Pesquisa do PSDB: Dilma ganha no 1º turno

Por Fernando Brito, no Tijolaço
 
Da coluna de Ilimar Franco, agora há pouco em O Globo:
 
O candidato do PSDB à presidência da República, senador Aécio Neves (MG) recebeu ontem pesquisa do Instituto SENSUS que diz que a presidente Dilma venceria hoje as eleições no primeiro turno. O resultado da pesquisa encomendada pelo PSDB confirma pesquisas semelhantes realizadas por outros Institutos. A presidente Dilma venceria com 40,2% das intenções de voto, enquanto Aécio Neves teria 18% e o candidato do PSB, governador Eduardo Campos, obteria 10,6%.
 
A pesquisa tucana tem uma diferença relevante em relação a outras, a distância mais ampla que separa Aécio Neves de Eduardo Campos. Neste mesmo cenário, 31,3% dos ouvidos “Não Sabem”, “Não Responderam” ou disseram que votariam “Branco” ou “Nulo”. O Instituto SENSUS fez duas mil entrevistas entre os dias 17 e 21 de outubro, em 24 estados. A margem de erro é de 2,2%. E em todos os cenários, a presidente Dilma venceria no primeiro turno.
 
O SENSUS também submeteu aos eleitores um segundo cenário, no qual substitui o candidato do PSB, colocando em seu lugar a ex-ministra Marina Silva (Rede). Neste caso, também a presidente Dilma venceria no primeiro turno mas o resultado seria mais apertado. Dilma teria 38,2% das intenções de voto, Marina Silva 18,4% e Aécio Neves 17,8%, enquanto 25,8% “Não Sabem”, “Não Responderam” ou disseram que votariam “Branco” ou “Nulo”. Neste caso, os dois candidatos da oposição teriam 36,2%.
 
O terceiro cenário testado pelo comando do PSDB substitui Aécio pelo ex-governador José Serra. Dilma teria 38,8% das intenções de voto, Serra 18,6% e Eduardo13,3%. A oposição somaria 31,9% das intenções de voto, enquanto 29,4% disseram que “Não Sabem”, “Não Responderam” ou que votariam “Branco” ou “Nulo”.
 
Por fim, os tucanos testaram um quarto cenário com José Serra e Marina Silva. A presidente Dilma teria 38,2% das intenções de voto, Serra 18,3% e Marina Silva 18%. Outros 25,6% disseram que “Não Sabem”, “Não Responderam” ou que votariam “Branco” ou “Nulo”. A oposição somaria 36,3% das intenções de voto. No caso de um segundo turno, enquanto a presidente Dilma teria 45,2%, Aécio ficaria com 27%, e haveriam 27,9% de indecisos. Na condição de que ambos tenham o mesmo nível de conhecimento, o embate seria mais apertado, com a presidente tendo 41,7%, Aécio 30,2% com 28,1% de indecisos.
 
E as taxas de rejeição aos candidatos, nesta pesquisa, segundo o Correio Braziliense:47,4% dos entrevistados afirmaram que não votariam de modo algum em José Serra. Em seguida aparece Eduardo Campos, com rejeição de 39,7%, e Marina Silva, com 39,4%. Na ponta estão Dilma Rousseff, rejeitada por 36,1%, e Aécio Neves por 34,6%.
 

PS: O Instituto Sensus é aquele que o PSDB pediu e  conseguiu que o TSE autorizasse ser investigado, em 2010, por dizer que Dilma tinha empatado com Serra, faltando seis meses para a eleição. Agora, os tucanos o contratam. Quem terá mudado de opinião? 

Má fé cínica?

O mensalão é um dos maiores absurdos em termos de julgamento na história do judiciário brasileiro, quem sabe o maior.

Além dos equívocos jurídicos cometidos (claro que isso não é dito por mim, leigo no assunto, mas por juristas e profissionais da área), houve toda uma orquestração para que os réus fossem condenados pelos ministros do STF, mas muito além disso pela sociedade brasileira. Este sempre foi o grande objetivo, que tinha como objetivo final destruir o PT.

Foi tão bem feita a trama que em qualquer ambiente em que se esteja basta pronunciar duas letras para que se associe de imediato à corrupção: PT.

Dentro dessas duas letras cabem, e estão, diversos nomes, mas um nome em especial sempre foi o alvo principal: José Dirceu.

