Gaspari: "explicação de Aécio não decola"

Segundo o colunista Elio Gaspari, o candidato tucano à Presidência ofereceu explicações insuficientes para satisfazer a curiosidade “de uma pessoa que pretenda votar nele em nome do seu compromisso com a gestão e a transparência”; “Torraram R$ 13,9 milhões em Cláudio, mas há um aeroporto equipado a 36 km dali, em Divinópolis”

Gaspari: "explicação de Aécio não decola"

Brasil 247

O colunista Elio Gaspari diz que as explicações do presidenciável tucano Aécio Neves sobre o aeroporto no município de Cláudio (MG) não “decolam”. Reportagem da “Folha de S. Paulo” acusou Aécio, então governador de Minas Gerais, de ter construído pista de pouso em terreno de sua família. Senador afirma que terreno foi desapropriado para o fim.

No entanto, para Gaspari, o candidato tucano à Presidência da República ofereceu explicações insuficientes para satisfazer a curiosidade de uma pessoa que pretenda votar nele em nome do seu compromisso com a gestão e a transparência.

“Torraram R$ 13,9 milhões em Cláudio, mas há um aeroporto equipado a 36 km dali, em Divinópolis”, afirma. Ele critica Aécio por ter respondido às acusações com uma generalidade: "Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção"; junto a uma redundância: "O aeroporto foi construído em área pertencente ao Estado, não havendo, portanto, investimento público em área privada"; finalizando com uma precipitação: "Já foi tudo explicado" (leia aqui http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/177254-a-explicacao-de-aecio-nao-decola.shtml ). 

Nós, homens e animais

 

Por Ronaldo Souza

Aprendemos na escola que o homem é um animal racional.

Assim, como seres racionais, o que nos diferencia daquilo que chamamos de animais é a capacidade de raciocinar, de pensar.

O pensar nos traz uma série de reflexões e ajuda a criar uma visão mais ampla do mundo. Assim poderemos compreendê-lo melhor.

Vamos por um caminho simples.

Quanto tempo leva para que ocorra o desenvolvimento de um país?

Há como mensurar isso?

Que aspectos podem acelerar ou retardar esse processo?

Quais são os mecanismos necessários para que isso ocorra?

O que deve ser feito para que o povo de um país tenha acesso à educação?

Existem modelos igualmente aplicáveis em todos os países?

Que condições devem existir para que um bom modelo possa ser implantado?

Aporte financeiro em quantidade e bem aplicado?

E o Brasil?

Atualmente 5,3% do PIB são destinados à educação. O Plano Nacional de Educação acabou de ser aprovado na Câmara dos Deputados e sancionado pela presidenta Dilma Roussef, destinando 10% do PIB (boa parte proveniente do pré-sal).

No quesito instituições de ensino.

Tendo em vista que o Brasil é um país presidencialista, para nos situarmos quanto a eventuais avanços, particularmente para os mais jovens, não seria razoável que observássemos a atuação dos dois últimos presidentes?

Quem teria contribuído mais para a criação dessas condições que favoreceriam o ensino?

Quantas instituições de ensino foram criadas por eles?

Universidades Federais

FHC –  1

Lula – 14

Escolas Técnicas Federais

FHC –   11

Lula – 214

ProUni

FHC – Não exi

stia

Lula – 1,2 milhão de estudantes beneficiados

Matrículas em universidades federais

FHC em 2002 – (último ano de governo)    531.634

Lula  em 2010 – (último ano de governo) 1.010.491

Dá para ver quem fez mais?

O governo Lula fez tudo que devia fazer?

Muito longe disso.

Houve equívocos?

Muitos.

Mas é um começo?

Quem fez antes?

A informação contida na imagem desse post diz que o ensino no Brasil está classificado em 116º no ranking de qualidade de ensino que avaliou 144 nações.

Não vamos discutir (por enquanto) a veracidade da informação. Vamos considera-la como verdade.

Vergonhoso, não é? Não poderia ser pior.

Agora vamos esquecer o que fizeram FHC e Lula. Digamos que Lula não tivesse feito nada.

Em um país com cinco séculos de existência, essa classificação vergonhosa é fruto de que?

É possível atribui-la a um governo?

É possível que ela tenha sido “conquistada” somente nos últimos 10 anos?

Como era antes? 5º lugar, 8º talvez, quem sabe 15º e aí nesses 10 anos pulou para 116º?

É assim?

Quando atribuo a um único governo, seja ele qual for, o fracasso de algo que se construiu ao longo de séculos, em que me transformo?

