Propina da Alstom ajudou a bancar reeleição de Fernando Henrique Cardoso

Os R$ 3 milhões arrecadados por Andrea Matarazzo foram usados na contabilidade paralela do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na disputa presidencial de 1998; planilha com o caixa dois foi montada pelo ex-tesoureiro de campanha Luiz Carlos Bresser Pereira, que confirmou o papel de Matarazzo na arrecadação extraoficial; informações fazem parte de denúncias publicadas por (pasmem) a revista Veja e a Folha de S. Paulo; áulicos do PSDB, como Reinaldo Azevedo, se esforçam para dizer que Matarazzo não tinha o "domínio do fato"; para FHC, PT e PSDB não são "farinha do mesmo saco" 

Brasil 247

O arquivo digital de publicações como Folha de S. Paulo e a própria Veja permite juntar os pontos e conectar as propinas pagas pela Alstom no Brasil ao caixa dois da campanha presidencial do PSDB em 1998, que reelegeu Fernando Henrique Cardoso. Nessa trama, um dos personagens centrais é o vereador Andrea Matarazzo, que foi recentemente indiciado pela Polícia Federal, mas alega inocência e vem sendo ardorosamente defendido por áulicos do PSDB, como o blogueiro Reinaldo Azevedo.

Matarazzo desponta nesse jogo numa reportagem da Folha de S. Paulo de 12 de novembro de 2000, assinada pelos jornalistas Wladimir Gramacho e Andrea Michael. "Documento revela doações não registradas para a campanha de FHC", diz o título do texto, que foi uma das manchetes principais da Folha naquele dia (leia aqui a íntegra).

Segundo a reportagem, pelo menos R$ 10,1 milhões não foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral. E as informações vinham de uma planilha feita pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que foi o tesoureiro das duas campanhas presidenciais de FHC.

Dos R$ 10,1 milhões, a maior parte, segundo a planilha de Bresser Pereira, havia sido arrecadada por Matarazzo. Eis o que diz a reportagem:

 A maior doação não declarada ao TSE, de R$ 3 milhões, é atribuída pela planilha ao hoje ministro Andrea Matarazzo, da Secretaria de Comunicação da Presidência. Dinheiro sem procedência nem destino conhecidos, de acordo com o documento.

"Não pode ser. Não conheço a planilha. Não tenho idéia. Muito menos valores desse tamanho", reagiu Matarazzo. "Eu não fui arrecadador. Não me ponha como arrecadador. Fiz alguns jantares com empresários. E só", rebateu o ministro.

Seus colegas de campanha dizem coisa diferente. "O Andrea também foi (arrecadador), no começo", lembra Bresser. "Havia uma certa competição, talvez em função da vontade dele de ir para Brasília", conta o publicitário Luiz Fernando Furquim, outro coletor.

Ou seja: embora Matarazzo tenha negado agir como arrecadador, seu papel nesse trabalho de levantar recursos foi confirmado pelo próprio Bresser Pereira e pelo publicitário Luiz Fernando Furquim.

Diante da gravidade da denúncia da Folha, a própria Veja decidiu repercutir o caso. E o fez numa reportagem do jornalista Alexandre Oltramari, de 22 de novembro de 2000.

No texto "O caixa dois de volta à luz", Veja não fez contorcionismos retóricos para negar o caixa dois na campanha de FHC – uma vez que o próprio tesoureiro de campanha, Bresser Pereira, o confirmara. O que Veja fez foi afirmar que outros partidos, como o PT, subestimaram os seus gastos (leia aqui a íntegra)

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A reportagem de Oltramari não poupa Andrea Matarazzo, acusado de mentir à revista. Eis um trecho da reportagem, a partir do subtítulo autoexplicativo "Que teve, teve":

 Que teve, teve – Num primeiro momento, os tucanos, atingidos pela denúncia, ensaiaram uma versão de que a planilha do caixa dois podia não ser verdadeira. Após receber um telefonema de Fernando Henrique, no qual o presidente demonstrava preocupação com a notícia, Bresser Pereira tentou explicar-se. Admitiu ser o dono da planilha e contou que seu irmão, Sérgio Luiz, o ajudou no trabalho, porém afirmou que ela foi alterada. "Eu montei uma planilha, mas abandonei o sistema depois de dois meses porque não funcionava", disse o ex-ministro. "Não houve gastos nem receitas que não foram contabilizados. Não sei explicar de onde saiu isso." A ordem no Planalto era para que ninguém no governo comentasse o assunto. No apartamento de Bresser, em São Paulo, os empregados avisavam aos jornalistas que ele viajara para os Estados Unidos. O ministro Andrea Matarazzo, que aparece na lista do "por fora" com uma doação de 3 milhões de reais, mandou seus assessores dizer que tinha ido para a fazenda e estava "incomunicável". Puro teatro. Nem Bresser havia embarcado para os Estados Unidos nem Matarazzo estava "incomunicável".

 No final da semana, ninguém tinha mais dúvida de que a planilha revelava o caixa dois da campanha. Além de Bresser Pereira, outras duas pessoas tinham acesso à contabilidade da campanha de Fernando Henrique: o ex-presidente dos Correios Egydio Bianchi e Adroaldo Wolf. Em conversa com VEJA, um deles admitiu que a campanha, de fato, usou a contabilidade paralela. "Que teve uma contabilidade paralela, eu não tenho dúvida. O que eu não sei é se desviaram o dinheiro ou se não declararam para proteger a identidade do doador", diz um dos tesoureiros. Na quarta-feira passada, falando de seu apartamento em São Paulo, Bresser desabafou: "Não posso ser responsabilizado por tudo que ocorreu de alto a baixo na campanha", disse. "Se alguém recebeu dinheiro e não registrou, como eu posso saber?" Entre os tucanos, o nome de Egydio Bianchi, que entrou no governo pelas mãos do ex-ministro Sergio Motta, circulava como o principal suspeito de ter vazado as planilhas com o caixa dois da campanha. Demitido dos Correios há quatro meses pelo ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, Bianchi saiu atirando. Chegou a ter um encontro com Fernando Henrique no qual torpedeou a administração de Pimenta da Veiga e prometeu entregar um dossiê com acusações.

