Jogo perigoso

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

O torcedor tricolor lembra do que a imprensa esportiva da Bahia disse no início deste ano com relação aos times que Bahia e Vitória estavam armando?

Disse que o Vitória estava formando um super time, com grandes jogadores, nomes consagrados e que a diretoria estava de parabéns.

Enquanto isso, o Bahia estava formando um time inexpressivo, jogadores desconhecidos e que a diretoria tinha que mudar a forma de agir.

Eu dizia a pessoas mais próximas; tanto um time quanto o outro pode dar liga, isso é imprevisível, mas prefiro a forma que o Bahia escolheu. Jogadores jovens, nenhum nome conhecido, muito menos consagrado, mas que já mostraram bom futebol por onde passaram e todos buscando conquistar um espaço no futebol brasileiro.

Dispenso-me de qualquer comentário sobre o que aconteceu, está acontecendo e com a qualidade do time do Vitória. Seus torcedores que se preocupem com isso.

É só para mostrar, mais uma vez, a competência da nossa imprensa esportiva.

Há um bom tempo não vejo o Bahia jogar futebol com a qualidade que vem apresentando.

Sem querer tirar o seu mérito de ter deixado um time montado, já falei aqui e aqui que não foi Guto Ferreira e sim o acaso que armou o ataque do Bahia com Zé Rafael (numa fase sensacional), Edgard Junio e Allione.

E esse ataque, sem o centro avante clássico, mudou para melhor a forma de jogar do time.

Porém, diante de 5 jogos sem vencer e chegando à zona de rebaixamento é natural que surjam incertezas e críticas.

Vamos lá.

Tenho ouvido muita gente dizer que está faltando um matador ao Bahia. O cara que “empurre” a bola para dentro do gol.

Dos que ouvi, se não todos quase todos os comentaristas da nossa competente imprensa esportiva dizem isso.

Por que será que chamam Hernane de “brocador”?

Porque ele broca, faz gol.

Hernane é, portanto, um matador, como eles reconhecem.

Será que todos, inclusive a torcida, já esqueceram que até ele se machucar estavam reclamando muito da falta de gols do time e a torcida já estava “pegando no pé” dele e até vaiando?

O substituto, Gustavo, não é um cabeça de bagre. É jovem, acho que em outro momento pode jogar mais, mas no Bahia não parece muito provável que venha a faze-lo. Até porque também já está um pouco “marcado” pela torcida .

É incrível como se ouve com frequência a imprensa dizer; “o time tem que ter reservas a altura dos titulares”.

Os “comentaristas” dizem isso todo dia.

E para minha surpresa, entre esses “comentaristas” estão ex-jogadores. Como dizem bobagens.

A nossa cultura futebolística ensina a pensar assim em relação a qualquer time que perca 3 ou 4 partidas seguidas.

No caso do Bahia dizem que a diretoria tinha que contratar um atacante no mínimo no mesmo nível de Hernane.

Qualquer diretoria de time de futebol que se deixar guiar pelo que diz a imprensa estará fadada ao mais absoluto fracasso.

Quantos times conseguem ter na reserva jogadores do mesmo nível que os titulares?

Aliás, algum consegue?

Você acha que o Barcelona tem ou pode ter três reservas no mesmo nível de Neymar, Messi e Luis Soares?

Digamos que tivesse.

Como administrar o ego de “titulares” na reserva?

Dá pra ver o tamanho da tolice?

Vamos adiante.

O que fez mudar tão repentinamente a qualidade do jogo do Bahia e a elogiada velocidade de transição e de ataque do time?

As características dos jogadores.

Não há entre eles, Zé Rafael, Edgard Junio e Allione, nenhum matador. São jogadores com habilidade e raciocínio rápido que dão grande velocidade ao jogo.

Gente, é justamente isso que está dando esse jeito de jogar que tem sido elogiado por vários comentaristas do Brasil.

O Bahia perdeu alguns jogos e em nenhum deles foi criticado por jogar mal futebol. Pelo contrário, não só vem sendo elogiado como se reconhece que em alguns desses jogos não merecia perder, tendo inclusive chances de ganhar.

Se tirar qualquer um desses jogadores e colocar um matador vai matar esse jeito de jogar (a redundância é intencional).

Assim como o volante brucutu, o matador é um estilo de jogador que não me parece que vai resistir por muito tempo. Nele, muitas vezes morre a velocidade de transição e de criação de jogada. Ele não sabe fazer esse tipo de jogo.

Zé Rafael, Edgard Junio e Allione estão em campo desde o início da temporada com Hernane como centro avante. Por que o time não jogava como está jogando?

Usemos o próprio jogo Bahia e Flamengo.

Se o centro avante matador é o que falta, como dizem os “comentaristas”, por que o Flamengo, cuja qualidade do atual time é inegável, jogou a partir dos 30 minutos do primeiro tempo com um jogador a mais e Guerreiro, um matador, nada fez?

Concordo inteiramente com o que disse o comentarista Gustavo Castellucci, da TV Bahia:

“O Bahia dominava as ações nos 30 primeiros minutos, teve mais posse de bola, estava indo bem contra o Flamengo, até essa infantilidade do Lucas Fonseca”.

O Bahia foi superior ao Flamengo na maior parte do jogo e até a expulsão de Lucas Fonseca boa parte da partida o Flamengo passou correndo atrás do Bahia.

Mesmo com um jogador a menos, o Bahia continuou atacando e foi mais perigoso que o Flamengo.

Quando a imprensa carioca chega a colocar senões na atuação dos seus times, particularmente o Flamengo, é porque reconhece, apesar de poucas vezes admitir, que o outro foi melhor.

Por outro lado, é claro que não é somente o ataque do Bahia que merece os comentários feitos. É todo o time.

Observe o meio de campo; Edson, Renê Júnior e Régis.

Estavam jogando muito.

Chamaram a atenção pelo futebol que vinham jogando desde as semifinais e finais da Copa do Nordeste contra Sport e Vitória. Ainda que não sejam os parâmetros mais adequados, esses times estão na série A. Além disso, o Bahia jogou esse futebol também contra outros times no início do Campeonato Brasileiro.

Infelizmente, perdemos Régis por contusão (já está voltando), que é o quarto elemento do ataque do Bahia e que também imprime muita velocidade ao jogo.

Continue comigo.

Tire Régis desse time e ponha Renato Cajá, mesmo na sua melhor fase (estava numa fase horrorosa).

Acaba com a festa.

Renato Cajá é mal jogador?

Não, ele é craque.

É questão de estilo de jogo.

E para nosso azar chegamos a esses últimos jogos sem Régis, particularmente no jogo contra o Flamengo, ao qual chegamos sem ele e os outros dois titulares do meio de campo.

Enquanto o Flamengo veio com seu time completo e qualificado, como há algum tempo não tem, o Bahia jogou sem quatro dos seus principais jogadores, incluindo aí, Jackson, titular absoluto da quarta zaga, também contundido.

Quantos times conseguem jogar contra times fortes sem tantas peças fundamentais e apresentar aquele nível de futebol que o Bahia apresentou?

Assim, reconhecendo-se o poder financeiro bem menor que o dos times do Sudeste/Sul, que se faça pelo menos um pouco de justiça ao elenco do Bahia, ainda que também se reconheça a necessidade de ajustes.

Que se faça, portanto, justiça ao futebol apresentado por Matheus Sales, Juninho e Vinícius, os três que substituíram os titulares do meio de campo.

Como então não reconhecer que o Bahia tem e pôs em campo reservas de qualidade???

E não esqueçamos a regularidade e consistência do sistema defensivo. Não são os recentes gols tomados que irão negar a qualidade desse sistema e tirar o mérito dos jogadores da defesa. Assim que o time voltar a encaixar, o sistema defensivo também vai se refazer.

O time ainda precisa de alguma contratação?

É praticamente certo que sim.

Mas tem que agir com serenidade, como tem feito e vem procurando fazer.

Mas é muito importante percebermos que, apesar da posição na tabela, o Bahia está no caminho certo.

