Curso de Especialização em Endodontia ABO-BA – homenagem aos nossos alunos

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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENDODONTIA

Nova Turma 2016

Seleção de candidatos

a. Análise de currículo
b. Entrevista

Local: Rua Altino Serbeto Barros, 138, Itaigara, Salvador-Bahia. CEP: 41.825-010

Início do curso: 27 de setembro de 2016

Inscrições abertas

Informações e inscrição com George, na EAP
Fones – (71) 2203-4078 Celular – (71) 98116-3493
Email: eap@abo-ba.org.br

 

Homenagem aos nossos alunos

https://vimeo.com/177551806%20

Não tenho as fotos de algumas turmas, entre as quais a de 2000, a primeira. Por isso não constam
no vídeo. Foram perdidas por causa de problemas em um note book. Peço aos alunos
dessas turmas que tiverem fotos que me enviem.

Direto ao ponto

Olá pessoal,
Há algum tempo venho encaminhando textos para o site do Bahia.
Não os encaminhei para mais ninguém nem publiquei em lugar nenhum para não criar clima de crise no clube.
Mas a crise já está aí e o Bahia vai precisar de serenidade e competência para sair dela.
Este texto foi encaminhado há dois dias para o gerente de comunicação e equipe de marketing do Bahia e para algumas pessoas.
Com algumas modificações que eram necessárias para posta-lo, aí está.

Escudo do Bahia

Direto ao ponto

Por Ronaldo Souza

Prezado Nelson Barros,

Só agora posso responder à sua mensagem sobre dar um voto de confiança a Guto Ferreira.

Fiz isso desde o início e continuo dando, mas já sem nenhum entusiasmo.

O problema, agora vejo com clareza, vai além disso.

Não sou jornalista esportivo nem político, mas escrevo um pouco sobre futebol e política. Vou corrigir; sobre o Bahia e política.

Já encaminhei textos para vocês que não postei em nenhum lugar.

A razão de agir assim é justamente não ser jornalista esportivo.

Sou torcedor e como tal qualquer coisa que escreva que pode ajudar a tumultuar o ambiente do time não posto em lugar nenhum.

Houve, entretanto, um momento em que escrevi inúmeras vezes com esse objetivo, justamente quando o presidente era Marcelo Guimarães Filho.

No entanto, ali foi outra história, estava empenhado em contribuir com a saída dele do Bahia.

Pelo menos um desses textos foi postado em vários blogs aqui na Bahia e também no Jornal GGN, de Luis Nassif.

Aqui está “O Bahia de ontem com roupa de hoje”.

Você deve ter notado que todos os textos que enviei para vocês sobre a gestão de Marcelo Sant’Ana sempre o preservaram e isso por uma razão bem simples.

Acho ele um cara sério e votei nele.

As críticas que lhe fiz foram mais em função da sua falta de humildade, manifestada em vários momentos, mas agora já existem mais razões para critica-lo.

A incompetência da diretoria, inclua-se aí o presidente, tem se manifestado mais vezes do que gostaríamos.

Para ficar em um exemplo, o vice-presidente, acho que é Pedro Henriques o nome dele, demonstra menos a sua competência e mais o deslumbramento por ser vice-presidente do Bahia.

Os arroubos de arrogância chamam a atenção. Muito hormônio e pouca lucidez.

Sobre isso, ser presidente do Bahia, tenho uma “historinha” que talvez conte um dia.

Estou para escrever um texto (já iniciei, mas parei por falta de tempo) em que falo de alguns erros cometidos pelo Bahia e de oportunismo.

O oportunismo a que me refiro diz respeito à nossa pobre e viciada imprensa esportiva e a membros da oposição no Bahia.

E é justamente por isso que, independente do atual momento de erros e acertos, a torcida tem que tomar muito cuidado com o que está sendo dito e escrito.

Não tenho o hábito de ouvir resenha esportiva nas rádios (com algumas poucas exceções, são muito fracos), mas esses dias procurei faze-lo por duas ou três vezes para ficar mais por dentro do que estão dizendo e fiquei estarrecido.

Há uma só preocupação; bater em Marcelo Sant’Ana e na diretoria.

Nunca vi fazerem isso, por exemplo, com Marcelo Guimarães Filho ou com a diretoria de qualquer outro time.

Mas alguém me advertiu; lembre que foi Marcelo Sant’Ana e a atual diretoria que acabaram com o que ficou conhecido como Caso Jabá, um triste episódio para a imprensa esportiva da Bahia.

Certamente eles não ficaram satisfeitos com a atitude do presidente.

E troco existe para ser dado.

Estão dando.

Está se tornando especialidade da imprensa aproveitar momentos de fragilidade para desconstruir alguém.

De fato, estão perdendo o comando, dentro e fora de campo.

E está difícil negar a relação que isso tem com a inexperiência e incompetência que a diretoria tem demonstrado.

No entanto, se a torcida está insatisfeita com a diretoria, e com razão, que mostre a sua indignação, mas também proteja o seu time.

Vou além.

