O mordomo é o culpado?

Por Ronaldo Souza

Já vasculharam a vida de Dilma de tudo que é jeito.

Não sobrou nada que não tenha sido investigado.

No entanto, nada conseguiram encontrar.

A frustração foi então maior do que a devassa.

Até Fernando Henrique Cardoso, em estado de decomposição, do alto de sua lápide disse:

“A Dilma é uma mulher honesta”.

Mas o golpe não podia parar.

E assim chegou ao senado da república.

Lá, ele se consumou.

Àquela altura internacionalmente reconhecida como “republiqueta de bananas”, chegou ao cargo alguém talhado para ser o seu presidente nesse momento.

Temer decorativo

Assumiu o mordomo do golpe.

E com ele a nova ordem.

Por que continuar dando manchetes a Dilma?

Não, vamos “faze-la” morta.

Nenhuma manchete mais

Isolamento total.

Quando a covardia do traidor começou a dar sinais mais objetivos de que o seu isolamento teria que ser ainda maior, teve-se a confirmação de que ela tinha que ser eliminada.

E até a alimentação lhe foi negada.

Dilma estava condenada a passar os poucos dias que lhe restavam enclausurada no castelo do Alvorada, como uma princesa sob o jugo da madastra malvada.

Foram tantos, porém, os desatinos da madastra, que mesmo a opinião publica(da) começou a perceber que era um golpe.

As pesquisas, antes tão abundantes, desapareceram.

No entanto, o jornalista Maurício Dias, de Carta Capital teve acesso a uma que não tinha sido divulgada.

Foi realizada entre 14 e 18 de abril, mas tinha sido “esquecida”

Nela o IBOPE mostrava que a princesa condenada, que andava em baixa, estava recuperando a sua aprovação.

Passou de 18 para 33%.

Para quem tinha chegado a 8% era inesperado.

A nossa valorosa imprensa estava tão preocupada em administrar e salvar o novo país que “não viu” a pesquisa.

Por que agora estão há mais tempo ainda sem faze-las?

As pesquisas não desapareceram.

Estão sendo realizadas, provavelmente mostrando resultados desanimadores para o golpe.

“Onde há fumaça, há fogo”

Surge no ar uma evidência, um sinal, de que as coisas não vão bem para eles.

A manchete de O Globo.

GloboGolpe 2

A manchete é sintomática.

Convido o eleitor/telespectador da Globo a fazer um raciocínio.

A Globo denuncia que Dilma pagou despesas com cabeleireiro com recursos desviados da refinaria de Pasadena.

Ora, ora, gente, viraram a vida da presidenta de cabeça para baixo e não encontraram nada e acham que ela ia pagar cabeleireiro com dinheiro de Pasadena!!!

Meu Deus!!!

Dilma já mostrou todos os recibos dos pagamentos feitos ao cabeleireiro.

“Hoje o Globo montou uma estratégia para atingir a minha imagem, dizendo que especificamente a refinaria de Pasadena pagou as contas do meu cabeleireiro”, disse ela em afirmação que levou a plateia a gargalhar.

“Tenho os comprovantes de que paguei a passagem e serviço de cabelo. Mas o mais interessante é que eles ligam o cabelo com Pasadena. Acontece que Pasadena foi em 2006, e eu fui conhecer o (cabeleireiro) Celso Kamura apenas quatro anos depois”, explicou.

A Globo comete mais uma vez o absurdo de imaginar que todos são “Homer Simpson”, como disse William Bonner sobre os seus telespectadores, aqueles que assistem ao Jornal Nacional.

Como diria, Gilmar Mendes, um dos mais dignos homens desse país.

Des-viar di-nhei-ro de Pa-sa-de-na pa-ra pa-gar cor-te de ca-be-lo!!!

Por que a Globo deu uma mancada tão grande e resolveu trazer Dilma de volta às manchetes?

Será que mesmo os Homer Simpson vão cair nessa?

E por que toda essa pressa agora de antecipar o desfecho do golpe?

O desespero da Globo tem uma razão bem simples.

As gravações de Sérgio Machado escancararam o golpe até para quem não achava que era golpe (acredite, muitos achavam que não era).

A imprensa internacional e grandes personalidades do mundo cultural e artístico dos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo estão condenando e ridicularizando mais ainda o golpe.

A pressão popular está aumentando consideravelmente e as manifestações agora acontecem por combustão espontânea.

Observe como há muito tempo não falam de pedaladas fiscais.

Porque simplesmente não se sustenta o argumento no qual se apoia o que eles tentaram emplacar como impeachment. Só os Homer Simpson acreditaram nisso.

Então têm que arranjar outra razão para condenar Dilma.

Mas pelo amor de Deus, pagar cabeleireiro com dinheiro de Pasadena, é abusar demais da inteligência de todos (de alguns pelo menos).

