Efeitos da delação da JBS e a insistência no modelo “eles sabiam mas não tenho prova”

A possibilidade de eleições direta antecipadas deve estar deixando Sérgio Moro irritadíssimo com a delação da JBS. Todo o seu calendário, milimetricamente planejado, pode ter ido para o brejo

Moro, aprenda

Por Márcio Valley

A delação da JBS evidenciou a gritante diferença no modo de aplicação do instituto da delação premiada entre a Lava Jato de Brasília e a da República de Curitiba. Em Brasília, houve a primazia da inteligência no curso da operação e do sigilo das diligências. O vazamento, quando ocorreu, foi após a consumação das principais diligências e não antes ou durante, como age Moro, mais interessado nas repercussões políticas de suas ações do que em produzir justiça. Segundo analistas políticos, o vazamento possivelmente foi realizado por algum partidário de Aécio infiltrado na PF ou na PGR, como modo desesperado de alertar os companheiros de tunga e, assim, permitir a ocultação de provas.

As novas delações, ao lado de provocar talvez o maior terremoto político da história nacional, desmoralizam o modus operandi da República de Curitiba. A PGR de Brasília mostra para o Brasil como se faz investigação com base em delação premiada. Os delatores não foram presos preventivamente. Suas famílias não foram perseguidas. Não se apreendeu tablet do neto de ninguém. Não houve necessidade de tortura psicológica. As delações foram realizadas em sigilo.

Moro e seus seguidores ficam, a partir de agora, com a brocha na mão; espera-se que tenham a vivacidade de perceber que não há mais parede para pintar. Como comparar a imensidão corruptiva desvelada pela JBS com as traquinas, as insignificâncias perseguidas por Moro com tanto ardor? Imóveis em nome de outros, barquinhos de alumínio, pedalinhos de criança, as tralhas recebidas de presente por Lula, como continuar essa pantomima farsesca sem cair cada vez mais fundo no ridículo do judiciário mundial?

A partir da exposição das provas incontestáveis produzidas na operação JBS, o que dirão, agora, os tolos que propagandearam por anos a mentira de que Lulinha era o dono da Friboi? Ou de que o PT era a maior organização criminosa política da história do país? Tal tese implica, primeiro, fechar os olhos para as provas incontestáveis, produzidas na própria Lava Jato, que demonstram que a promiscuidade entre empresários e políticos remonta a Cabral. No máximo, e de forma injusta, pode-se culpar o PT por ter aderido ao modelo ou não tê-lo impedido, nada além disso. Segundo, importa aquiescer com a ideia esdrúxula de que personagens secundários, que nem do PT eram (PMDB) ou nem no governo federal estavam (PSDB), receberam centenas de milhões de reais em propinas, enquanto o chefe da quadrilha se contentou com um apartamento e um sítio em nome de terceiros, imóveis, aliás, de classe média, baratos (só completos midiotas podem pensar assim – opinião do Falando da Vida).

Porém, passado o susto inicial, tenta-se equilibrar a balança política. Para suavizar a situação dos amigos, buscam envolver o PT na história. O problema é que, em relação ao PT, a Lava Jato de Brasília abdica da mesma inteligência e eficiência demonstrada quanto a Temer e Aécio. Para incriminar Lula e Dilma, Janot utiliza a surrada cartilha da República de Curitiba que deu azo àquela malfada capa de Veja: “Eles sabiam”.

Janot, como grande parte dos operadores da Lava Jato, é antiesquerdista e suas ações são direcionadas para proteção do mesmo modelo de neoliberalismo admirado por Moro. Para que o projeto prossiga sem percalços, é preciso destruir a hipótese Lula nas eleições presidenciais, que agora aparentam estar perigosamente mais próximas.

O padrão de investigação e busca de provas que incriminaram Temer e Aécio foi de eficiência. Produziram-se provas muito fortes que chegaram aos próprios acusados, gravados em conversas comprometedoras. “Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação” diz Aécio Neves em um dos grampos, referindo-se à pessoa que receberia o dinheiro sujo que ele pediu, segundo notícia publicada na imprensa. A ser confirmada a notícia, trata-se de coisa costumeiramente dita por mafiosos e traficantes de droga, não daquilo que se esperaria de um senador da República.

Esse tipo de prova dificilmente será apresentado no que concerne à Lula ou Dilma.

As novas acusações contra Lula e Dilma seguem o modelo de Curitiba: “delator disse isso” e “delator disse aquilo”. Prova material? Nenhuma. Como sempre, só a palavra dos delatores.

Ora, o delator da JBS diz que havia uma conta com milhões de dólares para Lula e Dilma, o que torna fácil demais a investigação: apresenta-se o número da conta e solicita-se o extrato da conta. O problema é que certamente a conta está em nome da própria JBS ou do delator, assim como o triplex está em nome da OAS. Nesse caso, há que se provar que algum dinheiro da conta apontada chegou nas mãos de Lula ou de Dilma. Fora isso, a presunção é de inocência e a acusação, de tão frágil, não deveria sequer ter chegado às manchetes. Aceitar a palavra do delator, nessas circunstâncias, torna fácil para qualquer um acusar sem responsabilidade penal pela eventual possibilidade de mentira: o delator apresenta um bem próprio e diz que ele pertence a Lula ou a Dilma. Pergunta-se, por que esse modelo de propina somente é utilizado por Lula e Dilma? Por que os demais corruptos não deixaram o produto da corrupção em nome dos corruptores? Seria um novo modelo de corrupção superinteligente, no qual o dinheiro da corrupção nunca sai do patrimônio do corruptor? (só na cabeça dos completos midiotas – Falando da Vida).

Aguardemos o desenrolar das acusações contra Lula e Dilma.

Quanto aos acusados em face dos quais efetivamente existem provas, Aécio é afastado do Senado, mas não é preso, ainda que sua conduta seja mais grave do que a do Delcídio (sugerir a morte de testemunha é gravíssimo). Quanto a isso, o problema é o desequilíbrio no tratamento, mas penso que a segurança jurídica orienta para a liberdade dos acusados enquanto não houver condenação transitada em julgado. É o custo dos direitos e garantias individuais: alguns culpados se beneficiam, mas milhares de inocentes deixam de ser presos injustamente.

Paralelamente, apesar da gravidade das acusações e da existência de provas robustas contra si, o vampiro resiste a sair da luz do sol, o que o fará se queimar cada vez mais. Temer diz que não renuncia e não renuncia, repete. O que isso significa? Que ele supõe que poderá permanecer no poder? Claro que não, ele tenta apenas se valer do cargo para se imunizar pelo tempo que puder. Ao se agarrar à presidência, nos obriga apenas a aturá-lo por mais uns vinte dias.

