Histórias que precisam ser contadas. E serão

Síndrome do Caranguejo

BAIXA GASTRONOMIA NO LITORAL - VIDA CIDADANIA - CURITIBA - PARANÁ - 19/01/2013 - Dicas de pratos de comidas, lanches e petiscos que os turistas podem comer nas praias do litoral paranaense - na foto caranguejo - Foto Albari Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Por Ronaldo Souza

O caranguejo faz parte da vida do brasileiro e talvez se possa dizer que particularmente para o Nordeste ele representa algo mais, haja vista que se tornou parte importante da nossa culinária. 

Fala-se muito sobre esse crustáceo e algumas características lhe são atribuídas.

Que anda para trás, para os lados, que é o urubu dos mares e por aí vai. 

Resolvido a conhece-lo um pouco mais, um pesquisador resolveu fazer um experimento.

Adestrou um caranguejo de tal maneira que a cada toque de sua mão empurrando-o delicadamente e à ordem “anda” ele andasse.

Quando a cobaia finalmente se mostrou apta, deu início ao experimento.

E, pela primeira vez, agora experimentalmente, tocou-lhe com a mão e disse; anda.

E o caranguejo andou.

No segundo momento, o cientista lhe tirou uma das patas e, empurrando-o delicadamente, disse; anda.

E o caranguejo andou.

Na sequência, tirou-lhe outra pata e repetiu o mesmo gesto. Diante da remoção de mais uma pata e da mesma orientação para andar, o caranguejo demorou um pouco mas conseguiu.

Assim foi até o dia em que lhe restava somente uma pata. O cientista se preparou para concluir o experimento.

Removeu a pata e repetiu gesto e palavra.

Empurrando delicadamente o caranguejo, disse-lhe; anda.

O caranguejo não andou.

Repetiu.

Empurrou delicadamente o caranguejo e lhe disse; anda.

O caranguejo não andou.

Pela terceira e última vez repetiu a sequência.

Empurrou delicadamente o caranguejo e outra vez; anda.

O caranguejo não andou.

O cientista então “fechou” o trabalho e publicou.

A conclusão chamou a atenção:

“Sem as pernas, o caranguejo fica surdo”.

Você consegue imaginar quanto os endodontistas sofreram com a famosa passagem da lima K 20 para a 25 em canais curvos, como o MV dos molares?

Não, não consegue.

Só os que passaram por isso sabem como era.

Hoje é fácil, não é?

Pois é, houve um tempo em que não era.

Pelo contrário, era difícil.

Não existiam as técnicas que conhecemos e principalmente não tínhamos os instrumentos que temos hoje.

Mas era obrigatório.

– Professor, não consigo “levar” até a 25.

– Tem que levar.

Era assim até um tempo não muito distante.

Foram muitos os desvios.

Inimagináveis para os tempos atuais.

Quando comecei a pensar com a minha cabeça e a andar com as minhas pernas, resolvi eliminar algumas correntes que me mantinham preso ao imutável.

E aí comecei a perceber algumas coisas.

Uma das mudanças foi justamente nessa dificuldade de “levar até a 25”.

Passei então a instrumentar bem com a lima 20 e tentava com a 25. Ela não chegava.

Repetia a lima 20, instrumentava bem e novamente a 25. Chegava um pouco mais.

Nesse processo, algumas vezes, nem sempre, conseguia chegar no CT com a 25 e com ela trabalhar.

Mas quando não era possível (curvatura mais acentuada), encerrava o preparo e obturava o canal.

Como não tinha instrumentado com a lima 25 ou não o tinha feito como desejava, o cone de guta percha nº 25 dificilmente chegava no CT.

Obturava com o cone 20.

Entretanto, não usava o cone 20 estandardizado. Além de flexível demais, ficaria folgado, porque nesse processo de alternância das limas 20-25, o canal, se não tinha sido ampliado ao ponto de permitir o cone 25, já não “aceitava” o 20 porque este ficava folgado.

Solução?

O cone acessório R 8, da Tanari.

Que absurdo!

Onde já se viu obturar com cone acessório?

Ninguém obturava canal com cone acessório como principal.

A “proibição” já estava no nome; cone principal, cone acessório.

Como e porque inverter, fazer do acessório o principal?

Inaceitável!

Mais rígido que o cone estandardizado, o cone R 8 da Tanari tinha um calibre que permitia obturar bem canais nessas condições.

Com uma lâmina de bisturi fazia os ajustes necessários (nunca gostei de fazer o corte da ponta do cone com tesoura).

Numa tentativa de me criticar e espalhar o meu “erro”, uma professora de Endodontia adorava dizer:

“Sabe qual é a mais nova de Ronaldo? Só instrumenta os canais agora até a lima 20 e obtura com cone acessório”.

Não lhe faltava quem quisesse ouvir e disseminar mais ainda “a mais nova de Ronaldo”.