Em 2008, depois que eclodiu o escândalo internacional das propinas da Alstom, pela primeira vez, a imprensa brasileira associou a multincional francesa a doações de campanha para o PSDB. Isso foi feito na reportagem "Caixa dois de FHC citava empresas da Alstom", de José Ernesto Credendio, Mario Cesar Carvalho e Andrea Michael (leia aqui a íntegra). Leia aqui um trecho:

 Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.

As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo.

 Porém, não era atribuída à Cegelec e à ABB nenhuma meta de arrecadação. A planilha também não informa se elas deram dinheiro ao PSDB. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), justamente uma das principais clientes da Alstom.

Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça, dizem que seriam pagas "comissões" para obter negócios com o governo paulista.

Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris diz e

star disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo.

A Alstom comprou a Cegelec justamente naquele ano.

Os papéis citam que a comissão seria dividida entre "as finanças do partido", "o tribunal de contas" e "a Secretaria de Energia". A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.

Por essas e outras razões, Andrea Matarazzo foi indiciado pela Polícia Federal, que usou, inclusive, a teoria do domínio do fato para incriminá-lo. Os indícios são mais do que veementes e conectam as propinas da Alstom ao caixa dois da campanha de FHC, que foi admitido pelo próprio tesoureiro Bresser Pereira.

No entanto, num post publicado ontem, o blogueiro Reinaldo Azevedo dá mais um piti em defesa de Matarazzo (leia aqui). Puro desespero.

Luis Fernando Veríssimo: Fernando Henrique Cardoso atrasou o Brasil

Por Ronaldo Souza

Antes de tudo, tímido, muito tímido.

Essa sua reconhecida timidez faz com que dê poucas entrevistas. Além disso, segundo ele próprio, não se comunica bem.

Acima de tudo, elegante, muito elegante, sempre. Estilo que lhe permite fazer críticas sem sequer elevar o tom da voz. Um jeito muito pessoal de dar mais consistência às críticas.

Um homem admirável, um intelectual que se fez respeitar e por isso é respeitado.

Muito melhor ve-lo e ouvi-lo. Não postei aqui a primeira parte da entrevista, mas deixo o link: http://www.youtube.com/watch?v=vxf5979Pmhw

Observe no primeiro vídeo a pergunta de Kennedy Alencar aos 12’53 e a resposta de Veríssimo.

[[youtube?id=VoGlZkPmRHU]]

[[youtube?id=6AAhqdZyYQc]] 

Globo tenta barrar CPI

Por Flávio Luiz Sartori em seu blog

Ataque da revista Época e da família Marinho ao PMDB tem o objetivo de intimidar o partido para que ele não apoie a instalação de uma CPI que investigue a sonegação fiscal da Rede Globo

Na democracia sonhada por Ulisses Guimarães, a mídia jamais deveria estar nas mãos de meia dúzia de famílias comprometidas com o interesse das oligarquias do atraso, aliás, como hoje são as “Globos da vida.”

Ontem, sexta feira (09/08), o Deputado Federal Protógenes Queiroz afirmou que vai apresentar uma cópia do processo que apura denúncias de sonegação fiscal contra a Rede Globo, que é ré em um processo que exige o pagamento de R$ 615 milhões em impostos, juros e multa por suspeita de sonegação fiscal na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

Protógenes revelou que deve terminar de recolher as assinaturas necessárias para protocolar o pedido na Mesa Diretora da Câmara para que seja criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, contra a Rede Globo e também contra a família Marinho, até a próxima segunda-feira (12/08).

Se Protógenes esta tão próximo ou até mesmo já teria conseguido as assinaturas para que uma CPI dessa envergadura possa começar a funcionar, a notícia não é boa para os irmãos Marinhos.

Para os irmãos Marinhos será necessário mais do que nunca tentar impedir de todas as formas que esta CPI vá para frente, ainda mais neste momento em que a opinião pública esta cada vez mais informada, principalmente pela Internet, sobre todas as principais questões que são debatidas no dia a dia do Brasil, dentre as quais uma das principais é esta denúncia contra a Rede Globo por sonegação fiscal, que inclusive já foi até objeto de manifestações populares. O andamento desta CPI deverá ter reflexos na mídia desnudando a obscura história de como a Rede Globo foi constituída e também os negócios escusos da chamada “Vênus Platinada”, o que inevitavelmente deverá se tornar muito mais públicos do que é hoje, provocando um questionamento com muito mais repercussão na opinião pública sobre a própria concessão do estado brasileiro para funcionamento da Rede Globo.

Nesse caso, o PMDB, que comanda a Câmara dos Deputados e também o Senado será peça fundamental no desfecho que poderá ter esta CPI contra a Rede Globo e a família Marinho.

Assim, se pensarmos bem, a primeiro partido político que deverá sofrer pressão, no sentido de uma tentativa da Rede Globo de impedir que esta CPI exista, obviamente que é o PMDB.

A matéria publicada hoje (10/08) pela Revista Época, também de propriedade da família Marinho, com falsas acusações contra o PMDB, de que o partido teria recebido recursos financeiros de construtoras em negócios envolvendo a Petrobrás é fantasiosa, conforme já deixou muito bem claro a nota da direção nacional do PMDB assinada pela presidência.

A família Marinho está cada vez mais acuada e vai tentar impedir uma CPI de qualquer forma e as acusações contra o PMDB fazem parte deste jogo, na realidade são uma tentativa de chantagem.