Vou dizer uma coisa que não sei se vocês vão entender e muito menos concordar. É a opinião de quem vê o Bahia de fora, mas que nem por isso está tão por fora.

Nos últimos anos, pelo menos nos últimos dez, acho que mais até, nenhum técnico fez o Bahia jogar como Sérgio Soares.

Partia pra cima e ganhava dentro e fora de casa.

O que acredito ser uma característica dele é que ele parece ser aquele tipo de treinador “rascante”, exigente, mas que a longo prazo se desgasta com o plantel.

Parece ter acontecido com o Ceará (2014), com grande campanha caindo no final da temporada e com o Bahia em 2015. Todos lembram do que aconteceu.

É claro que ninguém pode imaginar o Bahia o contratando outra vez. A diretoria seria chamada de louca ou até mais. Plenamente compreensível.

Mas, não vejo ninguém melhor do que ele neste momento. Lembre-se que faltam poucos meses para terminar o campeonato. Isto significa que se essa característica que identifico nele for verdadeira não haveria tempo suficiente para que “agora” ela se concretizasse.

Por que digo isso?

Porque Guto Ferreira é Doriva.

O time dele é o mesmo de Doriva.

O esquema de jogo é o mesmo.

A apatia e frouxidão do time são as mesmas.

A falta de qualidade é a mesma.

É um time sem alma.

Há times que se caracterizam por não ter alma e por isso não são chegados a grandes conquistas.

O Bahia sempre foi força, garra, amor, paixão…

ALMA.

Diante disso, anote o que vou dizer.

Temos que contar com a possibilidade (quem sabe, probabilidade) de que alguns times não resistam às dificuldades (limitações no plantel e consequente cansaço físico, contusões, cartões…) de um campeonato tão longo e comecem a mostrar sinais de decadência.

Pode-se imaginar quem corre esse risco.

Se não tivermos essa ajuda, o Bahia não sobe.

E então chegaremos ao final do ano com um dos times mais caros da história da série B e um desempenho medíocre.

E aí, mesmo com os reconhecidos acertos, essa será a marca da atual gestão.

Com a substancial ajuda da lamentável imprensa esportiva da Bahia, que Marcelo Sant’Ana tinha a obrigação de conhecer porque fez parte dela e para ela provavelmente voltará, e o oportunismo de muitos.

É triste, mas parece que as coisas estão tomando esse rumo.

“Surplus”, embuste em inglês 2

Por Ronaldo Souza

Trago de volta uma das imagens da postagem anterior, “Surplus”, embuste em inglês, para ajudar a continuarmos a nossa conversa.

Ela servirá para reforçar em nossa memória o que pode acontecer com o paciente quando os procedimentos endodônticos não encontram o devido respaldo científico.

Servirá também para mostrar como algumas “técnicas” atropelam o bom senso.

Sur plus 2'

Mas trago outra.

A da figura abaixo.

Sur plus 3'

Observe as setas brancas indicando por onde passa o canal mandibular e a sua proximidade com os ápices radiculares.

Observe agora as setas pretas e veja que o surplus ganhou um aspecto diferente, como se fosse uma “rede de obturação” no tecido ósseo.

Certamente teria sido motivo de enorme satisfação pela “beleza” da imagem, não fosse a parestesia que a paciente acusa há mais de um mês graças ao surplus, outra vez agredindo o nervo alveolar inferior como indica a seta amarela ao mostrar o quanto de material obturador está no canal mandibular, ainda que a imagem permita ver somente parte dele.

A colega que tratou esse canal não terá sossego por um bom tempo com a paciente reclamando dela uma solução para o problema. A esta, a paciente, restará a parestesia sem previsão de quando desaparecerá.

Só para relembrar, isso foi intencional.

Claro que o desejo não era fazer o surplus no canal mandibular, mas foi intencional faze-lo. A própria endodontista confessou. 

Vamos em frente.

Veja a figura 1 abaixo.

Sur plus 3'

A obturação foi realizada a cerca de 1 mm aquém do ápice radiográfico (B) e a compactação e homogeneidade observadas na imagem radiográfica sugerem uma obturação bem feita. Em C o desaparecimento da lesão periapical.

Reparo pleno.

Todos os referenciais anatômicos (espaço do ligamento periodontal, lâmina dura, tecido ósseo periapical) se mostram em condições normais.

Esse tipo de reparo seria possível se tivesse sido feita uma obturação com surplus?

Vejamos agora os dois casos clínicos abaixo (Fig. 2).

Ambos apresentavam próteses com pinos e foram retratados pela Dra. Brice Barreto, aluna do Curso de Especialização em Endodontia da ABO-BA.

Aqui são mostradas somente as radiografias necessárias para a apresentação do caso.

Sur plus 4'

A radiografia mostra grande lesão periapical, sugerindo provável destruição de tábua óssea.

O exame clínico mostrou edema bastante acentuado ocupando todo o palato do lado correspondente aos dentes em questão. Durante o acesso, os canais dos dois dentes apresentaram intenso exsudato purulento.

Situações como essa costumam ser de mais difícil controle, o que se confirmou durante o tratamento.