Temer é um produto com data de vencimento estabelecida: entre os dias 6 e 8 de junho ocorrerá o julgamento da impugnação da chapa Dilma-Temer no TSE. Antes, era dado como certo o desmembramento da chapa para condenar apenas a Dilma e livrar o Temer. Agora, com esse complicador da JBS, o julgamento se tornou o meio mais célere e institucional para defenestrá-lo de Brasília. Os ministros do TSE dificilmente perderão essa chance.

O problema é que, depois, ficaremos com Rodrigo Maia até a eleição de um presidente para o mandato tampão. Em princípio, eleição indireta, mas, se o povo pressionar nas ruas, pode ser que aprovem as diretas.

Há os que invocam a hipótese “Volta, querida”. Sem dúvida alguma, a anulação do impeachment e o retorno de Dilma à presidência seria o melhor caminho, o mais adequado, o mais honesto. Erraram, pois que consertem o erro e devolvam ao povo a mandatária que escolheram. Existem ações que visam a declaração de nulidade do processo de impeachment. Com vontade política, bastaria ao STF pô-las em pauta com a urgência que o caos político exige e julgar procedente o pedido. Pronto, o vampiro sairia e Dilma retornaria de forma institucional e constitucional. A chance disso ocorrer, porém, é próxima do zero. O STF é majoritariamente conservador, antiesquerdista e, mais do isso, antipetista.

A hipótese mais provável é que Temer seja defenestrado pelo TSE, no julgamento da chapa Dilma-Temer. Se isso se confirmar, seria a segunda oportunidade na qual o “glorioso” STF permitiria, em pouco mais de um ano, que um desqualificado chegue ao mais alto cargo público do país e nele instale a sua quadrilha. Empossado na presidência provisória, Rodrigo Maia, filho e genro de políticos da pior estirpe, articulará para ser eleito indiretamente e, com a caneta na mão, suas chances são grandes. Se não houver rebuliço nas ruas, provavelmente será eleito. O povo nas ruas, exigindo diretas, é capaz de mudar esse destino provável.

A possibilidade de eleições direta antecipadas deve estar deixando Sérgio Moro irritadíssimo com a delação da JBS. Todo o seu calendário, milimetricamente planejado, pode ter ido para o brejo. Se Temer cair e tiver eleições diretas ainda esse ano, não haverá tempo para condenar Lula com decisão definitiva em 2º grau. Como segurar o “sapo barbudo”?

Fazer o quê, né? Shit happens.

A morte e a morte de uma sociedade

Veja e Marisa

Por Ronaldo Souza

Não nos cabe julgar a vida pessoal de ninguém. Os riscos são enormes sob todos os aspectos.

Ainda mais quando se envolve a família daquela pessoa.

Nunca foi assim, entretanto, com Lula.

Desde sempre, entre tantas outras coisas privacidade e paz nunca foram permitidas a ele.

A sua vida tem sido devassada e os golpes mais baixos foram desferidos contra ele desde o início da sua vida pública.

Em janeiro de 2013 escrevi e postei aqui o texto A sujeira por baixo dos talheres de prata.

Trago alguns trechos.

Abre aspas
Num golpe baixo, ‘jogaram’ uma filha de Lula na campanha, uma questão estritamente pessoal e que nitidamente trouxe um grande desconforto para ele. A indignação foi tão grande que esboçou-se uma reação com a mesma moeda. Hábitos pessoais de Collor não muito recomendáveis poderiam ser usados também. Lula não aceitou: “não vamos levar questões pessoais para a campanha.

O PT sempre soube, por exemplo, da história do filho de Fernando Henrique Cardoso, Tomás Dutra Schmidt, com a jornalista Miriam Dutra, da Globo. A Globo abafou o caso e mandou a jornalista morar em Barcelona com o filho. Em 2009, FHC reconheceu o filho.

Fica faltando resolver agora o caso do filho que FHC teve com uma empregada doméstica. Foi em 19 de novembro que se descobriu um segundo caso de filho natural do ex-presidente FHC. A notícia foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ao relatar que há pouco mais de 20 anos o então senador Fernando Henrique Cardoso tivera um romance com a empregada doméstica Maria Helena Pereira, que trabalhava em seu apartamento na capital.

Desse relacionamento nasceu um filho, que se chama Leonardo dos Santos Pereira e está hoje com vinte e poucos anos. Mãe e filho trabalham no Senado Federal. Maria Helena é copeira e serve cafezinho aos gabinetes da Ala Teotônio Vilela, enquanto Leonardo trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) na Gráfica do Senado.

É interessante lembrar que FHC vivia dizendo que tinha um pé na senzala. E era mais do que verdade. Além de ser mestiço, como praticamente todos os brasileiros, ele acabou tendo filho com uma afrodescendente que o impressionou pela formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai. E foi por isso, aliás, que a mulher de FHC, Dona Ruth Cardoso, decidiu demitir a empregada (veja aqui Fernando Henrique Cardoso vai reconhecer seu outro filho Leonardo dos Santos Pereira que teve com a empregada doméstica ou vai deixa-lo sem assistência?).
Fecha aspas

Todos sabem que de todos os presidentes da república da história mais recente do Brasil, nenhum casal viveu tão feliz e harmonicamente como Lula e D. Marisa.

Eram famosas, por exemplo, as festas de São João que os dois promoviam, em que todos, ministros e convidados, iam caracterizados com roupas juninas, enquanto a elite e os seus colunistas sociais (ainda existem?) torciam o nariz.

D. Marisa, a quem ele carinhosamente chamava de “galega”, expressão muito usada no Nordeste, sempre foi amada por Lula e todos sabem disso.

Um homem que ainda carrega consigo toda a sua formação simples e humilde, aliás, tão pejorativamente tratada e rejeitada pelas pessoas de fino trato.

Já viu como ele cumprimenta as mulheres?

Com abraços fortes e tapa nas costas, como se estivesse cumprimentando um homem.

Muitos são assim e se referem à mulher como “a federal, dona encrenca, patroa…”. 

Por acaso você nunca viu nenhum homem, mesmo esses que como você frequentam ambientes ditos seletos, usar expressões como essas?

E aí esse homem, desabituado com o linguajar de suas excelências, dirige-se ao juiz e diz; “o senhor sabe como é né doutor, as mulheres fazem as coisas como querem e depois é que comunicam à gente” e o mundo desaba sobre ele acusando-o de jogar a culpa das suas coisas na mulher.

