FELIZ 2014

Por Ronaldo Souza

Sorria, você está na Bahia

Não é assim que a Bahia recebe os amigos que a visitam?

Mas sorria também você que não está na Bahia. Sorria porque você está no Brasil e sorria principalmente se você é brasileiro.

Sorria, porque este é o país, este é o cara.

Onde mais você vai encontrar esse sol, esse mar, essas praias, esse céu, essa floresta, essas cores… E onde você vai encontrar esse povo?

Onde você vai encontrar esse povo que, de onde quer que venham, recebe todos os outros povos. Igualmente.

É aqui onde muitos conhecem o abraço. É aqui onde muitos conhecem o verdadeiro aperto de mão. É aqui onde muitos conhecem a diferença e aprendem a não ser indiferentes.

Este é o Brasil. Dos contrastes, das contradições, do sofrimento, mas, quem sabe, como já foi dito, do último povo feliz sobre a face da Terra. Talvez encontremos outro povo como esse ali, logo ali na frente, quando virar a esquina; na África. País irmão, agora mais do que nunca.

E por falar na África, não foi lá a última Copa do Mundo? Viram um pouco melhor o país? Conheceram um pouco melhor a sua história? Motivos para alegria? Não? Então como explicar a alegria estampada naquelas cores, nas vuvuzelas, naqueles rostos, naquele belo contraste de dentes brancos abertos ao sorriso com as peles negras…?

E lá estava quem? Pelé! O Deus negro do futebol? Não. O Deus do futebol. Perto do povo que tantas coisas em comum tem com o povo dele; o povo brasileiro.

Será que foi obra do destino e dos deuses do futebol que, logo após a da África, a Copa seguinte fosse realizada no país que mais guarda semelhança com eles?

Não somos parecidos?

Já andaram pelas ruas de Salvador? E pelas do Rio de Janeiro? Conheceram a Fonte Nova e o Maracanã? Os estádios, não as arenas. Viram as suas arquibancadas em dias de grandes jogos? Parte da África não estava ali?

Foi ontem, é hoje, será mais ainda amanhã. Nada impedirá que esse país seja. Nada impedirá que ele cumpra o seu destino.

O Brasil não é o país da moda. O Brasil é o país de todos os dias. De todos os abraços. De todos os apertos de mão. De todos os sorrisos.

De todos os povos.

Sorria, você está no Brasil.

FELIZ 2014 

A minha mensagem de Ano Novo: Pense por si mesmo e construa um novo mundo

Por Ronaldo Souza

Talvez não seja tão simples nos tempos atuais não ficar um pouco triste.

Se olho para a profissão, só vejo tirarem proveito dela. Foi-se o tempo em que ensinávamos? Em que tempo estamos? No tempo de, ao inves de dar, tirar de quem nos procura? Estamos para brindar pelo que entra como dividendos e não mais pelo que sai dos nossos corações e almas como orientadores do futuro de jovens que ainda buscam alguma coisa? Tornaram-se eles o nosso meio de vida?

Que maravilha ser professor. Quantos cargos imponentes. Diretor, chefe de departamento, coordenador de núcleo, homenagens, melhor amigo, melhor isso, melhor aquilo, tantos trabalhos, tantas publicações… e os nossos alunos buscando seguir os nossos passos. Que passos, se estamos perdidos? E os meninos e meninas, completamente desnorteados, achando que os parâmetros que estabelecemos para nós são os que devem estabelecer para eles próprios.

Se olho para o mundo só vejo dedos apontando para os erros. Que não sejam os nossos ou dos nossos. Os daqueles que não rezam na nossa cartilha. Só vejo dedos acusando alguém de algo. Só vejo autoridades ignorantes e descomprometidas me dizendo o que fazer. Ninguém quer me perimitir ser eu.