Após desobturação, vê-se em A e B a determinação do CT dos canais. Foi realizado preparo do canal com hipoclorito de sódio a 2,5% e EDTA, com limpeza ativa do canal cementário e medicação intracanal com hidróxido de cálcio em ambos.

Na consulta seguinte, mesmo que em menor quantidade, o exsudato purulento ainda estava presente, como também se apresentou na sessão seguinte.

Quando enfim os sinais clínicos deram indícios de controle de infecção, um deles a ausência de exsudato, os canais foram obturados.

Pode-se observar que as obturações, bem compactadas, apresentam homogeneidade em toda sua extensão (C), tal qual a feita no caso da figura 1, obedecendo aos padrões exigidos.

O processo de reparo, ainda em andamento, é visto em D um ano e meio depois. 

Aproveito e abro um parêntese.

A recomendação de tratamento endodôntico em sessão única de canais com exsudato persistente reflete grande desconhecimento de princípios elementares da Endodontia e da fisiologia do reparo tecidual.

Vamos ao caso da figura 3. Aqui, como no caso da figura 1, volto ao meu consultório.

O canal do 12 foi tratado e o do 11 retratado.

Sur plus 6

Além da lesão, observe a reabsorção apical do 12 em A. Em B a lima está posicionada a 0,5 mm além do ápice radicular, onde trabalhou para instrumentar o canal cementário. Em C o mesmo procedimento no 11.

Em D o canal do 12 aparece concluído e o do 11 ainda por ser tratado. Observe agora mais evidente a reabsorção apical do 12 (seta). Em E a radiografia é de acompanhamento cinco anos depois. A paciente esteve sob tratamento ortodôntico até pouco mais de um mês antes dessa radiografia.

Perceba que a lesão periapical do 11 (retratado) desapareceu, mas observe principalmente o pleno reparo do 12, não só pelo desaparecimento da lesão periapical como pela deposição de tecido mineralizado, fazendo desaparecer a reabsorção apical, o que caracteriza selamento biológico (seta).

Além disso, observe também que os limites apicais das obturações são diferentes. Sem alterações evidentes na configuração do seu ápice, a obturação do 11 está mais próxima do ápice do que a do 12.

Como o ápice do 12 se encontrava reabsorvido, o surplus seria inevitável se ele fosse obturado no mesmo limite do 11, com grande quantidade de extravasamento de material obturador.

Quando isso ocorre comemora-se como mais uma demonstração de excelência em tratamento endodôntico.

Um grande equívoco.

Compare o ápice do 12 nas duas figuras, D e E.

O canal foi obturado aquém dos limites clássicos preconizados, a reabsorção ficou completamente vazia, sem material obturador, os fluidos teciduais periapicais penetraram à vontade naquele espaço (ou alguém imagina que isso não aconteceu?) e mesmo assim o reparo se deu.

Não só se deu como ocorreu em toda sua plenitude, inclusive com selamento biológico.

Não há reparo melhor do que esse.

Esse tipo de reparo seria possível se tivesse sido feita uma obturação com surplus?

Por que fiz essa pergunta anteriormente e repito agora?

Para dizer que não seria possível e mostrar porque.

Vamos aos casos da figura 4.

Sur plus 7'''

Os dois casos das figuras A, B, C e D você acabou de ver e observou a qualidade do reparo, repito, com selamento biológico.

Nos das figuras E, F, G e H, tratei primeiro o 12 que já aparece concluído em F.

Vamos ao 11.

Observe em F a lima posicionada como está a lima em B. O preparo do canal foi realizado nas mesmas condições descritas para o caso da figura 2.

Houve extravasamento acidental de material obturador (G). Em H pode-se observar que a lesão periapical diminuiu consideravelmente de tamanho, mas ainda está presente em torno do material obturador extravasado, que se mantém praticamente inalterado em termos de tamanho (setas).

Perceba a diferença na qualidade do reparo nas duas situações.

Enquanto na figura D observa-se reparo completo com selamento biológico, a figura H mostra imagem de lesão periapical e presença do surplus.

Nos dois casos o acompanhamento é de exatamente cinco anos. E por grande coincidência as duas radiografias, D e H, foram feitas no mesmo mês; maio.

Lembra daquela pergunta?

Esse tipo de reparo seria possível se tivesse sido feita uma obturação com surplus?

A resposta você já tem.

Você está vendo que não.

Veja o que eu disse seis linhas acima: “… a figura H mostra imagem de lesão periapical e presença do surplus“.

Observe que coloquei “imagem” de lesão periapical e não lesão periapical.

Por uma razão bem simples; ali não é mais lesão periapical, pelo menos como se entende a expressão.

Quando falamos em lesão periapical subentende-se que é uma lesão de origem endodôntica, que por sua vez tem origem na infecção do sistema de canais.

Aquela imagem residual de lesão não tem mais origem na infecção do sistema de canais porque esta não existe mais.

Se ainda houvesse infecção no canal a lesão periapical não teria o seu tamanho reduzido naquelas proporções, quase desaparecendo completamente.

