Por favor, expliquem melhor porque eu ainda não consegui entender. Parte 2

E agora

Por Ronaldo Souza

Gosto muito de observar os títulos que são dados aos cursos de um modo geral, palestras e conferências.

Quando ainda estávamos no século XX era muito comum ver títulos como “Endodontia do século XXI”, “A Endodontia do próximo século” e outros dos quais não lembro agora.

Em geral, de uma forma ou de outra, todos nos remetem à tecnologia; “Técnicas avançadas em Endodontia”, “Excelência em Novas Tecnologias”, “Como fazer um molar em 30 minutos”…

Quando vi lançarem um curso de “Especialização em Endodontia Estética” entendi, definitivamente, que tudo é possível.

Claro que não percebem o mal que fazem à Endodontia, mas quem disse que isso tem alguma importância?

Impactar.

Este é o objetivo.

Ouvi dizer que é recomendação dos marqueteiros que orientam alguns dentistas.

Causar.

Sensacional!

“O aluno sairá apto a realizar o tratamento de canal com lima única”.

Você leu esta frase acima no texto anterior, Por favor, expliquem melhor porque eu ainda não consegui entender. Parte 1.

É como anunciavam um curso de Endodontia.

Brilhante.

Não poderia existir uma frase mais perfeita.

Pão e circo.

Ou também não perceberam a que se reduziram alguns cursos?

É um momento nada estimulante da Endodontia.

Real diâmetro anatômico apical

O trabalho de Wu e colaboradores (2002) parece ter deixado muita gente perplexa e despertou o interesse para o tema.

Veja o que eles disseram.

“É duvidoso se a dentina pode ser removida em toda a circunferência da parede do canal pela instrumentação com três limas de maior calibre além da que ajustou no CT”.

Portanto, em março de 2002 Min-Kai Wu e colaboradores já levantavam suspeitas de que o uso de quatro instrumentos pode ser insuficiente para remover o que se deseja de dentina.

Aqui no Brasil, em 2004, Vier e colaboradores publicaram um artigo muito interessante sobre o tema (clique no título do artigo e o veja na íntegra Avaliação in vitro do Diâmetro Anatômico de Canais Radiculares de Molares Humanos, Segundo a Influência da Idade).

Bem detalhado, o trabalho de Fabiana Vier e colaboradores mostrou que o diâmetro médio a 1 mm aquém do ápice radicular dos canais mesiais dos molares inferiores e vestibulares dos molares superiores era de 0,25 mm ou um pouco mais, a depender da faixa etária.

O Prof. Pécora e seu grupo também estudaram o tema e fizeram trabalhos muito interessantes nessa linha e alertaram para o que chamaram de real diâmetro anatômico apical. Você pode ler dois desses artigos publicados em 2005:

  1. Influence of cervical preflaring on apical file size determination
  2. Influence of Cervical Preflaring on Determination of Apical File Size in Maxillary Molars: SEM Analysis

Existem diversos trabalhos que estudam esse tema, muitos deles bem elaborados, com metodologias bem desenhadas e chamo a atenção em particular para os dos autores brasileiros citados aqui. Faço isso pela qualidade dos seus trabalhos, pela homenagem que lhes presto e pelo respeito que tenho por todos eles, os bons e dignos autores brasileiros.

Mas, além disso, vou me permitir falar também de um que publiquei com o Dr. Fernando Ribeiro, cuja metodologia está longe, muito longe, a quilômetros de distância de qualquer coisa que se possa chamar de metodologia bem desenhada e muito menos de sofisticada.

Sem estrutura para fazer trabalhos de pesquisa, ainda mais como os que foram citados, ele foi feito quando eu ainda não era professor e, por isso, foi realizado no consultório em finais de semana no ano de 2000.

Como você vai ter oportunidade de ver logo em seguida ao clicar no artigo, ele foi publicado no Vol. 9 nº 6 – Dezembro 2001/janeiro 2002.

Portanto, antes do que ainda viriam a dizer Wu e colaboradores, “pioneiros” em abordar o tema, tendo em vista que o trabalho deles foi publicado em março de 2002.

Por que faço essas considerações?

Ao ler o artigo de Edward Green (publicado em 1958), percebi que tudo que eu aprendera estava apoiado em bases equivocadas.

Até então a recomendação era a de que os canais mesiais dos molares inferiores e vestibulares dos molares superiores deviam ser instrumentados até a lima 25.

Isso graças a alguns aspectos, entre os quais destaco a pouca flexibilidade dos instrumentos e o fato de que na maioria desses canais a lima que mais frequentemente se ajustava no CT era a lima K #10. Com ela, portanto, iniciava-se a instrumentação.

Como sempre foi bastante utilizada a regra do 1+3 e 1+4, tínhamos ali cumprida a obediência a ela; 10 + 15 – 20 – 25.

Analisando grupos de dentes, Green estudou a configuração anatômica dos canais e mediu o diâmetro no terço apical (a 1 e 5 mm aquém do ápice radicular respectivamente), como você pode ver em B e C na figura abaixo.

Green

Todo o artigo é muito interessante, mas vou me ater às medidas do terço apical, a 1 mm aquém.

Green diz que não encontrou nenhum canal circular a 1 mm aquém do ápice radicular (universalmente o comprimento de trabalho mais adotado pelos endodontistas). Os três formatos de canal que ele observou é o que você vê em B. Como se pode observar, realmente nenhum é circular.

Deles, o que mais se aproxima do canal “redondo”, como muitos imaginam existir, é o primeiro da esquerda para a direita. Vamos usá-lo para a nossa conversa.

Green 2

Por não serem circulares, existem, claro, dois diâmetros no canal, um menor e outro maior. Na figura acima, o N é de narrow (estreito em inglês) e o W de wide (largo, na mesma língua).

Em média, o diâmetro menor dos canais vestibulares dos molares superiores e mesiais dos molares inferiores encontrado por Green foi de 0,23 mm. Como já vimos, os achados mais recentes apontam para 0,25 mm, ou um pouco mais.

Do fato do diâmetro médio desses canais ficar em torno de 0,25 mm podemos tirar algumas informações importantes, mas também aqui vou me ater só a um ponto específico.

Uma lima 25 estaria adaptada aos referidos canais mais ou menos da maneira como você vê na figura abaixo.

Green 3

Digo “mais ou menos” porque a lima não fica ‘certinha’, ‘bonitinha’, como está na figura. Mas, para efeito didático vamos imagina-la assim.

Considerando-se o diâmetro menor do canal (N), a lima 25 estaria tocando em algumas de suas paredes.

Deixo algumas questões para você.

  1. Nessas condições, instrumentar até a lima 25 seria o recomendável para controlar a infecção na luz do canal e nos túbulos dentinários?
  2. Tocando em algumas paredes do diâmetro menor e não tocando nas paredes do diâmetro maior (como se pode observar na figura acima), qual seria a real capacidade da lima de exercer o seu fundamental papel de ação mecânica sobre as paredes e remoção dos biofilmes ali aderidos?
  3. Nas condições descritas, qual seria a sua real capacidade de exercer alguma ação sobre túbulos dentinários infectados?

Segundo Green, a média do diâmetro maior é de 0,36 mm. Assim, a lima que melhor se ajustaria seria a lima 35. Imaginando-a ‘certinha’, ‘bonitinha’, a sua relação com as paredes do canal seria essa da figura abaixo.

