Dilma sobe nas pesquisas: quem não esperava por isso?

Por Ronaldo Souza

Já tinha falado sobre isso em alguns textos aqui mesmo no site. Em um deles, viva a Rede Globo, o povo é mesmo bobo, disse que uma manifestação “restrita a São Paulo… De repente, espalhou-se por todo o Brasil” e Dilma foi jogada no meio da fogueira.

Pesquisa DataFolha feita no olho do furacão mostrava Dilma ‘despencando’ (essa palavra nunca foi tão usada) na aprovação do seu governo. Na sequência, o IBOPE (já há algum tempo esses dois institutos de pesquisa caminham juntos que nem irmãos siameses) também destruía Dilma.

Gente, uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo de repente faz com que uma presidente super bem avaliada despenque e faz com que o país que vinha sendo espelho para o mundo passe a ser o último dos países, com inflação descontrolada, sem comando, bla, bla, bla, bla… faz sentido? Não importa, vamos derrubar o governo, “vamos extirpar essa raça”.

Um parêntese rápido. Apesar de a grande (?) mídia tentar mostrar o contrário, o Brasil continua sendo espelho. Agora mesmo, o jornal canadense Globe & Mail, de Toronto, em reportagem publicada em 09/08 diz que o Canadá devia seguir o exemplo do Brasil. O Canadá, país do primeiro mundo.

Interessante que as pesquisas não falavam dos governadores dos estados envolvidos, eram direcionadas somente para a presidente da república. A dos governadores só foi divulgada 2 semanas depois, quando o mundo já tinha desabado sobre os ombros de Dilma Rousseff. Os governadores tinham despencado também. Depois das últimas notícias dessa corrupção fantástica em São Paulo, mesmo com a eterna proteção da imprensa onde será que vai parar o de São Paulo, Geraldo Alckmin?

Em seguida, os dados de como as pesquisas teriam sido manipuladas foram mostrados pelos jornalistas independentes nos seus blogs, sobre os quais falei aqui DataFolha manipulou amostragem para que resultado fosse desfavorável ao governo. À época, conclui esse texto com uma observação: “Pesquisas espontâneas mostram que Dilma ainda continua bem na frente. Aguardemos.”

Não vamos perder mais tempo, vamos direto ao assunto.

Jogaram Dilma Rousseff na fogueira, aprovaram a PEC 37 (os manifestantes não tinham nem ideia do que era aquilo e a Globo, agora toda enroscada em denúncias, mostra porque deu aquele presente ao Ministério Público), fizeram de tudo.

Mas o povo, que não tinha sido “tão pesquisado nas pesquisas que despencaram” Dilma, viu, ouviu, respirou e agora começa a se manifestar. É isso que mostram as novas pesquisas. Em ótimo/bom Dilma já foi de 30 a 36%. No geral foi de 30 para 35% de aprovação. Aguardem as próximas pesquisas.

Ah, sim. Sabe onde ela mais cresceu das últimas pesquisas para essa? No sudeste e entre os de maior renda e escolaridade.

 

Pobre Fernando Henrique Cardoso 3

Por Ronaldo Souza

A sociedade brasileira vê há oito anos um partido, o PT, ser chamado de o mais corrupto do Brasil, para alguns o único, e responsável pelo maior escândalo de corrupção do Brasil, o mensalão.

O julgamento do que ficou conhecido como mensalão, o “maior escândalo de corrupção do Brasil”, é um prato cheio para muita coisa.

Não vamos repetir o que já foi dito. Aqui mesmo neste site não faltam textos sobre o tema. Mas vamos aproveitar para relembrar pelo menos dois momentos do julgamento.

Um dos argumentos de Joaquim Barbosa para condenar João Paulo Cunha, deputado do PT, foi o de que a empresa apresentada como justificativa pela sua defesa jamais poderia ser considerada válido pelo fato de que o endereço era de uma residência.