E, por último, já há senadores ameaçando votar contra o golpe, uma das razões para esconderem as pesquisas.

Na hora em que os senadores souberem que a população já está contra o golpe e principalmente contra o governo de Temer, por que irão bater de frente com seus eleitores?

A Globo perdeu a segurança que tinha sobre o golpe.

A pesquisa do Ibope descoberta por Carta Capital foi realizada entre 14 e 18 de abril, portanto, no período correspondente a aquela noite de trevas na votação da Câmara, 17 de abril.

Temer e o golpe ainda não tinham sido desmascarados, pois ele só assumiu em 13 de maio.

Certamente os resultados das pesquisas mais recentes (e não divulgadas) não estão sendo nada animadores e já estão mostrando esse panorama.

Isso explica a estúpida manchete de O Globo.

A covardia de um traidor

Temer decorativo

Por Ronaldo Souza

Nenhum povo tolera traidores.

A História é e sempre será implacável com eles.

A própria política, já dizia Brizola, ainda que ame a traição, abomina o traidor.

No caso de Temer, a História não o contemplará pela sua insignificância. Mesmo se tratando de um traidor, a História exige um mínimo de importância, talvez possamos dizer, um mínimo de estatura.

Não faltam  razões para se imaginar quão triste será o fim de Temer.

Entretanto, independente das gravíssimas questões pertinentes à traição e traidor, pois revelam a absoluta ausência de dignidade, é impressionante o baixíssimo nível de Michel Temer.

Uma vez que a imprensa esconde o que quer e faz manchetes escandalosas daquilo que lhe convém, na maioria das vezes sem nenhum compromisso com a verdade dos fatos, não sei se já é do conhecimento de todos que Temer bloqueou o acesso ao Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República.

É ali onde mora Dilma Rousseff.

O Palácio Jaburu, residência oficial do vice-presidente, fica antes, de tal forma que quem precisa se dirigir ao Palácio da Alvorada tem que passar por ele.

O que fez “o Michel”, como o chama Eduardo Cunha, com a clara intenção de o manter “íntimo” para que não se esqueça de que é ele, Cunha, quem lhe diz o que fazer.

“O Michel” bloqueou a passagem que dá acesso ao Palácio da Alvorada.

Assim, ninguém pode falar com Dilma e quem desejar faze-lo tem que pedir autorização a ele.

Não importa quem seja.

Veja.

https://www.youtube.com/watch?v=9e8dcZknMKs

Nessa recente trajetória de presidente interino, “o Michel” já fez muito daquilo que caracteriza um homem como canalha.

Entre tantas coisas a mostrar a sua baixeza, a demissão de um garçom do Palácio do Planalto.

A razão confessada para a demissão de um simples garçom foi o fato de ele ser… petista.

Um garçom petista solto no Palácio do Planalto sem dúvida representa risco inimaginável à Segurança Nacional.

Ainda por cima, para azar do garçom, ele é negro, pecado pelo qual terá que pagar pelo resto da vida.

A  meta fiscal para 2016 que Dilma propôs e o congresso (letra minúscula mesmo) rejeitou foi de R$ 90 bilhões.

O mesmo congresso aprovou a de Temer.

De R$ 170 bilhões.

Especialistas já demonstraram que ela é absurda e que não guarda nenhuma proximidade com a realidade e necessidade do país.

Quem melhor definiu a questão foi a Folha.

Temer e meta fiscal

Ao dizer que a meta fiscal aprovada “dá para incluir ou retirar custos (e receitas) ao sabor das necessidades políticas“, a Folha não deixa dúvidas quanto ao destino de pelo menos R$ 80 bilhões.

Você é capaz de imaginar qual será?

Mas Michel não para por aí.

A queda do PIB do primeiro trimestre de 2016, divulgada agora em junho, foi menor do que se esperava.

Temer não teve nenhum pudor em considerar o índice divulgado um reflexo favorável de seu governo.

O Brasil lhe daria os parabéns Michel, não fosse o fato de que o senhor assumiu o cargo há três semanas, bem depois do período analisado pelo IBGE no resultado do PIB, que foi de janeiro a março.

Temer e PIB

Um homem capaz de tudo

Mas, quando todos imaginavam que ficaria por ali, que Michel não seria capaz de ultrapassar todas as barreiras da decência, eis que ele surge de novo.

Valente, digno, altivo e no seu desígnio de salvar o Brasil, com a sua espada dourada elimina um ponto fatal para a sobrevivência dos inimigos do país.

Corta-lhes a comida.

Temer corta comida de Dilma 2

Rendem-se todos.

Como enfrentar um homem tão valente, corajoso e digno?

