Aécio: antes, um político inconsistente. Hoje, um candidato cambaleante, sem memória e sem chance

Pelos parâmetros de Aécio Neves, o Mineirão tem razão

Por Renato Rovai, no Blog do Rovai

Aécio Neves deu uma declaração arrasadora no dia de ontem em relação ao “Ei, Dilma, vai tomar no c…” entoado por parcela da torcida da área VIP do Itaquerão. “Dilma colhe o que plantou”. Ou seja, Aécio acha que as pessoas colhem o que plantam quando são vaiadas e atacadas em um estádio de futebol.

Em 2007, no jogo Brasil x Argentina, boa parte do Mineirão cantou: “O Maradona vai se f….., que o Aécio cheira mais do que você”.

 

 

Aécio considera que ele colheu o que plantou?

Uma senhora, mãe e avo, presidenta eleita democraticamente e que governa nos limites da Constituição é atacada violentamente por um grupo e ao invés de se solidarizar com ela, Aécio Neves diz que ela foi merecedora dos ataques. Depois, seu marqueteiro deve ter lhe dado um telefonema dizendo que falara uma grande bobagem e mostrando um pouco mais do seu caráter volátil, o candidato a presidente sinaliza um recuo na declaração.

O mesmo Aécio que dias antes solicitou busca e apreensão na casa de uma jornalista carioca por supostamente ter sido atacado por ela na Internet. O mesmo Aécio que pediu busca e apreensão de computadores da UFRJ por supostamente ter sido atacado por alguém que estuda na universidade. O mesmo Aécio que não disse uma unica palavra em relação à violência sofrida pela repórter Ninja, Karinny de Magalhães, de 19 anos, que apanhou ate ficar desacordada da polícia mineira. E que foi presa de forma arbitrária e sem nenhuma prova.

Hoje, o sociólogo mineiro Rudá Ricci afirma que essas atitudes do senador demonstram que ele é misógino e apela para que as pessoas votem em qualquer candidato, menos em Aécio. É uma declaração forte, de uma pessoa que tem criticado constantemente o governo Dilma. E sinaliza um novo momento desta eleição, Aécio Neves vai se comportar como um coronel, mas há um Brasil que vai lutar muito para que esse tipo de liderança que se impõe pela força e que se alia à intolerância e ao que há de mais atrasado na sociedade não volte a estar no centro do poder.

Mas de qualquer forma, vale repetir a pergunta: Aécio Neves julga que, da mesma forma que Dilma, colheu o que plantou no Mineirão? 

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Desculpas, dona Dilma

Por Luiz Caversan, na Folha de S. Paulo

Cara dona Dilma,

Dirijo-me à senhora Dilma Rousseff pessoa física mesmo, não à presidente do meu país, e chamando-a de dona porque foi assim que aprendi a me dirigir a pessoas do sexo feminino que já tenham uma certa idade e sejam mães ou avós de família.

E sabe onde aprendi como me dirigir educadamente a quem quer que seja, mas principalmente às senhoras?

Foi na zona leste, dona Dilma, lá mesmo pras bandas do estádio em que a senhora foi tão rude e desrespeitosamente tratada na última quinta-feira.

Tendo nascido e sido criado naquele cantão da cidade e conhecedor da índole daquele povo todo, dona Dilma, eu humildemente peço desculpas pelo tratamento que a senhora recebeu ali no nosso pedaço. E tenho toda a serenidade do mundo para lhe garantir: não fomos nós, povo da Zona Leste, que a ofendeu daquele jeito.

Ah, não foi mesmo, viu?

Sabe por quê? Porque mandar uma senhora como a senhora pro lugar onde a mandaram já resultou em muita briga e até morte pra aquelas bandas. Isso não se faz, ninguém por ali deixa barato ir xingando assim a mãe dos outros, ainda mais com a filha sentada do lado, onde já se viu?

A gente boa da zona leste, dona Dilma, não é disso, não.

Respeita pra ser respeitada.

Tampouco é um pessoal que fica adulando poderosos ou puxando o saco de quem quer que seja, não se trata disso. Se é pra protestar, o povo protesta. Se é pra vaiar, vaia.