Eu quero ser o marginal, aquele que vive à margem do que você determina, aquele que não lhe obedece porque você não merece e não tem competência para ser seguido. Eu quero escolher, errar, acertar e depois, lá na frente, olhar para trás e dizer: EU FIZ. Resta-me torcer para quando chegar esse momento poder contabilizar mais acertos do que erros, porque ambos, erros e acertos, estarão comigo. E aí terei feito as minhas escolhas, terei vivido a minha vida. Os pecados e glórias serão meus porque é minha a vida. E aí direi aos meus filhos; sejam.

Onde eu vou encontrar esse mundo? Onde você vai encontrar? Não vamos encontrar. Simplesmente não vamos encontrar. Nós temos que construir.

Não se trata de ser ateu ou religioso, como pode parecer que é a discussão travada nesse encontro, do qual o vídeo só mostra a fala final de Hitchens. Não, é algo muito maior. A discussão é sobre o direito de escolher os caminhos que se quer seguir. É sobre dar às pessoas, particularmente aos jovens, à criança, como diz Hitchens, o direito de construir suas vidas. E essa discussão tem que ser travada todos os dias.

Não quero um mundo em que me digam; faça. Quero um mundo em que façam comigo.

Quero fazer o meu mundo.

Mas como posso fazer o meu mundo sem a base para isso? Como posso construir o meu mundo? Vivendo a vida dos meus pais, dos meus professores, dos “professadores” da verdade?

Vivendo a minha. Crescendo. Amadurecendo.

Como é difícil.

Vive-se cada vez mais a vida do outro. Somos cópias. Somos manada.

"A gente nasce primeiro para os outros. Há um dia em que nascemos para nós mesmos.”

Essa frase é de um personagem do livro “Antes, o verão”, de Carlos Heitor Cony.

O seu primeiro nascimento não é escolha sua. O segundo é.

“Vem, vamos embora que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”

(Geraldo Vandré)

Seja feliz.

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A prisão impossível

Por Flavio Furtado de Farias, no Partido da Imprensa Golpista 

Eles morrem de ódio. Tremem. Quase choram mesmo. O ódio os consome. Fervilha em seus fígados, o desejo de fazer sofrer. Devem impingir dor. Pespegar humilhação. Coagir o corpo e a alma. E tirar-lhe a liberdade, neste momento, era a única coisa a fazer. Enfiá-lo em uma cela, depois de desfila-lo para o alto da “Praça da Lampadosa”. Gostariam de coloca-lo sobre um patíbulo, abrindo-lhe o cadafalso, com a louca vontade de parti-lo em quatro. Enfiar-lhe-iam uma lança se possível. Na impossibilidade, após o escárnio, encarcera-lo já os regozijaram. Mas, qual não foi a decepção de que o punho no alto fechado, um punho como o de Madiba, socasse-os nos flancos. Arretaram-se. Enlouqueceram. Exigiram mais dura pena. E realizaram. Os olhos inflamaram quando viram o apoio que ainda recebia. Tiniram. Reviraram a noite sem entrecruzar os cílios. Diante dos braços estendidos a ele, proibiram. Descomporam-se. Doestaram. Pois no calvário imposto ainda era convocado. Ofereceram-lhe um labor e digna paga. Um tapa na cara daqueles invejosos. Corroeram-se. Proibiram. Esbandalharam. Atingi-lo a fundo. Amolga-lo era o sedento desejo dos detratores. A cinza em suas bocas. Os amigos levaram-lhe leitura. O mundo em páginas. O universo para um viajante. Cada letra derruba uma parede. Arranca uma barra de ferro. Faz o tempo no cárcere voar, e o espírito é livre. Não suportariam eles vê-lo voar. Era necessário desala-lo. Recolheram os pergaminhos. E prepararam-se para cachinar. Tolos. Nunca aprenderão que, o homem livre, é impossível prendê-lo.

http://jornalggn.com.br/fora-pauta/a-prisao-impossivel 

A “espirituosidade” do Natal

Por Ronaldo Souza

Já experimentou “passar” o microfone para quem gosta de falar? Não termina mais.

Conhece aquelas pessoas que adoram tomar a palavra em determinadas ocasiões?