VI Jornada de Endodontia da ABO-BA

VI Jornada de Endodontia da ABO-BA

28 e 29 de julho de 2016

Local

Sede da ABO-BA

Rua Altino Serbeto de Barros, 138, Pituba – Salvador, Bahia

 

Programa

Quinta-feira (28/07)

Prof. Carlos Estrela

Prof. Dr. Carlos Estrela

Manhã

08:00 – 08:30 – Entrega de crachás

08:30 – 10:00 

  • Biofilme bacteriano
  • Diagnóstico do fracasso  endodôntico

10:00 – 10:30 Parada para o café

10:30 – 12:00 

  • Estratégias de sanificação

Tarde

14:00 – 16:00 

  • Critérios de sucesso do tratamento endodôntico

16:00 – 16:30 Parada para o café

16:30 – 18:00 

  • Reflexão de protocolos em casos complexos

18:00 – 18:30 Perguntas da plateia 

 

Sexta-feira (29/07)

Prof. Felippe

Prof. Dr. Wilson Tadeu Felippe

Manhã

08:30 – 10:00 

  • Evidências da Endodontia em sessão única versus múltiplas sessões

10:00 – 10:30 Parada para o café

10:30 – 12:00 

  • Análise da qualidade do tratamento endodôntico no momento atual

Tarde

14:00 – 16:00 

  • Relação EndoPerio; entendendo do diagnóstico ao tratamento

16:00 – 16:30 Parada para o café

16:30 – 18:00 

  • Relação EndoOrto: desafios do planejamento integrado

18:00 – 18:30 Perguntas da plateia

Valores da Inscrição

Aluno de Graduação:                                                                  R$ 50,00

Aluno de Pós-Graduação (Especialização, Mestrado…):       R$ 80,00

   Profissional:                                                                                   R$ 100,00.

Obs: Os alunos matriculados nos Cursos de Atualização e Especialização da ABO-BA
que começarão em julho e agosto de 2016 estarão isentos da taxa de inscrição na
VI Jornada de Endodontia. A inscrição será feita pela apresentação do
comprovante de matrícula nos referidos cursos

Inscrições

Secretaria da ABO, com Valdinéa Brito 

Fones – (71) 2203-4064                     Celular – (71) 98132-8046

E-mail: secretaria@abo-ba.org.br  

Departamento de Endodontia da ABO – BA

Logo da ABO-BA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOLOGIA

SEÇÃO BAHIA

 DEPARTAMENTO DE ENDODONTIA

Vamos entrar no período das férias de junho nas escolas e faculdades da Bahia, entre as quais as de Odontologia.

Após conversas com a Dra. Maria Angélica Behrens (Presidente da ABO-BA) e Dra. Maria Amélia Drummond (Departamento Financeiro), o Departamento de Endodontia fez modificações no seu calendário para 2016 e anuncia o lançamento dos Cursos de Especialização, Atualização e a VI Jornada de Endodontia da ABO-BA.

Foi uma forma de contemplar as pessoas que viajam nesse período e perderiam aulas que seriam ministradas, caso começássemos qualquer dos cursos nesse momento.

Ficou assim a programação.

1. Curso de Atualização
Inscrições abertas
Início do Curso – 22 de julho

2. Curso de Especialização
Inscrições abertas – até 13 de agosto
2.1. Processo seletivo:
Entrevista – 13 de agosto: 08 às 12:00
Análise de currículo 
2.2. Início do Curso – 23 de agosto

3. VI Jornada de Endodontia
28 e 29 de julho
Inscrições em breve

Informações sobre os Cursos de Especialização e Atualização com George, na EAP

Fones – (71) 2203-4078                            Celular – (71) 98116-3493
Email: eap@abo-ba.org.br
Site: www.abo-ba.org.br/

 

Informações sobre a Jornada com Ronaldo Souza (em breve também com Valdinéa Brito – ABO)

Ronaldo Souza – (71) 3358-5396          Celular – (71 ) 99145-9080
Email: ronaldosouza.endo@gmail.com
Site: www.endodontiaclinica.odo.br/conversando-com-o-clinico/

 

Obs: O preenchimento das vagas do Curso de Atualização se dará pela ordem de inscrição

Obs 2: Os alunos que estiverem matriculados nos Cursos de Atualização e Especialização
não pagarão a adesão na VI Jornada de Endodontia. A inscrição será feita
através do comprovante de matrícula nos referidos cursos

A caixa craniana

Pensa Brasil 34

Por Ronaldo Souza

A caixa craniana é constituída principalmente por ossos ou placas de cartilagem achatadas, formando uma cavidade onde ficam alojados o cérebro e alguns dos órgãos dos sentidos – a vista, o olfato e o ouvido.

Pode-se imaginar a sua importância por desempenhar a função de proteger estruturas tão nobres.

Afeta-la traria consequências imprevisíveis para esses órgãos e talvez aqui possamos dizer particularmente o cérebro.

Fala-se muito em lavagem cerebral.

