Blog

O que fazer com o coto pulpar? Parte 3

Por Ronaldo Souza

Esses homens maravilhosos e suas máquinas localizadoras de CDC

Esses homens maravilhosos e suas máquinas voadoras

Terminamos assim a parte 2 dessa conversa, com esse cartaz de um velho e divertido filme, que aproveito para falar do homem e suas máquinas.

Falemos antes, entretanto, de uma máquina maravilhosa e poderosíssima; o cérebro.

Estávamos falando de coto pulpar e coto periodontal.

E o coto pulpo-periodontal?

Coto pulpar''

Observe a figura acima. Imaginemos que o tecido periodontal se estende até o limite delimitado pela linha amarela; até ali teríamos então um coto periodontal. Para efeito didático, imaginemos também que ali estaríamos a 1 mm aquém do ápice radicular.

Imaginemos agora que o comprimento de trabalho (CT) fosse de 2 mm aquém do ápice radicular, muito comum para alguns profissionais, particularmente nos casos de polpa viva.

Assim, cortaríamos a polpa (sabia que até há pouco tempo preconizava-se isso, “cortar” a polpa?) um pouco mais alto, ali onde está a linha azul tracejada. Também para efeito didático, digamos que ali seja 2 mm aquém.

Teríamos então 1 mm de tecido periodontal e 1 mm de tecido pulpar.

Poderíamos chama-lo então de coto pulpo-periodontal, concorda?

Já sabemos que se o coto periodontal necrosar forma-se um novo coto, graças ao excepcional índice metabólico desse tecido.

E o que acontecerá se o 1 mm correspondente ao coto pulpar necrosar, o que segundo Catanzaro Guimarães é o mais provável?

Tendo em vista que polpa necrosada não regenera, o que acontecerá e o que fazer?

Não se preocupe, o organismo faz por você.

Aliás, deixe-me aproveitar e dizer uma coisa.

O organismo do paciente adora ele, o paciente. Todos os organismos são assim, adoram os seus “donos”.

Se é assim, tudo que você fizer para o bem do paciente vai contar com a ajuda dele.

Sabe qual é o grande problema?

É que é muito comum o endodontista atrapalhar o organismo.

Quer um exemplo?

O organismo não suporta que joguem coisa nos tecidos periapicais.

Mas você sabe como é o endodontista, né?

Se acha.

O que faz ele?

A cada obturação joga 3 quilos de material obturador lá nos tecidos periapicais.

Resultado.

O organismo vai passar horas, dias, semanas, meses, anos, se virando para eliminar aquilo.

Sabe o que é pior?

Numa grande quantidade de vezes não consegue.

Você acha que ele gosta disso?

Em outras palavras, o organismo do paciente está do seu lado, ele joga no seu time. Ele jamais vai querer lhe atrapalhar.

Portanto, não o atrapalhe.

Voltemos.

Se essa parte do tecido que corresponde à polpa necrosar, também vai se refazer, às custas do tecido… periodontal.

Isso mesmo.

É o tecido periodontal que vai se refazer e se estender, “caminhando” um pouco mais até o espaço outrora ocupado pela polpa. Formará assim um novo coto, que terá 2 mm de extensão; 1 mm que já era tecido periodontal e 1 mm que era polpa.

Assim, o novo coto terá 2 mm de extensão.

Você ainda tem alguma dúvida de que será periodontal?

Mesmo esse novo coto, sobre o qual não pode haver dúvidas de que é periodontal, foi chamado por diversos autores de coto “pulpar”. Assim, entre aspas.

Um grande equívoco.

Percebe o “poder” do tecido periodontal?

Percebe porque a Natureza (lembra que chamei assim?) é sábia?

Ela colocou ali um tecido conjuntivo fibroso para suportar os impactos que o dente sofrerá ao longo do tempo, mas deu a ele um excepcional índice metabólico, pois, ali, na porção final do canal, ele terá outra função; a de constituir o novo coto, sobre o qual é colocada a responsabilidade de promover reparo.

Como se vê, uma função nobre.

A precisão imprecisa

Apesar do uso que tem sido dado a eles, os localizadores apicais eletrônicos, como eram chamados inicialmente, vieram para reforçar o conceito de preservação do coto pulpar e as chances de se alcançar esse objetivo.

Pela diferença de impedância elétrica existente entre o tecido contido no canal dentinário (pulpar) e o do canal cementário (periodontal) e com a precisão atribuída aos localizadores, conseguiríamos identificar o momento em que ultrapassaríamos o limite CDC.

Nesse momento, os sinais auditivo e visual do localizador nos diriam; pare aqui. Daqui em diante não é mais polpa. Se não é mais polpa, não lhe cabe entrar. Saia. Este território é sagrado.

E assim o coto pulpar seria preservado.

Foi assim que foi ensinado no início.

Nessa forma de ensinar era como se tecido pulpar e periodontal estivessem configurados como na imagem abaixo, ou seja, teriam as suas fronteiras bem definidas e delimitadas. Onde termina um, começa o outro.

Mãos 1

Não é assim. O limite CDC não corresponde ao que se imaginava anteriormente.

Veja as imagens abaixo. As setas vermelhas em A e B apontam para um limite CDC e no mesmo canal as verdes apontam para outro.

Coto pulpar'''

Ainda que sejam canais observados sob microscopia eletrônica de varredura, são apresentados sob uma perspectiva bidimensional estática, tal qual uma radiografia periapical. Quantos limites mais devem existir sob a perspectiva tridimensional dinâmica?

Olhando a imagem em B, onde os limites CDC estão identificados em milímetros, surgem algumas questões:

  1. Onde se daria a passagem de tecido pulpar para periodontal, em 2,1 mm ou em 1,5 mm?
  2. Em que local ocorreria o registro de mudança de impedância entre o tecido pulpar e o periodontal acusando que ali é o limite CDC, local de parada para não traumatizar o coto pulpar; em 2,1 mm ou em 1,5 mm?
  3. Não lhe parece que os pontos de constrição (você vê só um?) não estão nem em 2,1 nem em 1,5, mas sim acima deles, já em tecido periodontal. Em outras palavras, você percebe que o ponto de constrição não está “separando” o tecido pulpar do periodontal?

Além dessas considerações, o encontro entre polpa e periodonto teria uma configuração mais próxima do que se vê na figura abaixo, onde os tecidos se entrelaçam.

Mãos 2

Haveria como registrar passagem de um tecido para o outro e estabelecer limite preciso nessas condições?

Já passou da hora de compreendermos e ensinarmos o tecido contido na porção final do canal como periodontal e não pulpar para entendermos o tratamento endodôntico.

Foi esse o grande equívoco que se cometeu ao longo de todos esses anos, equívoco que nos fez tratar o limite apical de trabalho como uma questão numérica.

Imaginar que o problema e sua consequente solução é estabelecer a quantos milímetros aquém do ápice devemos ficar é erro grosseiro.

Erro que se comete ainda nos dias de hoje.

Ficar falando, discutindo, ensinando o comprimento de trabalho em detalhes milimétricos é insistir no erro cometido no passado.

Apontando para esses aspectos, abro agora um parêntese na nossa conversa.

O Velho versus O Novo

Ao pensar em escolher um caminho, nunca esqueça:

Não há o caminho a seguir.

Insisto; se você trabalha apoiado no conceito de certo e errado, é certo que você está errado.

