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Um encontro entre Brasil e Portugal

Two butterflies with flags on wings as symbol of relations Brazil and Portugal

Por Ronaldo Souza

Encontrei no CIOBA (Congresso Internacional de Odontologia da Bahia), novembro de 2016, um colega e amigo que há mais de 20 anos mora em Portugal; o baiano Antônio Carlos Bonfim.

Talvez por ser possuidor de inteligência e sensibilidade não muito comuns em determinados segmentos, é um “cara” politizado.

Ele me honra com algumas opiniões no meu “feicibuqui”.

Não conversávamos pessoalmente há alguns anos, mas acho que tiramos o atrasado, ou pelo menos parte dele.

Acredito que conversamos durante cerca de 3 horas ou pouco mais, em pé, diga-se de passagem, e ele me prometeu enviar o texto abaixo.

Postou na minha linha do tempo.

É a resposta de um jornalista português à entrevista de um juiz num jornal diário antes de concluir o processo do ex-primeiro ministro, o socialista José Sócrates (2009-2011).

Como ele chamou a atenção, observe que temos também um Moro em Portugal que, por causa de uma entrevista, foi bastante criticado pela imprensa portuguesa.

Se o Moro de lá é criticado, o de cá…

Não vem ao caso.

Só espero que o de lá não tenha a mesma estranha atração pelos Estados Unidos que tem o de cá.

Bonfim, como já em parte um pouco português por adotar o país deles, por favor, diga aos portugueses que, apesar da ignorância e estupidez de alguns dos nossos promotores, à frente Deltan Dallagnol, o povo brasileiro não vê no português a razão dos nossos descaminhos.

Somos o que somos.

Um país cujas fronteiras sempre estiveram e estarão abertas a todos os povos, como os Dallagnol, oriundos da Itália.

Todos eles ajudaram a fazer deste um país único, com a sua enorme diversidade de raças, religiões e cores.

É possível que o sangue índio-português-africano que corre nas nossas veias e faz bater com força os nossos corações não pulse com a mesma intensidade naqueles que vieram depois.

Mesmo assim, eles também são brasileiros.

Se para alguns a nossa descendência é humilhante e justificadora das nossas mazelas, dela nos orgulhamos.

Portugal e Brasil, Brasil e Portugal.

Por razões que parecem óbvias, as nossas ligações são eternas, com todas as virtudes e pecados que daí podem advir, ainda que mentes débeis estejam sempre envoltas pelo véu da pureza da raça, cuja história traz registros de grande tristeza para a humanidade.

Por isso, homenageio Portugal e sua História, tão ligada à nossa, através desse vídeo com as duas versões de Tanto Mar, música de Chico Buarque que fala da Revolução dos Cravos.

https://www.youtube.com/watch?v=9RLScWescyU

Reproduzo abaixo o texto que Bonfim enviou.

12 de Setembro de 2016, 08:22

Por Francisco Louçã

Um juiz não deve dar entrevistas. Sobretudo sendo uma figura em evidência pública, não deve dar entrevistas, porque o que é relevante para o país é a sua sentença nos processos e nada mais. A sua vida privada ou as suas considerações sobre o mundo não importam para a nossa apreciação da sua conclusão. É na sua justiça e não na sua vida ou opiniões que devemos poder confiar. Por isso, não deve dar entrevistas, pois não pode tratar dos processos nem explicar sentenças e o resto é irrelevante. O silêncio da justiça sobre si própria é a melhor forma de criar confiança na justiça, pois os actos é que devem falar.

Se um juiz dá entrevistas para falar de si, temos que nos perguntar porque é que quer falar de si. Pode considerar-se um herói e aspirar a que o povo lhe erga um pedestal. Pode querer dar algum recado. Pode querer reinterpretar a sua própria função. Todas essas razões para dar uma entrevista são razões que aconselhariam o contrário, que o juiz evitasse disputar o espaço mediático, porque no caso esse é simplesmente o espaço da política. O juiz que dá uma entrevista está a intervir politicamente e sabe que está a fazer precisamente essa escolha.