O PMDB foi fundamental na derrubada do Regime Militar, que aliás, todos sabemos tinha como um de seus principais aliados a Rede Globo. A tentativa de intimidação da família Marinho, que comanda a Rede Globo desde a origem da emissora é uma afronta ao PMDB, que atinge a militância do partido e também todos os brasileiros que lutam contra a utilização da mídia para fins de interesses partidários e ideológicos, aliás, como a Globo tem feito desde sua origem.

Trensalão atropela o PSDB

Imagem retirada do blog Conversa Afiada

Por Ronaldo Souza

Já dizia Nietzsche que “não existe verdade absoluta, apenas interpretações da realidade condicionadas ao ponto de vista de quem as propõe”.

Se havia alguma dúvida quanto a isso, não há mais. Vamos lá.

Todas as denúncias, todas, sem exceção, com relação ao PT são taxadas de imediato de corrupção. Os políticos do próprio PSDB, particularmente tipos como Álvaro Dias, Sérgio Guerra, Serra, atacam impiedosamente. Até aí se pode dizer que é aceitável, afinal o jogo político é pesado.

Inaceitável é a imprensa fazer o mesmo jogo. Todos sabem que a grande (?) mídia brasileira tem partido e ele se chama PSDB, mas, entrar no jogo da forma como tem feito é absurdo condenável sob todos os aspectos.

Para citar só alguns, sem denúncia ou com denúncia Arnaldo Jabor, Merval Pereira (Globo), Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo (Veja) só tratam o PT como bandidos, corruptos, ladrões, chefes de quadrilha…

Como dito, muitas eram só denúncias que inclusive não foram comprovadas depois. O desejo era somente “destruir” o PT.

É natural que aqueles que só vêem a Globo e só lêem a Veja não fazem a menor ideia do que é o PSDB, mas não vamos perder tempo com isso. Vamos somente aos últimos acontecimentos.

Chegou o trem da alegria, o trem bola (não confundir com trem bala)

Vamos chama-las por enquanto de denúncias e vamos entender de onde vieram. As denúncias vieram da SIEMENS. Foi a empresa que pagou as propinas quem denunciou o esquema.

Flagrada em esquemas pesados de propina em alguns países, a SIEMENS resolveu fazer uma limpeza nela própria. No Brasil fez um acordo de delação premiada, ou seja, ao entregar os DOCUMENTOS que mostram o suborno e os subornados (corrupção e corruptos), ela teria benefícios na punição que sofreria (veja aqui, aqui, aqui e aqui).

Gente, para resumir; quem corrompeu está mostrando os documentos de quem ela corrompeu. Não são denúncias, são os documentos.

Vou trazer Nietzsche lá de cima para mostrar que ele está coberto de razão: “não existe verdade absoluta, apenas interpretações da realidade condicionadas ao ponto de vista de quem as propõe”.

Como interpretou a nossa digna e isenta imprensa?

Diante das denúncias contra o PT, a ira, os xingamentos, as insultas, a ofensa, a destruição de pessoas e suas famílias, o julgamento impiedoso e a condenação ao inferno. Como Lula não sabia? Como Genoíno não sabia?

Diante dos documentos contra o PSDB, a Folha faz um editorial sugerindo “dupla cautela” ao público no apontar os corruptos. Pela cautela recomendada, jornalistas dizem que “há evidências fo

rtes (como e-mails em que aparecem nomes como o de Serra), mas não são provas”. Muito interessante.

Onde estão Arnaldo Jabor, Merval Pereira, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo e os demais? Por que e como baixou neles tão de repente essa serenidade da dupla cautela diante não de simples denúncias, mas dos documentos que mostram a corrupção, que eles chamam de evidências fortes?

Alckmin, Serra, Matarazzo e os outros membros do PSDB envolvidos na corrupção também serão chamados de bandidos, corruptos, ladrões, chefes de quadrilha…?

É claro que não podia faltar o depoimento sempre sereno, equilibrado, indignado dele, Fernando Henrique Cardoso. Do alto da sua costumeira arrogância, ele diz: “não temos nada com isso, não somos farinha do mesmo saco”, numa alusão direta ao PT. Como tantas outras, uma pérola. Logo ele que disse inúmeras vezes que Lula tinha que saber o que estava acontecendo no mensalão, assume o discurso do “nos roubaram por dezenove anos e nós nunca desconfiamos de nada”.

Não, não adianta. A imprensa vai tentar abafar (tentou esconder, mas não conseguiu), vai criar algum escândalo para desviar o foco, mas é irreversível.

Irreversível não é a condenação do PSDB. Pelo contrário, acho que nada vai acontecer com o partido. Quer um exemplo? A Polícia Federal indiciou Andrea Matarazzo (homem forte do PSDB que aparece no propinoduto e também arrecadando dinheiro para campanhas do partido, inclusive a de Fernando Henrique Cardoso para a presidência). O Ministério Público Federal já arquivou o processo. O que? Não ouvi direito. Ah, sim. Investigação? Para que? Arquive-se.

Irreversível é a condenação moral do partido que se dizia o paladino da moral e da dignidade.

Segundo a IstoÉ, que foi quem denunciou e vem comprovando o escândalo da corrupção do PSDB, a essa altura não há mais dúvidas de que Alckmin e Serra sabiam de tudo. Por mais que tentem mostrar o contrário ou inventar CPI de outras coisas para desviar o foco.

Vazou uma reunião de Serra (chamado de Cerra no vídeo, como alguns o chamam) com a cúpula do PSDB no YouTube e ele estava irado. Veja o vídeo.