A imagem que você vê apontada pelas setas em H representa uma reação inflamatória crônica à presença de um corpo estranho.

Qual?

Surplus!

Quer ver uma coisa?

Volte lá nas figuras 4 C e D.

Onde foi que ocorreu a deposição de tecido mineralizado que a seta aponta em D?

No espaço vazio que a seta aponta em C.

Se ali houvesse material obturador, como poderia ocorrer a deposição de tecido mineralizado para na sequência constituir o selamento biológico?

Dois corpos, tecido mineralizado e surplus, não podem ocupar o mesmo espaço físico.

Ou um ou outro.

O que podemos deduzir?

Que a obturação com surplus impede o pleno reparo.

E chamam isso de “excelência em Endodontia”!

Quando você ouvir falar de surplus, não dê importância.

É bobagem.

Não faz o menor sentido.

A Endodontia brasileira está cheia de “mãos santas” e pregadores da verdade divina.

“Surplus”, embuste em inglês

Sur plus 1

Por Ronaldo Souza

Desde o famoso Estudo de Washington, Ingle estabeleceu a importância da obturação no tratamento endodôntico.

Segundo ele a maioria dos insucessos do tratamento endodôntico era devida a obturações malfeitas. As falhas da obturação e a consequente infiltração de fluidos teciduais periapicais seriam a causa das lesões periapicais.

A partir daí, espalhou-se por todo o mundo o conceito de vedamento hermético, que passou a ser considerado fator determinante do sucesso do tratamento endodôntico e, portanto, o grande objetivo do endodontista.

Consegui-lo era indispensável para o sucesso em Endodontia.

Adotou-se essa “verdade” científica há cerca de 60 anos.

As “evidências” pareciam claras.

Profissionais do mundo inteiro acreditaram nisso e buscaram a qualquer custo o vedamento hermético nas suas obturações.

Quanto se discutiu sobre o travamento perfeito do cone principal de guta percha!

Quantos dedicaram boa parte da sua formação acadêmica à obturação!

Quantas monografias, dissertações, teses e artigos têm sido feitos/publicados sobre o tema!

Quantas monografias, dissertações, teses e artigos têm sido feitos/publicados sobre cimentos obturadores!

Discussões infindas sobre métodos de avaliação da infiltração apical das obturações foram feitas até o Journal of Endodontics “condenar” em editorial a infiltração apical de corantes e métodos similares como formas de avaliação da qualidade da obturação.

E o mundo se curvou a essa decisão.

Condenaram os métodos de avaliação da qualidade da obturação e partiram em busca de novas e mais sofisticadas metodologias.

A concepção, porém, seguia intocada.

Quem ousaria discordar do que determinava o Journal of Endodontics, o editor da vida no previsível mundo da Endodontia?

Entretanto, ainda que não tivessem sido percebidas, duas questões se impunham.

Onde estavam as evidências que comprovavam a existência de vedamento hermético?

E, mais importante, onde estavam as evidências que confirmavam a imprescindibilidade do vedamento hermético?

Apesar da insistência, não havia.

Não poderia haver.

E não há.

Se houvesse seria a decretação da falência da Endodontia como especialidade da área da saúde.

Mas, se não há, por que insistir?

Não é estranho que após tantos anos pesquisando esse tema sem nenhuma comprovação da obturação como fator determinante do sucesso ainda se insista na mesma ideia?

Apesar de tudo isso, sempre houve algo muito positivo.

Na grande maioria das vezes o debate foi sério.

Discutia-se realmente um tema importante da Endodontia.

Acreditar de fato na ideia torna, no mínimo, a discussão um pouco mais séria.

E a comemorar o fato de que, apesar das dificuldades enfrentadas por quem ousou contestar o paradigma da obturação, já se percebe um ou outro falando em repensar o seu papel.

Alguns artigos, ainda que poucos, há algum tempo já começaram a redefinir esse papel.

Desde o trabalho de Sabeti e colaboradores – Sabeti MA, Nekofar M, Motahhary P, Ghandi M, Simon JH. Healing of apical periodontitis after endodontic treatment with and without obturation in dogs. J Endod. 2006 Jul;32(7):628-33  já se vão 9 anos.

Veja a que conclusão chegaram os autores:

The noteworthy finding of this study was that there was no difference in healing of apical periodontitis between the instrumented and obturated and instrumented and nonobturated root canal system

O achado importante deste estudo foi que não houve diferença na cura das lesões periapicais entre os canais instrumentados e obturados e os canais instrumentados e não obturados

No entanto, nos tempos atuais o tema adquiriu novos contornos.

Entre outras coisas, percebe-se um movimento que em boa parte visa alcançar os jovens que estão saindo das faculdades.

Inexperientes e com poucas armas para resistir ao assédio, deixam-se encantar com as promessas. 

Somente alguns alunos percebem.

Você já viu a quantidade de vídeos falando de Endodontia na internet que prometem o Céu e a Terra?

Tecnologia é o pano de fundo, literalmente.