Não é assim.

Tudo é feito de tal maneira que a “novidade” cause grande impacto, seja ela qual for.

É preciso dizer que o “velho” não resiste ao “novo”, não importa o que isso signifique.

Dão aos instrumentos características definidoras de tratamento, protocolos infalíveis (se não deu certo foi porque você errou em alguma coisa), enfim, procedimentos que encaixotam a atividade clínica em compartimentos.

“Para isso, isso; para aquilo, aquilo; para aquilo outro… ah, aí agora é diferente, aí só com este instrumento…”

Aquela máquina maravilhosa e poderosíssima, o cérebro, sobre a qual falei no início, perde a função.

Há que oferecer muito mais além de técnica.

Exploda as caixas ou, melhor ainda, abra todas e faça o seguinte.

Como já estão cheias de instrumentos, ponha algumas coisinhas mais lá dentro; conhecimento, boas técnicas de preparo do canal, bons materiais e técnicas de obturação e, essencial, a sua inteligência e o seu bom senso.

É isso que está faltando no seu kit; você.

Não existe outra maneira de ser um bom profissional.

O resto é marketing.

A briguinha boba que vivem criando e fomentando entre o velho e o novo sai da cabeça do velho que tem pouca idade; o novo velho.

E tolo.

No cérebro dele não há espaço para o que se consolidou com o tempo (através da comprovação científica e experiência clínica) e o que está chegando para melhorar o que está consolidado.

Para ele, ou é um ou é outro.

Nem o “velho” nem o “novo” tem importância para ele, mas sim o marketing e sempre será mais fácil fazer marketing em cima do “novo”.

Vamos fechar?

A radiografia periapical representa a medição clássica para determinação do comprimento de trabalho. Os localizadores foraminais eletrônicos constituem uma nova e excelente ferramenta para ajudar ao endodontista a alcançar esse objetivo.

Assim ensino aos meus alunos.

Ninguém pode ter dúvidas da importância dos localizadores foraminais, recurso que deve fazer parte do arsenal do endodontista, entretanto, algo precisa ser entendido:

O que fazer com o coto pulpar nada tem a ver com tecnologia.

A maior prova disso parece não ser percebida.

Depois da chegada dos localizadores foraminais,

  1. descobriu-se finalmente qual é o comprimento de trabalho adotado pelos autores, professores e profissionais?
  2. qual é ele?
  3. ou ainda são adotados alguns, como 0,5 ou 1,0 ou 1,5, ou 2,0 aquém?

Provavelmente o CT mais preconizado seja de 1 mm aquém do ápice radicular, concorda comigo?

Ótimo.

Qual é o comprimento médio do canal cementário encontrado por Kuttler, para citar talvez o estudo mais clássico da literatura? 0,5 mm no paciente jovem e 0,8 mm no paciente idoso.

O que é um paciente jovem, vai de qual idade a qual idade?

O que é um paciente adulto, vai de qual idade a qual idade?

Fiquemos com os números de Kuttler.

Alguém usa 0,8 mm aquém como CT em pacientes adultos?

Ou usam 1 mm?

Essa medida foi “determinada” pelo localizador foraminal eletrônico ou foi adotada por consenso?

Vai-se ao zero e recua 1 mm.

É uma medida “coletiva”, para todos os canais.

Como poderia ser 1,5 ou 2.

Que precisão é essa?

Aí o “professor” faz 335 vídeos no YouTube.

Em todos vende tecnologia.

“… hoje ninguém mais faz endodontia sem localizador foraminal, porque ele dá 100% de precisão”.

Ninguém mais faz Endodontia sem localizador foraminal???

Cem por cento???

Por que coisas assim são ditas?

Isso é de uma tolice sem tamanho.

O que está por trás de tudo isso?

Deixa pra lá, você já sabe.

O que o endodontista precisa, isso sim, é saber que tecido está “ali dentro” do 0,5, 0,8, ou 1,0, o que seja, e em que condições ele se encontra, isto é, conhecer os tecidos com os quais lida no seu dia-a-dia.

Esse é o aspecto fundamental.

Até a próxima conversa.

No tempo da delicadeza

Rosa'

Por Ronaldo Souza

Quem já não sofreu uma dor insuportável?

Quem já não passou por um sofrimento interminável?

A dor e o sofrimento muitas vezes nos desestabilizam.

Mas fazem parte da vida.

Contudo, como só a vida é capaz de fazer, a dor e o sofrimento também são capazes de nos ensinar a amar.

E amar mais.

Um amor forte.

Um amor maior.

Um amor diferente.

Um amor que não mora no coração.

Mora em nós.

Vem da alma.

Nos toma o corpo.

Um amor que corre nas nossas veias e que, de tão grande e profundo, nos faz mais fortes.

A dor da dor e o sofrimento que nos faz sofrer são os nutrientes desse amor.

E nos tornamos lindos.

 

Como tem sido duro!

Como tem doído!

Como nos tem feito sofrer!

Apanhamos.

Fomos xingados e ofendidos.

Humilhados.

Mas observe como temos enfrentado.

Com ódio?

Com sentimentos de vingança, perseguição, violência…?

Não.

Com a palavra, que acalenta.

E com o gesto, que envolve e protege.

Em momento tão difícil, foi o amor que nos conduziu.

E lutamos.

Por princípios e ideais.

Pelo futuro dos nossos filhos e dos filhos deles.

Em momento tão difícil, lutamos pela esperança.

Que sempre reinará no coração de quem ama.

Em momento tão difícil, renascemos outra vez.

A beleza do renascimento jorrou de novo na nossa vida.

Choramos juntos, mas fizemos ver que a grandeza do homem e da mulher não está na mão que empunha uma arma, mas na palavra e no gesto de amor ao próximo, ao vizinho.

Foi esse sentimento maior, o amor, que brotou outra vez em nossos corações e nos fez chegar aqui.

Continuemos assim.

Amando.

“Ele não vai a debate porque é frouxo”

Brasília - O deputado Jair Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Ronaldo Souza

Alguns “homens” se utilizam de muitos artifícios para esconder o que de fato é.

O ex-capitão se escondeu o tempo todo nos atestados médicos para fugir dos debates.

Eu disse aqui que ele estava simplesmente desmoralizando atestados e médicos.

Alguém ainda tem dúvidas disso?

O médico percebeu e o “liberou”.

Depois de liberado, ele foi aos debates?

Outro artifício é mentir, xingar, ofender, difamar e foi o que ele fez durante toda a companha.

E sou forçado a reconhecer que ninguém faz isso como ele.

Nem mesmo Aécio, o anterior.

E agora, diante de milhões de brasileiros, ele é taxado de frouxo.

O que fará?

Absolutamente nada.

Mostra-se então… frouxo.

Precisa ser muito frouxo para ser chamado de frouxo e continuar a agir como frouxo.

Esses “homens” não reagem, a não ser quando estão em grupos.

E armados.

Agora ficou fácil entender porque ele se esconde tanto atrás de armas.

Vai simplesmente continuar xingando, ofendendo, difamando, principalmente as mulheres, a quem ele gosta de empurrar, prometendo o famoso “dê que eu te dou outro, dê que eu te dou outro, vagabunda…”.

Nunca tinha visto um homem ser tão covarde com uma mulher diante de câmeras e microfones e ser idolatrado por iguais.