Descobriu-se recentemente que em maio daquele ano (2012) Joaquim Barbosa tinha comprado um apartamento em Miami e para fugir dos impostos tinha aberto uma empresa nos Estados Unidos, cujo endereço era… seu apartamento funcional em Brasília. Ou seja, em outubro de 2013, Joaquim Barbosa condenou um homem pela mesma atitude ilícita que ele, Joaquim Barbosa, Presidente do Supremo Tribunal Federal, já tinha cometido antes, em maio do mesmo ano. Detalhe; além de ser Presidente do STF, portanto, conhecedor do que isso significa, o endereço da empresa dele, nos Estados Unidos, é no Brasil, no apartamento que nem é dele, é do STF.

O outro aspecto se refere à teoria do domínio do fato, argumento usado por Joaquim Barbosa para condenar José Genoino, também deputado do PT. O que disse Barbosa? Como presidente do PT, não tinha como Genoíno não saber das coisas do mensalão, não tinha como não ter o domínio do fato, portanto, era culpado.

Sem falar que ele inverteu o sentido da referida teoria (veja aqui e aqui), condenou por inferência.

Três “pessoas” tiveram orgasmos múltiplos: a grande mídia, PSDB/DEM e a elite brasileira. O PSDB, à frente Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e Cia., devidamente apoiados e protegidos pela imprensa, pareciam àquela altura morar nos estúdios da imprensa, de tantas vezes que apareciam dando entrevistas.

E eis que surge o escândalo da corrupção do PSDB em São Paulo (nenhuma novidade), com envolvimento direto de Mario Covas, José Serra, Geraldo Alckmin e outros de menor calibre. Não há como negar como tem sido interessante ver o malabarismo feito pela imprensa para, no início, tentar esconder e depois tentar livrar a cara do PSDB. Não teve jeito.

Veja do que foi capaz de dizer Fernando Henrique Cardoso. A matéria é de Fernando Brito. Ao final, volto para um breve comentário.

Bribery, Mr. Fernando, the name is bribery…

Por Fernando Brito no  Tijolaço

Fernando Henrique Cardoso saiu em defesa do PSDB no caso Siemens-Alston.

Na mesma linha de Alckmin e Serra: “pode ter havido cartel, tudo indica, mas nós não temos nada com isso.”

É curioso que al

guém possa assumir este discurso do “nos roubaram por dez anos e nós nunca desconfiamos de nada”, principalmente  quando o assunto jà era, há meia década, objeto de investigações no Ministério Público, denúncias na imprensa e processos judiais no exterior.

E ainda ter a cara de pau de dizer que é muito bom que se dê explicações para que não haja “ a impressão de que é parecido com o que outros fizeram. Não há nada que indique isso.”

Talvez o ex-presidente tenha ajudado seu colega de fardão, Merval Pereira, a desenvolver a tese de que dinheiro embolsado é menos corrupção que dinheiro desviado para campanhas políticas.

O distraído FHC não sabe que Alstom e Siemens acumularam condenações na Europa e nos EUA por corromper governantes através de suborno?

Suborno é a popular propina.

Bribery, em inglês, como nestas duas matérias do Financial Times:

Alstom to pay €31m fine after bribery probe

Siemens to pay €1bn fines to close bribery scandal

Ou será que lá em São Paulo os dirigentes que as contrataram que elas roubaram sem pagar?

Parece que Fernando Henrique Cardoso (Serra e Alckmin) já esqueceram da Teoria do Domínio do Fato: “Na mesma linha de Alckmin e Serra: “pode ter havido cartel, tudo indica, mas nós não temos nada com isso.”

Interessante, não tinha como Genoíno não saber. Agora querem empurrar um nós não temos nada com isso.

Já tinha escrito antes sobre FHC; Um estado mental preocupante, FHC: um perdedor, Pobre Fernando Henrique Cardoso e Pobre Fernando Henrique Cardoso 2.

Estou muito preocupado com ele.

