Fernando Henrique Cardoso; envolvido na espionagem da CIA?

Fernando Henrique, o esquecido

Por Fernando Brito no blog Tijolaço

O economista Luiz Gonzaga Beluzzo, em sua coluna na Carta Capital – infelizmente o texto não está ainda na rede  – dá um “chega pra lá” no esquecido Fernando Henrique Cardoso que postou em  seu Facebook: “Nunca soube de espionagem da CIA”. E acrescentou: “Só poderia saber se fosse com o conhecimento do governo, o que não foi o caso”.

Beluzzo lembra que, entre 1999 e 2002, só a  CartaCapital ”publicou mais de uma dúzia de capas sobre a intervenção da CIA, do FBI e da DEA na Polícia Federal e nos ditos órgãos de segurança brasileiros”, grampeando “até conversas do então presidente da República”.

Escreve Beluzzo: Diz o texto da edição n°97 de CartaCapital: “Assim, enquanto o Brasil tocava o maior negócio privado dos EUA naquele ano, o Sivam, projeto de 1,4 bilhão de dólares, a CIA, órgão de espionagem dos americanos em consórcio com a polícia do Brasil, gravava conversas com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso”. FHC tem o hábito irrefreável de esquecer o passado.

Fernando Henrique só é coerente em uma coisa: o cinismo elitista com que se expressa, sempre achando que a opinião pública é formada por um bando de idiotas que o veneram. Não, não é. Apenas as editorias dos grandes meios de comunicação, que o aplaudem em tudo, o são.

Veja também:

Bob Fernandes tira a máscara de Fernando Henrique Cardoso, o esquecido 

Blog do Mello

O jornalista Bob Fernandes refresca a memória do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, com sua proverbial cara de pau, reagiu à informação de que a CIA espionava o Brasil em Brasília escancaradamente em seu governo, dizendo que nunca soube disso.

Bob Fernandes mostra que é simplesmente impossível que FHC não soubesse, e explica o porquê em sua coluna do Terra Magazine.

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Não, não foi a Bahia que foi levada ao ridículo

Se algum dia o futebol esteve isolado de qualquer outro setor da vida brasileira, há muitos anos isso não existe mais. Não é de agora que o futebol está ligado de maneira muito profunda, por exemplo, à política e justiça brasileiras.

Já tive oportunidade de dizer que está enraizado no imaginário popular que o doutor é um homem inteligente e culto (veja aqui). Daí, o desejo de todos os pais, principalmente aqueles que não foram contemplados pelo direito ao conhecimento, de que seus filhos entrem na universidade e que assim venham a pertencer ao mundo do nível superior. Nada mais natural.

Infelizmente, porém, o doutor não é sempre um homem inteligente e culto. Além disso, ainda mais do que inteligência e cultura, parece ser cada vez mais comum a esses doutores uma outra característica: ausência de sensibilidade

Sem dúvida, um dos segmentos mais tidos como reduto da sapiência é o habitado pelos homens do direito. Menino de interior, cresci ouvindo dizer que esses homens representavam o que há de mais próximo do Olimpo.

Às vezes fico a imaginar porque a vida é cruel. Fico a imaginar porque ela insiste em me tirar algumas coisas da minha infância, como, por exemplo, a inocência. Uma crueldade sem tamanho.

No entanto, ao mesmo tempo em que me queixo da vida, sou-lhe grato, por me proporcionar, quem sabe como compensação, muitas coisas boas, como por exemplo, conhecer a sabedoria popular. São do povo pérolas como a que diz: “de perto, somos todos iguais”.

Para a felicidade de mais de 99% da torcida do Bahia e das pessoas que, de alguma forma, fazem parte desse universo, o agora ex-presidente do Bahia, o Sr. Marcelo Guimarães Filho, foi deposto do cargo por medida de intervenção da Justiça. Não podemos falar de 100% de pessoas felizes porque para completar esse percentual faltam a diretoria dele (também afastada), alguns conselheiros (também afastados) e as pessoas ligadas a ele, pessoas que temos que buscar entender as suas razões.

Para a sua defesa, o ex-presidente do Bahia, quando ainda era presidente, portanto, a expensas do clube, contratou o Doutor Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay. Dono de um dos escritórios de advocacia mais reconhecidos e caros do Brasil, o Doutor Kakay é um advogado ilustre, responsável pela defesa de nomes importantes do Brasil e, talvez por isso, conhece bem de perto o poder. Como poucos, deve saber como as boas relações são importantes na sua profissão.

Apesar da sua notoriedade e do reconhecimento das suas qualidades profissionais, a pobreza das recentes declarações do Doutor Antônio Carlos de Almeida Castro não representa novidade, pelo menos para olhos mais atentos. Mas, sobretudo, elas não deixam a menor dúvida quanto ao acerto do ditado popular: “de perto, somos todos iguais”.