Ao contrário do juiz, outras figuras públicas devem dar entrevistas, se o seu espaço natural é o da política. O público quer saber o que pensa o candidato a Presidente, o que disse, o que escreveu, o que discutiu, e até se é divorciado ou casado ou solteiro ou o que for, que casas e carro é que tem, o seu percurso profissional. Até é obrigado a fazer declaração de bens no Tribunal Constitucional, que pode ser consultada pelo público (o juiz não é obrigado a fazê-lo). Esses dados podem importar para a formação de uma opinião sobre a sua capacidade de exercício de cargo público. E, porque será escolhido pelo voto, a sua imagem e história são relevantes, bem como os actos. É por isso que se nos apresenta em entrevistas.

Ao contrário, o juiz não é escolhido pelo voto e, onde o político tem que ser visível, o juiz tem que ser invisível. Não me interessa em quem vota, não me interessa quem são os seus colegas de bilhar, não cuido de com quem janta, nem do seu clube de futebol, nem da sua leitura acerca do último discurso de António Costa ou de Marcelo Rebelo de Sousa. Só por essa razão, falar e falar é demais a entrevista do juiz Carlos Alexandre é estranha.

Também estranha é a data: uma semana antes de se concluir (mais um) prazo para a eternamente adiada acusação do Processo Marquês.

Mas mais estranho ainda é o que diz o juiz. Primeiro, pela mesquinhez da piscadela de olho: “sou o saloio de Mação que não tem dinheiro em nome de amigos”, porque meia palavra basta. Para quem não ouviu à primeira, repete que não tem “dinheiro” nem “contas bancárias em nome de amigos”. Percebeu?

A conversa sobre os dinheiros é perturbante. O juiz vive uma vida espartana, não vai a restaurantes e não tem “amigos pródigos”. Aliás, para descansar as nossas almas, nem tem amigos, de todo (se o leitor ou a leitora consegue confiar numa pessoa que não tem amigos dou-lhe um prémio). Queixa-se do governo do “senhor engenheiro José Sócrates” que lhe cortou o salário mas, que engraçado, não se lembra do governo seguinte que também lhe cortou e bastante mais no salário – ele ainda hoje desconta uma sobretaxa do IRS, mas não deve ter dado por isso, tão cuidadoso com as contas apertadas que é. Mas, espartano, e com um ordenado que, já agora, é maior do que um deputado, o juiz tem que trabalhar 48 sábados por ano para compor o fim do mês. Percebeu? Eu não.

E, se a conversa sobre dinheiros é perturbante, há outra que vai ainda mais longe. É que o juiz sabe muito, vangloria-se ele. Ouve muitas escutas. Tinha todos os processos. Está em todas as buscas. Manda tudo. Se isto for tudo verdade, e se este for o homem que sabe mais sobre a vida dos outros na nossa República, está mesmo certo de que pode confiar na justiça? Até porque o juiz sabe tudo, ouve muitas escutas, e muitas delas vão aparecendo escarrapachadas na capa do Correio da Manhã ou na Sábado.

Não sei portanto se a entrevista é vantajosa ou não para a transparência. É transparente ficarmos a saber que hão há transparência alguma. Que há uma só pessoa que tem tudo na mão. Que pode decidir a detenção e libertação de suspeitos ou arguidos que podem ficar meses ou anos na prisão, mesmo que não tenham sido acusados e não se sabe quando o venham a ser. Que é possível adiar a apresentação da acusação, porque, de facto, não obedece a prazos nem responde a ninguém. Que o segredo de justiça é segredo para todos menos para certos jornalistas. Que o juiz tem grandes aflições de dinheiro e uma vida rigorosa, penalizada pelas horas extraordinárias, ganhando o que ganha. Que diz de si próprio ser “o saloio de Mação que não dinheiro em nome de amigos” e que aliás não corre o risco porque nem tem amigos.

