Bem mais cedo do que se imaginava, a Globo começa a fazer análises para ver o preço do Brasil.
A Globo tem pressa e pretende vender o país antes que o momento atual tome outro rumo.
E, como já vem dizendo a imprensa internacional, o nosso país se torna uma republiqueta de bananas.
A Temer, presidente interino, traidor e informante dos Estados Unidos segundo o Wikileaks, só resta obedecer e cumprir as determinações.
Ainda há muito o que temer com Temer.
Veja matéria do Brasil 247.
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Principal fiadora do governo Temer, a Globo, dos irmãos Marinho, encomendou à GO Associados, de Gesner Oliveira, um levantamento sobre o valor total das empresas estatais que poderiam ser privatizadas, incluindo Banco do Brasil e Petrobras; plano de Michel Temer, por enquanto, envolve empresas como Infraero e Correios, mas o sonho da Globo é um Brasil com Estado mínimo, sem nenhuma empresa estatal; eles já têm até preço: Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Caixa, Correios, Infraero, IRB e Banco da Amazônia sairiam por R$ 127,8 bilhões; uma pechincha
A Família Marinho principal agente da mídia na desestabilização do governo da presidente Dilma Rousseff, lançou uma ofensiva neste fim de semana para respaldar o discurso do presidente interino de “privatizar tudo o que for possível”.
Reportagem deste domingo, 15, do jornal O Globo revela que o jornal dirigido por João Roberto Marinho encomendou à consultoria GO Associados um levantamento sobre o que o governo federal poderia entregar ao controle da iniciativa privada, incluindo toda as empresas estatais.
De acordo com levantamento, considerando apenas um grupo de oito empresas, Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Caixa, Correios, Infraero, IRB e Banco da Amazônia, o potencial de arrecadação chega a R$ 127,8 bilhões. O valor considera a venda da participação total da União nessas companhias.
Uma pechincha comparada à venda da companhia Vale do Rio Doce, avaliada em R$ 92 bilhões, foi vendida por pouco mais de R$ 3 bilhões no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Ainda de acordo com a GO Associados, só a BNDES Participações tem ações em 116 empresas de vários setores, avaliadas em R$ 44,5 bilhões. A ideia é que a União se desfaça, em uma segunda etapa, de participações em empresas de setores que não são estratégicos.
Para Gesner de Oliveira, sócio da GO Associados, a venda de ativos deve ser um componente do ajuste fiscal e uma alternativa à elevação de impostos, que sacrifica toda a economia. “Daí a necessidade de ampliar o leque de ações para promover o ajuste fiscal. Uma das opções é a venda de ativos que pertencem à União, visando ao abatimento da dívida e à consequente redução das despesas com juros”, disse Oliveira.
O plano de inicial de Michel Temer envolve empresas como Infraero e Correios. Além da venda de ativos, Temer criou uma secretaria, ocupada por Moreira Franco, que vai desenvolver o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com foco nas concessões, privatizações e Parcerias Público-Privadas (PPPs) no setor de infraestrutura.
Se depender da Globo, a participação do estado brasileiro no mercado será praticamente zero.
Torcedor tricolor, mais do que ninguém você é testemunha do que o Bahia vem sofrendo com as arbitragens desde o final do ano passado.
Você é testemunha e vítima.
Lembra dos últimos jogos?
Veja o que disse o comentarista de arbitragem da equipe ESPN no vídeo abaixo.
Um time de futebol que se sente prejudicado e que sofre particularmente com arbitragens “desastrosas” (usemos essa expressão, mesmo sabendo-a incompleta) deveria recorrer à federação local e à confederação nacional de futebol.
No caso do Bahia, FBF e CBF respectivamente.
A CBF, entidade máxima do futebol brasileiro, há muito tempo é uma peça decorativa.
A FBF (Federação Baiana de Futebol) é filha legítima da CBF.
O jeito de trabalhar de seu presidente é conhecido.
Todos sabemos quem manda no futebol brasileiro.
Você viu Bahia e América (MG) pela Copa do Brasil?
Um pênalti não marcado a favor do Bahia e o gol em impedimento do América.
Foi apenas mais um jogo de outros que virão.
Transmissões de jogos do Bahia fora de casa não são feitas pela Globo. Nos jogos em casa tem transmissão direta, como nesse jogo contra o América.
Já há algum tempo chama a atenção como alguns blogs são especialistas em fazer as mais absurdas manchetes sobre Lula, PT e Dilma.
A divulgação de calúnias é feita sem o menor constrangimento ou pudor.
Eles existem para difamar as pessoas ligadas ao PT e ao próprio partido.
São inúmeros, mas um dos que são mais compartilhados é esse “Pensa Brasil”.
Salta aos olhos de qualquer ser minimamente pensante o baixíssimo nível do site e, por extensão, deduz-se pelo baixíssimo nível dos seus “leitores”.
Naquele local, entre uns e outros, a estupidez e a imbecilidade resolveram fazer morada permanente.
É claro que não há nenhuma surpresa nisso, mas a estupidez imbecilizada sempre nos trará perplexidade.
Imagino e posso quase que afirmar que o site deve ter muitos “leitores”.
Por inexistência, não trabalham a razão dessas pessoas, mas sim a sua emoção.
Porém não sem leva-la primeiramente para os níveis mais primitivos.
Aí fazem a festa.
Todas essas infâmias são sempre imediatamente desmascaradas, mas cumprem seu objetivo; alimentar mentes débeis que justamente por essa debilidade se põem a serviço dos que lhes fazem lavagem cerebral.
Seria assim plenamente compreensível e portanto aceitável, afinal costuma-se perdoar a ignorância.
Mas não é, por uma simples razão.
A canalhice que há por trás disso.
Ainda que concorde que não muito raro a fronteira entre inocência e estupidez seja muito tênue, aqui não há essa possibilidade.
É canalhice mesmo.
Os seres pensantes divulgaram nesta quinta-feira que o ex-presidente Lula estava internado em estado grave no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
A farsa, mais uma, foi desmascarada.
O Instituto Lula desmentiu de imediato.
Mas é claro que o Instituto Lula não é confiável.
Ocorre que no mesmo dia, 19 de maio de 2016, Lula dava entrevistas a três órgãos de imprensa internacionais.
Lendo a matéria do Brasil 247, fiquei sabendo que a sede do site é nos Estados Unidos.
Agora entendo.
