e no discernimento, foi enfático:

“Então ninguém pode ir além do que está estabelecido? Ninguém pode ter a ousadia de mudar os conceitos”?

A vida seguiu.

Resolvi então partir para a primeira publicação, que pretendia ser parte de uma tríade, com mais dois artigos que lhe sucederiam.

Nuvens pesadas

Tentei publicar em dois periódicos de “impacto”.

Os dois rejeitaram.

Em 2011, publiquei no Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, Oral Radiology and Endodontics.

O editor era Lars Spangberg.

Triple Oral

A aceitação do artigo foi rápida (duas semanas), mesmo sendo tempo de Natal e Réveillon, como você pode observar no grifado em vermelho e verde na imagem acima.

Ainda bem que “caiu” nas mãos de Spangberg.

Se tivesse caído nas mãos de dois revisores brasileiros o artigo não só teria sido recusado como esquartejado, salgado e exposto em praça pública, devidamente carimbado:

Pior artigo do mundo

Por que digo isso?

Porque dois professores aqui no Brasil se juntaram e quase me levam ao suicídio.

Um deles pediu ao outro para fazer uma análise crítica sobre o artigo.

Isso foi feito num fórum de Endodontia na Internet.

Em plena praça pública.

Confesso que quando vi fiquei sem entender.

Por que aquela atitude?

Qual seria o objetivo?

Li.

Acabara de aprender um pouco mais sobre a vida e do que alguns homens são capazes.

E corri para a janela.

Minha mulher percebeu e não permitiu que eu cometesse aquela loucura.

Isso mesmo, tentei me jogar.

Sabe em que andar eu moro?

Quinto.

Tinha alguma chance de estar aqui agora escrevendo?

Confesso que quando tomei aquela pancada fiquei muito incomodado.

A degradação de alguns homens é por demais conhecida, a vida nos mostra todos os dias.

Mas, mesmo assim, não consegui entender o objetivo daquilo.

Restava-me respirar fundo, absorver e metabolizar.

Foi o que fiz.

Sem pressa.

E à medida em que as coisas iam ficando mais claras, também foi ficando claro que era o momento de tomar decisões.

Foi então que resolvi mudar o foco de muita coisa, inclusive deste site.

No final de 2015 e começo de 2016 (perceba que se passaram 4 anos desde a publicação e sua carimbada como o pior artigo do mundo pelos nobres colegas), comecei a escrever vários textos sobre temas que sempre achei que mereciam uma discussão sob uma nova ótica.

Por conta daquele episódio, um deles foi justamente o das tão famosas e exigidas evidências científicas.

Quer conhecer melhor essa história?

Leia primeiro o artigo publicado (é só clicar nele) Apical limit of root canal filling and its relationship with success on endodontic treatment of a mandibular molar: 11 year follow-up, leia depois os textos abaixo na sequência da numeração e volte. É o tempo que escrevo a continuação deste texto.

  1. X + Y é igual a que?
  2. Um “expert” perdido entre a má fé e a obtusidade
  3. Um “expert” perdido entre a má fé e a obtusidade 2
  4. Um “expert” perdido entre a má fé e a obtusidade 3
  5. Um “expert” perdido entre a má fé e a obtusidade – final

Aviso de utilidade pública – Informo aos amigos e colegas que a tentativa de suicídio narrada acima é uma figura de retórica.

Aviso de utilidade pública 2 – Mas que eu fiquei p… da vida, fiquei.

A simplicidade do ser

Amigo'

Por Ronaldo Souza

Tão claro quanto a luz de um dia ensolarado do Nordeste, vivemos um momento em que reina a mediocridade.

O Brasil atual pertence a eles, os medíocres.

Comandantes e comandados.

Ganharam corpo e a mediocridade, que costumava ser mais recatada, está num momento de grande resplendor.

Estamos em tempos de mediocridade resplendorosa.

É o resplendor brega, sobretudo de uma classe média que busca a qualquer preço ter o que julgam ser sofisticação e requinte daqueles que eles têm como referência; a elite brasileira.

Os enófilos da classe média representam um exemplo irretocável.

E ela, essa mediocridade brega, está mais ativa do que nunca.

A simplicidade não é um objetivo.

Mas deveria ser.

A busca por ela poderia nos trazer maior capacidade de reflexão para vermos a beleza e a sabedoria do simples.

Quem sabe assim encontraríamos a forma para nos afastarmos de vez dos diferenciados que circulam entre nós, essa “massa cheirosa” como em parte bem definiu Eliane Cantanhede, então jornalista da Folha, do alto da sua grande sabedoria de membro da elite brasileira.