Nessas horas eu me pergunto:

Qual será a real distância entre o homem e o animal? 

A esperteza da Globo

Por Ronaldo Souza

A sabedoria popular tem coisas incríveis. O seu poder de definição é irretocável.

Por exemplo.

Aqueles dias em que parece que tudo dá errado. Ela define como “tem dias que você acorda com o pé esquerdo”.

Ficou consagrado.

Todos sabem que há vários casos de rebeldia de jornalistas dentro da Globo contra o “jornalismo” que é praticado lá dentro. Há casos que as pessoas nem imaginam.

Se há aqueles que são absolutamente subservientes (precisa dizer quem são???) e praticam o mais baixo tipo de jornalismo, entende-se perfeitamente que outros têm que engolir muita coisa. Não se pode simplesmente romper com tudo. São profissionais, precisam do emprego.

A verdade é que esses fazem um tremendo esforço para viver ali dentro.

De vez em quando os mais famosos, os mais importantes dão uma “arrepiada”.

Você nunca teve a sensação de que de repente algo parece que saiu um pouco do roteiro?

Veja se Jorge Pontual, repórter baseado em Nova York, não sai completamente do roteiro e arrepia.

Isso nunca, nunca vai acontecer com Merval Pereira e Sardenberg (coloquei logo os dois juntos pra dizer; gente, esses caras são fracos demais, são os rodrigo constantino da Globo), Miriam Leitão, Jabor, Alexandre Garcia e por aí vai.

Nesse dia, Pontual estava com a veia por onde passam os dejetos entupida, (como dizia um grande amigo cirurgião parendodôntico – ele dizia um pouquinho diferente).

O que diria a sabedoria popular? Jorge Pontual acordou com o pé esquerdo.

A Globo sabe muito bem da verdade do comentário de Pontual. O que ela faz são duas coisas:

Uma é manipular as notícias para que alguns dos seus telespectadores, os “bem informados”, não saibam.

A outra é que tem que aturar Jorge Pontual. Por razões óbvias.

A Medicina de Cuba é respeitada em todo o planeta e deixa para trás a de muitos países daquilo que se convencionou chamar de primeiro mundo, inclusive a dos Estados Unidos, como, com algum “constrangimento”, diz Jorge Pontual.

Mas o Brasil não sabe.

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A real história do Real

Itamar diz que PSDB não é o ‘pai’ do Plano Real

Por Ana Conceição, em 01 de julho de 2009 no 

Estadão

“O ex-presidente Itamar Franco fez duras críticas à campanha do PSDB por ocasião dos 15 anos do Plano Real, comemorados hoje. Em entrevista à Rádio Eldorado, Itamar disse que a campanha deturpa e nega a história e lembrou que a equipe de formuladores era composta por integrantes de outros partidos. “A todo instante assistimos na TV o PSDB comemorando os 15 anos do Plano Real. Oras, isso não nos magoa, mas é uma deturpação, uma negação da história.” Itamar afirmou que combaterá o PSDB se o partido defender a paternidade do Plano Real durante as eleições de 2010.

Presidente de 1992 a 1995, Itamar chamou para si a responsabilidade da implantação do Real, em 1994, e ressaltou o papel de outros políticos e economistas. “O grande ministro do Plano Real chama-se (Rubens) Ricupero e, em seguida, Ciro (Gomes). E depois houve Paulo Haddad, Eliseu Rezende. O plano não é de um só ministro. E é preciso lembrar que o Plano Real foi assinado pelo presidente da República, não por uma ordem técnica. A parte política foi garantida pelo presidente da República”, afirmou.

Na entrevista, Itamar lembrou que, pouco antes da implantação do plano, o então Ministro da Fazenda Rubens Ricupero o procurou para dizer que a equipe econômica temia pelo Plano Real porque não conseguia chegar a um acordo sobre o câmbio. Também temia as consequências políticas, por conta das eleições presidenciais, que seriam realizadas naquele ano. “Eu disse para ele resolver a parte técnica porque eu iria implantar o plano no dia 1º de julho”. Ele disse “tecnicamente eu resolvo”, e eu respondi: “politicamente resolvo eu”.

Ao avaliar o legado do plano, o ex-presidente citou o controle da inflação, que na época oscilava em torno de 50% ao mês, o respeito aos contratos firmados e a manutenção do Estado de Direito. Ninguém acreditava que nosso governo durasse 48 horas. Felizmente, nosso projeto político venceu e fizemos o sucessor. Esse legado é fundamental quando vemos, hoje, crises institucionais aparecendo no País, particularmente no Senado”.