[[youtube?id=BfTy1SEe-vQ]] 

A Globo se complica cada vez mais

Uma parábola de Delaware

Por Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho

Houve um dia uma empresa de mídia, sediada num país tropical, que abriu uma corporação conforme as leis de Delaware, nos EUA, um conhecido paraíso fiscal. O endereço: ruas dos Laranjas, 171.

A partir dessa empresa, operava e controlava serviços de TV paga em toda a América Latina. Com algumas vantagens: não pagava impostos no país tropical; não pagava impostos em nenhuma nação latino-americana; e também não pagava impostos nos EUA, porque operava “fantasmagoricamente” num estado conhecido por ser um paraíso fiscal.

Entretanto, como diz Bezerra da Silva, “malandro demais, vira bicho”, e a empresa, aproveitando-se de sua sólida reputação no país tropical, correu a praça norte-americana pedindo grandes empréstimos. Consta que arrecadou quase US$ 2 bilhões.

Era o melhor dos mundos! Até que… em 2002, houve uma eleição no país tropical. A empresa apostou pesadamente no candidato que perdeu. Teria usado o dinheiro que pegou emprestado nessa aposta? Talvez. O mais provável, todavia, é que tenha apostado que seu candidato lhe ajudaria a criar um marco regulatório favorável a si mesma, como já tinha feito tantas vezes no país.

Os resultados da eleição foram divulgados no dia 27 de outubro de 2002. No dia 28 de outubro, a emissora pede moratória de todas suas dívidas no exterior. A empresa pediu desculpas e disse que não podia pagar. Os credores, estupefatos com o beiço, entraram com uma ação de concordata compulsória.

A empresa se defendeu dizendo que não tinha negócios, dinheiro ou propriedades nos EUA e então não se enquadrava na lei de concordata dos EUA. Ganhou em primeira instância.

Os credores apelaram. Dissera que a empresa do país tropical tinha sim negócios nos EUA: havia aberto uma empresa em Delaware, através da qual controlava ou participava de firmas, também em Delaware, que prestavam serviços de TV paga na América Latina. E além disso, uma empresa que capta US$ 2 bilhões na praça não pode alegar que “não tem propriedades”.

O juiz aceitou o argumento dos credores e restaurou o processo de concordata. Estamos em novembro de 2004.

O resto da história promete emoções.

IstoÉ: Alckmin e Serra sabiam de tudo no metrô

 

Revista que vem capitaneando as denúncias sobre o esquema de corrupção na compra de trens da Siemens e da Alstom publica documentos revelando que tanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como seu antecessor, José Serra, foram alertados sobre as irregularidades; Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado dispararam alertas sobre as fraudes; propinas também atingem o poderoso setor elétrico paulista

Brasil 247

Reportagem da revista Istoé que acaba de ser publicada traz documentos apontando que tanto o governador Geraldo Alckmin como seu antecessor José Serra foram alertados sobre todas as irregularidades no metrô de São Paulo. Leia abaixo:

E eles ainda dizem que não sabiam de nada

Documentos do tribunal de contas e do ministro público revelam que há cinco anos os tucanos paulistas foram alertados sobre as irregularidades no metrô e trens de São Paulo

Por Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas

Desde a eclosão do escândalo de pagamento de propina e superfaturamento nos contratos da área de transporte sobre trilhos que atravessou os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos paulistas têm assumido o comportamento de outra ave, o avestruz. Reza a crença popular que, ao menor sinal de perigo, o avestruz enterra a cabeça no chão para não enxergar a realidade. Não foi outra a atitude do tucanato paulista nos últimos dias. Como se estivessem alheios aos acontecimentos, líderes do PSDB paulista alegaram que nada sabiam, nada viram – e muito menos participaram. Documentos agora revelados por ISTOÉ, porém, provam que desde 2008 tanto o Ministério Público como o Tribunal de Contas vem alertando os seguidos governos do PSDB sobre as falcatruas no Metrô e nos trens. Apesar dos alertas, o propinoduto foi construído livremente nos últimos 20 anos. Além dos documentos agora divulgados, investigações anteriores já resultaram no indiciamento pela Polícia Federal de 11 pessoas ligadas ao partido. No entanto, questionado sobre o cartel montado por multinacionais, como Siemens e Alstom, para vencer licitações, o governador Geraldo Alckmin jurou desconhecer o assunto. “Se confirmado o cartel, o Estado é vítima”, esquivou-se. Na mesma toada, o seu antecessor, José Serra, declarou: “Não tomamos em nenhum momento conhecimento de qualquer cartel feito por fornecedores e muito menos se deu aval a qualquer coisa nesse sentido”. As afirmações agridem os fatos. Os documentos obtidos por ISTOÉ comprovam que os tucanos de São Paulo, além de verem dezenas de companheiros investigados e indiciados, receberam no mínimo três alertas contundentes sobre a cartelização e o esquema de pagamento de propina no Metrô. Os avisos, que vão de agosto de 2008 a setembro de 2010, partiram do Ministério Público estadual e do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Nos três casos, os documentos foram encaminhados aos presidentes das estatais, nomeados pelo governador, e publicados no Diário Oficial.

Nos três avisos de irregularidades aparecem fortes indícios de formação de cartel e direcionamento de certames pelas companhias de transporte sobre trilhos para vencer e superfaturar licitações do Metrô paulista e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O primeiro alerta sobre o esquema foi dado pelo Ministério Público de São Paulo, em um procedimento de agosto de 2008, durante gestão de José Serra. Ao analisar um acordo firmado entre o Metrô e a CMW Equipamentos S.A., o MP comunicou: “A prolongação do contrato por 12 anos frustrou o objetivo da licitação, motivo pelo qual os aditamentos estariam viciados”. Na ocasião, a CMW Equipamentos foi incorporada pela gigante francesa Alstom, uma das principais investigadas nesse escândalo. Ainda no documento do MP, de 26 páginas, aparecem irregularidades também em uma série de contratos firmados pelo governo paulista com outras empresas desse segmento.