Sob a proteção dos revólveres de John Wayne o site jamais será incomodado.
Um dos trechos das entrevistas pode ser visto no vídeo abaixo.
Para quem estava internado em estado grave, beirando a morte, Lula teve uma recuperação que derruba qualquer prognóstico, ou então a equipe médica do Sírio Libanês opera verdadeiros milagres.
A estratégia do golpe institucional, com papel ativo do baixo clero do Legislativo e de instâncias judiciárias (o juiz de primeira instância Sérgio Moro e o Supremo Tribunal Federal), e ação publicitária dos meios de comunicação tradicionais (TV Globo e a chamada grande imprensa) começou a ser desenhada no chamado Escândalo do Mensalão. Um ano antes das eleições presidenciais que dariam mais um mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país foi sacudido por revelações de que o PT usara dinheiro de caixa dois de empresas para pagar as dívidas das campanhas das eleições municipais do ano anterior, suas e de partidos aliados. O tesoureiro do partido, Delúbio Soares, era o agente do partido junto a empresários e a uma lavanderia que até então operava com o PSDB de Minas, a agência de publicidade DNA, de Marcos Valério. Delúbio tornou-se réu confesso. Outro dirigente do partido, Sílvio Pereira, foi condenado por receber um Land Rover de presente de um empresário.
Em torno do episódio – crime de captação de caixa dois pelo partido que está no governo e recebimento de presentes em troca de favores – se iniciaria a maior ofensiva institucional contra um partido político jamais ocorrida em períodos democráticos do país. Toda a máquina midiática tradicional foi colocada a serviço de provar – com fatos amplificados, versões ou falsificações – que o governo de Lula estava corroído pela corrupção, que o PT aparelhara a máquina pública para auferir ganhos desonestos para o partido ou para os seus aliados, que o governo corrompera os aliados – ironia das ironias, os “corrompidos”, os partidos da base aliada, eram o PMDB, o PTB, o PP, o PR…. – com mesadas para os parlamentares, destinadas a garantir as maiorias em plenário necessárias para aprovar matérias de interesse do Executivo. O termo “mensalão” foi criado nessa jogada de marketing, destinada a transformar um escândalo de caixa dois, no qual todos os partidos estavam envolvidos (a lavanderia de Marcos Valério não tinha restrições ideológicas à adesão de qualquer um deles), em um modo peculiar de corrupção do PT, a compra direta do parlamentar, sem que em nenhum momento houvesse sido provado o pagamento regular a deputados e senadores da base aliada. Afinal, o dinheiro da lavanderia de Marcos Valério foi direto para o caixa dois de outros partidos políticos, no período pós-eleições municipais – e o “denunciador” do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, chegou a confessar, quando se viu em tribunal, que dinheiro era para pagamento de dívidas de campanha.
Para ser corrupção, todavia, era preciso que se caracterizasse o dinheiro do caixa dois como originário dos cofres públicos. O Ministério Público, então presidido pelo procurador Antônio Fernando de Souza, hoje advogado do deputado tardiamente afastado da presidência da Câmara, Eduardo Cunha, inventaria a ficção de um dinheiro desviado da empresa Visanet pelo diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto. A Visanet era uma empresa privada, do grupo internacional Visa, e esse dinheiro foi tratado indevidamente como produto de desvios do Banco do Brasil, estatal, num julgamento na maior instância judiciária do país, que não poderia se dar ao luxo de um erro deste tamanho. Pizzolatto não tinha autonomia para assinar uma única ação de marketing sozinho. A “prova” que Souza apresentaria contra ele, aceita pelo relator Joaquim Barbosa, do STF, foi assinada por outras três pessoas e submetida a um comitê, e depois à diretoria de um banco – a ação publicitária, ao final, fora autorizada por mais de uma dezena de pessoas. Não existia possibilidade de que Pizzolatto tivesse desviado o dinheiro: para isso, teria que ter mais de dez cúmplices, e ainda assim atuaria sobre dinheiro privado, que não era do Banco do Brasil.
O Supremo Tribunal Federal, nas vésperas da eleição de 2014, julgou midiaticamente o caso e perpetrou barbaridades jurídicas nunca antes vistas na história desse país. O relatório do ministro Joaquim Barbosa transformou um crime de captação de caixa dois em desvio de dinheiro público, e jogou as provas de que o dinheiro definitivamente não havia sido desviado do Banco do Brasil para um inquérito paralelo. Por fim, decretou segredo de Justiça. Sequer os advogados de defesa tiveram acesso a elas. Também não tiveram acesso a provas da origem do dinheiro lavado por Marcos Valério: a transferência de fartos recursos do caixa de um empresário interessado em decisões de governo (que não foram tomadas, inclusive por oposição do ministro José Dirceu, condenado sem provas), repassados aos partidos da base aliada. O empresário em questão chegou a aparecer no início do escândalo na mídia e sumiu como um fantasma das páginas dos jornais e dos inquéritos policiais e judiciais.
Com a opinião pública dominada por uma campanha diária de nove anos, o STF legitimou sua decisão de avalizar as conclusões de Barbosa, acatou o estranho instrumento do “domínio do fato” e, a partir disso, a pretexto de ouvir a voz das ruas, aceitou as barbaridades que seriam praticadas pelo Ministério Público e pela justiça de primeira instância na Operação Lava Jato, nos últimos três anos.
O STF transformou um crime de caixa dois em crime de corrupção, de formação de quadrilha, etc. etc. sem provas. Dos réus que foram condenados, alguns cometeram crimes, mas não os que os levaram para a prisão; outros eram inocentes de quaisquer crimes e foram condenados assim mesmo. Poucos foram condenados por crimes que efetivamente cometeram. A Agência DNA foi punida por atuar como lavanderia do PT e dos partidos aliados, mas tardiamente responsabilizada pelo Mensalão do PSDB (que vai deixar todos os implicados soltos até a prescrição do crime, o mesmo que levou o PT e seus aliados à cadeia). O deputado José Genoíno, então presidente do PT, foi preso por um empréstimo efetivamente feito pelo partido e quitado no prazo estipulado em contrato. Dirceu foi eleito o vilão nacional e encarcerado – e de novo encarcerado no Lava Jato – sem nenhuma prova contra si. E Pizzolatto, depois de uma fuga sensacional, amarga cadeia porque, junto com um comitê de dezenas de pessoas, autorizou uma campanha publicitária do Banco do Brasil paga pela Visa Internacional. Alguns membros do mesmo comitê respondem a um processo na primeira instância que está esquecido na gaveta de um juiz da capital federal.