Mas a educação que a gente recebeu em casa ensinou que não se fala palavrão para uma senhora e não é desta maneira, ofendendo a todos os que ouviram os absurdos que lhe disseram, que se vai se mudar alguma coisa, qualquer coisa.

Não, dona Dilma, não fomos nós da ZL que xingamos a senhora –eu falo nós, embora não more mais por aquelas bandas, porque meu coração nunca sairá de lá, e vira e mexe estou zanzando por ali, visitando gente amiga na Penha, Vila Esperança, Vila Granada, Vila Ré, Guaianases, Itaquera…

Também achei necessário me dirigir à senhora, dona Dilma, porque uns amigos que foram ao jogo me informaram que os xingamentos, as palavras de baixo calão vieram principalmente do setor do estádio em que os ingressos custavam quase mil reais ou as cadeiras
eram ocupadas por VIPs –e milão prum ingresso não rola aqui na ZL, não, muito menos a gente é very important people pra receber este tipo de convite.

De modo que, mesmo sem procuração, falo em nome da gente boa da ZL para não apenas me desculpar pela grosseria, pela deselegância e pelas ofensas que foi obrigada a ouvir, mas também para fazer um convite: aparece de novo lá no nosso estádio!

Mas vai num dia de jogo do Timão.

Olha, pode ser até que a senhora ouça alguma vaia, viu, porque afinal é difícil separar uma mulher que tem filha e neto, e já merece respeito apenas por isso, da presidente da República – e ali a gente vota como quer, respeita opinião diferente e acredita em democracia.

Agora, garanto que com o estádio sem toda aquela gente diferenciada que tomou conta de Itaquera no jogo do Brasil, ninguém vai mandar a senhora àquela parte, não.

Porque se algum engraçadinho se atrever a fazer isso, vai acabar levando um tapa na boca.

Porque é assim que fomos educados.

Um abraço pra senhora e um beijo pro Gabriel, seu neto, que aliás tem o mesmo nome do meu.

Luiz Caversan é jornalista e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos ‘Cotidiano’, ‘Ilustrada’ e ‘Dinheiro’, entre outras funções. Escreve aos sábados. 

O terrorismo da imprensa brasileira desaba; primeiras negociações com Copa do Mundo da Apex-Brasil giram em US$ 6 bilhões

Apex-Brasil espera US$ 6 bilhões em negócios com Copa do Mundo

da Apex-Brasil, no Jornal GGN

Missão de 2.300 empresários de 104 países está no Brasil

Durante a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) desenvolverá ações de interação entre empresários estrangeiros e brasileiros, na expectativa de alcançar cerca de US$ 6 bilhões em negócios. Mais de 2.300 compradores, investidores e formadores de opinião de 104 países estarão no Brasil, neste período, participando de agendas de negócios organizadas pelo Projeto Copa do Mundo, uma iniciativa da Apex.

A Copa está apenas começando, mas negócios decorrentes de visitas realizadas pelos estrangeiros já estão sendo iniciados, afirmou nesta sexta-feira Mauricio Borges, presidente da Apex-Brasil, em entrevista coletiva à imprensa no Centro Aberto de Mídia (CAM) João Saldanha, no Rio de Janeiro. Entre os países com representantes no Projeto Copa do Mundo estão os maiores parceiros comerciais do Brasil como China, Estados Unidos e Japão, países europeus e da América Latina.

Desenvolvido em parceria com mais de 700 empresas e entidades setoriais brasileiras, o Projeto Copa do Mundotem ações previstas em 12 jogos do mundial, em cinco cidades brasileiras: São Paulo, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Além das agendas de negócios, a Apex-Brasil vai oferecer um ambiente de hospitalitynos estádios, preparado para estimular o diálogo entre empresários brasileiros e estrangeiros, diferentemente do que acontece em reuniões convencionais de negócios. “A ação reforça a confiança, lealdade e parceria, indispensáveis para a realização de negócios, que é o objetivo principal do projeto”, disse Borges.