Green 4

Sendo assim, caía por terra a ideia de canal bem preparado ao se concluir a instrumentação até a lima 25, porque este era o diâmetro original.

Se alguém me perguntasse se eu tinha noção das limitações da metodologia que usei para fazer o trabalho que publiquei Influência do preparo cervical na ampliação do canal, eu diria que plenamente.

O desejo à época era tão somente o de chamar a atenção para a questão, tendo em vista que ninguém falava disso.

Justamente por não ser professor e sim um profissional de consultório e por isso não ter um laboratório à disposição, a ideia nunca foi fazer um “grande” trabalho, mas chamar a atenção para o problema. Afinal, o trabalho de Green foi publicado em 1958 e até então essa informação não tinha sido devidamente considerada e a maior prova disso é que todos, todos, ensinavam instrumentar até a lima 25 naqueles canais.

Ou ninguém lembra do 1+3 e 1+4?

Como se traduzia isso nos canais mesiais dos molares inferiores e vestibulares dos molares superiores? 10 + 15 – 20 – 25, eventualmente 30, nos canais com polpa necrosada.

Quantos leram o nosso artigo?

Não faço a menor ideia. Nunca procurei saber quantos leem os artigos que publico, mas este provavelmente poucos leram.

Publicado em português, por um ilustre desconhecido, numa revista sem “Qualis”, sem impacto, quantos iriam ler?

E lendo, que valor teria?

Só tinha um detalhe.

Trazia uma informação sobre a qual ninguém falava.

O que você acha?

Se os canais mesiais dos molares inferiores e vestibulares dos molares superiores possuem um diâmetro médio de 0,25 mm, como imagina-los bem instrumentados quando se “leva” a instrumentação somente até a lima 25?

“Ao contrário da crença, nossos resultados sugerem que as limas de 10 a 20 geralmente nem tocam nas paredes dentinárias no CT dos canais mesiais dos molares”.
Marroquín, BB et al., J Endod May 2004

Os dias eram assim.

E como ficamos com a lima 25 se considerarmos os achados de Green sobre o diâmetro maior, cerca de 0,36 mm?

Quantos instrumentos usar?

É o que veremos na parte 3 deste texto.

Por favor, expliquem melhor porque eu ainda não consegui entender. Parte 1

Incongruência

Por Ronaldo Souza

Como é linda a Endodontia!

Linda e complexa.

Como é lindo falar de Endodontia e de sua complexidade.

Dos seus canais tortuosos a nos desafiar. As suas curvaturas, eterno desafio, para o qual a previsibilidade de protocolos bem desenhados se tornou uma arma inigualável.

Da outrora impensável exigência de obturações tridimensionais, finalmente uma realidade desde o advento das novas técnicas e materiais obturadores de última geração.

E como sabemos fazer do trabalhar essa complexidade algo digno dos deuses!

Em outras palavras, como sabemos dourar a pílula.

Para atender aos anseios e necessidades do momento, hoje tudo é 3D em Endodontia.

Fala-se por acaso em outra coisa que não seja obturação tridimensional?

Ah, o que seria de nós se não fossem os recentes avanços da tecnologia?

E depois de tantos avanços tecnológicos para vencer toda essa charmosa e sedutora complexidade anatômica, fomos nós, justamente nós, a geração atual de endodontistas, privilegiada que é, os brindados pelos deuses da Endodontia com a resolução de tantos problemas de maneira tão simples e fácil.

Ah, como nos facilita a vida o pensamento único!

O pensamento que se sustenta a si mesmo, com uma unidade lógica independente, sem qualquer vinculação ou compromisso com outros componentes de um sistema de pensamento.

Sistema de pensamento que nos faz lembrar do sistema de canais.

Sistema de pensamento, cuja elaboração é na verdade um exercício de imaginação, que traria benefícios para o enfrentamento dessa complexidade do sistema de canais radiculares.

A complexidade do sistema de canais que nos ensinaram, cujo reflexo (um deles) é a ausência de toque dos instrumentos em algumas paredes dos canais, mesmo com os de “ultíssima” geração, de repente se torna tão simples.

Na moderna endodontia, onde “o problema são as bactérias e o problema do endodontista é a anatomia”, tudo se resolve com o simplismo do pensamento único; “uma lima, uma hora, uma sessão”.

Eles não percebem a contradição.

Com uma única lima, em uma única hora, em uma única sessão, a única dificuldade do endodontista, a anatomia, é superada como num passe de mágica e o único problema da endodontia, as bactérias, é facilmente controlado.

Tudo se torna simples e fácil.

Diante de problema até então incontornável, o complexo sistema de canais radiculares, o que fizemos?

Buscar na “ultíssima” geração de instrumentos um desenho único jamais visto em qualquer outro instrumento endodôntico.

Um instrumento que nada tenha a ver com qualquer outro na sua configuração. Um segmento cortante que em nenhum momento se compara ao de qualquer outra lima.

Algo, qualquer coisa.

Um instrumento único.

Por favor, não confunda com instrumento de uso único. Aquele que nos países ricos depois de ser usado é descartado; “usou, joga fora” e que, adaptado à nossa realidade, é utilizado algumas vezes, a variar de acordo com cada situação.

Falo de instrumento único, aquele que bastaria somente ele ser usado no preparo do canal para tudo mais ficar para trás.

Limas

Não consegui ver o instrumento com aquele desenho único, jamais visto, que me permitisse imaginar capaz de fazer o que os outros não poderiam fazer. Todos pareciam semelhantes.

Como gosto de fazer, parei então para ver e ouvir. Considero-me hoje um bom espectador e ouvinte.

Leitor também.

Como espectador e ouvinte, vi e ouvi de tudo.

E o que encontrei para ler me pareceu estranho.

O que encontrei para ler vinha como se estivesse, como dizer sem melindrar suscetibilidades… contaminado (não sei, mas tive a sensação de que parece que alguns periódicos importantes estão usando filtros de menor qualidade, que filtram menos).

O que fazer?

Imergir é a solução.

As profundezas nos trarão as respostas.

Mundo afora, as maravilhas do instrumento e do que ele é capaz foram demonstradas.

Após a imersão em águas profundas, curioso, perguntei.

– Mostraram muitas evidências?

– ???

– Vou explicar. Existem evidências e elas foram mostradas de trabalhos demonstrando que o instrumento único toca em todas as paredes dos canais ou pelo menos toca mais do que os das técnicas convencionais?

– Não.

– Existem evidências e elas foram mostradas de trabalhos em animais demonstrando que o instrumento único promove reparo de lesões periapicais melhor ou pelo menos igual ao da instrumentação com as técnicas convencionais?

– Não.

– Existem evidências e elas foram mostradas de trabalhos em humanos demonstrando que o instrumento único promove reparo de lesões periapicais melhor ou pelo menos igual ao da instrumentação com as técnicas convencionais?

– Não.

– O que vocês viram e fizeram quando imergiram no mundo do instrumento único?

– Aprendemos a usar o instrumento.

– Ah, entendi.

Parece que não há mais filtros.

Somente aí entendi a frase que tinha visto anteriormente para divulgar cursos de endodontia:

“O aluno sairá apto a realizar o tratamento de canal com lima única”.