A torcida precisa ter alguns cuidados com o que diz a imprensa, que além da tradicional incompetência muitas vezes diz coisas que beiram a irresponsabilidade.

Lava Jato se desmoraliza mais um pouco. E aos poucos, desMorona

Dallagnol se desmoraliza

Por Ronaldo Souza

Segundo a matéria do jornal Valor (Globo), Dallagnol afirmou que a atividade de dar palestras, inclusive as remuneradas, é “legal, lícita e privada”.

Doutor Dallagnol, ninguém disse que a atividade de palestras remuneradas é ilegal.

É o senhor, o juiz Moro e toda a Lava Jato que dizem há anos que “a atividade de dar palestras” é ilegal, mas só as de Lula.

Só ficou esquisito, doutor, o senhor se negar a revelar quanto recebeu pelas palestras e dizer que “não controlou” os valores recebidos no ano passado com elas.

Agora, o dado importante é que para o senhor sim, a atividade de dar palestras remuneradas é ilegal e ilícita.

Apesar de espertamente citar em defesa própria as resoluções 34/2007 do CNJ e 73/2011 do CNMP, vejamos o que ela diz e que o senhor, acometido por uma amnésia passageira, não lembrou. Recorro ao que a senadora Gleisi Hoffmann mostra no seu texto Sobre Deltan Dallagnol e as suas palestras:

“Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:

…………………………………………………………………………………….

Parágrafo único. Aos juízes é vedado:

IV – receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)”

Na verdade, doutor Dallagnol, a Resolução nº 73/2011 do CNMP fulmina a sua defesa:

“Art. 1º. Ao membro do Ministério Público da União e dos Estados, ainda que em disponibilidade, é defeso o exercício de outro cargo ou função pública, ressalvado o magistério, público ou particular, por, no máximo, 20 (vinte) horas-aula semanais, consideradas como tais as efetivamente prestadas em sala de aula.”

Vai ser aberta uma investigação pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o senhor pela comercialização de palestras.

Mas, doutor, aqui pra nós.

Não vai dar em nada, o senhor sabe muito bem disso. É pra inglês ver.

É só pra inglês ver, porque os americanos já viram tudo que queriam ver (tenho certeza de que o senhor entende o que quero dizer).

Agora, quer um conselho?

Faça todo o resto bem direitinho, de acordo com as orientações que recebe.

Jamais contrarie a Globo.

Se isso acontecer, com tudo que ela sabe e agora com essas palestras (claro que ela já sabia, nós é que não), ela facilmente arruma outro procurador para procurar mais coisa e aí a vida de vocês vira um inferno. O mesmo inferno que vocês fizeram virar a vida de muita gente.

Há sempre um procurador de plantão procurando aqueles famosos 15 minutos de fama que só a Globo oferece. E que o senhor está tendo.

Quanto ao resto, não se preocupe, doutor, porque aqueles, aqueles que adoram vestir roupas amarelas e se enrolar em bandeiras do Brasil (que só eles têm), continuarão batendo palmas para tudo que o senhor faz. Foram eles que se tornaram os 100 mil seguidores que o senhor comemorou no twitter.

Não se preocupe porque esses predestinados e privilegiados pelos deuses da inteligência e sensibilidade vão continuar lhe seguindo.

Agora, tem outros, doutor, que estão percebendo o que o senhor é. Muitos começam a entender qual é a jogada dos heróis brasileiros, os caçadores de corruptos.

 Lembra de Collor, o caçador de Marajás?

Caçador de Marajás'

Sempre ela, a Veja.

A bíblia que guia os passos da classe média intelectualizada do Brasil.

Mas, não se preocupe, doutor Dallagnol.

Como diz seu amigo de empreitada, o juiz Moro; não vem ao caso.

De acordo com a mesma matéria do Valor, o procurador negou que esteja usando as investigações da Lava-Jato para enriquecimento pessoal.

Doutor Dallagnol, ninguém acusa o senhor também disso.

O senhor, o juiz Moro e toda a Lava Jato é que dizem que Lula, o chefe do maior esquema de corrupção do Brasil, ele é que enriqueceu de forma vergonhosa e corrupta.

Uma dessas vezes foi quando surgiu a notícia de que Lula tinha comprado um iate. Novamente, jogaram para as arquibancadas; o corrupto-mor ganhou tanto dinheiro que comprou um iate. Com dinheiro roubado do povo brasileiro.

E nós, que acompanhamos de perto essa heroica dedicação do senhor, do doutor Moro e da força tarefa da Lava Jato no combate ao crime, somos testemunhas de como foram pra cima investigar com vontade. Mobilizaram toda a força tarefa, já muito atarefada, e a polícia federal.

E não é que acharam?

Mas acho que alguém esqueceu de avisar às nossas gloriosas lava jato e imprensa; olha, vão devagar que não é bem assim.

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Um breve registro.

Observe o detalhe da manchete em “leia também”, que chama a atenção do leitor; “Instituto Lula admite que ex-presidente frequenta sítio em Atibaia”.

Um homem dizer que frequenta um sítio é manchete de um dos jornais mais importantes (para eles) do país e “significa” assumir que é o dono do sítio e, como tal, corrupto.

Um jornal que põe matérias como essas como manchetes conhece muito bem a pobreza mental e intelectual do seu leitor.

E por favor, não diga que estou tirando do contexto.

Esse contexto foi criado pelo jornal, justamente para o público que ele formou.

Algum dia esse leitor perceberá o que fizeram dele?

Não importava. A ordem estava dada.

Vão lá e espetacularizem!

Barco de Lula''''.jpeg

Como faz questão de frisar a matéria da Globo, “foi cumprido mandado de busca e apreensão no local com autorização do juiz Sérgio Moro”.

Ali estava o barco de Lula, com o qual o corrupto-mor certamente iria velejar mundo afora.

Com dinheiro roubado do povo brasileiro

Comprar um barco desse só com muita grana. É muita corrupção, é ou não é doutor?

E como prova final, vocês mostraram que ele tinha comprado dois pedalinhos para os netos. Estava definitivamente demonstrado o tamanho da corrupção que envolve Lula.

Mas foi quando o senhor deu aquela aula maravilhosa para a Globo, mostrando toda sua imaginação e criatividade com o Power Point, que não restou mais nenhuma dúvida. 

Prof. Dalagnoll e curso de powerpoint

Estava ali um verdadeiro mestre do…Power Point!

Dallagnol e PowerPoint'

Um garoto que se acha porque fez um concurso público, refúgio de muita gente incompetente, aliás, coisa cada vez mais fácil de se observar.

Foi aprovado e hoje é um Procurador da República de poucos recursos, como tantos outros que existem por aí.

E isso ajuda a entender porque tem tantos seguidores.

O futuro roubado de si mesmo

Futuro abortado

Por Ronaldo Souza

Não é incomum ouvir-se dizer “já vi de tudo na vida”.

É uma forma de falar, não se pretende ser literal.

É claro, porém, que as pessoas que já viveram um pouquinho mais já viram muita coisa, o que pode nos levar a crer que elas não se surpreendem mais com o que veem. Não é exatamente assim.

Eu, que já tenho alguns bons meses de vida, ainda me surpreendo. Surpreendo-me principalmente com o fato de como nos perdemos tão facilmente.

Não vai muito tempo que alguém me disse que ouviu falar de um curso que ensina a fazer tratamento endodôntico para convênios.

Como não ficar chocado?

Vi uma vez na Internet, terra de todos e de ninguém, a propaganda de um curso que me deixou mais uma vez… surpreso.

“Apesar dos diversos cursos que participamos, continuamos praticando a mesma endodontia!! Alguns pacientes se queixando de dores pós-operatória, às vezes não conseguimos atingir o nosso limite de trabalho (forame) e os tratamentos são feitos em muitas sessões causando desconforto e perda de tempo”.

Pelo visto haverá sempre alguém dizendo que ‘continuamos praticando a mesma endodontia!!’.

Sob a ótica do marketing deve ser bem interessante, afinal querem fazer crer que o mundo precisa viver sob a perspectiva tirânica do novo.