Desde então, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal se constituem em peças fundamentais nas articulações contra os governos petistas, iniciadas em 2005 e que tiveram desfecho no golpe institucional deste 2016. Eduardo Cunha e Michel Temer não existiriam sem a cumplicidade das duas instituições e a inexplicável ingenuidade do PT: o mesmo partido que em determinado momento se dispôs a jogar com as armas da política tradicional, indo à cata de dinheiro de caixa dois das empresas para financiar campanhas eleitorais, não entendeu a natureza da elite que o financiava, nem a impossibilidade de acordo com a política tradicional e com instituições de vocação conservadora que mantiveram seu perfil conservador e corporativo, apesar de seus membros terem sido majoritariamente escolhidos pelos presidentes petistas. O PT não entendeu que jogava as suas fichas, a nível institucional, numa política de conciliação de classes num quadro onde as próprias políticas do governo davam as bases para uma acirrada luta de classes, que se tornou explícita quando o golpe começou a mostrar sua cara. Essa foi uma contradição inerente aos governos petistas. Na campanha eleitoral de 2014, a presidenta Dilma Rousseff venceu no segundo turno porque rapidamente as forças de esquerda se articularam em torno dela, em reação à onda de comoção criada pela direita, que se utilizou do clima proporcionado pelo julgamento político do Mensalão levado a termo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante a campanha eleitoral municipal de 2012 e cujo espetáculo midiático e judiciário de prisões se desenrolou até 2013, quando já se preparava a campanha eleitoral para a reeleição da presidenta Dilma que ocorreria no ano seguinte; e da campanha midiática reforçada pela entrada em cena do juiz de primeira instância Sérgio Moro que, aproveitando-se das licenças jurídicas a que se permitiu o STF em 2013, fez o seu próprio tribunal político, fechando o cerco ao PT por um esquema de corrupção na Petrobras que – basta ler com atenção as delações premiadas – era enraizado na empresa e mantinha em diretorias protegidos de partidos que estavam aliados aos governos petistas depois de 2002, mas igualmente aos governos anteriores, do PSDB e do PMDB e do governo Collor.
Já são 11 anos de massacre, com armações com grande similaridade. O Ministério Público encontra um escândalo qualquer e começa a investigar, considerando provas basicamente de um lado. Sem consistência para pedir um inquérito, vaza os dados para um órgão de imprensa, que os publica como grande escândalo, desconhecendo o fato de que as provas não existem. Imediatamente, a matéria do jornal, baseada em vazamentos do próprio MPF, vira o indício que o MPF usa para pedir ao juiz – a Moro, ou ao STF, ou a algum outro – para abrir o inquérito. No caso de Moro, seguem-se prisões sem base legal e coações à delação premiada. Chovem no Youtube reproduções de interrogatórios presididos pelo próprio juiz Moro onde ele deixa claro ao interrogado – normalmente um velho com problemas de saúde — que será libertado apenas se delatar; e de advogados protestando contra ele por não considerar sequer uma prova apresentada pela defesa antes de condenar um implicado. Nesses vídeos, é claro que Moro está investido da intenção de condenar antes de ouvir a defesa. Para ele, não existem inocentes em um campo político. No outro campo político, suas intenções são dóceis. O justiceiro é bastante permissivo com o campo político da direita.
Nada justifica que um juiz de um tribunal de exceção sobreviva numa democracia com amplos poderes, acima daqueles que a Constituição lhe confere, sem a aquiescência da maior instância judiciária. Moro existe e faz o que quer porque o sistema jurídico está contaminado pelo partidarismo. Moro não existiria sem um Barbosa que o precedesse. Moro não existiria sem o ministro Gilmar Mendes, que impunemente transformou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em palanques contra os governos do PT. Não existiria sem o ministro Dias Toffoli, que se tornou moleque de recados de Mendes; sem a tibieza das duas ministras mulheres; sem o conservadorismo ideológico de Teori Zavascki (que contamina o seu discernimento jurídico); sem a falsa objetividade jurídica de Celso Melo; sem a frouxidão de Edson Fachin; sem a excessiva timidez de Ricardo Lewandowisk. A Justiça não evitou o golpe porque é parte do golpe. O Ministério Público não reagiu ao golpe porque era um dos conspiradores.
Mais uma turma da Especialização em Endodontia da ABO-BA foi a Campinas.
E também se encantou.
Os doze alunos realmente voltaram com todo gás.
Como as turmas anteriores, têm todas as razões para isso.
Desde as instalações da ACDC aos funcionários daquela instituição.
Juntem-se os vários aspectos que fazem a razão desse encantamento e a eles se incorporem a competência, simpatia e disponibilidade da equipe do Prof. Rielson Cardoso.
Além do próprio Prof. Rielson, quem esteve mais uma vez dando aula para o grupo foi o Prof. Leandro Pereira, que já esteve conosco aqui em Salvador.
Jovem, antenado, poucos fazem tão bom uso da tecnologia em Endodontia.
Sem estrelismo e marketing escancarado, expõe com serenidade as vantagens dos recursos que hoje existem e podem ser incorporados à vida dos endodontistas e lhes dar mais qualidade no seu trabalho.
Por Alex Solnik, jornalista e escritor, noBrasil 247
“Prezado amigo Teori.
Congratulo-me com a sua sábia decisão de me afastar do dia a dia da Câmara dos Deputados. Aquilo era uma chateação dos diabos. Eu não aguentava mais aquela burocracia. Estou me sentindo bem melhor livre da preocupação de levantar cedinho, colocar terno, gravata, abotoaduras de ouro e aqueles sapatos de cromo alemão apertados, entrar no carro oficial e mandar o motorista seguir para o trabalho.
Obrigado por me desobrigar de passar várias horas por dia sentado na poltrona preta ouvindo aqueles deputados me chamarem de ladrão, safado, cafajeste e outros epítetos desagradáveis mesmo para mim que sempre me protegi enchendo meus ouvidos de algodão para amortecer aquela gritaria insuportável.