Ele poderá até ser o seu presidente.

Mas do Brasil, não!

Ele não.

A voz

Fazenda do filho de Lula

Por Ronaldo Souza

Lembra quando tudo começou?

Foi quando você postou essa foto da fazenda do filho de Lula.

Não foi exatamente nesse momento, mas foi a partir dele que as coisas começaram a tomar o rumo que nos trouxe até aqui.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida, com essa foto você deixou bem claro que era uma família de ladrões.

Todos vibraram.

Os jatinhos e iates que você mostrou também não deixaram nenhuma dúvida de que eram dele, do filho de Lula!

Na sequência, você mostrou a todo o Brasil (imagine, ninguém desconfiava) que o filho de Lula era o dono da Friboi (JBS).

Lula, Lulinha e riqueza

Nossa Senhora, estavam podres de rico.

Na verdade, a foto da fazenda era da sede da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP.

Os jatinhos e iates não eram do filho de Lula. Ele não tem nenhum jatinho. Nem iate.

A Friboi, foi complicado. Os verdadeiros donos da empresa tiveram de ir à imprensa mostrar documentos que comprovavam que o filho de Lula não tinha nenhuma participação na JBS.

Estourou o esquema de corrupção na Petrobrás e Lula era o grande chefe.

Todas as insinuações, inferências, afirmações, acusações…

Aquela famosa capa, lembra?

Veja 1

A acusação mais contundente

E onde você estava?

Na primeira fila.

Sempre firme, decidido, lutando pelos seus ideais, apoiado, claro, nos seus princípios.

Posso voltar a aquela famosa capa?

Pois é!

Sabe no que deu?

Lula inocente

Várias auditorias foram feitas a pedido do supremo juiz Moro, inclusive, para não deixar dúvidas, essa da KPMG (uma das maiores empresas de auditoria do mundo) da matéria aí em cima.

Nada.

Foi o resultado encontrado pela KPMG sobre o envolvimento de Lula.

Você sabia que Moro reconheceu (está no processo), que Lula realmente não tinha tido participação na corrupção da Petrobrás?

Lula inocente'

A imprensa não deu nenhum destaque a isso, não foi mesmo?

Muito menos ele próprio, o supremo juiz Moro.

Só um pequeno parêntese.

Já viu como ele adora eleições?

Toda vez ele lança alguma “coisa”.

Aquela capa da Veja foi coisa dele.

Agora, cinco dias antes do primeiro turno, liberou a delação de Palocci, já recusada pelo próprio Ministério Público do Paraná, que faz parte da Lava Jato, pela falta de qualquer coisa que pareça com a verdade.

Lula e Moro nas eleições

E no segundo turno, lá vêm eles outra vez, Moro e TRF4, com o julgamento de Palocci, marcado para 4 dias antes das eleições.

Não são precisos?

Você chegou a olhar a data da matéria da Veja lá em cima? Maio de 2017.

Viu a da matéria da Rede Brasil? Julho de 2017.

Ou seja, há mais de um ano Lula foi inocentado pela Justiça e reconhecido pelo supremo juiz Moro como tal.

Aí, nas eleições de outubro de 2018, Moro volta e faz tudo de novo com Palocci.

Isso é digno, é jogo limpo?

Trouxe enorme prejuízo a Haddad no primeiro turno.

Ainda bem que você, como uma pessoa isenta e muito bem informada, não tomou conhecimento, não quis nem saber.

Quem poderia, a essa altura, ousar dizer que Lula era inocente?

Só se fosse louco.

E com a sua consciência, você está longe de ser louco.

Ou mesmo estúpido.

Mas aquele Power Point tava bom demais, não tava não? Seja sincero.

Que Power Point bem feito, Dallagnol deu uma aula sensacional.

E olha que não é todo mundo que sabe lidar com Power Point…

Opa, me entusiasmei com o Power Point de Dallagnol e quase esqueço.

Provas contra Lula; nenhuma.

Só o Power Point.

Então você arruma tudo, dá uma aula com Power Point, afirma alguma coisa, pronto, tá garantido; é a pura verdade.

É assim?

Não precisa de citação, comprovação científica de autores, publicações que comprovem aquilo, nada disso.

Tá no Power Point, tá com Deus.

Ponto final.

E você ali, na primeira fila, firme, entusiasmado com mais uma prova cabal, irrefutável, incontestável contra Lula.

Maravilha!

E com o carimbo; compartilhem.

Deixemos Lula de lado, afinal, ele tá preso, não é mesmo?

E se tá preso é porque é bandido!

E bandido bom é bandido morto!

Ou no mínimo preso.

Por isso, bandidos perigosos como Mandela, Gandhi, Tiradentes…, tinham que ser presos!

Concorda?

Você disse também que tinham descoberto a roubalheira de Dilma e que por isso ela estava muito deprimida e tinha tentado o suicídio.

Talvez você tenha se enganado. Dilma jamais tentou suicídio e a imprensa reconheceu que ela não esteve envolvida em corrupção.

https://www.youtube.com/watch?v=rSfwTUc8I8s

Você também afirmou que a filha de Dilma estava rica, que tinha 20 empresas.

Parece que você se enganou outra vez. Ela continua morando em Porto Alegre, da mesma forma que sempre viveu.

Mas a sua perseverança é enorme, você não desiste. Quem sabe por isso deva ser até elogiado, afinal, não deve ser fácil sustentar anos a fio o nobre ofício de promover assassinatos de reputação.

2018

A lama aumentou.

São muitas coisas que já aconteceram e estão acontecendo sem a população tomar conhecimento. E para não ficarmos repetitivos, vamos fechar, de forma sucinta, com 2018.

Apoiado nos princípios que regem a sua vida e que já estão sendo incorporados à personalidade dos jovens, seus próprios filhos e os filhos de outros, você vem e mais uma vez dá a sua contribuição, mais uma vez empresta o seu nome à causas ‘nobres’.

A continuação desse trabalho, que começou com a mansão do filho de Lula, certamente não se encerra aqui. Muito mais será incorporado à vida dos brasileiros.

Você continuará contribuindo da forma que lhe foi e é possível, compatível com o seu horizonte, como a história registra que tem sido com outros. Cada um no seu tempo.

Como membro da manada, cabem-lhe papéis bem menores, do mesmo jeito sujos, mas, menores.

Divulgar mentiras (fake news ficaria melhor, mais light não é?) foi o que coube a muitos. Corromperam-se por muito pouco, mas, o que esperar de mentes tão débeis?

E saber que professores também fizeram isso.

Como esta abaixo.

Muito triste.

2. Manuela violentada'

Muitos outros também participaram, de forma mais decisiva, até pela posição que ocupavam no cenário brasileiro.

 

Ocupavam, porque já estão no limbo da história.

Mas não se preocupe, você não será exposto da mesma maneira que eles e não ficará desconfortável na cadeira, como ficou o ex-senador Aécio Neves, sua referência até não mais que 2 anos atrás. Hoje, relegado ao lixo da história.

Para muitos, princípios e ideais são como macacos que pulam de galho em galho, a depender das necessidades e conveniências.

Macaco vê, macaco faz.

Dessa vez, porém, você deu um enorme pulo para trás.

Ontem Aécio, hoje Bolsonaro.

Dos passos ainda tímidos que caminhavam para frente, direto para o primitivismo dos que só precisam das mãos para subsistir.