Como você reagiria a um médico que com frequência muda o que faz e diz que “agora” está fazendo um tratamento revolucionário? “Não faço mais daquele jeito, está ultrapassado”.

Então quer dizer que tudo que o senhor fazia estava errado?

E aí, você, que parece ser um cara inteligente, continua confiando nesse médico?

Depois de tantos anos, tanto estudo, tanta pesquisa, tanta experiência clínica acumulada, abandonam-se os conceitos estabelecidos pura e simplesmente?

A Endodontia apoiada em conceitos que foram se estabelecendo ao longo dos anos, sob o respaldo de pesquisas e experiências clínicas não serve mais?

Se serve, o que ela diz?

Você sabe, por exemplo, quantos instrumentos devem ser usados para fazer um bom preparo de canal?

Se sabe, parabéns.

Eu não sei.

Conhece aquela “regrinha” antiga que diz que na polpa viva deve ser 1+3 e na necrosada 1+4?

Ela está certa?

Não seria suficiente instrumentar um pouco menos, na polpa viva 1+2 e na necrosada 1+3?

Ou seria necessário instrumentar mais, na polpa viva 1+4 e na necrosada 1+5?

Quer que eu lhe diga uma coisa?

Não faço a menor ideia.

Alguém sabe?

Vou mudar a pergunta.

Tem como saber?

Os canais são todos iguais?

Mesmo grau de curvatura?

Estão igualmente infectados?

Então, gente, tem como saber?

Tem como pretender fazer tudo da mesma maneira?

A despeito de não se saber exatamente quantos instrumentos são, pelo conhecimento existente e pela experiência clínica acumulada você concorda comigo se eu disser que deve haver um mínimo necessário para cada canal para que sejam atingidos os objetivos desejados?

Aí vem alguém e diz.

Basta um.

Baseado em que?

É assim na tora, como se diz aqui no Nordeste?

Você não acha que para avançarmos de forma consistente é necessário que as novas propostas sejam analisadas antes?

A Endodontia sempre foi uma especialidade que se permitiu modificar e avançar como resposta a novos conhecimentos e tecnologias.

Mas precisamos entender que a fisiologia tecidual, a microbiologia e a patologia não se modificam pelo nosso desejo. Podem sofrer mudanças conceituais e de interpretação pelas descobertas que novos conhecimentos proporcionam. São esses conhecimentos que levam ao surgimento de novos instrumentos e técnicas operatórias. Estes existem em função daqueles.

Em outras palavras, não é o surgimento de novos instrumentos que leva ao conhecimento. É o contrário.

É o conhecimento que faz surgir o novo instrumento.

Observe como cada vez mais os instrumentos são melhores.

Que bom, mas eles são apenas ferramentas que permitem pôr em prática o conhecimento adquirido.

As mudanças não são instrumento dependentes.

O instrumento não constrói o conhecimento.

É ferramenta dele.

O conhecimento é senhor da tecnologia.

Volto a aquela professora que por pouco não me atirou pedras. Veja o que ela diz ao anunciar o novo curso de imersão com o mesmo professor convidado em sua cidade:

“Você sabia que aproximadamente 90% dos primeiros molares superiores apresentam 4*canal e que atualmente existe uma lima, a …, da …, de fabricação alemã, capaz de auxiliar você no preparo biomecânico desses dentes de maneira previsível? Venha imergir no mundo da Endodontia Contemporânea. Serão dois dias de grandes inovações. Esperamos você de braços abertos”.

Meu Deus do Céu!

Isso é uma tentativa absurda de induzir as pessoas a pensarem que agora terão a certeza de que o 4º canal será, finalmente, bem preparado.

Previsibilidade.

Esta é uma palavra recentemente descoberta por alguns endodontistas, que a repetem à exaustão.

Tornou-se um mantra.

Mas não pense na palavra “previsibilidade” como você costumava pensar. Algo previsível, que se espera acontecer.

Não.

Já há algum tempo deram a ela um significado muito próprio em Endodontia.

Previsibilidade é a certeza antecipada de sucesso.

E você só a terá com ‘aquele’ instrumento, ‘daquela’ marca.

É venda explícita de instrumento!

Só com aquele instrumento você terá a previsibilidade que é objeto do seu “sonho impossível e assim romper a incabível prisão e ter fim a infinita aflição”. Que me perdoe Miguel de Cervantes, no seu “Dom Quixote de La Mancha”.

Como conceber que alguém mude o conhecimento estabelecido sem oferecer evidências mínimas para isso?

“O tratamento endodôntico é fundamentalmente o manejo clínico de um problema microbiológico” (Figdor D. 2002).

Não é uma questão de natureza mecânica.

E, por favor, não argumente dizendo que a ação mecânica do instrumento é a mais importante.

Não zombe da inteligência das pessoas.

A ação mecânica dos instrumentos é de fundamental importância no ato operatório que representa o tratamento endodôntico e esta, por si só, já deveria ser uma razão forte para não ser negligenciada pelo uso de um único instrumento, seja ele qual for.

Mas essa ação não pode ser vendida como exclusividade ‘daquele’ instrumento.

Estamos acuados e com medo de falar do óbvio?

Existe algum tipo de pressão?

Está se formando uma avalanche pressionadora para que todos falem de um jeito só, mesmo que não sejam tantos assim os que de fato fazem dessa forma?

Ninguém resistirá?

Ninguém se colocará contra essa corrente que se forma com prejuízos evidentes para a formação dos jovens profissionais?

É a ditadura do jeito único?

Tendo em vista que entre nós é hábito venerar autores estrangeiros, vejamos o que diz Martin Trope através de um slide igual ao que ele projetou no Circuito Nacional de Endodontia em Curitiba.

Martin Trope

“Uma lima, uma hora, uma sessão. Como matar uma especialidade”

Isso deveria nos fazer pensar.

Uma vez Chico Buarque disse numa entrevista;

“Não quero o novo pelo novo, mas pelo que de bom ele pode me trazer”.

O novo só porque é novidade?

Recorro ao que disse a nossa professora.

“Venha imergir no mundo da Endodontia Contemporânea”

Professores estão se tornando geradores de necessidades para plateias cada vez mais alheias.

Estão se tornando ilusionistas. 

Como ficou fácil encantar serpentes.

“Ainda que as cobras possam ouvir, são surdas aos sons envolventes mas sentem as vibrações do solo. A flauta do encantador seduz a cobra pela sua forma e movimentos, e não pela música que emite”.
(Encantamento_de_serpentes)

Para onde estamos indo?

Não se discute aqui a qualidade dos instrumentos. Esta é incontestável. Deixemos essa questão de lado, pelo menos neste momento.

Mas vamos observar que a Ciência sempre trabalhou com o tempo.

É impressão minha ou andaram elogiando a Medicina por apresentar estudos epidemiológicos consistentes e não ser esse o caso da Odontologia, particularmente da Endodontia?

Falamos tanto de estudos clínicos randomizados, estudos prospectivos, estudos…

Não precisamos mais deles para propor mudanças tão fortes?

Por não sabermos quantos instrumentos usar para preparar bem o canal, alguém pode simplesmente chegar e dizer “basta um”?

Amém, amém!

Esta é a nossa resposta?

Esta é a Endodontia?

As quebras de paradigmas agora são feitas assim, a golpes de facão?

A lamentar nisso tudo é que há professor que parecia ser um pesquisador em potencial, que falava em necessidade de comprovação científica, mas se deixou levar por cantos estranhos.

Conhecidos, mas ainda assim estranhos.

Sem dúvida, uma postura mais confortável e rentável, mas incompatível com a Endodontia.

Ocorre que muitos já estão percebendo.

E estão comentando pelos corredores da vida.

E dos eventos.

Os holofotes não se apagam de repente e podem manter por tempo indeterminado sob a sua luz aqueles a quem cegam.

Mas como pode ser cruel a ilusão da notoriedade.

Confesso que esperava mais, bem mais.

Esperava, torcia até, que se confirmasse o pesquisador sério que parecia surgir.

Lamentavelmente, porém, tornou-se mais um que se deixou seduzir pelo canto da sereia.