Em fevereiro de 2009, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo emitiu ao governo paulista o segundo aviso de desvios e direcionamentos em contratos no setor. As irregularidades foram identificadas, desta vez, na estatal CPTM. Ao julgar um recurso, o conselheiro do TCE Antonio Roque Citadini concluiu que a estatal adotou uma conduta indevida ao querer usar uma licitação para fornecimento de 30 trens com o consórcio Cofesbra, celebrada em 1995, durante gestão de Mário Covas, para comprar mais de uma década depois outros 12 novos trens. A manobra foi identificada como uma forma de fugir da abertura de uma nova concorrência. “O julgamento de irregularidade recorrido fundamentou-se na inobservância da Lei de Licitações e, também, na infringência aos princípios da economicidade e da eficiência”, diz o relatório. Citadini ainda questiona os valores pagos pelos trens, uma “majoração de 17,35%”. A crescente elevação do número de passageiros transportados deveria implicar, diz ele, estudos por parte da CPTM com vistas à realização de um novo certame licitatório. “Tempo parece não lhe ter faltado, pois se passaram 11 anos da compra inicial”, relatou Citadini. À ISTOÉ, o conselheiro Citadini destacou que “um sem-número de veze

s” o órgão relatou ao governo estadual irregularidades em contratos envolvendo o Metrô paulista e a CPTM. “Nossos auditores, que seguem normas reconhecidas por autoridades internacionais, têm tido conflitos de todo tamanho e natureza para que eles reconheçam os problemas”, disse Citadini.

O terceiro recado ao governo paulista sobre irregularidades nas licitações do Metrô e do trem paulista ocorreu em setembro de 2010. Ao analisar quatro contratos firmados pelo Metrô, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo estranhou que os certames envolviam uma enorme quantidade de serviços específicos. Dessa forma, apenas um reduzido número de empresas tinha condições de atender aos editais de licitação e se credenciar para disputar a concorrência. Os contratos em questão se referiam ao fornecimento de trens, manutenção, além de elaboração de projeto executivo e fornecimento de equipamentos para o Metrô paulista. O Tribunal insistia que, quanto mais ampla fosse a concorrência, menor tenderia a ser o preço. Em diversos trechos, o relatório aponta outras exigências que acabavam estreitando ainda mais o número de participantes. Havia uma cláusula, por exemplo, que proibia companhias estrangeiras que não tivessem realizado o mesmo serviço em território brasileiro de participar da disputa. Na prática, foram excluídas gigantes do setor do transporte sobre trilhos que não integravam o cartel e poderiam oferecer um melhor preço aos cofres paulistas. “A análise das presentes contratações revelou um contexto no qual houve apenas uma proposta do licitante único de cada bloco. Em outras palavras, não houve propriamente uma disputa licitatória, mas uma atividade de consorciamento”, analisou o TCE sobre um dos acordos. A recomendação foi ignorada tanto por Serra como por Alckmin, que assumiu o governo três meses depois.

Passo a passo da denúncia sobre o escândalo do metrô

Um e-mail enviado por um executivo da Siemens para os seus superiores em 2008, revelado na última semana pelo jornal “Folha de S.Paulo”, reforça que os ex-governadores tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Mário Covas não só sabiam como incentivaram essa prática criminosa. O funcionário da empresa alemã revela que o então chefe do executivo paulista, José Serra (PSDB), e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, sugeriram que a Siemens fizesse um acordo com a espanhola CAF, sua concorrente, para vencer uma licitação de fornecimento de 40 trens à CPTM. Serra teria ameaçado cancelar o certame se a Siemens tentasse desclassificar a concorrente na justiça. Como saída, conforme relata o jornal, sugeriu que as empresas dividissem parte do contrato por meio de subcontratações. O executivo da Siemens não revela na mensagem, mas essa solução heterodoxa de Serra já havia sido adotada numa ocasião anterior. No final da década de 1990, o governo Mário Covas (PSDB) incentivara as companhias da área de transporte sobre trilhos a formarem um consórcio único para vencer licitação de compra da linha 5 do metrô. A prática, como se vê, recorrente entre os tucanos paulistas, continuou a ser reproduzida nos anos subsequentes à licitação. Reapareceu, sem reparos, com a chegada ao poder do governador Geraldo Alckmin. Hoje, sabe-se que esse esquema gerou somente em seis projetos da CPTM e do Metrô um prejuízo de pelo menos R$ 425,1 milhões aos cofres paulistas. As somas foram obtidas, como ISTOÉ antecipou, com o superfaturamento de 30% nesses contratos.

O que também torna pouco crível que os governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, até o mês passado, desconhecessem as denúncias é o fato de o Ministério Público ter aberto 15 inquéritos para investigar a tramoia, após a repercussão do escândalo envolvendo a Siemens e a Alstom na Europa em 2008. Atualmente, essas provas colhidas no Exterior dão suporte para o indiciamento de 11 pessoas, entre elas servidores públicos e políticos tucanos. O vereador Andrea Matarazzo, serrista fiel, é um dos indiciados. Na lista da Polícia Federal, constam ainda nomes bem próximos aos tucanos como o de Jorge Fagali Neto. Ele foi diretor dos Correios e de projetos para o Ensino Superior do Ministério da Educação durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Ao reabrir, na semana passada, 15 investigações paradas por faltas de provas e montar uma força-tarefa para trabalhar em 45 inquéritos, o Ministério Público colocou lupa sobre outras autoridades ligadas ao PSDB. Trata-se de servidores que ascenderam na gestão Serra, mas mantiveram força e poder durante o governo Alckmin. São eles: José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da CPTM, Luiz Carlos David Frayze, ex-secretário de transportes e ex-diretor do Metrô, Décio Tambelli, coordenador de Concessões e Permissões do Metrô de São Paulo e Arthur Teixeira, lobista do esquema Siemens, dono de uma das offshores uruguaias, utilizadas pela multinacional para pagar propina a agentes públicos. Como revelado por ISTOÉ na edição de 20 de julho, as evidências são tão fortes quanto à proximidade destes personagens com a gestão tucana. Na última semana, o atual secretário de Transportes, Jurandir Fernandes, reconheceu ter recebido Teixeira em audiência “junto com outros empresários”. A foto da página 45 desta reportagem mostra Arthur Teixeira visitando as instalações da MGE Transportes, uma das empresas integrantes do cartel, em Hortolândia, interior de São Paulo, ao lado de Jurandir e Lavorente. A visita ocorreu durante a execução da reforma dos trens da CPTM.