Diferenciados que vomitam a sofisticação e o requinte que pensam ter para tentar “despertencer” à classe média, no eterno desejo de fazer parte da elite brasileira, por sua vez também altamente “diferenciada”.

Essa busca da sofisticação e do requinte é recurso dos medíocres.

Mas é também nutriente indispensável da sua pobre dieta.

A pompa é necessária.

Fundamental.

Quanto mais “diferenciado” for o segmento social, mais necessária se torna a pompa.

Não é à toa que títulos, funções, homenagens e posições alcançadas adquirem tanta importância nos nossos currículos.

Por que muitos professores precisam dourar a pílula?

Por imaginarem que o simples é simples, por isso alcançável por todos.

E nesse todos não caberia o diferenciado; ele, o professor.

Enganam-se.

Não percebem que é no simples que está a diferenciação que tanto buscam.

Mas ser simples não é para todos.

Ser simples é algo impossível para muitos dos que estão à frente dos destinos do país, nos seus diversos segmentos.

Por isso, a pobreza generalizada, em patamar inimaginável, dos dias atuais.

De uma certa forma, a simplicidade do texto abaixo nos traz de volta a esperança.

É um nocaute no pensar tão pobre.

Por esta razão, além da justíssima homenagem a Iniesta, ficou tão bonito.

Tão tocante.

Tão digno.

Fazer o simples

Por Guilherme Cimatti, na coluna De bico com Cimatti

Iniesta

Iniesta oficializa saída do Barcelona depois de 22 anos. A coluna de hoje é sobre o craque espanhol e seu marco no futebol

Cresci idolatrando quem fazia o difícil. Ronaldinho Gaúcho era o nome da minha adolescência. E, com ele, dribles monumentais, gols extraordinários e lances geniais. Vi o craque dando três ou quatro chapéus (muitas sabem o plural da palavra “chapéu” por causa daquele lance pelo Barcelona). Ou seja: ensinou até indiretamente quando fez o impossível.

Você deve ter visto. Tem um comercial antigo em que Ronaldinho acerta três chutes seguidos no travessão. Isso sem deixar a bola cair. Explode no pau e cai na perna do gênio dos cabelos longos. Ele amortece a bola e chuta outra vez. E outra. E outra. Mas essa é a prova de que nem sempre Ronaldinho é educativo. Meu primo Raphael Chiummo, no dia seguinte, lá em 2005, tentou fazer a mesma coisa. Não aprendeu, claro. Tropeçou e caiu. Causando risada nos outros pernas de pau. Eu, inclusive. “Quem não erra é aquele que acerta”, filosofou Raphael depois da presepada.

Após uns anos, Xavi e Iniesta eram o trampolim de Messi. Messi driblava meio mundo assim como Ronaldinho. Xavi e Iniesta limpavam a área. Ajeitavam a bola. Clareavam o jogo. Deixavam Messi o mais livre possível. Desmarcavam o argentino. Ganharam muitos títulos juntos. Descobriram espaços inimagináveis.

Ninguém conseguiria cobrir o espaço de Xavi quando o tempo passou. O Barcelona novamente se reinventou, mas é fácil se reinventar quando ainda se tem Iniesta. Iniesta foi melhor do que Xavi, mas apenas diferente de Messi e Ronaldinho. Diferente na forma de ver o jogo, de dar o show, de trazer o espetáculo para si. Ele é passe; os outros são drible. Ele é assistência; os outros são gols. Ele é inteligência; os outros são decisivos. Existem menos Iniestas do que Ronaldinhos na história. E Iniesta está deixando o Barcelona.

O fantástico poeta Raphael Chiummo tinha razão: “quem não erra é aquele que acerta”. Iniesta sempre fez parecer ser fácil porque quase nunca errou. O futebol, porém, não é tão simples como o meia fazia parecer. Perder o espanhol também não é.

Al Queda do Brasil

Al-môndega ou Al-fafa'

Por Ronaldo Souza

“É impossível o diálogo entre o extremamente forte e o extremamente fraco”.
D. Hélder Câmara

Há, sem dúvidas, diálogos impossíveis.

E há, portanto, discussões que não podem acontecer.

Elas se tornam impossíveis quando há, por exemplo, diferenças flagrantes entre os interlocutores.

Entretanto, mesmo acentuadas, essas diferenças muitas vezes não são percebidas e não parece difícil entender porque.

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar”.
Galileu Galilei

As diferenças de percepção envolvem alguns aspectos.

Já dizia Ralph Valdo Emerson que “é o olho que faz o horizonte”.