A sedução provocada pelas sereias era através do canto. Os marinheiros que eram atraídos pelo seu canto e se aproximavam o bastante para ouvir seu belíssimo som, descuidavam-se e naufragavam.
Mitologia grega

Doutor Dallagnol tropeça nas próprias pernas

Dallagnol apaga a página de agência

Por Ronaldo Souza

Lupicínio Rodrigues, compositor gaúcho, diz em uma de suas canções.

“Esses moços,
Pobres moços,
Ah, se soubessem o que eu sei…”

Vou buscar Oscar Niemeyer, numa entrevista há alguns poucos anos:

“O cara às vezes até cresce na profissão, mas não toma conhecimento da vida”.

Vida que anda cada vez mais cheia de doutor.

Não exija muito de alguns doutores. Muitas vezes mal conhecem as suas profissões.

Se conhecessem um pouquinho só além das fronteiras da sua profissão evitariam, como diriam alguns compositores ao estilo Lupicínio, certos dissabores.

Ponha aí nessa lista o doutor Deltan Dallagnol, promotor público.

Assim que se viu flagrado ganhando dinheiro às custas de palestras sobre Lula, algo cuja imoralidade dispensa comentários, o doutor não só mandou retirar a sua página na agência que divulga e vende as suas palestras como correu para as redes sociais para se explicar. É a imagem que você vê abaixo.

Dallagnol apaga a página de agência'

Deu um tiro no pé.

Lá vou eu outra vez, recorrendo agora à inigualável sabedoria popular:

“Quanto mais se mexe em m… mais fede”.

Voltemos à frase de Niemeyer.

Sob determinada ótica, crescer na profissão hoje não é difícil.

Nos dias atuais há atalhos para isso.

Assim, com relativa facilidade cumpre-se a primeira parte da frase dele.

O grande problema é alcançar a segunda parte.

Tomar “conhecimento da vida” não é simplesmente, como muitos podem imaginar, viver alguns anos.

Não se trata de envelhecer.

Atingir a maturidade, alcançar a sabedoria, não é tarefa para muitos.

Se “os canalhas também envelhecem”, como diz Rui Barbosa, os idiotas também o fazem.

E idiotas nunca tomam conhecimento da vida.

Quando um promotor público que comprou duas casas do “Minha Casa, Minha Vida” para fazer investimento e ganhar dinheiro com elas acha que ainda tem como se explicar diante da indecência absurda de como agente público federal ganhar dinheiro com palestras sobre um homem, nada mais há que o faça ver o que ele é.

Considerando-se a posição de ambos, promotor e homem-tema das referidas palestras, e tudo mais que cerca o momento que vivem os dois, o promotor exibe toda a sua estupidez e incompetência.

Mostra-se incapacitado de exercer as funções que exerce.

Se algum dia existiram, foram-se todas as condições que poderiam conferir ao doutor qualquer credibilidade em situação desse tipo.

É mais um doutor.

Só.

Igual a tantos que existem por aí, nas mais diversas áreas.

Ainda que os holofotes pareçam dizer o contrário.

Veja o texto abaixo de Eugênio Aragão.

Sobre palestras e a apropriação do público pelo privado

Dallagnol powerpoint

Por Eugênio Aragão

Credores têm melhor memória do que devedores (Benjamin Franklin).

Prezado ex-colega Deltan Dallagnol,

Primeiramente digo “ex”, porque apesar de dizerem ser vitalício, o cargo de membro do ministério público, aposentei-me para não ter que manter relação de coleguismo atual com quem reputo ser uma catástrofe para o Brasil e sobretudo para o sofrido povo brasileiro. Sim, aposentado, considero-me “ex-membro” e só me interessam os assuntos domésticos do MPF na justa medida em que interferem com a política nacional. Pode deixar que não votarei no rol de malfeitores da república que vocês pretendem indicar, no lugar de quem deveria ser eleito para tanto (Temer não o foi), para o cargo de PGR.

Mas, vamos ao que interessa: seu mais recente vexame como menino-propaganda da entidade para-constitucional “Lava Jato”. Coisa feia, hein? Se oferecer a dar palestras por cachês! Essa para mim é novíssima. Você, então, se apropriou de objeto de seu trabalho funcional, esse monstrengo conhecido por “Operação Lava Jato”, uma novela sem fim que já vai para seu infinitésimo capítulo, para dele fazer dinheiro? É o que se diz num sítio eletrônico de venda de conferencistas. Se não for verdade, é bom processar os responsáveis pelo anúncio, porque a notícia, se não beira a calúnia é, no mínimo, difamatória. Como funcionário público que você é, reputação é um ativo imprescindível, sobretudo para quem fica jogando lama “circunstancializada” nos outros, pois, em suas acusações, quase sempre as circunstâncias parecem mais fortes que os fatos. E, aqui, as circunstâncias, o conjunto da obra, não lhe é nada favorável.

Sempre achei isso muito curioso. Muitos membros do Ministério Público não se medem com o mesmo rigor com que medem os outros. Quando fui corregedor-geral só havia absolvições no Conselho Superior. Nunca punições. E os conselheiros ou as conselheiras mais lenientes com os colegas eram implacáveis com os estranhos à corporação, daquele tipo que acha que parecer favorável ao paciente em habeas corpus não é de bom tom para um procurador. Ferrabrás para fora e generosos para dentro.

Você também se mostra assim. Além de comprar imóvel do programa “Minha Casa Minha Vida” para especular, agora vende seu conhecimento de insider para um público de voyeurs moralistas da desgraça alheia. É claro que seu sucesso no show business se dá porque é membro do Ministério Público, promovendo sua atuação como se mercadoria fosse. Um detalhe parece que lhe passou talvez desapercebido: como funcionário público, lhe é vedada atividade de comércio, a prática de atos de mercancia de forma regular para auferir lucro. A venda de palestras é atividade típica de comerciante. Você poderia até, para lhe facilitar a tributação, abrir uma M.E., não fosse a proibição categórica.

E onde estão os órgãos disciplinares? Não venha com esse papo de que está criando um fundo privado para custear a atividade pública de repressão à corrupção. Li a respeito dessa versão a si atribuída na coluna do Nassif. A desculpa parece tão abstrusa quanto àquela do Clinton, de que fumou maconha mas não tragou. Desde quando a um funcionário é lícita a atividade lucrativa para custear a administração? Coisa de doido! É típica de quem não separa o público do privado. Um agente patrimonialista par excellence, foi nisso que você se converteu. E o mais cômico é que você é o acusador-mor daqueles a quem atribui a apropriação privada da coisa pública. No caso deles, é corrupção; no seu, é virtude. É difícil entender essa equação.

Todo cuidado com os moralistas é pouco. Em geral são aqueles que adoram falar do rabo alheio, mas não enxergam o próprio. Para Lula, não interessa que nunca foi dono do triplex que você qualifica como peita. Mas a propaganda, em seu nome, de que se vende regularmente, como procurador responsável pela “Lava Jato”, por trinta a quarenta mil reais por palestra, foi feita de forma desautorizada e o din-din que por ventura rolou foi para as boas causas. Aham!

Que batom na cueca, Deltan! Talvez você crie um pouco de vergonha na cara e se dê por impedido nessa operação arrasa a jato. Afinal, por muito menos uma jurada (“Schöffin”) foi recentemente excluída de um julgamento de um crime praticado pelo búlgaro Swetoslaw S. em Frankfurt, porque opinara negativamente sobre crimes de imigrantes no seu perfil de Facebook. Imagine se a tal jurada vendesse palestras para falar disso! O céu viria abaixo!

Mas é assim que as coisas se dão em democracias civilizadas. Aqui, em Pindorama, um procuradorzinho de piso não vê nada de mais em tuitar, feicebucar, palestrar e dar entrevistas sobre suas opiniões nos casos sob sua atribuição. E ainda ganha dinheiro com isso, dizendo que é para reforçar o orçamento de seu órgão. Que a mercadoria vendida, na verdade, é a reputação daqueles que gozam da garantia de presunção de inocência é irrelevante, não é? Afinal, já estão condenados por força de PowerPoint transitado em julgado. Durma-se com um barulho desses!

