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Prof. Lars Spangberg (e uma endodontia que não existe)

Há 4 anos escrevi um texto em que falo de como a minha concepção endodôntica mudou a partir de outubro de 1986, graças ao Prof. Larz Spångberg, editor científico da seção de endodontia do Triple O (clique aqui para ler Pondo os pingos nos is). De lá para cá tentei acompanhar com muito interesse boa parte da sua vida profissional, até fazer um contato por e-mail, em 2007, quando narrei aquele acontecimento que mudara a minha forma de ver a endodontia.

Mostrou-se surpreso pela minha narração detalhada de um fato ocorrido há 21 anos. Como um cavalheiro, gentilmente agradeceu pelo meu texto e humildemente discordou de mim ao não se dar o mérito da sua influência sobre o meu trabalho. Foi naquele momento, entretanto, que para minha surpresa e tristeza, ele me antecipou a sua “aposentadoria” para breve, confirmada pelo editorial escrito em julho de 2011, no Triple O.

A surpresa foi menor do que a tristeza, por ser compreensível o seu desejo de “dedicar mais tempo à família”, como ele relatou à época. A grande tristeza foi pelo fato de que a endodontia perde uma voz importante.

A importância do Prof. Larz Spangberg, entretanto, não se fez traduzir na repercussão do seu editorial no Brasil. Estranho isso, não só pelo que ele representa, mas também pelas sábias colocações sobre um tema da maior importância, em um momento preocupante pelo qual passam o ensino e, consequentemente, também a prática da endodontia. Terá sido justamente essa a causa, ou seja, o seu posicionamento a favor do verdadeiro ensino e não o só ensinar a “fazer um canal”, para a não repercussão do seu editorial? Afinal, a quem deve interessar a reflexão em detrimento de como usar instrumentos/materiais e técnicas?

Se você observar bem perceberá que tenho “conversado” com você quase que sistematicamente nos últimos tempos sobre a questão da seriedade no ensino da endodontia. É só ver a quantidade de posts publicados recentemente no nosso site sobre esse tema (confira aqui).

As novas técnicas serão sempre bem-vindas em endodontia, pelo que de bom podem trazer, mas, sem nenhum receio de como posso ser interpretado, arrisco-me a dizer que, neste momento, do que menos precisamos é de técnicas novas. Precisamos, isso sim, consolidar os princípios estabelecidos e consagrados que deveriam reger a endodontia. Assim, saberemos ver o real valor do que já existe e do que ainda virá. Caso contrário, veremos cada vez mais profissionais serem induzidos por caminhos no mínimo duvidosos.

É cada vez mais comum jovens profissionais “escolherem” esses caminhos, devidamente auxiliados pelos novos donos da verdade que, mesmo sob o manto da humildade e de um altruísmo tão sólido quanto uma geléia, frequentemente deixam vir à tona a sua arrogância e prepotência cada vez que se sentem contrariados nas suas sábias e doutas opiniões.

A preocupação com esse aspecto sempre foi uma tônica na vida do Prof. Spangberg, ao ponto de chamar à responsabilidade a Associação Americana de Endodontia (como você verá no texto), tão endeusada entre nós. Lá como cá, há uma farsa no ar. A endodontia brasileira carece de uma associação nacional forte, séria e isso só será possível quando professores sérios e comprometidos de fato com a qualidade da endodontia estiverem à frente desse processo. Enquanto isso não acontecer, a nossa especialidade não terá uma representatividade à altura; estará voltada somente para o seu interesse paroquial e político.

Como uma homenagem, traduzi há algum tempo e somente agora transcrevo abaixo o último editorial do Prof. Larz Spangberg. É possível que em algum momento você ache que há um pouco de exagero nas suas considerações, mas, certamente, será bem pontual.  Preciso esclarecer que a tradução é literal, inclusive preservando todas as aspas do texto original, e em pouquíssimos momentos precisei adaptar a construção da frase ao nosso idioma para melhor compreensão. Somente me permiti fazer negritos em determinados trechos por me parecerem relevantes. Quem quiser ter acesso ao texto original, por favor, clique aqui Are we doing enough?

Estamos fazendo o suficiente?

Este será o meu ultimo editorial neste periódico, porque recentemente renunciei à função de editor da seção de Endodontia. Desfrutei imensamente essa função e pude ver o crescimento do conhecimento básico na endodontia. Durante os 10 anos em que desempenhei essa função testemunhei um aumento assombroso da submissão de artigos. A pesquisa endodôntica não está mais limitada a um pequeno número de países mas se espalha por todos os cantos do mundo. Entretanto, enquanto o interesse pela pesquisa em endodontia está crescendo, a preservação dos dentes na prática clínica está sendo questionada por muitos interesses, particularmente aqueles do lucro mais fácil dessa loucura dos implantes. Acredito que estamos numa encruzilhada e que precisamos avaliar cuidadosamente onde estamos e para onde vamos. Uma análise crítica é muito importante neste momento, para que possamos juntos traçar planos para o
futuro.