Ah, como seria bom que se pudesse lavar o cérebro.

Sob o ponto de vista físico não seria interessante?

De lá seriam removidas todas as sujeiras e assim o teríamos, o cérebro, limpo.

Quer coisa melhor, ter cérebros sempre limpos?

Seria como lavar um prato.

Com água e detergente removem-se sujeiras e gorduras e finalmente com água, remove-se tudo, sujeira e detergente.

Sabemos que não é assim.

Apesar de alguns cérebros serem “pratos”, estruturas lisas, planas, sem vida, certamente o cérebro não é um prato.

Não podemos lavar o cérebro

Quando se fala em lavagem cerebral reporta-se, claro, a uma linguagem metafórica.

Estando ali tão próxima do cérebro e sendo protegida pela mesma estrutura que o protege, a vista também pode ser lavada metaforicamente.

Metaforicamente, a lavagem cerebral promove também a lavagem visual.

Isso explicaria porque as pessoas que sofrem lavagem cerebral ficam também com a visão mais curta.

O seu horizonte se torna bem menor.

Até onde se sabe, não cabe à caixa craniana guardar e proteger a dignidade e o caráter.

Até porque estes não são estruturas físicas.

Esses atributos pessoais estão além da questão física e estariam no campo da metafísica, ao considerar o homem na sua inteireza, na sua plenitude.

É uma absoluta perda de tempo falar do site “Pensa Brasil”.

Tudo que ele faz é preparar o espaço onde deveria estar o cérebro para ali plantar as sementes que induzem as debilidades mentais.

Entretanto, segui-los não se trata somente de uma atitude de descerebrados com visão curta e horizonte menor ainda.

As estruturas que iriam além da proteção física, ou seja, as que fariam a proteção do ser pleno, não existem em muitos dos seguidores desse tipo de site.

Desmascara-los é  tarefa fácil, muito fácil.

Veja a absurda manipulação e distorção da notícia do “Pensa Brasil” na imagem lá em cima.

A verdadeira notícia, dada por órgãos de imprensa insuspeitos como a Folha e o UOL quando se trata de Lula e PT, não diz nada daquilo.

Mostra justamente o contrário do que insinua aquele site.

Lula Folha delação

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Lula, OAS, MP e delação

Lamarck propôs a famosa lei do uso e desuso.

De acordo com ele, um órgão do corpo humano se desenvolve cada vez mais na medida em que é mais usado. Por outro lado, pode atrofiar e até desaparecer caso seja pouco utilizado.

Dignidade e caráter são “órgãos vitais” para a existência do ser humano pleno.

Por desuso, despareceram de suas vidas.

Ainda bem que o segundo postulado de Lamarck, o que fala da lei da transmissão hereditária dos caracteres adquiridos, não se comprovou. 

Segundo a lei, as características adquiridas por uma espécie, em função do uso e desuso dos órgãos, seriam transmitidas de geração para geração, ou seja, hereditariamente. 

A Ciência demonstrou a sua incorreção, principalmente através da Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin.

É um grande alívio saber que as futuras gerações não necessariamente sofrerão dessas debilidades.

CORRÊA: REELEIÇÃO DE FHC TEVE PROPINA GENERALIZADA

FHC senhor dos anéis, dedos, mãos...

Ex-deputado Pedro Corrêa, que foi preso no escândalo do “mensalão” e na Lava Jato, disse, em sua delação premiada, que a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, foi “um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou em sua vida pública; segundo ele, mais de 50 parlamentares receberam propinas num esquema operacionalizado por Sergio Motta e Luis Eduardo Magalhães, já falecidos, e pelo atual deputado Pauderney Avelino (DEM-AM); segundo ele, quem ajudou a bancar a reeleição de FHC foi o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, também já falecido 

Brasil 247

O ex-deputado Pedro Corrêa, que foi preso no escândalo do “mensalão” e na Lava Jato, disse, em sua delação premiada, que a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, foi “um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou em sua vida pública.

É o que informa reportagem dos jornalistas Por Mateus Coutinho, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo (leia aqui).

Segundo Pedro Corrêa, mais de 50 parlamentares receberam propinas num esquema operacionalizado por Sergio Motta e Luis Eduardo Magalhães, já falecidos, e pelo atual deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). De acordo com o delator, quem ajudou a bancar a reeleição de FHC foi o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, também já falecido.

“O delator da Lava Jato relatou que por parte do governo federal a iniciativa da reeleição foi liderada pelo então ministro das Comunicações Sérgio Motta (morto em 1998) e pelo então presidente da Câmara Luis Eduardo Magalhães (também morto em 1998 e na época do PFL) com o apoio do deputado Pauderney Avelino – atualmente líder do DEM na Câmara – , dos então governadores Amazonino Mendes (PFL-AM) e Olair Cameli (PFL-AC) ‘entre outras lideranças governistas’ . De acordo com Pedro Corrêa, essas lideranças ‘compraram os votos para a reeleição de mais de 50 deputados’”, diz a reportagem.