Da Universidade que deixava de engatinhar e parecia querer sair para saltos maiores, para o desinvestimento no conhecimento e o congelamento não só dos gastos na educação e saúde, mas também das mentes que trabalham o verdadeiro desenvolvimento.

O trabalho que lhe coube, hoje está a serviço de algo muito pior e de nada adianta tentar lhe explicar.

Mas não se preocupe, com você não será assim como está acontecendo com os seus heróis, que estão morrendo de overdose, como já cantava Cazuza.

Será sem estardalhaço.

Ninguém ouvirá.

Só você.

Porque é algo que vem de dentro do próprio ser, algo ao qual não se tem acesso tão facilmente.

Mas, onde você mora, no local em que você trabalha, em cada lugar, em cada reunião, a cada vez que você entrar numa sala para dar aula, em cada restaurante que você for para o seu lazer, haverá um olhar enigmático em sua direção que poderá acender aquela pequena fagulha, que se fará perceber como um manifesto do seu inconsciente.

Virá como o som de uma batida surda.

Ininterrupta.

Persistente.

E, bem baixinho, dirá.

canalha, canalha, canalha.

Se isso acontecer, levante as mãos para os céus e agradeça, porque é sinal de que você ainda não morreu completamente.

Se isso não acontecer, relaxe.

Você já estará morto, mas disso talvez já tenha tomado consciência.

Então, acalme-se.

Sente-se e curta o seu bom vinho, na companhia dos seus amigos.

As grandes batalhas exigem homens de verdade

Por Ronaldo Souza

“Soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde”

A luta pela presidência agora é entre dois candidatos.

Todo o tempo disponível é só para eles dois.

Imagina-se que irão confrontar ideias, projetos de governo, alternativas, perspectivas…

Temos para isso duas formas; maior tempo de TV e rádio para cada um e os debates.

Na propaganda eleitoral na TV e no rádio, o candidato diz o que quer. Ali não há confronto, não há o contraditório.

Ele pode, por exemplo, dizer inverdades que, na verdade, são mentiras.

Mentiras que agora são ditas em inglês, ‘fake news’, mais uma forma de embuste porque “ameniza” o sentido da palavra.

Mentira é mentira e em muitos casos, canalhice, aliás, o que ocorre nesse momento. Pura canalhice, acobertada por órgãos superiores.

Veja o que fez o TSE, o Tribunal Superior Eleitoral.

A primeira notícia abaixo diz que o TSE mandou remover da internet 35 ‘fake news’  contra Haddad.

Trinta e cinco.

Digno de parabéns o TSE, não é mesmo?

Bolsonaro e fake news 2

Mas por que só fez isso no dia 06/10? A população só começou a tomar conhecimento disso às 19:31 do dia 06/10 (veja a seta vermelha), ou seja, à noite. Quantos leram? E se leram, que importância tinha a aquela altura?

As eleições eram na manhã do dia seguinte, 07/10. O que tinham de espalhar sobre Haddad (kit gay, fotos de sexualização de crianças e muito mais coisa, já tinha sido feito). Aproveito o nome do jornal da Globo (mais um), Valor, para perguntar; que valor teve essa medida do TSE para as eleições? Nenhum, zero.

Haddad foi prejudicado do mesmo jeito.

Tem alguma dúvida de quem fabricou essas mentiras o tempo todo?

Como você pode ver na matéria abaixo, sob o comando da família Bolsonaro já na segunda-feira começou tudo outra vez, da mesma forma.

Repetiam-se a mesma coisa, as mesmas pessoas, a mesma notícia, o mesmo jornal.

E ao TSE, pressionado pela equipe de Haddad (só assim), não restou outra alternativa se não mandar tirar outra vez. E a notícia foi dada no dia 11/10 (veja também aqui a seta vermelha).

Bolsonaro e fake news 2'

Você acha que parou? O próprio candidato faz uso desse artifício nas entrevistas e no seu horário eleitoral.

E quem mais?

Os seus espertos e dignos seguidores.

Como tem sido dignificante o que fazem nas redes sociais e no whatsapp!

Se houvesse um judiciário sério neste país, haveria alguma punição ao candidato Bolsonaro por parte do TSE, se este também se respeitasse?

O que você acha?

Fica claro assim que isso torna capenga e frágil a campanha de um só.

O que é campanha de um só?

Isso que Bolsonaro faz.

À distância, nas entrevistas e no horário eleitoral, sem Haddad por perto, fica ameaçando, xingando, desqualificando, reclamando que Haddad está fabricando muita fake news (!!!) contra ele…

É nos debates, portanto, que a campanha ganha a sua importância, particularmente no segundo turno.

É ali onde tudo pode acontecer, onde o candidato mostra o que é e o que tem para oferecer ao país. É ali onde podem se confirmar ou se modificar os votos.

Conhecer o perfil de um homem não é tão difícil quanto pode parecer.

Quando escrevi Atestado de covardia abordei essa questão e disse;

Jamais sumirá na poeira da história o atestado de covardia que o homem se dá.

Da mesma forma, quando escrevi Quando a arrogância desaba e o fascismo tenta se disfarçar, encerrei o texto assim:

Agora, deputado, uma coisinha me deixou muito intrigado.

Quando você diz “e ficou e ainda continuo hospitalizado por aproximadamente 30 dias”, o que você quer dizer exatamente?

Será que é uma preparação de terreno para dizer que não vai…

Não, deixa pra lá.

Aliás, vou perguntar.

Será que é uma preparação de terreno para dizer que não vai participar dos debates?

Não, acho que estou imaginando coisas.

O ex-capitão confirmou as minhas suspeitas.

Disse que não irá participar dos debates por questões médicas.

Entretanto, nos últimos dias o ex-capitão já apareceu diversas vezes na TV, deu entrevistas longas, mostrou disposição física e entusiasmo no domingo das eleições e, para não fugir (opa) do compromisso com a ração diária da matilha, fica chamando Haddad de canalha.

Como sempre, valente.

Mas você reparou que é tudo à distância?

Na quinta-feira (11/10), passou o dia em diversas atividades, deu novas entrevistas, fez um “comício” num hotel.

Na sexta-feira (12/10), não houve debate porque, de posse de um atestado médico, ele já tinha dito que não tinha condições de ir.

No “comício” para imprensa e correligionários, porém, num ato falho deixou escapar.

Bolsonaro covarde'

Não tem nada a ver com a saúde. É outra coisa.

Assim, mais uma vez, o ex-capitão desmoralizou o atestado médico e os médicos.

Para um soldado valente como ele, o debate de sexta-feira (12/10) não teria sido uma grande oportunidade de luta, de confronto, de olhar no olho e dizer o que ele quisesse a Haddad e principalmente ao povo brasileiro?

Por que não o fez?

Porque sendo somente dois candidatos, é claro que o confronto direto é inevitável. E o tempo para cada um “atacar” e ser “atacado” é maior.

O grande soldado farejou o perigo.

Mas não vai adiantar se ele “recuar” e disser que vai ver se participa de pelo menos um ou dois, o que seja.

Diante da enorme pressão, talvez esteja pensando nessa alternativa, porque assim Haddad terá menos debates e tempo para desmascara-lo.

E tem outra coisinha aí. Se ele fizer dois debates serão os da Record e da Globo, cada uma mais empenhada que a outra em eleger o candidato.