Como podemos ficar surpresos diante dessa postura se sabemos o quanto eles são canalhas?

Todos.

Ao mesmo tempo que amada por seu marido, a primeira-dama do Brasil, D. Marisa, foi absurdamente rejeitada por essa “nata” da sociedade brasileira.

Ou ninguém lembra das tantas pessoas que a retrataram como uma mulher inferior?

Ninguém lembra, por exemplo, como uma delas, Danuza Leão, colunista social queridinha dessa pobre elite que cultiva e idolatra colunistas sociais (meu Deus!!!) se referia a D. Marisa?

Descabelada, deselegante, grosseira, não tem modos (!), inculta, que diferença de D. Ruth Cardoso, ali sim uma primeira-dama de verdade… era o mínimo que diziam dela.

Nem mesmo a morte impediu que ela fosse “desfigurada” pelo prazer de apresenta-la da pior forma possível.

Observe como a mulher descabelada e deselegante aparece na capa “photoshopada” da revista, com maquiagem carregada que a mostra como uma vamp.

Uma vagabunda, como se referem a Dilma Rousseff.

Quer mais?

Puta, como também se referiram e se referem à mesma Dilma Rousseff.

Não foram poucas as vezes em que D. Marisa foi humilhada.

Juntamente com filhos e netos, era a primeira vez que uma primeira-dama do país era jogada no calabouço dos inferiores por aqueles seres superiores, privilegiados pela estupidez que a vida lhes reservou.

Suas conversas pessoais com filhos e netos foram ilegalmente grampeadas e escancaradas na imprensa por um juiz de pequena estatura e um ministério privado (não houve erro de digitação, é privado mesmo), com a anuência de um STF covarde e de costas para o país.

Qual a importância que tinha para o país a conversa de D. Marisa Letícia com seus filhos e netos?

Absolutamente nenhuma.

Tudo isso para que? Para servir ao grande auditório do reality show de um público babando de ódio e sedento do lixo que alimenta suas vidas vazias, cujo objetivo maior é se fotografar em Miami ou Nova York, nesta de preferência sob a neve do Natal, ao som de White Christmas.

Misturam-se os dois Big Brother Brasil. O que ocorre em janeiro de cada ano e o que ocorre durante todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas.

Ambos há anos, sob o patrocínio da mesma rede de televisão e para o mesmo seleto público.

Já não bastava a perseguição ao homem na tentativa de destruí-lo. Tinham que perseguir e destruir também a família.

Quantas mulheres, mães e avós resistiriam a tamanha perseguição à sua família?

Que outro fim poderia ter uma mulher que teve que suportar tudo isso?

Após a sua morte, restou aos filhos e netos ter que suportar a continuação da humilhação imposta à família, incumbência levada a ferro e fogo pelo pequeno juiz.

Mesmo a lei determinando que, independente do que quer que seja, a morte isenta a pessoa de qualquer culpa, Moro manteve a “culpa” de D. Marisa. Não se sabe de que, mas ela continua culpada aos olhos do nosso bom juiz.

O mesmo juiz e bom samaritano que confiscou a casa da mãe de José Dirceu no aniversário de 96 anos dela.

O que ele pretendeu com atitude tão altruísta?

Programar e esperar pelo aniversário de 96 anos de uma senhora para confiscar-lhe a casa.

Por favor, não seja mais canalha ainda dizendo que foi uma coincidência.

Em texto escrito no DCM, Kiko Nogueira definiu bem o momento em que resolveram abrir o caixão de D. Marisa para traze-la de volta e expor na sala de visitas do reality show; Já que Moro foi pífio em Curitiba, restou à mídia usar Marisa para transformar Lula no viúvo do mal.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) escreveu um texto com o seguinte título; Avisei, os canalhas cumpririam as promessas sob aplausos dos cínicos.

Senador, os canalhas são conhecidos há muito tempo.

Mas o senhor acha realmente que os aplausos refletem somente cinismo?

Seriam somente cínicos os que aplaudem os canalhas?

Não seriam também eles canalhas, algo que foi tão bem definido por Pulitzer?

Joseph Pulitzer

Chegamos lá.

Ao fundo do poço da degradação de homens e mulheres que se perderam no preconceito e no ódio.

Dia das Mães sem Marisa

Marisa, a loja'

Por Ronaldo Souza

“Em mulher não se bate nem com uma flor”.

Como medir o amor?

Como medir o amor de alguém ou por alguém?

Existe alguma fórmula matemática para isso?

Não, o coração não conhece matemática.

Ele é regido por sentimentos.

E os sentimentos trazem consigo a sua regra maior, quem sabe a única.

Não se explica, não se mede.

Sente-se ou não.

Não será por não sentir a beleza da vida que há o suicídio?

O amor se apresenta e ocorre de diversas formas e pode se modificar com o tempo.

O amor não é igual e muito menos imutável.

Entretanto, se não se pode medi-lo, sabe-se que há pelo menos um tipo que não cabe em nenhum lugar.

O amor de mãe.

Nada há de mais sublime.

Você nunca viu que aquele assassino mais cruel, mais desumano, cuja alma parece não mais existir, guarda dentro dele, escondido em algum lugar da sua angústia, do seu desespero, da sua desumanidade, uma última gota de amor?

A quem ele dedica?

À Mãe.

Este amor foi ofendido, agredido, violentado.

O festival de estupidez que assola o país se disseminou e se incorporou de forma inimaginável a determinados segmentos da sociedade brasileira e agora atinge o seu píncaro.

Poucos escaparam.

A estupidez leva à cegueira.

E graças à estupidez, marisa, a rede de lojas, conseguiu o que parecia ser impossível.

Motivada pelo que há de mais rasteiro, cruel e covarde com o objetivo de atingir o seu interesse comercial, a marisa agrediu violentamente o seu público alvo; a mulher.

No dia dedicado ao amor, marisa agrediu o que há de mais sagrado.

A Mãe.

Fonte inesgotável de amor.

Não de ódio.

Este será o primeiro Dia das Mães em que se semeou ódio no seio da mulher brasileira.

Brasil, o país onde juiz não julga o réu. Faz dele seu adversário

Veja e IstoÉ

Por Ronaldo Souza

As capas das revistas IstoÉ e Veja desta semana são um primor.

Erguem as taças de champanhe e fazem um brinde com seu público.

As revistas, porém, não perceberam, mas expuseram o juiz.

No desejo de saciar os seus sofisticados e elegantes leitores e deixa-los ainda mais excitados com o gosto de sangue na boca, deixaram-no nu em praça pública.