Em 28 de janeiro daquele ano a emenda constitucional da reeleição foi aprovada no plenário da Câmara em primeiro turno por 336 votos a favor, 17 contra e seis abstenções. Procurado pela reportagem, Fernando Henrique Cardoso disse que a reeleição foi uma “questão do Congresso”.

Filho de Olavo Setúbal, Roberto Setúbal, atual presidente do Itaú Unibanco, também se pronunciou.  “Fico profundamente indignado em ver o nome de meu pai tão absurdamente envolvido numa história sem comprovações. Ele era um homem absolutamente ético e tenho convicção de que ele jamais se envolveu em nada parecido com o que, covardemente, o ex-deputado Pedro Corrêa descreveu. Meu pai não participava de qualquer atividade política partidária desde 1986, e não há nenhum indício de que essa história possa ter fundamento”, afirmou.

Pauderney Avelino também se pronunciou. “Rechaço com veemência as referências feitas a mim pelo ex-deputado Pedro Corrêa, autointitulado corrupto. Não responderei aos bandidos e ladrões do dinheiro público”.

FHC, o melancólico fim de um homem e sua biografia

“… ele acaba de ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano

FHC em vários momentos

Por Ronaldo Souza

Escrevi A insustentável ignorância de uma sociedade em uma “sentada” só.

Sabia que não tinha muito tempo para faze-lo de outra forma.

Ocorreu-me a mesma coisa agora, mas escrever sobre FHC exigiria mais tempo ainda, só que não disponho dele nesse momento.

Vamos lá.

A maior dificuldade para falar de FHC não é tempo.

Apesar de já ter escrito algumas vezes sobre ele, falar de Fernando Henrique Cardoso sempre foi um pouco mais difícil e a primeira e maior dificuldade sempre foi essa; como falar da farsa em que se transformou um homem que ainda é referência para alguns?

Apesar de ter grande dificuldade em entender, sei de pessoas esclarecidas que o têm como tal, ou seja, uma referência.

No entanto, para onde e de onde quer que se olhe, sob que prisma for, o que se vê é um homem em processo de degradação contínua, que se acentua de forma lenta e gradativa, como uma doença crônica que não respeita o tempo.

Ao contrário, manifesta-se mais marcantemente com o seu passar.

O que parece estranho e incompreensível é que, de uma certa maneira, ele anteviu e anunciou isso.

Ao enunciar a sua famosa frase “esqueçam o que escrevi” ele parecia antecipar ali o que estava por vir.

Como se estivesse cansado de ser o que não era.

Como se estivesse sentindo que não mais poderia suportar uma farsa que o seu DNA rejeitava.

Ou alguém imagina que é fácil não viver a sua própria vida?

Só o conseguem os pequenos, os anões, os invertebrados, os irracionais.

E se há uma coisa de que não se pode acusar FHC é de ser irracional.

Pelo contrário.

Usou muito bem a sua racionalidade para chegar onde chegou.

Mas a vida prega peças.

Fernando Henrique Cardoso chega ao fim da forma mais melancólica que poderia chegar e ninguém mais do que ele sabe disso.

Seria um inferno astral para qualquer mortal, mas para um intelectual vaidoso como ele, machucam muito mais a dor e a tristeza de se ver chegando ao final da vida e “… ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano.

A frase escrita no começo deste texto e em parte repetida agora aí em cima é do autor do artigo abaixo, logo após o meu, exprime a sensação de desabamento que deve estar causando um mal estar muito grande na cabeça de FHC.

Mesmo sabendo que, como nas redes sociais, precisará cada vez mais mostrar a vida que não vive, deve ser insuportável não viver a sua própria.

Mais do que nunca Fernando Henrique Cardoso vai precisar de homenagens e da coluna semanal na Folha para continuar se imaginando vivo.

FHC na LASA: a expulsão do embaixador do golpe

O Comitê Executivo da Latin American Studies Association, em Nova Iorque, por unanimidade condenou o impeachment, considerado um ataque à democracia brasileira. FHC, frente aos protestos, cancelou sua participação. Aqueles quem FHC chamou em nota de “mentes radicais” são acadêmicos que um dia o consideraram um exemplo de intelectual latino-americano.

FHC e LASA

Por João Feres Jr, no Jornal GGN

Uma apresentação de Fernando Henrique Cardoso estava programada para a Sessão Presidencial do congresso da Latin American Studies Association (LASA), que ocorre entre os dias 26 e 31 maio em Nova York. FHC e o ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, foram convidados para falar sobre “os caminhos da democracia na América Latina”. Esse congresso é especial para a LASA, pois nele a associação comemora cinquenta anos de existência.