E passei a entender melhor a postura dos periódicos.

Disseram um dia desses que “o problema da Endodontia são as bactérias e o problema do endodontista é a anatomia”.

Com a mania de querer entender tudo, confesso que ainda não entendi.

“Quanto mais instrumentado o canal radicular, menor é a possibilidade da permanência de microrganismos nele”.
Grossman

Assim aprendemos, daí a necessidade de se usar alguns instrumentos.

Mas vamos sair de Grossman, porque, por velho, pior, morto, seria logo taxado de ultrapassado.

“É razoável supor que quanto maior o alargamento menor a probabilidade de que microrganismos permaneçam no canal”.
Mickel AK et al. The role of apical size determination and enlargement in the reduction of intracanal bacteria. J Endod 2007;33:21-23.

Pronto, agora sim. Dito por autores atuais e ainda mais na bíblia, pode-se aceitar mais facilmente.

Mas, observe bem, a frase de Mickel e colaboradores é igual à de Grossman.

Em que fonte eles terão bebido?

A literatura nos ensinou a usar alguns instrumentos em sequência de ampliação dos seus calibres para preparar o canal e disse que mesmo assim não conseguimos tocar em todas suas paredes.

A literatura mais recente vem mostrando instrumentos mais modernos de grande qualidade e ficamos todos entusiasmados com eles. Não é para menos.

Mas veio a frustração. Diz que mesmo com eles também em uso sequencial de aumento de calibre e conicidade, não conseguimos tocar em todas as paredes do canal. De 35 a 40% das paredes dos canais não são tocadas. Em canais ovalados, mais de 50%. Tudo variável, conforme cada situação.

Voltamos para casa arrasados.

Meu Deus, por que tínhamos que ter canais tão complexos, curvaturas tão difíceis de lidar? E, pior ainda, se fosse só um canal, mas não, é o diabo de um sistema de canais, com canais laterais, acessórios, deltas apicais, recorrentes, túbulos dentinários…

Nesse momento de desencanto, com a nossa amada especialidade perdendo credibilidade (você já ouviu falar de Implantodontia?), veio alguém e disse:

Eureka!

Está tudo resolvido.

  1. Usar cerca de 4 ou 5 instrumentos para remover mais conteúdo do canal não deu certo.
  2. Usar cerca de 4 ou 5 instrumentos de qualidade muito maior, com aço assim, assado, desse jeito, daquele jeito, instrumento dourado, azul, para remover mais conteúdo do canal e assim exercer melhor controle de infecção não deu certo.

Então deixemos tudo isso de lado.

Vamos usar só um instrumento!!!

MA-RA-VI-LHA!

“Perdido por um, perdido por mil”, diz o provérbio português, muito utilizado no futebol.

Que se inverta a lógica.

Perdido por cinco, perdido por um.

Se não conseguimos limpar bem com cinco, vamos limpar bem com um só.

???

Nos tempos atuais, nada melhor do que soluções rápidas.

Tudo simples e fácil.

A “técnica” que se sustenta a si mesmo, com uma unidade lógica independente, sem qualquer vinculação ou compromisso com outros componentes de uma linha de raciocínio.

“Técnica” que nos faz esquecer da tal complexidade do sistema de canais que um dia nos ensinaram.

E se nos apresenta charmosa, sedutora, envolvente.

Como resistir ao irresistível?

Vamos ver isso mais de perto?

Na parte 2 deste texto.

A justa indignação e determinação de uma endodontista

Cabeça quente

Por Ronaldo Souza

Não foram poucas as vezes em que falei aqui das pressões existentes para que todos façam aquilo que ficou conhecido como Endodontia em sessão única.

Critiquei a pobreza do simplismo do pensamento único e para contextualizar usei uma frase de Martin Trope;

“Uma lima, uma hora, uma sessão. Como matar uma especialidade”.

Já falei também dos relatos que tenho ouvido dos próprios colegas, geralmente recém-formados, sobre esse tema, alguns dizendo inclusive que são pressionados até em entrevistas para empregos para fazer tudo em sessão única.

Não há nada melhor para donos de clínicas, empresários que são, do que reduzir custos. A visão empresarial não costuma abraçar as preocupações da área da saúde.

Ao mesmo tempo, também já comentei o que colegas do grupo do qual faço parte me contam de relatos semelhantes que com frequência ouvem.

Está claro, portanto, que sei muito bem o que vem acontecendo nesses últimos anos e não há nenhuma surpresa nisso.

Desta vez, porém, é diferente.

Não tinha ainda um depoimento em que a colega confessa por escrito sua indignação com essa pressão.

E mais.

Como você verá adiante, me autoriza a dizer o seu nome.

Polyana Firmo Silva França foi nossa aluna no Curso de Especialização (ABO-BA) na turma de 2004.

Na noite de 23 de outubro de 2017, há pouco mais de dois meses, ela me enviou a pergunta abaixo pelo Messenger.

– Boa noite Professor!! Tudo bem? Há algum tempo venho quero perguntar, mas ficado meio sem jeito, mas depois de sua postagem sobre o Hidróxido de Cálcio resolvi perguntar. Uso o hidróxido de cálcio sim, faço instrumentação automatizada e nem sempre em sessão única. Há algum tempo conheci o Material X, no Evento Y, achei bem prático e fácil de controlar o preenchimento do conduto por radiografia. O que o senhor acha deste produto. Gostei de alguns resultados obtidos com ele. Mas uma colega que está fazendo curso com um professor aí de Salvador disse que ele falou horrores sobre o tal produto. Não é mesmo bom?

Abraços! Sua aluna e admiradora.

É claro que respondi procurando orienta-la quanto ao material, mas o “depois de sua postagem sobre o Hidróxido de Cálcio resolvi perguntar” me deixou intrigado. Fiz então a seguinte pergunta:

– Posso usar esse seu comentário para escrever um texto? Não se preocupe que não colocarei seu nome (a não ser que você autorize). Você já deve ter observado que nos meus textos eu não cito nomes, a não ser quando é para elogiar.

– Claro que pode utilizar minha pergunta para elaborar um texto, se sentir necessidade de utilizar meu nome de maneira alguma me oponho, tudo bem. Gostei do Material X pela praticidade que ele proporciona, o fato de a agulha dele ser bem mais fina que a do Material Z, tbm me atraiu, pois consegue depositar o hidróxido de cálcio mais próximo ao ápice( resguardando os 3 mm indicados ) e de maneira mais uniforme. Quanto a agulha ela realmebte entope com facilidade, para evitar costumo deixar uma seringa estéril com soro fisiológico e passo pela agulha.  Ao conhecer o produto e notar a otimização de tempo que ele oferece o apresentei a uma colega que trabalha comigo no CEO ( Centro de Especialidades Odontológicas) do município onde cuidamos da parte endodôntica . Lá fazemos uso sempre do Hidróxido de Cálcio PA. Ela por sua vez, está fazendo um curso de instrumentação automatizada em Salvador e comentou com o Professor, não sei realmente qual a opinião dele sobre o Hidróxido de Cálcio em si, mas quando ela perguntou sobre o Material X o comentário dele foi que não serve para nada, era dinheiro jogado fora. Questionei se ele havia citado alguma pesquisa para basear esse comentário. Ela não soube me dizer.