Não é uma maravilha?

É a síndrome do caranguejo pela ótica do pesquisador aí em cima.

O pensador de Rodin

Por lhes arrancarem as pernas da imaginação, que lhes permitiria pensar, muitos se tornam surdos e não conseguem ouvir nada que exige reflexão.

Surdos, mudos não. Por isso falam bobagens.

Já há alguns anos estão usando cones acessórios que foram “transformados” em principais pela própria indústria.

Mas não devem ter percebido.

Aprendi que muitos não concluem pela análise do resultado, do fato.

A interpretação é o caminho escolhido.

O problema é quem interpreta.

Fazem da interpretação um atalho

Um atalho que se perde em si mesmo.

Por isso não andam.

E nós, endodontistas, que caminho iremos seguir?

Caminho a seguir

Incongruência

Não há vento favorável para quem não sabe a que porto se dirige

Por Ronaldo Souza

Estudos da anatomia tridimensional dos canais têm sido publicados mais recentemente.

Ótimo.

Já existiam antes.

Estudos clássicos e de grande importância, como os de Hess e Keller, mostraram não só muito da anatomia dos canais, mas também e sobretudo a inesgotável imaginação do homem.

No Brasil, o Prof. Pécora também dedicou parte do seu tempo a esse tema e como sempre o fez com a visão de quem se antecipa ao momento.

A sua dedicação, por exemplo, à discussão sobre o real diâmetro anatômico apical é digna de elogios.

No entanto, arrisco-me a dizer que é possível que ele tenha experimentado alguma sensação de decepção, ainda que esta seja uma palavra forte, por não ver ter sido levada adiante como deveria a discussão de tema tão importante para a Endodontia.

Discutir essa questão poderia, quem sabe, mostrar os equívocos cometidos quando se fala em instrumento único.

Ainda que motivados por razões desconhecidas, talvez até os pastores do instrumento único repensassem um pouco essa questão.

Menos gente seria enganada.

Mas, lamentavelmente, a abrangência do pensamento recíproco não é contemplada pela concepção do instrumento reciprocante.

Esta, concepção do instrumento reciprocante, tem limites contidos, restritivos, pequenos.

Não falo do instrumento, muito menos da sua cinemática.

Falo da concepção.

Esta é pequena.

E torna a Endodontia menor.

Para muitos, o conhecimento do real sentido e valor das coisas pode ser frustrante.

Por isso fazem a opção pelo caminho mais fácil.

E o caminho mais fácil é o da ilusão.

Se houvesse uma passagem bíblica sobre isso talvez fosse assim:

Engana-te a ti mesmo e serás feliz.

Hoje, a computação gráfica permite ir mais longe e o conhecimento já adquirido pode ser ampliado.

A tecnologia a favor do homem.

Quem tem pelo menos razoável conhecimento dessa ferramenta fantástica pode ter rico material nas mãos.

Mas é importante que se entenda que não basta possuir e apresentar os recursos visuais que podem ser explorados nesse material.

Apresenta-los é pouco se não se discutir o seu real significado e que impacto traz para a clínica.

De que adianta, por exemplo, o conhecimento da anatomia dos canais se na primeira esquina ele é jogado fora e se aponta para um instrumento como a solução dos problemas?

Daí surgem cantos da sereia, como o “domínio da anatomia”.

Dissemina-se a ideia de domínio da anatomia quando na verdade o que se faz é vender o instrumento.

A maravilha da computação gráfica nos mostra toda a complexidade do sistema de canais e no momento seguinte estamos falando de “domínio da anatomia” pelo instrumento dourado, vermelho, amarelo, cor de rosa…

E o que faz o instrumento?

Entra na curvatura e lá trabalha com mais fidelidade a ela.

Pouco?

Não.

Muito.

Mas ainda pouco.

Temos belos instrumentos, boas técnicas, tecnologia, computação gráfica, mas falta imaginação.

Dizer que temos o domínio da anatomia é a maior prova disso.

Estabelece-se assim a perversa indústria da seca.

A indústria da seca de imaginação se fortalece onde não há informação. Esta é negada ou distorcida.

A olhos vistos o conhecimento perde espaço para os “recentes avanços”.

Por onde ir?

Esta é a dúvida atual de muitos profissionais que percebem os descaminhos e se assombram com o rumo que a Endodontia está tomando.

Recentemente, uma experiente colega definiu assim o momento:

“A coisa está fora de controle”.

Não os vejo mais como professores, mas como “formadores” de opinião que precisam entender que a Endodontia não é um mar cor de rosa.

Nem azul.

Estamos precisando urgentemente voltar a falar de Endodontia.

Ainda que as mudanças de comportamento sejam comuns entre gerações, não é incomum que, cobertos de aplausos, alguns cheguem atropelando o que se construiu ao longo dos anos.