Se em qualquer conversa você desejar defender José Dirceu, sob qualquer ponto de vista, desista. Afaste-se, saia, bata em retirada, dê-se por vencido. Você não terá nenhuma chance.

Dê-se por vencido, mas não se sinta vencido. E não tenha nenhum constrangimento em agir assim.

Digamos que o mensalão fosse o que dizem dele. Se determinados segmentos da sociedade usassem esse episódio como justificativa para uma grande indignação contra o comportamento do PT estariam errados? Não. Pelo contrário, estariam absolutamente certos e a essa fileira eu me incorporaria.

Imagem retirada do blog Tijolaço

Mas não é assim. É tudo uma farsa, uma grande farsa. E dessa farsa não participam somente segmentos importantes e altamente influentes. Dela também participam os inocentes do Leblon, espalhados pelo Brasil afora. De inocentes alguns nada têm, mas de úteis têm muito. Simplesmente, não querem ver.

Se há uma coisa que ninguém pode dizer é que Elio Gaspari é petista, muito pelo contrário. Jornalista da Veja há anos, não poupa o PT de críticas pesadas. Um referencial para a elite brasileira. O que pensa ela, a elite, nesse momento? Conseguirá não ver o óbvio? Gaspari não conseguiu. Veja o que ele diz.

Para Gaspari, propinoduto tucano supera ‘mensalão’

"Pelas provas, depoimentos e cifras, esse caso ultrapassa, de longe, o mensalão. Ali não há domínio do fato, o que há são fatos dominantes", escreve o colunista

Brasil 247

Na opinião do jornalista Elio Gaspari, o caso do chamado propinoduto tucano "de longe" ultrapassa o do "mensalão", dos petistas. Isso porque, segundo o colunista, no caso da formação de cartel por multinacionais e o pagamento de propinas a políticos do PSDB em São Paulo, em licitações para obras no transporte sobre trilhos no Estado, "há fato

s dominantes", e não apenas o "domínio do fato" sugerido pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470.

Abaixo, nota publicada em sua coluna deste domingo:

ALSTOM

Ou o tucanato paulista tem uma estratégia capaz de causar inveja ao comissariado petista que pretende livrar seus caciques das penitenciárias pelo mensalão, ou está numa tática suicida, jogando o escândalo do propinoduto denunciado pela Siemens para dentro da campanha eleitoral do ano que vem.

Pelas provas, depoimentos e cifras, esse caso ultrapassa, de longe, o mensalão. Ali não há domínio do fato, o que há são fatos dominantes.

Obs. 1 do Falando da Vida  – esse escândalo do PSDB é apenas mais um. Veja aqui como já estão escondendo e aqui alguns dos outros que já ocorreram.

Obs. 2 do Falando da Vida  – os inocentes do Leblon vão continuar ignorando tudo.

Obs. 3 do Falando da Vida – um dia conversaremos sobre José Dirceu. 

A promiscuidade da(s) rede(s) Itaú-Marina

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Meu camarada Antonio Mello, em seu blog, é outro que chama a atenção para essa vergonhosa promiscuidade promovida com a Rede (de cartões de crédito) e a finada rede (assim mesmo, em minúsculas) de Marina Silva.

Incrível, mesmo sendo sabido que a braço-direito de Marina é uma das donas do Itaú, nossa imprensa tenha deixado de ao menos um “ôpa!” de estranheza.

Mello traz, sobre as ideias da Maria Alice Setúbal, integrante agora do círculo íntimo de Marina, trechos de um afiadérrimo artigo do escritor Marcelo Mirisola, no Congresso em Foco, mordaz como nunca sobre as “transversalidades” de Setúbal.

Agora, em Rede com a rede da disruptura de Marina.

A Rede da Marina, a Rede do Itaú, Marina na Rede do Itaú, e Marcelo Mirisola. Ou ‘Caiu na Rede é…trouxa’

Teria sido apenas uma incrível coincidência? Teria sido feito de caso pensado? Quem nasceu primeiro, o ovo (Rede) da Marina ou a galinha (Rede) do Itaú?

Logo após a ex-senadora Marina Silva tentar e não conseguir registrar seu Rede no TSE, o banco Itaú, que tem uma das herdeiras da família Setúbal, Maria Alice Setúbal, como uma das principais apoiadoras da Rede, o banco Itaú, eu dizia, resolveu que seu Redecard passaria a se chamar apenas Rede.

Num notável sincronismo, uma Rede balança a outra, tentando pegar os peixes-otários, os trouxas que somos nós – pelo jeito é o que pensam que somos.