– Você se sente “pressionada” por “ainda” usar hidróxido de cálcio ou conhece alguém que faz esse tipo de pressão e por isso fez a pergunta sobre o Material X no Messenger e não na parte de comentários do facebbok? Tenho ouvido vários relatos de pessoas com pouco tempo de formadas que se queixam desse tipo de pressão e ficam com vergonha de dizer que usam hidróxido de cálcio (por isso pensei em escrever o texto a partir de sua indagação).

– A resposta é sim, me sinto. E quando isso ocorre procuro entender o porque daquela linha de pensamento. Como o professor que criticou mas não apresentou argumentos que baseassem seu descontentamento com o material. Muito mais que a pressão pelo uso do hidróxido de cálcio é a pressão por se fazer endo em multiplas sessões. Há alguns anos atrás fui assistir a um mini curso do Prof, ( me sentirei a vontade em dar nomes aqui, pois sei de sua discrição) Fulano de Tal (claro que aqui eu, Ronaldo, omito o nome), gosto da postura e conceitos que ele passa, mas em determinados momentos o vejo muito radical. Nesse curso em dado momento ele questionou a nós em quantas sessões realizávamos uma endo de molar. Após as respostas, diagnosticou: se vc faz em duas sessões está perdendo dinheiro, se faz em três ou mais é vc quem está pagando ao paciente para realizar o tratamento. Achei isso forte e fiquei feliz de estar no interior onde não percebemos essa pressão de forma tão maçante, imaginei que nos grandes centros alguns colegas devem sentir -se constrangidos de pedir o paciente para retornar para outra sessão.

Se vc faz em duas sessões está perdendo dinheiro, se faz em três ou mais é vc quem está pagando ao paciente para realizar o tratamento“.

SEN-SA-CIO-NAL.

A quantidade de consultas se baseia no ganhar dinheiro.

É preocupante, mas isso se ouve cada vez mais nos tempos atuais.

É possível que agora alguns entendam melhor a minha preocupação com essa questão.

Está chamando a atenção de tal maneira que, além de incomodados, alguns já perguntam; “há algum interesse por trás disso?”

Aliás, essa suspeição da necessidade de matar ou morrer pela sessão única é cada vez mais relatada.

Observe que mesmo quando se refere a um professor de quem gosta, cujo nome, claro, omiti aqui, Polyana já aponta para o que chama de postura muito radical dele e busca uma razão para isso.

Polyana Firmo Silva França mostra que é uma endodontista que aprendeu a separar as coisas e determinou o seu próprio caminho.

O respeito que demonstra pelos seus pacientes de alguma forma chega a eles.

O tempo se encarrega de nos mostrar se a nossa escolha foi a mais adequada. Fazendo agora 14 anos de especialista, a indignação de Polyana com o que tentam lhe impor e a determinação de trilhar o seu próprio caminho sugerem fortemente que ela está de bem com ela mesma. 

Colegas seus perceberão a força e a importância que profissionais como ela possuem e terão nela um exemplo a ser seguido.

Outros já começam a perceber a maior frequência de pacientes com pós-operatório sintomático, edemas faciais e necessidade de retratamento dos canais tratados, o que faz com que as desconfianças ganhem mais força.

Mais uma vez, parece ser uma questão de tempo para que a ficha caia.

Sem inteligência e sensibilidade não há solução

Inteligência emocional

Por Ronaldo Souza

Há cerca de 30 anos li quase todos os livros de Roberto Freire.

Não, por favor, não pense que falo do político, esse traste humano que perambula pelo vazio da vida, no éter da insignificância e da abjeção humana.

Falo do psiquiatra, jornalista e escritor que criou a Soma, uma terapia baseada no anarquismo e nas ideias de Wilhelm Reich, psicanalista austríaco.

Um homem brilhante, de inteligência e sensibilidade perturbadoras.

E toda vez que inteligência e sensibilidade chegam a esse nível, surge ali alguém perigoso para os padrões da nossa sociedade.

Seu livro, “Sem tesão não há solução”, era mais um em que ele exercitava o seu jeito provocador e estimulante e ainda que num primeiro momento o título possa nos remeter a pensamentos no campo da erotização, até porque uma característica de Freire, não era este o tema.

Ia além.

Lembrei-me dele no momento em que procurei dar um título ao meu texto, que divido em duas partes. A primeira antes do interessante texto de Gustavo Conde (músico, linguista e professor) e a segunda depois.

Talvez mais facilmente num músico e linguista caminhem de mãos dadas a inteligência e a sensibilidade, características fundamentais ao ser humano e que estão em falta nos tempos atuais.

E quando inteligência e sensibilidade caminham de mãos dadas é difícil, muito difícil, que conviva no mesmo ambiente o preconceito, um dos grandes males da raça humana.

O preconceito, além de desumanizar, embota a mente das pessoas e tira delas a capacidade de pensar e refletir.

Ao ser inferiorizado pelo preconceito nenhuma virtude é possível.

Como atribuir inteligência ao negro, um ser inferior?

Como ver competência no nordestino, uma sub-raça?

Por isso, busquei Roberto Freire para, roubando-lhe a ideia contida no título do seu livro, construir a estrutura do meu texto e dizer; sem inteligência e sensibilidade realmente não há solução.

Neste texto do músico e linguista Gustavo Conde, vi as duas juntas e o professor Gustavo Conde as apresenta de forma bastante didática.

Quando se faz uma postagem de texto que não é seu não significa necessariamente que é exatamente o que você escreveria.

Mas, sem dúvida, com este concordo quase que inteiramente.

E por isso farei alguns comentários ao final dele.

Volto lá embaixo.

O primeiro dia do “Ano Lula”

Lula segue

Por Gustavo Conde*

Dia pródigo para falar de Lula. Todo mundo só pensa em Lula, seja para odiar, seja para amar. Eu tento pensá-lo como um homem, um político, um estrategista, um formulador, um ex-presidente. Sem ele, não existe história do Brasil de 1978 para cá.

Odiar Lula é um exercício de preguiça intelectual. É importante criticar todo e qualquer protagonista político mas com argumentos, não com rótulos fáceis e chavões.

Mas, se odiar é ruim, a leitura errada é pedagógica. Devidamente desconstruída, ela ilumina processos de interpretação.

Nesse sentido, é possível reavivar uma clássica leitura equivocada de Lula, a que o enquadra como “socialista”. A esses sensíveis leitores é licenciado lançar um olhar de estupefação, pois até a resposta retórica e brincalhona de Lula nos anos 80 chegou a os ofender: “sou metalúrgico”. Explicar a piada talvez não seja uma opção, sobretudo uma piada tão sofisticada.

A origem política de Lula é o sindicato. Não tem nada de romântico, nem de intelectual, nem de salvacionismo, nem de utopia. O socialismo é que foi atrás de Lula, porque Lula o aceitou e o compreendeu melhor que os próprios “socialistas”, em grande medida.

Qual socialista no mundo produziu uma política pública como a do bolsa-família (que, mais do que sua função ética de levar comida na mesa do pobre, ainda incendiou a economia, fazendo o país sair daquele marasmo econômico da era FHC)?

Qual socialista no mundo foi tão exageradamente democrático, perdendo três eleições majoritárias e, ainda assim, submetendo-se a mais um processo eleitoral?