A primeira fase do projeto foi realizada pela Apex-Brasil durante a Copa das Confederações, entre 15 e 30 de junho de 2013, e gerou US$ 3 bilhões em negócios fechados entre as empresas brasileiras e os 903 empresários estrangeiros vindos de mais de 70 países.

Neste ano, na Copa do Mundo, os convidados de 104 países vão se encontrar com representantes dos setores brasileiros de tecnologia e saúde; casa e construção; alimentos, bebidas e agronegócios; moda; máquinas e equipamentos; economia Criativa; e serviços.

Mais de 800 agendas de negócios estão sendo organizadas pelas empresas e entidades setoriais parceiras. Essas agendas ocorrerão nos dias anteriores e posteriores aos jogos da Copa, e incluem reuniões com compradores, palestras, seminários, visitas a fábricas, fazendas, laboratórios e outras instalações produtivas.

O Projeto Copa do Mundo faz parte das ações de Marketing de Relacionamento da Apex-Brasil, que incluem atividades semelhantes no Carnaval e em eventos internacionais como Formula Indy, Grand Prix de Fórmula 1,Professional Golfer’s Association of America (PGA) e Professional Bull Riders (PBR). 

Obs. do Falando da Vida – comentário de Assis Ribeiro, um dos comentaristas do Jornal GGN: “Ué, Mas eu li nos jornalões e assisti na televisão que a copa iria causar grandes prejuízos para o Brasil. 

Nem a Seleção Brasileira assiste à Globo

Adivinhe em qual canal a comissão técnica do Brasil vê os jogos

Matéria do Uol esporte

 

No Brasil, a Rede Globo é a transmissora oficial da Copa do Mundo, apesar de outras emissoras também terem adquirido os direitos e passarem as partidas. Seria de se imaginar, portanto, que a seleção brasileira ficaria ligada em seus rivais assistindo às partidas no canal carioca, não é mesmo? Na prática, não é bem o que acontece.

Uma imagem publicada pela CBF mostrando bastidores da seleção, com a comissão técnica vendo partida entre México e Camarões, revela que a opção foi outra: a Bandeirantes.

A imagem mostra uma mesa em que Felipão, Parreira e outros integrantes da comissão técnica almoçam, enquanto veem o confronto das próximas rivais do Brasil. Ao fundo, a TV está sintonizada na Band.

E a partida ainda teve um detalhe especial: narração de José Luiz Datena, mais conhecido peloprograma policial “Brasil Urgente”. Será que eles estavam curiosos para saber como ele se sairia assumindo os microfones de um jogo de Copa? Datena, pelo menos, gostou de saber que teve uma audiência “qualificada” (veja o vídeo acima).

O Brasil volta a campo na terça-feira, contra o México. A partida é em Fortaleza, no Castelão, às 16h.

Clique no link abaixo para ver os agradecimentos da BAND à Seleção Brasileira

http://uolesportevetv.blogosfera.uol.com.br/2014/06/14/adivinhe-em-qual-canal-a-comissao-tecnica-do-brasil-ve-os-jogos/ 

Juca Kfouri: “elite paulista intolerante… gente que tem dinheiro, mas não tem educação nem civilidade”

O problemão que Lula criou para Dilma

Por Juca Kfouri, no Blog do Juca

Ao trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2007, num momento em que o país bombava e tudo dava certo, o ex-presidente Lula não calculou que sete anos depois as coisas poderiam estar diferentes.

Mais: não se ligou que Copas do Mundo não são para o povão, mas apenas para quem pode pagar caro por um ingresso nos novos estádios erguidos a peso de ouro para recebê-las.

Eis que a bomba explodiu no colo de sua sucessora, pouco familiarizada com a mal vista cartolagem do futebol.

Se Dilma Rousseff soube guardar profilática distância de Ricardo Teixeira e, agora, de José Maria Marin (ninguém o viu perto dela ontem), nem por isso ela evitou a hostilidade da torcida endinheirada que esteve na Arena Corinthians.

Se em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, a presidenta foi vaiada, em São Paulo foi xingada mesmo, com palavrões típicos de quem tem dinheiro, mas não tem um mínimo de educação, civilidade ou espírito democrático.