PS. Aguarde Os 10 maiores escândalos de corrupção do Brasil

Arnaldo Jabor e a indignação contra a corrupção do PSDB

 

Por Ronaldo Souza

A imagem dos membros do PT sempre foi associada à de pessoas rudes, ignorantes, sem educação; uma sub-raça. “Vamos extirpar essa raça”, como disse uma vez Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM. Ao contrário, admite-se a condição de elite aos membros de partidos como o PSDB e DEM.

É costume atribuir-se aos mais rudes e ignorantes a falta de modos e maneiras no trato com as pessoas; gente sem classe. O contrário ocorre com aqueles de modos finos, elegantes. 

Não há como não estabelecer um paralelo entre Fernando Henrique Cardoso e Lula. O primeiro, um homem fino, sociólogo, um intelectual da USP, viúvo de uma intelectual, também socióloga, uma mulher de costumes finos. O segundo, um nordestino, semianalfabeto, torneiro mecânico, casado com uma mulher que, mesmo na condição de primeira dama do Brasil, sempre foi (des)tratada como deselegante, descabelada, sem costumes, ralé. Danuza Leão e Eliane Cantanhede que o digam.

Convenhamos, uma diferença colossal. Não pertencem ao mesmo mundo.

Não seria natural que compreendêssemos que não podem se misturar as pessoas desses mundos completamente diferentes?

Alguém pode dizer que exagero. Não, não exagero. Observe esse vídeo e veja o que diz Eliane Cantanhede, colunista da Folha e uma das encantadoras meninas do Jô:

[[youtube?id=kMWVWLn7_tw]]

É ou não é uma gracinha?

Os jornalistas que trabalham ao lado de partidos como o PSDB também devem representar a nata do jornalismo. A sociedade brasileira dorme em paz por te-los como eternos defensores das boas causas, cumprindo fielmente o compromisso de informar e proteger o povo contra os corruptos. A sociedade brasileira se acostumou a ve-los todos os dias e todas as noites bradando contra a corrupção.

Estamos todos perplexos diante dos recentes escândalos que envolvem a maior rede de comunicação do país, a Rede Globo (veja aqui), e o PSDB (aqui), que nessa mesma Rede Globo brada dia e noite contra a corrupção dos outros, muito particularmente do PT e dos governos Lula/Dilma.

Estamos perplexos, mas dormindo em paz. Sabemos que Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Merval Pereira e Cia não se calarão.

Diante desses episódios de corrupção, temos certeza de que veremos todos os dias na Globo e na Veja aqueles vômitos de indignação, aquela mesma ira típica dos homens que, acima de tudo, doa a quem doer, têm compromisso com a verdade. Temos certeza de que agora veremos todos os dias Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Merval Pereira e Cia chamando Geraldo Alckmin, José Serra e outros políticos do PSDB de corruptos, bandidos, quadrilheiros, como eles fazem com o PT. Claro que ninguém tem dúvida de que eles farão isso.

Mas, é impre

ssão minha ou tá demorando?

A máquina de criar e esconder escândalos 3

O Brasil é de fato um país muito peculiar. Como diriam os colunistas, sui generis.

Em qualquer canto do mundo, em todo processo de corrupção tem que existir corruptor e corrupto; não há outra possibilidade. O Brasil é exceção à regra.

No caso da sonegação fiscal da Globo, por exemplo, não há corruptor.

Para não pagar impostos na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, a Rede Globo abriu uma empresa de fachada em um paraíso fiscal (muito usados por sonegadores e conhecidos como off shore), as Ilhas Virgens Britânicas.

Autuada pela Receita Federal em R$183 milhões, consta que, devido a multa e correção, em 2006 a dívida já era de R$615 milhões. Tendo em vista que a Globo até hoje não teria pago, a dívida já teria passado de R$1 bilhão.

