ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOLOGIA – BAHIA
ABO-BA
DEPARTAMENTO DE ENDODONTIA
Olá pessoal,
A ABO-BA estará em recesso até o dia 30 de junho, próxima quinta-feira.
Mas vocês já sabem que no segundo semestre teremos uma programação muito interessante que vai movimentar a nossa Endodontia.
Daremos início às novas turmas de Atualização e Especialização e teremos a VI Jornada de Endodontia da ABO-BA.
Após o recesso, mais informações sobre os Cursos de Atualização e Especialização poderão ser obtidas com George na EAP e as inscrições já poderão ser feitas:
Veja detalhes sobre o curso, inclusive o novo vídeo,aqui
Obs: O preenchimento das vagas do Curso de Atualização será pela ordem de inscrição
Obs 2: Os alunos que estiverem matriculados nos Cursos de Atualização e Especializaçãonão pagarão a adesão na VI Jornada de Endodontia. A inscrição será feitaatravés do comprovante de matrícula nos referidos cursos
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Informações sobre a VI Jornada de Endodontia com Ronaldo Souza e após o recesso da ABO também com Valdineia, na Secretaria da ABO-BA
Há poucos dias veio à tona um tema muito importante para a sociedade, apesar da sua torpeza.
A cultura do estupro.
Algumas postagens sobre o tema que estavam próximas à que eu tinha acabado de fazer não me escaparam.
Mesmo já me considerando um pouco acostumado com o nível, morri de vergonha e tive muita pena das pessoas que postaram.
No entanto, tive particularmente muita pena de suas mulheres.
Em uma o jovem mancebo (como diriam os antigos escritores), do alto da sua sabedoria e sensibilidade, num tom sarcástico perguntava:
“Alguém pode me explicar o que é cultura do estupro? ”.
E vomitava mais algumas preciosidades.
O outro majestosamente completou, certamente recorrendo à sua rica formação de nível superior:
“Nunca aprendi isso em nenhuma escola. Nunca vi ensinar isso em nenhuma faculdade”.
Acabavam de cometer mais dois estupros ao bom senso e desnudavam a ignorância e incapacidade de perceber a dimensão dos seus próprios gestos e atos.
Não sei porque, veio-me a possibilidade de que devem até se conhecer e que talvez tenham frequentado ou frequentem os mesmos ambientes.
Não precisavam ir longe.
Bastava que tivessem alguma capacidade de perceber quem é o ídolo deles.
Percepção é algo intimamente associado à capacidade mental.
A percepção em Psicologia, para dar um exemplo, submete-se a algumas exigências.
Veja o que li em um breve texto sobre o assunto.
“A percepção tem duas etapas, a sensorial e a intelectual. As duas se complementam, porque as sensações não proporcionam uma visão real do mundo, e devem ser trabalhadas pelo intelecto”.
Observe que as sensações do dia-a-dia exigem um trabalho intelectual para a sua metabolização.
As pessoas simples, entenda-se simples como alguém cujo horizonte intelectual é menor, dada a visão mais curta costumam não perceber aquilo que está fora do seu alcance.
Quando Carlos Costa Pinto (Museu Costa Pinto) disse que “a felicidade do homem está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”, mostrou toda a sua lucidez.
A ignorância à qual ele se refere significa justamente isso, a incapacidade de ver aquilo que está além da visão de pouco alcance.
Um ditado popular define bem isso:
“O que os olhos não veem, o coração não padece”.
Por isso essas pessoas são felizes.
Nos últimos tempos têm sido muitos os momentos em que a ausência de percepção tem se manifestado e vários seriam os exemplos.
Fiquemos com um que parecia estar ultrapassado.
Naqueles episódios em que as pessoas ligadas ao PT eram hostilizadas até em funeral, ficou famoso um em que um advogado, Danilo Amaral, interrompe o jantar dos presentes para “prestar uma homenagem” a Alexandre Padilha, médico, então Ministro da Saúde do governo Dilma.