Não vejo chiadeira contra essa tramoia canalha do partido sem registro com o banco sem vergonha, que quanto mais fatura e lucra, mais demite. Ou alguém aí leu alguma declaração de Marina sobre este excesso de Redes?

Para comentar essa miscelânea política, ou melhor, essa promiscuidade safada que nos tenta impingir gato (Rede de Marina) por lebre (Rede do Itaú), fui buscar trechos de um artigo do escritor Marcelo Mirisola, na época comentando outra miscelânea, esta cultural, envolvendo o mesmo banco e a mesma Maria Alice Setúbal.

A nova senzala (transversalidades)

(…) Pois bem, não é de hoje que me chama a atenção a presença constante de dona Maria Alice Setúbal na seção Tendências/Debates, o filé mignon da Folha de S. Paulo. Dona Maria Alice, como indica o nome, é herdeira de Olavo Setúbal, e provavelmente deve ser acionista do banco Itaú. Nos créditos de seus artigos, consta que é doutora em Psicologia e presidente dos conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária da Fundação Tide Setúbal. Seus artigos são redundantes. Ela gosta de usar a palavra “transversalidade”.

(…) sou correntista do banco Itaú, pago altos juros pra dona Maria Alice Setúbal e também sou leitor de suas intervenções na seção Tendências/ Debates da Folha de S. Paulo. Gostaria de acreditar que o jornal ainda não foi absorvido pelo acervo do Instituto Moreira Salles. 

Voltando à dona Maria Alice Setúbal.

O que madame teria de tão importante para acrescentar, tirante suas “transversalidades”, ao debate de ideias, ou, mais especificamente, por que as idéias dela são tão relevantes para desfilar na seção Tendências/ Debates da Folha?

Vou arriscar um diagnóstico.

Os textos de madame costumam ter a marca indelével que conduz do óbvio ao ululante, são como folders, propagandas de condomínio que indicam, ou melhor, cobram o caminho da felicidade, apesar de a felicidade, pobre e acuada felicidade, não ter sido consultada a respeito de tão nobre encaminhamento. Mas uma coisa dona Maria Alice sabe fazer, algo que circula em seu sangue de agiota, ela sabe cobrar.

No seu último artigo, “Novas formas de aprender e ensinar”, publicado no dia 27 de março, dona Maria Alice Setúbal aposta na “inteligência coletiva” que – segundo sua bola de cristal high-tech – está na iminência de ser consumada pela força da revolução tecnológica. Madame não costuma deixar lacunas porque cumpre sua função, repito, que é levar o nada a lugar nenhum com a marca da excelência, como se o mundo fosse uma agência bancária cor-de-laranja protegido por portas giratórias e slogans de publicidade.

Não obstante, dessa vez, madame deu uma vacilada.

Dona Maria Alice Setúbal esquece que o lado de fora não tem ar condicionado. Revolucionária, decreta o fim do ensino linear. Para madame, o ensino da maioria das escolas – que ainda trabalham com aulas expositivas e livros didáticos – não faz mais sentido diante do conhecimento que é “transversal e produzido nas conexões entre várias informações”. Bem, esses conhecimentos ou essas conexões, que eu saiba, só existem e funcionam em sua plenitude nos sistemas de cobrança do banco de madame e na bolsa de valores. No mínimo, dona Maria Alice Setúbal, que se imagina mensageira do futuro, é uma debochada. Convenhamos que a “realidade transversal” que os nossos professores experimentam nas salas de aula têm outros nomes que nem o eufemismo mais engenhoso poderia disfarçar, tais como humilhação, porradaria, salário de merda. Para coroar seu pensamento revolucionário, dona Maria Alice, sentencia: “Essa transversalidade se expressa nas demandas das empresas e nas expectativas dos jovens”.

Que jovens são esses? Aqueles que madame adestra em seus canis cor-de-laranja? Qual a expectativa deles? Telefonar pras nossas casas às sete horas da manhã para nos lembrar que somos devedores do Itaú? Ou a expectativa desses jovens é subir na vida, e virar gerente de banco?

Dona Maria Alice vai além e se entrega, ela acredita que a tecnologia vai produzir “pessoas que saibam resolver problemas, comunicar-se claramente, trabalhar em equipe e de forma colaborativa. Que usem as tecnologias com desenvoltura para selecionar, sistematizar e criticar informações. E que sejam inovadoras e criativas”.