São os horizontes de cada um que determinam a possibilidade do diálogo.

Nesse sentido, poucas são as atitudes que igualam a da senadora Ana Amélia, a mulher que defendeu o uso do relho no lombo “daquele povo” da caravana de Lula, certamente um povo inferior, no Rio Grande do Sul.

A capacidade de mostrar o quanto os políticos golpistas conhecem os seus eleitores parece ter ficado patente.

Há pelo menos dois aspectos a considerar.

Ou a senadora Ana Amélia é muito burra, tapada mesmo, como dizem alguns, ou muito esperta (por favor, não confunda com inteligente).

A alternativa da burrice, claro, é plenamente aceita, não está descartada.

Mas é também possível que seja uma grande esperteza, que ela teria aperfeiçoado com a imprensa brasileira.

Conhecedores que são da inteligência e sensibilidade dos seus leitores/telespectadores, a imprensa tira proveito de um público criado por ela própria à sua semelhança.

Quando William Bonner comparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson ele estava dizendo exatamente isso.

O que fez agora a mulher do relho?

Ao confundir Al Jazeera com Al Qaeda é possível que tenha vindo à tona a ignorância da senadora pelo Rio Grande do Sul, mas também é possível que tenha sido uma grande jogada.

Afinal, as eleições estão aí e ela acabou de garantir a sua reeleição ao alimentar as mentes profícuas dos seus eleitores.

Esses predestinados lhe garantirão a reeleição, como outros o fariam em qualquer estado do Brasil.

No Farol da Barra, por exemplo, aqui em Salvador, fascinados com os conhecimentos geo-políticos dela, os camisas amarelas ovacionariam a senadora na manhã de um belo domingo de sol.

Al ckmin consta, são todos assim, poços de inteligência e cultura.

Al Moro nem se fala.

O que diria, por exemplo, o grande mentor e guru deles, o nobre juiz que, desmoralizado, desMorona a cada dia?

Ele diria que adoraria se na “Câmera” dos Deputados existissem mais políticos como a senadora do relho.

A senadora Ana Amélia é uma mulher tosca, grosseira e grotesca.

Até aí nada demais, porque as pessoas não são iguais e devemos respeitar as diferenças.

Mas ela é sobretudo uma mulher violenta e isso sim é um desastre.

Desastre porque em tempos de incompreensível e injustificável violência, quando ela, a violência, parte da mulher tornam-se mais evidentes os sinais dos perigos que nos rondam.

Ana Amélia é uma mulher branca, de olhos claros, de uma região privilegiada do país, jornalista, senadora da república e que, portanto, é parte da elite brasileira, o que quer que isso signifique.

“Eu não tenho provas contra Zé Dirceu, mas vou condena-lo porque a literatura me permite”.

“Sou contra a prisão antes do trânsito em julgado, mas vou votar com o colegiado, a favor da manutenção da prisão do ex-presidente Lula”.

A autora dessas duas frases acima, Rosa Weber, é uma mulher branca, de olhos claros, de uma região privilegiada do país, ministra do Supremo Tribunal Federal, portanto, também membro da elite brasileira, foi capaz de cometer essa enorme violência contra dois brasileiros ao lhes negar um direito básico de todos os cidadão brasileiros, a presunção de inocência. Que por acaso constitui cláusula pétrea da Constituição do Brasil.

“Outro dia eu falei com um juiz do trabalho, que disse: ministra, mas a senhora não acha… Primeiro, eu não acho, eu voto, eu decido. Ele disse: eu estava falando para florear, para a senhora não ficar de mandona. Não, meu filho, eu obedeci a Madre Superior, minha mãe, meu pai, namorado, professor, agora eu mando. Adoro mandar. Eu mandei, cumpra. Mulheres, depois que passa dos 50, a gente gosta mesmo é do sim senhora, não é do eu te amo. Se tiver o eu te amo junto, aí isso é um Deus. Sim senhora e eu te amo, aí é realização total”.

Esta pérola é da ministra Carmen Lúcia, presidenta do Supremo Tribunal Federal.

Do que é capaz uma mulher mal amada e de mal com a vida?

Que tipo de sentimento passa pela cabeça de uma pessoa assim?

Estamos sujeitos às leis da Constituição do Brasil ou aos humores de ministros de tribunais que de superiores nada têm?

Al Queda do Brasil é flagrante.

A queda, o tombo, o desastre brasileiro, como queiram chamar, é enorme e de difícil reversibilidade no curto e médio prazo.

Em todos os sentidos e direções.