Regularmente recebo artigos de estudos de cortes transversais de tratamentos endodônticos de vários países ou grupos populacionais. Esses estudos relatam resultados que são, na maioria das vezes, deprimentemente similares. Eles mostram que a doença residual após tratamento endodôntico, nos grupos populacionais, é elevada. Sob qualquer ângulo que olhemos os resultados, o número de insucessos na prática clínica é inaceitável se compararmos com os resultados de estudos controlados. O resultado de um ano após tratamento endodôntico de canal com polpa viva deveria ser altamente previsível e de sucesso.

Por que estamos nessa situação embaraçosa em uma disciplina que em periódicos científicos costuma apresentar altos índices de sucesso? Na maioria das vezes, os avanços em anos recentes têm sido associados ao desenho dos instrumentos e materiais, o que tem resultado em melhora onde o tratamento pode ser feito com o menor sofrimento para o paciente em menor tempo. Entretanto, há pouca evidência de que o resultado do tratamento seja melhorado de forma significante.

Aspectos essenciais para o sucesso do tratamento endodôntico têm sido acumulados pelas pesquisas, no entanto, todas essas informações se perdem nos consultórios, onde o conhecimento tem sido brutalmente ignorado num processo chamado de “fazer um canal”. A literatura diz que o tratamento de um dente com polpa viva tem um percentual de sucesso significantemente maior do que um com polpa necrosada, infecção do canal e lesão periapical. Na primeira situação, o tratamento tem como foco a assepsia, enquanto que na segunda o foco é a antissepsia. A despeito desse conhecimento, a maioria dos dentistas usa somente uma forma de tratar o canal, superficialmente conhecida como “fazer um canal”. Não é nenhuma surpresa porque a maioria dos programas de pré e pós-doutorado não fazem a distinção entre as várias doenças pulpares e seus tratamentos, uma prática corroborada pelas normas de seguro da American Dental Association/American Association of Endodontists (AAE), que não fazem distinção para o tratamento de dentes com patologia simples ou complexa. É ridículo imaginar que graduandos de bom nível e dentistas/endodontistas são relutantes ou incapazes de diferenciar os 2 conceitos de tratamento limitados a 2 doenças fundamentalmente diferentes. Isso resulta em um ambiente em que o tratamento baseado em ciência dá lugar a um procedimento mecânico (“fazer um canal”).

Há alguma solução para esse sério problema de tratamentos endodônticos precários que proporcionam elevado número de resultados desfavoráveis? Sim, mas não até os especialistas (e suas associações) e educadores da endodontia mudarem profundamente a abordagem do ensino endodôntico, nos dois níveis, pre e pós doutorado. A tendência tem sido descer à mediocridade. Por isso, temos que aceitar que na maioria das faculdades nos Estados Unidos (e provavelmente no mundo), os alunos de graduação possuem experiência suficiente para começar como endodontistas. A experiência que se exige para a graduação vem continuamente baixando a um nível em que mesmo o melhor estudante possui o mínimo de competência, ainda que uma pobre explicação, falta de pacientes, seja dada como causa do problema. Assim, o modelo clássico de ensino não funciona mais e deve ser modificado. Um procedimento endodôntico é irreversível e mais complexo do que uma restauração de amálgama ou resina composta. O currículo escolar também geralmente limita severamente o ensino a um nível em que a técnica ocupa a maior parte do tempo e o conhecimento de patologia, microbiologia e os objetivos do tratamento são minimizados.

Esses tópicos também são geralmente esquecidos em programas de pós-graduação, especialmente naqueles de 2 anos de duração. Os assuntos são ensinados, mas os fatos são raramente praticados. O protocolo de tratamento é modificado regularmente em função do diagnóstico pulpar ou perirradicular? O material de biópsia é regularmente discutido à luz da microscopia ótica? A assepsia é sistematicamente ensinada pelo uso de técnicas microbiológicas? O sucesso da antissepsia é regularmente avaliado por uma simples técnica de cultura ou acompanhamentos sistemáticos durante alguns anos? São técnicas simples de ensino que ajudam o entendimento dos alunos e demonstram fatos. Ao contrário, os futuros especialistas leem infindável quantidade de artigos sobre esses assuntos que frequentemente entram por um ouvido e saem pelo outro sem serem mentalmente absorvidos. Em microbiologia, os alunos de pós-graduação leem e aprendem a regurgitar centenas de espécies bacterianas e mediadores moleculares sem entenderem o que significam clinicamente, se alguma coisa significam. Parecemos estar apaixonados por brinquedos de alta tecnologia e biologia de engenharia tecidual esquecendo os princípios básicos. Sou antiquado o suficiente para acreditar que iremos retornar ao ensino de base sólida e por acompanhamentos rigorosos ter certeza de que alunos de graduação possuem desenvolvimento intelectual para compreender de fato os objetivos do tratamento endodôntico. Isso requer trabalho árduo por parte dos professores e diretores de escolas, solidamente suportados pela comunidade de especialistas em endodontia e suas associações nacionais. A qualidade do tratamento endodôntico na prática tem que melhorar ou restringir-se ao tratamento de canais com polpa viva. Essas mudanças são necessárias para estabelecer a condição do tratamento endodôntico como opção válida de terapia. O tratamento endodôntico é altamente bem-sucedido se executado da forma correta. Somente por um grande esforço de todos nós e abandonando a “promoção social” a tendência pode ser modificada e conduzir à competência.