Qual socialista no mundo teve 258 milhões de votos ao longo de 40 anos de vida pública (e que, pasmem, continua liderando pesquisas de opinião)?

Qual socialista no mundo foi tão perseguido pela imprensa, pela elite, pelo racismo, pela justiça e pelo ódio?

Qual socialista no mundo dialogou com tantas forças do tecido democrático com tanta desenvoltura e resultados: empresariado, movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos, imprensa, organizações não governamentais, sociedade civil, estudantes?

Qual socialista no mundo acumulou 300 bilhões de dólares de reservas internacionais?

Qual socialista no mundo pagou uma das maiores dívidas externas do planeta?

Qual socialista no mundo emprestou dinheiro ao FMI?

Qual socialista no mundo criou um banco para fazer frente ao FMI?

Não se trata de colocar o socialismo em xeque, mas apenas de restituir alguma cifra de realidade ao argumento. Todo intelectual sério sabe que Lula nunca foi “socialista” na acepção clássica do termo e que isso é um dado fantástico: não é preciso ser socialista para lutar pela igualdade e pela democracia.

Lula é a prova de que a gestão pública não aceita a burocracia do pensamento acadêmico como elemento irradiador de políticas. Isso não é o papel de um líder histórico. Um acadêmico no poder é um desastre da natureza.

Cargos da dimensão de uma presidência de um país continental em desenvolvimento não são um trampolim carreirista qualquer: trata-se de uma responsabilidade que transcende as ambições chãs e desvirtuadas da classe média, por exemplo. Compreender essa dimensão é tarefa hercúlea para este segmento, cognitivamente falando.

Essa leitura, no entanto e ainda que equivocada, é realizada por “quase simpatizantes” de Lula, em última análise. Uma de suas consequências é aparelhar o discurso conservador: ela municia os mais viscerais detratores de Lula que usam o argumento da “traição ao socialismo” como elemento gerador de contradições em todo o campo da esquerda.

Essa faixa ‘pequeno-burquesa’ fantasia que Lula deveria ter sido um ‘simulacro’ de Fidel Castro, que ele deveria ter “eliminado” seus adversários políticos.

Ora, ora, ora. Curioso ver como o caudilho autoritário não está em Lula, mas em seus críticos – e na imprensa. Reclamam que Lula fez alianças com coronéis, mas o que afinal eles queriam? Que Lula expulsasse os coronéis do país? Os coronéis do PMDB?

É isso que fica subscrito no pensamento radical de ambos os extremos do espectro ideológico. A solução que eles eventualmente oferecem ao embate político é ‘eliminar’ o adversário.

É por isso que a democracia não é para os fracos. É por isso que a democracia exige coragem e humildade ao mesmo tempo. É por isso que eles não entendem a democracia, por assim dizer.

Lula é uma esfinge para esses anti-analistas, mestres em diferentes níveis na arte da não argumentação. Para eles, tudo é rótulo, tudo é estereótipo, tudo tende ao sentido único. Eles pouco entendem o que é racismo, quanto mais o que é política.

A história, no entanto, não é uma donzela recatada e do lar. Ela não segue a lógica primitiva dos seres não argumentativos. A história gosta de conteúdo.

Para a história, o golpe é só um elemento narrativo extremamente poderoso. Um antissujeito, uma perturbação, um “tranco” semiótico que prepara a retomada da progressão e dos protagonismos das personagens principais.

E uma personagem de narrativa histórica que se preze não pode ser “transparente”, visível a todo e qualquer observador. Ela exige uma face enigmática, esfíngica, caso contrário anula-se o elemento de suspense.

Tudo isso só para dizer – aos que insistem em não compreender Lula – a seguinte dica de ano novo: continuem não compreendendo Lula. Ele se alimenta da não compreensão de vocês.

*Gustavo Conde é músico, linguista e professor. Lida com teorias do humor e com os processos de produção do sentido político. É autor do Blog do Conde, espaço de discussão de temas políticos, acadêmicos e literários.

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Aos comentários:

1. Odiar Lula é um exercício de preguiça intelectual.
É sim. A preguiça intelectual está em todos os campos e segmentos, mas esta não é a principal razão. Entre algumas razões que explicam o comportamento atual, o preconceito ocupa o primeiríssimo lugar.

2. É possível reavivar uma clássica leitura equivocada de Lula, a que o enquadra como “socialista”. A esses sensíveis leitores…
Aqui está um complemento à primeira questão. Chamar Lula de socialista ou comunista (mais frequente) não é preguiça intelectual. É burrice mesmo. Lula jamais foi e jamais será comunista. Esta é uma afirmação que se pode fazer sem margem de erro. E quando digo isso não vai nenhuma conotação pejorativa aos comunistas, pelo contrário. Ao dizer “A esses sensíveis leitores…”, além da fina ironia, o autor mostra que sabe das coisas e para quem está falando.

3. Qual socialista no mundo…”
Quando o autor faz essa série de qual socialista, mostra a mistura de burrice, preguiça intelectual e outras coisas mais que envolve os anti-Lula. Todas sob o guarda-chuva do preconceito. E quando faz as duas últimas “Qual socialista no mundo emprestou dinheiro ao FMI e qual socialista no mundo criou um banco para fazer frente ao FMI?”, ele estoura os dois neurônios deles.

4. Todo intelectual sério sabe que Lula nunca foi “socialista”.
Todo intelectual sério, não. Qualquer um que pense e conheça minimamente os sistemas políticos.

5. Um acadêmico no poder é um desastre da natureza.
É só olhar para o governo Fernando Henrique Cardoso.

6. ...trata-se de uma responsabilidade que transcende as ambições chãs e desvirtuadas da classe média, por exemplo. Compreender essa dimensão é tarefa hercúlea para este segmento, cognitivamente falando.
Ah, a nossa classe média. Depois reclamam de Marilena Chaui!

7. Para eles, tudo é rótulo, tudo é estereótipo, tudo tende ao sentido único. Eles pouco entendem o que é racismo, quanto mais o que é política.
Atualmente, tudo tende ao sentido único, porque eles pertencem ao seleto grupo do pensamento único, infiltrado em todas as áreas da sociedade e a maior prova da insensatez que reina impune no país.

8. A história, no entanto, não é uma donzela recatada e do lar. Ela não segue a lógica primitiva dos seres não argumentativos. A história gosta de conteúdo.
Cruel, mas a verdade precisa ser dita e absorvida. O grande problema é que para ser absorvida ela tem que ser percebida e a capacidade de percepção anda em baixa.

9. Tudo isso só para dizer – aos que insistem em não compreender Lula – a seguinte dica de ano novo: continuem não compreendendo Lula. Ele se alimenta da não compreensão de vocês.
Só para reforçar.

Elucubrações numa noite de verão do primeiro dia de um novo ano

Saúde mental'

Por Ronaldo Souza

Será que tenho algo a dizer?

E o que tenho a dizer não será a minha verdade?

Se é minha, a quem mais interessa?

E por que eu teria que dizer alguma coisa?

Se sei o que sei, por que dizer a mim o que já sei?

Portanto, nada tenho a dizer!

Não, você não entendeu.

Você não vai dizer a você.

Você vai dizer aos outros.

E por que os outros vão se interessar pela verdade que não é a deles?

Se cada um tem a sua verdade, por que dizer a minha a eles?