Fico aqui imaginando com os meus botões, apesar de estar sem camisa neste momento em que escrevo, como os leitores devem estar se deliciando vendo o seu grande guerreiro e herói com o azul na sua roupa e na sua face como o representante do poder combatendo o mal da corrupção, representado pelo vermelho na roupa e na face do torneiro mecânico bandido, representante do outro lado.

É mais que emblemática a forma como são apresentados os dois lutadores.

Moro X Lula

No entanto, pelo menos numa coisa acertaram.

Não há como negar que ambos representam muito bem os seus respectivos partidos.

Moro e PSDB

Finalmente, a mídia brasileira abre as portas da sua academia e exibe o seu grande lutador.

Cumpre assim o papel de informar ao seu público tão cativo.

Moro e os holofotes

E fez um belo trabalho, afinal, dada a discrição do sempre reservado Moro, um juiz que não gosta de badalações e exposições midiáticas, alguns ainda poderiam não ter percebido que o juiz, justiça se faça a ele, é o grande lutador do PSDB.

Aliás, por questão de justiça, não se pode deixar de citar também a Folha que, mesmo sabendo que seus leitores não perceberiam, já tinha mostrado o juiz como candidato do PSDB em pesquisa no ano passado.

Moro candidato da Folha'

Ou seja, também a Folha assumiu há mais de um ano que o juiz, que alguns maldosamente chamam de o “imparcial de Curitiba”, é um político do PSDB.

Um verdadeiro guerreiro a desempenhar muito bem o seu papel.

Um juiz guerreiro que, imbuído do papel de salvar o seu país das forças do mal, abandonou os tribunais, deixou de lado a Justiça e, como um justiceiro dos tempos dos filmes de cowboy, com os quais eu vibrava na minha doce infância, foi para o ringue da luta política, onde, de fato, trava a sua verdadeira batalha.

Não à toa, é digno merecedor das homenagens que lhe foram e são prestadas pela imprensa, nesse perfeito convívio judiciário-mídia-política, tão saudável para a eternamente “jovem e robusta” democracia brasileira.

Moro e a corrente

Sem dúvida, um juiz moderno.

Herói pacificador

Não bastassem todas essas ações do juiz, eis que ele se revela também um bom samaritano.

Sensível aos seus, o juiz nos presenteia com um vídeo tocante em que expõe toda a sua preocupação com os seus apoiadores, num aconselhamento paternal para que não saiam às ruas de Curitiba na quarta-feira (10/05) e assim evitem um confronto com aqueles pobres miseráveis, que já nascem degenerados por culpa da maldita colonização portuguesa, como nos assegura o antropólogo Deltan Dallagnol.

Segundo o mesmo antropólogo, seríamos outro povo se tivéssemos sido colonizados pelos bons e puros ingleses, povo que colonizou os bons e puros americanos.

Converso outra vez com meus botões e eles me chamam a atenção para algumas coisas.

Um juiz que faz vídeos!

Um juiz que é “parte” do processo e tem “apoiadores”!

Pergunte a qualquer advogado que seja minimamente sério e competente o que isso de fato significa para a Justiça de um país.

Só mesmo debaixo do céu azul e sol intenso deste país tropical um juiz deixa de julgar e se transforma em adversário do réu.

Calei-me diante deles, meus botões.

Mas daqui também ergo a minha taça, num brinde à mídia pela sua sinceridade em finalmente mostrar e chamar de seu o juiz que não julga.

Faz do réu adversário e o enfrenta.

Do alto do cinismo, um conhecido ministro brasileiro diria:

“Meus  a-mi-gos, ve-jam  o  que fi-ze-ram  com  a  jus-ti-ça  bra-si-lei-ra!

A plateia ainda aplaude, ainda pede bis
A plateia só deseja ser feliz
(Gonzaguinha)

Olhos lassos

Por Ronaldo Souza

Um dia desses alguém me perguntou.

Você está triste?

Menti.

Disse que não.

Não menti, porém, por qualquer outra razão que não fosse por saber que ela não entenderia as razões pelas quais estava certa.

Estava triste.

Corrijo.

Tenho andado triste.

Como poderia ser diferente?

Até pouco tempo me sentia envolvido em algo que poderia definir como um embate político.

Entretanto, algo que já vinha acontecendo antes ganhou corpo na campanha política da presidenta Dilma Rousseff.

Ali, a tristeza já acenava.

Entregara-me a uma luta que nunca tinha sido tão minha.

Tão nossa.

Portanto, feliz, pleno.

Mas ali estava a tristeza, batendo insistentemente à porta.

Já não era uma luta política.

Junho de 2013

Em março de 2013 a pesquisa CNI/Ibope era manchete na Folha: Dilma é aprovada por 79% e supera Lula e FHC.

De repente, os protestos em São Paulo contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), pelo aumento de 20 centavos na passagem de ônibus.

Protestos contra o governo de São Paulo, mas que foram transformados em protestos contra o governo federal, logo ele que acabara de alcançar incríveis 79% de aprovação.

Disseminaram-se pelo país.

Em junho de 2013, debaixo de muita festa, a revista Veja fazia a sua manchete: Popularidade de Dilma despenca após protestos.

Em apenas três meses, a popularidade de Dilma Rousseff foi de 79 para 30%.

Só Fernando Henrique Cardoso tinha conseguido isso, mas aí é fácil explicar.

Quantos tinham sinapses neuronais suficientes para perceber que era simplesmente impossível tamanha queda em tão pouco tempo sem que houvesse uma indução muito bem concebida e posta em prática pela imprensa?

Mas foi fácil.

Cultura do estupro mental

Aquela plateia não exigia muito.

Eles estavam no ponto.

Marchavam.

E como seguidores de uma cartilha, nada percebiam.

Jorge Bornhausen'

Algo muito maior, que nunca deixou de estar presente, se manifestou com toda sua força.

Era o momento de fazer valer a sentença de Jorge Bornhausen (DEM – SC), o “Alemão”, como também era conhecido por causa da ascendência germânica.

Era preciso eliminar aquela raça.

O preconceito saiu do armário com uma violência inimaginável.

“Ei, Dilma, vai tomar no…, vagabunda, puta, bandida…”.

Jamais um presidente da república tinha sido tratado daquela maneira.

Do alto da sua sabedoria, a classe média se manifestava.

Jalecos, capas, togas, gravatas, tudo foi direto para o lixo.

As máscaras caíram e importantes personagens e segmentos da sociedade se desnudaram.

Eterna candidata ao ingresso na elite, a classe média estava nua.