Uma cena deprimente.
Há ambientes que você não precisa entrar para saber que as sinapses neuronais de alguns dos seus frequentadores não se dão nos melhores níveis fisiológicos.
Aquele restaurante é um deles, da mesma forma que outros o são.
O advogado e seus amigos fizeram a festa em cima de Padilha.
Ali estavam homens sérios e dignos fazendo o bom combate a aquele governo único em corrupção.
Dali sairiam alegres e saltitantes para um próximo domingo de manifestações contra a corrupção com as suas camisas amarelas da CBF e cantando o Hino Nacional.
Mas…
Hoje vemos que aqueles mesmos políticos que apontavam o dedo da corrupção para o PT assumiram o governo.
Sob o comando de Eduardo Cunha, o grande maestro.
Todos envolvidos em escândalos de corrupção, já conhecidos de outros carnavais.
Com eles, as pobres almas que vagueiam vida afora e que se deixam levar pela música de uma nota só da imprensa brasileira, como na lenda do canto do cisne, conduzidas como cordeiros para o sacrifício final:
O absoluto analfabetismo sócio-político.
O advogado Danilo Amaral, protagonista do vídeo, é só uma das ferramentas das quais dispõem os pastores para conduzir a manada.
É apenas e tão somente mais um corrupto que, como os demais, tira proveito da situação.
Mas a ele coube também outro papel, mesmo que involuntário; expor o que é a manada.
Pobres andarilhos perdidos pelos caminhos da ignorância.
Como esperar que percebam a cultura do estupro se são vítimas da cultura do estupro mental?
Como as pesquisas do Datafolha e do Ibope, tão frequentes na desestabilização do segundo mandato de Dilma, Moro saiu do ar.
Ou, de novo: foi saído.
Você tira duas conclusões daí:
1) Moro, sem o circo da mídia, não é nada. A mesma coisa aconteceu com Joaquim Barbosa, hoje reduzido a um tuiteiro que tenta ganhar a vida com palestras.
2) Para despertar interesse da imprensa, a Lava Jato tem que mirar em Lula, Dilma e no PT em geral. Delações como as de Sérgio Machado são tratadas como assunto de segunda ou terceira classe pelos coroneis da mídia e seus fâmulos.
Moro e a Lava Jato têm apenas um propósito, para a plutocracia e sua voz, a imprensa: minar o PT. Se possível, exterminar.
Por circunstâncias que escaparam ao controle dos golpistas, as delações — sobretudo as de Machado — fugiram dos suspeitos de sempre, os petistas. Coisas infinitamente menos pueris que pedalinhos apareceram no caminho, mas foram previsivelmente subestimadas ou mesmo ignoradas por jornais e revistas.
Está claro que, fora do mundo de fantasia criado pelos plutocratas, o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí é exatamente o PT.
Os demais, a começar pelo PSDB, puderam roubar com a voluptuosidade típica dos ladrões que sabem que não sofrerão castigo.
Mas não foi para demonstrar isso que a imprensa inflou Moro e a Lava Jato.
A não ser que forneçam novos panelinhos para os Marinhos e congêneres, Moro e os delegados da PF receberão o mesmo tratamento dispensado a Joaquim Barbosa: o esquecimento glacial.
Os eventos científicos de modo geral visam basicamente a divulgação do conhecimento científico e o encontro e reencontro de colegas.
Permitam-nos dizer que o Circuito Nacional de Endodontia atinge os dois objetivos.
No entanto, ainda que ao longo dos últimos nove anos tenhamos tido momentos de muita alegria e prazer por estar com vocês, permitam-nos também dizer que, desde o início, a maior preocupação do CNE sempre foi a qualidade da programação científica.
O compromisso com a Endodontia é a razão maior do Circuito Nacional de Endodontia.
Nesse sentido tem sido extremamente gratificante ouvir a opinião dos colegas.
Registro um desses momentos.