Em qualquer segmento profissional não é incomum que os “modernos” tenham a cabeça no passado.

O uso da simplificação como argumento muitas vezes constitui uma farsa e não passa do mais puro e cínico simplismo.

Geração de Ouro foi responsável pelas mais belas e importantes discussões da Endodontia brasileira.

Hoje, estamos às voltas com a geração do instrumento de ouro.

Marcante no momento atual, a pobreza mental tomou as rédeas das discussões endodônticas.

“Sufoco de ter somente isso à minha volta”.

Nenhuma ideia grande'

* A frase “Não há vento favorável para quem não sabe a que porto se dirige” é de Luis Carlos Prestes.
** Álvaro de Campos é na verdade um dos heterônimos de Fernando Pessoa, grande poeta português.
*** Editei o vídeo em que Bethânia declama Fernando Pessoa para “traze-lo” para a Endodontia. Como também o texto “Nenhuma ideia grande”.

Falando de Endodontia

Luz

Por Ronaldo Souza

Há algum tempo comecei a encaminhar vídeos para o YouTube.

Não tinha nenhuma preocupação com o “tipo” de vídeo. Ora eu falava de política, ora de futebol, música, cinema…

Era mesmo um “falando da vida”.

Não há, porém, como não reconhecer que era fundamentalmente sobre política.

O momento não me permitia ficar alheio ao que vinha acontecendo há algum tempo.

A vida me leva e o momento me faz.

Recebi então um comunicado do YouTube dizendo que “eles”, do YouTube, tinham criado um canal para mim.

Assim fiquei sabendo que tinha um canal lá.

Segundo uma aluna de graduação da Bahiana, agora eu era um “youtuber”.

Eu poderia criar uma frase de efeito como a vida não lhe manda recado, faz.

Mas não direi isso.

Por uma razão bem simples.

Ela me manda recados.

Já fez isso comigo algumas vezes.

Aprendi a prestar atenção neles.

Atento, vi outro momento surgir e me dizer; agora vá por ali.

Fui.

Por um direcionamento que me parece não ter sido resolução minha e sim da vida, de repente me vi assistindo a alguns vídeos do YouTube sobre Endodontia, algo que não fazia.

Literalmente chocado.

Foi assim que me percebi.

Apesar de o tema ser Endodontia, pouco a Endodontia ganhava com os vídeos.

Muitos deles não tinham como objetivo, como não têm, dissemina-la. São outras as intenções.

Ocorreu-me então fazer alguns vídeos que falassem de Endodontia.

E aí um mundo novo se apresentou à minha frente.

Novo e desafiante, porque envolve muita coisa.

Tecnologia é uma delas.

E tecnologia tem custo.

Hoje poucas vezes vejo vídeos de Endodontia porque o que queria ver já vi.

Mas, como poderia negar que alguns que vi são muito bem feitos?

Imagem, som, iluminação…, sensacional!

Fiquei preocupado. Como pensar em apresentar vídeos que não terão esses recursos técnicos que os tornam tão atrativos?

Como desconsiderar os recursos da computação, a tecnologia de última geração, enfim, as produções spielberguianas?

Lembrei-me então que não era essa a minha proposta.

Pelo contrário, completamente diferente.

Fiz os vídeos e enviei para o YouTube.

E eis que surge um novo momento, que resolvi colocar em prática.

A criação de um novo canal.

O canal que foi criado pelo YouTube, e por isso sequer tinha um nome, será mantido, agora com o nome Falando da Vida, com todas as postagens que lá estão, inclusive os vídeos de Endodontia.

Mas estes vídeos de Endodontia já estão também no novo canal, o Falando de Endodontia.

Ou seja, os primeiros vídeos feitos sobre Endodontia já estão no canal Falando de Endodontia e os outros que agora virão serão postados somente lá.

A depender das orientações que espero receber do YouTube, com o tempo os vídeos sobre Endodontia deverão ser excluídos do Falando da Vida e serão encontrados somente no Falando de Endodontia.

No momento em que escrevo este texto, meu canal no YouTube, agora com o nome Falando da Vida, tem 3.571 inscritos.

Pela ordem de postagem dos quatro vídeos de Endodontia que estão nele, cada um tem 735, 943, 952 e 844 visualizações respectivamente. Além deles, o primeiro, um “piloto”, tem 288.

Por que falo sobre isso?

Porque não gostaria de perder esses números que registram as visualizações de colegas que prestigiam as minhas postagens e para isso vou tentar esse contato com a equipe do YouTube para ver o que pode ser feito.

http://www.youtube.com/watch?v=r90QMqFcUbA&t=8s%20

Portanto, aqui faço um pedido. Aqueles que se inscreveram no “primeiro” canal (agora chamado de Falando da Vida) só para acompanhar os vídeos de Endodontia, inscrevam-se no Falando de Endodontia porque os próximos vídeos sobre Endodontia serão postados somente lá.