O preconceito e o ódio deixaram as esquinas e vieram para as principais avenidas e praças do país.

As avenidas paulistas se multiplicaram pelo Brasil.

Tudo se tornou possível e permitido aos olhos de determinados segmentos da sociedade, desde quando fosse para destruir um homem e um partido.

Tiveram como mentor a Rede Globo. E o resto da imprensa, já que disso não passam; resto.

Eram todos Cunha.

Agora o condenam como inimigo do Brasil.

Só souberam agora quem ele é?

São todos Gilmar Mendes e Sérgio Moro.

Entre tantas outras coisas, o ministro Gilmar Mendes se notabilizou por dar Habeas Corpus a inúmeras figuras ilustres no Brasil, como o banqueiro Daniel Dantas e o médico Roger Abdelmassih, para citar somente dois. Ninguém se importou nem questionou a seriedade desses Habeas Corpus, tratando-se de dois homens que feriram frontalmente os interesses do país e a honra de muitas mulheres.

Entre muitas ações juridicamente ilegais de Moro, condenadas por advogados, professores de Direito e juristas renomados, algumas se destacam.

A gravação ilegal da conversa entre Lula e a presidenta Dilma Rousseff e a sua divulgação para a Globo e o resto da imprensa.

A analogia que se fez à época mostrava bem o absurdo sob todos os aspectos e mais ainda sob o jurídico; alguém consegue imaginar um juiz de primeira instância fazer isso com uma conversa entre Obama e o ex-presidente Bill Clinton?

No país símbolo deles e do próprio Moro, no mesmo dia o juiz seria preso.

No Brasil, coube tão somente um puxão de orelhas, que ninguém viu, ao juiz Moro vindo de um covarde e vergonhoso STF, através do então ministro Teori Zavascki.

Nada mais.

A condução coercitiva de Lula, que gerou orgasmos múltiplos nos segmentos de baixo nível mental e intelectual do país, feriu não só conhecimentos elementares do Direito, como o mínimo de bom senso que mesmo seres intectualmente frágeis possuem.

Diante de tamanho poder demonstrado pelo juiz-delegado-promotor, como não chegar ao topo do autoritarismo que, como todo autoritarismo que se preze, atinge o ridículo com extrema facilidade

E sua excelência, o juiz Sérgio Moro, presenteia a sociedade brasileira com a ridícula imposição da obrigatoriedade de Lula ter que comparecer aos 87 depoimentos das testemunhas arroladas por seu advogado.

Até Reinaldo Azevedo apontou para o absurdo da decisão e criticou Moro.

E, diante do desespero do juiz, joga-se a última carta no jogo de baralho que eles mesmo armaram; tentam barganhar a liberação de Lula da obrigatoriedade imposta com a proposta de diminuição do número de testemunhas às quais ele teria que assistir.

Ridicularizando-o mais ainda, Lula fez Moro menor do que é.

Disse que se fosse necessário ele, Lula, mudaria para Curitiba por algum tempo, mas estava à disposição dele para assistir a todos os depoimentos.

Apesar de já ter demonstrado outras vezes o seu nervosismo, ali estava mais uma prova contundente do seu desejo de demonstrar a força que já não tem mais, ainda que continue poderoso pela retaguarda Global que tem; uma ridícula tentativa de imposição da sua autoridade e uma mais ridícula ainda tentativa de barganha.

Resultado.

O TRF-4 desautorizou Moro a obrigar Lula ter que estar presente nos depoimentos.

Dispenso-me de comentários sobre esse mesmo TRF-4. Neste caso, entretanto, não tinham como agir em parceria com Moro, tamanho o ridículo e o grotesco da intenção do juiz.

Consultor Jurídico

Alguma ilusão de que algum dia irão perceber o que alimenta a postura do juiz Moro e os riscos que isso representa para o Brasil?

Nenhuma.

Estiveram com Gilmar Mendes e o STF durante todo o tempo, mas agora assumem postura fascista contra Gilmar Mendes pela soltura de José Dirceu, cuja prisão é reconhecida como abusiva e irregular.

Como sempre, não têm a menor ideia de coisa nenhuma para perceber que Gilmar Mendes em nada mudou.

Muito menos o STF.

Gilmar acabou de proibir qualquer investigação sobre Aécio.

Na verdade, estão somente usando José Dirceu como adubo para o que virá na sequência.

Aguardem só mais um pouquinho, não demora.

Entenda uma coisa.

A Lava Jato chegou onde não queria.

PSDB.

Era simplesmente inevitável.

Mas a chegada ao PSDB não se deu, como mais uma vez mentes débeis imaginam, pela luta contra a corrupção (meu Deus!!!).

E chegou ao PSDB com provas, não por convicção.

Provas que não foram investigadas e descobertas pela Lava jato, mas oferecidas pelos delatores.

Provas!!!

Já tinham “chegado” lá desde o início, mas seguraram até onde puderam.

Mas, sem querer, a Lava Jato chegou além, muito além.

Você já ouviu falar de algum tríplex no Brasil?

Ah, com certeza.

Mas já ouviu falar do triplex de Paraty (RJ)?

Triplex de Paraty

Um triplex com praia particular cercada por seguranças.

Um triplex que nem por embarcação se chega (a não ser com autorização dos donos) porque a praia onde foi construído (em área de preservação ambiental, o que torna irregular o seu uso) é protegida por redes.

Um triplex aonde também se chega de helicóptero.

Você faz ideia de quem são os donos?

Você sabe das ligações desse tríplex com o grupo Mossack Fonseca?

Você sabe que grupo é esse, Mossack Fonseca?

Você sabe que a Lava Jato prendeu 5 membros da Mossack Fonseca imaginando que tinham ligação com Lula e o tríplex da OAS e quando soube do que se tratava imediatamente os cinco foram soltos?

Você sabe do que se tratava?

Busque informações sobre esse episódio.

Não, não busque na Globo. Você vai continuar como está.

Sem saber de nada.

Como eram todos Cunha e não são mais (por que será?), eram e ainda são Temer (até quando for conveniente; não são muito dignos?). O PSDB, como sempre, na primeira fila.

Foi particularmente no pós-eleição que a tristeza à qual me referi fincou sua bandeira no peito dos brasileiros.

Como estar alegre se vejo com a clareza do Sol que entra pela minha janela neste exato momento que segmentos importantes desse país fizeram e fazem parte de todo esse processo?

Como estar alegre se, para o espanto de todos, pela primeira vez na história contemporânea do Brasil professores por esse país afora fizeram e fazem parte disso?