Ocorre que o processo da Receita Federal condenando a Rede Globo foi roubado no dia 02 de janeiro de 2007 pela funcionária da própria Receita Federal, Cristina Marins Ribeiro (veja as matérias e os vídeos aqui, aqui e aqui).

Filmada roubando os documentos, Cristina foi condenada a 4 anos e 11 meses de cadeia. Cinco advogados de um dos escritórios de advocacia mais renomados e caros do Brasil conseguiram um Habeas Corpus através do Ministro Gilmar Mendes (jornalistas independentes dizem – sempre ele) no Supremo Tribunal Federal e ela foi solta depois de passar 2 meses na cadeia.

A Receita Federal, o Ministério Público e a Polícia Federal investigaram, encontraram e condenaram a funcionária corrupta. Ela foi presa, demitida, ficou sem nenhum direito trabalhista (por exemplo, perdeu o direito a aposentadoria). Se em todo o processo de corrupção existe um corrupto e um corruptor, neste não existe o corruptor.

Quem teria “estimulado” a funcionária a correr tamanho risco? Teria agido ela por conta própria porque adora as novelas da Globo e achou uma injustiça o que estavam fazendo com ela, a Globo? Quem é beneficiado pelo sumiço do processo que condena a Globo, o SBT? Quem teria patrocinado o roubo do processo, a Rede Record? Ninguém se mexeu, ninguém se mexe, em busca de quem corrompeu. Um processo que dura mais de seis anos.

O Brasil quebra o paradigma de que onde há corrupto há corruptor.

Escândalo do propinoduto da Siemens nos governos de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB de São Paulo. De quebra, também nos governos de José Roberto Arruda (DEM) e Joaquim Roriz (PMDB) no Distrito Federal.

Em reportagem de quase três semanas atrás, a IstoÉ estimou inicialmente que o rombo é de R$425 milhões, porém, em sua matéria deste final de semana, o Estadão apontou para R$ 577 milhões.

Neste processo, sem margens para dúvidas, estão lá apontados pelas reportagens, inclusive na da Folha, todos os corruptores: Siemens, Alston, Bombardier, CAF. Mas, lá não estão os corruptos. A Folha chega a pedir “dupla cautela” ao público no apontar os corruptos.

Há que considerar a investigação com dupla cautela. Os detalhes ainda são nebulosos, mas o que transpirou até aqui indica um conluio entre fornecedores para repartir encomendas e elevar seus preços de 10% a 30%, sem provas de envolvimento das autoridades.”

Detalhes devem ser observados. Quem descobriu, denunciou e apresentou os DOCUMENTOS foi a própria Siemens, em investigações feitas a partir da Alemanha. Mas, para a imprensa brasileira, não se sabe ainda dos corruptos.

O Brasil quebra o paradigma de que onde há corruptor há corrupto.

É ou não é um país sui generis?

Será que existe alguém por aí que lembra que tudo que acontecia/acontece com qualquer coisa ligada aos governos Lula e Dilma, TODOS, inclusive Lula e Dilma, sem qualquer investigação, sem qualquer documento, já eram/são declarados envolvidos e culpados?

Não há como negar a competência da máquina para, de acordo com a conveniência, criar e esconder escândalos.

Entretanto, ela está desmoralizada.

[[youtube?id=ovwTufO9MpM]]

Vazam mais páginas do Globogate!

Por Miguel do Rosário O Cafezinho

Mais algumas páginas do relatório da Receita Federal que trata da milionária sonegação da Rede Globo acabam de vazar. O Cafezinho mais uma vez divulga o fato em primeira mão.

As novas páginas disponibilizadas referem-se à decisão final da Receita de condenar a Globo ao pagamento de multa de 150%, mais juros de mora, sobre o valor sonegado. Importante anotar a data deste documento: 21 de dezembro de 2006. Alguns dias depois, estes documentos seriam roubados pela servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.