Em algum lugar do passado

Dúvidas e ideias

Por Ronaldo Souza

Em 2000 ministrei o curso principal de Endodontia em um congresso.

Antecipo o meu carinho por aquele estado, até por razões familiares. Parte da família de meu pai morava lá.

Pelas pessoas da capital, onde ocorreu o congresso, também há algumas razões para me sentir à vontade. Sempre fui muito bem tratado e até com carinho por muitas pessoas.

No outro dia após o meu curso (carga horária de 8 horas, como era comum à época), encontrei uma professora nos corredores do congresso.

Tomei um susto.

Parecia que a qualquer momento a agressão física poderia ocorrer, tendo em vista que a verbal, pelo tom empregado nas afirmativas e contestações, já estava acontecendo.

A indignação da professora tinha origem em dois temas abordados por mim; a importância e necessidade da instrumentação do canal cementário, que à época era chamada de limpeza do forame, e a questão do limite apical da obturação.

Particularmente por conta deste último, era forte a impressão de que a qualquer momento eu seria apedrejado.

Respirei fundo 355 vezes e me controlei.

Aliás, acho que sou até bom nessa arte.

Dois meses depois fiquei sabendo que na hora em que eu dava aula no referido congresso, outra professora, rodeada por seus alunos e alunas da pós-graduação, levantou-se e disse:

“Não estou aqui para ver esse imbecil não”.

E saiu do auditório.

Apesar de ter voltado a aquela bela e acolhedora cidade algumas vezes para ministrar outros cursos, não me lembro de ter visto outra vez a agressiva professora. A das pedras.

Vejo-a 17 anos depois através da divulgação de um recente curso de Endodontia, desses chamados de imersão, na sua bela cidade:

Uma oportunidade para se aprender dentre outras coisas que a técnica de obturação de cone único oferece resultados tão bons quanto as que utilizam equipamentos de custos elevados; que o quarto canal pode ser instrumentado com limas… com eficácia. Que novas limas como a… possibilitam tratamentos endodônticos mais previsíveis e com índices quase nulos de fratura”.

A reflexão parece continuar não fazendo parte das preocupações da professora.

O que me causa certa perplexidade, haja vista que geralmente as pessoas que têm alguma ligação com as áreas básicas, particularmente a Patologia, costumam refletir.

Deixemos de lado as maravilhas do instrumento e foquemos em algo mais.

Para usar a expressão utilizada por ela, também afirmo que a técnica de obturação de cone único (e aqui incluo a técnica da condensação lateral) oferece resultados tão bons quanto as que utilizam equipamentos de custos elevados…”.

O professor de Endodontia pode dizer o que quiser nas suas aulas. Que a obturação com “equipamentos de custos elevados” é isso, é aquilo, que é mais sofisticada, que tem “surplus”, que extravasa material obturador pelos poros do paciente, o que ele quiser.

Mas não pode continuar dizendo a seus alunos que os resultados são melhores do que as técnicas que não usam “equipamentos de custos elevados”.

A literatura não conseguiu apresentar trabalhos que respaldem tal afirmativa.

Por outro lado, equivoca-se também o professor que reza pela cartilha do vedamento hermético e preconiza a técnica do cone único.

Falar de vedamento hermético em Endodontia já é um equívoco por si só, no qual alguns insistem. Por quanto tempo não sei.

Mas, sob a perspectiva do vedamento hermético, se há uma técnica que não deveria ser preconizada é justamente a do cone único.

Ela apresenta possibilidade maior de selamento apical mais pobre do que outras propostas.

E isso não é difícil de se comprovar.

E aí volto à professora.

Tendo em vista que o grupo do qual ela se tornou seguidora incondicional “está revendo o papel da obturação”, depois de ter rejeitado abertamente a ideia, é bem possível que em breve a veremos fazer a divulgação de um curso de imersão assim:

Uma oportunidade para se aprender dentre outras coisas que a técnica de obturação, seja ela qual for, oferece resultados tão bons quanto as que utilizam equipamentos de custos elevados…”.

Estarei na primeira fila para aplaudir e dar as boas-vindas pela chegada à Endodontia que ainda está por ser entendida e não somente executada com os bons instrumentos que tanto a encantam.

Mesmo sabendo que há 17 anos ela e sua colega me atiraram pedras por tentar fazer exatamente isso, um convite à reflexão sobre o que significa de fato cada etapa do tratamento endodôntico.

Só não pode, professora, é querer lançar com o time do “estamos repensando o papel da obturação” como se fosse algo próprio e a descoberta mais importante desde que Copérnico tentou mostrar (e Galileu confirmou) que o Sol era o centro do Sistema Solar e não a Terra, como se imaginava antes.

Até porque, por ironia do destino, tenho a senhora como testemunha (e sua colega também) de que a verdadeira história não é essa.

Assumir a paternidade com a falácia do “estamos repensando o papel da obturação”, não.

Aí também estarei na primeira fila.

Mas não para aplaudir.

Não atirarei pedras.

Só porei os pingos nos is.

Pra não dizer que não falei de flores

Abordado por um professor nos corredores do mesmo congresso, percebi que ele também não concordara com meus pontos de vista.

A maneira de fazer as críticas, porém, foi bem diferente.

Final de tarde, num stand que já estava vazio (será que ele vai lembrar dessa conversa?), discutimos, trocamos ideias, argumento vai, contra-argumento vem, um papo legal.

Já tínhamos boa relação, que só fez melhorar com o tempo e tenho por ele respeito e carinho. Sei que é, com justiça, muito querido na terra onde mora (não é a mesma em que nasceu).

Anos depois terminou sendo personagem de outro episódio, sobre o qual nunca comentei com ninguém. Nem com ele.

Diante da não citação do meu nome em nenhum momento numa discussão sobre ampliação foraminal (como alguns chamam) ocorrida num desses fóruns de Endodontia na internet, ele foi um dos dois únicos (o outro é de São Paulo) a fazer uma intervenção citando o meu nome:

“A bem da verdade, a primeira vez que ouvi falar de limpeza do forame foi com meu amigo da Bahia, Ronaldo Souza”. Disse ele.

“A primeira vez que ouvi falar desse procedimento foi com o professor Ronaldo de Souza (esse de não existe no meu nome) da Bahia”. Disse Alex Otani, de São Paulo.

Peço desculpas por não citar o nome do primeiro. Se o fizesse, a identificação da cidade onde ocorreu o congresso acima referido e consequentemente das professoras seria imediata.

Não devo e não há porque fazer isso.

Entretanto, não há como não reconhecer e elogiar a elegância da postura assumida por eles a meu favor no episódio da discussão sobre ampliação foraminal. Por isso, a minha gratidão.

Só para ilustrar, nesse episódio em que o meu nome foi, digamos, por um lapso de memória inadvertidamente esquecido, colegas da Bahia que aprenderam o procedimento comigo foram acometidos por uma amnésia temporária e por isso permaneceram calados, nesse interessante e nobre jogo de esconde-esconde.

Um deles diz por aí que aprendeu com um protocolo atribuído a uma famosa faculdade (por sinal uma importante faculdade, com bons professores), que ele faz questão de citar, como se dela tivesse sido aluno de pós-graduação.

Talvez eu deva entender que ele não está errado por não dizer que aprendeu comigo, pois, de fato, jamais ensinei a fazer ampliação foraminal, por considerar um grande equívoco.

Ensino a fazer instrumentação do canal cementário, com objetivo bem definido.

Torço para que ele consiga perceber que há uma diferença considerável entre os dois procedimentos.

Dallagnol fatura alto com palestras sobre Lula. São palestras ou propina?

Por Ronaldo Souza

Há algum tempo Wadih Damous, ex-presidente da OAB-RJ e deputado pelo PT (RJ), fez a denúncia abaixo no vídeo contra o juiz Sérgio Moro.

Claro, a imprensa brasileira simplesmente abafou.