O mundo do nível superior não é superior a nenhum outro mundo.

Referindo-se à maneira como, segundo ele, de forma completamente equivocada o Tribunal de Justiça Desportiva da Bahia teria conduzido o julgamento que culminou com o afastamento do seu cliente da direção do Bahia, veja um trecho do que foi capaz de dizer o Doutor Kakay:

"Hoje o presidente do Atlético de Madrid me ligou perplexo pois queria comprar um jogador aqui e disse que não comprará. ‘Como comprarei se um juiz manda depois destituir? Imagine? Essa é a realidade’

É a credibilidade do futebol que infelizmente volta-se para a Bahia… Colocou-se ao ridículo, ridículo internacional, inclusive esse presidente do Atlético de Madrid e o presidente do [banco] BMG, que é o que mais investe no futebol, estão perplexos. Não posso desrespeitar o poder judiciário, mas um juiz da 18ª vara achou que poderia fazer uma intervenção. É um risco para o futebol internacional e leva a Bahia ao ridículo".

Muita coisa poderia ser extraída dessas declarações, mas vamos ao que mais chama a atenção.

O que pretendeu ou pretende o Doutor Kakay ao dizer que “hoje o presidente do Atlético de Madrid me ligou perplexo pois queria comprar um jogador aqui e disse que não comprará…”?

O ridículo do “comprar um jogador aqui” é simplesmente inacreditável. Além disso, teria o objetivo de mostrar intimidade com dirigentes do futebol internacional, mas, na verdade, deixando vir à tona o sentimento típico dos colonizados? Essa fala talvez fosse compatível com um aluno de direito no seu desejo típico de mostrar-se um pequeno rei.

A importância q

ue lhe parece ter a proximidade com o poder se manifesta outra vez quando diz “… e o presidente do [banco] BMG, que é o que mais investe no futebol, estão perplexos”. Seria um reflexo do seu reconhecimento e necessidade de ter por perto pessoas influentes a lhe respaldar, expresso de maneira tão pueril?

Haveria por parte do Doutor Kakay o desejo de pressionar o TJD da Bahia por julga-lo inexpressivo e do alto das suas relações o estaria intimidando?

Haveria por parte do Doutor Kakay o desejo de utilizar do seu prestígio por saber, como poucos, como a justiça brasileira se deixa influenciar por pressões externas, como vem acontecendo nos últimos tempos em campos que não os do futebol?

Abrindo a primeira página do seu catálogo de pessoas eventualmente influentes,  estaria o Doutor Kakay imaginando que o TJD da Bahia é constituído de juízes desprovidos de qualquer coisa, como competência, discernimento, senso de ridículo e que, além disso, entrariam em pânico pela simples citação daqueles nomes?

Doutor Kakay, mesmo com declarações desse nível, recuso-me a imagina-lo como um homem sem inteligência para perceber que não foi a Bahia que foi levada ao ridículo. 

A indignação é a base de tudo

Montagem da Globo é desmascarada nas manifestações

Na verdade, apenas mais uma.

Perceba o seguinte.

1. O homem que se manifesta no vídeo é um homem comum.

2. Ele está olhando as manifestações, não dá nenhum indício de que está inserido nela em termos de participação.

3. O que move um homem na idade desse senhor a sair às ruas para “participar” desse momento que certamente promove algum desgaste físico “não muito compatível” com a idade dele?

4. Perceba o diálogo que ele tenta travar com os funcionários da Globo. Você acha que esse senhor é um “profissional” de manifestações ou um simples pai de família?

5. Perceba a arrogância e deboche do câmera e em seguida do repórter da emissora, César Menezes, inclusive assumindo uma postura agressiva e ameaçadora.

6. Você não acha que foi daí que nasceram a ira e a indignação desse senhor, essas sim muito perigosas para a idade dele, e que ele passa a manifestar?

A rejeição geral à Rede Globo que se percebe nos dias atuais é fruto da indignação que há muito vem brotando na consciência de cada brasileiro.

Os brasileiros já perceberam e agoram deixam bem claro: tenho as minhas próprias convicções políticas. Não gosto desse ou daquele partido, mas a imprensa não pode e não vai manipular a minha cabeça e fazer de mim um boneco de ventríloquo.

[[youtube?id=AEMpfPgPqEk]]  

Por que temos essa imprensa? Porque temos essa elite

“Eu não tive instrução, mas meu filho com fé em Deus vai ser doutor”.

Inúmeras vezes ouvi essa frase.

Está enraizado no imaginário popular que o doutor é um homem inteligente e culto.

Há um ditado popular que diz: “De perto, somos todos iguais”. Ah, o povo e sua secular sabedoria.

Quanto mais você se aproxima, mais você conhece. Ah, se eles soubessem o que é o ensino superior, aquele que nos confere a condição de seres de nível superior, nos dias atuais. Opa, saiu sem querer.