Em meio à enxurrada de evidências, na sexta-feira 9, o governador Alckmin anunciou a criação de uma comissão para investigar as denúncias de formação de cartel e superfaturamento em contratos firmados com o metrô paulista e a CPTM. Para fazer parte dela, ele pretende in

dicar integrantes de entidades independentes, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Segundo o governo, ela terá total independência e contará com a ajuda dos órgãos de fiscalização do Estado. A medida foi anunciada após a Justiça Federal negar, na segunda-feira 5, um pedido do governo de São Paulo para ter acesso aos documentos da investigação do Cade. Tucanos paulistas acusam o órgão, uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, de vazar informação para a imprensa e agir sob os interesses do PT. Deputados estaduais, porém, questionam a nova comissão. “Tudo que traga transparência é bem-vindo. Mas há um local institucionalmente correto para se apurar estas irregularidades. É uma CPI”, diz o líder do PT na Assembleia Legislativa, Luiz Claudio Marcolino. “Se ele quer apurar os fatos, como diz, é só pedir para sua base assinar o pedido de CPI e não obstruir como o PSDB faz por décadas quando o assunto é metrô”, complementa.

Alckmin resolveu agir porque vê o escândalo se aproximar cada vez mais do Palácio dos Bandeirantes. As razões para este temor podem estar em cinqüenta caixas de papelão guardadas nas dependências do CADE, na Asa Norte, em Brasília. O material foi recolhido após uma operação de apreensão e busca realizada em 4 de julho na sede de doze empresas associadas ao cartel em São Paulo, Brasília, Campinas e São Bernardo do Campo. Só numa destas empresas, os investigadores permaneceram por 18 horas. A Polícia Federal, batizou a operação de “Linha Cruzada”. Não se sabe, até agora, o que há dentro das caixas de documentos apreendidos. A informação é que elas permanecem fechadas e lacradas, aguardando ainda a análise do CADE, que poderá transformar uma investigação de cartel, num dos mais escandalosos casos de corrupção que o País já assistiu. 

Dilma vira o jogo!

Por Miguel do Rosário do blog O Cafezinho

Veja toda a matéria, inclusive com os gráficos, aqui no Tijolaço

Os analistas da mídia vão demorar alguns dias para admitir isso de maneira franca e transparente. Mas os números do Datafolha divulgados hoje mostram uma espetacular virada nas expectativas políticas e eleitorais. Até então, os opositores de Dilma apostavam numa degeneração constante e gradual da popularidade presidencial, arrastada pelos protestos de junho, inflação crescente e deterioração geral de índices econômicos.

Entretanto, política – especialmente no Brasil – é um jogo cheio de reviravoltas surpreendentes. Quer dizer, talvez se tivéssemos olhado com mais atenção pudésssemos ter previsto, mas depois que as coisas acontecem é sempre mais fácil compreender o que aconteceu. Difícil é entender o futuro.

Os seis pontos recuperados por Dilma em sua popularidade, passando de 30% para 36%, representam um golpe na campanha de grandes proporções que setores de oposição vinham patrocinando, até então com sucesso, para reverter a expectativa de uma vitória de Dilma em 2014. Era importante que o “baixo astral” de Dilma se mantivesse até outubro, quando se encerram prazos eleitorais importantes para as eleições.

A campanha, que tinha apoio eufórico da grande mídia, deu nos burros. O emprego se manteve firme, a inflação caiu, com ênfase na cesta básica e transportes. A produção industrial registrou um sólido crescimento em junho, com destaque para a indústria de bens de capital, que cresceu quase 20% sobre o ano anterior.

O escândalo do propinoduto tucano, que a Istoé, redes sociais e imprensa internacional, fizeram a mídia tradicional engolir à força, cumpriu um papel fundamental de romper um dos últimos bastiões da hipocrisia partidária, e produziu uma perigosa fissura na principal fortaleza tucana, o Palácio dos Bandeirantes.

Os ânimos se acalmaram em relação aos protestos. A ficha parece ter caído na população de que protestar é legal, mas com foco, objetivo, métodos civilizados, e prazo. Há hora de protestar, há hora de comemorar as conquistas, e há hora de trabalhar. Segundo o Datafolha, o apoio popular aos protestos registrou forte queda. No auge deles, 65% achavam que eles lhes trariam melhoras pessoais: agora são 49%.

Interessante notar que Dilma recuperou terreno principalmente no Sudeste, onde seu índice de ótimo/bom cresceu de 26% em 28 de junho para 32% agora; e seu índice de ruim/péssimo caiu de 30% para 24%. Como se diz em tempos eleitorais, a boca do jacaré voltou a se abrir.

Na análise segmentada por renda e escolaridade, a recuperação de Dilma também é notável junto aos setores onde ela mais perdeu em junho: classe média e mais escolarizados. Vale lembrar que Dilma, à diferença de Lula, vinha se caracterizando por uma sólida popularidade nestes dois segmentos, conforme se pode verificar na tabela abaixo, com dados até o final de junho. Dilma possuía, até pouco tempo, muita força na classe média, perdida subitamente após os protestos de junho; e que agora inicia um processo de recuperação.