[[youtube?id=G2tATl8a2SI]] 

E agora?

Por Ronaldo Souza

Há pouco mais de um ano comecei a postar vários textos sobre o tema aqui no site. Alguns desses textos eram meus e outros de jornalistas que investigavam a questão.

Algumas reportagens foram feitas pela Rede Record denunciando o problema.

Documentos da Receita Federal comprovavam a fraude.

Apesar das denúncias feitas, com comprovação, tudo ficou como estava.

Por sua vez, a imprensa, tão acostumada a fazer escândalos e destruir a vida e dignidade de todos os seus inimigos, porque é assim que ela trata a todos que ousem atravessar o seu caminho, ficou simplesmente calada.

Sobre o processo de um crime cometido há simplesmente 12 anos.

Todos nos retraímos e ficamos pacientemente na espera de documentação mais robusta (não é assim que a imprensa faz).

Para se ter uma ideia, O PROCESSO CONTRA A GLOBO DESAPARECEU, SUMIU DE DENTRO DA RECEITA FEDERAL. Mas a funcionária foi presa e solta por um dos escritórios de advocacia mais caros do Brasil.

Vocês são capazes de imaginar quem foi o ministro do Supremo Tribunal Federal que deu o Habeas Corpus?

Mas essa história já está bem encaminhada.

Como se esperava há algum tempo (desde o ano passado), agora mais documentos começam a aparecer.

Se o responsável pela divulgação não recuar, o que seria natural pelos riscos que corre, outros irão surgir.

Por segurança, o personagem que está “vazando” os documentos não mora mais no Brasil.

São documentos que envolvem a Rede Globo em sonegação fiscal que em valores de 2006 já estavam em R$615 milhões e hoje é estimado em cerca de R$1,2 bilhões.

A população não tomou conhecimento desse acontecimento e é perfeitamente compreensível que esses segmentos menos informados não estejam sabendo. Entende-se que essas pessoas não dispõem de meios alternativos de informação que não seja a televisão. E quando se fala em televisão, fala-se em…

Não seria ela a divulgar.

E como para boa parte da sociedade que se diz bem informada o mundo só acontece na telinha da vênus platinada, esse segmento também não tomou conhecimento.

A Globo, que vem num processo de deterioração e perda de audiência jamais vistos (daí o desespero), terá parte das suas entranhas expostas à sociedade.

Quem pode saber o que vai acontecer daqui em diante?

Existirão outros processos semelhantes a esse?

Pelo menos mais um já teria sido descoberto.

Haverá mais alguém envolvido?

É só a Globo?

Talvez nada disso importe.

Aqui pra nós. Você acha que vai dar em alguma coisa?

Mesmo assim, vamos começar a mostra-lo.

Inclusive com vídeos das reportagens feitas.

Com o tempo muita gente poderá ficar surpresa com as ligações entre o futebol e determinados grupos.

Inclusive de políticos.

Sem Copa do Mundo, Globo desaba e perde um SBT de audiência

Notícias da TV UOL

Resumo: A Globo registrou ontem (15) uma das piores audiências do ano às terças-feiras: 10 pontos na média das 24 horas na Grande São Paulo. Em relação à semana anterior, quando teve o segundo melhor desempenho do ano (15,1) graças à semifinal da Copa do Mundo entre Brasil e Alemanha, perdeu o equivalente à média do SBT, que marcou 4,9 na semana passada e 4,6 nesta terça 

New York Times: "Brasil pode se orgulhar da Copa"

 

Jornal norte-americano "The New York Times", um dos mais importantes do mundo, não poupou elogios à Copa do Mundo no Brasil em editorial sobre o evento; "A torcida foi colorida, barulhenta e comportada e os jogos variaram de entretenimento a absolutamente brilhante, tudo devorado pelo público recorde na televisão e nas mídias sociais", diz o texto; apesar dos elogios, o jornal lembrou que nem tudo foi agradável ao Brasil: "Exceto, claro, a chocante derrota na semifinal por 7 a 1"; jornal critica o presidente da Fifa, Joseph Blatter; "Nos últimos anos, a Fifa tem sido associada direta ou indiretamente a todos os tipos de má gestão financeira, corrupção, peculato e viciação de resultados", disse

Brasil 247

O jornal norte-americano "The New York Times", um dos mais importantes do mundo, não poupou elogios à Copa do Mundo no Brasil, em editorial publicado na edição da segunda-feira (14).