Uma mudança foi feita também aqui no site. A seção que você se acostumou a ler como Conversando com o Clínico agora é Falando de Endodontia.

Seja qual for a solução que terei do YouTube, de agora em diante teremos lá dois canais; o Falando de Endodontia e o Falando da Vida.

Seja bem-vindo a ambos.

Para visitar o canal de Endodontia, clique aqui Falando de Endodontia.

A vida em um consultório

Tibet

Por Ronaldo Souza

Há alguns anos um paciente me foi encaminhado para tratamento endodôntico de um molar inferior.

Suíço, trabalhava em Brasília, no Itamaraty.

Contou-me que já tinha morado em vários lugares do mundo e que passara alguns anos no Tibet, onde aprendeu a fazer meditação em níveis profundos (por isso tinha ido para lá).

Naquele momento, entretanto, por opção pessoal estava trabalhando em Salvador, no governo de Waldir Pires.

Disse-me que Waldir Pires era o maior estadista do Brasil e tamanha era sua admiração por ele que, pelo fato de vir trabalhar por opção pessoal na Bahia, temporariamente perdia alguns direitos que tinha no Itamaraty, entre os quais tratamento grátis com dentista e médico.

Apesar das “perdas”, sentia-se honrado em trabalhar para o governo daquele homem.

Admirei-o.

Após procedimentos iniciais de conversa, preenchimento da ficha clínica… ele fez um pedido.

Queria fazer o tratamento sem anestesia.

Era um molar inferior com polpa viva.

Por que falei no Tibet?

Porque foi onde ele aprendeu a fazer meditação e graças a ela nunca tinha feito tratamento odontológico sob anestesia.

Um detalhe.

Nunca tinha feito tratamento endodôntico.

Expliquei a ele que era inimaginável faze-lo sem anestesia.

Firme na sua decisão, insistiu na intenção.

Só me pediu alguns minutos para fazer meditação e entrar num outro plano (aqui são palavras minhas).

Ele sentado na cadeira, eu no mocho.

Ele se concentrando, eu temendo o que me aguardava.

Ele pronto, eu ansioso.

Começamos.

Sempre olhei muito para o semblante do paciente enquanto o tratava.

Já durante a anestesia, paciente geralmente de olhos fechados, eu de olhos abertos, olhando bem para as suas reações. Desde o simples piscar de olhos (fechados) até movimentos de braços, pernas…

Nele, sem anestesia, quadrupliquei a atenção.

Nunca minhas mãos tinham sido tão leves como naquele dia.

Ele, tranquilo.

Parecia que nada havia naquela sala além dele.

A broca cortando esmalte, agora em dentina.

Ousei entrar no seu mundo.

– Tudo bem?

– Tudo.

Avancei mais com a broca, mas, sabendo da sua inexperiência (novinha, primeiro emprego, primeiro dente no qual trabalhava), pedi a ela que fosse o mais suave possível.

Ousei outra vez.

– Posso continuar?

– Pode.

Fui notando “mudanças”.

Mais pálido, as primeiras e tímidas gotas de suor.

De novo.

– Posso continuar?

– Pode.

A broca já carregava sentimentos de culpa e diminuiu seu ímpeto.

Pluma, minha mão passara a ser muito, muito leve.

Mais palidez, mais gotas de suor, já não mais tão tímidas.

A insustentável leveza das mãos.

E da voz.

– Quer parar?

– Não.

Olhava agora para uma vela branca, que se derretia sob o comando de algo incontrolável.

Era o calor das entranhas contorcendo-se para suportar o insuportável.

Ainda em dentina, não aguentei.

Ele também não.

Paramos.

Naqueles minutos de eternidade me vi um torturador.

Ainda que um torturador sem sensações sadomasoquistas.

E, para conforto da minha alma, com “autorização” do torturado.

Mas autorização que não conseguia afastar o meu desconforto.

Ele estava literalmente branco, encharcado de suor, que banhava também a cadeira.

Disse que nunca tinha sentido dor tão intensa, tão forte que lhe provocava um esforço cada vez maior na busca da serenidade da mente.

Pela primeira vez não conseguiu.

Pelo que vi e pelo seu relato imaginei vísceras ardendo em chamas.

Marcamos então outra consulta.

Dessa vez com anestesia.

Muitas vezes não a vemos, mas a vida passa todos os dias pelos nossos consultórios.

Para que eles usam localizador foraminal?

Por Ronaldo Souza

  1. O canal radicular é composto por canal dentinário e canal cementário.
  2. O local onde se encontram o canal dentinário e o cementário ficou conhecido como limite CDC (Cemento-Dentina-Canal).
  3. O tecido que se encontra no canal dentinário é pulpar.
  4. O tecido contido no canal cementário é uma invaginação do ligamento periodontal, portanto, é tecido periodontal.
  5. O campo de ação do endodontista é o canal dentinário.
  6. O limite CDC representa o ponto de maior constrição do canal radicular.