Ouço frequentemente dos meus amigos especialistas como os clínicos gerais fazem tratamentos endodônticos insatisfatórios, precisando de retratamentos. Entretanto, nós próprios criamos essa situação ao ignorar os programas de pré-doutorado e focando todos os nossos esforços na educação pós-doutorado. Remediar essa séria deficiência é responsabilidade de todos e deve ser compartilhada por “town and gown” (expressão utilizada para designar comunidades distintas numa suposta “cidade universitária”, sendo ‘town’ a parte não acadêmica e ‘gown’ a acadêmica). Por essa razão, as associações de especialistas, como a Associação Americana de Endodontia, devem olhar além do seu interesse paroquial e político < /em>(aqui o autor cita a Associação Americana de Endodontia. No Brasil não existe uma associação nacional de endodontia) e realmente se engajar no processo de educação endodôntica de alto nível em todos os níveis. Esta será uma tarefa muito difícil e exigirá mudanças organizacionais. Enquanto o tratamento endodôntico para a população em geral não for praticado em ótimos níveis, e por isso altamente bem-sucedido, a especialidade não crescerá.

Obrigado por me ouvirem pela última vez. Como sempre, desfrutei a oportunidade de compartilhar os meus pensamentos com vocês.

Larz S.W. Spångberg, DDS, PhD
Section Editor, Endodontology

Vou usar a mesma expressão que o Prof. Spangberg utilizou, para dizer o que penso: sou antiquado o suficiente para poder afirmar que essas mudanças, se acontecerem, não irão acontecer tão cedo.

Obturação no limite apical

Rosamaria Sakaguchi Martins:
Paciente de uns 40anos,apresenta dor no dente 21,sem carie e sem problema periodontal. Então cheguei a conclusão que a endo foi provocada devido a mordida. a endo foi feita, mas a paciente continua sentindo dor,ao tocar o dente e ao morder. Rx não apresentou na, o material obturador está no limite apical e sem espessamento periodontal.Foi feito ajuste oclusal. O que pode ser a causa da dor?
Obrigada.

Rosamaria, diante do ajuste oclusal que foi feito, imagino que deve ser descartada a possibilidade de que a causa seja o fator oclusal. Resta saber há quanto tempo foi feito o tratamento endodôntico, mas a obturação no limite apical pode ser a causa. Teria aí a agressão química do cimento obturador (pelo menos inicialmente, daí a questão de quando foi realizado) e a agressão física, pela presença do material obturador. Este é um fator de agressão e toda agressão gera resposta inflamatória. Lembre que a obturação no limite apical geralmente está fora do canal. Mais uma vez, entra a questão do tempo de tratamento, pois o espessamento que você constatou não existir pode se manifestar mais adiante.

Consegue obturar sim

Cristianne:
Boa noite, fiz endodontia do 16 e ficou lindo, mas o Canal mesio lingual nao foi obturado, e vi no RX final. Consigo na proxima sessão obturar so este sem danificar os outros. Entrou material obturador na entrada do quarto conduto. Obrigada

Cristiane, imagino que você esteja perguntando. Se for isso, consegue “obturar só este sem danificar os outros” sim, sem problema. O que você tem que fazer é remover o material obturador que penetrou no canal.

Pobre elite

 

Cesare Pavese* diz que “quando lemos, não procuramos idéias novas, mas pensamentos que já nos passaram pela mente e que adquirem, na página impressa, o selo da confirmação”. Em outras palavras, só vemos a verdade que nos interessa.

Nessas palestras/conferências sobre drogas, quantas vezes voce já viu uma plateia constituída por pessoas viciadas em drogas? Por que as campanhas contra as drogas não atingem o seu objetivo?

É claro que são diversas as causas e não pretendo, nem poderia, tentar explicar assunto tão complexo. Mas talvez a resposta, pelo menos uma delas, às perguntas possa ser um pouco simples. O viciado em drogas não quer ouvir falar do assunto, ele não quer (não consegue?) ver a verdadeira situação, porque a necessidade (dependência) está acima de uma verdade que não é a dele, assim como o alcoólatra não vê que tem problemas.

O que forma o homem? Além da carga hereditária, negada por alguns, o meio em que vive. A família, os amigos, os professores… e a imprensa.

Alguém conhece histórias de preconceito e racismo entre crianças? Quando surgem? As primeiras e mais fortes, até porque é onde começa o homem, surgem em casa, com os pais. São pequenos comentários sobre determinada raça, cor, religião, partido político e por aí vai. Quem está ali ao lado, sentado, brincando, aparentemente “nem aí”, porém filmando e assimilando tudo? Os filhos.

Com aquelas “informações”, aquela criança se torna um adulto. Dai pra frente, além das primeiras informações, terá outras fontes, como a imprensa.