No documento, os auditores votam, por unanimidade, pela culpa do réu e dão 30 dias para a Globo pagar a dívida, a menos que recorresse ao Conselho de Contribuintes no mesmo prazo. O roubo do processo, alguns dias depois, permitiu à Globo adiar por um longo tempo a renegociação deste débito.

A informação joga mais pressão sobre o Ministério Público. Por que não se aprofundou nas investigações sobre o roubo do processo? Por que não ligou o roubo à sonegação em si? Ambos fazem parte do mesmo ilícito, do mesmo desejo de lesar o Tesouro Nacional. Tinha obrigação de investigar a suspeita, óbvia, de envolvimento do principal interessado: a Globo.

Em uma de suas respostas, a Globo mencionou dívidas sendo negociadas no Conselho de Contribuintes. Tudo leva a crer que a emissora apelou ao Conselho, que conta com a participação de entidades privadas. Mais uma vez, estamos diante de uma situação nebulosa.  A Globo disse que pagou o débito através da adesão ao Refis, em 2009. Como assim? No dia 21 de dezembro de 2006, a Receita deu apenas 30 dias, sob pena de cobrança executiva, para a empresa pagar ou apelar ao Conselho. Ela apelou ao Conselho? O roubo do processo lhe deu quantos meses de alívio? Qual foi a decisão do Conselho? Quem fazia parte do Conselho nesta época?

O mais importante: os novos documentos agora obrigam a mídia a não falar mais em “suposta” sonegação. Eles mostram que os auditores decidiram, com unanimidade, pela culpabilidade da empresa.

Veja a matéria original com os documentos aqui.

O mega mensalão do PSDB paulista

Por Fernando Brito no Tijolaço

Diz-se que, numa guerra, a primeira vítima é a verdade. A assertiva vale sobretudo para guerras sem armas de fogo, as guerrras políticas, cujas principais batalhas se dão no palco da mídia. Ganha quem possui maior domínio sobre a informação.  O PSDB, por exemplo, apesar de ser o partido campeão no ranking do TSE de ficha suja e estar envolvido em escândalos de corrupção bilionários, ainda assim tenta se vender ao eleitor como o partido da ética. Tudo porque é apoiado pela grande mídia.

As denúncias de corrupção envolvendo o metrô de São Paulo existem há tempos. Em 2011, o R7 publicou matérias (aquiaqui e aqui) na quais uma testemunha apresenta informações e documentos que atestam exatamente a mesma coisa que está sendo repercutida apenas agora nos outros jornais. No entretempo, as empresas envolvidas foram investigadas e condenadas nos EUA e Europa. Aqui continuam fazendo negócios.

Matéria no Jornal da Record, em 2011 (vale a pena ver de novo):

[[youtube?id=_xTWyaLuvMk]]

As denúncias do superfaturamento de obras e serviços do metrô e trens em São Paulo chegam à chamada grande imprensa quase três semanas após o caso voltar à baila em reportagens de capa da Istoé. Com o estouro do escândalo na imprensa europeia, e os movimentos de rua agendando protestos com esse tema, a bolha de proteção ao PSDB se rompeu.

A denúncia chegou, finalmente, ao Jornal Nacional.

Os jornalões hoje veiculam o escândalo, mas já iniciaram movimentos de blindagem às autoridades tucanas. No editorial deste sábado, a Folha defende “dupla cautela” na análise das denúncias:

Há que considerar a investigação co

dupla cautela. Os detalhes ainda são nebulosos, mas o que transpirou até aqui indica um conluio entre fornecedores para repartir encomendas e elevar seus preços de 10% a 30%, sem provas de envolvimento das autoridades.

Pausa para rir.

A Folha acha que seus leitores são totalmente idiotas se imagina que alguém vai acreditar que Siemens e Alstom vem fraudando contratos públicos desde 1998 sem que ninguém do governo tucano estivesse envolvido.

Que história é essa de ~dupla cautela~? Cautela, tudo bem, é sempre bom. Mas porque ~dupla~?