Ora, madame quer empregados que não a incomodem, e encerra seu raciocínio ou exige, de forma impositiva e castradora: “E que sejam inovadoras e criativas”. Não querendo fazer leitura subliminar, nem ser Lacaniano de buteco, mas esse “E que sejam inovadoras e criativas” é de amargar, hein, madame?

O artigo de dona Maria Alice é uma ordem de comando. A voz da dona, a mulher que visivelmente não pode ser contrariada. Difícil ler e não sentir-se um empregadinho dela. Ao mesmo tempo em que ordena “inovação e criatividade”, elimina a possibilidade de reação: “para fazer da tecnologia uma aliada da educação, é preciso vencer o medo do novo e superar a cultura da queixa”. Como se madame dissesse: “Publiquem meu artigo genial, obedeçam, e calem a boca. O futuro é meu, e se eu disser que é coletivo e cor-de-laranja, dá na mesma”.

(…) Eu falava de madame (versão 2013) que diz que samba é coisa de gente elegante. Dessa vez a visita periódica que madame faz à sua cozinha, também conhecida como “Tendências/Debates”, ultrapassou o terror costumeiro, e, no lugar de marcar presença e a

utoridade, madame só fez azedar o cuscuz. Ela devia ser mais discreta, como Olavão, o patriarca, o banqueiro. Não se deve confiar demais na vassalagem (leia-se correntistas e leitores).

No mesmo dia que madame publicou seu artigo, aconteceu uma coincidência reveladora, logo acima do texto de sinhá, no “Painel do leitor”, uma dona de casa, Mara Chagas, reclamava enfurecida da nova lei das empregadas domésticas, e fazia coro – às avessas, mas coro – à mme. Setúbal: “As empregadas domésticas não trabalham aos sábados, não cumprem as oito horas diárias, o serviço tem que ser ensinado (não são mão de obra especializada), almoçam e lancham na casa dos patrões sem cobrança alguma e faltam sem avisar. Como ficará o empregador diante disso?”

Eis a questão.

Pelo menos dona Mara Chagas, a leitora, foi honesta e direta, e não precisou de “transversalidades” para exprimir suas ideias revolucionárias. E o melhor: ela não vai concorrer ao Oscar, e jamais vai se manifestar no “Tendências/ Debates”. Nem ela, nem eu. 

Os inocentes do Leblon

Já foi melhor a qualidade da informação no Brasil? Acho que sim. Já vivemos tempos em que as informações, ainda que sempre tenham sofrido a influência da interpretação de quem dava, mais do que natural, já foram mais confiáveis.

Já houve o tempo dos grandes jornalistas, aqueles que não só escreviam bem como também emprestavam o peso do seu nome à informação prestada. Deu na coluna de…

Não é difícil perceber o empobrecimento atual na formação dos profissionais das diversas áreas. Além do aspecto técnico inerente a cada profissão, a formação sócio/política é um desastre. Os recentes episódios têm mostrado isso com uma clareza assustadora. Há classes que se expuseram tanto que sequer perceberam o desgaste que sofreram diante da sociedade brasileira.

O juramento proferido na ex-solene solenidade de formatura hoje não passa de um protocolo a ser cumprido. Recorro a uma frase de (Oscar) Niemeyer em uma de suas entrevistas: “o sujeito às vezes cresce na profissão, mas não toma conhecimento da vida”.

No jornalismo isso vem se manifestando com muita força.

A guerra da política nunca foi das coisas mais puras do mundo, mas, mesmo quando atingia níveis de maior agressividade, geralmente havia uma inegável qualidade no contexto geral.

Já houve maior consciência política? Talvez não seja tão simples responder a essa pergunta. Ao mesmo tempo, entretanto, não parece ser difícil perceber que o nível de discernimento não é entusiasmante no atual momento.

Se o eleitor é reflexo da classe política (ou é o contrário?), talvez o leitor seja reflexo da classe jornalística (ou também é o contrário?).

É difícil entender e aceitar a passividade (alienação?) de boa parte da sociedade brasileira. Será que esses leitores/telespectadores não percebem o quanto são manipulados pela imprensa, ainda que parte dela apresente cada vez menos recursos intelectuais para isso?

Maior humorista do Brasil, o cearense Chico Anísio sempre fez a apologia do carioca.

Para ele carioca não era só o cara que nascia no Rio de Janeiro, mas sim o que tinha o espírito do carioca; despojado, curtidor, gozador. E aí, com todo o seu talento, seguia arrebentando nos shows. Imperdíveis.