A tecnologia que tantos avanços trouxe para a Endodontia e pôs nas mãos do endodontista ferramentas que melhoraram bastante a qualidade do tratamento endodôntico ali se transforma em peça de marketing.

Não se vê ‘Endodontia’, mas ‘tecnologia’.

O “professor” não fala de Endodontia, mas como conseguiu fazer aquilo que vai mostrar.

Ele, o “professor”, nunca está sozinho. Está sempre ladeado por tecnologia.

Ao lado está o microscópio que faz ver o mundo.

O localizador foraminal que dá a precisão que não existe (o “professor” acha que existe).

Tudo é feito rapidinho, não há mais porque perder tempo.

O lema passou a ser: “É hoje e hoje mesmo termina”.

As radiografias A, B, C e D da figura lá em cima me foram dadas. A radiografia E peguei em um dos poucos momentos em que dei uma “fuçada” na internet.

Como se observa, mostram extravasamentos consideráveis de material obturador.

Inicialmente conhecidos como “Puff”, certamente uma expressão sem charme, importou-se outra:

Surplus.

Tido por muitos como “tema moderno”, reflete mais do que isso e merece ser discutido.

Antes, porém, dois breves comentários.

Não há nenhuma pretensão de agredir quem quer que seja.

Assim, profissionais sérios não se sentirão atingidos por algumas das considerações que serão feitas.

É discussão de ideias, concepções.

Simplesmente falo de Endodontia e não deixo de lado a ênfase necessária quando cabe.

O outro aspecto é que, por razões óbvias, excluirei deste texto comentários sobre o extravasamento acidental de material obturador.

Vamos lá.

A proposição de obturações com surplus é absurda.

Reflete conceitos equivocados e defasados e desconhecimento.

O que representa o material obturador nos tecidos periapicais?

Um corpo estranho.

Isso deveria ser suficiente para se entender que a presença de corpo estranho representa um fator de agressão aos tecidos, onde quer que se situem, algo que qualquer aluno da área de saúde aprende nos primeiros semestres do seu curso.

Tendo como respaldo a dedução de Ingle no Estudo de Washington, preconiza-se que o material obturador deve ser extravasado para os tecidos periapicais como comprovação de que assim a obturação estaria bem feita.

Se isso fosse de fato comprovação de qualidade e garantia de sucesso, como alguns ainda imaginam, possivelmente valeria a pena assumir o preço pelos inconvenientes do extravasamento de material obturador para os tecidos periapicais.

Mas, definitivamente, não é.

Não vamos perder tempo descrevendo as desvantagens desse procedimento.

Mas vamos conhecer o caso abaixo, claro suprimindo detalhes que poderiam identificar o colega que o fez.

Sur plus 2'

Vinda de outro estado, a paciente relatou ao colega que a atendeu em Salvador (membro da minha equipe) duas coisas que chamaram a atenção.

A primeira foi sobre as dores intensas e incessantes que ela estava sentindo há mais de seis meses, apesar de durante todo esse tempo estar sob rodízio medicamentoso à base de anti-inflamatórios e analgésicos.

A segunda foi a preocupação do colega, ao saber que ela vinha para Salvador, em frisar várias vezes que assim que chegasse ela tinha que procurar um endodontista muito amigo dele (faziam parte do mesmo grupo), segundo ele, o único que teria competência para ajuda-la.

A paciente trouxe a radiografia vista em A.

Quando durante o exame o colega que a atendia fez a radiografia B entendeu o porque dos dois relatos feitos pela paciente.

As fortes e intermináveis dores eram devidas ao fato de que o material obturador extravasado, o corpo estranho, o surplus estava no canal mandibular (setas em B).

E a insistência do colega para que ela fosse ao amigo de Salvador, segundo ele o único capaz de resolver o problema, deve encontrar explicação no fato de que o surplus agressor de nervo alveolar inferior não ganharia o mundo; ficaria só entre eles.

Só eles e o nervo alveolar inferior da paciente tomariam conhecimento do surplus.

Poderia até ser mais um caso clínico exibido em jornadas e congressos como comprovação de excelência em Endodontia.

Claro, sem detalhes inconvenientes.

Somente aí a paciente tomou conhecimento do que se tratava e qual era a razão das suas fortes e intermináveis dores.

Ocorrências semelhantes são mais comuns do que se imagina e teremos que ter muito cuidado daqui por diante. A quantidade de processos judiciais contra profissionais é algo crescente e preocupante nesse momento.

Além de explicar à paciente o que tinha acontecido e dar algumas orientações, coube ao colega dizer que não havia como prever quando as dores teriam fim.

À paciente restou continuar fazendo uso dos anti-inflamatórios e analgésicos.

A indicação de obturações com surplus contém um empirismo injustificável.

Obs. Este texto não termina aqui. Aguarde a sua continuação.

Não sobrou nada

Pensa Lula abandonado'''

Por Ronaldo Souza

O eterno declínio moral de Lula.

O eterno declínio ético de Lula.

O eterno abandono de Lula.

A eterna solidão de Lula.

A eterna caminhada de Lula para a prisão.

Lula líder mundial'

.