Assim sendo, ainda bem que o juiz Carlos Alexandre deu a entrevista que não devia ter dado.

“Endodontic World”

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Por Ronaldo Souza

O jogador de futebol que surge e se destaca no eixo Rio-São Paulo tem um pé na Seleção Brasileira.

Ele não teria, como não tem, as mesmas chances se estivesse ou estiver jogando em outras regiões do país, ainda que dessas tenha mais chances caso esteja em Minas Gerais ou Rio Grande do Sul.

Este é um fenômeno recorrente em muitas áreas no Brasil.

Alceu Valença, pernambucano e um dos nossos grandes compositores, foi muito feliz quando há anos disse que o artista brasileiro tem que fazer o vestibular do Sul para ser aprovado no resto do país, inclusive na sua própria terra.

Na mosca.

Talvez seja interessante esclarecer que no Nordeste é comum dizer-se Sul numa referência ao Sudeste (costume que vem dos mais velhos). Tanto que por aqui existe uma expressão muito conhecida, “sul maravilha”, quando, na verdade, seria sudeste maravilha.

Há quase 14 anos ouvi que o fluxo normal do conhecimento é do Sudeste, fundamentalmente do eixo São Paulo-Rio, para as outras regiões do país, não ao contrário.

Segundo essa pessoa, que demonstrou conhecer muito bem como isso funciona ao me contar em detalhes alguns aspectos que vi se confirmarem com o tempo, esse é o sentido; de mão única.

Tentar transforma-lo em mão dupla mexe com muita coisa.

A geografia condena.

Tradicionalmente, ainda que muitas vezes de forma sutil, outras nem tanto, o mundo acadêmico não parece deixar dúvidas quanto a isso.

Espaços se fecham diante da possibilidade de surgimento de alguém de “fora”. Muitas vezes, por movimentos quase que imperceptíveis de tão bem concatenados, bloqueiam-se as fronteiras.

Pergunte ao neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, nascido paulista, radicado durante muito tempo nos Estados Unidos e hoje vivendo lá e cá, considerado um dos vinte maiores cientistas do mundo no começo da década passada pela revista “Scientific American”, o que ele pensa e sabe sobre isso.

Fora do circuito da “imprensa endodôntica” e isolado do resto do Brasil pelas montanhas de Minas Gerais, sua terra, o professor Quintiliano Diniz De Deus viu barreiras serem colocadas nas suas fronteiras com o mundo endodôntico brasileiro.

Original, o Prof. De Deus chegou falando de uma forma diferente de ver a Endodontia e enfrentou dificuldades. Representa hoje uma página importante da vida endodôntica no Brasil e constitui leitura obrigatória para quem deseja conhecer melhor os caminhos da Endodontia.

Como seria nos tempos atuais em que a “imprensa endodôntica” se profissionalizou e se tornou ainda mais poderosa?

Não parece ser de difícil percepção os grupos que se tornaram influentes, com grande acesso e força junto a essa “imprensa”.

Conheço de perto a história de um professor de um país hermano vizinho que por duas vezes em momentos diferentes tentou levar um professor do Nordeste do Brasil para falar de Endodontia no seu país.

Não conseguiu.

Ele deixou transparecer que foram daqui as vozes que sugeriram o veto.

Eles são invisíveis?

Não.

Muito pelo contrário.

A ignorância e o complexo de vira-lata de um promotor

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Por Ronaldo Souza

Não são de agora e muito menos desconhecidas as ideias separatistas.

Pessoas, grupos, estados, regiões, que carregam consigo uma postura que denota superioridade, seja ela assumida ou não.

Estados e/ou regiões do Brasil trazem na sua história a ideia da separação do resto do Brasil.

A tentativa de formação de raças “superiores” não deixa dúvidas quanto aos limites do ser humano e a história da humanidade registra isso com clareza assustadora e consequências já bastante conhecidas.

Aquilo que se conhece como higienização social é algo de tão grande pobreza intelectual, moral e humana quanto deplorável e expositora da fragilidade de alguns, que infelizmente são muitos.