Obrigado por me afastar da vida sedentária que eu estava levando, sem tempo para desfrutar da mordomia a que tenho direito, principalmente depois de livrar o país daquele bando de ladrões que ocupavam o Palácio do Planalto depois da eleição que, como bem diz meu amigo Aécio Neves foi fraudada. Agora vivo bem melhor. Acordo à hora que quero e logo decido entre tomar primeiro um belo banho na minha piscina olímpica ou disputar algumas partidas de tênis com a minha mulher que está jogando muito melhor depois das aulas que recebeu na melhor academia de tênis do mundo, em Los Angeles.
Quando me canso do tênis (ninguém é de ferro), tomo uma bela sauna que meus serviçais já deixaram na temperatura correta para me desintoxicar. A essa hora, o desjejum já está servido, repleto das mais finas iguarias que eu não tinha tempo de consumir devido aos compromissos na Câmara dos Deputados. Este ano a safra de caviar do Mar Cáspio é uma das melhores das últimas décadas, tenho que me conter para não exagerar, no que sou assessorado pela minha nutricionista, que é muito rigorosa.
À mesa do almoço, dia sim, outro também, tenho evitado carnes vermelhas. Por recomendação, mais uma vez, da minha outra nutricionista (tenho direito a duas, como o senhor deve saber) faço refeições leves, à base de carne de faisão, salada de alface à francesa, e trufas brancas da Itália, que meu fornecedor colhe especialmente para mim e entrega a domicílio. A trufa branca exige um cortador específico, com lâminas ultrafinas, pois quanto mais fina for cortada, o sabor é mais intenso. A espessura ideal é a de uma folha de papel. As que exibem uma sutil coloração rosada são consideradas melhores, de aroma mais marcante. As trufas de Alba podem custar até 15 mil dólares o quilo, mas faço esse sacrifício, pois não se leva nada dessa vida.Apesar de ser meu fornecedor de confiança eu monitoro todos os seus passos eletronicamente. Dessa forma não corro o risco de consumir as falsas trufas italianas que inundam o mercado.
À tarde, recebo meus amigos de sempre, que me colocam a par de tudo o que acontece na Câmara. Meu sommelier escolhe os vinhos mais raros da minha adega, como um Château Lafite 1787, arrematado por mim por 160 mil dólares (que pertenceu ao Malcolm Forbes) ou Château Margaux 1787 de 500 mil dólares, com o qual brindamos o fim da era PT. Passamos momentos agradáveis discutindo qual será a pauta do dia seguinte e quem presidirá a mesa, escolha que cabe a mim, numa deferência muito especial dos meus comensais.
Também damos atenção especial aos trabalhos do conselho de ética, pois todos nós prezamos o regimento e não permitimos que ele seja desobedecido, já que somos escravos dele e da constituição.
No fim da tarde, recebo relatórios pormenorizados do andamento do governo que montei com meu amigo Michel Temer, que tem sido incansável em me consultar em tudo (ele era um vice decorativo, como o senhor não ignora) e em agradecer tudo o que fiz por ele. Faço as minhas críticas (construtivas) e ofereço minhas sugestões a vários ministros, principalmente ao da Justiça que, devido à pouca experiência em questões federais (São Paulo é São Paulo, Brasília é Brasília) solicita minha contribuição ora num assunto, ora em outro, e eu tenho ajudado no que posso.
Na hora do ângelus fazemos a nossa oração, agradecendo ao Senhor por mais um dia de merecido descanso depois de um ano de muito trabalho e desgaste em prol da Pátria. O mordomo traz as minhas pantufas e coloca no meu aparelho de som blu-ray de última geração Os Anéis de Nibelungo, a ópera de Wagner de minha predileção. Sei que o senhor é um homem muito ocupado, mas quando tiver uma folguinha, me avise que eu mando meu helicóptero buscá-lo para fumarmos um puro Havana que reservo para os fins de semana. Aceite, por favor, uma caixa de chocolate suíço em sinal de respeito e de admiração.
Passaram dias e dias dizendo que a motivação de Marcelo Sant’Ana (presidente do Bahia) no caso do jogador Vitor Ramos era que ele tinha medo de jogar com o Vitória e por isso tentou elimina-lo das finais do campeonato baiano.
Não sei se esse pensamento passou ou não pela cabeça do presidente.
Se passou, depois do jogo de domingo ninguém tem dúvidas de que o “medo” do presidente era absolutamente infundado.
Todos viram o jogo.
O Bahia encurralou o Vitória.
Durante todo o primeiro tempo o Vitória foi um time acuado, com medo, não conseguia respirar. Era evidente o nervosismo que tomou conta de alguns dos seus jogadores, inclusive com discussões entre eles.
Ainda que no segundo tempo tenha melhorado, foi o Bahia quem continuou ditando o ritmo do jogo.
Mesmo mais cansado pela tensão do resultado, que não era o desejado, ainda era o dono do jogo.
Como e por que o Bahia poderia temer aquele time?
E aí veio o pênalti aos 34 minutos de jogo.
E com o pênalti não marcado também veio a confirmação de que alguns jogos realmente não são decididos em campo.
Observe que no pênalti a favor do Vitória, o primeiro no vídeo, Vander levanta os braços e se atira num verdadeiro voo.
Vergonhoso.
O pênalti não marcado a favor do Bahia no segundo jogo simplesmente desqualifica qualquer árbitro.
Poucas vezes a coisa foi tão evidente.
Mas não quero falar especificamente dos jogos da decisão do campeonato em si, até porque, como diriam alguns comentaristas, os sensatos e independentes, o Bahia perdeu o título fora das quatro linhas.
Sempre que se ousa enfrentar alguém ou grupo poderoso não são pequenas as chances de que você perca.
O sistema existe para isso.
Corre por aí que o presidente da Federação Baiana de Futebol (Edvaldo alguma coisa, não sei) está muito aborrecido com Marcelo Sant’Ana por conta do episódio de Vitor Ramos e por isso teria se vingado.
É natural que como torcedor do Vitória ele tenha ficado chateado e a sua estatura (não falo da física) permite esse comportamento.
Mas ele é insignificante para patrocinar o que estão fazendo com o Bahia e o que fizeram particularmente nesses jogos finais do campeonato baiano.
Isso nada tem a ver com ele e a FBF, sequer com a CBF.
A razão de tudo isso tem outro nome: Esporte Interativo.
Há sempre um preço a pagar quando se enfrenta a vida com coragem.
Ao assumir a opção por alternativas que tentam sair das garras de quem patrocina a escuridão do futebol brasileiro, o Bahia vai pagar um preço.”