Acho que Carlos Drummond de Andrade também pensava assim. Veja o que ele diz.

Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblon

não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

Trouxe imigrantes?

Trouxe um grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente, e há um óleo suave

que eles passam nas costas, e esquecem.

Os inocentes do Leblon não são só os que vivem naquele bairro do Rio. Os inocentes do Leblon vivem em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Natal, Florianópolis, Salvador…

A sutileza do poeta muitas vezes é uma arma letal. Quando se trata de Drummond, então. O que será que ele quis dizer com inocentes?

Veja Drummond por Chico.

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O pragmático marido da programática Marina

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Uma das frases mais divertidas da semana vem do marido de Marina, Fábio. Foi o triunfo do pragmatismo contra o programatismo, para usar uma empressão que a mulher de Fábio tem repetido à exaustão.

“Vou pedir demissão não”, escreveu Fábio  no Facebook. Aos 51 anos, Fábio tem um bom cargo no governo do petista de Tião Viana, no Acre. Poucos dias antes, também no Facebook, um líder petista no Acre perguntara a Fábio se ele não ia largar o “empregão” num partido que, segundo sua mulher, é “chavista” e foi vital no processo de negação de registro para a Rede de Sustentabilidade.

Pragmaticamente, Fábio disse que fica. E programaticamente alegou que o PT no Acre é ainda “sonhador”, ao contrário do PT nacional.

É um episódio quase anedótico, mas que cresce em importância nas revelações que traz com ele. Primeiro, mostra como é difícil separar o programatismo do pragmatismo, por mais que no plano da retórica Marina venha fazendo portentosos esforços nisso.

Segundo, leva a uma pergunta: como a grande mídia pôde ser tão incompetente num assunto que, afinal, está ligado às eleições presidenciais de 2014?

Jornais, revistas, telejornais, rádios, tudo isso com exércitos copiosos de repórteres e editores – ninguém deu a informação de que o marido de Marina trabalha no PT. A origem da notícia está no Facebook.

A imprensa local deu primeiro, já há alguns dias. O paradoxo da família permaneceu ignorado da grande mídia, até que uma notinha apareceu. Num comportamento bovino, todo mundo correu atrás – com notável lentidão.

Enfim, esta é a nossa grande mídia, aspas.

Nos próximos dias, vai ser curioso ver a explicação que Marina dá entre programatismo e pragmatismo quando se trata de seu próprio lar.

Joaquim Barbosa apronta… outra vez

PML: Joaquim Barbosa fala uma coisa e faz outra 

Paulo Moreira Leite questiona a relação entre o presidente do STF, Joaquim Barbosa, que tanto criticou o "conluio" entre juízes e advogados, com o escritório de Carlos Siqueira Castro; "Como acontece com a biografia de todo mundo, existe uma diferença notável entre aquilo que a pessoa diz e aquilo que faz", diz ele

Brasil 247

O jornalista Paulo Moreira Leite, da revista Istoé, publica, nesta semana, uma coluna em que aponta incoerências na biografia de Joaquim Barbosa. Leia abaixo:

Jantares de Joaquim Barbosa

Como acontece com a biografia de todo mundo, existe uma diferença notável entre aquilo que a pessoa diz e aquilo que faz

Não por acaso, nos dias de hoje o Brasil debate a postura de biografados de prestígio que se acham no direito de romper a garantia constitucional que protege a liberdade de expressão para garantir o privilégio de proibir a divulgação de narrativas que não consideram convenientes.

Em seu esforço para firmar autoridade como um magistrado acima de toda suspeita, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, é um crítico permanente do que chama de “conluio” entre juízes e advogados. É uma crítica que tem fundamento.

Nós sabemos que a Justiça brasileira é alvo frequente de escritórios de advogados poderosos, capazes de obter, em contatos diretos com o Judiciário, sentenças favoráveis que costumam ser negadas ao cidadão comum. Evitar esses contatos pode ser uma postura prudente e até razoável. 

O fato é que, no último fim de semana, o presidente do STF compareceu a um jantar, no Rio de Janeiro, promovido pelo advogado Carlos Siqueira Castro, um dos mais prestigiados da República, com várias causas no STF e grandes empresas em sua carteira de clientes. Não era um evento qualquer. Siqueira Castro homenageava Jean Louis Debré, presidente do Conselho Constitucional da República Francesa.