Eu, por exemplo, não quero ouvir a deles porque a deles não é a minha.

Se não é a minha, não é verdade.

E não gosto de ouvir mentiras.

!!!???

Vamos fazer uma coisa?

Fique com sua verdade que fico com a minha.

Fique no seu canto que fico no meu.

E aí ficamos bem um com o outro.

Respeito a sua verdade, você respeita a minha.

Estamos conversados!

E fim de papo.

Vou curtir a Lua.

JOUS – Jornada Odontológica Universitária de Sergipe

jous 2

Por Ronaldo Souza

Mais alegria outra vez.

Tive a oportunidade de voltar a Aracaju dois meses depois de ter estado lá.

Quer coisa melhor?

Dessa vez para participar da XXVIII JOUS (Jornada Odontológica Universitária de Sergipe) da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Sergipe, realizada de 14 a 16 de dezembro.

Com a presença especial do Prof. Mirabeau Ramos.

A satisfação e a alegria foram lá pra cima.

Já tinha recebido o certificado e a lembrança da Jornada (nas minhas mãos) quando nos lembramos de fazer o registro final. Mesmo alguns já tendo saído, a foto aí em cima dá para mostrar o entusiasmo da turma.

Muito legal!

Fui  tratado muito bem por todos e os alunos se desmancharam em gentilezas para mim.

Só ficou faltando o beiju de tapioca na bela orla da cidade. Dessa vez não deu tempo.

Fica para a próxima.

Figura 1

Meu agradecimento e carinho a todos os alunos e professores da Comissão Organizadora da JOUS.

Fiquei muito feliz.

Jous 1

Ainda sobre MTA e hidróxido de cálcio. E Diógenes

Hid. Cálcio e MTA

Por Ronaldo Souza

No texto Em algum lugar do passado fiz este comentário:

Diante da não citação do meu nome em nenhum momento numa discussão sobre ampliação foraminal (como alguns chamam) ocorrida num desses fóruns de Endodontia na internet, ele foi um dos dois únicos (o outro é de São Paulo) a fazer uma intervenção citando o meu nome:

“A bem da verdade, a primeira vez que ouvi falar de limpeza do forame foi com meu amigo da Bahia, Ronaldo Souza”. Disse ele.

A primeira vez que ouvi falar desse procedimento foi com o professor Ronaldo de Souza (esse de não existe no meu nome) da Bahia”. Disse Alex Otani, de São Paulo.

Observe que na primeira frase omiti o nome do autor, na segunda não. Tive minhas razões para isso.

Mas, até por questão de justiça, corrijo o que pode ter sido um equívoco por excesso de cuidados e vou dizer agora. Foi o professor Diógenes Alves, de Recife.

Não só por essa defesa que fez de mim no episódio acima (quando “amigos” meus ficaram calados), mas também por outras razões, devo gratidão a Diógenes e gosto dele. É gente muito boa.

Portanto, jamais ficaria sem dar uma resposta ao comentário abaixo, feito no textoMTA ou hidróxido de cálcio? Final”.

Concordo, inclusive quando se coloca uma medição intracanal de Ca((OH)2, a imagem ficava de um dente calcificado, devido a radiopacidade semelhante à dentina. Entretanto a imagem que estou me referindo possui uma radiopacidade muito maior. Seria de algum material radiopaco que você colocou protegendo o Hidróxido de Cálcio, como por exemplo o cimento IV? Se foi, e haja vista que naquela época, segundo o seu relato, não existia MTA, hoje em dia você usaria novamente o Hidróxido de Cálcio? E por quê?

O tempo está curto e por isso só agora respondo, com um pedido de desculpas.

Tendo em vista que três casos clínicos são apresentados no referido texto, acho que quando fala de radiopacidade muito maior, Diógenes deve estar se referindo ao caso da perfuração de furca do molar.

Como ele diz acredito que perdi alguma parte da narrativa em três atosnão deve ter visto que escrevi o seguinte no texto MTA ou hidróxido de cálcio? Parte 3; a opção à época foi protege-la com guta percha, cujo momento da colocação é visto em…

Portanto, o material que aparece com radiopacidade muito maior é guta percha, colocada sobre o selamento da perfuração por tecido mineralizado que já tinha ocorrido.

Quanto a usar hidróxido de cálcio novamente, sim, usaria.

Da mesma forma, como ele mesmo diz naquela época, segundo o seu relato, não existia MTA, também escrevi no MTA ou hidróxido de cálcio? Final que na perfuração de furca do caso acima, por exemplo, a “proteção” do tecido mineralizado que se formou fechando a perfuração teria sido feita com MTA caso ele existisse na época em que o tratamento foi realizado.

Resumindo, pelas razões já expostas na narrativa em três atos, como diz meu amigo Diógenes (na verdade em quatro atos, contando com o Final), em algumas situações recomendo todo o tratamento com hidróxido de cálcio. Em outras, recomendo o uso do hidróxido de cálcio durante o tratamento e o MTA na conclusão.

Inocência ou hipocrisia?

Inocência ou hipocrisia'

Por Ronaldo Souza

Era uma pessoa próxima a mim.

Em conversas do nosso grupo sempre dizia que quando alguém lhe pedia dinheiro na porta de um supermercado para alimentar os filhos dizia não e complementava; “diga o alimento que precisa que eu compro”.

Segundo ele, para sua surpresa alguns resmungavam e não aceitavam.

E nos dizia então; “tudo jogada. Vou dar dinheiro para sustentar vício?”

Algo nobre. Pelo menos assim lhe parecia.

Por outro lado, contava também que quando um paciente lhe pedia para fazer “um preço menor” no tratamento não escondia a sua indignação e negava veementemente, dizendo que considerava um desrespeito ao profissional.

Nada mais natural do que se sentir ofendido na sua dignidade profissional. Dizendo com jeito para não se tornar agressão gratuita, o profissional deve se impor e se fazer respeitar.

Em outros momentos, outros dias, outra cerveja…, ele gostava de se gabar da sua esperteza e capacidade de negociar.

Eram algumas histórias e exemplos de como lidava, por exemplo, com trabalhadores que faziam serviços no seu consultório ou apartamento.

Nessas horas, o meu desconforto.

“Ah, comigo não é como eles querem não. Ou o preço vem pra o que eu quero ou não tem negócio”.

Um desses momentos me levou à irritação e total reprovação, que só a amizade de então me fez ficar calado.

Aliás, hoje reconheço que algumas vezes fiquei calado quando não devia.

Ele estava na praia e se aproximou um senhor vendendo redes, daquelas que no Nordeste são muito utilizadas.

– Que absurdo, cê tá maluco? Acha que vou pagar isso por uma rede?

– Não, doutor, mas isso aqui é rede de primeira, veja a qualidade…

– Não pago de jeito nenhum!

O diálogo era sempre nesse tom, até que o pobre coitado se rendesse e aceitasse o preço bem abaixo do inicial, dado por ele, o esperto negociador.

Aconteceu assim também com o vendedor de redes.

Meu Deus!!!

Onde estavam o reconhecimento e a valorização da dignidade profissional, tão bem defendidos por ele no seu consultório?

Ou aquele vendedor de redes não é um profissional?

Se é, não é indigno e humilhante desfazer-se dele e do seu produto?

Ou profissional é só aquele que é profissional liberal, um doutor?

Perceba as duas relações.