Como estar alegre se vejo títulos acadêmicos que “nos fazem” diferenciados mostrarem toda sua fragilidade e desimportância diante dos reais valores da sociedade brasileira?

Como estar alegre se vejo com clareza que esses “diferenciados” se deixaram conduzir tão facilmente pela Globo e o resto da imprensa?

Como estar alegre se vejo que, com todo o poder que emana do “ser professor”, induziram alunos e ajudaram segmentos adoecidos da nossa sociedade a “construir” este país que aí está?

Um país inchado de preconceito e ódio.

E corrupção.

Não percebem, entretanto, que o preconceito e o ódio disseminados ficaram impregnados somente nas suas mentes doentias, mas não conseguiram implanta-los no seio do povo brasileiro.

Lula e república de Curitiba

Arthur Moledo (MBL) e Eduardo Bolsonaro 1

Não percebem que nada propõem, só se repetem em palavras, gestos e ações violentas e por isso se tornaram cansativos, chatos e repulsivos. 

Não percebem que quanto mais tentam instilar o preconceito e o ódio na alma do brasileiro mais geram indiferença e desprezo.

Banalizaram de tal maneira que o preconceito e o ódio só crescem no estado patológico que criaram e no qual vivem.

Denuncismo midiático repetitivo, cansativo, onde as manchetes são requentadas a cada momento de necessidade maior, como as vésperas de um depoimento, numa clara demonstração de que nada encontram para incriminar o alvo.

Compartilhamento dessas denúncias requentadas nas redes sociais, numa evidente exibição da pobreza que habita essas pessoas tão carentes de tudo.

Ah, como já foi nobre a nossa função!

Como foi lindo acreditar que nos cabia, como professores, formar jovens que viriam a ser homens e mulheres que lutariam pela soberania do país e seu povo!

Como já foram plenos nossos corações e almas!

Oh, como fomos reduzidos a tão pouco.

Não, por favor, não falem de luta contra a corrupção ou qualquer outra coisa.

Encontro enorme dificuldade para acreditar que homens e mulheres tão diferenciados pelo nível de formação que possuem não conseguem ver, por exemplo, como estão conseguindo as delações de última hora dos mesmos homens que já prestaram seus depoimentos inúmeras vezes e agora, condenados a 30-50 anos de prisão, ao “vislumbrarem” a saída da prisão em breve, fizeram um “novo” depoimento.

Não se violentem tanto.

Diante do que estamos vendo, a indignidade seria maior ainda.

“Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços
E cruzo os braços
E nunca vou por ali…”
José Régio

Obs. Dedico a todos essa magnífica interpretação de Paulo Gracindo de um bonito e breve texto inicial de Antônio Maria, poeta e compositor brasileiro, incorporado ao belo poema “Cântico Negro”, de José Régio (Zé Régio, como Gracindo diz no momento em que une os dois textos), poeta português. Retirado da peça “Brasileiro, Profissão: Esperança”, de Antônio Maria.

E o acaso desconstruiu o que tinha construído. Com a ajuda do “meu” técnico

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

No texto Desconstruindo o que o acaso construiu falei o seguinte:

“Já tinha dito a algumas pessoas de minha convivência que não tinha nenhum medo do time do Vitória. É um time fruto de uma ilusão que a gloriosa imprensa esportiva de Salvador criou.

E a torcida acreditou, o que é natural.

Eu tinha medo era do ‘meu’ técnico”.

Algumas pessoas devem ter ficado chateadas com o que falei.

Errei?

O primeiro tempo do jogo mostrou que eu estava absolutamente certo.

O que o Bahia já tinha feito durante toda a partida em que garantiu sua classificação para as finais da Copa do Nordeste, repetiu no primeiro tempo do primeiro jogo das finais do Campeonato Baiano.

Simplesmente massacrou o Vitória.

O que eu também tinha dito naquele texto “até hoje a defesa do Vitória procura por Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael” se repetiu no primeiro tempo desse jogo da quarta-feira.

A referência somente a Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael se deveu ao fato de que essa escalação só tinha acontecido pela contusão de Hernani e expulsão de Gustavo, seu substituto.

Não tinha nenhuma dúvida de que Guto Ferreira jamais armaria aquele ataque se tivesse pelo menos Gustavo à sua disposição.

Como o restante do time foi o que todos já esperavam, só me reportei a aqueles três jogadores, mas aproveito para corrigir uma certa injustiça cometida por mim.

E essa injustiça tem nome.

Régis.

Está numa fase sensacional.

Hoje é o melhor jogador do futebol baiano.

Por que meu medo era o “meu” técnico?

Porque na segunda-feira à noite, após o domingo do Ba-Vi pela Copa do Nordeste, fiquei sabendo que Guto Ferreira tinha declarado que ia colocar Gustavo para jogar. Ele já tinha cumprido a suspensão automática pela expulsão.

Tanto parecia ser verdade que o jogador escalado para dar a entrevista no dia anterior ao jogo foi ele.

Respirei aliviado quando vi entrar em campo o mesmo time.

E o que se viu?

Outro massacre.

O Bahia abusando de perder gols e o Vitória novamente acuado, com medo de jogar.

“Devagar com o andor, que o santo é de barro”

Logo aos 08 minutos do segundo tempo, porém, Régis se contundiu e teve que sair de campo.

Era o acaso, como parte do futebol, entrando em cena mais uma vez.

Aí se justificou a minha preocupação com “meu” técnico.

Se eu temia que Guto Ferreira pusesse Gustavo para jogar desde o início (tendo em vista que ele já tinha cumprido a suspensão automática) e acertadamente não o fez, ele confirmou o acerto da minha preocupação ao substituir Régis por Gustavo.

Pôs Gustavo e “puxou” Alione para jogar no meio, desconstruindo o ataque e alterando todo o sistema de jogo que vinha trucidando o adversário até então.

Com suas limitações e “incapaz” de fazer aquele tipo de jogo, com Gustavo diminuiu bastante a força do ataque do Bahia.

Que a torcida do Bahia não o crucifique por isso, não é essa a intenção, até porque poucos conseguirão fazer aquele tipo de jogo. É característica de cada jogador e certamente não é a dele. A torcida deve continuar estimulando o jovem jogador.

Também não há nenhuma intenção de tirar os méritos de Guto Ferreira e que ninguém pode negar que ele tem.

Mas por que ele simplesmente não colocou Juninho, ou mesmo Diego Rosa, no lugar de Régis?

Pelo menos manteria a estrutura do meio de campo e não mexeria no ataque.

Não seria bem mais simples?