Como será, por exemplo, o formato desses debates?

Sei que você é um cara inteligente e sabe que essas coisas podem ser, como já foram, bem “arrumadinhas”.

E a condução do debate se torna uma armadilha.

Ou ninguém lembra mais do famoso debate entre Lula e Collor, só para citar um?

Não seria interessante se o povo brasileiro pudesse conhecer mais aquele que pode ser o seu futuro presidente?

Mas o soldado não quer. Está morrendo de medo.

Como Haddad pode falar e defender princípios, se Bolsonaro foge?

Como Haddad pode mostrar as suas ideias e lutar por elas, se Bolsonaro foge?

Como Haddad pode discutir e defender programas de governo, se Bolsonaro foge?

Como o eleitor brasileiro brasileiro pode conhecer os candidatos que desejam ser Presidente do Brasil se um deles não se apresenta, a não ser à distância, xingando e agora falando de vasectomia (!!!) e… chorando?

E no outro dia tome xingamento de novo nas entrevistas, no horário político e no twitter.

Programa de governo que é bom, nada.

O que viria nessa sequência era inevitável e nem mesmo mil palavras conseguiriam expressar isso com a mesma força que o humor ferino de cartunistas como Latuff.

Bolsonaro fujão''

Bolsonaro conseguiu o que parecia impossível; ficar menor que Aécio. Este, pelo menos, não fugia.

Jamais sumirá na poeira da história o atestado de covardia que o homem se dá.

Só nos resta recorrer à frase lá de cima.

“Soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde”.

Você sabe de quem é essa frase?

Dele.

O autor dessa frase é o ex-capitão do Exército Brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, cuja imagem é vendida como a de um soldado exemplar.

Não é essa a opinião do Exército Brasileiro.

Bolsonaro covarde

Bolsonaro e desvio de personalidade

Num relatório militar com 96 páginas, recentemente divulgado pelo DCM, o perfil do ex-capitão é apresentado em detalhes. 

Aqui, uma breve apresentação do relatório.

No link que coloquei logo em seguida, a imagem abaixo com o número 1 é a primeira que você vai ver; ‘passe’ por ela. É só a capa. “Desça” mais na página e encontrará o 2, esse à direita aqui embaixo. Observe que na parte inferior dele tem a numeração 1 of 96.  É nesse que você pode ver o relatório.

Bolsonaro e relatório do exército'''

Para ver o relatório na íntegra, clique neste link Canalha, covarde e contrabandista; relatórios expõem reputação de Bolsonaro no exército dos anos 80.

O homem e o medo

O medo é o pior inimigo do homem.

O homem tem medo do seu medo e, por não conseguir vence-lo, cria e veste capas para se vestir de “outro” homem. Nesse “outro” ele se vê mais forte, mais destemido, mais poderoso.

Perceba a valentia, a coragem e o poder que as togas dão a juízes e ministros.

Togados, homens podres se veem imaculados. Os eleitos dos deuses.

Mediocridade e canalhice se misturam e adquirem esse odor fétido que se espalha pelo país.

Qual será a sensação de quem veste capas e becas em solenidades?

Por que capas, becas e togas exercem tanto fascínio nas pessoas?

Ao apagar das luzes, voltamos a ser todos iguais.

Muitas vezes, à noite, estarão de volta os nossos medos.

Nessas horas, quando nos fortalecemos, ao amanhecer seremos homens e mulheres, simplesmente isso.

Mas é nessa coisa simples, sermos nós, que reside a nossa força.

Quando não nos fortalecemos, ao amanhecer iremos precisar de capas, becas e togas.

E, incrível, “brigaremos” por elas.

Há mundos em que se vive na violência e aí os nossos escudos são as armas.

Mas há mundos ainda piores, em que se vive a violência.

Ela se instala e finca raízes no ser.

Presa na nossa alma pela história de vida de cada um, nos tornamos amargurados, inseguros e violentos.

Nesses mundos, predominam as balas.

Tudo se resolve à força.

Como togas, para alguns as balas trazem o destemor, a valentia, a coragem, o poder.

Do mesmo jeito, vai-se o medo.

Que voltará à noite.

Não há ilusões quanto a muitas coisas que estão acontecendo e ainda estão por acontecer. Agora, mais do que nunca, sabemos disso.

A eventual eleição de um homem reconhecidamente inepto passa por muito mais coisas do que se pode imaginar, inclusive pelo medo de pessoas com muito medo dentro de si.

Essas pessoas, muitas inocentemente, são levadas a crer que a arma lhes trará proteção.

Difícil acreditar que pensamentos tão primários quanto esse são capazes de seduzir classes privilegiadas pelo acesso à informação, informação programada para se transformar em conhecimento, como os professores.

Poucas categorias poderiam se sentir tão orgulhosas, afinal, quem tem a missão de formar o homem e a mulher e com eles caminhar para o futuro?

Vamos lá.

Fernando Haddad, todos sabem, é professor.

E olha que coincidência, sua esposa, Ana Estela Haddad, também é professora. Professora de Odontopediatria de uma importante universidade brasileira, a USP.

O bom senso nos leva a imaginar que ela deve ser bastante conhecida na sua cidade e no seu estado.

Será que os professores colegas de universidade e os que pelo menos a conhecem um pouco e seus alunos sabem, já ouviram falar que ela, a professora Ana Estela Haddad, da área de pediatria, apresenta algum tipo de perversão sexual infantil?

Será que têm conhecimento de que o casal de professores apresenta esse perfil?

Talvez esses diversos professores que os conhecem, não devem ser poucos, possam ajudar a esclarecer esse episódio de livros de erotização de crianças que o professor Fernando Haddad teria mandado distribuir nas escolas.

Por sua vez, que professoras e professores são esses que passivamente aceitam esses livros nas suas escolas? Se não percebessem a aberração como professores, nenhum deles é pai ou mãe para imaginar as eventuais consequências nos seus filhos que, imagina-se, também são alunos?

Então, só para ficar nesse episódio, os professores não conseguem perceber que coisas assim só podem nascer de mentes doentes?

Só para ficar nesse episódio, os professores não conseguem perceber que quem recorre a esses artifícios para se eleger representa o que há de pior na escória da sociedade?

Repito, só para ficar nesse episódio, porque outros existem tão ou mais escabrosos.

Como ajudam a disseminar coisas como o patético kit gay, ou, indiferentes, se calam?

Como puderam descer a nível tão baixo e desonrar o ser professor?

Deixemos de lado o lucro com as armas, as ações da indústria de armas que disparam nas bolsas de valores, como está acontecendo agora. Isso é com os donos do dinheiro, não conosco.

Somos somente aqueles que, manipulados, tornam-se vítimas dos interesses e lucros.

Somos aqueles que, manipulados, serão os primeiros a sentir na pele e depois na alma as consequências do que está por vir, pelo fato de que quem dispõe do conhecimento, mesmo com a mente ocasionalmente dopada, deverá ser o primeiro a identificar o desastre, assim que recuperar a consciência.

Como diz o jornalista Ricardo Kotscho ao avaliar a situação do País, à beira do fascismo; “os eleitores [de Bolsonaro] não querem ler nem ouvir mais nada, já estão com suas sólidas certezas consolidadas. Não há mais espaço para diálogos minimamente civilizados… “.