Estes são postulados clássicos da Endodontia.

Dito isto, vamos observa-los mais de perto.

Para começo de conversa, diria que até o item 4 não existem dúvidas nem interpretações que possam ser consideradas corretas ou equivocadas.

De maneira simples, direta e objetiva, podemos dizer; é aquilo e aquilo mesmo.

Dali em diante, talvez não.

O limite CDC é algo consagrado na literatura endodôntica.

A partir do conhecimento sobre os tecidos que o compõem e da definição dos seus limites espaciais, tornou-se muito forte o consenso de que ali era o ponto onde deveriam ser estabelecidos os limites apicais de instrumentação e de obturação dos canais.

Apesar de ser periodontal o tecido contido no canal cementário ficou conhecido como coto pulpar.

O respeito ao coto pulpar também é algo consagrado na literatura endodôntica.

Traumatiza-lo sempre esteve fora de cogitação.

Daí o conceito de que aquela porção final do canal era sagrada.

Ainda que o coto pulpar não mais estivesse vivo e sim necrosado, sem ou com lesão periapical, aquele limite tinha que ser respeitado.

Mas que limite?

O limite CDC.

“O comprimento de trabalho ideal, acordado entre a unanimidade dos autores desde os estudos de Grove, situa-se no limite CDC. Aparelhos eletrônicos promovem a detecção exata da constricção apical”.
Spironelli, CA e Bramante, CM

Sabendo-se que o canal cementário, e consequentemente o tecido que o compõe, não representavam o campo de ação do endodontista (este era representado pelo canal dentinário), era na constrição apical (CDC) o limite apical no qual deveria trabalhar o endodontista.

Ali ele instrumentava o canal, ali ele o obturava.

Então o comprimento de trabalho do endodontista era… era qual mesmo?

Observando a tabela acima, onde podemos ver uma pequena amostra da diversidade de comprimentos de trabalho recomendada, parecem ficar claras as dificuldades existentes.

Onde finalmente era esse limite?

Onde finalmente o endodontista deveria “parar”?

Ela nos mostra que a depender do autor e da condição tecidual os comprimentos preconizados são os mais diversos possíveis.

Como recomendar tantas e tão diferentes medidas?

Como podiam os professores exigir precisão diante de tamanha imprecisão?

Afinal, era o conhecimento da anatomia e dos tecidos que constituem as porções finais do canal ou o “achar” de cada professor?

Em outras palavras, era o conhecimento ou a interpretação dele?

“Não há verdades definitivas. Apenas interpretações sobre a realidade, condicionadas pelo ponto de vista de quem as propõe”.
Nietszche

Apesar de esse tema não ter sido percebido e analisado sob essa perspectiva, a tabela nos diz algumas coisas, mas a principal delas:

Ninguém sabe onde é!

Foi nessa onda que chegaram os localizadores apicais eletrônicos.

E o mundo foi salvo.

Os endodontistas podiam “ver” agora com facilidade a impedância dos tecidos que compunham os canais dentinário e cementário.

Ao “apito” do aparelho, sabíamos; cheguei lá.

Cheguei no CDC.

Aqui é o meu limite.

Aqui é onde devo parar.

Pronto, dali por diante, depois da descoberta dos localizadores apicais eletrônicos, finalmente o coto pulpar podia descansar em paz. Estava definitivamente resguardado.

Finalmente, a medida exata, a precisão com que tanto sonháramos.

Saímos mundo afora cantando aos quatro ventos a oitava maravilha do mundo.

Baixaram um decreto.

“A partir de agora, quem não usar localizador apical eletrônico está ultrapassado”.

Mas o mundo não é perfeito.

O mundo da Ciência menos ainda.

Começaram a perceber que não era exatamente daquele jeito.

Ainda existiam problemas, dificuldades a serem contornadas e por razões diversas percebeu-se que a precisão ainda não tinha sido alcançada.

Se já tínhamos avançado para a impedância, avançávamos agora para a frequência.

Ângelo CT 1 fig. 2

Agora sim!

Novos aparelhos, novos conhecimentos, novos…

Sim, mas… e a exatidão?

“A nova geração dos localizadores eletrônicos foraminais nos dá uma segurança de 100% na localização do limite CDC”.

Resta ainda alguma dúvida?

Não. Segundo muitos profissionais, questão resolvida.

Então vamos adiante.

Ser ou não ser. A anatomia é a questão

“A constrição apical parece ser mais um mito do que uma realidade”.
Walton, R. Princípios e Prática em Endodontia – 1997

“A constrição apical geralmente não existe”.
Wu, MK et al. O Surg O Med O Pathol Jan 2000

“A localização clínica do limite CDC é impossível”.
Ponce, EH e Vilar Fernández, JÁ. J Endod, 2003

“Os nossos resultados indicam que o limite CDC e a constrição apical são dois pontos distintos e que o diâmetro do canal no CDC é sempre maior do que o da constrição apical”.
Hassanien, EE et al. J Endod Abr 2008

Observe duas coisas.