A ignorância deixou de ser uma característica só dos ignorantes. Explico.

Uma definição bem simples nos diria que ignorante é aquele que ignora. No dia-a-dia tem-se como aquele que não sabe nada, um analfabeto. Podemos chamar de iletrado.

Pois fique o senhor sabendo que é cada vez mais comum a ignorância nos letrados.

As pesquisas mostram cada vez mais que a influência da grande mídia já não é como antes. Percebe-se, porém, que é cada vez maior nos segmentos tidos como de nível superior. Como é possível?

É assustador e preocupante o quanto a mídia manipula as notícias que traz ao público. Com um pouco de boa vontade, pode-se até tentar entender pela ótica de Cesare Pavese. “quando lemos, não procuramos ideias novas, mas pensamentos que já nos passaram pela mente e que adquirem, na página impressa, o selo da confirmação”.

Esta pode ser uma explicação: as pessoas só querem ver e ouvir aquilo que lhes agrada. Porém, muitas vezes isso significa agradar a sentimentos que elas desconhecem ou não querem reconhecer. São aqueles guardados a sete chaves no inconsciente. E isso nos leva a só querer ver aquele jornal na televisão, só querer ler aquela revista, porque eles dizem e escrevem o que eu desejo ouvir e ler, percebendo ou não a manipulação.

Existem vários exemplos de manipulação dos fatos. Só para citar um dos mais recentes, o da “bolinha de papel”, famoso episódio que envolveu José Serra, na campanha presidencial de 2010.

Atingido por algo durante uma passeata, passou a mão na cabeça e continuou a caminhada da simpatia. Percebendo a oportunidade, alguém liga para ele no celular e só aí que ele “sente” que se machucou e aí ele pôs as mãos na cabeça como se tivesse sido atingido por um objeto contundente. Na sequência, abandonou a caminhada e entrou num carro às pressas em busca de socorro médico.

Atendido pelo honorável médico Jacob Kligerman, que já fora subordinado a ele no Ministério da Saúde, confirmou-se o atentado: Serra realmente tinha sido atingido por um objeto contundente.

À noite, o Jornal Nacional, na sua eterna luta pela dignidade na notícia, repetiu incansáveis vezes as cenas do atentado, claro que com o auxílio de um renomado perito, Ricardo Molina, demitido da UNICAMP por fraude. Confirmava-se ali mais um atentado perpetrado pelos terroristas do PT. No calor do desejo (explica-se desejo aqui como a necessidade imperiosa de “mostrar” a violência dos petralhas), não atentaram para um detalhe inerente aos impactos de objetos contundentes no couro cabeludo: a presença de inchaço e/ou ferimento no local atingido. A total ausência de cabelos no couro “cabeludo” de José Serra certamente favorecia essa observação o que, de fato ocorreu; esses sinais não estavam presentes. Mas era só um detalhe, sem importância.

Em outros tempos, a nossa grande (?) mídia, com a sua eterna imparcialidade e apartidarismo, teria comprovado à população brasileira mais um ato de terrorismo.

Não demorou muito.

José Antonio Meira da Rocha, Professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação Superior Norte-RS (UFSM/CESNORS), campus de Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, Brasil, desmascarou inteiramente, completamente, totalmente, a Rede Globo e os demais componentes do GAFE (Globo, Abril, Folha e Estadão).

Mostrou a farsa. Na verdade era uma bolinha de papel. A Rede Globo ainda tentou se explicar, mas não dava mais. Calou. O assunto morreu… para ela. Talvez eu deva dizer que não entre os fieis seguidores da Globo, mas entre os internautas e todos os que conseguem usar o controle remoto, a Globo foi ridicularizada.

Veja o vídeo. Observe que aos 0,47 segundos ele é atingido, olha e continua…

[[youtube?id=6aKt886xIPc]]

Todas as matérias veiculadas pelo GAFE, todas, são incorporadas de imediato ao imaginário das pessoas de um determinado segmento da sociedade como ato de fé. Já briguei muito por isso. Somente há pouco tempo entendi porque essas pessoas se recusam a ver aquelas “verdades” sob um outro ponto de vista. Talvez se possa nos tempos atuais entender melhor e aplicar a frase de um escritor português, Eça de Queiroz: “Ou é má fé cínica ou obtusidade córnea”.

Tão cedo não esqueço a comparação do telespectador brasileiro a Homer Simpson (personagem do desenho Os Simpsons) feita por William Bonner, numa clara alusão à estupidez desse telespectador. Para Bonner, quem assiste ao Jornal Nacional todos os dias, é um Homer Simpson.