É no mínimo indecente que um juiz que ficou conhecido como o herói anticorrupção tenha esse comportamento. Sendo o teto salarial ditado pela Constituição Brasileira de R$ 33.000,00 (em números redondos), o juiz Moro recebe o dobro e algo mais, R$ 77.000,00, segundo o deputado Damous.

Se considerarmos que se trata de um Juiz de Direito, cuja missão maior é proteger e defender a Constituição Brasileira, torna-se um absurdo maior ainda, um verdadeiro escândalo.

Há menos tempo o Procurador Deltan Dallagnol foi flagrado como proprietário de duas casas do programa social “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Dilma.

Um juiz de Direito, com seu belo salário, é proprietário de duas casas em um programa social destinado à população de baixa renda, pessoas cujo sonho de vida é ter uma casa e não podem porque não chega pra quem quer.

Indagado se era correto um Promotor Público do nível dele e com o papel que desempenha assumir aquela postura, ficou perdido sem saber o que dizer e respondeu dizendo que não era para ele morar; “era para investimento”.

Enquanto as pessoas lutam uma vida inteira para ter uma casa onde morar, o promotor toma posse de duas delas para… ganhar dinheiro!

O que dizer desse homem, mais um herói brasileiro no combate à corrupção?

Agora, fica-se sabendo que Dallagnol virou palestrante, cobrando entre 30 mil e 40 mil reais por palestra.

Você já viu isso alguma vez em qualquer lugar do mundo?

Um Promotor Público, pago pelo governo federal com o dinheiro do povo, ter uma agência particular para agenciar as palestras dele??? (Clique aqui para conhecer a agência Motive Ação).

Depois de os membros da Lava Jato questionarem de todas as formas e dizerem que o dinheiro que Lula recebeu pelas palestras como ex-presidente era propina, o que se pode dizer do Promotor Público Deltan Dallagnol e de suas palestras?

Deve ser relembrado que, como Lula, Fernando Henrique Cardoso sempre fez e faz palestras como ex-presidente. Da mesma forma, Bill Clinton e outros presidentes dos Estados Unidos.

Mas só o que Lula recebe é propina.

Observe ainda que todos eles passaram a fazer as palestras depois que tinham deixado o cargo de presidentes. Dallagnol faz as palestras em pleno exercício da função de Promotor Público.

É assim que a Lava Jato diz que está passando o Brasil a limpo.

O que você acha?

Veja abaixo a matéria de Kiko Nogueira.

Dallagnol transformou Lula numa maneira de faturar alto com palestras

Dallagnol faturando

Faturando alto com palestras e com Lula, Dallagnol é um caso raro de auto constrangimento

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Há uma velha máxima no futebol com respeito à figura mítica do perna de pau: “Esse aí pode deixar que a natureza marca”.

O procurador Deltan Dallagnol é o principal agente desmoralizador de si mesmo. Não precisa de ninguém para se ocupar disso.

Nele se unem a megalomania, a grana fácil, a ambição, a arrogância, a fama, a fé evangélica e a falta de noção, resultando num pacote de auto constrangimento e vergonha alheia.

Dallagnol embarcou numa ego trip que ninguém mais controla. De Silvio Santos a Elton John, passando pelo dono da Riachuelo, é comum o sujeito perder o senso do ridículo.

Vive cercado de yes men que não o censuram mais. Deltan está passando por isso precocemente, aos 36 anos. E usando dinheiro público.

Alguém que cita a si mesmo sete vezes, mais Sherlock Holmes e uma teoria que ele mesmo criou (o “explanacionismo”) numa peça jurídica deveria ser chamado de lado pelo juiz e instado a tirar uns dias de folga para pôr a cabeça no lugar.

Ao invés disso, Dallagnol vai faturando. Suas palestras são vendidas por entre 30 e 40 mil reais, como se vê num site que o agencia juntamente com Ana Paula Padrão, Caio Ribeiro, Família Schürman, entre outros.

Seu release é inacreditável. “Quando aparece para uma entrevista, fica claro que ele preparou cada tópico da fala e não foge do roteiro”, lê-se.

“Assim, dribla a timidez. Cordial, emprega frases de efeito, que também recheiam os processos. Para ele, por exemplo, Lula é o ‘comandante máximo’ do desvio de recursos da Petrobras”.

Como assim? Então era uma frase de efeito, um truque, para deleitar a plateia? Não importa? Tudo bem para o Lula ou não vem ao caso?

A repórter Anna Virginia Balloussier fez um relato na Folha sobre uma apresentação de Dallagnol num congresso da ala paulista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“Nós antes éramos os golpistas. Agora nós somos os golpistas dos golpistas? Eu fico confuso”, disse.

Sacou?

Dallagnol fez merchã de seu livro e adaptou a cantilena ao público. “O país está desfigurado. Precisamos de uma cirurgia reconstrutiva. Acho que vim no lugar certo para pedir ajuda”, falou.

Pegou?

Outra: “Você já teve um paciente que se olhava no espelho e se achava mais bonito do que era? O Brasil se olhava no espelho e se achava mais bonito do que era. A corrupção vende ilusões”.

Quem o introduziu foi o cirurgião Rolf Gemperli, um tipo que costumava aparecer na bancada do Jornal da Cultura, de SP, com comentários pedestres. Num deles, defendia o fim do voto obrigatório porque eleições deviam ser só para quem tem “conhecimento da política”.

“Gosto dos médicos porque médicos gostam da Lava Jato”, declarou Deltan.

O ponto alto do show foi quando um espectador quis saber se ele tinha uma “previsão real” para a prisão de Lula.

“Vou exercer meu direito constitucional de ficar em silêncio”, respondeu Dallagnol.

Sacou?

Na semana passada, ele comemorava a marca de 100 mil seguidores no Twitter. A jornalista e blogueira Nina Lemos deu-lhe uma bronca, lembrando-o que não é “uma blogueira teen”.

Nina errou. No fundo, Dallagnol não passa muito disso. Lula e a batalha contra corrupção viraram um filão que DD, Moro e seus cometas exploram.

Enquanto durar a Lava Jato, e ela não tem hora para terminar, eles vão se dar bem. Se a grana é oriunda, eventualmente, de uma categoria extremamente afeita a sonegar impostos, como a dos médicos, não tem problema.

Business is business. O importante é dar um jeito nesse país. Eu não tenho culpa, eu votei no Aécio.

A arte de enganar analfabetos políticos

Dallagnol esperto

Por Ronaldo Souza

Vamos primeiro à matéria do Brasil 247. Volto depois.

“O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, fez referência indireta à investigação contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para rebater críticas de parcialidade da operação durante uma palestra a cirurgiões plásticos em São Paulo.

‘Nós éramos os golpistas, não é? Agora nós somos os golpistas dos golpistas? Eu fico confuso. Os casos recentes deixaram claro que as investigações não são contra partido A ou contra partido B’, disse Dallagnol, na fala que durou mais de uma hora, segundo relato do Globo.

Dallagnol também disse que ‘o Brasil está desfigurado’. ‘Ele precisa de uma cirurgia reconstrutiva. E eu acho que vim no lugar certo’, afirmou, apelando aos trocadilhos ao pedir apoio dos médicos e médicas no combate à corrupção no Brasil.

Aécio passou a ser investigado após denúncias feitas pelos donos da JBS, em delação premiada. O senador tucano, já afastado de suas funções, foi gravado pedindo R$ 2 milhões em propina ao empresário Joesley Batista. Sua irmã e seu primo estão presos.

O pedido de prisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o próprio senador será julgado pelo Supremo Tribunal Federal no próximo dia 20”.

Em primeiro lugar, o próprio (Rodrigo) Janot protegeu Aécio o tempo todo.

Desde quando encaminhou a primeira “lista de Janot” ao STF, como não tinha como esconder o pedido de abertura do processo contra Aécio, Janot já encaminhou junto o pedido de arquivamento do referido processo. O ministro relator já era Teori Zavascki.

O STF, claro, prontamente arquivou.

Moro, Dallagnol, Janot e o resto do grupo desde o início deixaram bem claro que não estavam dispostos a sequer ouvir falar de qualquer coisa contra o PSDB.