Pra que tanto nervosismo?

Alstom e Siemens tem contratos com o governo paulista pelos quais receberam mais de R$ 15 bilhões em recursos públicos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, há documentos comprovando propina a funcionários do governo.

A Folha, pelo jeito, terá que pedir cautela “tripla”. Há diários, emails, documentos, confissões de executivos, testemunhas. Há condenações na Europa e nos EUA das mesmas empresas por atos de corrupção idênticos ao que estamos apenas começando a investigar.

Jamais um escândalo de corrupção foi tão documentado.

Quantos mensalões cabem num contrato de metrô em São Paulo? Será que o Ministério Público Federal repetirá o que fez para o mensalão petista e publicará em seu portal uma história do escândalo do metrô voltada ao público infantil? Veremos aqueles imensos infográficos com os rostinhos dos diretores? A teoria do domínio do fato será aplicada aos chefes políticos do esquema?

Estamos aguardando os paladinos da ética fazerem seus discursos de indignação contra a roubalheira em São Paulo. Não podemos esquecer que não existe essa de verba pública “paulista”. Verba pública é verba pública, pertence a todo o povo brasileiro, pois tudo que afeta São Paulo afeta o país inteiro.

A ~cautela~ da Folha tende a crescer porque um escândalo desse porte, somado à queda de popularidade do governador Geraldo Alckmin, pode colocar em risco a hegemonia tucana no estado de São Paulo.

A blindagem começa a cair: Globo joga a toalha e exibe reportagem sobre a corrupção no PSDB

Não é de agora. Muito pelo contrário. Já estamos mostrando há muito tempo a relação que existe entre a grande mídia e partidos como PSDB/DEM.

Os segmentos da população brasileira que obtêm informações somente através de órgãos de imprensa como Globo, Abril, Folha, Estadão e afins não têm percebido o nível de manipulação e omissão de como as coisas realmente ocorrem no Brasil. Tenho plena consciência de que muitos simplesmente não querem ver. Sei, porém, que a grande maioria do povo brasileiro o faz por inocência. Nunca foi tão evidente o efeito manada.

Não vamos falar de escândalos como o do Banestado, Lista de Furnas, a investigação sobre Aécio Neves por desvio de R$4,5 bilhões do governo de Minas Gerais, o envolvimento de parte da imprensa, particularmente da Veja, no escândalo de Carlinhos Cachoeira/Demóstenes Torres (DEM de Goiás), que têm como envolvidos políticos do PSDB/DEM. Porém, pelo menos um escândalo merece comentário.

Ofereça a alguém para ler o livro A Privataria Tucana e observe quem vai querer. Não falo pela “alegria” de ler um livro sobre política, mas pelo seu conteúdo.

É o livro que mostra como foram feitas as privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso.  É o mais documentado (só de documentos são pouco mais de cem páginas) e vendido livro sobre política no Brasil. Foi publicado no final de 2011. Até hoje, nunca mereceu uma única reportagem, por menor que fosse, no Jornal Nacional ou em qualquer outro da Rede Globo. A Veja, Folha e Estadão também esconderam o livro. O livro mais vendido no Brasil foi, simplesmente, escondido pela grande (?) mídia.

Ofereça a alguém para ler. Ninguém quer. Só um colega, repito, só um colega, se interessou. Leu. Claro, ficou chocado.

Todos os escândalos que envolvem o PSDB sempre foram devidamente escondidos. Procure saber quantas dezenas, isso mesmo, dezenas, de CPIs estão engavetadas na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A corrupção existente na FIFA (João Havelange) e na CBF (Ricardo Teixeira) é conhecida há muitos anos e uma pequena parte da imprensa brasileira já denuncia há tempos. As informações sobre essa questão sempre foram escondidas do público. Ficou conhecida a entrevista em que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, disse: “enquanto não sair na Globo, não tô nem aí”.