[[youtube?id=-kWlCKWTmdE]] 

Carta aberta aos colegas da Globo

Por Marco Aurélio Mello, do Blog DoLaDoDeLá

Caros Colegas,

Conheço a maioria de vocês e dou meu testemunho da dureza que é trabalhar como jornalista na TV Globo. Já fui um de vocês por 12 anos, por isso falo de cátedra. Acordamos cedo, às vezes cedo demais, dormimos tarde, quase sempre tarde demais e passamos o dia todo conectados. Cobram de nós que tenhamos lido tudo e visto todos os programas da emissora, inclusive os de entretenimento.

Muitos só conhecem a escala do dia seguinte na noite anterior. Muitos têm um rádio Nextel apitando em nossas orelhas dia e noite. E muitos mais ficam on line pelo exchange, mesmo estando em casa, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Parece propaganda de caixa eletrônico, não é?

Nossas famílias vivem em função da nossa escala e das nossas "conquistas". Somos mal remunerados, muito mal a propósito. Pagam para um repórter inciante a aviltante quantia de R$ 3,5 mil brutos. Aos editores um pouco menos e os produtores, rádio-escutas, operadores e estagiários é melhor eu nem falar. Os chefes te dizem com a maior cara lavada que, para o seu posto de trabalho, tem 20 na porta esperando, sujeitos a ganhar a metade. Veja que triste efeito da Oligopolização.

Há uma pequena "casta", cada vez mais restrita, composta pelos figurões, que chegam a faturar uns R$ 50 mil cada, mas são poucos, muito poucos. Como levam vida de bacana, inspiram muitos a continuarem transpirando, na esperança de um dia alcançarem o Olimpo. A maior parte deles, infelizmente, é apenas uma representação simbólica daquilo que as pessoas acham que eles são, heróis, meio homens, meio deuses, portanto imortais. Como não existe almoço grátis, são todos pessoas jurídicas, ou seja, colegas do dono, já que também ostentam a condição de patrões.

A rotina é bem triste: a chefia de reportagem briga com as equipes, quando param na rua para tomar um café. As equipes acham a chefia tirana e a pauta ruim. Os produtores acham os repórteres preguiçosos e presunçosos. Já os repórteres acham os editores preguiçosos e presunçosos. Por seu turno, os editores acham os repórteres vaidosos, arrogantes e assoberbados. Esta carnificina acaba com a humanidade de qualquer um. O mantra é competição, produtividade e resultado. Não é jogo para amadores, costumam dizer os chefetes.

No entanto, todos somos cordiais uns com os outros e demonstramos um profissionalismo extremo em momentos de grande comoção, como nas tragédias, que de tempos em tempos abatem-se sobre todos nós. É quando a redação se supera e todas as diferenças são postas de lado, para uma corrida desenfreada pela notícia, pela melhor declaração, pelo melhor ângulo, pelo melhor resultado…

Por tudo isso, sei o quanto são guerreiros e o quanto são valiosos. Sei também quantos usam e abusam de drogas nas pias de mármore. Sei de quantas lágrimas verteram nos camarins e nos banheiros. Sei o quão dolorosa é essa vida de vocês, enquanto mantém a pose de grandes comunicadores, profissionais privilegiados e admirados na rua, valiosos e idealizados nas universidades.

Se, de fato, os colegas tivessem compromisso com a justiça social, o combate à pobreza e à desigualdade, em um mundo mais próspero e solidário, jamais aceitariam que seus patrões-colegas abusassem como abusam do poder que têm. No condicional, para fazer como aprendi com vocês, dizem que eles corropem, subornam e desviam. Também dizem que eles manipulam, tramam e chantageiam. E, assim, deixam tudo como está, porque para eles está bom demais assim.

Entendo o momento que estão passando. As pessoas já não olham mais com a mesma admiração para vocês. Seus filhos e amigos os questionam sobre o que vêem na internet e há uma legião disposta a tirar a pele de vocês, não pelo que são, mas pelo que representa o cubo que carregam no microfone e o logotipo estampado no carro ( mais uma vez a representação simbólica… ).

Portanto, pensem se não é hora de dizer não. Perguntem aos colegas se não é o caso de procurar coletivamente a direç

ão para negociarem um pacto. O que vocês precisam é fazer apenas o bom e velho jornalismo que sabem, sem ingerências, sem controle, sem manipulação. Afinal, vocês vendem a eles apenas sua força de trabalho, não aquilo em que vocês acreditam e que pode sim transformar o mundo num mundo melhor para todos.

Pensem nisso e contem comigo sempre que quiserem desmascarar seus algozes.


Ato contra a Globo na Bahia

ATO CONTRA A GLOBO! Veja a matéria completa aqui Rede Bahia, mentira todo dia

NA PORTA DA REDE BAHIA: Assembleia Popular Pela Democratização da Comunicação.

Salvador, 11 de julho, às 10 horas.

“A Globo na Bahia se transformou no instrumento político no combate à oposição. Sempre que um oposicionista conseguiu se eleger, foi massacrado pela Rede Bahia, que o Roberto Marinho e a Rede Globo sabem perfeitamente ser um instrumento político a serviço de Antônio Carlos Magalhães” (João Carlos Teixeira Gomes, Jornalista).