No retorno a Goiânia e Campinas após mais um Circuito, os professores Estrela e Rielson ouviram de diferentes colegas no aeroporto considerações desse tipo:
– Parabéns, fazemos questão de cumprimenta-los pelo Circuito Nacional de Endodontia. É o evento que consegue reunir e apresentar conhecimento e tecnologia sem envolvimento comercial. Quem nos recebe é a Endodontia.
Ao mesmo tempo que isso nos anima, é claro que faz aumentar bastante a responsabilidade.
Quando o Prof. Rielson e sua equipe montaram a programação do CNE 2016 não perderam esse detalhe de vista e por isso estão de parabéns.
Observem a programação e percebam o carinho e o cuidado com a escolha, sequência e relação entre os temas.
Aproveito e registro aqui as suas felizes considerações sobre o evento. Vejam como ele o descreve.
“Seguindo a tradição privilegiaremos a ciência e a aplicação clínica com responsabilidade e respeito biológico.
Mais do que o fazer, o porquê fazer. Por isto o debate, a troca de experiências, vivências e de conhecimento, o mais atual, o mais seguro, consolidado e reconhecido.
Serão realizados cinco simpósios, sendo que em cada sessão teremos três apresentações de quarenta minutos, além de três ativadores do debate.
Cada sessão terá a duração de três horas e meia com duas horas para apresentações (quarenta minutos para cada ministrador) e uma hora e meia de debate interativo.
Cada tema será dividido em três tópicos e todos os apresentadores e ativadores participam de todas as sessões, ora como apresentador, ora como debatedor/ativador”.
Perceba que em todos os turnos teremos debates após a aula dos professores convidados.
Temas importantes da Endodontia discutidos com você.
Queremos ouvir a sua voz, a sua opinião.
Venha.
Prof. Ronaldo Souza
Sejam bem-vindos ao Circuito Nacional de Endodontia – Etapa Campinas
Já digo há muito tempo que Gilmar Mendes é um homem imoral.
Tão acintosamente imoral que seria dispensável mostrar isso. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência e sensibilidade percebe sem nenhuma dificuldade.
É um homem sem virtudes.
Você já sabe de quem se trata, portanto, jamais poderá dizer que “não sabia que era assim”.
Você não pode lidar com ele e alegar inocência.
Ninguém tem esse direito.
Entretanto, sob essa perspectiva perversa, não seria uma vantagem enfrenta-lo?
Não é melhor isso do que enfrentar o STF?
O que esperar daqueles “punhos de renda” e sua linguagem cheia de colesterol?
É simplesmente assustador quando se observa o comportamento daqueles senhores e senhoras auto endeusados nas suas togas.
Tendo como compromisso básico ser o guardião da Constituição Brasileira, é pouco provável que se encontre outro momento na história do Brasil em que o STF a tenha violentado tanto quanto nos tempos atuais.
Há quanto tempo vem rolando essa farsa das pedaladas fiscais!
Pegaram Miguel Reale Júnior, um jurista que há muito tempo perdeu qualquer vínculo com o pudor e o amor próprio, e juntaram com um senhor de 93 anos transbordando de ódio, ressentimento e sentimento de vingança, e uma advogada desequilibrada que desonra a classe e forjaram um impeachment.
Um impeachment baseado nas pedaladas fiscais de Dilma Rousseff.
Pedaladas fiscais que, nos mesmos moldes em que a acusam, foram praticadas por FHC, Lula… e a maioria dos atuais governadores.
A começar pelo relator do impeachment, Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais e homem de confiança de Aécio Neves.
Enquanto isso o STF respaldava o processo todo o tempo, com absurdas e ridículas tentativas dos senhores e senhoras ministros em manipular a sociedade com o objetivo de dar conotações de impeachment ao mais cínico, deslavado e canalha dos golpes.
Observe, porém, que já usaram de todas as artimanhas possíveis para incrimina-la, com apoio, entre outros, do Tribunal de Contas da União, mas nunca mais falaram das pedaladas.