A reação começou tão logo que a programação do congresso foi anunciada. Acadêmicos filados à LASA, brasileiros e estrangeiros, organizaram um abaixo-assinado pedindo a revogação do convite. Os amigos de FHC revidaram com um outro abaixo-assinado acusando o primeiro de promover a censura à liberdade de expressão. A LASA a princípio manteve o evento, apenas retirando a palavra “democracia” de seu título. Com a aproximação da data do congresso mais e mais filiados manifestaram sua insatisfação com a presença de FHC, uma liderança do golpe contra a democracia brasileira, em uma comemoração tão importante para a associação. Textos foram escritos mostrando o papel ativo que FHC teve como ideólogo do movimento de deposição da presidente Dilma Rousseff, desde 2014, quando ela impôs a quarta derrota eleitoral consecutiva a seu partido, o PSDB.

FHC não resistiu à pressão e no primeiro dia do evento informou o Conselho Executivo da LASA que não compareceria. O ex-sociólogo divulgou nota pública dizendo que não iria porque não desejava “dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, usarem [sua pessoa] em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”.

“Mentes radicais”? Essa é uma descrição muito imperfeita das pessoas que reagiram contra sua presença na LASA. Durante o congresso houve várias manifestações contra o golpe., mas o ato mais significativo foi a aprovação unânime, por parte do Conselho Executivo da entidade, de uma moção muito dura contra o impeachment de Dilma. Entre outras coisas, o texto declara:

“A LASA denuncia o atual processo de impeachment no Brasil como antidemocrático e insta seus membros a chamar a atenção de todo o mundo para os precedentes perigosos que esse processo estabelece em toda a região”.

E mais:

“A maneira arbitrária com a qual o processo de impeachment está sendo conduzido contra a Presidenta Dilma Rousseff constitui ataque contra a democracia brasileira”.

A equação é simples: a LASA condena o impeachment de Dilma como um ataque à democracia brasileira, FHC foi um articulador entusiasmado do impeachment desde o começo, assim, FHC é hoje inimigo da democracia brasileira.

O ex-presidente do Brasil está certo de cancelar sua participação, pois o próprio Comitê Executivo da LASA o declarou, indiretamente, persona non grata no evento que comemora o jubileu da entidade. Mas se os diretores da LASA assumiram tal posição, seriam eles as “mentes radicais” contra as quais FHC apontou o dedo? Claro que não. Só pode dizer isso quem não conhece a LASA, o que não é o caso de FHC, ele mesmo um latinoamericanista.

A LASA é uma associação de especialistas no estudo da América Latina fundada nos Estados Unidos em meados da década de 1960. É mormente uma entidade criada por norte-americanos para organizar um campo de estudos, os Latin American Studies, que existem quase que exclusivamente nos EUA. Os Latin American Studies surgiram como um esforço conjunto da sociedade e do Estado norte-americanos para produzir conhecimento sobre os países da América Latina com a finalidade de informar os esforços de manutenção da hegemonia daquele país na região. Corria a Guerra Fria, e a prioridade geopolítica dos EUA era a luta contra o comunismo no mundo. Entre os fundadores da associação havia vários policy scientists, acadêmicos com envolvimento profissional com o governo do país, geralmente de perfil conservador e imperialista.

Mas já ao final da década de 1960 as coisas começaram a mudar, com a ascensão de pesquisadores jovens, muitos deles influenciados pelo Movimento por Direitos Civis e pelos movimentos contra a Guerra do Vietnam. Eram politicamente progressistas e, talvez por isso, começaram também a olhar para a produção intelectual que vinha da “América Latina” com mais interesse. De toda produção “latino-americana”, a que mais lhes cativou foi a Teoria da Dependência — baseada em uma análise de inspiração marxista que explora a conexão histórica entre o desenvolvimento dos países centrais com o subdesenvolvimento dos países periféricos. Entre os dependentistas latino-americanos lidos pelos acadêmicos norte-americanos, o então sociólogo Fernando Henrique Cardoso foi o mais bem-sucedido. Seu livro Dependência e Desenvolvimento da América Latina, escrito em conjunto com o chileno Enzo Faletto, influenciou gerações de acadêmicos e é até hoje um dos mais lidos em cursos de Latin American Studies nos EUA.

Os acadêmicos norte-americanos que ascenderam à direção da LASA desde o final da década de 1960 e que permanecem até hoje ocupando a maioria dos cargos diretivos da entidade estão muito longe de ser “mentes radicais”. Durante a história da associação repetidamente manifestaram seu apoio decidido à democracia no continente, mas nunca ideias que possam ser interpretadas como radicalismo político, a não ser para quem olha de uma posição radical de direita. São em sua imensa maioria gringos progressistas, eleitores do Partido Democrata.