“O povo não é bobo, fora Rede Globo” (grito que ecoou nas manifestações recentes em nosso país, que levaram milhões de homens e mulheres às ruas).

“Rede Bahia, Mentira Todo dia” (se ouviu nas manifestações em Salvador).

A Rede Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão tem a sua história marcada por escândalos e corrupção. O império consolidado por Antônio Carlos Magalhães foi construído quando o ex-senador se encastelou no Ministério das Comunicações durante o Governo de José Sarney, em 1986, com o objetivo de formar uma rede de alianças midiáticas sob a direção da sua família e grupo político, para dominar a política no estado da Bahia e perseguir a oposição.

A Rede Bahia controla os meios de comunicação de massa em nosso estado e impede que o povo trabalhador tenha acesso à informação sadia e de qualidade, inviabilizando a ampliação da democracia no país e na Bahia. Atrelada a um passado sombrio, a Empresa se beneficiou de trapaças e ilegalidades nas concessões de radio e TV, operadas pelo então Ministro ACM.

Hoje, a Rede Bahia comanda 10 grandes veículos de comunicação de massa: 7 emissoras de TV, duas rádios FM e um Jornal impresso. Esses instrumentos supostamente voltados a comunicar, estão à serviço de uma ideologia reacionária, atrelada aos interesses das elites dominantes em nosso país e no estado da Bahia. Através da Rede Bahia o povo é cotidianamente bombardeado com manipulações voltadas a criminalizar os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade; tipifica os jovens negros e negras das periferias como “inimigos padrões”; promove a mercantilização da vida e corpo das mulheres; impedem que as pautas populares sejam veiculadas; persegue funcionários que não se adaptam às suas idéias reacionárias e estão à serviço de setores que querem destruir as conquistas democráticas dos últimos 10 anos.

A Rede Bahia integra as Organizações Globo, maior conglomerado midiático da América Latina e um dos maiores do mundo, e estão presentes em praticamente todas as formas de mídia: jornais, revistas, rádio, internet, televisão (aberta e fechada), música e cinema. Propriedade da família Marinho, o grupo controla a maior rede de televisão do País, a Rede Globo de Televisão. Em torno dela está formada uma cadeia composta por 121 emissoras de TV entre geradoras (06) e afiliadas (115), com uma cobertura que alcança 5.441 municípios brasileiros e um público estimado em 159 milhões de espectadores. À rede de televisão dos Marinho orbitam 204 veículos de comunicação, distribuídos por 89 TVs VHF e 08 UHF, 34 rádios AM e 53 FM, além de 20 jornais.

A Rede Globo e a Rede Bahia estão diretamente envolvidas no período nefasto da Ditadura Militar (1964-1985) em nosso país, que cumpriu o papel de entregar as nossas riquezas para o capital estrangeiro, perseguir, torturar e assassinar uma série de lutadores e lutadoras que queriam ver brotar a democracia em nosso país.

Nesse momento, pesa sobre a Rede Globo a revelação de que houve irregularidades na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela emissora, que teve que pagar R$ 270 milhões à Receita Federal, apesar de mentir, negando a sonegação fiscal. A Rede Globo e a Rede Bahia tremem de medo e ódio quando as organizações populares e movimentos sociais de comunicação afirmam a necessidade da Democratização dos Meios de Comunicação em nosso país.

No momento da Assembléia Popular pela Democratização dos Meios de Comunicação, coletaremos assinaturas para a proposta de iniciativa popular de uma nova lei geral de comunicação. O projeto trata da regulamentação da radiodifusão e pretende garantir mais pluralidade nos conteúdos, transparência nos processos de concessão e evitar os monopólios. Democratizar a comunicação no país é batalha fundamental de todos os lutadores e lutadoras do povo e se insere na disputa pelas reformas estruturais em nossa sociedade. Em torno das lutas fortaleceremos a construção de um Projeto Popular para a Bahia e o Brasil.

O império desmorona?

Imagem removida do blog do Miro

Por Ronaldo Souza

Essa história, que desmoraliza a Rede Globo, foi descoberta pelo jornalista Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, e na sequência outros jornalistas, também blogueiros, como Rodrigo Vianna no Escrevinhador e Luiz Carlos Azenha no Viomundo, foram descobrindo mais coisas. Você pode acompanha-la um pouco também através do Falando da Vida. Como é possível que alguns não queiram ler o que esses jornalistas acabaram de descobrir pela extensão da matéria e tantos documentos, vai um brevíssimo resumo. Porém, seria interessante que lessem as matérias produzidas por esses blogueiros.

Uma jogada feita pela Rede Globo em paraísos fiscais das Ilhas Virgens Britânicas para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 foi flagrada pela fiscalização da Receita Federal. A comprovação da sonegação fiscal gerou um processo contra a Globo, no valor de 183 milhões de reais que, diante de multa e correção chegaram a 615 milhões em 2006.