No mundo todo, os grandes grupos de comunicação estão nas mãos dos grandes grupos financeiros. É natural (?), e parece inevitável, que grandes interesses estejam em jogo. No entanto, nos últimos anos, a chamada grande imprensa atingiu um nível de deterioração que salta aos olhos, de quem quer ver.

Sempre foi difícil falar sobre esse tema, porque boa parte da sociedade tida como esclarecida, também conhecida como elite (?), sempre quis somente o selo da confirmação daquilo que satisfazia aos seus anseios de segmento diferenciado.

Como ver com bons olhos ideias que defendem maior igualdade entre as pessoas se eu sou uma pessoa diferenciada? Como aceitar que a linha do metrô que vem de áreas pobres tenha uma estação em áreas nobres da cidade? Como concordar com a ideia de que sou racista se “até tenho um amigo pretinho que é gente boa”? Como aceitar agrupamentos, políticos (mais conhecidos como partidos) ou não, que reúnam pessoas de nível social mais baixo do que o meu? Por que me incomoda tanto a defesa de cotas (sem fazer juízo de valor) para as universidades? Por que me incomodam cada vez mais “essas pessoas” que passaram a viajar de avião que estão sentadas ao meu lado? Onde é que vamos parar? Daqui a pouco também vão querer ir para a Europa, era só o que faltava.

Não interessa a leitura (ou jornal da televisão) que me nega os meus valores. Quem disse que quero pensar? Só quero “o selo da confirmação” daquilo que é meu. Isso, e algo mais, explica a tiragem de alguns jornais/revistas e a audiência de algumas redes de televisão. Algum pecado nisso? Absolutamente, é a escolha de cada um. O grande problema são as distorções das informações, que fugiram do controle, em nome de duas coisas: o enorme jogo de interesses que está por trás de tudo isso e o “compromisso” com a satisfação daquele segmento da sociedade que, a qualquer preço, deseja manter o seu “status quo”.

As histórias que envolvem alguns órgãos de comunicação são por demais conhecidas e podem ser vistas facilmente (veja só alguns exemplos aqui e aqui). São relações promíscuas, devidamente comprovadas, com momentos tristes da vida do brasileiro. O que fizemos esses anos todos?

Lembra quando vários escândalos “surgiram” pondo a pecha de ladrões em vários políticos e partidos? Por que o “mensalão” está associado ao PT se tem origem no PSDB e no DEM? Ainda que fartamente documentado, por que a imprensa não repercutiu da mesma forma o livro A Privataria Tucana. Por que foi vergonhosamente escondido pela grande (?) mídia um livro que é um best-seller?

Não vamos prolongar a conversa. Só acompanhe os últimos acontecimentos que envolvem o Senador Demóstenes Torres (DEM de Goiás), Marconi Perillo (PSDB, governador de Goiás) Carlinhos Cachoeira (bicheiro) e a revista Veja. Agora está fácil de acompanhar porque até a Rede Globo, imagine, até a Rede Globo, está mostrando (já se sabe porque ela está mostrando).

A Veja, que sempre criou e escandalizou todas as notícias, sempre esteve envolvida nelas. Você percebeu que Diogo Mainardi, o colunista preferido de muitos, anda sumido? Você faz ideia de por quê? Voce sabe que ele foi condenado à cadeia, mas, por ser réu primário, não foi preso? Que mesmo sendo um jornalista da tropa de choque de Daniel Dantas, se for condenado outra vez terá que ser preso?

Grampos, dossiês… Uma das coisas mais ridículas, mas prontamente aceita pela nossa elite, foi o episódio dos 2 milhões de dólares que “vieram” de Cuba dentro de garrafas de bebida para a campanha de Lula. Dois milhõe

s de dólares de um país pobre como aquele, dentro de garrafas de bebida… (você já pensou o que deve ser colocar 2 milhões de dólares, cédula por cédula, em garrafas de bebida). A única testemunha era um cara que estava morto

Sabia que aquele episódio que deflagrou o “mensalão” (Valdomiro Diniz recebendo dinheiro nos Correios) foi armado e filmado a mando de Carlinhos Cachoeira e tinha acontecido 2 anos antes. Por que Carlinhos Cachoeira levou dois anos para entregar à Veja a fita de Valdomiro, depois que ele foi trabalhar na Casa Civil à época de José Dirceu? Além de tantas outras coisas, quem mais se beneficiaria com o desmanche do Governo Lula, logo depois da vitória de 2002? Só como mais um registro, Cachoeira também é dono de empresa de (remédios) genéricos (opa!).

Só alguns episódios (são inúmeros) para conhecermos essa revista.

A história do boimate, tida como a maior barriga (jargão jornalístico) da imprensa brasileira, reflete bem o jornalismo da Veja. Uma notícia de 1º de abril que tinha saído em uma revista científica dizia que o cruzamento de boi com tomate dava uma carne com tempero de tomate. O diretor da Veja manda um jornalista entrevistar um professor de biologia da USP sobre o tema.

– Professor, o que o senhor acha do cruzamento do boi com tomate?
– Impossível.

O repórter não tinha sido enviado para apurar a veracidade da notícia e sim para fazer a reportagem sensacional a qualquer preço (padrão Veja). Pensou, o que é que eu vou fazer, tenho que levar a reportagem.