Lula lidera pesquisa'

O declínio moral diário de quem não tem moral.

O declínio ético diário de quem não tem ética.

O abandono diário de quem não percebe que se abandona no mundo da indignidade.

A solidão diária de quem não percebe que se isola no mundo da indignidade.

A caminhada diária para o nada de quem nada é.

Não sobrou nada.

De quem manipula.

De quem distorce.

De quem difama.

De quem não se percebe.

Deve ser difícil, muito difícil, perceber-se quando se é muito pequeno.

Jogadores sem honra?

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

No momento em que escrevo este texto não estou na Bahia. Aproveitando para relaxar um pouco, só voltarei na segunda feira.

Não assisti ao jogo do Bahia contra o Ceará, mas procurei me informar com quem viu.

Ando (quem não anda?) irritado com a apatia do time e aproveito mais uma derrota para dizer coisas um pouco acima do tom que normalmente usaria.

Há alguns pontos que precisam ser abordados enquanto ainda é tempo.

O torcedor do Bahia já deve estar cansado de ouvir que Bahia e Vasco têm os dois melhores plantéis da Série B e são os mais fortes candidatos para subir para a Série A.

Há quem diga que principalmente do meio campo para a frente o Bahia tem jogadores de Série A e seria superior ao Vasco .

Não há, entretanto, nenhuma relação entre o time apontado pela imprensa e reconhecido pela torcida e aquele que está em nono lugar, oito pontos atrás do outro apontado como um dos favoritos ao título, o Vasco.

O time não anda.

Todos que chegaram recentemente usam “o projeto do Bahia” como a grande razão para terem vindo.

Há muito tempo não vejo jogadores profissionais tão encantados com o projeto de um clube.

É algo incomum.

Confesso que estou louco para conhecer esse projeto, pelo qual todos se apaixonam.

Por coincidência ou não, informações dão conta de que esses mesmos jogadores estão ganhando mais do que muitos (ponha muitos nisso) jogadores da Série A.

Não sei que tipo de associação poderia ser feita entre esse detalhe e o encantamento desses jogadores com o projeto do Bahia.

Vocês não acham que está tudo muito estranho?

Observemos alguns jogadores.

Jackson é um dos recém contratados.

Há algum tempo o Bahia não tem um zagueiro como ele.

É de fato um grande zagueiro.

Sério, está jogando futebol de muita qualidade e se mostra consciente do que é jogar num clube de Série A, um bicampeão brasileiro, com uma torcida que dispensa comentários.

Ainda que de vez em quando surjam notícias de interesse de outros times por ele, o que pode contribuir para as naturais oscilações de um jogador, não há como negar que Hernane é outro que tem compromisso com o time e a torcida que o contrataram.

Tiago Ribeiro é outro grande jogador, muito bom de bola, talvez o mais técnico do time.

Mas já passou da hora de mostrar esse futebol. Até agora ele está muito abaixo do seu potencial.

A torcida já está bastante incomodada com a sua apatia.

Outro jogador de grande potencial, mas que não tem se mostrado nem um pouco preocupado em corresponder às expectativas, é Renato Cajá.

Hoje, Renato Cajá é a grande esperança, o grande jogador, o grande maestro, que em todos os jogos é substituído.

A torcida começa a ver como cada vez mais real a possibilidade de que Cajá, como Tiago Ribeiro, não vai passar disso que está aí.

São jogadores que entram em campo e jogam.

Se ganharem, ótimo. Se não ganharem, nada muda.

Sabem que em nada serão afetados.

Estão jogando em um time que tem um “projeto apaixonante” e lhes paga altos salários em dia.

O jogador de futebol, como qualquer outro profissional, pode achar que não era exatamente ali que gostaria de estar.

Ocorre que ele tem um contrato a cumprir e qualquer bom profissional tem como princípio maior honrar esse compromisso.

Portanto, em primeiro lugar é uma questão de honra, algo próprio de cada um.

Não buscar respeitar esse compromisso é desonrar a si próprio.

Relembremos aquele “desabafo” de Hernane no vestiário após o jogo contra o Tupi, quando fez questão de tirar dos ombros de Doriva a responsabilidade pelo fracasso do time.

Hoje tenho a forte impressão de que, ao dizer aquilo e trazer a responsabilidade para eles próprios, Hernane estava dando um recado a alguns jogadores do time.

Não parece difícil a essa altura imaginar para quem.

Sem entrar no mérito da questão, Doriva foi afastado e por dois jogos o time esteve sob o comando de Aroldo Moreira, técnico da base.

Dois jogos, duas derrotas.

Com todo respeito ao Tupi, o Bahia podia ter jogado sem técnico. Dada a flagrante superioridade do time, não podia perder nas condições em que perdeu.

Agora é a vez de Guto Ferreira, o novo técnico do time.

Se eu pudesse, diria a ele.

Abra os olhos. 

Você está lidando com alguns jogadores que talvez desconheçam o significado de honra pessoal e quando não há honra nada mais há.

Se eu pudesse, também diria a esses mesmos jogadores:

Cuidado, paciência tem limite.