E aí é que reside o cerne de mais uma derrota sofrida por Fernando Henrique Cardoso, essa de caráter fortemente biográfica: ele acaba de ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano. Tratado como um inimigo público da democracia por norte-americanos, brasileiros e hispano-americanos, que aos milhares compareceram ao evento, tornou-se o personagem mais notório da comemoração do cinquentenário da LASA, infelizmente, para ele e para todos, da pior maneira possível. E isso aconteceu não porque os membros da LASA modificaram sua posição histórica, mas porque FHC se converteu com passar dos anos de sociólogo não somente e ideólogo de direita, mas em arauto e embaixador do golpe no Brasil.

Até quando Doriva vai insistir com Thiago Ribeiro?

Vasco X Bahia 4

Por Ronaldo Souza

Confesso que cheguei a pensar que no jogo contra o Vasco ele jogaria melhor.

Rio de Janeiro, jogar contra o time de maior visibilidade na série B, motivações a mais para qualquer jogador.

Mas Thiago Ribeiro não é qualquer jogador.

É um jogador especial.

Pelo menos deve ser assim que ele se vê.

Thiago Ribeiro não reage.

Não vibra.

Titular absoluto, não era substituído, jogava toda a partida.

Agora substituído, não reclama.

No jogo das minhas esperanças de alguma possibilidade de mudança de atitude (Rio de Janeiro, time de maior visibilidade na série B), não o vi em campo.

Ouvi seu nome uma única vez na narração em um lance típico de alguns jogadores.

De maneira tola, fez uma falta no lado esquerdo da defesa do Bahia junto à bandeirinha de escanteio, num jogador que estava de costas para o gol, com alguma dificuldade de sair da marcação.

O juiz marcou, parou o lance, o jogador do Vasco ajeitou a bola para bater a falta, agora de frente para o gol.

Ausente do lance Thiago Ribeiro estava, ausente ele continuou.

E “saiu” do lance.

Abandonou o local do crime.

Sem um único gesto de contrariedade.

Jogador sem alma.

Combina com um time como o Bahia?

Sem chance.

Como entender que Doriva ainda não viu isso?

Está jogando no nome.

Será que Doriva não percebeu que o time ganha mais vida sem ele?

Parece que seu contrato é até o final deste ano.

Li há cerca de quatro dias que Marcelo Sant’Ana, presidente do Bahia, deseja estender o seu empréstimo até final de 2017.

Presidente, quer um conselho?

Não estenda.

Antecipe.

Mais uma Bahia

Mais uma partida em que o Bahia sofre com arbitragem.

O jogo foi atípico.

Tarde inspiradíssima de Nenê.

Daquele jeito pode ir para as próximas quinze Copas do Mundo.

Ao contrário, não era a tarde de Marcelo Lomba.

Falhou clamorosamente nos dois primeiros gols.

Apesar de muito bem batida, falhou um pouco também no quarto gol, o de falta, ao oferecer todo seu canto esquerdo e se posicionar mal. Não daria, como não deu, para chegar a tempo na bola.

E no terceiro gol, a ducha bem fria (o Bahia tinha acabado de empatar).

Ali estava o Bahia sofrendo outra vez com arbitragem.

Não foi só o pé, a bola e Pikachu (lateral direito do Vasco) quase saem do estádio, mas o bandeirinha achou que não houve nada.

Vi o jogo pela TV Brasil (TV Educativa).

O repórter de campo falou.

“A torcida do Vasco não vai gostar do que vou dizer, mas a bola de Pikachu saiu”.

Ele se referia ao lance em que Pikachu esticou a perna, saiu do campo, pegou a bola e voltou com ela para dar um drible em João Paulo Cunha (tremenda bobeira) e passou para Nenê.

Mesmo não conseguindo disfarçar a torcida pelo Vasco, somente o narrador achou que a bola não saiu. Os dois comentaristas acharam que sim.

Na cara do bandeirinha.

E aí o gol.

Fiquei com dúvida em outro lance também importante, mas não foi colocado no vídeo.

Não consegui “pegar” o vídeo da TV Brasil. Trabalhei no do Globo Esporte.

Veja.

Mais uma complicação da arbitragem.

Presidente Marcelo, posso dar outro conselho?

Pegue o dinheiro da antecipação do contrato de Thiago Ribeiro e compre alguns árbitros.

O Bahia vai precisar.

A insustentável ignorância de uma sociedade

Aécio e Veja

Por Ronaldo Souza

Falei inúmeras vezes durante a campanha presidencial em 2014 que Aécio sairia bem menor do que já era.

Uma das coisas que eu dizia era que até então ele tinha ficado protegido pelas montanhas alterosas de Minas Gerais, mas que uma campanha nacional o liquidaria.

Via postagens e mais postagens dos sem noção sobre as qualidades de um político que não tem qualidades.

Um garoto mimado que nunca cresceu, tornou-se um “homem” absolutamente imaturo e ignorante.