Só perguntaria a Ricardo Kotscho.

Quando eles leram?

Se lessem, conheceriam minimamente a história.

Se conhecessem a história, saberiam o que bate à nossa porta.

Quando eles ouviram?

Se ouvissem, teriam ouvido o toc toc das primeiras batidas à porta.

Se ouvissem, já teriam ouvido os gritos de socorro de quem está sendo ofendido, agredido, violentado e o choro daqueles que já perderam alguém.

Imaginou-se inicialmente que eram só desprovidos de conhecimento, mas não.

Há carências muito mais sérias.

Há o alheamento dos omissos, numa pretensa neutralidade, na verdade tão covardes quanto os que fogem.

Há os que na sua ignorância doutorada e com o peito carregado de preconceito e ódio vomitam sobre os inocentes e tolos que insistem em falar de valores e direitos humanos.

Como já disse o general, vice do ex-capitão (que agora todos sabem como foi “saído” do exército); “Direitos humanos são para humanos direitos”.

Não demorou muito para vermos os humanos direitos agindo no país, sob a complacência de todos eles.

Perderam-se completamente e na ignorância ativa, sem perceber (direito dado somente aos ignorantes) que estão tirando o futuro dos seus próprios filhos e netos.

O mundo todo está perplexo e países como França, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra, só para citar alguns e pelo nível de civilidade que alcançaram, já enviaram sinais de alerta e manifestaram enorme preocupação com o que estão vendo.

O que mais pode haver onde não há dignidade?

Tantas coisas já estão acontecendo longe dos olhos e do olfato do povo brasileiro, mas é na violência que se manifesta a cada dia que temos uma noção mais precisa do que veremos atingir o coração desse país.

E não era esse mundo, tenho certeza, que existia em você.

Como também não acredito, sinceramente, que é esse o mundo que você deseja para aqueles que virão depois de você.

Seus filhos e netos.

Zezinho

Haddad criança'

Por Ronaldo Souza

Esse menino só anda sujo, parece que joga bola o dia todo. Ah, meu Deus, por que ele
não é igual a Zezinho, que só anda de banho tomado, limpinho, arrumadinho…”

Quantas e quantas vezes ouvi isso de minha mãe ao chegar em casa todo sujo do baba (pelada para quem não é baiano), algo que muitas vezes fazia mais de uma vez por dia, todos os dias.

Zezinho era, de fato, assim.

Acho que já na pré-adolescência não tinha mais como não notar; Zezinho deixava bem claro que era homossexual.

Aliás, Zezinho não era homossexual; era viado. Afinal, era assim que chamávamos de forma pejorativa a todos que apresentavam “aquele” comportamento.

Dá para imaginar o quanto Zezinho deve ter sofrido por ser “daquele” jeito, naquela época, numa cidade do interior?

No entanto, olhando para trás, imagino hoje que Zezinho, a quem não vejo há muitos anos e não reconheceria se visse, não deve ter sofrido muito, como geralmente sofrem alguns homossexuais (muitos, maioria? Não sei) pela opção sexual que fizeram.

Inocência, pureza, personalidade forte? Não faço a menor ideia.

Mas, ao olhar para trás só consigo me lembrar de Zezinho feliz.

Quantas vezes ‘provoquei’ minha mãe dizendo; “a senhora ainda quer que eu seja como Zezinho?”

Certamente, nenhuma mãe queria.

Certamente, nenhuma mãe quer.

Começa pelo estigma.

O homossexual é um ser cruel e covardemente estigmatizado pela sociedade e nenhuma mãe quer ver seus filhos sofrerem, ainda mais nos níveis que sofrem quando a razão é essa.

Mas, é ela, a mãe, ser supremo de amor que, mesmo sofrendo muito, até pelas dificuldades impostas pela tradição cultural que reina nas famílias, entre amigos, vizinhos, todos, costuma ser a primeira a acolher seu filho ou sua filha.

Ela, mais que qualquer outra pessoa, sabe o quanto eles sofrerão pelo resto da vida.

O pai costuma vir em seguida nesse processo. Os homens apresentam dificuldade muito maior para a aceitação das diferenças, que fazem parte da vida, queiramos ou não, gostemos ou não.

Pelo tanto que já andamos, quando deveríamos estar mais propensos a conviver melhor com as diferenças, não é isso que ocorre.

Regredimos.

Diferentemente da situação de Zezinho, hoje tudo mudou.

Nos dias atuais, abomina-se a homossexualidade com violência absurda, estimulada pelo preconceito e ódio que hoje circulam em todos os ambientes, particularmente nas redes sociais.

Dessa corrente de estupidez e da sua disseminação de forma contundente fazem parte muitos pais e mães.

Que pena.

Quantas vezes já aconteceu de alguns terem em casa, sem saber, filho ou filha homossexual, que se escondem do mundo real porque veem nos seus próprios pais “inimigos” aos quais não querem magoar.

Renunciam à vida em nome do amor a eles.

Como deve ser torturante!

Hoje são comuns os relatos de pessoas que apontam para o insuportável sofrimento que é viver assim; “escondendo-se” no seu mundo particular.

Esses sofrem mais ainda.

Essas pessoas não têm o direito de viver.

Paradoxalmente, vivem uma vida de aparente aceitação pela sociedade e ao mesmo tempo cheia de gestos e ações ofensivas e agressivas.

À tortura psicológica diária, agora incorporaram o risco de vida.

Como viver assim?

Como conviver com isso?

Hoje, ainda que me traga grande desconforto e me faça mal, estou me vacinando contra a estupidez e não me manifesto.

Calo-me.

E me afasto.

Sim, pode me recriminar pelo que você julga ser uma omissão.

É que estou cansado e lhe peço que entenda e respeite o meu cansaço.

É possível que você me acompanhe através dos meus textos. Se é assim, deve ter percebido que não deixo de lutar, mas também preciso me proteger.

Fique certo de que dói, e não é pouco.

Viver socialmente é violentar-se todos os dias.

De que adiantaria eu perguntar:

Será que vocês não percebem a gravidade desse momento?

De tão evidente, será que realmente não percebem?

E aí eu lhe pergunto.

O que mais posso dizer ou fazer?

Entende o meu cansaço?

Abro um parêntese, recorrendo a um texto que escrevi e postei em abril de 2016, Sonhos não morrem.

“Já falei sobre Dito aqui mesmo em um texto sobre o Natal.

Negro, pobre, muito pobre, vizinho e maior amigo da minha infância em Juazeiro (BA).

É como se eu a estivesse vendo agora, aqui, na minha frente.

Segunda casa à direita da minha, a de Dito não tinha sanitário.

Era “lá atrás” no fundo do quintal, com um muro de meia altura na frente.

Fazia-se ali.

Àquela época Papai Noel já me conhecia, mas não conhecia Dito.

Nunca foram apresentados”.

Já na minha infância, convivi com a pobreza e, no caso de Dito, em níveis profundos.

Nos babas que relato acima, era ele que ia comigo. Só chegávamos depois do horário do jantar e, como disse, imundos.

Foram anos assim.

Jogando bola sujos, imundos e… felizes.

Uma das coisas inesquecíveis da minha vida envolveu, além de mim, meu pai e Dito. Se você desejar, pode ler aqui Natal.