Ah, o saber popular, como é didático.
“É mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo”.
Uma das grandes desvantagens para quem lida com pessoas sem caráter é que mais cedo ou mais tarde elas se entregam.
E entregam os outros.
Deem corda que elas acabarão por tropeçar nas próprias pernas.
E eis que o Sr. Gilmar Mendes, “digno” ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (pobre país o nosso), vem e num momento em que não estava sob o guarda-chuva protetor da imprensa brasileira se deixa trair pelo inconsciente e declara que Dilma não cometeu nenhum crime.
“Se ela também tivesse cometido crime… e ela tivesse obtido 172 votos, ela também não seria processada…”.
Veja.
Ministro, se o processo de impeachment foi aberto por crime de responsabilidade e não há crime, quem está cometendo crime de (ir)responsabilidade contra o país e seu povo?
A resposta correta não seria STF?
“Ao reconhecer que não há crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição Brasileira, comete crime de responsabilidade ao endossar o processo de impeachment contra a presidenta do Brasil”.
Não seria esse o veredito final de uma Corte Suprema Internacional ao analisar o processo de impeachment em discussão?
E o que diz Gilmar Mendes sobre a liminar que ele produziu impedindo Lula de ser nomeado por Dilma e ao mesmo tempo permitiu que oito ministros sob investigação da Polícia Federal fossem nomeados por Temer (três dos quais já caíram e o quarto deve cair essa semana)?
“Eles foram designados pelo presidente em caráter interino, provisório…”.
Pelos próximos três anos???
Não é o mesmo tempo que teria Lula, só que nomeado pelo presidente oficial, eleito pelo povo, e não por um presidente interino?
Alguém pode explicar por que um ministro com a experiência de Gilmar Mendes gagueja tanto diante de perguntas tão simples?
E não é interessante notar que são perguntas que nunca são feitas a ele aqui no Brasil?
De Gilmar Mendes não se pode esperar nada melhor do que isso.
Imaginávamos, entretanto, que do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do país, poderíamos esperar uma postura mais decente.
Tola a nossa esperança de que aqueles homens e mulheres ainda tinham alguma dignidade.
As suas togas escuras refletem o sombrio universo do poder que paira sobre o país.
Mas, parafraseando outro membro que envergonha o judiciário brasileiro, não vem ao caso.
A maior revelação das delações é a seguinte: ao contrário do que a imprensa tentou sempre vender aos brasileiros, o PSDB é um partido visceralmente corrupto.
Corrupto e demagógico. O demagogo é aquele que prega o que não faz. O PSDB viveu nos últimos anos condenando a corrupção à luz do sol e, na penumbra, praticando-a freneticamente, com a voracidade de quem sabe que a impunidade está garantida.
Todo mundo sempre soube que o PMDB é um clube de batedores de carteiras. Você vê Sarney na sua frente e automaticamente leva as mãos para os bolsos para proteger sua carteira.
Mas, graças à parceria que sempre teve com a mídia, o PSDB era tido por muitos inocentes úteis como um reduto de homens puros.
Essa mentira histórica ruiu espetacularmente, e é um dos grandes ganhos da crise política que tomou o país.
O que aconteceu com o PSDB, simplesmente, é que a imprensa não publicou sua roubalheira.
A frase que simboliza isso foi pronunciada pelo delator Sérgio Machado: “Fui dez anos do PSDB. Não sobra um.”
Isso poderia estar gravado no túmulo tucano: “Não sobra um”. No jazigo pessoal de Aécio, o epitáfio poderia ser outra frase de Machado: “Todo mundo conhecia seu esquema”.
Uma informação do delator Cerveró pode ser o epitáfio de FHC: “Foi o campeão das propinas”.
O benefício do desmascaramento tucano é imenso para a sociedade. Imagine se o mesmo tivesse ocorrido com a UDN na campanha contra Getúlio. O trabalho sujo de desestabilização contra Jango à base do “combate à corrupção” teria sido abortado.