Ocorre que as investigações feitas na Suiça chegaram ao Brasil e João Havelange e Ricardo Teixeira se demitiram, sob promessa de que, com a demissão, as investigações seriam encerradas. Pela Globo, até hoje Ricardo Teixeira seria presidente da CBF. Sempre se soube o porque disso. Agora se conhecem os documentos que mostram isso (veja matérias e vídeos aqui, aqui e aqui).

Veja o vídeo abaixo e perceba que é a primeira vez que o Jornal Nacional (ou qualquer outro jornal da Globo) faz uma reportagem em que sequer cita o PT, muito pelo contrário. Ela deixa bem claro que os governos envolvidos são do PSDB e do DEM, com a citação também de Joaquim Roriz, que era do PMDB, o que não constitui nenhuma novidade.

Apesar de o Jornal Nacional dizer que foi a Folha, foi a IstoÉ (Leia a matéria completa aqui na IstoÉ) que fez a denúncia há duas semanas. Porém, mais uma vez, ela, a Globo, tentou abafar.

A Globo não fez a reportagem porque é um órgão de comunicação isento. Não, isso ela nunca foi. Ela fez a reportagem porque sabe que ficou impossível tentar abafar. Ela fez a reportagem porque sabe o quanto está envolvida nesse processo e começa a se preocupar em criar uma imagem diferente da que já está aparecendo para o grande público, porque a Record já está exibindo uma série de matérias que mostram o que ela é. Não demora muito e as outras emissoras farão o mesmo.

A Globo
fez a reportagem porque está com medo do que já está acontecendo com ela e do que ainda vai acontecer
.

[[youtube?id=ZU4FIfbW4nc]]

A máquina de criar e esconder escândalos 2

Por Fernando Brito no Tijolaço

Foi um “rescaldo” do que havia sido noticiado ontem e trouxe as repercussões políticas do caso, naturalmente restritas aos poucos parlamentares que não se acovardam diante do império global.

Rescaldo, aliás, saborosíssimo, porque é mais frequente a aparição do Cometa de Halley que ver na telinha alguém criticando a globo, o que dirá em manifestações diante da emissora.

Manifestações, como se sabe, são assunto na Globo apenas quando são – ou podem ser exploradas como se fossem – contra governos de esquerda.

Foi legal ver a justiça ser feita e ouvir o Miguel do Rosário, que por sua conta e risco, bancou a publicação dos documentos que lhe chegaram sobre a Globo no seu blog O Cafezinho e, com isso, deflagrou essa imensa onde de jornalismo colaborativo que está permitindo lançar luz sobre o caso. A atitude de Miguel, está se vendo, tem dez mil vezes mais coragem do que a de quem tem o dever funcional de investigar e conta com todas as imunidades para isso.

Agora, se os anos não enferrujaram o pouco que sei de jornalismo, foi também uma “respirada” para avançar mais no caso. E não demora, eu creio.

E que ninguém reduza isso a uma guerra de emissoras, como aliás a Globo faria se fosse a Record.

Se a grande imprensa estivesse cumprindo o seu dever de publicar o caso, seria apenas mais uma matéria sobre ele.

Aliás, só o silêncio da mídia já seria tema para uma reportagem chocante.

[[youtube?id=MMGauf_uY9k]]

Feitiço contra feiticeiros no STF

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo de rever seus votos no julgamento do mensalão

Por Paulo Moreira Leite na IstoÉ

Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros:

“(…) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (…) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”

Pois é, meus amigos. 

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”

É preocupante e escandaloso. 

Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate à corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito à ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostram que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu

O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denúncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros

Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 

Na verdade estamos assistindo ao processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 

O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente.

Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios – modestos, mas reais — que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 

(A prova de que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar toda iniciativa de reforma política, vamos combinar).

No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 

“Morte aos cães!”, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 

Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os ac

usados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 

No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão se render ao medo.