Consultada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a assessoria do ministro admitiu o encontro mas ressalvou que o presidente do STF não julga casos de interesse de Siqueira Castro. Era informação de biografia autorizada, na verdade.

Como demonstrou o site Brasil247, há dezenas de casos do escritório de Siqueira Castro que foram examinados pelo presidente do STF. Há outra novidade — e essa informação está sendo divulgada por aqui pela primeira vez. 

Pelo menos num desses casos, o recurso extraordinário de número 703.889 Rio de Janeiro, Siqueira Castro recebeu uma sentença favorável de Joaquim. Não é um caso antigo. Joaquim Barbosa assinou a sentença em 16 de novembro de 2012. 

Naquela época, o julgamento da ação penal 470 já era história. Os réus estavam condenados e os ministros debatiam se o STF teria o direito de determinar a cassação imediata dos parlamentares condenados – ou se era preciso respeitar o artigo 55 da Constituição, que define que a última palavra cabe ao Congresso.

Não tenho a menor condição de avaliar se a sentença de Joaquim para o recurso 703.889 Rio de Janeiro foi correta ou não. Nem é o caso. Tampouco me cabe especular sobre a influência que sua relação próxima com Siqueira Castro, que vem dos tempos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, teria algo a ver com isso. Seria absurdo. 

Mas pode-se discutir algumas questões. Primeiro, é curioso saber por que a assessoria de Joaquim disse a Folha que o presidente do STF não tinha casos de Siqueira Castro em seu gabinete. É um pouco mais grave quando se descobre que há menos de ano dali saiu uma sentença favorável ao advogado.

Não custa lembrar outro aspecto. Casos da história STF ensinam que, em qualquer época, sob qualquer gestão, as relações entre advogados e um presidente do STF também tem uma relevância particular. Além de dar ou não uma sentença favorável, o presidente da corte tem o poder de pautar um caso, definir a agenda e definir quando será levado a voto. 

Se o advogado tem interesse em manter tudo como está, o assunto não entra em debate e a sentença pode levar anos. Se há interesse em abrir uma discussão que pode ter desfecho favorável, cabe ao presidente colocar o tema no plenário. Neste caso, a interferência do presidente é muito eficaz mas nem um pouco visível. 

É possível também cabe discutir o papel dos jantares na ação penal 470, que transformou Joaquim Barbosa na personalidade pública que é hoje. 

Quem se recorda do julgamento da ação penal 470 sabe da importância adquirida por um jantar num hotel de Belo Horizonte, que reuniu o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e Kátia Rabello, presidente do Banco Rural.

No esforço para sustentar que Dirceu estava envolvido diretamente em tratativas de interesse de Marcos Valério e do Banco Rural, dado importante para sustentar a tese de que era o “chefe de quadrilha”, este jantar serviu como um momento-chave da denuncia do ministério público.

Jamais surgiram testemunhas de primeira mão do encontro. Nunca se esclareceu o que foi dito ou discutido naquela noite. Ficaram suspeitas, insinuações, diálogos imaginados mas jamais explicados nem confirmados. Ainda assim, o jantar foi um elemento importante para acusar e condenar Dirceu.

No julgamento, Joaquim Barbosa declarou: "Embora Kátia Rabello e José Dirceu admitiram não ter tratado do esquema, é imprescindível atentar para que não se trata de fato isolado, de meras reuniões entre dirigentes do banco e ministro da Casa Civil, mas de encontros ocorridos no mesmo contexto a que se dedicava a lavagem de dinheiro o grupo criminoso apontado na denúncia, com utilização de mecanismos fraudulentos para encobrir o caráter desses mútuos [empréstimos] fictícios", disse o relator.

Resumindo: não havia provas contra Dirceu nem contra Katia Rabello. Mas Joaquim Barbosa disse que era preciso colocar o jantar no “contexto.”

Curioso, não?

Olhe que maravilha

– Ei, você aí. Sim, você mesmo. Vou ser sincero, gosto de jogo aberto. Você tem um defeito insuportável.
 
– Meu amigo, nem lhe conheço direito.
 
– Mas eu lhe conheço muito bem. Você é petista, não é?
 
– Sou sim, mas…
 
– Você faz parte de uma raça insuportável. Sub-raça.
 
Cada dia me convenço mais de que é assim. Não tem outra explicação. 
 
Estou quase chegando ao ponto de elogiar Jorge Bornhausen. Calma, não me xingue. Vou tentar explicar. 
 