Ficou conhecido e virou piada como Moro reagia a todas as denúncias contra Aécio e PSDB que foram feitas pelos 535 delatores;

“Não vem ao caso”.

O que terminou acontecendo com o tempo é que Aécio deu azar porque ficou no meio do fogo entre Janot e Temer, só isso.

Interessado em ser mantido no cargo de Procurador Geral da República, ao ver que seu nome não seria o escolhido por Temer, Janot abriu guerra pessoal contra o presidente que ele próprio ajudou a plantar no Palácio do Planalto.

Pato de Skaf

Além do pato da FIESP, que os midiotas tanto curtiram naquela brilhante campanha de Paulo Skaf para derrubar Dilma “Não vou pagar o pato” (depois descobriram a picaretagem que estava por trás), muita gente está pagando o pato, mas quem mais se ferrou na brincadeira foi Aécio Neves.

Foi o melhor caminho que Janot encontrou para dar o troco a Temer. Através de Aécio o mui digno Procurador Geral da República pegou todo mundo que tinha ligação com o excelentíssimo presidente da república, que todos eles puseram lá. Nada mais.

É assim que agem as autoridades desse país.

E como ficam os midiotas?

Como sempre, sem noção de nada.

Dallagnol blogueira teen

Vem agora o procurador Dallagnol, a “blogueira teen”, como foi chamado pela escritora  Nina Lemos, e nos brinda com esse depoimento de alguém que não consegue mais viver sem a luz resplandecente dos holofotes.

Veja a “sutil” (meu Deus!) frase do procurador, com o claro objetivo de manter alimentados os sem noção; Os casos recentes deixaram claro que as investigações não são contra partido A ou contra partido B’.

Como um professor que se perdeu na vaidade dos Power Points da vida e não percebe mais o que diz, ele se autodestrói pelas bobagens ditas.

Procurador do que já foi achado, não consegue mais perceber que nem o maior dos idiotas acredita que Aécio e o PSDB alguma vez foram objetos de investigação por parte da Lava Jato.

Moro e tucanos 2

Logo Aécio, que sequer precisava ser procurado, de tão fácil de achar que sempre foi.

Com sua capacidade de iludir incultos e incautos, o procurador levanta a taça e nos brinda com mais uma de suas pérolas.

“… o Brasil está desfigurado. Ele precisa de uma cirurgia reconstrutiva. E eu acho que vim no lugar certo”.

Dr. Dallagnol, o senhor não poderia estar em lugar mais certo.

Como outras também conhecidas, aquela seleta plateia (espero que sejam pelo menos bons cirurgiões) para a qual o senhor falava, vai continuar acreditando, sábia que é, no procurador que tem linha direta com Deus (como evangélico que é, foi o que ele disse nas suas pregações em pelo menos uma igreja evangélica).

Como diria Fellini, “E La Nave Va”.

DEM e a DEMocracia dos tolos

DEM e DEMocracia

Por Ronaldo Souza

É bem possível que os filhos e filhas de alguns homens não percebam quem são os seus pais.

Afinal, a relação entre pais e filhos carrega grande complexidade, o que explicaria, pelo menos em parte, a admiração dos filhos pelos pais. Mesmo em circunstâncias que não justificariam essa admiração.

Nada mais compreensível.

Afinal, é comum dizer-se, pai é pai.

Apesar de procurar entender essa complexidade, confesso que tenho as minhas dificuldades em ver e aceitar dessa forma.

Não o amor dedicado ao pai, mas a adoção da postura e até a idolatria por ele.

Por outro lado, com as rápidas mudanças que estão ocorrendo no mundo das comunicações (com a internet desempenhando papel relevante na desconstrução da falsa imagem de muita gente), é possível que em um espaço de tempo não muito longo os netos venham a saber quem, de fato, são ou foram seus avós.

Nesse processo, alguns partidos e seus políticos já alcançaram o patamar de irreversibilidade em termos de degradação. Não parece mais possível que qualquer mudança positiva nesse sentido venha a ocorrer.

Na sua fase inicial, o PSDB teve nomes honrados entre os seus membros e alguns poucos ainda estão lá, tentando ver se conseguem tirar o partido da lama em que se encontra e da total degradação.

Empresários e políticos já anunciam que irão deixar o partido. A mais recente baixa parece ser a do jurista do impeachment de Dilma Rousseff, o tolo Miguel Reale Júnior, que diz estar abandonando o barco.

Outros permanecem, e aí assume lugar de destaque Fernando Henrique Cardoso, um homem corroído pela inveja e frustração, que insiste em não só ficar como enlamear mais ainda o partido, em flagrante desrespeito ao seu passado. Do partido, entenda-se.

O DEM, não.

Este desde sempre é isso que está aí.

Podre.

Um partido que agoniza há muito tempo.

Em extinção, a dúvida é até quando resistirá.

Cito os dois partidos porque sempre estiveram entre os mais fortes do país e pela incomparável capacidade de apontar o dedo da corrupção para outros partidos e aparecerem para a sociedade como puros e dignos. Claro que sob a eterna complacência e proteção da imprensa brasileira, à frente a Globo.

Mas, finalmente, após anos de desenfreada corrupção e canalhice, a verdade sobre esses homens começa a aparecer.

Acusadores que foram durante anos de que outros partidos trabalham contra a liberdade de imprensa e a democracia, agora são vergonhosamente flagrados em vários momentos fazendo exatamente isso. Aliás, algo que só surpreende a quem se acostumou a ver esses políticos e seus partidos sob a ótica da imprensa brasileira.

Reportagem do jornal O Dia no final de maio, fala em “delação do fim mundo, a mãe de todas as delações”, que estaria sendo preparada por Aécio Neves, segundo a qual “ele (Aécio) encontra-se incontrolável, sob medicação muito forte e, também, muito deprimido”.

A matéria diz que “segundo pessoa ligada à família Neves, o senador não está conseguindo dormir nem se alimentar direito, chora muito e vem se culpando pela prisão da irmã”.

Relata ainda o pânico existente, principalmente dentro PSDB, onde seriam inevitavelmente atingidos o “senador paulista, José Serra, o ministro chefe das relações exteriores, Aluísio Nunes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o também senador mineiro, Antônio Anastasia, todo o clã Perrela, (pai e filhos), o senador pelo espírito santo, Ricardo Ferraço, o Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o senador e atual presidente do partido, Tasso Jereissati e o ainda maior nome psdbista, FHC”.

E é justamente esta uma das razões mais fortes, e não só o desejo do PSDB de assumir a presidência do Brasil, a razão pela qual defendem o governo Temer; sabem que se o abandonarem Aécio será preso.

Aécio preso é delação certa, porque ele não vai aguentar.

Com delação de Aécio, quem sobrará?

Essa é a democracia dos tolos, eleitores de políticos que dão o golpe, destroem o Brasil e agora, entre tantas outras coisas, tramam contra o país para que não haja eleições diretas, maneira mais fácil e rápida de “eleger” um presidente que mantenha essa podridão que aí está.

Não são poucas as vezes em que me flagro me perguntando.

Será que em nenhum momento esses homens têm dificuldade de olhar nos olhos dos filhos e netos?

Veja abaixo a matéria do Rede Brasil Atual.

Base de Temer manobra e impede discussão de PEC das Diretas

Matéria do Rede Brasil Atual

São Paulo – Por falta de quórum, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados encerrou reunião desta terça-feira (13) sem apreciar a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 227/16, que prevê a realização de eleições diretas para presidente e para vice-presidente em caso de vacância, exceto nos seis últimos meses do mandato. A proposta estava fora da pauta desde 24 de maio e só foi reintroduzida depois de acordo firmado entre a presidência da comissão e a oposição.

A apreciação da proposta, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), era o único item da pauta da comissão, mas os deputados de partidos que integram a base governista, contrários à PEC, não registraram presença durante a primeira votação pelo processo nominal e o número mínimo de parlamentares exigidos para o prosseguimento da sessão não foi alcançado.