Ninguém precisava aplaudi-la e até mesmo uma nova vaia seria do jogo.

Mas os xingamentos raivosos foram típicos de quem não sabe conviver com a divergência, mesmo em relação a uma governante legitimamente eleita pelo povo brasileiro.

A elite branca tão bem definida pelo insuspeito ex-governador paulista Cláudio Lembo, mostrou ao mundo que é intolerante e mal agradecida a quem lhe proporciona uma Copa do Mundo no padrão Fifa.

Que os próximos governantes aprendam a lição.

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As vaias à Dilma e os neoflautistas de Hamelin

Por Luis Nassif, Jornal GGN

Encontro um banqueiro meu conhecido após o jogo da Copa. Ficou em um dos camarotes VIPs, ao lado de personalidades como Gilmar Mendes.

Foi com a namorada ao Itaquerão. Ambos estavam impressionados com a qualidade do estádio, com a limpeza dos banheiros, com a beleza e relevância do evento. Até Lázaro Brandão, o todo-poderoso presidente do Conselho do Bradesco, esteve presente, me diz ele.

Tudo funcionou a contento, disseram-me, o trânsito (que depende da Prefeitura), o Metrô (que depende do estado), o estádio (cuja construção foi apoiada pelo governo federal). Enfim, motivo geral para espalhar pelo mundo uma imagem mais positiva do país.

Apenas um dado falhou, para vergonha de São Paulo: o nível das vaias à presidente da República.

– Não era povão. Veio das alas VIPs e foi constrangedor.

O momento mais baixo da Copa, o episódio que manchou a imagem do país no mundo partiu daquele segmento que Cláudio Lembo chama de “elite branca”. Mas, como bem observou um de nossos comentaristas, não os trate como elite. Elite pressupõe um estágio intelectual e moral superior. São Paulo tem uma elite intelectual, médica, tecnológica.

Os que se manifestaram representam apenas a selvageria empetecada, os black blocs com grife.

O caráter de um jornal é dado pela soma individual dos seus colunistas e pela linha editorial.

Hoje, o episódio foi lamentado pelos maiores cronistas esportivos, timidamente em suas colunas, mais acerbamente em seus blogs. Mas são  pontos fora da curva. 

A baixaria contra uma presidente da República, uma mulher digna, não mereceu condenação dos jornais, mas a celebração em suas manchetes.  O grito: “Dilma vai tomar no c…” torna-se, a partir de agora, o símbolo máximo do enorme poder de que dispõe a mídia para influenciar o baixo clero da “elite branca”.

São incapazes de separar a crítica ao estilo dos ataques pessoais. Não é por nada que tornaram José Serra seu herói predileto. Qualquer coisa vale na disputa política, principalmente abrir mão de ideias e recorrer aos ataques mais baixos.

Os jornalões tornaram-se a versão moderna e adaptada do Flautista de Hamelin. O flautista levava os ratos para o rio e os afogava. Os jornais levam os ratos para o mundo – e os celebram.

Não foi por outro motivo que a parte do evento que mais impressionou a colunista social do Estadão foram alguns banheiros entupidos. Na verdade, havia pouco banheiro para a m… que jorrou dos camarotes, estimulada pelos neoflautistas de Hamelin.

 

Incrível!!! Vejam o que Aécio está fazendo

Bizarro! A mando de Aécio, promotor revira apartamento de internauta no Rio

Por Miguel do Rosário, em O Cafezinho

Bizarro. Movido pela ânsia de censurar, o senador Aécio Neves está promovendo uma verdadeira razia policial em casa de simples internautas. Dessa vez, foi longe de mais.

O apartamento da jornalista carioca Rebeca Mafra, que sequer é muito ativa nas redes e cuja participação política se limita a algumas curtidas de vez em quando, teve seu apartamento revirado e seus computadores apreendidos, em virtude de uma ação movida por Aécio e que conta com promotores amigos.

Aécio está tentando estender o stalinismo neoliberal que ele montou em Minas Gerais para o Brasil inteiro!

Leiam o post do Azenha, abaixo.