"O Brasil pode se orgulhar da Copa do Mundo", afirma o texto logo em sua primeira frase. "A torcida foi colorida, barulhenta e comportada e os jogos variaram de entretenimento a absolutamente brilhante, tudo devorado pelo público recorde na televisão e nas mídias sociais", completou.

Apesar dos elogios, o jornal lembrou que nem tudo foi agradável ao país anfitrião: "Exceto, claro, a chocante derrota do Brasil na semifinal por 7 a 1", disse.

Já a Fifa foi criticada no texto, que fez ressalvas ao presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter.

"Nos últimos anos, [a Fifa] tem sido associada direta ou indiretamente a todos os tipos de má gestão financeira, corrupção, peculato e viciação de resultados", disse. "Sepp Blatter, 78 anos, presidente suíço da Fifa desde 1998, não é acusado de corrupção.

Mas desde que se tornou presidente, praticamente metade dos membros do comitê executivo foram acusados de violações, e ele tem sido relutante em investigar as alegações de negócios escusos", completou.

Neste link http://www.nytimes.com/2014/07/15/opinion/cleaning-up-after-the-world-cup.html?ref=opinion&_r=1 é possível ler o texto na íntegra, em inglês. 

Uma Copa chega ao fim

Por Ronaldo Souza

A Copa do Mundo de Futebol da FIFA de 2014, da qual participaram a Seleção Brasileira e mais 31 seleções de outros países, chega ao fim.

Para nossa tristeza.

Foram 32 dias de um belo espetáculo.

Grandes jogos, muitos gols, grandes defesas por parte dos goleiros, muita alegria e congraçamento entre povos.

A Seleção Brasileira de Futebol esteve mal, muito mal.

Desde o início, para nossa surpresa e grande preocupação, mostrou-se frágil.

Ainda que buscássemos justificar o seu desempenho, já tínhamos identificado que aquela não era a nossa seleção. Não era a nossa velha conhecida e respeitada amarelinha, que tantas vezes nos fez chorar de tristeza, mas muito mais vezes nos fez sorrir e chorar de alegria na confusão de emoções que só as grandes alegrias são capazes de proporcionar.

Se não era aquela velha conhecida, nem por isso deixava de ser nossa. E fomos com ela.

É verdade, não fomos longe. Mas fomos com ela até o final.

Também é verdade que choramos. E não foi pouco.

Não é a iminência da derrota que a torna menos dolorosa porque nela está contida, lá no fundo, a esperança.

Não é a esperança a última que morre?

Mas como esquecer os dias de alegria e de festa que vivemos?

Por mais que a derrota e a maneira como ela se deu tenham sido dolorosas, não é a tristeza que caracteriza a alma do brasileiro.

Não são as nuvens escuras que emolduram os nossos dias.

É o Sol.

A tristeza como comportamento não está no nosso sangue, não está na nossa alma.

Desde a quarta-feira, 09/07, o dia após aquela imensa tristeza, o brasileiro já voltou à sua vida normal. Triste, mas voltou.

E já estava de volta torcendo pela sua seleção no sábado, quando nova derrota horrorosa lhe derrubou outra vez.

Outro tombo.

Com a mesma intensidade?

Não.

Onde estava o brasileiro no domingo? Em casa se torturando?

Não.

Torcendo pela Alemanha.

Não queiram fazer do brasileiro um povo perdedor.

Quem apostar nisso vai perder outra vez.

A Copa que ele perdeu já passou.

Mas há outra Copa.

Começou bem antes da Copa do Mundo de Futebol.

O Brasil ganhou.

De goleada.

Mas essa continua. 

A Globo e as raízes do subdesenvolvimento do futebol brasileiro

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Os bravos jornalistas da CBN foram rápidos no gatilho: os 7 x 1 da Alemanha comprovam que a presidente Dilma Rousseff é “pé frio”.

Pé frio é bobagem. Não é o que dizem de Galvão Bueno?

Como são analistas sofisticados, da política e da economia, poderiam afirmar que Dilma talvez seja culpada – assim como Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros presidentes – por não ter entrado na batalha pela modernização do futebol brasileiro.

Poderiam ter avançado mais no diagnóstico. Explicado que a maior derrota do futebol brasileiro – e latino-americano em geral – estava no fato de que a maioria absoluta dos seus jogadores serem de times europeus, da combalida Espanha, da Alemanha, Inglaterra e França.

Ali estaria a prova maior do subdesenvolvimento do futebol brasileiro, um mero exportador de mão-de-obra para o produto acabado europeu, campeonatos riquíssimos mesmo em períodos de crise.