O Bahia foi um dos primeiros times do Brasil a assinar contrato com o Esporte Interativo para a transmissão dos seus jogos a partir de 2019.
O Atlético Paranaense foi o primeiro, depois Santos e Bahia.
A diretoria do Santos disse:
“Sabemos que vamos sofrer retaliações da Globo por conta disso”.
Um dos poemas de Guimarães Rosa diz:
O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem
Podemos sintetiza-lo em uma frase.
“O que a vida quer é coragem”.
O conformismo é característica marcante dos covardes.
Agradar aos poderosos parece ser a maneira mais fácil e cômoda de se conformar e viver em paz.
Poucos terão a coragem de romper com a vida levada dessa maneira.
Mas a coragem cobra um preço, que costuma ser elevado.
Todos sabem que quem determina as ações da CBF é a Globo e isso já foi denunciado inúmeras vezes. Uma das últimas por Nestor Hein, à época vice-presidente do Grêmio (veja aqui).
E a Globo simplesmente não vai aceitar que lhe tirem o poder de mandar em todas as instituições brasileiras. O futebol representa parte fundamental desse processo.
Aqui entra o momento que vive o Bahia.
Prejudicado por anos seguidos por gestões que deixaram de lado os interesses do clube e visaram somente o benefício próprio e estar do lado de grupos que decidem os destinos do futebol brasileiro, o Bahia só não foi destruído porque é grande.
Mas o estrago foi enorme e o clube está se reconstruindo.
Os contratos firmados e os que ainda serão com o Esporte Interativo darão um faturamento aos clubes em média 9 vezes maior do que o proposto pela Globo.
Cabem aqui algumas perguntas cruciais.
Por que os times não podem optar por um contrato que lhes traz uma vantagem financeira brutal em relação a outro?
Como as torcidas podem permitir que os presidentes façam uma escolha flagrantemente desvantajosa para os seus times?
Estando, como estão, todos os times brasileiros endividados ao ponto de não conseguirem segurar um jogador que se destaca, como explicar que prefiram assinar contrato com quem vai lhes pagar nove vezes menos???
Esse é o preço que o Bahia paga desde o final do ano passado pela sua ousadia e coragem.
Esse é o preço que o Bahia paga agora, a perda de um campeonato que lhe foi tirado por dois árbitros gaúchos, um dos quais, Vuaden, todos lembram, esteve envolvido naquele episódio de Kieza no BaVi do ano passado.
Boa parte da imprensa brasileira se manifestou de forma veemente denunciando a interferência absurda que os árbitros promoveram no resultado dos dois jogos das finais.
Veja o comentário da ESPN no vídeo abaixo e observe como os jornalistas riem do absurdo do lance.
Torcedor tricolor.
Cuidado com a imprensa local, não vá na onda dela.
Lembre que ao denunciar quem estava ganhando dinheiro no Bahia, inclusive alguns jornalistas e radialistas, a atual diretoria fez mais um bem ao clube, mas desagradou a imprensa, que sempre se acha intocável.
Por isso o Bahia paga o preço de uma guerra sutil e perigosa armada para desestabilizar o ambiente do clube.
Mesmo com erros cometidos (quem não erra?) a atual diretoria está recuperando o Bahia da destruição que fizeram dirigentes anteriores, alguns dos quais estão por trás desse movimento.
O show que você deu na Fonte Nova domingo foi a prova de que essa é a maior torcida do Norte/Nordeste e uma das maiores do Brasil, fato reconhecido por toda imprensa nacional.
Fazer festa, cantar o hino do Bahia, depois de perder o título, não é para qualquer torcida.
Mas, além disso, e muito importante para esse momento, você demonstrou que “viu” o problema, percebeu o que estão fazendo com o seu time.
Perceba também que o time está ficando bem mais forte para a série B, nosso grande objetivo desse ano.
Era a certeza de que iam pegar Lula no triplex de Guarujá com a Mossack Fonseca, uma empresa panamenha de advocacia especializada em offshores e lavagem de dinheiro.
Já faziam os cálculos da prisão de nine, como eles, Sérgio Moro e seu grupo, carinhosa e respeitosamente chamam Lula.
Não deu outra.
Baixaram no triplex, prenderam de saída cinco funcionários da Mossack (vamos chamar assim, na intimidade).
Ligaram para o “japonezinho”da Federal, aquele que, condenado já há 13 anos por corrupção e três processos nas costas, saía por aí prendendo todo mundo e fazendo selfie com Bolsonaro, Ronaldo uma voz à procura de um cérebro Caiado e outros grandes parlamentares.
Disseram ao japa.
– Japa, arrume a cela que a qualquer hora o “home” chega por aí.
– Nine?
– Ele mesmo.
– É pra já.
Por falar em japa!
Cadê ele?
Ligaram pros azul também (cê sabe que azul tem várias tonalidades, né? Claro, Marinho, Cobalto, Turquesa…).
– Prendi os “cara” da Mossack Fonseca.
– Você o que?
– Prendi os “cara” da Mossack Fonseca.
– Você é louco?
– ???
– Solta todo mundo.
– Mas…
– Mas porra nenhuma, solta.
Soltaram os cinco no mesmo dia.
Foi vergonhoso.
Depois de prender os “cara” e soltar fogos, ter que soltar por ordem dos donos da voz (da voz e tudo mais).
Pegaram pensando que tinham ligação com o triplex de Lula e era por ali que as coisas aconteciam. E acertaram.
Mas só a metade.
Os “cara” realmente estavam à frente do triplex, mas o outro.
Não, esse não. O outro.
O da Globo.
Já viu o triplex bonitão que tá lá em cima?
Esse mesmo.
Depois desse dia, ninguém quer ouvir falar de triplex.
A Globo envolvida até o pescoço…
Mas não vem ao caso.
Esse Dr. Moro não é fácil.
Danadinho.
Mas que ainda vão voltar lá vão.
No triplex da Globo?
Você é abestalhado? Claro que não!
No de Atibaia.
O que afirmam que é de nine.
Veja o texto de Fernando Brito.
—
“Panamá Papers” derrubam farsa dos Marinho. Paula pagou taxas de empresa do triplex de Parati
OViomundo, de Luis Carlos Azenha, traz a cobertura completa.