O paciente de um consultório e o doutor. Quem é o senhor da situação?

Mesmo que o paciente também seja outro doutor, a “autoridade” naquele instante é o profissional que presta o serviço.

E entre um vendedor de redes e o cliente, a quem muitas vezes o próprio vendedor, na sua humildade, chama de doutor mesmo não sendo?

Alguém aí conhece alguma praia do Nordeste?

Conhece aquele sol escaldante e consegue imaginar o que é um homem caminhar sob ele, na areia quente, carregando diversas redes para tentar vender?

Consegue imaginar o esforço físico que isso exige?

Qual será o peso do que carrega?

E aí encontra um esperto negociador que, aos goles de uma cerveja gelada e um tira gosto delicioso, resolve lhe “tirar o couro”.

“Comprei a rede por um preço bem baratinho”.

Este foi o comentário ao final da narrativa do pigmeu que venceu o gigante que, depois de trabalhar toda a semana, vai às praias nos finais de semana vender redes para complementar o sustento da família.

A caridade redentora

E o pigmeu acha que se redime quando diz “escolha o alimento que precisa que eu compro”.

Só se for perante si mesmo.

Perdemos a noção do que é dignidade, principalmente quando se trata da dos outros.

E saímos por aí exibindo a caridade seletiva que nos redime.

“Parecer ser ou não, eis a questão”.

Diria Hamlet nos tempos de redes sociais.

Ah, como são propícios os tempos atuais!

Onde está a consciência que nunca tivemos dos problemas sociais?

Questões sociais não são problemas do indivíduo.

Não sou eu, não é você, não é ninguém que vai resolver questões como as de alguém que pede o pão para comer na porta de um supermercado.

Não são gestos desse tipo de quem quer que seja que irão “resolver” a vida dessas pessoas.

Questões sociais são problemas do indivíduo, aí sim, quando este está inserido no contexto social.

Problemas desse tipo, educação, saúde…, questões de grande complexidade, são atribuições da sociedade (coletivo de indivíduos) através de ações sociais do Estado.

Pedintes em sinais de trânsito representam uma dessas mazelas.

Crianças vendendo balas, doces, todo tipo de coisas, pelas ruas das “grandes” cidades são a face mais cruel e covarde desse processo.

São os Programas Sociais que devem enfrentar questões tão complexas, não a bala que você compra num sinal de trânsito ou o pacote de feijão no supermercado.

E por favor, não fale de solidariedade humana, bla, bla, bla, bla…

Não faça pouco da inteligência e sensibilidade de quem tem. Não se trata disso.

Somente a indigência intelectual nos redime quando imaginamos que atitudes pequenas e esporádicas podem suprir as necessidades básicas de alguém.

Só os medíocres pensam assim.

Todos os medidores sociais já apontavam para a redução desse quadro perverso.

Órgãos oficiais internacionais já destacavam e premiavam o Brasil pela saída do mapa da fome.

O Brasil já tinha inserido nas suas leis que percentuais (que chegavam a 15%) do que se lucrasse com o Pré-Sal seriam destinados para Saúde e Educação.

Insisto, isso já era lei.

Mas tudo está se perdendo.

O Pré-Sal está indo embora para mãos que não são brasileiras.

Os primeiros indicadores já começam a apontar para a volta do Brasil ao mapa da fome.

Muitas coisas nesse sentido já aconteceram, estão acontecendo e outras ainda irão acontecer.

Mas vamos a outro fato mais recente e que também já era previsto; professores estão sendo demitidos em larga escala sob os mais diversos e absurdos argumentos.

E aí vem você, professor, e se torna um dos vetores de divulgação de vídeos como esse abaixo nas redes sociais!

https://www.youtube.com/watch?v=U951-6cktrs

Quem produziu esse vídeo?

Quem é esse “garoto de rua” que filosofa em voz alta sobre a vida no início do vídeo falando um português tão correto, com pronúncia e dicção perfeitas de todas as sílabas (quando inúmeras pessoas escolarizadas não conseguem), com entonação de voz digna de um pequeno ator de novelas?

Quem fez o vídeo com câmeras posicionadas em pontos diferentes e microfone escondido?

Qual é o objetivo do vídeo? Comover as pessoas com o espírito do Natal?

Mas dessa forma!!! Recriando uma situação dramática e cotidiana das “grandes” cidades brasileiras de forma tão inverossímil?

Há por acaso algum erro na reação dos motoristas abordados no vídeo?

Você, doutor, por acaso abre o vidro do seu carro numa boa e atende com toda a atenção do mundo os que lhe abordam nos sinais de trânsito?

Sinto muito em lhe dizer que o vídeo em nenhum momento me tocou. Eu, que facilmente chego às lágrimas.

A pobreza dele, apesar de grande, traz consigo uma falsa realidade que é muito pequena diante da verdadeira e principal questão, da qual os idealizadores, como convém, passaram a quilômetros de distância.

E sabe qual é, doutor?

É que na vida real, a que não tem vídeos glamourizados, os sinais de trânsito voltarão a ficar cada vez mais cheios de garotos de rua (sem aspas) vendendo picolés e não dando como mostra o vídeo.

Não há filosofia barata que os faça dar picolés de graça nos sinais de trânsito, por uma razão bem simples. Eles precisam vender para levar algum pra casa, porque os pais estão desempregados e fazendo bico para sobreviver.

Quer saber mais, doutor?

Os vidros dos carros não serão abertos.

Você faz alguma ideia da razão disso?

Vou lhe ajudar, mas talvez seja melhor nem ler porque acho que não vai gostar.

Porque muitos daqueles que foram abordados por esse “garoto de rua” e milhares de muitos outros ajudaram a instalar um governo que, como eles, não tem a menor preocupação com o social.

Com a sua participação direta ou indireta ajudaram a gerar os milhões de desempregados que existem hoje no país.

E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Gonzaguinha

Quantos mais terão contribuído com seu “embrasileiramento CBFiano dominical” para o país chegar ao ponto que chegou?

Ou será que acham que nada têm a ver com isso?

Para onde irão esses desempregados?

Alguns irão para os semáforos.

Outros para…

Arrepia só de pensar.

Vídeos como esse e o objetivo para o qual são criados alcançam a hipocrisia da sociedade lá no fundo, nos recônditos da alma, onde ela, hipocrisia, descansa resguardada.

Até quando seremos tão… ingênuos?

Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”

Esta frase é de D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, um homem admirado e respeitado no mundo todo.

O outrora amigo e esperto negociador não tem a menor ideia do que isso significa e também do que representam homens como D. Hélder Câmara.

É triste, muito triste, ver que boa parte da sociedade brasileira, particularmente segmentos como a classe média, tenha perdido a capacidade de perceber coisas tão óbvias.

Justamente ela, classe média, em cujos ombros recaem as consequências mais drásticas do empobrecimento do país.

Ainda pior do que isso, não percebe o risco que hoje corre o mundo, por causa da luta de homens como D. Hélder e sua grande obra humanitária.

Um deles?

O Papa Francisco.

Temos finalmente um grande homem como Papa, que cumpre os ensinamentos de Cristo e que nos faz pensar cada vez mais em outros como São Francisco.

E o que ocorre?