Não falo desse ou daquele profissional, desse ou daquele autor.

Muitos são citados neste e em outros textos que escrevo. Com alguns deles concordo, de outros discordo.

A discussão é feita em cima de ideias, não importa de quem sejam.

A outra questão é a seguinte.

O localizador é mais um recurso importante para o tratamento endodôntico e muito bem-vindo. A questão, mais uma vez, é a conotação que deram e dão. Querem por exatidão onde não existe.

Há muito tempo os estudos de anatomia já mostram as peculiaridades dos canais, particularmente no terço apical.

“A constrição do canal só pode ser observada na secção adequada de um corte histológico e este é o único método que permite a determinação do comprimento de trabalho”.
Langeland, K. 1995

O diálogo

Se você ainda não leu Os limites na Endodontia, convido-o a fazer isso para nos entendermos melhor. Trago de lá a imagem abaixo.

Limites

Pelo que observamos naquele texto e na imagem acima, como é possível determinar com precisão o limite CDC se em um mesmo canal há uma grande variabilidade na extensão do cemento?

Existem alguns e não um limite CDC.

Como querer precisão nessas condições?

Voltemos à figura 2 e à frase que diz que “para que o localizador tenha a eficiência desejada, é necessário que o instrumento atinja o forame…”.

Por que ele tem que atingir o forame?

Por uma razão bem simples.

Porque, graças à complexidade da anatomia naquele segmento do canal, o localizador não é capaz de fazer a leitura perfeita, aquela que todos desejam e dizem existir.

Então ele precisa ir até o forame apical e de lá perguntar ao endodontista.

– Cheguei. Já estou aqui no forame apical e pelo caminho fui vendo que existem alguns pontos em que a dentina se encontra com o cemento. Qual deles escolho para você registrar aí como seu limite CDC? Ou você prefere que eu recue de acordo com o protocolo que você segue?

O que fazem nessa hora?

Daquela medida registrada pelo localizador no forame, recua-se o necessário de acordo com o limite que o profissional usa, geralmente a depender da escola que ele segue.

Numa grande quantidade de vezes, esse recuo é de 1 mm.

O CT será então 1 mm aquém do registro do localizador.

Confere?

Ou você conhece alguém que usa 0,5 aquém nos pacientes jovens e 0,7 nos pacientes idosos, como detalhou Kuttler em 1955?

Sabendo-se que essas medidas representam médias e, portanto, existem inúmeras outras, como 0,2 ou 0,3 ou ainda 0,8 e 0,9, algum localizador registra assim o limite CDC?

Posso lhe fazer uma pergunta?

Por que inicialmente foram chamados de localizadores apicais eletrônicos, como os tratei até aqui, e agora são chamados de localizadores foraminais eletrônicos?

A precisão desnecessária

Voltemos novamente à figura 2, à primeira parte da frase superior.

“Por décadas, trabalhamos além do forame apical sem saber”.

Uma evidente crítica à possibilidade de a radiografia eventualmente nos dar a falsa impressão de estarmos dentro do canal.

Ora, se “para que o localizador tenha a eficiência desejada, é necessário que o instrumento atinja o forame…”, ele já está fora do canal.

Fora do canal, ele já está nos tecidos periapicais!

Se alguém imagina o contrário, desconhece anatomia apical.

No forame 1

Observe a figura acima. A lima está “dentro” do forame, porém, vista numa visão mais próxima na figura abaixo, ela aparece dentro do forame sob a perspectiva da parede que está “atrás” dela (como se fosse a face palatina), mas está 1 mm fora sob a perspectiva da parede anterior (como se fosse a face vestibular).

No forame 2

E o que dizer das imagens na figura abaixo, do trabalho de Blaskovic-Subat e colaboradores?

No forame''

A radiografia nos daria “uma falsa impressão do instrumento dentro do canal, pela angulação e formação do halo apical”.

Verdade.

Para os mais jovens, o halo de que se fala corresponde à quantidade de tecido mineralizado que está “por trás” da lima na figura acima, cuja extensão é mostrada pela seta dupla preta pontilhada (letra C).

Pela radiopacidade desse tecido “em volta e acima” do instrumento que apareceria na imagem da radiografia periapical, imaginaríamos que o instrumento está dentro do canal, quando, na verdade, está fora.

E o que nos diria o localizador foraminal? Pela parede “palatina” ele ainda está ligeiramente aquém da abertura foraminal, portanto, “dentro do forame”, mas pela parede “vestibular” ele está além do forame apical.

Aí o localizador daria um alerta.