Ainda mais quando se trata de uma torcida apaixonada e marcada pelo que lhe fizeram ao longo desses últimos anos.

As reações são imprevisíveis.

E nunca é recomendável estar por perto de uma torcida apaixonada quando ela está prestes a atravessar a tênue fronteira entre a percepção e a convicção.

Como não posso falar nem com o técnico nem com os jogadores, só me resta aguardar o que está por vir.

GASPARI: TEMER PEDALA DEBAIXO DE APLAUSOS

Élio Gaspari, renomado jornalista da Globo, Veja e Folha, homenageia os Eremildos.

O poeta Carlos Drummond de Andrade chamava de “Inocentes do Leblon”.

Temer e Gaspari

Segundo o jornalista, em crítica feroz ao governo do vice interino, povo está encantado com a desenvoltura com que Temer pedala, dentro da lei e debaixo de aplausos; ele questiona o refresco na dívida dos Estados, que deixa rombo de R$ 50 bilhões nas contas da União: “Quando disseram a Eremildo que a maior parte da dívida estava com São Paulo, Rio e Minas Gerais, enquanto o Piauí nada devia, ele achou que isso era conversa de petista mentiroso. Era verdade, ele não entendeu, mas conformou-se. Afinal de contas, é um idiota”

Por Élio Gaspari, via Brasil 247

O Jornalista Elio Gaspari, em sua última crônica envolvendo o personagem Eremildo, o Idiota – uma alusão à massa ignara do Brasil –, diz que o vice interino Michel Temer continua a ter um apoio imotivado.

Segundo o jornalista, “o cretino tem uma bicicleta, sabe que as pedaladas fiscais da doutora Dilma tinham um ingrediente de maquiagem contábil e está encantado com a desenvoltura com que Temer pedala, dentro da lei e debaixo de aplausos”.

Gáspari faz uma crítica feroz à negociação de Temer para refrescar a dívida dos estados, aliviando para maus pagadores como Rio, Minas e São Paulo, enquanto indigentes como Piauí já honraram seus compromissos.

Temer “pedalou” a conta dando às unidades federadas uma moratória de seis meses, seguida de um desconto decrescente nas prestações, deixando um rombo de R$ 50 bilhões nas contas da União.

“Quando disseram a Eremildo que a maior parte da dívida estava com São Paulo, Rio e Minas Gerais, enquanto o Piauí nada devia, ele achou que isso era conversa de petista mentiroso. Era verdade, ele não entendeu, mas conformou-se. Afinal de contas, é um idiota.”

A pobreza da alma

Carmem Lúcia

Por Ronaldo Souza

“A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”.

Essa frase é de Aristóteles.

Apesar da imensa verdade contida nela, poucos a têm na sua real dimensão.

Olhe ao lado que você verá inúmeros exemplos de homenageados que nenhum mérito possuem, mas aceitam as homenagens e não só as imaginam verdadeiras como as transformam na razão de ser.

Muitos imaginam que corromper é o ato de comprar alguém e para que assim seja considerado o dinheiro está presente.

Há os que compram, corruptores, e os que são comprados, os corrompidos.

Ambos são corruptos.

Entretanto, ver a corrupção somente sob esse prisma é um equívoco.

A corrupção se dá de diversas formas e muitas vezes sem dinheiro, pelo menos diretamente.

Como em outras situações que não envolvem dinheiro, a sedução é um ato de corrupção.

Corromper a alma de alguém é uma forma de crime.

Ao conferir o prêmio “Faz Diferença” (2014), espécie de homem do ano, a Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, a Globo não fez outra coisa que não o seduzir.

Presidente do STF à época, Joaquim Barbosa foi peça fundamental no julgamento do que ficou conhecido como Mensalão.

O Mensalão é uma obra particularmente da Globo.

Os outros órgãos de imprensa foram meros coadjuvantes e sequer foram capazes de perceber que era não só um mecanismo de manutenção do poder, mas, sobretudo, de salvação da Globo.

Abril (Veja), Estadão, Folha, Band… estão todos falidos, mas diante do momento atual, cujo início se deu no Mensalão, é possível que ainda respirem por algum tempo. A Globo, que já enfrentava dificuldades incontornáveis (a sua audiência não para de cair, o que começa a afastar alguns patrocinadores), jogou todas as suas fichas no golpe.

Claro que agora terá tempos compensadores.

Depende dos rumos, ainda não completamente definidos, que o país tomará.

O que representa Joaquim Barbosa hoje para a Globo?

Absolutamente nada.

Alguém consegue imagina-lo, como há algum tempo, candidato à presidente do Brasil?

Vive hoje dando palpite pelo twitter, muitas vezes criticando (sem perceber?) coisas que tiveram início com ele.

Na sequência, veio o juiz Sergio Moro.

O “Faz Diferença” de 2015, o homem do ano.

Uma alma pequena, com limitações evidentes, mas obcecada na sua determinação.

Quando se juntam esses ingredientes, pode-se detonar uma bomba de efeitos imprevisíveis.