– Professor, suponhamos que fosse possível…
– Se fosse possível, seria a maior revolução da história da genética…

Sai a reportagem: “Professor fulano de tal da USP diz que o cruzamento de boi com tomate é a maior revolução da história da genética”.

Esse fato tem pouco mais de 25 anos. Ou seja, a Veja tem tradição em não dar a notícia, ela “cria” a notícia. Tornou-se especialista nisso. Foi assim que ela acabou com a carreira política de Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados (deputado federal por Goiás), em 1993.

Veja um dos diversos depoimentos que foram dados e que a sociedade sequer tem conhecimento. “A Veja mentiu a todo o país, chantageou políticos e juizes, mentiu durante anos sobre o Demóstenes (Torres), era sócia do (Carlinhos) Cachoeira, sendo que este queria dinheiro e ela queria elementos para chantagear o governo”. Veja outro, feito no Congresso aqui.

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma" (Joseph Pulitzer, 1847-1911).

* Cesare Pavese – escritor e poeta italiano (1908-1950).

A evidente falta de evidências (e bom senso) 3

Chamou a atenção, porém, a rápida aceitação do procedimento no Brasil, sem contestações. É possível que isso seja atribuído à confiabilidade do grupo que o propõe. Afinal, é um grupo internacional e, como vimos, isso tem um peso enorme entre nós. Entretanto, também é possível que, apesar da minha simpatia pelo trabalho, uma análise mais isenta não venha a permitir essa aceitação tão rápida assim. Leia o texto completo.

A evidente falta de evidências (e bom senso) 3

Após três consultas em que não conseguia controlar a dor de uma paciente, provocada por um incisivo central superior direito (dezembro de 1986), em janeiro de 1987 fiz a limpeza do forame e controlei o caso. Era o primeiro tratamento endodôntico com limpeza do forame. Um caso aparentemente absolutamente comum (veja aqui). A partir daí, passei a realizar esse procedimento em todos os casos de necrose pulpar, sem ou com lesão periapical.

Em 1992, após três meses de tentativa fazendo limpeza do forame e usando hidróxido de cálcio, a fístula de um 1º molar inferior direito persistia. Mudei a forma de fazer a limpeza do forame e controlei o caso (veja aqui). A partir daí, tornou-se procedimento de rotina fazer limpeza ativa do forame (como passei a chamar) em todos os casos que não respondiam à terapia com a limpeza (passiva) do forame.

Já se vão, portanto, vinte e cinco anos realizando a limpeza do canal cementário, com vários casos de anos de acompanhamento. O mais longo desses controles (clínico/radiográfico/tomográfico) foi realizado quando completou 21 anos (veja aqui).

Ao longo desse tempo, em quase todos os lugares onde dei aulas, algumas contestações, das mais diversas formas, inclusive violentas, têm sido feitas sempre que apresento essa concepção e os casos clínicos. Um dos argumentos: falta de evidências.

Durante 24 anos fui profissional com atividade exclusivamente voltada para o consultório, quando então passei a dividir a minha atividade profissional como endodontista e professor. A minha carreira “oficial” de professor de endodontia faz agora 12 anos, ainda pouco tempo para dizer-me conhecedor da docência.

Nesse espaço de tempo, porém, aprendi a enxergar com alguma clareza as diferenças entre esses dois tipos de profissionais, o clínico e o professor. Nesse processo pude conhecer os anseios, a insegurança e outros sentimentos de cada um deles. Nesse laboratório utilizei outras, mas eu fui a cobaia principal.

Em mais um desempenho irretocável no filme “O advogado do diabo”, Al Pacino, interpretando o próprio, diz: “o sentimento humano de que mais gosto é a vaidade”. É de fato um sentimento muito presente na vida, em todos os seus segmentos, com uma força que muitas vezes sequer imaginamos. No entanto, é possível que em poucos momentos ele se manifeste tão claramente, ainda que com tentativas de disfarça-lo, como no mundo acadêmico, ou no das pessoas que gravitam em torno dele.

No caso do Brasil, junta-se a isso o comportamento tupiniquim de um povo colonizado na sua alma. É nítida a influência de alguns países sobre o nosso, particularmente dos Estados Unidos. Talvez você, mais jovem, não conheça uma frase famosa dita por Juracy Magalhães*: “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” (veja aqui). Tudo bem, você não conhecia. Mas, certamente já percebeu a fortíssima influência que esse país exerce em nosso povo.

Esse comportamento se projeta para dentro do país, entre as suas regiões. Percebe-se com relativa facilidade a influência marcante de algumas regiões sobre outras, estados sobre outros, fazendo com que muitas vezes se pratique uma verdadeira autofagia. A autofagia cultural está presente no mundo acadêmico.

Existem diversos momentos em que facilmente se observa a endodontia baseada na autoridade. Ainda hoje, conceitos absolutamente equivocados são defendidos sem a devida comprovação. Por outro lado, sabe-se que a contestação do estabelecido é sempre muito difícil e gera muita polêmica, até porque muitas vezes alguns interesses entram em jogo.