É possível que por querer tanto bem a Dito (foi simplesmente o meu melhor amigo na infância), eu tenha aprendido desde cedo a ver a pobreza com outros olhos, respeitando-a e vendo a grandeza que muitas vezes existe nela.

Zezinho também existiu na minha infância (não sei se ainda está vivo. Dito morreu afogado ainda muito jovem), mas nem de perto com a mesma intensidade que Dito, cujo nome era Espedito.

O nome de Zezinho, porém, não era esse.

Diferentemente de Dito, por razões que me parecem importantes, talvez fosse uma exposição desnecessária traze-lo “identificado” para o meu texto. Era outro o seu apelido, também um diminutivo advindo do próprio nome, mas que foi trocado neste texto. Voltei a vê-lo em raríssimas oportunidades nas vezes em que voltei à minha cidade e há muitos anos não tenho notícias dele.

Hoje o vejo como também uma pessoa importante na minha vida, que contribuiu para o meu desenvolvimento como homem, como ser humano.

Por que o trouxe aqui?

Como tantas outras pessoas que vieram ao meu encontro e enriqueceram minha vida, ambos, Dito e Zezinho, fizeram parte desses encontros, cada um com o seu peso, cada um com a sua importância, cada um com sua influência.

Todos ajudaram na construção do homem que sou.

A morte de Dito me trouxe muita tristeza e recordações de uma infância plena que me deu o lastro dessa construção.

Ao ver nascer o dia de hoje, 12 de outubro, dia da padroeira do Brasil, dia das crianças, veio-me à mente Zezinho.

Que certamente viveu muitos dias das crianças cercado do amor e do carinho dos seus pais, como eu vivi, como Dito viveu, como você viveu, como deve ter vivido a criança da foto lá em cima.

Estou aqui, conversando com você.

Dito, infelizmente, teve morte trágica.

Como disse, não sei se Zezinho ainda está vivo, mas teve direito à vida.

A vida me ensinou a lutar pela vida de todos.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.
John Donne

Hoje, dia das crianças, veio-me à mente uma dúvida cruel, que certamente aterroriza o coração de muitas mães e pais do Brasil.

Quantos outros Zezinhos terão, como nós tivemos, o direito de viver uma vida plena de agora em diante nesse país?

https://www.youtube.com/watch?v=eDlNP8bTfmE

Quando a arrogância desaba e o fascismo tenta se disfarçar

Bolsonaro ontem e hoje

Por Ronaldo Souza

Li algumas vezes que o ex-capitão Jair não teria nenhuma chance na campanha presidencial, pela absoluta ignorância sobre todos os temas, por não saber falar e porque não teria tempo de TV e rádio.

Confesso a minha perplexidade nos momentos em que lia coisas assim.

Eu não conseguia entender como as pessoas não viam que, para quem possui tamanha ignorância e não sabe falar, como o fato de não ter tempo na TV e no rádio podia ser ruim.

É completamente, exatamente, absolutamente, verdadeiramente, o contrário.

Foi um presente que ele recebeu dos deuses protetores da ignorância!

No debate em que foi, por exemplo, a sua participação provocou risos e o particular confronto com o cabo Daciolo, além de triste e vergonhoso pelo que se deve esperar de candidatos ao cargo máximo do país, foi um capítulo à parte.

Mas aí, em função do terrível episódio do atentado, condenável sob todos os aspectos, ele não compareceu aos outros debates.

Foi então que, já liberado pela equipe médica, resolveu não ir ao debate da Globo.

Quando os resultados das pesquisas chegam à população, os candidatos e suas equipes já sabem antes. Além disso, existem os trackings diários dos partidos.

Naquele momento, a onda Bolsonaro estava a todo vapor e já prenunciava a vitória no primeiro turno. A sua equipe decidiu então que o melhor era ele não ir ao debate.

Riscos?

Nenhum.

A convicção da vitória no primeiro turno que já se formava não dava margens para isso.

Só depois foi possível entender a postura desafiadora do ex-capitão Jair ao dar uma entrevista à Record, do bispo Edir Macedo, no mesmo horário do debate ao qual não iria.

Ele, que não fora ao debate protegido por um atestado médico, pisava no atestado e no pobre médico ao tomar aquela atitude.

Na sua cabeça, a certeza da vitória no primeiro turno lhe permitia fugir do debate sem nenhum risco.

Para quem amarelou, ser chamado de fujão, como foi, ou fazer jus a um merecido Atestado de covardia, em absolutamente nada seria afetado.

Ele já “estava” eleito.

Observar as reações das pessoas nos faz conhece-las melhor.

Observar as reações dos políticos pode nos permitir antever o que está prestes a acontecer.

Duas coisas me chamaram a atenção no domingo.

Na hora em que foi votar, naquele momento de gestos e palavras de efeito para microfones e câmeras, o ex-capitão Jair disse; “Acaba hoje”.

No mesmo momento, Haddad disse; “A alegria do povo na luta pela Democracia é o mais importante, independente de qual seja o resultado”.

Um parêntese.

Num momento tão decisivo para os candidatos e para o país, mesmo inspirado e motivado pela iminente vitória, o ex-capitão não consegue concatenar mais do que duas palavras.

Impressionante.

Fecha o parêntese.

Naquele momento, suspeitei do que estava por vir e que estava projetado no rosto do ex-capitão; a certeza da vitória no primeiro turno.

Os semblantes de um e de outro eram completamente diferentes.

Isso explica o indisfarçável abatimento na fala do ex-capitão Jair após a confirmação de que haveria segundo turno.

Foi enorme, impossível de esconder.

Ao seu lado estavam Paulo Guedes (Posto Ipiranga, como está sendo chamado porque é o guru de Bolsonaro, diz a ele o que deve fazer e será o seu grande ministro) e a tradutora de Libras.

Lendo no teleprompter o que escreveram para ele dizer, o ex-capitão não conseguia disfarçar a desilusão.

E ali, o desastre se exibia.

O texto que escreveram para ele ler é de uma pobreza fenomenal.

À altura do candidato, que agora, em alguns poucos minutos, tentava negar toda a sua vida de repetidos e agressivos ataques a tudo e a todos que passaram à sua frente, particularmente as minorias.

A sua desorientada equipe, ele mais ainda, além do discurso de derrotado para quem acabara de passar para o segundo turno com 46% dos votos, patrocinou um discurso patético como poucas vezes visto.

Fez lembrar Sergio Porto (mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta), no seu famoso FEBEAPA; Festival de Besteira que Assola o País.

Se oportunidade tivesse, naquele momento o ex-capitão sentaria à mesa com nordestinos jegues, negros promíscuos, “viados” asquerosos,  mulheres vagabundas… num grande jantar de confraternização em nome dos votos sobre os quais pisou a vida inteira.

E pelos quais agora faz qualquer negócio.

Agora, deputado, uma coisinha me deixou muito intrigado.

Quando você diz “e ficou e ainda continuo hospitalizado por aproximadamente 30 dias”, o que você quer dizer exatamente?

 

Será que é uma preparação de terreno para dizer que não vai…

Não, deixa pra lá.

Aliás, vou perguntar.

Será que é uma preparação de terreno para dizer que não vai participar dos debates?

Não, acho que estou imaginando coisas.