Por que os técnicos de futebol gostam de complicar?

Aos 25 minutos teve que substituir Zé Rafael, que tinha se machucado, e só aí colocou Juninho.

Ocorre que, já desarrumado e também sem a mesma disposição física, o Bahia cedeu espaço.

Mas, alguns “comentaristas” dizerem que foram dois tempos em que o Bahia mandou no primeiro e o Vitória no segundo é uma forçação de barra injustificável.

Portanto, vamos devagar que esse milagre não se sustenta.

Vitória no abismo 1

Mesmo com menor volume de jogo em relação ao primeiro tempo, no segundo o Bahia teve mais posse de bola e até cerca de 20 minutos do segundo tempo era quem ainda tomava a iniciativa no jogo. O Vitória, que já tinha melhorado, começou a reagir e fez o gol de empate, nas condições vistas.

Quem também definiu bem foi um repórter:

“O Vitória foi dominado no primeiro tempo e conseguiu arrancar um empate no segundo”.

O Bahia pode perder o título?

Claro que sim.

Primeiro, é futebol.

Segundo, é clássico.

Terceiro, o Vitória tem a vantagem do empate.

Quarto, joga em casa

Mas quanto a quem já mostrou o que tem, não há dúvidas.

E as duas torcidas já sabem disso.

Continuo dizendo; meu medo é o meu técnico.

Alguém ainda tem dúvida de que não há porque temer qualquer outra coisa?

Obs. Por que juiz e assistentes de São Paulo (todos do quadro da FIFA) no jogo da Fonte Nova e juiz e assistentes baianos (nenhum da FIFA) no jogo do Barradão? Não é estranho? Se essa esquisitice foi aceita passivamente pela direção do Bahia, foi uma tremenda mancada. Aguardemos.

Desconstruindo o que o acaso construiu

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Você acredita que se Hernani não estivesse contundido, Guto Ferreira, técnico do Bahia, tiraria ele para escalar aquele ataque que jogou o Ba-Vi no domingo?

Respondo por você.

Não.

Você acredita que se Gustavo não tivesse sido expulso naquele mesmo jogo, Guto Ferreira não o colocaria como titular no Ba-Vi de domingo no lugar de Hernani e escalaria aquele ataque que fez o jogo no domingo?

Permita-me.

Não.

Já tinha dito a algumas pessoas de minha convivência que não tinha nenhum medo do time do Vitória. É um time fruto de uma ilusão que a gloriosa imprensa esportiva de Salvador criou.

E a torcida acreditou, o que é natural.

Eu tinha medo era do “meu” técnico.

E aí veio o acaso.

De uma tacada só tirou Hernani, que não vinha bem, e Gustavo, um jovem bom jogador, mas ainda com algumas limitações.

Guto não tinha outra opção.

Tinha que armar o ataque daquela maneira, improvisando Edgard Júnio como centro avante. Claro, um falso centro avante.

Aí também comentei com alguns amigos.

Esse ataque vai dar trabalho.

Até hoje a defesa do Vitória procura por Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael.

Aquele acaso ao qual me referi tem nome.

Na verdade, a conhecida estrela do Bahia tinha entrado em cena.

E “armou” o ataque para Guto.

Feliz, pensei; agora sim, é manter o time para o próximo jogo com aquele ataque e correr para o abraço.

Se você fosse zagueiro, preferiria marcar um atacante que fica lá entre você e seu parceiro de área, ou outro que você procura e não acha?

Como praticamente acabou o volante brucutu, acredito que o centro avante paradão, enfiado entre os zagueiros, também não mais terá vida longa.

Ele precisará também saber jogar bola.

É claro que não é pra amanhã, mas acho que esse é o futuro.

Os “caras” (Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael) deram uma canseira infernal na zaga do Vitória.

Não sei porque, mas algo me diz que Guto não viu exatamente assim.

Desde o aquecimento para os primeiros jogos de Gustavo em Pituaçu, uma coisa me chamou a atenção; com bom porte físico, como pede o figurino do centro avante clássico, ele cabeceia bem.

Mas você já viu os zagueiros do Vitória?

Fracos, mas cada um tem 3 metros de altura.

Não parece, portanto, que o jogo aéreo seja o mais adequado.

Por outro lado, a bola correndo no chão, solta, rápida, com um ataque que se movimenta muito, sem posição fixa, parece ter sido a razão do desastre que foi o rival no domingo.

No Ba-Vi de hoje, quarta-feira, 03.05.2017, essa “simples” mudança pode complicar o jogo para o Bahia.

Claro que vou torcer para que eu esteja errado.

E vou comemorar se estiver.

Obs. O texto acima foi escrito e enviado a algumas pessoas na quarta-feira, 03.05.2017, dia da primeira final do Ba-Vi pelo campeonato baiano. Ia posta-lo aqui no site no mesmo dia. Ocorre que a postagem não saía como eu queria. Eu tinha perdido o “controle” da formatação do texto. Só depois de algumas tentativas fui perceber que era algum problema com o Chrome. No dia seguinte, quinta-feira à noite, com mais calma percebi que com o Internet Explorer e o Mozila estava tudo normal. Resolvi então postar o texto hoje, mesmo o jogo já tendo ocorrido. Sem ainda entender porque, continuo com o mesmo problema com o Chrome, que é o que eu uso.

Quando Lula será preso?

Dallagnol e PowerPoint

Por Nelson Jobim (Jurista, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal)

​No Jornal Zero Hora

É pergunta recorrente.

Ouvi em palestras, festas, bares, encontros casuais, etc.

Alguns complementam: “Foste Ministro de Lula e da Dilma, tens que saber…” 

Não perguntam qual conduta de Lula seria delituosa.

Nem mesmo perguntam sobre ser, ou não, culpado.

Eles têm como certo a ocorrência do delito, sem descreve-lo.

Pergunto do que se está falando.

A resposta é genérica: é a Lava-Jato.

Pergunto sobre quais são os fatos e os processos judiciais.

Quais as acusações?

Nada sobre fatos, acusações e processos.

Alguns referem-se, por alto, ao Sítio de … (não sabem onde se localiza), ao apartamento do Guarujá, às afirmações do ex-Senador Delcidio Amaral, à Petrobrás, ao PT…

Sobre o ex-Senador dizem que ele teria dito algo que não lembram.

E completam: “está na cara que tem que ser preso”.

Dos fatos não descritos e, mesmo, desconhecidos, e da culpa afirmada em abstrato se segue a indignação por Lula não ter sido, ainda, preso!