Porém, rico, muito rico.

Ficava pasmo quando via aquelas manifestações dos outrora coxinhas agora trouxinhas.

No início, num extremo exercício de boa vontade, tentei compreender aquela cegueira estúpida.

O que se pode esperar de quem se deixa orientar pela Veja e tem no Jornal Nacional a sua fonte de informações e orientação sócio-política?

Mesmo sabendo que boa parte da culpa era da imprensa, não consegui levar adiante o meu projeto de “um bom sujeito que procura compreender e ser agradável e bonzinho com todos”.

Não consegui.

Ninguém dá mais um vintém por Aécio.

A sua desmoralização é total.

Tão fraco e incompetente, para não falar de outras grandes “virtudes”, não notou que se transformou num golpista que deu um golpe nele mesmo, ao não perceber que seria um dos mais prejudicados ao final da campanha de estupidez e ódio iniciada por ele logo após a reeleição de Dilma.

Nada resta dele.

Entretanto, não pode passar em branco que com ele muitos se desmoralizaram e irão, também com ele, desaparecer no esgoto.

Hoje, não nego, mesmo mais acostumado pela insistência com que a fazem, ainda vejo com enorme espanto mentes mais débeis fazendo a apologia de “homens” como Caiado, Bolsonaro…

Tão incompetentes e estúpidos que são, é muito pouco provável que eles venham a oferecer grandes riscos e por isso não têm nenhuma chance de assumir qualquer coisa maior nesse país.

Um “carguinho” de deputado aqui, outro de senador ali e por aí vai.

Mas não são eles que preocupam.

O que preocupa é ver tantos membros da sociedade, alguns dos quais jovens, atingirem níveis chocantes de ignorância e estupidez.

Isso sim é preocupante.

Um país que tem como meta, ainda que muitas vezes demagógica, dar escolaridade e educação ao seu povo não pode aceitar passivamente que homens e mulheres de formação de nível superior tenham preservado níveis tão elevados de ignorância sócio-política.

Mesmo diante de tanta manipulação da sociedade e abusos e desrespeito flagrantes dos poderosos aos princípios mais elementares de um país que se pretende democrático, vem agora a imprensa bela, recatada e do lar com preocupações admiráveis.

Como na sociedade dos talheres de prata são as aparências que contam, espertamente a Folha, demonstrando que não está mais nem um pouco preocupada com Aécio e tentando passar uma imagem de neutra, sugere em editorial que Gilmar Mendes, um dos “homens” mais dignos e respeitados do país, mantenha pelo menos as aparências.

Ah, as aparências, como são importantes.

Qual a razão da preocupação da Folha?

O fato de que mais uma vez o digno e respeitado Gilmar arquivou mais dois inquéritos que deveriam investigar Aécio.

Se fosse somente isso!

FOLHA PEDE QUE GILMAR MANTENHA AS APARÊNCIAS

Gilmar Mendes Aécio Folha

Clique aqui para ver a matéria do Brasil 247 

FHC desmorona. Todas as máscaras cairão

FHC fim de farsa

FHC desiste de palestra em Nova York com medo de protestos

Diário do Centro do Mundo, retirado do Globo:

Após protestos de intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação numa palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina. O evento foi organizado pela Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) em homenagem aos 50 anos da entidade e FH dividiria um painel de debate com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos.

Em carta enviada a LASA, a que o Globo teve acesso, FH explica que desistiu da palestra para não dar discurso a “mentes radicais”.

“Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”, escreveu o ex-presidente.

A polêmica em torno do convite a FH para falar sobre democracia no congresso começou no fim de abril. Um grupo de membros da LASA, entre intelectuais brasileiros e estrangeiros, encaminhou à entidade uma petição defendendo ser inapropriado o tucano participar do painel no momento em que o partido dele, o PSDB, é apontado como um dos colaboradores de um “golpe” no Brasil pelos partidos que apoiam a presidente afastada Dilma Rousseff.

Assinam a petição 196 nomes ligados a universidades brasileiras e do exterior.

“Ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia exatamente num momento de fragilidade da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido em que ele ocupa um papel central, não hesitou em pôr em perigo a paz doméstica e os mecanismos básicos da democracia como a Constituição, a LASA estaria desrespeitando estudiosos que têm lutado para constituir uma estabilidade democrática na região nos últimos 50 anos”, diz trecho da petição, que foi liderada pela doutoranda da Universidade de Brasília e membro da LASA Mariana Kalil.

Em reação, a direção da LASA publicou uma carta em que reafirmou o convite ao ex-presidente brasileiro e defendeu que ele se deu pela reputação acadêmica de FH. Para evitar mais polêmica, a entidade mudou o nome do painel, trocando a palavra democracia por vida pública. A versão final ficou “50 Anos de Vida Pública na América Latina”.