Recentemente surgiu uma proposta muito interessante na endodontia: instrumentar a lesão periapical. Para isso foi desenvolvido um instrumento específico; o Apexum (veja os artigos originais aqui aqui). Há algum tempo li um texto sobre esse procedimento que achei interessante:

"Deve-se notar que o procedimento com o Apexum é substancialmente diferente da sobreinstrumentação durante o tratamento endodôntico. Este traumatiza o tecido e pode também introduzir antígenos bacterianos no tecido cuja função primordial é combate-los. Quando isso acontece, é provável que ocorra uma reação inflamatória aguda nos tecidos periapicais com o consequente edema. Assim, sintomas de agudização devem ser esperados. Com o Apexum esses eventos não acontecem. Ao contrário, ele deve ter removido o tecido no qual tal resposta poderia ocorrer e permitir o preenchimento do local com um coágulo de sangue fresco, no qual os mecanismos acima não estão presentes. Isso deve explicar o resultado confortável e sem efeito adverso no pós-operatório observado nesse estudo”.

Mesmo enxergando pequenos equívocos na proposta do Apexum e grandes equívocos no texto acima, estou de acordo com a idéia. Apesar do pouqu&i

acute;ssimo tempo destinado à observação dos resultados (percebeu que foi de 3 e 6 meses?), a tentativa de mudança de concepção e sua divulgação através das 2 publicações  já merecem atenção.

Chamou a atenção, porém, a rápida aceitação do procedimento no Brasil, sem contestações. É possível que isso seja atribuído à confiabilidade do grupo que o propõe. Afinal, é um grupo internacional e, como vimos, isso tem um peso enorme entre nós. Entretanto, também é possível que, apesar da minha simpatia pelo trabalho, uma análise mais isenta não venha a permitir essa aceitação tão rápida assim.

Sem querer fazer juízo de valor, na escala de poder das evidências científicas atualmente, os estudos em animais ocupam os últimos lugares em termos de validade dos seus resultados. O estudo em cães, que se aplica ao caso, foi o utilizado pelo trabalho. A deduzir pela escala de poder das evidências científicas, teria pouco valor. Veja o que dizem os autores: “Nenhum evento clínico adverso ocorreu no grupo convencional ou no Apexum. Nenhum dos cães apresentou edema ou indicações de sofrimento por dor. Pode-se concluir que o protocolo do Apexum parece ser seguro mecânica e clinicamente”. Deve ser registrado que o acompanhamento não foi histopatológico e sim radiográfico por 3 e 6 meses.

A outra forma de avaliação foi em humanos, um estudo clínico. Este, na escala referida acima, ocupa um dos postos mais elevados. Porém, há um detalhe. Veja parte do resumo do trabalho publicado:

"Aos 3 e 6 meses, 87% e 95% das lesões no grupo tratado com o Apexum, respectivamente, apresentaram cura avançada ou completa, enquanto que somente 22% e 39% das lesões no grupo do tratamento convencional apresentaram esse grau de reparo aos 3 e 6 meses, respectivamente".

É possível que um estudo clínico com acompanhamento radiográfico de 3 e 6 messes não forneça a base sólida que se pretende ter para a recomendação de um procedimento clínico como rotina, ainda que venha de um grupo internacional.

Permito-me um comentário de cunho pessoal.

Além do livro Endodontia Clinica, temos vários artigos (veja aqui) que tratam de duas questões fundamentais nesse processo: o limite apical de trabalho e a questão da obturação. Não tenho nenhum constrangimento em dizer que ainda que os nossos artigos, particularmente os primeiros, apresentem algumas limitações na sua condução e metodologia (graças ao que foi relatado sobre a minha particularidade acadêmica), neles está uma concepção que foi idealizada em 1987 e vem sendo testada ao longo de 25 anos.

Não, essa concepção não foi testada por grupos internacionais “importantes e sérios”, o que a deixa no patamar de “sem evidências” (é o que tem sido dito por alguns). A nossa é a primeira e até agora parece ser a única evidência.

Reconheço que, sob a ótica de estudos clínicos, o que tenho mostrado deixa a desejar em alguns aspectos em termos de como foi conduzido. Ele foi realizado bem antes da minha “existência acadêmica” e por isso peca em alguns aspectos quanto às exigências formais da academia. Porém, não é tão simples aceitar, e acho que você vai concordar comigo, que um trabalho com alguns casos clínicos de 3 e 6 meses de acompanhamento radiográfico, ainda que seja de um “grupo internacional sério”, possua mais confiabilidade do que um de 21 anos com acompanhamento clínico, radiográfico e tomográfico de inúmeros casos.

O nosso trabalho, como já foi dito, apresenta limitações na sua forma, não na concepção. Entretanto, confesso, não nego, que me conforta saber que artigos aceitos e recomendados por vários professores brasileiros, como os de Metzger e colaboradores sobre o Apexum, por exemplo, apresentam limitações claras. A única diferença é que estes são aceitos, aqueles não.

Indiferente não sou, mas isso não me tira o sono. Um pouco conhecedor e acostumado com o comportamento humano, procuro entender. “Ou é má fé cínica ou obtusidade córnea”**.