– Doutor, cuidado! Pela parede “palatina” o instrumento ainda está ligeiramente aquém do forame e pelas proximais, mesial e distal, ligeiramente fora. Mas pela parede “vestibular” ele está completamente além do forame apical, portanto, nos tecidos periapicais.

É assim?

Estou enganado ou posso dizer que não é?

Sendo assim, mesmo com o localizador e sua “precisão não tão precisa”, não teríamos ainda alguma possibilidade de trabalhar “por décadas… além do forame apical sem saber”?

E que história é essa de que só estamos em tecidos periapicais quando estamos além do forame apical?

Qual é o tecido que invagina e preenche o canal cementário?

Coto pulpar

O ligamento periodontal. Observe como é ele que penetra no canal cementário.

Ali, ele é tecido periodontal apical. Sendo assim, o instrumento não precisa estar além do forame para estar em tecido periapical.

Digamos, porém, que existisse um único limite CDC e este fosse detectado pelo localizador com precisão.

Ótimo.

Para que?

Duas questões devem ser consideradas.

A ampla, total e irrestrita ampliação foraminal que fazem em todos os tratamentos endodônticos e a enorme quantidade de material obturador que jogam nos tecidos periapicais.

Surplus''

Surplus'''

Como pode alguém que preconiza, ensina e estimula isso falar de cuidados e preocupações com os tecidos periapicais?

Como explicar o Glória nas Alturas pelos localizadores e as cabecinhas balançando no amém, amém, amém pelo “surplus”?

Fronteiras

O que são fronteiras?

Vamos pegar uma parte da definição do Wikipédia.

“Fronteira é o limite entre dois países… As fronteiras podem ser naturais, geométricas ou arbitrárias…”.

Vamos simplificar?

Esses limites determinam que as pessoas de um país não ultrapassem a fronteira e entrem no outro sem a devida autorização. 

Cada país mantém nas suas fronteiras funcionários devidamente treinados para não permitir que os limites existentes sejam invadidos por pessoas “estranhas” a aquele país.

A indevida ultrapassagem das fronteiras gera desconforto e consequências diplomáticas entre os países fronteiriços.

Imagine a seguinte situação.

O mundo resolve acabar com as fronteiras.

Não há mais fronteiras, não há mais limites de circulação entre os países.

Diante dessa perspectiva, você acha que os países manteriam as suas fronteiras com quadros de funcionários treinados e bem remunerados para essa função específica para que as fronteiras fossem respeitadas?

Para que?

Para que serviriam eles?

Já imaginou para onde vamos agora?

Isso mesmo, para a Endodontia.

Consideremos os “países” dos tecidos apicais-periapicais; cemento-dentina-canal-tecidos periapicais. Por razões óbvias, vamos deixar de lado a questão da fronteira geométrica.

Aceitemos o limite CDC como a fronteira natural entre cemento e dentina.

Seria ali a fronteira entre o que se considera o campo de ação do endodontista, canal dentinário, e os tecidos periapicais.

Os deuses da endodontia moderna, que falam pelos instrumentos e aparelhos e não pela Endodontia, precisam entender que era esse limite que ditava os procedimentos do tratamento endodôntico.

Se certos ou errados é outra questão.

Não se trata de concordar ou discordar da concepção, essa é outra questão, mas a proposta do localizador era, por ser preciso na detecção do limite CDC, não traumatizar tecidos adjacentes, aqueles que não estariam inseridos no contexto do preparo e obturação do canal.

Lembre que, concordando ou não, o canal cementário não era incluído no preparo do canal nem na obturação e muito menos os tecidos periapicais.

A louvada precisão de 100% do localizador significa então que você vai usar uma ferramenta para detectar com exatidão o limite CDC (maravilha!) para logo em seguida destruí-lo com a ampliação foraminal e jogar uma enorme quantidade de material obturador nos tecidos periapicais.

Não é um espetáculo?

A louvada e inexistente precisão de 100%, diga-se de passagem.

Por que todo esse encantamento e interesse em disseminar uma ferramenta que “detecta” o limite CDC com precisão de 100%, se na “excelência em endodontia”, da qual se fala todo dia, invadem e destroem a fronteira natural entre cemento-dentina-canal-tecidos periapicais em todos os tratamentos endodônticos?

Por que cantam em prosa e verso a necessidade da precisão do localizador se destroem o limite que ele registrou com precisão e é por ali que inundam os tecidos periapicais com material obturador?

Não percebem a contradição?

Usa-se, na verdade, a fronteira arbitrária para se determinar o comprimento de trabalho.

Vai-se ao forame com o localizador foraminal e de lá se faz o recuo de acordo com o protocolo da escola que seguem.

Qual é o mais utilizado?

1 mm aquém.

…com frequência, se processa uma separação definitiva entre o falado e o vivido, e a ciência se torna um jogo de conceitos… Malabarismo verbal, virtuosismo conceitual.
Rubem Alves – Conversas com quem gosta de ensinar, 2002

O sucesso ao seu alcance na Endodontia

Olá pessoal,

Agora será em Aracaju.