Polícia faz busca e apreensão em casa de jornalista carioca, que diz: “Nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais

Por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo.

A casa completamente revirada. Apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, um iphone sem uso, chips de computador, CDs de fotos e um roteador.

A jornalista Rebeca Mafra, do Rio de Janeiro, que trabalha no Canal Brasil, concorda que viveu um dia “bizarro”.

Era por volta do meio dia quando ela recebeu uma ligação do prédio onde mora com a informação de que policiais estavam presentes com um mandado de busca e apreensão e arrombariam a porta.

Como trabalha na Barra da Tijuca e mora no centro, Rebeca pediu a uma amiga que tem a chave que abrisse a porta.

Os policiais reviraram tudo.

Só mais tarde ela soube qual era a acusação: ela teria de alguma forma participado de um grupo organizado para difamar o senador Aécio Neves nas redes sociais.

O problema é que, segunda ela, “nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais.

Rebeca não se define como uma internauta muito ativa. Admite que não pretende votar em Aécio, mas diz que o que mais faz é postar fotos no Instagram. “Olha o meu Facebook”, sugeriu.

De fato, uma rápida navegada pelo perfil da jornalista demonstra que ela em geral reproduz posts de outras pessoas, não relacionados a política.

No Facebook, segunda ela, o máximo que faz é dar algumas curtidas.

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Porém, documentos aos quais o Viomundo teve acesso demonstram que Rebeca e outras quatro pessoas estão sob investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro a pedido do senador Aécio Neves.

Na decisão em que atendeu ao pedido do Ministério Público para expedir os mandados de busca e apreensão, o juiz descreveu uma suposta quadrilha muito sofisticada:

Segundo narra o órgão ministerial, o procedimento investigatório foi iniciado a partir de notitia criminis encaminhada pelo Exmo. Senador Aécio Neve

s, na qual noticia a prática reiterada de crimes contra a sua honra através da colocação de comentários de leitores em sites de noticia, muitos dos quais não guardam qualquer pertinência com as notícias comentadas. Afirma o Parquet que há indícios de que tais comentários são lançados de forma orquestrada, por pessoas associadas para, mais do que potencialmente afetar a reputação do senador, associar, em escala estatisticamente relevante, seu nome aos termos constantes dos comentários. Assim agindo, possuem os autores o intento de alterar os resultados dos mecanismos de busca na internet, como o Google, por exemplo, fazendo com que tais páginas — ainda que substancialmente irrelevantes — alcancem destaque nos resultados das pesquisas.

A Folha deu a notícia com grande escândalo.

Porém, para pelo menos uma das pessoas acusadas, a jornalista Rebeca Mafra, é tudo novidade.

“Que maluquice”, comentou Rebeca quando informada de que é acusada de atuar numa espécie de “quadrilha virtual”, já que ela não conhece nenhum dos outros quatro acusados.

“Bizarro”, eu disse à entrevistada por telefone. Ela concordou: “Bizarro”.

Rebeca ainda não deu depoimento à polícia carioca.

O futebol, meu pai e eu

Por Ronaldo Souza

Meu pai contou essa história algumas vezes.

Ainda morávamos em Juazeiro (BA). Eu tinha cerca de 6 anos de idade. O Fluminense tinha perdido o título de campeão carioca na partida final para o Botafogo. Chorei muito.

Não sei quantos sabem, mas era comum no interior do nordeste torcer mais pelos times do Rio de Janeiro do que pelos dos seus próprios estados. Graças ao alcance de rádios como a Tupi, Nacional e depois Globo.

Éramos torcedores do Fluminense. Meu pai, meu irmão mais velho e eu. E eu chorei muito.

1958

O Brasil tinha acabado de se sagrar Campeão Mundial de Futebol.

Saímos às ruas da cidade que fez da minha infância um paraíso. Meu pai e eu, sempre pelas mãos dele.

– Pai, pai, aqueles ali são os jogadores da Seleção?

– Não meu filho, não são. E me explicou.

O maravilhoso mundo da criança. Só mesmo ela é capaz de imaginar que alguns minutos após a final do jogo em que o Brasil se sagrara Campeão Mundial de Futebol, na Suécia, os jogadores da Seleção Brasileira estariam comemorando nas ruas de Juazeiro.