Em janeiro de 2007, durante as suas férias, a Sra. Cristina Maris Meinick Ribeiro foi à Receita Federal, de onde é funcionária, teve acesso ao local onde ficam “guardados” os documentos desse porte, pegou as pastas correspondentes (segundo depoimentos eram documentos volumosos) e saiu, foi embora. Simples assim.

Ocorre que as câmeras de segurança filmaram todo o ocorrido, além do fato de que foi vista pelos seus colegas de trabalho, com quem certamente conversou. Vamos resumir mais ainda. Foi julgada e condenada a 4 anos e 11 meses de cadeia.

Na própria sentença de condenação, está escrito com todas as letras que "em relação ao processo fiscal nº 18741.000858/2006/97 e seu apenso nº 18471.001126/2006-14, instaurado em desfavor da GLOBOPAR, restou claro que a ré os ocultou, com o evidente propósito de obstar o desdobramento da ação fiscal que nele se desenvolvia, cujo montante ultrapassava 600 milhões de reais".

Entretanto, ela contratou cinco advogados, que entraram com um pedido de Habeas Corpus e foi libertada. Até hoje responde em liberdade. Quem deu o Habeas Corpus? Gilmar Mendes, conhecido no meio jurídico pelo gosto por Habeas Corpus.

Foram dele alguns dos mais conhecidos, como o do milionário médico Roger Abdelmassih. Acusado por estupro de pelo menos 39 pacientes na sua clínica, foi condenado a 278 anos de prisão em regime fechado. Ganhou um Habeas Corpus de Gilmar Mendes e assim que se viu fora da cadeia fugiu do Brasil. O outro foi o que envolveu Daniel Dantas, para alguns o intocável dono do Brasil, que em 48 horas obteve dois Habeas Corpus com Gilmar Mendes. Dizem os entendidos que não há caso semelhante a esse no mundo, dois Habeas Corpus em 48 horas.

Não há o que dizer, aliás, não deveria precisar. Bastaria colocar os links que dão acesso às matérias, aliás, o que você terá ao final desse texto. No entanto, talvez caibam algumas perguntas.

– O que teria feito a Sra. Cristina Maris Meinick Ribeiro praticar um ato dessa envergadura sob o risco de, entre outras coisas, perder o seu emprego?

– Quem a teria convencido?

– Ganha tão bem assim uma funcionária da Receita Federal para poder contratar cinco renomados advogados?< /span>

– Como explicar que uma funcionária da Receita Federal, no gozo de suas férias, tenha acesso a documentos tão importantes, entre no local destinado a eles, remova-os do lugar, seja vista através das câmeras de segurança entrando e saindo, seja vista pelos seus colegas e nada seja feito?

– As referidas câmeras de segurança da Receita Federal dispensam o uso de funcionários (quem sabe, seguranças) para, através delas, promoverem a segurança do local e dos documentos ali guardados?

– As referidas câmeras de segurança da Receita Federal têm somente a função de gravar o ocorrido no local, isto é, só servem para uma “averiguação posterior”, algo tipo, “olha, foi ela mesmo”.

– Teria sido a Sra. Cristina Maris Meinick Ribeiro corrompida para fazer tão perigosa empreitada?

– Se foi corrompida, é possível corrupto sem corruptor?

– Se existe um corrupto que foi preso, onde anda o corruptor?

– Quem teria interesse em patrocinar o sumiço de documentos que comprovam a sonegação fiscal de milhões de reais por parte da Rede Globo? Teriam sido os seguranças, por adorarem as novelas daquela emissora? Teria sido a Rede Record?

O risco de que falamos acima sobre “praticar um ato dessa envergadura sob o risco de, entre outras coisas, perder o seu emprego” tanto existia que aconteceu. Cristina Maris Meinick Ribeiro foi expulsa do serviço público com perda de todos os direitos, inclusive a aposentadoria. Entretanto, diante da pergunta que está sendo feita por todos – “quanto custa sumir com um processo de 615 milhões?” – é possível, que dinheiro não seja mais problema para ela. Veja a oficialização da sua expulsão neste linkPortal da Transparencia

Veja a matéria completa nos blogs O Cafezinho, Escrevinhador, Viomundo e em tantos outros. Além disso, muito provavelmente teremos reportagens feitas pelas redes de televisão. A Rede Record já fez pelo menos uma.  

Quando estava terminando de escrever esse texto surgiram novos documentos. Veja aqui: mensalao da globo primeiras paginas da bomba atomica.

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Joaquim Barbosa escondeu laudo que envolvia seu filho

Relações estranhas O Cafezinho

Empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa

por Helena Sthephanowitz na Rede Brasil Atual.