Observe que Dilma chegou a possuir 70% de ótimo/bom entre os que ganham mais de 10 salários; era o seu maior índice, uma anomalia para um governo progressista. Após os protestos, esse índice cai para 21%; e agora está em 29%. Na faixa de renda mais representativa da classe média, a que ganha entre 5 e 10 salários, o ótimo/bom de Dilma passou de 25% ao fim de junho para 32% agora, e o ruim/péssimo caiu de 31% para 26%.

À guisa de conclusão, podemos dizer que a recuperação de Dilma está ligada à uma mudança de estratégia, com a presidente estabelecendo diálogos com diversos movimentos sociais, coisa que não vinha fazendo antes. Tudo que não pode acontecer é a melhora dos números fazer o staff da presidente “relaxar” novamente e voltar a se isolar em seu tecnicismo frio e apolítico. Falta ainda aprimorar, e muito, a estratégia de comunicação, com uso mais assertivo, intenso e criativo das redes sociais; seria ótimo que isso acontecesse antes do 7 de setembro, data na qual os movimentos de protesto – desta vez com muita participação de grupos truculentos, de um lado, e reacionários, de outro, – devem usar para acordar novamente o “gigante”.

Andrea Matarazzo arrecadou junto à Alstom para campanha de Fernando Henrique Cardoso

Empresa francesa, dona de contratos com governos tucanos, foi punida em vários países onde foi investigada por corrupção. No Brasil, foi blindada pela Assembleia Legislativa e a imprensa

Blog da Helena no Rede Brasil atual

 

Candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), parece  não se sentir constrangido em aparecer na imprensa com o discurso de “eu não sabia”. Se houve cartel, diz ele, o estado é "vítima" e buscará o ressarcimento.

As investigações sobre a existência de propina denunciada pela Siemens apontaram que já existiam indícios de esquemas ilegais nos processos de fornecimento de equipamentos em 1998, na gestão do governador Mário Covas, também do PSDB.

Em 2008, o jornal americano Wall Street Journal revelou que a Alstom estava sendo investigada na França e na Suíça por ter pagado propinas em vários países. Posteriormente, a empresa foi investigada e punida em quase todos os países. Menos no Brasil, graças à blindagem da Assembleia Legislativa e da imprensa.

Serra, Alckmin, Mario Covas… E se mexer mais um pouquinho o cordão de tucanos aumenta mais. Ontem (6), a Polícia Federal indiciou o vereador paulista Andrea Matarazzo (PSDB) por considerar que ele recebeu propina da Alstom quando foi secretário estadual de Energia, em 1998. A PF investigou negócios do grupo francês com o governo de São Paulo entre 1995 e 2003 – governos Covas e Alckmin.

Duas empresas do grupo Alstom foram citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que teriam abastecido o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB. As planilhas atribuíam a Matarazzo, então secretário de Energia, a missão de buscar recursos junto a empresas.

As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo paulista. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp. O vereador nega.

Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça que investigam operações do grupo, diziam que seriam pagas "comissões" sobre contratos negociados com o governo paulista.

Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris se disse disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo. A Alstom comprou a Cegelec naquele ano. Os papéis citam que a comissão seria dividida entre "as finanças do partido", "o Tribunal de Contas" e "a Secretaria de Energia". A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.

O ano de 1998 foi marcado por eventos relacionados às investigações iniciadas na Suíça:

1) O contrato em que a Cegelec dizia estar disposta a pagar uma comissão de 7,5% foi firmado naquele ano;

2) Foram feitas  duas transferências de dólares ordenadas pela Alstom francesa, que foram parar na conta daoffshore MCA Uruguay Ltd., nas Ilhas Virgens Britânicas, controlada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, no valor de US$ 505 mil, que seriam usados na propina.

Com a privatização da Eletropaulo, o contrato de R$ 110 milhões foi herdado pela Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), outra estatal paulista. Com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998, Matarazzo assumiu no ano seguinte o cargo de ministro-chefe de Comunicação da Presidência.

Com Fernando Henrique na presidência, a Alstom, um dos maiores grupos do mundo na área de energia e transportes, tinha contratos à &e

acute;poca também com estatais da União, como Petrobras, Eletrobras e Itaipu. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo de dezembro de 2000 mostrou que Matarazzo arrecadou ao menos R$ 3 milhões para o caixa 2 tucano. Na planilha com as metas de arrecadação, aparece o nome "Andrea Matarazzo – MM". Além da relação das empresas, a planilha menciona nomes de diretores ou contatos a serem procurados pelos arrecadadores de campanha.

Rombos e desvios praticados pelo PSDB e publicados pela mídia, ainda que sem citar os nomes dos políticos tucanos ou partido, são apenas a ponta de um icerberg. Se a Justiça aprofundar as investigações, provavelmente encontrará evidências de negociações também no Rodoanel, apelidado de “Rouboanel” nos bastidores.

E no meio da série de denúncias envolvendo o alto tucanato paulista, cabe a pergunta: por onde anda o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o rei das CPIs contra os adversários políticos. Sumiu? Tirou férias?

Caso Siemens desmoraliza de vez a mídia engajada

Do Brasil 247

Nunca foi tão fácil enxergar o cinismo, a desfaçatez e a hipocrisia da imprensa brasileira. Bastou que um escândalo atingisse seus aliados políticos tradicionais, para que essa postura viesse à tona. Do escândalo Siemens, emerge uma mídia que opera com dois sistemas métricos distintos: um para os amigos, outro para os adversários.