Mas a questão principal é quem colocou na copa da árvore o jabuti do subdesenvolvimento futebolístico brasileiro.

Se quisessem aprofundar mais, poderiam mostrar conhecimento e erudição esportiva reportando-se a uma tarde de julho de 1921, em Jersey City,  quando surgiu o primeiro Galvão Bueno da história, o locutor J. Andrew White, pugilista amador, preparando-se para narrar a luta história de Jack Dempsey vs George Carpentier para a Radio Corporation of America (RCA). 61 cidades tinham montado seus “salões de rádio” para um público estimado em centenas de milhares de ouvinte.

O que era apenas um hobby de radio amadores, tornou-se, a partir de então, o evento mais prestigiado nas radio transmissões.

Se não fosse cansar demais os ouvintes da CBN, os brilhantes analistas poderiam historiar, um pouco, a importância das transmissões esportivas para o que se tornaria o mais influente personagem do século no mercado de opinião: os grupos de mídia.

Mostrariam como foram criadas as redes, desenvolvidas as grades de programação, planejados os grandes eventos, como âncoras centrais da audiência.

Depois, avançariam nos demais aspectos dos grupos de mídia.

Num assomo de modéstia, reconheceriam que, em um grupo de mídia, a relevância do jornalismo é diretamente proporcional à audiência total; e a audiência depende fundamentalmente desses eventos âncora. Por isso mesmo, foi o futebol que garantiu o prestígio e a influência do jornalismo.

Não se vá exigir que descrevam a estratégia da Globo para tornar-se o maior grupo de mídia do Brasil e da América Latina. Mas se avançassem lembrariam que os eventos consolidadores foram o carnaval carioca e o futebol, pavimentando o caminho das novelas e do Jornal Nacional.

Algum entrevistado imprevisto, especialista em segurança, ou na sociologia do crime, poderia lembrar que, para conseguir o monopólio de ambos os eventos, a grande Globo precisou negociar, numa ponta, com os bicheiros que dominavam a Associação das Escolas de Samba do Rio; na outra, com os cartolas que desde sempre dominavam a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde os tempos em que era CDB (Confederação Brasileira dos Desportos).

Para não pegar mal para a Globo, diria que a grande emissora foi vítima do anacronismo da sociedade brasileira, que a obriga a entrar no pântano sem se sujar.

Aos ouvintes ficariam as conclusões mais pesadas.

Graças ao submundo dos bicheiros e cartolas, a Globo venceu a competição na radiodifusão. E graças à Globo, bicheiros e cartolas conquistaram um enorme poder junto à superestrutura do Estado brasileiro, um extraordinário jogo de ganha-ganha em que o sistema bicheiros-Globo e cartolas-Globoganharam uma expressão política inédita e uma blindagem excepcional. Ainda mais se se considerar que o primeiro setor vive da contravenção e o segundo está mergulhado até a raiz do cabelo nos esquemas internacionais de lavagem de dinheiro, através do comércio de jogadores.

Aí a matriz de responsabilidades começa a ficar um pouco mais clara.

Um especialista em direito econômico poderia analisar o abuso de poder econômico na compra de campeonatos e os prejuízos ao consumidor, com a Globo adquirindo a totalidade dos campeonatos e transmitindo apenas parte dos jogos.

Para tornar mais ilustrativo o episódio, poderia se reconstituir a tentativa da Record de entrar no leilão e a maneira como a Globo cooptou diversos clubes, adiantando direitos de transmissão para impedir o avanço da concorrente. Ou, então, as tentativas de dirigentes mais modernos de se livrar do jugo da CBF. E como todos foram esmagados pelo poder financeiro da aliança CBF-Globo.

De degrau em degrau, de episódio em episódio, se chegaria ao busílis da questão, o bolor fétido que emana da CBF e que até hoje impediu que, no país do maior público consumidor, aquele em que o futebol é a maior paixão popular, o evento que mais vende produtos, mais galvaniza a atenção, não se consiga desenvolver uma economia esportiva moderna.

Completado o raciocínio, o distinto público da CBN entenderia os motivos do Brasil ser um mero exportador de jogadores, os clubes brasileiros serem arremedos de clube social, o fato de grandes investidores jamais terem ousado investir no evento esportivo de maior penetração no mundo, de jamais termos desenvolvidos técnicas em campo à altura do talento dos jogadores brasileiros.

A partir dai, ficaria claro as razões do subdesenvolvimento brasileiro e, forçando um pouco a barra, até a derrota de 7 x 1 para a Alemanha.