Se Barbosa é relator da ação que envolve Valério, não deveria ter mais atenção a este tema?

O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.

Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado “mensalão”, e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado “mensalão”, identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado “mensalão”) junto com Henrique Pizzolato.

Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.

Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.

Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.

PS O Cafezinho: Barbosa manteve-se o inquérito 2424 em sigilo absoluto. Neste inquérito, constavam documentos que podiam inocentar vários réus da Ação Penal 470. Os documentos também envolviam, conforme denúncia da Rede Brasil Atual, o seu próprio filho, que trabalhou numa empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério. Tudo muito estranho. Ainda iremos escrever um bocado sobre isto. Aguardem.

Por que temos essa imprensa?

Primeiro, veja essas duas manchetes:
 
1. Brasil desiste de vinda de 6.000 médicos cubanos
2. ‘Alvo’ do Brasil, Portugal buscou médicos em Cuba
 
Ambas são do jornal a Folha de São Paulo, em “reportagens” feitas pela jornalista Flávia Marreiro, que você pode ler aqui e aqui.
 
Agora veja a matéria do Correio do Brasil e volto a falar com você ao final dela. 
 
Negociações entre Brasil e Cuba para contratação de médicos seguem normais
 
Não procede a informação de que o Ministério da Saúde tenha paralisado negociações com o governo cubano para a contratação de médicos formados naquele país. Segundo a assessoria de Comunicação Social do ministro Alexandre Padilha, ao Correio do Brasil, “o programa lançado nesta segunda-feira não traz qualquer alteração na política de contratação de médicos do exterior, nem em relação a Cuba ou qualquer outro país”.
 
O desmentido ocorre sobre uma matéria publicada na última edição do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, na qual a repórter Flávia Marreiro afirma que “o Brasil paralisou as negociações com Cuba” para a contratação de 6 mil médicos cubanos.
 
– Não sei de onde a repórter tirou essa informação. Aqui na assessoria (de imprensa) não foi, e em nenhum outro segmento do Ministério, pois o programa lançado pelo ministro na tarde desta segunda-feira está pronto e não traz, de forma alguma, essa informação – afirmou a jornalista que conversou com a reportagem do CdB.
 
A Folha também afirma que “nem o Ministério da Saúde nem o Itamaraty, que havia anunciado a tratativa em maio e agora diz que ela está congelada, explicam as razões da mudança de planos”. Mas a resposta do Itamaraty foi ainda mais contundente.
 
– Isso é tudo invenção. A repórter já ligou com a matéria pronta. Por mais que disséssemos serem improcedentes todas as informações que ela apresentava, de nada adiantou – afirmou a assessora do Ministério das Relações Exteriores, ao CdB.
 
Ainda de acordo com o Itamaraty, compete à chancelaria brasileira viabilizar os trâmites legais e as negociações entre os governos brasileiro e cubano para a contratação dos profissionais, “mas em momento algum é tarefa do Ministério das Relações Exteriores traçar a política pública de saúde do país”, acrescentou.
 
A informação da Folha, de que “a desistência do Brasil é um revés para Havana, que tem dito que o envio dos médicos ao exterior é sua maior fonte de divisas e deseja ampliá-lo” também foi categoricamente desmentida por alta fonte do governo cubano próxima às negociações, ouvida por telefone pela reportagem do CdB, em condição de anonimato.
 
– Em nenhum momento houve a suspensão das negociações com o governo cubano para o envio dos médicos ao Brasil. Aqui (em Havana), a notícia sequer repercutiu, pois os preparativos para a viagem dos profissionais que seguirão ao B

rasil seguem normais, sem nenhuma intercorrência. Ao contrário do que disseram aí (no Brasil), estão todos muito felizes em poder contribuir para a saúde dos nossos irmãos brasileiros – afirmou.

 
O programa de contratação de médicos estrangeiros, em curso no Ministério da Saúde, também buscará profissionais de outros países, como Espanha e Portugal.
 
– Não há exclusão de nenhum país, exceto aqueles que tenham uma relação médico/habitante menor do que a do Brasil. Esta é a única condição impeditiva para a contratação de profissionais de saúde de outras nacionalidades – concluiu a assessora do Ministério.
 
Posso assegurar a você que esse tipo de manipulação não é de agora. Houve um período em que diminuiu bastante, mas nos últimos dez anos ela ocorre todos os dias. 

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Mensalão da Globo: a bomba principal ainda vai explodir

Por Miguel do Rosário

Com o vazamento de um processo que pode vir a ser o maior escândalo fiscal da história recente, e desmoralizar a Rede Globo, amigos e leitores ficaram bastante procupados com minha segurança física. Um leitor me ligou e perguntou, preocupado: “você tem ideia no que está se metendo? Fica atento a isso, eles fazem a pessoa desaparecer, ter um infarte na rua…”

O mesmo cidadão me deu um conselho, que achei inteligente: distribuir responsabilidades. Apesar da minha admiração por figuras como Assange e Snowden, não quero ficar preso por anos numa embaixada do Equador, nem ser perseguido mundo a fora pela CIA.