Isso é muito comum, ou pelo menos já foi, em pequenas cidades do interior. Em qualquer evento, batizado, inauguração de alguma coisa, casamento, funeral… lá estava ele, aquele que fazia o encantamento das pessoas pelas palavras bonitas nos discursos entusiasmados e carregados de emoção.

Uma festa, ainda que fosse um funeral.

E os que falavam em outra língua, geralmente em inglês. Esses então eram muito mais valorizados. Afinal, falar outra língua é o suprassumo da cultura, é a prova incontestável de que o cara é o cara.

É claro que há os “oradores” que se dão bem com a língua portuguesa. Mas também é claro que não é exatamente esse o padrão. Pelo contrário, muitas vezes o desencontro é total.

Um grande amigo me contou, e repetia sempre, essa história. Eu ria muiro.

Na sua terra natal, pequena cidade do interior da Bahia, havia pelo menos um desses. E ele foi chamado para dizer “breves” palavras em homenagem ao morto. Não foram tão breves as breves palavras.

Lá pras tantas, pra encher mais ainda de pompa o seu discurso, fulmina: vou escrever como se fosse a pronúncia do que ele disse “falando” em inglês:

“E como dizia o grande filósofo José de Arimateia:

“Que ti borum borum,

quisengo tilengo dengo

Mai mauzer fauuzer iu”

E sapecou a tradução:

“Por que zombas de mim ó Catilino

Se esse catilino alemão zomba de ti”

O dia se esticou um pouco mais para além das 24 horas para caber os aplausos, que não paravam. É um grande orador, como fala bem, ele é demais, e como fala bem em inglês…

Muitos anos atrás. Éramos uns quatro ou cinco casais, um bate papo, um encontro social de fim de semana.

Whisky vai, whisky vem, vinho vai, vinho vem e segue a noite.

De repente, lá pras tantas, “abre-se” um microfone:

“Eu queria aproveitar esse momento de espirituosidade…”

Bem, devo confessar que é verdade, não tinha ninguém triste, estávamos todos alegres e descontraídos. Mas…

Ocorreu-me ser plenamente possível que naquela noite, pela proximidade com o Natal, os nossos espíritos estivessem um pouco mais elevados e que por isso talvez também pudéssemos dizer que aquele momento poderia ser percebido como um momento em que a nossa espiritualidade estivesse mais presente. A espiritualidade.

Por que eles nunca percebem?

 

Então é Natal; e o que você fez?

Por Ronaldo Souza

Continuaremos a desejar e a festejar a doença de alguém? Continuaremos a festejar o câncer de alguém? Continuaremos a desejar a morte de alguém? Quando fazemos isso, em que nos diferenciamos daqueles a quem muitas vezes costumamos chamar de animais, que estão nas prisões por matarem pessoas?

Quantas vezes já viram uma briga ser o resultado de uma discussão da qual se perdeu o controle? Onde começa a violência física? Na violência verbal. Toda e qualquer forma de violência física tem a sua origem no estímulo a ela.

Foi a violência da concepção da raça ariana que gerou a ideia de raças inferiores. Foi a disseminação dessa concepção que gerou a perseguição às raças inferiores. Foi a concepção da raça ariana que gerou a guerra. Foi a perseguição às raças inferiores que gerou os campos de concentração nazistas. Foi a prisão das raças inferiores que gerou os milhões de mortes nos campos de concentração.

Quem disseminou essa concepção? Foi a “intelligentsia” de Hitler, foram os pensadores de Hitler. Criam-se as castas, criam-se as elites, nascem os que vivem à margem delas. Nascem os marginais, nascem os seres inferiores.

Quantos judeus morreram de morte matada? Quantos negros morreram e morrem de morte matada? Quantos homossexuais morreram e morrem de morte matada? Quantos índios morreram e morrem de morte matada? Quantos pequenos agricultores, proprietários de pequenos pedaços de terra nos cantos mais remotos desse país morreram e morrem de morte matada? Quantas pessoas de morros, favelas e periferias morrem de morte matada?