Como é possível haver diálogo com pessoas que, em nome do preconceito e do ódio, tornaram tão pequenos seus horizontes?

A história de um trabalho

O pensador de Rodin

Da série Histórias que precisam ser contadas. E serão

Por Ronaldo Souza

Pouco tempo depois de me formar em Odontologia, algumas inquietações já começavam a povoar a minha cabeça.

Ao longo dos anos elas só foram aumentando.

  • É possível obter a precisão de que todos falam na determinação do comprimento de trabalho?
  • Se não for possível ter essa precisão não teremos sucesso?
  • Existe um limite apical ideal para a instrumentação?
  • Se existe, qual é?
  • Será que as substâncias químicas auxiliares do preparo do canal fazem o que dizem?
  • Será que o cimento obturador desempenha os papéis que lhe são atribuídos?
  • O limite apical da obturação é fator fundamental para o sucesso em Endodontia?
  • Será que o travamento do cone de guta percha representa o que dizem?
  • É possível obter vedamento hermético do canal através da obturação?
  • O vedamento hermético é o fator determinante do sucesso?
  • Vedamento hermético existe?

Mesmo sabendo que muitos achavam que já tinham essas questões bem resolvidas, não era assim que eu via.

Há basicamente duas maneiras de se tentar obter essas respostas; investigação científica e clínica.

Deve-se ressalvar, entretanto, que seja uma ou outra, ou as duas, intuição e bom senso representam aspectos importantes nesse processo.

Aí entra em campo a imaginação.

Sim, essa mesma que, queiramos ou não, muitas vezes é podada pelos protocolos, assunto que foi tema do texto Protocolos, mal necessário?.

A imaginação nos leva ao questionamento, a fazer perguntas.

É a busca das respostas que nos leva ao conhecimento.

Foi dentro dessa perspectiva que em janeiro de 1987 fiz pela primeira vez a instrumentação do canal cementário, o que à época ficou mais conhecido como limpeza do forame.

Fui muito criticado e, ainda que superficialmente, já contei um pouco dessa história em Pondo os pingos nos is.

Portanto, agora em janeiro de 2018 fez 31 anos que sistematicamente em todos os canais com necrose pulpar, sem ou com lesão periapical, faço a instrumentação do canal cementário.

Perceba que não estou falando de ampliação foraminal, um equívoco conceitual.

Nada a ver uma coisa com a outra.

Naquele mesmo ano, mais precisamente em maio de 1987, também dei asas à imaginação para voar numa outra direção. Esta, bem mais complicada e perigosa.

Entretanto, ainda que mais complicada e perigosa, se no caso da instrumentação do canal cementário em situações de polpa necrosada era mais difícil “comprovar” a sua importância e validade, neste caso talvez fosse mais fácil.

Imaginei então.

Se eu fizer o que vou fazer em canais com polpa viva, dirão; ele deu sorte. Não deu errado porque eram canais com polpa viva.

Se eu fizer o que vou fazer em canais com polpa necrosada sem lesão, dirão; é mentira dele. Aí é tudo caso de polpa viva e ele está dizendo que é necrose.

O que me restava?

Exatamente.

Foi o que fiz.

“Fiz o que ia fazer” somente nos canais que tivessem lesão periapical.

Ocorreu-me um pensamento bem simples.

Se eu fizer o que vou fazer em casos de canais com necrose pulpar e lesão periapical e as lesões desaparecerem, ninguém poderá dizer que estou errado.

Mal sabia que estava ousando demais e mexendo em casa de marimbondo.

Trago de volta algumas das minhas inquietações lá do começo de nossa conversa.

  • O limite apical da obturação é fator fundamental para o sucesso em Endodontia?
  • Será que o travamento do cone de guta percha representa o que dizem?
  • É possível obter vedamento hermético do canal através da obturação?
  • O vedamento hermético é o fator determinante do sucesso?
  • Vedamento hermético existe?

Posso ser sincero?

Para mim nada disso tinha nexo.

Soltei então todas as rédeas que poderiam conter a minha intuição, deixei o bom senso me conduzir por onde ele bem entendesse e liberei todas as asas da minha imaginação.

Não, não se preocupe, não estou.

Não estou nem um pouco preocupado com o que vão falar do que estou dizendo e da forma como o faço.

Entenda que há muito tempo meu encontro marcado é comigo mesmo.

Com mais ninguém.

Se falei aí atrás que “soltei todas as rédeas que poderiam conter a minha intuição, deixei o bom senso me conduzir por onde ele bem entendesse e liberei todas as asas da minha imaginação”, ao longo de todos esses anos em que fui fazendo o trabalho e vendo os resultados, comecei a pensar e dizer a mim mesmo; agora comece a deixar um pouco de lado a intuição e o bom senso.