Divulgação

Como curso com carga horária de 4 horas, terá uma programação mais abrangente. Veja.

O sucesso ao seu alcance na Endodontia
Análise crítica do momento atual do tratamento endodôntico

  • A importância do limite apical de trabalho
  • Como obter excelência nas suas obturações

Abrir e fechar um buraco. Qual a dificuldade?

Furando a parede

Por Ronaldo Souza

Fim de semana, você em casa e aí resolve colocar qualquer coisa na parede.

Já tendo feito antes, o que lhe torna experiente, munido de ferramenta de última geração (daquelas recomendadas pelos experts), você parte para mais uma.

Fácil.

Conhecedor da arte (viu até palestras sobre o tema proporcionadas pelas empresas do ramo e vídeos no You Tube), ferramenta de última geração, pronto para o trabalho.

De repente, o inesperado.

Um cano.

Não devia estar ali.

Água para tudo quanto é lado.

O que fazer?

Não tem jeito.

Chame um bom encanador.

Quem sabe ele até poderá lhe orientar e mostrar que não é tão simples assim, não se trata somente de abrir e fechar um buraco.

Talvez vá um pouco além.

Resolveu.

Conhecedor da arte (viu até palestras sobre o tema proporcionadas pelas empresas do ramo e vídeos no You Tube), instrumento de última geração, pronto para o trabalho.

Maravilha.

De repente, o esperado.

Furou o cano.

Mas fechou na mesma hora.

Material vedador para tudo quanto é lado.

Viu como ficou bom?

O material vedador vedou o cano furado e os buracos que tinha.

Se vedou, tá resolvido.

Algum tempo depois, o inesperado.

A lesão periapical.

Não devia estar ali.

Ficou.

Persistiu.

O que fazer?

Chame um bom endodontista. 

Quem sabe ele até poderá lhe orientar e mostrar que não é tão simples assim, não se trata somente de abrir e fechar um buraco.

Vai muito mais além.

Mas não precisa!

Foi bem tratado.

Tá bem feito.

Tá bonito.

É porque não tinha que dar certo.

Tem casos que a endodontia não resolve.

É verdade, não tinha pensado nisso.

Então manda operar.

Tem casos que a endodontia não resolve.

Esses casos só a Endodontia resolve.

Uma tarde com a Endodontia

Principal

Olá pessoal,

Em média, o tempo das palestras das Sessões de Quarta da ABO-BA tem sido em torno de 2 horas e meia.

O tema sobre o qual vamos conversar é um dos mais interessantes e polêmicos da Endodontia.

Acredito que é possível que a abordagem que vou fazer levante algumas questões e aí precisaríamos de um tempo maior para conversar e trocar ideias.

Aqui pra nós, muita coisa precisa ser vista e discutida.

Vou mostrar muitos casos clínicos e trocar ideias sobre eles e por isso é bem possível que precisemos de um pouco mais de tempo.

Extravasamento

Vamos conversar, por exemplo, sobre casos como esses acima e saber o que há de igual ou diferente entre eles.

Então, vamos fazer um pouco diferente?

Já consultei a ABO sobre isso. Começaremos às 14:00, mas não vamos estabelecer hora para terminar. É claro que não vamos nos prolongar demais, mas acho que devemos aproveitar a oportunidade da melhor maneira possível.

Afinal, já tem mais de 5 anos que não falo aqui em Salvador.

Foi uma opção minha, mas acho que chegou a hora de termos essa conversa.

Tenho certeza de que vai ser bem legal. Vamos conversando, conversando e se bater um pouquinho de fome, comam uma barrinha de cereais ou de chocolate, como acharem melhor, ali mesmo enquanto a conversa continua.

A ABO vai manter um “cafezinho” à sua disposição na parte externa do auditório.

Se precisar ou se vocês quiserem, podemos dar uma parada rápida de 10-15 minutos para esticar as pernas, tomar o café e voltamos.

Coisa rápida.

Você não gostou pelo fato de ser à tarde e vai atrapalhar o seu consultório?

Concordo com você e já pensei sobre isso.

À noite seria melhor.

Mas, se for à noite será que você não estará cansado depois de um dia inteiro de trabalho no consultório?

Ah, até pensei em ir, mas hoje tô tão cansado!

Se for à noite, a que horas você sairá da ABO? Às 22:30 talvez?

Você não ficaria um pouco apreensivo ao ir “pegar” seu carro, um táxi ou o ônibus a essa hora?

Repito. Acho que vai ser bem legal.

Vou além. Tenho certeza de que você não vai se arrepender.

Combinado?

Espero vocês na ABO-BA, no dia 23 de agosto, às 14:00.

Abraços,

Ronaldo Souza