O que se espera de tanta violência disseminada nas redes sociais? Que nasçam o amor, a fraternidade e a igualdade de direitos? O que se espera de seres inferiores que são gerados nas redes sociais por e entre aqueles que se pretendem elite?

“Nordestino não é gente. Faça um favor a São Paulo: mate um nordestino afogado!”.

Mayara Petruso doeu em você? Por que? Por que você é nordestino? Qual a diferença? Nenhuma. Só porque ela e uma quantidade enorme de pessoas incluíram os nordestinos entre os pretos, pobres, prostitutas, homossexuais… os que merecem morte matada? Que outros grupos, que outros segmentos da sociedade serão incorporados a esses que merecem morte matada?

Quantas Mayara Petruso são geradas diariamente?

Quem somos e o que somos? Quantos de nós têm a pela branca, cabelos lisos e olhos claros? Quantos de nós teriam morte matada pelo “arianismo” de quem vê como inferiores aqueles que não possuem essas características físicas? Tem certeza de que você escaparia?

Lamento muito, mas é, no mínimo, extremamente difícil para qualquer ser humano que mereça ser chamado assim, ser humano, aceitar esse tipo de comportamento.

Como aceitar tal comportamento naqueles que falam tanto em Deus, um Deus a quem atribuem a condição de Pai e Ser Supremo e cuja “existência” é sinônimo de amor, paz, fraternidade, igualdade e perdão? Ele não é por si só a expressão de tudo isso? Por que falam em Seu nome e assim que Ele “olha pro lado” destilam tanto veneno?

Como conseguem falar de Deus e ao mesmo tempo disseminar tamanho ódio, tamanho rancor. Como conseguem viver tão intensamente nos seus corações sentimentos tão opostos. Como podem se imaginar bons com tanto ódio nos corações.

Não sou um homem religioso, mas recorro a uma passagem da Biblia, quando Jesus os acusou:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (Mt 23. 27-28)

Não, não lhes respondo, nada de mal lhes desejo. Na minha pequenez, faço um enorme esforço para elevar o meu espírito e procurar entender e aceitar tamanha falsidade, tamanha mentira, tamanha hipocrisia, tamanha desumanidade. Mas, perdoem-me, sou um ser humano e como tal aceitar isso está acima das minhas forças. O máximo que consigo é ter pena de quem assim age.

E, num esforço maior ainda, não sendo um homem de crença religiosa, faço uma prece: se existe um Deus, que Ele se compadeça de vocês.

Acalmem seus corações. Aproveitem o famoso espírito do Nata

l, que não é só uma ceia alegre e farta entre os nossos. Se quiserem ver o espírito do Natal, percebam os diversos mensageiros da paz nos corações espalhados pelo mundo, cada um à sua maneira. Ouçam, quem sabe, um desses mensageiros. Que morreu de morte matada por alguém atingido por esse desamor disseminado no seio da raça humana.

Feliz Natal.

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O grande compromisso

Por Ronaldo Souza

Qual o time no Brasil que nunca enfrentou crises de diretoria e administrações desastrosas?

Acostumado a ser a exceção, o Bahia não seria essa exceção. Não foi.

Foram duas crises a um só tempo. Na sua vergonhosa direção e outra no seu plantel de futebol, esta gerada e comandada pelo “presidente” do time, que tinha toda a cobertura do presidente do clube e do gestor de futebol.

Inédito? Não sei.

Inédita certamente foi a reação. Que nem a Fênix, a ave da mitologia grega que surgia das cinzas, o Bahia fez da amarga experiência o ponto de retomada da sua história, coberta de glórias.

E o Brasil esportivo brindou. Os jornalistas brasileiros que conseguiram manter a dignidade e a preocupação com o futebol, não sei se poucos ou muitos, ergueram suas taças e fizeram um brinde ao fato de que pela primeira vez um clube de futebol e a sua fantástica torcida, sempre ela, tomaram as rédeas do destino que parecia tragicamente traçado e assumiram o comando do clube.