O fato objetivo é que parte dos “Panamá Papers” que tornados públicos e revelando os envolvimentos de donos, herdeiros e executivos da moralista mídia brasileira, comprova que foi com dinheiro9da conta e com nota tirada em seu endereço residencial de Paula Marinho, neta de Roberto Marinho e sócia de seu pai, João Roberto Marinho, que foram pagas as taxas de “regularização” da offshore Vaincre LLC, montada pela operadora de lavagem de dinheiro Mossack-Fonseca.
A Vaincre é a dona da Agropecuária Veine Patrimonial, dona formal da irregular mansão em Parati, sobre a qual ninguém assume a propriedade.
Paula Marinho foi casada até o ano passado com Alexandre Chiappetta de Azevedo.
Quando o Tijolaço e outros blogs mostraram que a propriedade era da família Marinho, a Globo contestou e ameaçou-nos “sob pena de adoção das medidas legais cabíveis”, com uma “notificação” de João Roberto Marinho, um de seus donos e pai de Paula Marinho.
Em outra nota, João Roberto procurou dizer que era “apenas” um endereço emprestado por Alexandre Chiappetta, já ex-marido de Paula.
Hoje, porém, os “Panamá Papers” mostram a troca de e-mails onde se comprova que é Paula Marinho de Azevedo quem paga – e com recibo emitido contra seu próprio endereço residencial, no Arpoador – os registros da empresa-fantasma que serviria para montar-se outra fantasma que tem a mansão como patrimônio.
Também foi “emprestado”o endereço? Foi “emprestado” o nome de Paula Marinho?
A história está apurada. Temos todos os documentos. Falo por mim e, tenho certeza, pelo Azenha, que fez – com a competente e combativa Conceição Lemes – um magnífico trabalho de apuração, ao lado de outros companheiros: tudo está à disposição da “grande imprensa”, da Receita Federal, da Justiça Federal, que procura o dono da casa, do Ministério Público.
Sempre esteve, mas quando o assunto é a família Marinho, a covardia é geral.
A explosão dos badalados “Panamá Papers” seria um escândalo em qualquer parte do mundo. Aqui, vai ficar no “nós publicamos, sim”. Uma vez, sem destaque e sem apuração posterior.
Não deixe de ir aoViomundo ver os detalhes de como a Globo foi pega pelo rabo nessa história.
Houve um tempo em que o senador Cristovam Buarque representava uma das raras ilhas de lucidez e coerência em meio a um oceano de hipocrisia, ignorância e estupidez política.
Para ele não importava o problema secular que o país enfrentasse, a educação, e só ela, era a solução definitiva. Não é exagero falar que Cristovam dedicou uma grande parte de sua vida em defesa de uma educação pública inclusiva e de qualidade para todos. Sobretudo para os menos favorecidos.
Durante muito tempo utilizou de sua erudição para divulgar a importância do ensino público, dos profissionais da educação e das políticas governamentais para a democratização do ensino como as cotas raciais e o financiamento público para estudantes pobres em universidades particulares.
É justamente em função desse histórico invejável que Cristovam Buarque é hoje a maior decepção entre os principais traidores da jovem e inexperiente democracia brasileira.
Que víboras como Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e todos os seus asseclas acampem no pantanoso terreno de um golpe de Estado não é surpresa alguma. Mas alguém com as credenciais de CB aderir a um expediente tão avesso à democracia e à Constituição Federal é realmente desalentador.
Não é à toa que está em curso no Distrito Federal um dos movimentos mais impressionantes e conscientes de agravo a um político feito exatamente pelos eleitores que o elegeram.
A outrora referência de dignidade, Cristovam Buarque, agora é alvo de uma campanha de “desvotação”. Nem Eduardo Cunha, um energúmeno, conseguiu tamanha desonra.
A revolta com que os cidadãos que votaram em Cristovam acreditando ser ele um porto seguro contra toda essa insanidade é gritante. É enorme a desilusão dos movimentos sociais que o ajudaram durante tanto tempo a estar no lugar de destaque que ocupa atualmente.
As evidências do descontentamento já são claras. O senador foi hostilizado recentemente numa livraria. Entre palavras de ordem, foi obrigado a ouvir de pessoas que provavelmente nutriam grande afeto por ele o estigma de “fascista” e “golpista”.
É inegável que o Brasil de transformou numa grande dicotomia ideológica. Chega a ser deprimente constatar que CB optou por opor-se ao lado onde se encontram todos os movimentos sociais, todos os partidos políticos de esquerda, a Organização dos Estados Americanos – OEA, a Organização das Nações Unidas -ONU, toda a imprensa internacional especializada, um vencedor do Pulitzer, um Nobel da Paz e até o Papa mais socialista da história recente da Igreja Católica.
Mais deprimente ainda é constatar que o homem que defendia a educação agora é defensor de um governo ilegítimo que, ao que tudo indica, trará um crápula como José Serra para o Ministério da Educação. Na prática é impor o desastre do governo Alckmin nesse setor a todo o país.
Trocando em miúdos – para não deixar Chico Buarque fora dessa discussão em que o outro Buarque faz um papel tão abjeto – Cristovam nega, descaradamente, Darcy Ribeiro, talvez o maior educador da história desse país.
É imprevisível saber como Dilma Roussef sairá dessa monstruosidade a que está sendo submetida. Mas uma coisa é certa. Ou Cristovam Buarque retorna urgentemente às suas origens ou um dos maiores perdedores de toda essa história será exatamente ele. Depois, é claro, da democracia e de toda a população brasileira.
Mal tinha acabado de escrever e postar um texto no meu site, fui ler o texto abaixo e tomei um susto.
Fui conferir em outros blogs e percebi que eles já estavam tratando do mesmo assunto.
Ou seja, era verdade.
Kiko Nogueira mostra que o senador Anastasia, relator da comissão especial de impeachment da presidenta Dilma no Senado, citou três advogados brasileiros para embasar o seu relatório.
Até aí nada demais, muito pelo contrário.
Ocorre que o senador Anastasia usou de má fé pois, ao tirar do contexto o artigo dos autores citados e colocar o que lhe parecia ser favorável e que daria respaldo ao seu relatório, fez a interpretação que quis.
Vou deixar que você próprio veja o que ele foi capaz de fazer lendo o texto de Kiko Nogueira, logo abaixo deste.
Mas não sem antes chamar a atenção para o fato de que o advogado José Eduardo Cardozo, da AGU, já o tinha flagrado em outro momento desse, ou seja, omitindo partes de textos e os manipulando de acordo com a sua conveniência.