Foi ele quem disse há poucos anos; “Vamos acabar com essa raça.” Claro, referia-se ao PT.
 
Por que, num gesto inexplicável, indefensável, incompreensível, injustificável, vejo-me quase chegando ao ponto de elogiar Jorge Bornhausen?
 
Porque, foi o único que assumiu e disse o que alguns milhões de pessoas pensam e querem fazer com o PT; acabar com ele.
 
O mensalão do PT foi julgado da forma que foi. Alguns ministros fizeram de tudo. Um deles, a ministra Carmen Lúcia, disse que não havia provas para condenar, mas a literatura permitia que condenasse (será que alguém entendeu?). 
 
Juristas de direita, como é o caso de Ives Gandra, dizem abertamente que não há provas contra José Dirceu. As provas que inocentam alguns réus estão sob segredo de justiça (algumas estão no Inquérito 2474, sob a toga de Joaquim Barbosa). Gilmar Mendes sai dos autos, faz discurso politizado, aberto, escancarado, contra o PT.
 
Não se sabe se o mensalão do PSDB, anterior ao do PT, vai ser julgado e parte dele está para ser prescrita.
 
Vamos esquecer esse? 
 
Certo, combinado. Mas você está lembrado que existe outro mensalão do PSDB, que está sendo mostrado (ainda que a mídia faça de tudo para esconder), está aí, acontecendo agora, hoje, nesta hora, neste minuto, com as provas cedidas pelas próprias empresas que corromperam?
 
O PSDB diz que não tem nada a ver com ele. Novas provas; vamos investigar, doa a quem doer. Novas provas, vamos investigar; CPI barrada por Geraldo Alckmin. Novas provas; agora é tolerância zero (dito pelo PSDB). E por aí vai… 
 
Agora surge essa. Olhe que maravilha e veja se estou errado.
 
Procurador falha e Suíça arquiva caso Alstom
 
 
Procuradores suíços arquivaram o caso de três acusados de pagar propina a funcionários públicos e políticos do PSDB em negócios que envolvem a multinacional francesa no Brasil; motivo: falta de colaboração do Ministério Público, que não atendeu a pedidos da Suíça para investigar quatro suspeitos, entre eles o ex-diretor da CPTM João Roberto Zaniboni, acusado de receber R$ 1,84 milhão da Alstom; a justificativa do procurador da República Rodrigo de Grandis (foto), responsável pela ação: pedido arquivado na pasta errada; que vexame 
 
 
Por falta de colaboração do Ministério Público brasileiro, procuradores da Suíça responsáveis por investigar os negócios da empresa Alstom arquivaram o caso de três suspeitos de ter feito pagamento de propina a funcionários de órgãos públicos no País e a políticos do PSDB.
 
As autoridades suíças pediram para que os colegas brasileiros interrogassem e investigassem a vida financeira de quatro pessoas, entre eles o ex-diretor da CPTM João Roberto Zaniboni, acusado de ter recebido US$ 836 mil, cerca de R$ 1,84 milhão, informa reportagem da Folha de S.Paulo.
 
Os procuradores suíços pediram que outros três suspeitos de trabalhar como intermediários no pagamento de propina, inclusive a Zaniboni, fossem interrogados: Arthur Teixeira, Sérgio Teixeira e José Amaro Pinto Ramos. Mas nenhum pedido foi atendido pelos procuradores brasileiros.
 
Justificativa
 
A resposta do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso da multinacional francesa no Brasil, foi a de que houve uma "falha administrativa" no gabinete da Procuradoria da República em São Paulo. Simples: arquivaram o pedido da procuradoria suíça numa pasta errada.
 
De acordo com informações do gabinete de Grandis, o pedido dos procuradores suíços só foi encontrado na última quinta-feira. Sendo guardado numa pasta de arquivo, o pedido ficou esquecido por dois anos e oito meses. As autoridades brasileiras souberam das solicitações esquecidas apenas nesta semana. 

Eduardo Campos; o esperto bobo?

 
Mídia rifa Campos; quem manda é Marina

Por Miguel do Rosário, no Tijolaço

A elite paulista e sua mídia já rifou Eduardo Campos. A candidata do PSB é Marina Silva. Se ainda havia alguma esperança para Campos, ela morreu na última pesquisa do Ibope.

 

Com 21% das intenções de voto, contra apenas 10% de Campos, a nova companheira de Heráclito Fortes engoliu o ex-amigo de Ronaldo Caiado. É possível que ele já soubesse disso, e que tudo já tenha sido armado lá em cima, numa cobertura da avenida paulista.