Pela primeira vez no futebol brasileiro, uma torcida elegia pelo voto direto o presidente, a diretoria e os conselheiros de um clube de futebol. Era o Bahia mostrando a sua força e o seu destino para o pioneirismo. Mais uma vez era o primeiro. Mais uma vez fazia a regra. Mais uma vez era a exceção.

Durante todo esse tempo em que houve esse descalabro administrativo vergonhoso por parte dos dirigentes, o Bahia perdeu muito. Patrimônio, força, credibilidade e títulos e essas perdas exigirão algum tempo para que as devidas correções sejam feitas.

Mas não foi só o Bahia que perdeu. A Bahia e o Nordeste também perderam e muito. Nesse tempo, enquanto o Bahia esteve “ausente”, quem na Bahia ou o no Nordeste ganhou o que? Quem representou a Bahia e o Nordeste como ele já o fizera? Quem ganhou algum título por eles, Bahia e Nordeste?

Nunca foi tão fácil para os times de fora do eixo Rio-São Paulo garantirem uma vaga para participar da Libertadores. Só um time do eixo Rio-São Paulo, o Botafogo, entrou na zona de Libertadores. O Nordeste, mais uma vez, ficou de fora. O seu único e grande representante não estava em condições. Ah se estivesse!

Uma historinha rápida.

No final do ano de 2009, o Bahia ainda na série B, duas noites antes do Natal, um programa de esporte de uma rádio de São Paulo fez uma reportagem “entrevistando” Papai Noel.

Foram feitas perguntas sobre o que Papai Noel traria para cada time de futebol. Foram citados todos os quatro grandes do Rio, os quatro grandes de São Paulo, os dois de Minas Gerais, os dois do Rio Grande do Sul… e a essa altura eu já estava imaginando. Não vão nem falar do Nordeste.

Rezei, fiz promessa, pedi pelos deuses, pelos orixás, por tudo quanto é santo e pai de santo, já nervoso… Papai Noel, e para o Nordeste? Quase tive um infarto.

– Ho, ho, ho… (esse é Papai Noel). Que bom meu filho se o Bahia voltasse aos bons tempos.

E ponto. O Nordeste de Papai Noel parou no Bahia.

Ou ninguém percebeu que, mesmo na fase ruim em que se encontra, era e é ao Bahia que a imprensa nacional se reporta como o grande representante do Nordeste? Há quem diga o único.

Por que Clube dos 13? Quem são os 13? Os quatro grandes do Rio, os quatro grandes de São Paulo, os dois de Minas Gerais, os dois do Rio Grande do Sul e o… Bahia. Se agora o Clube dos 13 são 20, pouco importa. O futebol brasileiro foi dividido em séries e deram números redondos. Vinte na série A, vinte na série B, vinte na série C… Mas os 13 são os 13. E lá está o Bahia.

Já digo há muito tempo; ninguém ganhou os títulos de campeão baiano nesses últimos anos. Foi o Bahia que perdeu.

A nova diretoria do Bahia precisa entender algo muito importante; o lugar do Bahia no futebol brasileiro é dele e durante todo esse tempo permaneceu assim, ninguém ocupou. Porém, é pouco diante do que ele já representou e representa de fato. E é esse o grande compromisso da atual administração: fazer o Bahia ser o que sempre foi; o maior do Norte/Nordeste e um dos grandes do futebol brasileiro.

Aí a Bahia estará outra vez bem representada no futebol brasileiro. E o Nordeste também.

O time que é a exceção, o time que é o primeiro campeão brasileiro, o único bicampeão brasileiro de todo o Norte/Nordeste, o primeiro a disputar a Taça Libertadores das Américas (na Bahia, o único), agora se tornou o primeiro time nordestino com quatro participações consecutivas na série A do Campeonato Brasileiro na época dos pontos corridos.

Se isso ainda é um sonho para outros times, para o Bahia é pouco.