 

* Juracy Magalhães – Político baiano (ainda que nascido no Ceará), foi senador da República, deputado federal, adido militar e embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Ministro da Justiça e Relações Exteriores, tendo sido ainda o primeiro Presidente da Petrobrás e presidiu a Companhia Vale do Rio Doce e governador da Bahia por 3 mandatos.

** Essa frase é de (José Maria) Eça de Queiroz (25/11/1845 – 16/08/1900), diplomata e escritor apreciado em todo o mundo e considerado um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos.

Nossa turma de especialização em Campinas

Mais uma vez, mais uma turma. Entre os dias 22 e 25 de março estivemos com todos (doze) os nossos alunos da especialização em Campinas para o módulo de microscopia e, já a partir dessa ida, cirurgia parendodôntica. À frente o professor Rielson Cardoso, auxiliado na cirurgia pelo seu irmão, o professor Nilden Cardoso, como sempre muito gentis e solícitos.

Desnecessário dizer do encantamento dos alunos com tudo que viram, inclusive a infraestrutura e instalações da ACDC. Sem dúvida, os profissionais que construíram, mantiveram e mantém a ACDC merecem todos os elogios.

Tive outra vez a oportunidade de conversar e trocar muitas ideias com o Prof. Rielson. Novos planos estão à vista.

Ficam aqui os nossos agradecimentos a todos os membros da ACDC pela maneira gentil e profissional com que fomos recebidos naquela bela entidade.

Veja alguns dos nossos momentos em Campinas.

Clique nas imagens para ampliar

Os primeiros contatos com o microscópio

Chegando ao microscópio

“Dominando” o microscópio

Concentração total

Uma conversa sempre faz bem. À direita, eu e os professores Maurício Lago e Suely Colombo. Dessa vez o Prof. João Dantas não pode ir.

Cirurgia parendodôntica (em mandíbula de porco)

Os alunos acompanhando a cirurgia pelos monitores (são quatro). O grupo no portão principal da ACDC.

Momento também somos filhos de Deus


Belas mulheres ficando mais belas. Parabéns Catarina.

Chegando no São Bento e à direita desconcentração total.

O outro lado da mesa no São Bento. À direita, no Giovannetti.

A evidente falta de evidências (e bom senso) 2

Obturação 3D (existe obturação 2D?), blindagem…, por que até outros nomes são dados ao vedamento hermético, mas não se muda a concepção? Não é estranho que após tantos anos pesquisando este tema, sem nenhuma comprovação da existência de vedamento hermético, continua-se a ensinar a obturação como fator determinante do reparo? Por que ainda se insiste nessa ideia? Leia o texto completo.

A evidente falta de evidências (e bom senso) 2

Basicamente, graças aos achados de Ingle e colaboradores, a partir de 1962 passou a imperar o conceito de vedamento hermético no tratamento endodôntico. Os achados em questão se referem ao que ficou conhecido como Estudo de Washington, que dizia que os insucessos endodônticos tinham a sua origem nas obturações incompletas, por estas deixarem espaços vazios nos canais. Tornou-se uma crença.

É comum encontrar-se em textos didáticos, livros, por exemplo, citações comentando e corroborando esse “estudo”. Este foi encontrado em um site da Internet:

“Um canal radicular vazio, mesmo estéril, atua como verdadeiro tubo de ensaio coletando, em seu interior, líquidos teciduais e exsudatos inflamatórios oriundos da região circunvizinha ao ápice. Estes ao encontrarem ambiente propício à estagnação, facilmente se decompõem (ricos que são em proteínas, enzimas e sais minerais), gerando produtos tóxicos e irritantes aos tecidos da região, bem como propiciam ótimo meio de cultura para os microrganismos… Talvez, uma das mais completas pesquisas relacionadas ao assunto foi o Estudo de Washington, liderado por Ingle em 1962…”

Em 1965, portanto há 47 anos, Kakehashi, Stanley e Fitzgerald mostraram ao mundo que sem a presença da bactéria não haveria a formação de lesão periapical. Ninguém atentou, ou poucos o fizeram, para algo que se mostrava naquele momento: a necessidade da presença dos microrganismos para que houvesse lesão periapical negava a ideia de que “um canal radicular vazio, mesmo estéril”, poderia ser o fator determinante do insucesso, como afirmaram Ingle e colaboradores. Essa perspectiva que se abriu foi sendo confirmada ao longo dos anos.

Mesmo assim, não estariam ainda confirmadas a importância e a necessidade do vedamento hermético? Uma vez que os microrganismos seriam a causa das lesões periapicais, o seu enclausuramento não resolveria o problema? Isolados de qualquer fonte de nutrição, por um lado pela obturação hermética e por outro pelo cemento, o seu destino não seria a morte?

Muitos trabalhos de conclusão de cursos, monografias, dissertações, teses… já foram realizados “comprovando” a imprescindibilidade da obturação.

Perguntas bem simples: onde estão as evidências que confirmam a imprescindibilidade do vedamento hermético? Onde estão as evidências que comprovam a existência de vedamento hermético? Você falou o que? Não ouvi direito. Não há evidências? Se não há, por que os professores insistem em afirmar a necessidade de vedamento hermético (travamento perfeito do cone, “puff”, surplus…)?