Justifica-se. Se o Brasil para mim era Juazeiro…

Nunca tinha visto o Brasil, perdão, Juazeiro, tão alegre. As ruas estavam repletas de gente, quase todas embrasileiradas de verde e amarelo. Para um juazeirense era o mundo perfeito. Para uma criança era o paraíso.

O choro pelo Fluminense tinha ficado de lado.

1962

Ensaiando os primeiros passos que me tirariam da infância para a adolescência, aquela história, agora já conhecida, repetia-se. Aqui bem pertinho, no Chile.

O Brasil era agora bicampeão mundial de futebol.

E vi tudo outra vez. O Brasil se embrasileirou de verde e amarelo novamente.

Não, não perguntei ao meu pai se aqueles eram os jogadores da Seleção Brasileira.

– Pai, mande esse menino desligar o rádio, eu quero dormir.

“Esse menino” era meu irmão caçula.

Já estávamos morando em Salvador. Ainda muito pequeno, ele ficava ouvindo os jogos pelo rádio.

O caçula também já est

ava envolvido pelo futebol. Com um detalhe; O seu time não era o Fluminense.

Era o Bahia.

Como todo pai, o nosso, ainda torcedor do Fluminense, ficou com pena e começou a leva-lo à Fonte Nova. Na sequência, eu, que reclamava do rádio ligado à noite porque “queria dormir”, também passei a ir.

Surgia assim uma nova paixão, a maior de todas: o Bahia.

Paixão que não respeitou nem meu pai. Tornou-se o mais apaixonado torcedor do Bahia.

1970

Foi com o Bahia fazendo festa nos nossos corações que “partimos” para.a Copa do Mundo. A Copa de Pelé.

Era a última dele. No México.

E o México se vestiu de México. E fez festa, mesmo sabendo que eram poucas as suas chances de ganhar a Copa.

O melhor dos mundos; o México adotou o Brasil.

E Pelé e sua turma brilharam, ele como o grande rei do futebol que é.

E lá estávamos nós outra vez. Embrasileirados. Com as cores da Aquarela do Brasil.

A alegria das nossas cores, das nossas florestas, das nossas araras, dos nossos rios, do nosso arco íris, do nosso povo, tomava de vez o mundo.

O Brasil era tricampeão.

1982

A Copa que era nossa, mas não veio. Ficou lá. O futebol mais bem jogado, a técnica mais apurada, o futebol mais bonito, o futebol mais alegre, o futebol brasileiro, por uma crueldade do destino, não ganhou a Copa. Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e os demais jogadores e o Brasil não mereciam aquilo que aconteceu na Espanha.

1994

E lá fomos nós, agora para os Estados Unidos. Uma copa sem brilho, inclusive no futebol jogado.

Mas lá estávamos, outra vez, 24 anos depois, no topo do futebol mundial.

O Brasil era tetracampeão.

2002

Pela primeira vez a Copa do Mundo não seria realizada na Europa ou nas Américas. E também pela primeira vez, seria realizada em dois países; Japão e Coréia do Sul.

Dois países? Sem problema. O nosso futebol seria capaz de encher aqueles países, tradicionalmente mais sisudos, mais formais, de alegria, cores e emoção. E foi.

O Brasil foi à Ásia e mostrou a sua garr

a e competência: ganhou todos os jogos.

Brasil, pentacampeão mundial de futebol.

2010

A Copa do Mundo na África. A Copa que deveria ser nossa.

O mundo invadiu a África e a África se mostrou ao mundo.

Que povo, que alegria.

Olhamos para eles e nos vimos. Nós nos encontramos outra vez com eles. O pedaço da África que vive em nós se refletia ali.

Com a força do leão, a África mostrava ao mundo a sua selva, as suas cores, as vuvuzelas, os seus sorrisos brancos de roupa bem limpa no belo contraste com os rostos negros. Mostrava os seus negros e os seus brancos.

Se era o reencontro de dois povos, com tanta identidade em jogo, os deuses do futebol tinham que entrar em campo.