É destino do Bahia ser o primeiro. Não é dele ser o segundo. 

Urubus em voo rasteiro

Por Ronaldo Souza

Arnaldo Jabor tem duas características que me chamam a atenção: uma é a sua raiva da vida, a outra é que ele é aquele cara que entende tudo de nada. É impressionante como ele fala de tudo com enorme conhecimento. E, interessante, tem quem acredite nele.

Não falo sobre alguns temas. A razão é simples; sobre esses temas, entendo pouco ou nada. Não há, por exemplo, um único texto meu falando de economia. Se os economistas não sabem o que falam, vou eu me meter nisso? Tá louco!

Mas vejo com alguma frequência muitos “Jabor” falando do assunto. E na Internet, terra de todos e de ninguém, é festa. “A nossa economia está ladeira abaixo, incrível. A inflação, totalmente descontrolada. E o superávit primário, nossa!!!, ‘tá um horror…”

Há pouco tempo quem deu um verdadeiro show foi uma das economistas da Globo, Ana Maria Braga, inclusive usando um recurso didático simplesmente fantástico. Como o tomate estava com o preço elevado (segundo os economistas da mídia, inflação estratosférica, segundo o quitandeiro da esquina, questões sazonais), ela usou um colar de tomates no programa dela. Do que não são capazes esses grandes economistas, não é verdade? Usam todos os recursos disponíveis para explicar para nós, pobres mortais, o porque do total descontrole da inflação.

No outro dia, o preço do tomate despencou.

Ficamos todos preocupados com a nossa cansada Ana Maria Braga (musa do movimento CANSEI, juntamente com Hebe Camargo, Regina Duarte – tô com medo – e Ivete Sangalo) diante de uma eventual subida no preço da melancia. Particularmente, fiquei aflito só de imaginar a Globo mandando usar um colar de melancias.

Diante da inflação descontrolada que me ronda todos os dias, resolvi fazer alguma coisa. Pensei até em tentar um contato com Jabor, ou com Marcelo Madureira (sim, ele mesmo, aquele “rumorista” – que espalha rumores – do Casseta & Planeta, que nas horas vagas é economista / analista político / sociólogo / historiador / pedagogo / intelectual / membro da Academia Brasileira de Letras), ou com Marco Antônio Villa (Lula acabou), para me orientar, mas desisti. Cheguei até a pensar em ligar para alguns colegas que entendem muito de economia, mas terminei esquecendo.

Opa, alguém acabou de me dizer aqui que Marcelo Madureira ainda não é membro da Academia Brasileira de Letras. Não importa, vai ser. Se Merval Pereira conseguiu, por que ele não consegue? Trabalham na mesma empresa.

É claro que a essa altura eu já estava em pânico. Apesar de há onze anos a mídia afirmar que a inflação está chegando (cheguei a imagina-la como um tsunami descontrolado destruindo as nossas vidas) e ela nunca chegar, passaram esse ano dizendo que agora não tinha jeito, ela finalmente se descontrolara e já ia chegar amanhã. Como vocês queriam que eu ficasse?

Aí, como que ao acaso, li o texto de Fernando Brito (depois li outros) e não entendi nada. Brito diz que “não haveria uma explosão inflacionária”, que “vamos fechar o ano, provavelmente, com uma inflação ligeiramente menor que a de 2012…, ou seja, no meio do caminho entre a meta de 4,5% e o teto de 6,5%”.

Gente, como é que posso entender um negócio desse? Os “caras” passam o ano todo dizendo que a inflação está descontrolada, ninguém segura mais e aí chega o final do ano, vem o IBGE e diz que não é nada disso. Ou seja, terminou o ano e mais uma vez não veio a tal da inflação descontrolada.

Veja o texto de Fernando Brito:

A inflação não estourou, o sup

eravit não desabou. O que vem aí, agora?

 

Por Fernando Brito, no Tijolaço 

O índice de inflação de novembro, divulgado agora há pouco pelo IBGE, confirmou o que qualquer pessoa que examinasse serenamente a sua evolução já podia prever desde o primeiro semestre: não haveria uma explosão inflacionária.