Nunca mais a plutocracia conseguirá ludibriar os brasileiros com a falácia da corrupção. Ficou claro que ela é a própria essência da corrupção.
Talvez então o país possa debater com profundidade o que é realmente o câncer nacional: a desigualdade.
É realmente chocante o que se vê e o que se vive nesse momento.
E não há como não atribui-lo ao analfabetismo político.
Considerando-se a manipulação e distorção dos fatos que a imprensa exerce todos os dias há anos, seria aceitável e compreensível, não fossem as consequências.
Há pelo menos duas.
A alienação e a canalhice.
Percebe-se sem nenhuma dificuldade que muitos imaginam que questões como o desemprego, por exemplo, representam o desastre maior, ainda que muitos desses muitos não estejam de fato preocupados com a questão.
Ninguém pode duvidar do desastre que é ter níveis altos de desemprego e o que isso pode fazer na vida das pessoas e das famílias.
Discutir essa questão, porém, exigiria uma percepção acima do que se vê nos tempos atuais.
É que entram em jogo o desconhecimento, a incapacidade de analisar, a alienação.
Como discutir isso com eles?
Insistir em falar que estão combatendo o PT para acabar com a corrupção é canalhice.
Da grande.
Tem alienação também, que aqui prefiro chamar de burrice mesmo.
Mas é tão canalha esse argumento que não me permito comenta-lo.
Como discutir questões tão complexas se a alienação e a canalhice juntas constituem um bloqueio intransponível à caixa cranianadessas pessoas?
Como discutir o Brasil que era emprego pleno e como as condições foram forjadas para que se chegasse ao cenário atual?
Como esperar que enxerguem o que estão fazendo com o país?
Como discutir sobre um país que está sendo entregue mais uma vez aos Estados Unidos?
Para onde irão a nossa Educação e Saúde se a lei que obrigava a aplicação de percentuais do Pré-Sal deixará de existir pela simples razão de que ele, Pré-Sal, não será mais nosso?
O Pré-Sal não serve para nada, o Pré-Sal não é o que dizem…
Então por que Serra, PSDB, PMDB… estão com tanta pressa para mudar as leis que o protegem da fúria dos ricos e poderosos e entrega-lo de mão beijada?
E não é como no governo de FHC, quando ele tentou vender a Petrobras.
Agora é à luz do dia, na nossa cara.
Como dizer a eles que Janot e MP, Moro e PF foram aos Estados Unidos e abriram documentos oficiais da Petrobrás para o governo americano?
Como mostrar quem são de fato esses homens?
Como aceitar a proliferação da indústria do vazamento e ao mesmo tempo ver Gilmar Mendes dela se queixar (logo ele!), pelo simples fato de que agora o vazamento não foi sobre as coisas de Lula e do PT, mas sobre PMDB, PSDB e DEM?
Como dizer a eles que a maior chaga, a maior estupidez, a maior vergonha, o maior fracasso da sociedade brasileira é a absurda desigualdade social.
Como dizer a eles que a desigualdade social voltará a crescer mais ainda, alcançar níveis alarmantes e que a nossa insegurança social deverá chegar a níveis insuportáveis?
Como estaremos nas ruas todos nós, mas principalmente os nossos filhos e filhas quando em pleno gozo da juventude estarão nos bares e restaurantes sempre e eternamente sob o signo do medo?
Teremos que nos esconder cada vez mais ou continuaremos nos exibindo nas redes sociais com fotos de lugares que só nós podemos frequentar?
O que estará nos aguardando lá fora, quando sairmos dos lugares que só nós podemos frequentar?
Como discutir desigualdade social com quem está feliz da vida e acha que viajar para os Estados Unidos ou Europa e postar fotos em Paris representam o sonho maior da vida?
“Penso, logo existo”.
Esta frase é de Descartes.
Ocorre que a reflexão traz consciência.
E consciência é risco.
É assustadora a antológica frase de Carlos Costa Pinto:
“A felicidade do homem está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”.