Não entraram. E não foi a nossa copa.

Mas foi o reencontro das cores e da alegria. E são as cores e a alegria que trazem o sorriso acolhedor, tão.típico do brasileiro e do africano.

2014

Hoje é dia de Copa do Mundo.

E esta Copa só poderia acontecer no Brasil. Só no Brasil.

Porque hoje é o dia dos namorados.

É o dia em que o amor entra e toma conta da casa. E a casa se enfeita de flores, de cores, de afeição, de gestos delicados, para recebê-lo.

E em que país do mundo o amor se manifesta entre todos, brasileiros e não brasileiros de todas as partes do mundo que aqui vieram viver, com mais força, com mais ternura, com mais paixão do que no Brasil?

Estarei com as pessoas que mais amo; a minha mulher e as nossas filhas. Elas estarão embrasileiradas de verde e amarelo. Eu, com a camisa do Bahia, também embrasileirada, criada especialmente para a Copa.

Torceremos juntos.

Tenho certeza de que meu pai estará do nosso lado torcendo pelo Brasil.

Com a camisa do Bahia.

BBMP

Bora Bahia minha p…

Bora Brasil minha p… 

Assessor dispara: “Vai ter coca, Aécio”!

O pastelão político do assessor de Campos que disse que haveria Coca para Aécio

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

É com certeza uma das histórias mais cômicas – e reveladoras — da campanha de 2014.

Digamos assim: um pastelão político.

Primeiro, foi uma postagem no seu Facebook em que o coordenador de mídias sociais de Eduardo Campos, Marcos Bahe, escreveu o seguinte, conforme registrou ontem à noite mesmo o DCM: “Vai ter Coca, Aécio.”

Era uma alusão à cocaína, é claro. O disfarce pouco sutil da cacetada era o nascimento dos filhos de Aécio, embora pouca gente comemore a chegada de crianças com Coca Cola. A partir dos três ou quatro anos, talvez.

Mas Bahe tinha pressa para veicular sua postagem. Não dá para imaginá-lo guardando a piada infame por alguns anos.

O final da história é previsível: Bahe foi demitido. Mas a comédia permaneceu: ele disse que tinha escrito aquilo para um grupo restrito de amigos, e por engano suas palavras ganharam o público.

Acrescentou hashtags hilariantes: #vacilo, #destavezfuieu e #sorry.

Note que não houve um pedido de desculpas específico nem a Eduardo Campos e nem, muito menos, a Aécio Neves.

Uma possível aliança que começara em sorrisos e troca de afagos explodira espetacularmente numa mistura de Coca e cocaína.

A parte mais divertida da comédia, para mim, veio do site da Veja, na seção Radar, de Lauro Jardim.

Pessoalmente, me fez rir intensamente na noite de domingo. Aqui, o texto. Sugiro que você vá direto aos comentários.

Lauro registrou o texto de Bahe. Era, em si, um fato engraçado: em plena Veja, adepta fanática de Aécio, a questão da cocaína era levada ao público.

Mas o melhor veio dos leitores. Duas ou três vezes li os comentários para renovar minhas risadas.

O melhor comentário que li dizia o seguinte: “Cheira, mas faz.”

Clap, clap, clap.

Outro dizia: “Este filho de Francisco é petista.” Um foi mais direto neste ponto: “O filho do Chico Buarque está perdido com essa assessoria.”

Um outro decretava: “Olhos azuis: sinônimo de pessoas traiçoeiras.”

Sobrou para o jornalista do Radar também.

“Eu acho Lauro Jardim petista.”

A influência de Reinaldo Azevedo nos leitores da Veja estava evidente. Dezenas de comentários usavam a expressão “petralhas”, que Azevedo se orgulha de haver criado como se se tratasse da Comédia Humana de Balzac, ou de Em Busca do Tempo Perdido de Proust.

Parece esperar um Prêmio Pulitzer, ou quem sabe um Nobel de Literatura, pela forma obsessiva como reivindica a expressão “petralha”.

Um outro leitor fez uma análise: “Campos é o genérico do PT. Ainda sonho com Jair Bolsonaro, contudo querer ganhar voto na base da desqualificação do adversário é petralhice.”