 

A máquina de criar e esconder escândalos

Início hoje uma pequena série de matérias sobre a absurda sonegação fiscal da Rede Globo, não sem antes dizer que no título acima roubo a ideia do jornalista Miguel do Rosário, do blog O cafezinho. Explico.

Para quem não sabe, Miguel do Rosário é o responsável pelas noites de insônia da toda poderosa Rede Globo. Um “pequeno” blog, O Cafezinho, descobriu toda a maracutaia em que está envolvida a Globo, o quarto poder que controla, simplesmente controla, os três poderes oficiais.

Ele escreveu um artigo no seu blog com o título A máquina de esconder escândalos, também sobre a Globo. Como você pode observar, só acrescentei o criar e.

Alguém pode dizer que há um “complô” contra a Globo. Não, não há. O que há são pessoas, e posso assegurar que agora são muitas, muito mais do que se possa imaginar, espalhadas por todo o Brasil preocupadas com o excessivo poder de uma concessão pública que se tornou o maior obstáculo a qualquer possibilidade de surgimento de um país justo para com o seu povo.

Essas pessoas, jornalistas, como Miguel do Rosário, ou não, como eu, projetam as suas vidas para além de programar se nas férias de meio de ano vão aos Estados Unidos e no fim do ano à Europa ou ao contrário.

É muito mais do que isso.

De uma maneira bem simples, o papel da imprensa é, sobretudo, informar a sociedade na qual está inserida e para a qual trabalha. Daí surgem temas como liberdade de expressão e liberdade de imprensa, cada vez mais integrados à vida dos brasileiros, mas intencionalmente misturados para gerar confusão na sua compreensão.

A incompreensão e o temor gerados permitiram que órgãos de imprensa deixassem de lado a razão maior que justifica a sua existência e se transformassem em verdadeiros assassinos de reputação. Não há limites.

Quem não lembra dos inúmeros escândalos criados pela Rede Globo nos últimos tempos? Quantos conseguiram ou quiseram perceber que a famosa e ferrenhamente defendida liberdade de imprensa para “informar” ao povo tinha um direcionamento? Quantos souberam ou quiseram saber de inúmeros outros casos de escândalos que foram escondidos?

Quem não lembra, por exemplo, do escândalo da tapioca, como ficou conhecido. O ato de pagar uma tapioca, um beiju de tapioca, com um cartão corporativo foi transformado num episódio de corrupção imperdoável e por esta razão o ex-Minsitro dos Esportes, Orlando Silva, foi afastado do ministério. Quanto custa uma tapioca, dez reais? Afastado do cargo, as investigações posteriores comprovaram a sua inocência.

Muitos assassinatos de reputação têm sido cometidos pela imprensa, tendo à frente a vênus platinada, sem que nada se faça. Não há a quem recorrer.

Ao contrário, as informações sobre outros inúmeros escândalos ficam “escondidas” e esquecidas, como este recentemente descoberto por Miguel do Rosário, que está há sete anos sem merecer qualquer investigação. Condenada desde 2006, nenhum dos órgãos competentes, Ministério Público e Polícia Federal por exemplo, demonstrou o menor interesse em investigar a Rede Globo.

A sociedade brasileira precisa ter parâmetros bem definidos que possam balizar a sua conduta. Ela está perdida, sem saber o que é mais grave; comprar uma tapioca de dez reais com um cartão corporativo, quando o Ministério Público e a Polícia Federal tiveram grande interesse e realizaram investigações de grande porte e um ministro foi afastado, ou uma sonegação fiscal de R$615 milhões em valores de 2006, sem que os mesmos Ministério Público e Polícia Federal manifestassem qualquer interesse em investigar durante sete anos.  

A partir das denúncias iniciais de O Cafezinho, vários jornalistas e repórteres foram em busca de mais detalhes. Desde a segunda-feira (29/07), a Rede Record começou uma série de reportagens sobre o tema, que é o que você vai ver a partir de agora nos vídeos que serão postados aqui.

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