O que mais me impressiona no drama que você está enfrentando é sua força moral, sua invencibilidade espiritual.
Montaigne escreveu que o real teste da estatura de alguém é sua atitude diante da morte. Sócrates tomou a cicuta consolando seus discípulos. Sêneca cortou os pulsos, a mando de Nero, consolando também seus discípulos.
Força na adversidade. Quantos de nós temos isso?
Não deram a você cicuta e nem uma lâmina para se sangrar até a morte, mas não foi muito diferente disso quando se pensa no universo da política.
E você reagiu com bravura extraordinária. Seus algozes certamente imaginavam que você iria se vergar para facilitar seu trabalho sujo, mesquinho, indecente. Isso jamais aconteceu.
Percebe-se, agora, como foram duros seus breves dias no segundo mandato. A seu lado, um traidor que tramava enquanto produzia mesóclises ancestrais.
Pouco adiante, no Congresso, dois tipos abomináveis. Um deles, Eduardo Cunha, fazendo seu jogo criminoso para derrubá-la enquanto ganhava dinheiro imundo.
Outro, Aécio Neves, um playboy inútil e corrupto, se comportava como um perdedor desprezível, pusilânime, destituído de caráter, honradez e coragem para lidar com a derrota.
Por cima de tudo, pairando como um corvo sobre a democracia e sobre o país, a mídia plutocrata. Os Marinhos, os Frias, os Civitas — os coroneis da imprensa massacraram você desde que anunciada sua vitória para um segundo mandato.
Jamais entendi como você, e aqui vai um reparo que fiz várias vezes, continuou a encher de dinheiro público os bolsos de seus algozes. Caberá aos historiadores do futuro elucidar por que a TV Globo, ano após ano, continuou a levar 600 milhões de reais de seu governo, assim como ocorrera com o seu antecessor.
Mídia nenhuma é obrigada a apoiar ninguém. Mas governo nenhum também é obrigado a anunciar em veículos que, no seu entender, mentem, manipulam, inventam, distorcem todos os dias, todas as horas.
Os 54 milhões de votos que a senhora teve lhe deram autoridade plena para comandar as verbas de publicidade federal. É um dos direitos sagrados de quem vence eleições presidenciais.
Os bilhões torrados em empresas como a Globo e a Abril, a senhora há de concordar, teriam sido infinitamente mais bem empregados para construir escolas, hospitais, portos, estradas, casas populares e por aí vai.
Na história moderna brasileira, a torrencial publicidade do governo serviu apenas para selar um pacto entre políticos corruptos e conservadores e os donos das companhias jornalísticas. Você me enche de dinheiro e eu dou cobertura amiga para você: este o pacto.
Nem Lula e nem a senhora mudaram isso. Uma pena, uma desgraça e, para mim, também um mistério.
Mas de volta ao sítio que lhe impuseram.
Por último, se tudo que foi exposto acima não bastasse, vieram Moro e sua Lava Jato dispostos a erradicar não a corrupção, como se vê pela tranquilidade com que Cunha se movimentou até que os suíços — repito: os suíços, não os delegados da PF — provassem cabalmente o tamanho da sua ladroagem e a enormidade de suas mentiras.
A plutocracia a imobilizou e, suprema canalhice, a acusou depois de imobilidade.
Getúlio meteu uma bala no peito sob um cerco parecido. A senhora decidiu combater o bom combate.
A história haverá de reconhecer o que homens corruptos tentam de todas as formas negar-lhe.
A frase título deste texto é de “Tia Eron”, como é conhecida a deputada pelo PRB da Bahia.
Não, “Tia Eron”, não acredito, aliás, não vejo a menor possibilidade de que a senhora represente nem a mulher negra nem a mulher nordestina.
Vejo em ambas, negra e nordestina, uma dignidade que por mais que me esforce não consigo ver qualquer coisa que as aproxime da senhora.
Negros só se fazem representar por negros, não por quem tem a pele negra.