Aí se vê que, hoje, Reinaldo Azevedo, Bolsonaro e a Veja se misturam na cabeça dos leitores da revista.

Aécio foi intensamente defendido. Um leitor exeortou cada um dos demais a convencer cinco eleitores a votar nele, Aécio, para livrar o país dos petralhas. Mas, ainda que em medida pequena, sobrou até para o defendido. Um dos debatedores disse que Aécio aparelhou, sim, Minas, ao contrário do que gosta de dizer. Cita o caso do marido de sua irmã, Andrea Neves, nomeado para uma diretor

ia no Sebrae de Minas.

Um outro leitor pontificou: “O uso de drogas pode levar ao nascimento de filhos defeituosos, com problemas! É interessante que o marqueteiro do Campos analise bem isso.”

Pausa aqui.

Escrevi outro dia sobre política de comentários nos sites. Um site não é nem mais nem menos do que os leitores que atrai e que nele expressam suas opiniões.

Se um dia os anunciantes do site se detiverem para ver a quem chegam seus anúncios, provavelmente levarão um susto.

Os melhores sites do mundo moderam os comentários para evitar que sociopatas os inundem com suas mensagens de ódio. O NY Times tem uma equipe dedicada a fazer isso. No DCM, eliminamos comentários de quem propaga sua sociopatia delirante.

Mas a Veja se tornou um dos redutos prediletos do que há de mais baixo entre quem comenta em sites. Como notou Caetano Veloso, Reinaldo Azevedo parece se orgulhar dos malucos que o aplaudem a cada pancada nos petralhas, no Apedeuta etc etc.

Entre todos os comentários da nota de Lauro Jardim um dizia tudo: “É melhor cheirar do que feder”.

Sim, é claro, os petralhas, segundo ensinou a Veja a seus leitores ao longo destes anos, fedem.

Eu tinha dito que era uma prova de completa desconexão com a realidade o PSDB indicar um candidato com a fama – merecida ou não – de consumir cocaína.

Não era, sob o ângulo do PSDB, uma questão moralista – mas política, essencialmente política.

A conta fatalmente viria. O Roda Viva – em que o assunto consumiu doze intermináveis minutos – foi apenas o primeiro sinal disso.

O segundo veio ontem.

Achar que uma candidatura possa decolar em tais circunstâncias – e sem que haja ideias poderosas a empurrá-la – é, em si, mais uma piada.

O ridículo “filma eu, Galvão” dos tucanos

Por Fernando Brito, no Tijolaço

O Brasil é o país do inacreditável.

Leio que os tucanos entraram no STF – e justo nas mãos de Gilmar Mendes –  para garantir “protestos ideológicos” nos jogos da Copa.

Tradução: para que tucaninhos, devidamente preparados, exibam cartazes contra o Governo Dilma para que sejam generosamente focalizados pelas câmaras da Rede Globo.

Não é contra uma gaiatice da torcida que ironize alguém por alguma coisa, como fez o Mineirão em 2008, proclamando a superioridade de Aécio Neves  sobre Diego Maradona em algumas práticas.

É o ”filma eu, Galvão” de Aécio Neves.

Coisa de canalhas oportunistas.

É a coroação de lata de um processo monstruoso feito contra o direito do Brasil e de seu povo terem uma Copa do que ela é de fato: de futebol.

De tão ridícula, nem mesmo caindo nas mãos de Gilmar Mendes a ação tucana deve prosperar.

Afinal, se prevalecer o argumento de que a liberdade de manifestação independe da forma, do lugar ou do momento, poderíamos imaginar o Supremo Tribunal Federal decidindo em meio a faixas e cartazes das partes, não é?

Imagine o Dr. Gilmar Mendes julgando o banqueiro Daniel Dantas em meio a placas exibindo um “Prende ele, Gilmar”.

Ou o Dr. Barbosa prolatando suas duras decisões diante de uma faixa dizendo “Troque Miami por Copacabana, Doutor”.

Não é assim que as coisas devem ser, depois dessa babaquice tucana?