Em Curitiba, carro é jogado contra eleitor que vestia camiseta com imagem de Lula

Bolsonaro e morte'

Por Ana Carolina Caldas

A onda de intolerância provocada pelos discursos de ódio contra as minorias e partidos de esquerda vem fazendo vítimas em Curitiba e todo o Brasil. No último domingo (07), o jornalista Guilherme Daldin vestia uma camiseta com a imagem do ex-presidente Lula e estava acompanhado de amigos nas proximidades da Rua Trajano Reis, no centro de Curitiba, quando foi atropelado por um carro. Daldin estava parado ao lado de um bicicletário. “Eu conversava com os amigos e o carro foi jogado contra mim, o pneu passou por cima dos meus pés. O carro saiu em disparado e quando amigos conseguiram chegar perto do motorista ele ameaçou atirar dizendo que portava uma arma”.

A placa do carro foi identificada e através dela foi possível encontrar o perfil do facebook do motorista que revela em suas postagens ódio e pedido de morte a quem apoia o PT. “O que aconteceu comigo é leve comparado a outros casos de violência praticados por grupos de milícia proto fascista que apoiam Bolsonaro que é um candidato que faz a campanha incitando ódio”, disse Daldin.

Bolsonaro e morte

Sobre a intolerância, a jornalista Eliane Brum, em artigo dessa semana, escreveu que “projetos que não acolham as diferenças, que querem eliminar – e inclusive exterminar – as diferenças e executar aqueles que encarnam as diferenças, estes não cabem na democracia. Porque defender a eliminação dos diferentes, dizendo que não deveriam existir ou que valem menos que os outros, não é uma opinião, mas um crime”.

Propaganda na delegacia

Ao fazer o Boletim de Ocorrências na delegacia, Guilherme Daldin conta que foi recebido por um escrivão com seu computador cheio de adesivos do candidato Bolsonaro. Ele se pronunciou nas suas redes sociais dizendo se sentir aflito com a situação: “Primeiro que é um computador de órgão público, isso é crime. Me senti angustiado porque vivemos um processo de violência pura”. Bolsonaro é conhecido por seus discursos que incitam ódio e violência. Em entrevista chegou a dizer que se for preciso manda matar uns 30 mil no país.

Aos gritos de “Viva Bolsonaro”, homossexual é assassinado

Na semana que antecedeu as eleições, em Curitiba, o cabeleireiro José Carlos de Oliveira Motta, conhecido como Cacá, foi encontrado morto em seu apartamento. Homossexual, morava sozinho e foi encontrado dentro do armário com os pés amarrados. Moradores do prédio e uma amiga da vítima dizem ter ouvido o suposto assassino gritar “Viva Bolsonaro” ao interfone, após saber da confirmação da morte.  Ele foi detido e as investigações seguem em sigilo.

Mestre de capoeira de 67 anos é assassinado por apoiador de Bolsonaro

Na Bahia, também no domingo, o mestre de capoeira Moa do Katendê, de 63 anos, foi assassinado com 12 facadas nas costas em um bar em Salvador (BA). O assassinato foi cometido por um apoiador do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), após uma discussão sobre as eleições.

Educador, compositor, artesão e liderança do movimento negro e da cultura no estado da Bahia, Mestre Moa declarou seu apoio a Fernando Haddad (PT) no primeiro turno das eleições e defendia o voto no petista. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que o homem que cometeu o assassinato foi preso em flagrante. O autor do crime admitiu que, após uma discussão de caráter político, voltou a sua casa e buscou a faca que utilizou no homicídio.

No final da década de 1980, o mestre ministrou aulas de capoeira e percussão para crianças em projetos na Fundação Nacional de Assistência Social, na antiga Febem e SOS Criança. Na época, também participou do Movimento de Artistas Negros de São Paulo com projetos musicais Negra Música (1988) e venha ao Vale (1989), ao lado de Jorge Ben Jor. Na capital paulista, fundou o Afoxé Amigos de Katendê. Mestre Moa membro da Associação Brasileira de Capoeira Angola, discípulo de mestre Bobó de Pastinha e era descrito por capoeiristas como “uma biblioteca viva, um museu vivo da história da arte afro brasileira”. Ele era um defensor da reafricanização da juventude e do Carnaval da Bahia. (Com informações do Brasil de Fato Nacional)

No Dia do Nordestino: o novo sempre vem!

#AquiNão'.jpeg

Por Henrique Fontes

“Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção.
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação…”
Belchior

O dia 08 de Outubro de 2018 amanheceu como um rasgo no tempo das oligarquias brasileiras. Pelo menos no Rio Grande do Norte, onde habito há mais de 30 anos e onde me construo como artista, pela primeira vez em 70 anos tiramos do poder as oligarquias Alves, Maia, Rosado e Faria.

Este dia marca também o grito de #AquiNão, dado pela região Nordeste que, em sua grande maioria, não quis o fascismo como diretriz para o Brasil. E olha que ironia do destino, este dia 08 de outubro é o Dia do Nordestino.

A data inventada em São Paulo em 2009, em homenagem ao centenário do nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, poeta popular, compositor e cantor cearense, talvez ganhe um contexto menos folclórico a partir de hoje. Creio que ela re-inaugura um desejo de Democracia a partir do que aqui ouso chamar de a Ética dos Pobres.

Não estou assumindo o discurso de nordestino vítima da seca e refém dos coronéis, mas não posso negar o número ainda assustador da pobreza de muitos e da riqueza de poucos no Nordeste brasileiro. Queria chamar atenção para esta ética de uma população que, por décadas, se sujeitou aos mandos do senhorzinho do engenho, da fazenda, da indústria, dos shopping centers ou dos bancos, mas que nunca dormiu com o travesseiro do conformismo.

A Ética dos Pobres se pauta no entendimento de que o pouco que tenho pode ser compartilhado e “uma hora teremos a nossa vez”. Um misto de fé na humanidade e no divino. Uma força que move aqueles que acordam antes do sol e trabalham além das próprias forças.

Nesta data de 08/10/2018 também quis a roda do destino, que nossa peça “A Invenção do Nordeste” do Grupo Carmin, estreie sua temporada no Teatro Sesi no centro do Rio de Janeiro. A peça dirigida por Quitéria Kelly, inspirada na obra “A Invenção do Nordeste e outras artes” do historiador Durval Muniz de Albuquerque jr. questiona esta construção inventada a partir de um regionalismo redutor que, por décadas, vem ajudando as oligarquias a manobrar as massas e garantir seus currais eleitorais.

Este dia simbólico, onde vejo o vídeo de Natália Bonavides, uma jovem de 30 anos, eleita com 110 mil votos a mais jovem deputada federal da história do Rio Grande do Norte, cantando “Como nossos pais” de Belchior, me renova a esperança e um desejo de um novo país, não inventado nem copiado de modelos estadosunidenses ou fascistas. Um país que viva a democracia como “a ação que arranca continuamente dos governos oligárquicos o monopólio da vida pública e da riqueza a onipotência sobre a vida.” Como defende Jacques Rancière no seu livro “O ódio à democracia.”

Eu sei que há perigo na esquina e que alguns sinais até podem estar fechados para nós que somos jovens, mas quero continuar agarrado às palavras de Belchior e seguir acreditando que “é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.

Henrique Fontes – Dramaturgo e ator de A Invenção do Nordeste, em cartaz no Teatro Sesi Centro no Rio de Janeiro, dos dias 08/10 a 06/11/2018, Segundas e terças às 19h.