Segui os conselhos, e distribuí dicas e sugestões. Agora a matéria deixa de ser apenas um “furo” do Cafezinho: há mais gente de posse das informações. Com Rodrigo Vianna chutando o pau da barraca e revelando que o documento que vazei são apenas uma pequena parte de uma ampla investigação sobre as atividades da Rede Globo em paraísos fiscais, o caso ganha uma dimensão mais explosiva. Pode ser, como observou Vianna, uma bomba atômica.

Agora todo mundo sabe que existe, em algum lugar, um relatório oficial da Receita que pode ferir gravemente o maior conglomerado de mídia da América Latina. Ainda não foi revelado a público onde está o processo. Mas todos sabem que está próximo, e farejam seu alto grau de radioatividade.

Jornalistas investigativos bem mais competentes do que este modesto blogueiro já estão em campo. O caso virou também uma guerra de gigantes: a Record, que tem antigas contas a acertar com a Globo, já decidiu usar o caso para detonar a rival, o que é ótimo para o Brasil.

As coincidências do caso Globo com as operações de lavagem de dinheiro registradas na “privataria tucana” sugerem ainda possíveis (e escusas) ligações financeiras entre o poder político à época (governo FHC) e a Globo. Não esqueçamos que a Globo não apenas apoiou o processo de privatização, ela foi uma de suas principais formuladoras e articuladoras políticas.

Quero registrar aqui a enorme quantidade de apoios que tenho recebido. Fernando Brito, do Tijolaço, postou-se à nossa porta armado até os dentes com sua verve feroz e agilidade mental incomparável. Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé, me ligou assim que a coisa explodiu para me dar apoio: “Miguel, se precisar de alguma coisa, grita!”

Felizmente, pude responder ao Miro que não precisava de nada, que tenho um exército poderoso, meus leitores, que divulgam o conteúdo, adquirem títulos-fantasia do blog e fazem assinaturas.

Estamos neste pé. Onde foi parar o documento da Receita Federal contendo a investigação completa sobre a Rede Globo? O documento que divulguei foi o único a que tive acesso.

Eu confirmo algumas informações dadas por Rodrigo Vianna:

1) De fato, minha fonte – o “garganta profunda” – afirma que os documentos vazados eram apenas um “aperitivo”. Que a bomba mesmo ainda vai explodir. A movimentação da sociedade e do Congresso será decisiva para exigir, em nome da transparência, que a íntegra destes documentos venha à tôna imediatamente.

2) Os documentos originais, que estranhamente jamais foram digitalizados, sumiram dos arquivos da Receita Federal. Ninguém sabe, ninguém viu. Com o caso estourando em toda parte, funcionários entraram em pânico. Eu tinha essa informação há alguns dias, mas preferi aguardar porque não encontrava um “gancho” jornalístico. Vianna conseguiu uma outra fonte que forneceu informações suplementares sobre as dificuldades financeiras que a Globo enfrentava no momento em que a Receita a flagrou com a boca na botija.

A máxima do jornalismo investigativo manda seguir o rastro do dinheiro, aí incluindo dívidas. O caso envolveria, além de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crime contra o sistema financeiro e sonegação fiscal, alguma tentativa de suborno para fazer o processo sumir do mapa, até prescrever? A próprio Globo dá a pista ao afirmar, em sua lacônica resposta, que tem débitos sendo “discutidos” junto ao Conselho de Contribuintes, um órgão civil ligado à Receita, que conta com a participação de membros de associações empresariais. Que dívidas da Globo estão sendo discutidas no Conselho de Contribuintes? Quais seus valores? Porque uma empresa de concessão pública tem direito a tanto sigilo? Quem fazia parte do Conselho de Contribuintes na época em que a tal dívida da Globo foi discutida?

A admissão da própria Globo de que tem dívidas na Receita é confirmada na Certidão que acessamos na internet:

Um auditor fiscal mandou um email para nosso blog para afirmar que acha um tanto estranho a Globo ter pago esta dívida sem esgotar as possibilidades de recorrer. E informa que os dados do processo indicam que ela deve estar no destino, no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) de Ipanema, Rio de Janeiro.

Assim como o Globo conseguiu pressionar o Supremo Tribunal Federal a julgar às pressas a Ação Penal 470, para que nenhum crime prescrevesse, a sociedade também deve cobrar o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita, para que investigue o caso da sonegação da Globo antes que seus supostos crimes prescrevam. É inacreditável que a Globo continue pressionando o STF a mandar prender Henrique Pizzolato e Genoíno, sem provas (ou antes, com provas inocentando-os!), e saia impune de um crime fiscal para o qual existe uma ampla investigação já pronta, e concluída!