[Lembro da ironia de J.L. Borges: “Mas não vamos falar sobre fatos. Ninguém se importa com os fatos. Eles são meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”.]

Tal indignação, para alguns, verte-se em espanto e raiva, ao mencionarem pesquisas eleitorais, para 2018, em que Lula aparece em primeiro lugar.

Dizem: “Essa gente é maluca; esse país não dá…”

Qual a origem dessa dispensa de descrição e apuração de fatos?

Por que a desnecessidade de uma sentença?

Por que a presunção absoluta e certa da culpa?

Por que tal certeza?

Especulo.

Uns, de um facciosismo raivoso, intransigente, esterilizador da razão, dizem que a Justiça deve ser feita com antecipação.

Sem saber, relacionam e, mesmo, identificam Justiça com Vingança.

Querem penas radicais e se deliciam com as midiáticas conduções coercitivas.

Orgulham-se com o histerismo de suas paixões ou ódios.

Lutam por “uma verdade” e não “pela verdade”.

Alguns, porque olham 2018, esperam por uma condenação rápida, que torne Lula inelegível.

Outros, simplesmente são meros espectadores.

Nada é com eles.

Entre estes, tem os que não concordam com o atropelo, mas não se manifestam.

Parecem sensíveis à uma “patrulha”, que decorre da exaltação das emoções, sabotadora da razão e das garantias constitucionais.

Ora, o delito é um atentado à vida coletiva.

Exige repressão.

Mas, tanto é usurpação impedir a repressão do delito, como o é o desprezo às garantias individuais.

A tolerância e o diálogo são uma exigência da democracia – asseguram o convívio.

Nietzsche está certo: As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Globo mostra que em debate de 2014, só interrompeu pastor a serviço da Odebrecht depois de frase de efeito contra Dilma

Essa é a sua imprensa. Essa é a imprensa que faz a sua cabeça

Globo e fraude na campanha

Aécio ri da pergunta do pastor: foi tudo ensaiado antes?

Do VioMundo

Na edição deste sábado, 15/04/2017, o Jornal Nacional reproduziu delação de executivo da Odebrecht segundo a qual a empresa pagou R$ 6 milhões à campanha presidencial do pastor Everaldo, do PSC, em 2014.

Segundo a delação, quando ficou claro que o pastor não iria a lugar algum, a empresa passou a utilizá-lo para levar Aécio Neves, o candidato do PSDB, ao segundo turno.

Na verdade, é bastante improvável que a Odebrecht tenha de fato acreditado que o pastor seria capaz de vencer a eleição (esta é a opinião do Viomundo).

Nos debates finais da campanha, Everaldo foi orientado a perguntar sempre a Aécio Neves, permitindo que o tucano usasse suas respostas para atacar Dilma Rousseff.

O Jornal Nacional reproduziu trecho de debate na emissora mostrando que o pastor obedeceu à Odebrecht.

Num bloco em que os temas das perguntas foram sorteados e o tema era Previdência, o pastor avisou que ia desviar do tema e falou do Plano de Aceleração de Crescimento, o PAC, peça chave da campanha de Dilma.

Na pergunta, teve tempo de afirmar que apenas 30% das metas do PAC haviam sido atingidas e perguntou a Aécio se se tratava de “programa de atraso do crescimento ou programa de aceleração da corrupção?”.

Foi só depois das gargalhadas e do início da resposta de Aécio que o mediador do debate, William Bonner, interrompeu a encenação paga do pastor Everaldo para lembrá-lo que o tema era Previdência — passaram-se cerca de 30 segundos!

Ou seja, o candidato manejado pela Odebrecht conseguiu colocar no ar uma eficaz punch line contra Dilma, geralmente produto de marqueteiros, no debate de maior audiência da campanha.

A emissora não perguntou a Aécio Neves se ele sabia da estratégia da Odebrecht, nem se alguma pessoa ligada ao PSDB teve algum tipo de influência na campanha do pastor Everaldo — como a produção de punch lines, por exemplo.

Nos Estados Unidos, um dos casos mais conhecidos se deu num debate entre candidatos a vice-presidente, no ano em que George Bush pai se elegeu derrotando o democrata Michael Dukakis.

Para afastar dos eleitores a ideia de que seu governo não teria o carisma do padrinho Ronald Reagan, do qual foi diretor da CIA, Bush escolheu como vice Dan Quayle, um senador jovem que frequentemente se comparava ao carismático John Kennedy.

Num debate com o veterano Loyd Bentsen, vice na chapa de Dukakis, quando Quayle tentou fazer a comparação foi interrompido pelo senador texano: “Eu conheci John Kennedy, eu convivi com John Kennedy e o senhor não é John Kennedy”, disparou.

Embora o senador Bentsen fosse de fato uma raposa política, a frase foi obviamente ensaiada antes e usada quando ele teve a oportunidade de fazê-lo.

Vejam no link como o mediador da Globo só se lembra que as regras do debate foram desobedecidas DEPOIS que o pastor Everaldo lança seu punch line contra Dilma Rousseff para milhões de telespectadores, isso logo depois do sorteio que havia definido que o tema seria Previdência.

Nota do Falando da Vida – O parágrafo acima apresenta o link para ver o vídeo da reportagem. Como consegui o vídeo, postei aí embaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=tvlWsB2jrH0

Nota do Falando da Vida 2 – A matéria que o vídeo mostra faz parecer que o esquema indecente foi montado somente pela Odebrecht, Aécio (PSDB) e o pastor Everaldo. Ela, Globo, não teve nada a ver com isso. Devemos imaginar então que quando William Bonner deu o tempo suficiente para o pastor fazer a pergunta completamente fora do tema sorteado (ele chega a dizer que ia fazer uma pergunta fora do tema) e Aécio começar a responder depois de conseguirem o efeito desejado (as risadas), somente naquele momento (37 segundos depois) Bonner “percebeu” que eles estavam fora do tema! Bonner foi orientado então pela Odebrecht e não pela Globo? Incrível como a Globo conhece o público dela. Sabe que ao passar essa ideia eles acreditam.

Nota do Falando da Vida 3 – Será que ninguém consegue perceber o quanto tem sido manipulado pela imprensa, particularmente pela Rede Globo, durante todos esses anos?

Feliz Páscoa

Feliz Páscoa

Por Ronaldo Souza

Hoje o mundo cristão está em festa.

As nossas mesas estarão fartas de comida e bebida.

À nossa volta as pessoas amadas.

Celebra-se o dia da ressurreição de Jesus Cristo.

Integro-me à celebração.

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”.

D. Helder Câmara e o comunismo

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Papa bolivariano2