Aceso o pavio, a perda do controle é algo com que se deve contar.

E a vaidade costuma ser o pavio a ser aceso.

As limitações do universo do juiz, recorrendo a uma expressão usada por um dos seus assessores, o procurador Daltan Dallagnol, são de clareza solar.

Por outro lado, vaidade e oportunismo sobram.

E surge nesse universo a ministra do STF, Carmen Lúcia.

Em entrevista recente a ministra soltou essa pérola:

“Outro dia eu falei com um juiz do trabalho, que disse: ministra, mas a senhora não acha… Primeiro, eu não acho, eu voto, eu decido. Ele disse: eu estava falando para florear, para a senhora não ficar de mandona. Não, meu filho, eu obedeci a Madre Superior, minha mãe, meu pai, namorado, professor, agora eu mando. Adoro mandar. Eu mandei, cumpra. Mulheres, depois que passa dos 50, a gente gosta mesmo é do sim senhora, não é do eu te amo. Se tiver o eu te amo junto, aí isso é um Deus. Sim senhora e eu te amo, aí é realização total”.

Meu Deus!!!

Apesar de alguns paradoxos, vivemos um momento em que cada vez mais homem e mulher buscam caminhar lado a lado.

Aquela história de que “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher” pertence ao passado e soa hoje tão pobre que os homens, pelo menos os que têm alguma sensibilidade, já não a dizem.

Num momento em que as mulheres cada vez mais conquistam espaços até pouco tempo inimagináveis e se manifestam com inteligência, sensibilidade, conhecimento e bom senso, vem uma mulher, ministra do Supremo Tribunal Federal, e nos apedreja com tamanha insensatez.

E joga a mulher brasileira, que podia se imaginar representada por ela em um dos mais elevados e importantes cargos da República, para o lugar que há anos ela, mulher brasileira, vem lutando para deixar para trás.

Sem dúvida, um dos maiores absurdos e das coisas mais patéticas que se pode imaginar nesse sentido.

Pobreza de espírito, absoluta falta de bom senso e carências em níveis preocupantes se juntaram e constituíram uma alma; a da ministra.

Por que ela aqui?

É que mal começava o ano e o Brasil já tomava conhecimento de quem seria o “Faz Diferença” de 2016.

E dessa vez o destaque não era para um homem e sim para uma mulher.

Em janeiro deste ano a Globo anunciou que Carmen Lúcia receberia o prêmio “Faz Diferença” de 2016.

Ou seja, no primeiro mês do ano a Globo disse ao Brasil que a ministra Carmen Lúcia seria a mulher do ano.

Em março, terceiro mês do ano, ela recebeu o prêmio.

Carmen Lúcia Moro Barbosa

Foi a primeira vez que vi alguém receber as honras pelo que ainda poderá ser.

A varinha de condão da Vênus Platinada adquiriu o poder de prever o que serão as pessoas.

Vamos entrar agora em julho, sétimo mês do ano.

Alguém é capaz de mostrar decisões, grandes gestos, tomadas de atitude, qualquer coisa que justifique um prêmio tipo “Faz Diferença”, algo que corresponde ao título de mulher do ano?

Simplesmente não há.

A resposta para tudo isso é simples, bem simples.

Já se sabe desde o ano passado que em setembro deste ano, 2016, a ministra Carmen Lúcia será eleita presidente do Supremo Tribunal Federal.

Pode-se ver assim que a varinha de condão da Globo é… vamos chama-la de danadinha de esperta.

Podemos chama-la também de sedutora de almas frágeis.

Uma varinha de condão que não prevê.

Visa.

O que ela visa?

Recapitulemos.

Em 2014, o homem do ano foi o presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre quem são desnecessários comentários a respeito do seu papel no Mensalão.

Em 2015, foi o juiz Moro. Economizemos tempo.

Em 2016 poderia ser o presidente do STF, no caso Ricardo Lewandowski.

Sem chance.

Ainda que de todos os citados seja o único com grande reconhecimento no meio jurídico e acadêmico.

Por alguma razão a Globo viu méritos em Joaquim Barbosa e Moro que não conseguiu ver em Lewandowski, atual presidente do STF.

Escolheu então a que ainda vai ser.

Você acha que ainda precisa de alguma explicação?

Alguns perguntariam de outra forma; precisa desenhar?

Rendo-me à varinha de condão da Globo que desde o ano passado já sabia da mulher que iria “fazer a diferença” em 2016.

Rendo-me e diante da frustração por ainda não ter percebido qualquer coisa que a justifique, começo a imaginar que a Globo deve ter feito uma previsão de que ela será a mulher do ano entre outubro e dezembro deste ano, quando estará presidente do STF.

Recorro a Fernando Pessoa:

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Somente almas pequenas sucumbem tão facilmente aos encantos das homenagens.

É possível que o homenageado se sinta em harmonia com o mundo.

Estar em harmonia com “todos” deve dar essa sensação.

Ainda que a consciência tenha outro olhar e não concorde.

Mas ela não vai lhe dizer.

Já percebeu que há algum tempo você não a ouve mais.