Elegantemente, mas com muita ironia, José Cardozo diz:
“… Eu até me surpreendi, nobre senhor relator, porque na minha cabeça Hamilton falava justamente o oposto… e constatei que Vossa Excelência reproduziu de fato um trecho com fidelidade, mas não continuou o que Hamilton dizia logo após. Hamilton, no parágrafo seguinte, com a devida vênia, desmente a informação que lhe está imputada. Eu leio o que Hamilton disse logo após o parágrafo de Vossa Excelência…”
Veja no vídeo abaixo que aos 5:59 José Eduardo Cardozo começa a desconstruir Anastasia.
Além das fraudes absurdas que Anastasia vem cometendo na relatoria do processo e essas que surgem agora, é preciso muita estupidez para fazer o que ele fez.
Durante algumas das falas dos advogados, juristas e professores de Direito da defesa de Dilma, Anastasia já não estava presente, sob o pretexto de que precisava se ausentar para escrever o relatório.
É absolutamente inimaginável que o relator do processo esteja ausente durante a defesa daquele que está sendo julgado.
Como poderá analisar e ser isento um relator, que é o acusador, que não ouviu a defesa ou boa parte dela?
Ao “fazer” o relatório com 126 páginas que recomendava a continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma em menos de 15 horas, o senador deixou bem claras todas as evidências de que na verdade o relatório já estava pronto antes de todo o circo que se armou no senado.
Sem entrar na questão de sua atuação como Ministro da Justiça, todos reconhecem em José Eduardo Cardozo um advogado competente e habilidoso.
Manipular a citação de três autores internacionais nessas condições já representaria para Anastasia um enorme risco de ser contestado pela defesa, mas poderia se tornar menos perigoso com a argumentação de que seria uma questão de interpretação.
Mas, ao fazer com autores nacionais vivos, o senador pôs em dúvida a sua inteligência (esqueça, não vou falar em sensibilidade porque eles não têm) e demonstrou toda a sua incompetência.
Resultado.
Os três professores de Direito escreveram um artigo em que denunciam toda a farsa do “nobre senhor relator”.
Como diz Nietzsche, “a inteligência do homem tem limites, a estupidez não”.
Está aí a prova.
Observe que Kiko Nogueira começa o seu texto falando do filme “Annie Hall”, de Woody Allen.
O filme é fantástico e passou no Brasil com o título de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”.
Quando li o texto de Kiko Nogueira aproveitei e postei lá no blog dele a cena à qual ele se refere, porque também já me reportei a ela em outros momentos.
Faço-o também aqui.
Quando se vê confirmar a incrível degradação moral de um homem como o senador Cristóvão Buarque, nada mais surpreende.
Não há porque esperar o mínimo de dignidade dos senadores na votação da continuidade do impeachment. Pelo nível do relator e os interesses em jogo, não é difícil imaginar qual pode ser o desfecho.
Tudo leva a crer que irão votar da mesma maneira irresponsável e vendida que fizeram os deputados, ainda que, possivelmente, com cinismo e canalhice mais dissimulados. Até pela experiência da reação que houve contra aqueles bandidos endinheirados.
Mas os senadores correm risco maior.
Pelas alterações favoráveis ao país que os cenários nacional e internacional já apresentaram e tendem a continuar apresentando e pelo maior número de deputados que de senadores, nestes as marcas do ferro da desonra serão mais difíceis de apagar.
A imprensa estrangeira já demonstra que os primeiros sinais de início de recuperação da economia no Brasil estão aparecendo, claro que em ritmo lento e suave, afinal a crise é grande e não só aqui.
E boa parcela do povo brasileiro já está percebendo o nível dos deputados e senadores e o que está de fato em jogo.
Não é à toa que a popularidade de Dilma que bateu em 8% mais do que dobrou na última pesquisa, alcançando 18%.
Se depois de tudo que está acontecendo o Supremo Tribunal Federal mantiver a mesma postura covarde que tem tido e endossar a Câmara e o Senado, aí sim teremos maiores complicações.
Só tem uma coisa; covardia somente não explica essa postura da mais alta corte do país.
O encontro do Supremo com a desonra já se deu.
O que talvez ainda se possa esperar é que pelos menos os ministros onde a chama da dignidade não se tenha apagado por inteiro e dos quais pode surgir alguma atitude nobre com o país, e todos sabemos quais são, terão que se explicar à Nação e dizer o que de fato está acontecendo.
Se a própria consciência e história pessoal já não lhes pesam, há de pesar a reação popular de uma Nação por eles aviltada no seu direito aos mais elementares princípios da dignidade humana.
Caso contrário, a relação desses ministros com seus filhos e netos jamais será a mesma.
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Vale tudo? A denúncia dos advogados citados fraudulentamente no relatório do impeachment
“Annie Hall”, o melhor filme de Woody Allen, tem uma cena particularmente impagável, entre tantas. Alvy Singer, o alter ego do cineasta, está numa fila de cinema com a namorada.
Um sujeito começa a falar com empáfia e superioridade de Marshall McLuhan, velho guru da teoria da comunicação. Allen não aguenta e pede que ele pare com as bobagens.
O homem rebate alegando que dá aula numa universidade sobre tv, mídia e cultura, é especialista em McLuhan, e conhece tudo sobre a figura. Allen resolve, então, tirar o próprio Marshall McLuhan de trás de um pôster para confrontar o fanfarrão: “Eu ouvi o que você estava dizendo. Você não conhece nada do meu trabalho. Entendeu tudo errado. O fato de você dar um curso de qualquer coisa é inacreditável”.
De certo modo, foi o que três advogados fizeram com Antonio Anastasia. Festejado por luminares como Ronaldo “uma voz em busca de um cérebro” Caiado e Aloysio Nunes como um Einstein do direito, um Ruy Barbosa reeditado, Anastasia tomou uma reprimenda pública de autores mencionados num ponto chave de seu relatório do impeachment.
Lenio Luiz Streck, Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira e Alexandre Bahia aparecem na peça como se reforçando o ponto do relator. Anastasia usou-os para defender o contrário do que eles acreditam com relação ao artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade.
Eles escreveram um artigo expondo a fraude num site. “O senador Anastasia nos cita para tirar uma conclusão com a qual não concordamos”, escrevem. É uma cereja a mais no bolo de uma farsa jurídica que se avoluma de maneira impressionante.