Mas como o poder é um vício que só se larga com tratamento de choque, a mídia decidiu dar umas pancadas eventuais em Campos apenas para deixar bem claro, para ele e seu partido, que a queridinha da Casa Grande, a intocável, é Marina Silva.

Nada muito forte para não respingar nela, mas o suficiente para mostrar ao distinto público que a “vanguarda” é ela. Campos é mais um desses políticos da velha guarda que andam de “jatinho” com dinheiro do povo.
 

Marina é mais chique, voa com dinheiro do Itaú. 

IBOPE: Dilma ganha no 1º turno em qualquer cenário

 

Ibope desengana Aécio e Campos
 
Por Fernando Brito, no Tijolaço

 
Acabou a lenda.
 
A pesquisa Ibope, divulgada agora há pouco é o início do fim da candidatura Aécio Neves. E a morte neo-natal da candidatura Eduardo Campos.
 
A movimentação de Serra, registrada hoje até mesmo pela Folha  (confira aqui), não é gratuita.
 
Aécio desmilinguiu-se. Retornou, e olhe lá, à sua condição de líder regional.
 
É a crua marcha da realidade se impondo sobre o marketing.
 
Não importa quantas versões ou fantasias costure: Serra é a candidatura mais densa e musculosa do capital financeiro.
 
Marina vai retornando à sua condição de faits-divers, destinada a, além do que puder arrebanhar com o eleitorado evangélico, alimentar o “purismo” descomprometido de uma classe média que pensa a política como um jogo de etiqueta, e não como a luta cruenta de vida ou morte dos povos pela sua libertação.
 
A eleição de 2014 vai ser parecida com a de 2010, provavelmente até mesmo nos candidatos que a ela se apresentarão. E, reparem, também será idêntica nas explorações, baixarias, uso da fé religiosa, golpes e armações.
 
E assim será porque o que está em jogo é o mesmo que estava sobre o tabuleiro há quase quatro anos atrás: a manutenção do nosso país num caminho de afirmação de sua natureza, de sua soberania, de sua identidade e de um futuro à altura daquele de uma nação de dimensões continentais como esta pode aspirar.

Aguardemos que se divulguem os números da prometida pesquisa sobre a relação entre os votos dos candidatos e seus “padrinhos” políticos: Dilma com Lula, FHC com Serra e Marina com Campos, embora neste caso como já disse a relação não seja madrinha, mas de madrasta. 

Marina e Itaú, juntos, sem pudor

 
Itaú lança a Rede para embalar a candidatura Marina
 
Por Fernando Brito, no Tijolaço
 
Quando você pensa que já viu de tudo, a política brasileira mostra que vai além da mais criativa imaginação.
 
E da mais absurda cara-de-pau.
 
A Redecard, de operadora de cartões de crédito de  propriedade do Itaú – cuja herdeira, Maria Alice Setúbal, é braço direito de Marina Silva, mudou seu nome para…Rede!
 
Vejam que maravilha: a Rede de Marina Silva não tem direito aos míseros segundos de propaganda eleitoral, mas passou a ter a possibilidade de ter seu nome veiculado, farta e remuneradamente, pelo Itaú.
 
O espectador verá a Rede, com ou sem decisão do TSE.
 
É obvio que os altos dirigentes do Itaú participaram desta decisão e não são idiotas que não percebessem a implicação da identidade do nome com a Rede Sustentabilidade e com a “patroa” amiga de Marina.
 
Se isso saiu, saiu com sinal verde – sem trocadilhos – da outra Rede.
 
O diretor da empresa que “criou” a marca Rede, Milton Maluhy Filho, explica, candidamente, a razão:
 
“Rede remete à tecnologia, agilidade e modernidade ao mesmo tempo em que cria para a marca uma personalidade jovem e conectada. Uma Rede que conecta pessoas e empresas, mudando a experiência de consumo”, afirmou o executivo, em comunicado oficial.
 
Qualquer semelhança com o discurso marinista será mera coincidência?
 
Marina, graças a isso, será não apenas a candidata do banco, mas o próprio banco em campanha.
 
Nem com Fernando Henrique a caradura era tanta.
 
Em lugar de Banco do Brasil, temos o “Brasil do Banco”.
 
Com o Itaú garantindo a Sustentabilidade da Rede.
 
E os brasileiros pagando a fatura.