A melhor notícia é que o INPC, que mede a variação dos preços para as famílias de menor renda (até cinco salários mínimos) inverteu a tendência do primeiro semestre e seguiu abaixo do IPCA.

Vamos fechar o ano, provavelmente, com uma inflação ligeiramente menor  – dois a três décimos de ponto percentual – que a de 5,84% de 2012.

Ou seja, no meio do caminho entre a meta de 4,5% e o teto de 6,5%, aquele que ia explodir, você se recorda?

Não se quer dizer que não houve elevação de preços. Houve, e no que é mais sensível aos pobres: os alimentos, que subiram 8,37% no acumulado em 12 meses, muito mais que o conjunto dos preços.

Sem isso, teríamos ficado exatamente no centro da meta ou, até, um pouco abaixo.

E, é claro, não foi a Taxa Selic que fez o preço do tomate subir, cair, subir de novo e cair outra vez -.

Cessada a histeria com a explosão inflacionária que não veio, começou a do superavit primário.

Que, também, caiu por terra ontem, quando surgiram os dados da arrecadação do Refis.

Mas a turma da grana está pedindo mais juros, ainda.

A pressão agora será no dólar, que está evidentemente forçando a resistência do Banco Central.

Os “fundamentos econômicos” para o mercado financeiro do dia a dia, é tão importante quanto a preservação das espécies num mercado de peixes de madrugada. 

Obs. do Falando da Vida – Conhece aquela piadinha “a volta dos que não foram”?. Pois é, em 2014 (vixe Maria, ano de eleições) a inflação que nunca veio estará de volta. 

Circuito Nacional de Endodontia – Etapa Bahia

Circuito Nacional de Endodontia 2014 - Bahia

Olá pessoal,

Como vocês já sabem, de 15 a 17 de maio de 2014 teremos o Circuito Nacional de Endodontia – Etapa Bahia.

Estamos cuidando para que tudo ocorra da melhor forma possível. Para isso, além das horas de confraternização e descontração, sem dúvida o aspecto mais importante de um evento científico, claro, é a parte científica.

Da grade científica estamos cuidando com mais carinho ainda, até porque tem sido a característica mais marcante do Circuito Nacional de Endodontia; a busca pela endodontia apoiada em dois pilares básicos; a pesquisa e a clínica. E com dois grandes compromissos, também marcas do Circuito Nacional de Endodontia: qualidade e ética.

E é justamente por isso que me dirijo a vocês neste momento. Vejam os nomes que já estão confirmados:

Prof. Alexandre Zaia (UNICAMP-Piracicaba)

Prof. Carlos Estrela (UFG-GO)

Prof. José Antônio P. Figueiredo (PUC-RS)

Prof. Leandro Pereira (ACDC-Campinas)

Prof. Marcelo dos Santos (USP-SP)

Prof. Wilson Tadeu Felippe (UFSC-SC)

O local será o Hotel Matiz http://www.hotelariabrasil.com.br/matizsalvador/#eventos

Em breve teremos notícias mais detalhadas.

Sessão Clínica

Olá pessoal,

O nosso próximo encontro na Sessão Clínica será no dia 24 de janeiro de 2014, como sempre uma tarde de sexta-feira.

A ideia é a mesma. Conversar e discutir casos clínicos que serão projetados de maneira simples, direta e objetiva, das 14:00 às 18:00.

O convite, da mesma maneira que antes, é feito a todos os ex-alunos do Curso de Especialização em Endodontia da ABO-BA, extensivo aos alunos que estiverem cursando o Curso de Aperfeiçoamento, além dos monitores de Endodontia da Escola Bahiana de Odontologia e Saúde Pública.

Você pode aproveitar e ver como estão ficando os novos ambulatórios da ABO-Bahia.

E depois das 18 horas? Uma cerveja gelada no Caminho de Casa.

Venha.