Apenas deputados do PT, PSB, PDT, PCdoB, Psol e Rede, totalizando 27, participaram da votação, sete a menos do que o exigido para dar continuidade à tramitação. O presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), encerrou os trabalhos após aguardar por pouco mais de uma hora pelo número mínimo de votantes.

A PEC recebeu parecer favorável do relator, Esperidião Amin (PP-SC). O relatório ainda precisa ser aprovado pela CCJ antes de ser apreciado pelo plenário da Câmara. Para ser aprovado na comissão, o relatório pela admissibilidade da PEC precisa ter maioria simples dos votos. No plenário, a PEC deve receber apoio de pelo menos 308 deputados, por se tratar de uma mudança constitucional.

Ainda durante a manhã, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) anunciou que a base do governo adotaria a estratégia da obstrução. “Nós não temos que tratar sobre questão diretas já. A Constituição num país democrático é um guardião que deve ser usado, e não mudado, nos momentos de crise”, afirmou Aleluia. Ele apresentou requerimento para inverter a pauta do dia, a fim de colocar primeiro a leitura da ata e do expediente da comissão e atrasar a discussão do mérito da matéria.

Parlamentares da oposição rebateram. “Não achamos normal o governo obstruir o debate sobre diretas e o funcionamento da principal comissão da casa. Nós queremos que o governo tenha o mínimo de coragem de votar contra o projeto, se quiser. Nós queremos enfrentar o tema e não aceitamos que seja o Congresso que eleja o próximo presidente”, disse Alessandro Molon (Rede-RJ).

Ao perceber que o requerimento seria aprovado, os deputados governistas esvaziaram o plenário. A falta do quórum mínimo para concluir a votação do requerimento impediu a continuidade da reunião. Os líderes da oposição aproveitaram ao máximo o tempo final para discursar em favor da análise da proposta e provocar a base aliada dizendo que o governo não quer eleições diretas.

O presidente da comissão disse que convocará nova reunião extraordinária para discutir o assunto na próxima semana. Apesar de Pacheco ter se posicionado de forma contrária à mudança na Constituição, ele defendeu que o governo retire a obstrução e permita o debate.

“Temos que debater essa PEC, seja aprovando ou rejeitando a admissibilidade da proposta. Vamos tentar convencer a base do governo para não obstruir e que possamos debater logo essa pauta. Temos aqui uma série de itens que precisam ser aprovados ou rejeitados. Não pode apenas um item travar toda a pauta da comissão”, afirmou Pacheco após o encerramento da reunião.

Minhas namoradas

Por Ronaldo Souza

“O primeiro sutiã a gente nunca esquece”.

Dizia o belíssimo comercial da Valisère, criado por Washington Olivetto em 1987.

Ganhou prêmios internacionais e é considerado um dos 5 melhores comerciais brasileiros.

Trago-o como homenagem à mulher.

À sua beleza e sensibilidade.

https://www.youtube.com/watch?v=hrVXOPva7WY

O primeiro amor a gente nunca esquece

Eu tinha 16 anos.

A dona do meu assobio e do meu canto, que só cantavam músicas que tinham sido “feitas para mim e para ela”, morava numa casa em frente ao meu prédio.

Uma vez foi ao apartamento onde eu morava.

Tocou a campainha.

Quando abri a porta entrou uma brisa leve, fresca como a das primeiras horas da manhã de uma primavera de cinema.

Meu corpo tremeu e paralisou.

Não namoramos.

Ela não me quis como namorado.

Mas foi a minha primeira paixão.

Como tantos outros homens, tive namoradas.

De algumas gostei mais, de outras menos.

Com elas as minhas certezas de macho latino americano foram se transformando em dúvidas e incertezas de homem.

E o homem conheceu a insegurança.

O homem conheceu o gosto doce-amargo do amor.

Devo às mulheres o homem que sou.

Assistindo ao filme “A Casa da Rússia”, com Sean Connery, Michelle Pfeiffer e outros bons atores, fiquei encantado com a cena em que, quase que literalmente, ele diz a ela:

“Meus erros e acertos me prepararam para você”.

Engana-se quem imagina que o namoro não pode ser algo duradouro.

Sentimentos não desaparecem, ganham outras formas.

A paixão que põe fogo no coração se modifica.

Alguém chega, entra e lhe mostra as diversas formas de amar.

É o amor que vê chegar o tempo da delicadeza.

É essa delicadeza que dedico a ela e às nossas filhas.

Minhas namoradas.

https://www.youtube.com/watch?v=IPs2xFPhd9E

A fatalidade nas nossas vidas

Batista 3

Por Ronaldo Souza

Desde 2000, ano em que iniciamos o Curso de Especialização em Endodontia da ABO-BA, Gilson Blitzkow Sydney, ou simplesmente Gilson, era um dos nossos professores convidados.

Foi muito além de ser um “simples” professor.

Tornou-se um amigo.

Um grande amigo.

Nunca pensei que a morte de alguém tão distante na convivência diária fosse machucar tanto.

A vida ensina sempre.

E ela me ensinou que, ainda que tenha importância inegável, as grandes amizades não dependem do se ver e se falar quase todos os dias.

Ali estava Gilson.

Ensinando-me com a sua ausência a força da sua presença.

No carnaval, com a minha mulher e as nossas filhas na avenida em Ondina, ligava para ele e brincava.

– Sabe quem passou aqui agora no trio elétrico e perguntou por você? Ivete Sangalo. Cobrou que era mais um ano que você enrolava e não vinha.

Vinham de lá as suas conhecidas gargalhadas como resposta e a promessa:

– Um dia eu vou.

Era assim.

Gilson

Como fazer agora que ele não poderia vir mais a Salvador?

Como fazer agora que ele não poderia vir mais para o nosso curso?

Confesso que fiquei um pouco perdido.

Não bastava que fosse um bom professor.

Era fundamental que fosse um amigo.

Consegui trazer como convidados de outros estados para o nosso curso grandes nomes da Endodontia; Estrela, Felippe, Figueiredo, Francisco Ribeiro e Gilson.

Na sequência, um pouco mais recentemente, Rielson, de maneira diferente. Ele não vem, vou com os alunos a Campinas.

Nesses 17 anos, sem exceção de um único aluno, todos aprovaram sem restrição a participação desses professores.

Mas havia um detalhe.

À competência deles, para minha enorme e confessa alegria, estava atrelada como característica fundamental a amizade.

Mesmo numa atividade profissional, confesso as minhas dificuldades quando não consigo juntar as duas coisas; competência e amizade. E não nego o peso desta.

Faço uma confissão.

Quando ele parecia estar em ascensão, já sondei um colega e cheguei a dizer a ele para vir dar aula no nosso curso.

Não levei adiante.

Apesar de, sob uma certa perspectiva, a ascensão se confirmar, percebi que faltava algo.

Definitivamente, não sou um cara pragmático.

Como fazer então tendo em vista que Gilson não viria mais?

Professor Antônio Batista.

Membro da equipe de Gilson e seu amigo, foi ele que me veio à mente.

Já conhecia o seu trabalho e o próprio Gilson já me falara bem dele. E tive a alegria de dar aula no mesmo evento que ele no ano passado.

Foram 16 horas de muita qualidade, tanto nas aulas teóricas quanto na prática.

Pude ver, agora com um tempo maior, a qualidade do trabalho de Batista e o seu conhecimento.

Os alunos adoraram e enquanto escrevia este texto recebi uma mensagem deles, da qual trago um pequeno trecho:

“A turma gostou muito das aulas (teóricas e práticas)”.

Batista, foi muito legal, tudo foi bom, tudo valeu a pena.

Aproveitando as suas palavras quando disse que a fatalidade trouxe você ao nosso curso, eu me permito dizer.

A fatalidade que nos fez chorar mostra que há sempre algo de bom que se pode tirar mesmo de acontecimentos que deixam muita tristeza.

Apesar da ausência, Gilson continua presente.

Mas agora ganhamos mais um amigo.

E ainda que nem todos estejam na foto lá em cima, que uma aluna me enviou, valeu como registro.

Não deixa de ser um registro da saudade de Gilson.

Mas é também um seja bem-vindo a Batista.