Eles, intuição e bom senso, permitiram fazer as perguntas que a sua curiosidade lhe forçava a fazer. Serviram para você.

Mas agora você vai precisar explicar uma coisa.

Por que, contra toda a literatura endodôntica, nacional e internacional, o que você imaginou estava certo?

Disse então a mim mesmo.

Explique primeiro a você mesmo, depois aos demais.

Uma vez que fiz as perguntas, ao mesmo tempo em que ia vendo os resultados dos casos clínicos aparecendo, ia paralelamente buscando as respostas.

Nessa época eu era um clínico, recém tornado especialista em Endodontia.

Sequer pensava em ser professor.

Fui buscar a explicação.

E só o conhecimento explica.

Abro um pequeno parêntese.

No momento em que a intuição me levara a algumas perguntas, que agora eu ensaiava responder, algo até então desconhecido foi despertando e me fez ficar mais inquieto ainda.

Aqueles que me conhecem mais de perto sabem que já falei algumas vezes que houve um momento em que “fechei” todos os livros de Endodontia.

Não chegou a um ano completo, mas quase isso, em que diariamente (literalmente) estudava Histologia, Patologia e Microbiologia, particularmente essas três matérias.

Foi aí que resolvi fazer mestrado (1993), já com 19 anos de formado.

Lembre.

Eu não era professor.

Fecho o parêntese.

O trabalho sobre o qual estamos conversando foi feito no meu consultório entre 1987 e 1996.

Exatamente 10 anos o tempo em que foi realizado.

Tempo em que fui escolhendo os casos, até porque tinha que ver quais os pacientes que iam aceitar que eu fizesse o tratamento deles “daquele jeito”.

Nesse tempo, quando observava os primeiros resultados iniciais ganhava força e entusiasmo para fazer os outros.

E o que era que eu estava fazendo?

Simples, bem simples.

Continuei tratando os canais como sempre fizera, inclusive os com lesão periapical. Eram preparados e obturados a cerca de 1 mm aquém do ápice radicular.

Ao mesmo tempo, porém, em alguns a abordagem foi diferente.

Tudo que faço em um tratamento endodôntico (acesso, instrumentação, irrigação com as mesmas soluções irrigadoras, patência foraminal, instrumentação do canal cementário e medicação com hidróxido de cálcio) foi feito da mesma maneira nos dois grupos. Repito, todos com lesão periapical.

Menos na hora da obturação.

Nesse momento, os canais de um grupo, o experimental, não foram obturados a 1 mm aquém, mas sim em diversas medidas, que variaram de 2 a 7 mm aquém do ápice radicular.

Em alguns casos, durante os dez anos em que os canais foram tratados, enquanto alguns eram iniciados outros já estavam sendo observados com radiografias periapicais de acompanhamento.

Alguns deles, todos do grupo experimental, foram acompanhados por longo período de tempo, o maior deles de 21 anos.

A última radiografia desse caso foi realizada em 2008.

Mesmo antes dessa data eu já mostrava esse material em vários lugares do Brasil.

Apanhei muito.

Houve um momento, em 2005, em que pensei que fossem tirar meu “couro” vivo.

Como já falei, quando comecei a fazer esse trabalho era apenas um clínico e o fiz para atender a uma curiosidade pessoal. Até porque não compartilhava isso com ninguém.

Como no “meio do caminho” me tornei um professor, comecei a pensar; um dia sento e escrevo esse artigo.

Tinha plena consciência de que não poderia ser um texto qualquer.

Ter “apanhado” por mostrar o trabalho em eventos Brasil afora me deu a exata noção do quão seria difícil torna-lo palatável num artigo.

Afinal, contesta conceitos enraizados há mais de 60 anos.

O texto não lhe dá as mesmas condições que a apresentação oral. A entonação da voz, a ênfase, a veemência…, nada disso é possível na escrita.

Nesse sentido, escrever é sempre mais difícil.

Até que um dia sentei e comecei a escrever, mas com a consciência de que não poderia permitir que a ansiedade participasse desse processo.

Escrevia e “deixava lá” assim que os primeiros sinais de cansaço e falta de inspiração se manifestavam.

Deixava e chegava até a esquecer dele.

Um bom baiano não tem pressa.

Para que tanta afobação? O futuro sempre nos chega à velocidade constante de sessenta minutos por hora”.
Einstein

Um dia terminei.

Não sem algumas vezes, claro, mudar parte do que já tinha escrito.