Obturação 3D (existe obturação 2D?), blindagem…, por que até outros nomes são dados ao vedamento hermético, mas não se muda a concepção? Não é estranho que após tantos anos pesquisando este tema, sem nenhuma comprovação da existência de vedamento hermético, continua-se a ensinar a obturação como fator determinante do reparo? Por que ainda se insiste nessa ideia?

Chama a atenção a mais absoluta ausência de reflexão. Como querer mudar a qualidade do ensino se concepções como essa são as que reinam, são as que povoam as mentes que traçam os caminhos a serem seguidos pelos endodontistas?

Por outro lado, alguns artigos, ainda que não muitos, já mostram há algum tempo que, apesar do reconhecido avanço na qualidade dos materiais e técnicas de obturação, não houve melhora no resultado do tratamento endodôntico.

Trabalhos como o de Sabeti et al. (Sabeti MA, Nekofar M, Motahhary P, Ghandi M, Simon JH. Healing of apical periodontitis after endodontic treatment with and without obturation in dogs. J Endod. 2006 Jul;32(7):628-33) (clique aqui para ler), por exemplo, tentam mudar a forma de se conceber a endodontia.

Sabeti e colaboradores prepararam os canais de dois grupos da mesma forma. Em um grupo os canais foram obturados e no outro foram deixados vazios, sem obturação. Veja a que conclusão chegaram os autores:

O achado importante deste estudo foi que não houve diferença na cura das lesões periapicais entre os canais instrumentados e obturados e os canais instrumentados e não obturados… Concluindo, o insucesso não ocorre pela falha da obturação, mas pela falha do preparo do canal”.

Desde o trabalho de Sabeti e colaboradores já se vão 6 anos. Por que não se investiga essa questão? Desde então, quantos trabalhos já foram e continuam sendo realizados falando de vedamento hermético, cimento X, cimento Y, obturações adesivas, infiltração de corantes (azul de metileno, rodamina B), transporte de fluidos, penetração de glicose…?

Precisaremos de mais 60 anos e uma quantidade infinda de trabalhos publicados sobre materiais/técnicas para entendermos que não é a obturação que assegura o reparo? Se há dificuldades em se aceitar essa possibilidade (vamos chama-la assim, por enquanto), por que ela não é pelo menos investigada?

Há pouco tempo os trabalhos sobre obturação dos canais que usavam infiltração como metodologia de pesquisa, particularmente aqueles com infiltração de corantes, foram “banidos” das revistas importantes, de maior impacto. Interessante. Como avaliar então? Métodos mais sofisticados estão sendo utilizados, como por exemplo, a análise por microscopia confocal. Um avan&cc

edil;o, sem dúvidas.

Em síntese, o que dizem os resultados? A análise por microscopia confocal mostrou que a técnica X obturou melhor o terço apical do que as técnicas Y e Z, porém nenhuma conseguiu vedar perfeitamente os canais, em todas havia falhas de selamento. Por sua vez, a técnica Y foi melhor do que X e Z no terço médio… O mesmo que já diziam os outros resultados com infiltração de corantes (azul de metileno, rodamina B), transporte de fluidos, penetração de glicose…

E aí?

Como tornar imprescindível para o sucesso algo que não existe? Além das evidências, o que falta? Bom senso.

É triste ver jovens (e mesmo velhos) professores fecharem os olhos (e os seus laboratórios) diante das evidências porque não atendem aos seus anseios e expectativas. Se autores consagrados estão preocupados com o não preenchimento das irregularidades dos canais, dos canais laterais e istmos, só tenho a lamentar por eles, autores. Se pudéssemos perguntar aos canais, eles diriam: “não, não estou preocupado com o meu preenchimento, estou preocupado com a minha limpeza e espero que vocês, endodontistas, entendam isso”.

Parece que atualmente há professores que começam a suspeitar que a obturação não é bem o que imaginavam. Depois de terem dedicado boa parte da sua produção acadêmica aos materiais/técnicas de obturação e desqualificado concepções contrárias ao pensamento geral, se nada foi feito para mudar o foco da atenção, o que ou quem terá chamado a atenção desses professores para só agora perceberem que a obturação não é bem o que imaginavam? De onde terá vindo essa inspiração?

Precisamos abrir os corações, as mentes (e os laboratórios) e pesquisar esse tema, mudar o foco. Precisamos entender que a Ciência, aquela com C maiúsculo, não está preocupada com quem publica. A Ciência está preocupada com o que é publicado. 

A evidente falta de evidências (e bom senso)

Qual o evento de endodontia que hoje não tem entre os seus temas falar de instrumentos como Reciproc e Wave One? Quantos professores estão difundindo a ideia do instrumento único? Que bom! Ótimo! Quantas evidências científicas existem sobre esses instrumentos que respaldem as suas falas? Ou nessas horas as evidências não são tão fundamentais assim? Estão falando apoiados em evidências ou no entusiasmo/experiência pessoal? Leia o texto completo