De todas as peças produzidas até agora, a mais cara de pau é o editorial de Veja, assinado por Eurípedes Alcântara. "Há indícios, mas não provas", diz o diretor de Veja. No mundo da Editora Abril, os olhos estão fechados para os emails da Siemens e da Alstom que falam em licitações combinadas e até em propinas para grão-tucanos como Robson Marinho, ex-secretário da Casa Civil, e Andrea Matarazzo, figura próxima a Mario Covas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.

No mundo de Veja, não existem provas, apenas indícios, mas há três anos a imprensa noticiou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Robson Marinho, braço direito de Mario Covas, cujos recursos seriam provenientes da Alstom (leia aqui reportagem do Estado de S. Paulo). Documentos agora revelados – e ignorados por Veja – falam que a propina da Alstom cobriria RM (Robson Marinho), o partido (o PSDB) e a Secretaria de Energia (ocupada, à época, por Matarazzo).

Como Eurípedes sabe que empresta sua pena a um argumento indefensável, ele praticamente dá um piti, no seu editorial. "A esta altura, porém, não há como esquecer que o PR, o PTB, o PMDB e, claro, o PT acostumaram o Brasil a um padrão de escândalos tão abundantes em provas e com enredo tão ousado quanto primário que é impossível ser igualado. São dólares na cueca, mansão cheia de prostitutas em Brasília, Land Rover, jatinhos, governo paralelo montado em quartos de hotel, balcão de negócios dentro do Palácio do Planalto, filme de corrupto embolsando dinheiro, confissão, drama, condenação à prisão pelo STF – só não tem arrependimento".

O que ele não afirma é que o padrão do metrô supera toda a sua descrição. Mais sofisticados, os tucanos operaram com empresas internacionais, indicaram a elas que empresas deveriam ser subcontratadas e, em alguns casos, como parece ser o de Robson Marinho, apontaram as contas no exterior que deveriam receber os recursos.

Diante das evidências, cai por terra o argumento de que a imprensa brasileira representa "os olhos e ouvidos da ação". Veja, por exemplo, é claramente caolha. Só enxerga o lado que interessa. Mas não está só. Antes dela, o colunista Merval Pereira lamentou a corrupção tucana e se apressou em inocentar o ex-governador José Serra (leia aqui). Reinaldo Azevedo deu um chilique e afirmou que a teoria do domínio do fato, usada pela Polícia Federal para indiciar Andrea Matarazzo e pelo Supremo Tribunal Federal para condenar José Dirceu, não poderia ser aplicada ao político tucano (leia aqui).

Ora, se a mesma cautela fosse aplicada aos adversários dessa mesma imprensa, o julgamento mais emblemático dos últimos anos teria transcorrido de forma bem menos turbulenta. No entanto, se para os amigos as provas podem ser transformadas em indícios, para os adversários os indícios também podem ser convertidos em provas. Além disso, essa mesma imprensa que faz da ética seu cavalo de batalha se julga no direito de colocar a faca no pescoço de juízes – como Veja faz nesta semana em relação a Ricardo Lewandowski (leia aqui) – para defender seus interesses políticos, que, na prática, são interesses comerciais.

Pobres dos juízes e procuradores que se deixam manipular por uma imprensa partidária, seletiva, autoritária e, agora, totalm

ente desmoralizada.

PS: o editorial de Eurípedes termina com a piada do ano. "Ao escândalo Siemens faltam evidências sólidas. Tanto quanto as autoridades, os repórteres de Veja as estão buscando".

Podem rir à vontade.

 

Tucanos e Globo estariam envolvidos no mensalão

Por Rodrigo Penna no Megacidadania

Tucanos e Globopar estariam envolvidos no mensalão. Muitos já tem conhecimento que a Globopar, empresa holding da Rede Globo, pegou empréstimo junto ao Banco Rural nos mesmos moldes do PT e que estes empréstimos foram considerados fraudulentos, sendo que no mensalão, a AP 470, só os petistas estão sendo julgados e a Globopar foi preservada e isso é muito estranho.

Muitos já sabem que o Banco Rural está sob intervenção.

O que poucas pessoas sabem é que o dinheiro para o empréstimo que o Banco Rural fez para à Globopar foi captado no exterior …. tchan !!!

E é aqui que a coisa começa a se complicar e junta TUCANOS, Banco Rural e Globopar.

A Globo estava quebrada, o Banco Rural captou dinheiro no exterior emprestou para a Globo e até hoje a Globo não teria liquidado a operação de empréstimo.

E não liquidou por um motivo muito simples, TUDO INDICA, segundo fonte que pede para ser preservada, que o dinheiro foi captado no exterior junto a tucanos de alta plumagem que tinham dinheiro em paraísos "VIRGENS".

Estaria aí o motivo de tanta "UNIÃO" entre os tucanos e a Rede Globo que insiste em preservá-los mesmo diante da avalanche de comprovações do propinoduto do TRENSALÃO.

Os tucanos e a Globo contaram para suas impunidades com a prestimosa contribuição da Procuradoria Geral da República e Ministério Público Federal e do Joaquim Barbosa que colocaram a operação de empréstimo (acima relatada) no SIGILOSO GAVETÃO, o inquérito 2474, e tudo mais que pudesse desviar o foco do PT e petistas, o alvo a ser atacado. LEMBRANDO que é neste GAVETÃO, o inquérito 2474, que dormitou por longo tempo os documentos que inocentam Pizzolato e que desmontam a tese central da acusação.

A "fonte" que pede para ser preservada irá disponibilizar documentos comprovando as informações que estamos divulgando em primeira mão.

AGUARDEM QUE VEM CHUMBO GROSSO POR AÍ.

Para quem quiser saber mais sobre a relação incestuosa entre mídia e tucanos, duas reportagens esclarecedoras:

1) Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação)

2) Denúncia: Aécio paga o PIG

LEIAM TAMBÉM: O “lucro” da Rede Globo com o mensalão