Há quem diga que o negro também é racista porque alguns rejeitam os brancos.
Análise rasa e esperta.
Quantos poderiam ter a sua alma marcada pela história de algo tão cruel e desumano como a escravidão que, como toda e qualquer forma de exploração e humilhação, torna-se repugnante e ultrajante aos mais elementares princípios da dignidade humana, e não experimentar algum sentimento de mágoa e rejeição por determinados padrões?
Quantos conseguiriam não se deixar marcar na alma por viver humilhado por gerações inteiras e reagir como se nada tivesse acontecido?
Chico Anysio, nordestino do Ceará, dizia que carioca não é só aquele que nasce no Rio. Segundo ele, existiriam “cariocas” nascidos em outros estados.
É claro que Chico Anysio se referia a aquilo que chamam de “espírito” do carioca.
Sem fazer juízo de valor, pego carona nessa forma de pensar para dizer que conheço nordestinos que não nasceram no Nordeste.
Respeito-os e muito.
Da mesma maneira, conheço os que gostariam de não ter nascido aqui.
Alguns dos quais, sem perceber (geralmente é assim), deixam isso claro. Há neles um desejo e necessidade de se sentir igual.
Viaje pelo Nordeste e verá que os nordestinos os identificam.
A esses diria que o nordestino também só se faz representar pelo nordestino.
Tia Eron, na verdade a senhora não representa nenhuma mulher.
No voo 3437, da TAM, a senhora e o deputado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA) mandaram deter 73 mulheres da Bahia, que seguiam para a IV Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, por se manifestarem contra o seu voto a favor do golpe contra Dilma Rousseff (uma mulher), quando fez fila ao lado de machões grotescos e grosseiros que tudo fazem, menos respeitar a mulher.
Aliás, Tia Eron, a senhora vive ladeada por esses homens. Pergunte às mulheres o que pensam deles.
Não “Tia Eron”, a sua voz, cheia de trejeitos e falsetes que se incorporaram à sua personalidade para faze-la chegar onde chegou, não “é a voz da mulher negra e da mulher nordestina”.
Na verdade a senhora é uma ofensa a elas.
Um dia ainda ouvirei delas próprias, mulher negra e mulher nordestina, o que acham da sua pretensão de se dizer representante delas.
O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mandou anular nesta sexta-feira, 3, o pedido da Polícia Federal ao Ministério de Transparência e Gestão para levantar os 100 maiores receptadores/captadores de recursos via Lei Rouanet, divulgado pelo Estado nesta manhã.
O magistrado apontou em sua decisão que a apuração “se pertinente”, deve ser feita em um inquérito à parte na Lava Jato e com “objeto definido” para evitar tumultuar a investigação. Ainda de acordo com Moro, a solicitação precisa antes de uma autorização judicial dada por ele. O ofício encaminhado na segunda-feira, 30, ao Ministério foi repassado diretamente pelo delegado Eduardo Mauat, da força-tarefa da Lava Jato.
A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor (PTC/AL), em 1991.
A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para as empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite, por exemplo, que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria recolher gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.
O delegado da PF pede ao Ministério da Transparência que detalhe os valores recebidos pelos 100 maiores beneficiários naquele período discriminando a origem (Fundo Nacional de Cultura ou Fundos de Investimento Cultural e Artístico), os pareceristas responsáveis por aprovar a liberação de verbas e também se houve prestação de contas dos projetos aprovados.
O pedido do delegado da Lava Jato foi feito no inquérito principal da operação, aberto em 2013 para investigar quatro grupos de doleiros e que acabou revelando um megaesquema de corrupção na Petrobrás e em outras estatais e áreas do governo federal envolvendo as maiores empreiteiras do País. Na solicitação, o delegado não informa quais as suspeitas estão sendo apuradas ou mesmo qual a linha de investigação que possa envolver iniciativas que captaram recursos via Lei Rouanet.
O Ministério da Cultura informou que não foi procurado pela PF.