Anastasia já não tinha condições morais para ocupar a relatoria da comissão especial do impeachment por razões óbvias: ser do PSDB e ter pedalado loucamente. No entanto, o baile seguiu.
Depois das palmadas de Streck, Cattoni e Bahia, ele merecia, no mínimo, ser obrigado a se ouvir, em seu tom agudo monocórdio, recitando o texto dos juristas. O golpe fica nu, mas segue adiante. Pobre Brasil.
A nota crítica:
A citação feita no Relatório Anastasia[1] do texto dos comentários ao art. 85 da Constituição da República que escrevemos[2] não considera de modo adequado a integridade do texto, nem do trecho referido. Para nós, o fato do rol do art. 85 ser exemplificativo reforça ainda mais a exigência prevista no parágrafo único do mesmo artigo da Constituição de que a lei especial e regulamentar tipifique e defina os crimes de forma completa, afastando, portanto, “tipos abertos”, bem como a interpretação extensiva ou por analogia – o que não é possível por se tratar de crime. Indicamos, portanto, a leitura do trecho dos Comentários à Constituição do Brasil:
“Para os crimes de responsabilidade valem os dispositivos constitucionais e sua regulamentação através da Lei 1.079/50.” E, logo em seguida, “O rol previsto no art. 85 é meramente exemplificativo, constando sua definição completa naquela citada norma infraconstitucional”, ou seja, a Lei 1.079/50. Este é o último parágrafo do texto dos comentários ao artigo 85,inComentários à Constituição do Brasil, p. 1287. Depois de ter explicado, portanto, que a Lei 1.079/50 tipifica os crimes.
O Senador Anastasia, assim, nos cita para tirar uma conclusão com a qual não concordamos, pois o fato de o elenco do art. 85 ser exemplificativo não significa que esteja afastada a exigência de previsão legal taxativa dos crimes de responsabilidade, conforme o parágrafo do mesmo artigo.
Como na Carta aberta a Anastasia que foi encaminhada por professores, estudantes e servidores da Faculdade de Direito da UFMG:
2) A CR/88 dispõe em seu art. 85, parágrafo único, que uma lei especial definirá os crimes de responsabilidade e estabelecerá as normas de processo e julgamento do impeachment. Esta lei, como já afirmado pelo STF no julgamento do caso Collor em sucessivos mandados de segurança (MS 21.564, MS 21.623 e MS 21.68) e agora na ADPF 378 é a Lei 1079/50. Entendemos que em consonância com o devido processo constitucional as hipóteses de crime elencadas pela lei do impeachment devem ser atendidas taxativamente, não cabendo, portanto, interpretações extensivas ou analógicas em respeito às garantias do próprio sistema presidencialista, e do ordenamento jurídico como um todo, em que restrições de direitos devem ser interpretadas de forma taxativa.”[3]
Para a Constituição da República, justamente porque o rol é exemplificativo que a lei especial regulamentará tipificando os crimes, por uma questão de segurança jurídica! Ou seja, cabe à lei especial definir por completo. Como diria Gomes Canotilho, estamos diante de uma vinculação expressa do legislador à Constituição. Sabemos, pois, quais são os crimes de responsabilidade e qual o procedimento de impeachment porque a Constituição estabeleceu os parâmetros no art. 85, incisos e parágrafo, e no art. 86 (também art. 51, I, e art. 52, I), e a Lei 1.079/50 os regulamentou, prevendo, taxativamente e definindo de forma completa, os tipos penais.
Não cabe assim interpretação extensiva e analógica dos crimes completamente definidos pela lei especial prevista no parágrafo do art. 85. O preceito fundamental em questão é mesmo o princípio da reserva legal. Somos, pois, daqueles que concordam com Marcelo Neves[4] e Alexandre Morais da Rosa[5] no sentido de que crime de responsabilidade é crime e se submete à reserva legal, em lei específica, no caso, a lei 1.079/50, no que foi recepcionada[6]. O fato de o rol do art. 85 não ser numerus clausus não afasta, muito antes pelo contrário, a exigência constitucional, prevista no parágrafo único do art. 85, de que a lei especial taxativamente o faça. Ou, como dissemos no texto dos Comentários, defina completamente os crimes. Questão mesmo de segurança jurídica, não há como se falar em “tipos abertos”. Ou seja, o Senador Anastasia termina por tirar conclusões com as que jamais concordaremos.
A estratégia do Relatório Anastasia é a de se admitir que não há a tipificação taxativa dos crimes de responsabilidade, mas que isso “não é um problema”, pois que “o tipo seria aberto” e, então, poder-se-ia a ele aderir legislações e capitulações que lhe são estranhas, como a responsabilidade fiscal ou qualquer outra. Ora, se há previsão de hipóteses de “crime de responsabilidade” e “crime comum” de Presidente da República, a serem apreciados em processos diferentes, é justamente porque há crimes, ainda que diferentes.
Cabe lembrar, ademais, que, embora estejamos numa República democrática em que, com certeza, o Presidente é responsável, o sistema de governo constitucionalmente adotado é o presidencialismo e não o parlamentarismo. Logo, no Brasil, o Presidente da República só pode ser impedido quando estiver configurado crime, segundo a Constituição e nos estritos termos da legislação a que a própria Constituição se refere.
Nesse sentido, cabe dizer que é perceptível desde o início qual seria a estratégia do relatório. A estratégia de pretender descaracterizar o caráter de crime do crime de responsabilidade para defender a possibilidade de afastar a exigência jurídica de taxatividade dos crimes previstos em lei especial, abrindo espaço para a interpretação extensiva e por analogia, defender uma responsabilidade objetiva, sem dolo, e por atos que a Presidente não cometeu, como bem mostrou Alexandre Morais da Rosa[7], mesmo no caso das chamadas “pedaladas fiscais” (sic) referentes ao Plano Safra, fato atípico posto que não há de se confundir o atraso no repasse dos valores referentes a subvenções sociais com operações de crédito e onde sequer há atos cometidos pela Presidente da República, como bem mostrou, mais uma vez, Ricardo Lodi[8].
O que se faz, ao fim e ao cabo, revela, justamente o que nós, e os demais autores aqui citados, temos dito desde o início: trata-se de uma flagrante inconstitucionalidade que sacrifica o caráter jurídico-político, portanto, constitucional, do instituto do impeachment para reduzi-lo apenas à vontade de uma maioria tardiamente formada.