Em outubro deste ano, o jornal inglês “The Guardian” publicou uma reportagem de Andrew Brown, The war against Pope Francis (A guerra contra o Papa Francisco), que traz coisas assustadoras.

Veja um pequeno trecho do que diz Andrew Brown logo no começo da sua matéria.

O Papa Francisco é atualmente um dos homens mais odiados do mundo… Neste verão, um proeminente clérigo inglês me disse: ‘Mal podemos esperar que ele morra. É impublicável o que dizemos dele em privado…

E o que diz e faz o Papa Francisco?

Tudo que Jesus Cristo disse e fez na Terra.

Ora, não acabamos de festejar justamente o dia do nascimento de Cristo?

O que é o famoso espírito de Natal se não o de amor e solidariedade entre as pessoas!

Ou será que é somente entre as privilegiadas?

Por falar nisso.

Espero que você tenha tido um Feliz Natal.

E que tenha dentro de si esse espírito de solidariedade a todas as pessoas durante todos os dias.

Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo

Auditório 1

Por Ronaldo Souza

“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”.

Este talvez tenha sido o bordão mais conhecido de Fiori Giglioti, consagrado locutor esportivo de São Paulo, falecido em 2006.

Era como começava a narrar uma partida de futebol.

O pouco que ouvi e li sobre ele e os poucos trechos de narração que tive oportunidade de ouvir foram suficientes para perceber a sua qualidade.

Classe, elegância e correção no uso do português o caracterizavam e o diferenciavam.

Roubo dele uma frase, usada para determinar que o jogo chegara ao final, para dar título a este texto.

“Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo”.

Roubo, mas dou conotação diferente.

Uma vez numa entrevista, Elsimar Coutinho, famoso médico e cientista baiano, disse quase que literalmente.

Abre aspas
Eu sabia que alguns colegas falavam de mim e me criticavam e aquilo já me incomodava. Na minha presença, cumprimentos e sorrisos. Por trás, falavam mal. Era um grupo.

Houve então um congresso de Medicina em São Paulo. Eu era um dos palestrantes convidados e sabia que vários deles estariam lá, inclusive alguns também como palestrantes.

Comecei a falar dizendo que sabia que alguns colegas pareciam não gostar das minhas posições e colocações e falavam de mim. E completei; aqui estou, à disposição de todos. Esta é a hora. Gostaria que vocês se manifestassem aqui e agora para que possamos discutir os nossos pontos de vista.

E fiz a minha palestra.

Ninguém se manifestou.
Fecha aspas

Às vezes, mais do que cortinas, que dão somente acesso ao palco do espetáculo, tentam fechar as portas para qualquer alternativa fora da caixa.

A quem pode interessar que se mantenham abertas as portas de acesso à reflexão?

Fechem-nas e joguem as chaves fora.

A reflexão não costuma ser bem-vinda.

Uma voz que se levanta contra o pensamento dominante não pode ter microfones e câmeras à sua disposição.

Não é usual que um jeito próprio de pensar e ver as coisas faça se abrirem as portas para que se chegue às cortinas e enfim ao palco.

Afinal, os holofotes têm donos.

Alceu Valença, grande compositor pernambucano, dizia que o artista nordestino tem que fazer o vestibular do Sul para ser aceito no Brasil.

Projete-se “artista” para um sentido mais abrangente e entenda-se Sul como se diz no Nordeste; São Paulo e Rio.

A geografia condena.

A autofagia e a autocomiseração se incorporam aos “menos favorecidos” e o atrelamento aos “centros mais avançados” se torna o caminho mais confortável.

Uma postura antiga e enraizada em determinadas regiões do país.

E os palcos vazios de ideias se proliferam país afora, ainda que alguns auditórios possam estar repletos.

Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Vinícius de Moraes

Há situações, porém, em que o fechar das cortinas não encerra o espetáculo.

Pelo contrário, sempre haverá quem crie o seu próprio palco.

Dali se levantam talento e voz contra o estabelecido.

Dali sai o antídoto para mentes acomodadas.

Elsimar Coutinho não se atrelou ao pensamento dominante e não permitiu que lhe sufocassem.

Assim também fez o cientista brasileiro Miguel Nicolelis quando tentaram lhe fechar as cortinas.

Sempre digo aos meus alunos para desenvolver o hábito de pensar com suas próprias cabeças e andar com suas pernas, mesmo sabendo que isso não é estimulado.

Somos preparados para ver, ouvir e repetir as diferentes línguas e sotaques.

Refletir, jamais.

Mas haverá sempre uma porta que se abre para um palco vazio.

Por ali entra a luz do Sol.

Além da previsibilidade do DNA

Grampinho e o DNA

Por Ronaldo Souza

A gestão de Lídice da Mata na prefeitura de Salvador (1993 – 1997) deixou uma convicção; a de que teria sido se não a melhor uma das melhores que a cidade já teve, inclusive quando comparada com a atual, da qual ganha sem dificuldade.

Explico o “teria sido se não a melhor…”, porque aos olhos de alguns não foi.

Por que acham não foi?

Comenta-se desde a época que não foi porque Antônio Carlos Magalhães não teria deixado.

Diz-se desde então que o então poderoso governador da Bahia fez de tudo para atrapalhar a administração Lídice da Mata.

Como Salvador sofreu!

Um jeito de governar?

Da mesma fonte, o povo da Bahia, sempre chegaram notícias desse jeito especial de governar de “painho”, como também era conhecido o governador, tido por alguns como o “protetor da Bahia”.

Notícias, diga-se de passagem, que mostravam uma maneira esquisita de proteger a Bahia.

Roberto Santos, governador da Bahia que antecedera um dos mandatos de ACM, entre outros deixara como legados importantes do seu governo o Hospital Roberto Santos e o Parque Metropolitano de Pituaçu.

Sem dúvidas, obras importantes para o estado e sua população.

Não se pode dizer que Roberto Santos e ACM eram amigos, muito pelo contrário.

E as notícias diziam que a Bahia teria pago um preço alto por conta dessa relação.

Para ficar nesses dois exemplos, segundo elas tanto o Hospital Roberto Santos quanto o Parque Metroplitano de Pituaçu teriam sido abandonados por ACM.

Seriam verdadeiras as notícias?

Como que a confirmar, uma coisa era visível; a deterioração de ambos.

Um pecado imperdoável.

Nomes e sobrenomes não são simplesmente passados para os descendentes. Eles trazem consigo muito mais do que isso.

Um dos grandes problemas de nomes que são passados de pais ou avós para os descendentes é a inevitável comparação sobre várias características; o jeito de ser, por exemplo.

Além da beleza do arranjo da sua molécula, aquela fita dupla em forma de espiral como nos acostumamos a vê-la, o DNA significa muito mais.

É uma marca da qual não se foge.

E se o DNA marca, muito mais marcam nomes e sobrenomes.

O uso do “Filho, Júnior, ou Neto” atrelado ao nome não tem sido recomendado por estudiosos do tema ao longo dos anos.

O peso pode ser muito grande.

Diferentemente do DNA, detectável somente diante de exames laboratoriais, nomes e sobrenomes estão à vista, saltam aos olhos.

Nomes e sobrenomes trazem à luz o que só exames laboratoriais conhecem; a herança genética.

O resultado pode ser trágico.

Explica o porquê de ser e fazer de cada um.

E isso, mesmo com grande esforço, dificilmente se consegue esconder.