A Veja vende o que diz?

Paulo Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo, afirma que a circulação real hoje situa-se entre 100 mil e 200 mil exemplares, ao contrário do 1 milhão anunciado pela editora ao mercado; ele publica ainda foto da revista vendida "a preço de banana" no centro do Rio de Janeiro

Ex-diretor da Abril questiona números de Veja

Brasil 247

O jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril, hoje à frente do Diário do Centro do Mundo, decidiu tocar num tabu do mercado editorial: a real circulação da revista Veja. Embora a Abril anuncie ao mercado uma tiragem semanal de 1 milhão de exemplares, ele, que foi da casa, aponta números entre 100 mil e 200 mil exemplares. Aliás, durante muito tempo, o IVC, Instituto Verificador de Circulação, foi chamado de Instituto Victor Civita, fundador da Abril.

Em seu artigo, Nogueira publica ainda uma foto de exemplares de Veja em liquidação no centro do Rio de Janeiro. Para ele, a revista é vendida a preço de banana. Leia abaixo:

A Veja vendida a preço de banana mostra a agonia das revistas no Brasil

Depois dos rojões do lançamento de uma revista, vem o duro contacto com a realidade das vendas.

Sabemos todos o que está acontecendo com as revistas. A segunda maior revista de informações do mundo, a Newsweek, está no cemitério, morta por falta de leitores e de anunciantes.

A maior de todas, a Time, aliás a inventora do gênero, foi recentemente desprezada pelo mercado quando seus donos do grupo Time Warner tentaram vendê-la. Ninguém quis comprá-la, simplesmente.

Na era da internet, ninguém lê revistas ou jornais. Ponto. Repare: quando você vê alguém com uma revista ou um jornal na mão, é um idoso ou uma idosa que preferiu não abdicar de um hábito vencido pelo tempo.

Tudo isso posto, poucas coisas mostram mais esse panorama desolador das revistas no Brasil do que uma foto enviada ao DCM por Marcelo, nosso leitor.

A Veja, ignorada pelo público, estava sendo vendida ao chamado preço de banana numa banca no Largo da Carioca, no centro do Rio. Importante: não no meio ou no final da semana, quando está chegando uma nova edição. No começo, quando a revista está tão quente quanto poderia estar no mundo digital.

Lembro, em meus anos de Abril, o esforço épico, e caríssimo, feito para sustentar a carteira de assinantes da Veja na casa de 1 milhão.

Jairo Mendes Leal, meu colega de Exame e depois superintendente da Veja, operava milagres para tentar segurar uma carteira que, deixada a si própria, despencaria espetacularmente. (A real carteira, hoje, deve estar entre 100 000 e 200 000 exemplares.)

O objetivo disso era duplo: primeiro, manter a imagem de revista de grande circulação. Segundo, captar anunciantes, a 70 000 reais a página ou coisa parecida, por causa da carteira inflada.

Quem de nós não conhece alguém que, mesmo sem ter renovado a assinatura, continua a receber a Veja?

São também comuns aç

ões beneficentes feitas com dinheiro público por prefeitos e governadores amigos: eles compram lotes de assinaturas e enviam para escolas estaduais e municipais, onde alunos conectados à internet simplesmente ignoram a revista, logo arremessada intocada à reciclagem.

Com todo o malabarismo, repare que a circulação no final da década de 1980 era a mesma de hoje – com a diferença de que era real.

Maus editores contribuem para o declínio, é verdade, e aí o destaque é, inegavelmente, Eurípides Alcântara, que conseguiu piorar uma revista que já era muito ruim sob seu antecessor, Tales Alvarenga. Mas ainda que a revista fosse tocada por jornalistas como Mino Carta ou JR Guzzo, os que a levaram aos dias de glória, mesmo assim a internet faria seu trabalho assassino.

Quando a posteridade estudar a morte das revistas no Brasil, e particularmente a da Veja, que há 30 anos fez época no jornalismo brasileiro, a imagem acima dirá mais do que qualquer coisa.