Assim, alguns comportamentos nem sempre têm a sua origem nos bons propósitos, no melhor dos sentimentos.

Sentimentos que se espalham dissimuladamente sob as formas mais sutis.

Há muito pouco tempo, cerca de três meses, o promotor Deltan Dallagnol explicou a corrupção no Brasil como fruto da colonização portuguesa.

Disse ele que a diferença entre o Brasil e os Estados Unidos e o que fazia o primeiro ser um país corrupto era o fato de que ele tinha sido colonizado pela escória da raça humana, os portugueses.

Ao contrário, ainda segundo ele, os Estados Unidos constituem aquele exemplo de integridade e bons costumes porque foi colonizado pelos homens bons e puros da Inglaterra.

Só mesmo a ignorância e desconhecimento da História podem levar a tamanha insanidade.

Nenhum outro país tem a sua história tão manchada de sangue por invadir, dominar e subjugar povos de outros países para levar adiante o seu imperialismo como os Estados Unidos, tendo como aliado de primeira linha os seus outrora colonizadores, a Inglaterra.

Quantos homens, mulheres e crianças foram assassinados por aqueles homens bons e puros de origem nobre?

Quantos países carregam consigo a mácula do racismo nos níveis a que foi levado pelos homens de espírito elevado dos Estados Unidos?

O promotor não faz ideia de quanta asneira conseguiu dizer e fazer nessa comparação.

O absurdo desrespeito e agressão a uma não nação amiga, Portugal, e a um povo irmão, os portugueses, afinal nossos descobridores.

Entretanto, se Dallagnol, do alto da sua estupidez, conseguiu fazer isso com aquele país e povo amigos, não deveria causar surpresa por demonstrar estar alinhado à sua formação de colonizado, não no passado que remonta ao ano de 1.500, quando os portugueses descobriram o Brasil, mas no presente.

Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao se dizer, como brasileiro, inferior ao americano, pela sua descendência portuguesa.

Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao bajular os Estados Unidos, país em que a república de Curitiba se espelha e para onde tem viajado muito.

Ao deixar patente a sua americanofilia, demonstrou ocupar cargo de relevância no CCVL, Clube do Complexo de Vira-Lata, em que muitos, como ele, não conseguem negar Juraci Magalhães, cearense que fez carreira política na Bahia:

“Tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Esta frase de Juraci Magalhães bem que poderia ser o lema desse clube.

Entretanto, apesar da ignorância reiteradas vezes exposta de forma tão despudorada, Deltan Dallagnol tem encantado boa parte de determinados segmentos sociais.

Compreensível.

Dallagnol sabe para quem fala.

O promotor Dallagnol, ainda que às avessas, resolveu trilhar o caminho do direito, certamente não o do Direito.

E este parece ser um problema atual.

Homens que escolheram a profissão e que ficaram presos às normas e leis como talvez tenham sido vistas nos livros ainda nos tempos de estudantes de Direito.

Esqueceram-se do mundo.

Esqueceram-se da vida.

Mesmo como profissional da área de saúde, portanto, aparentemente nada a ver com a minha formação profissional, assisti a uma aula magna do Professor Dalmo Dallari de mais de uma hora de duração em que ele desfilou pela História da Humanidade, falou sobre Direitos Humanos, para mostrar a aqueles jovens pretendentes ao Direito, que o conhecimento das leis é nada ou muito pouco se não existir o conhecimento sobre o Universo, sobre a vida.

Como disse uma vez Oscar Niemeyer:

“O sujeito às vezes até cresce na profissão, mas não toma conhecimento da vida”.

Certamente, o promotor Deltan Dallagnol nunca assistiu a uma aula do Professor Dalmo Dallari.

Para ele tem sido bem mais lucrativo se esmerar em aprender a usar o PowerPoint.

Com convicção.

O tempo e o vento. E os Mestres

clock hands being pushed back by a business man

Por Ronaldo Souza

Há uma Geração de Ouro na endodontia brasileira.

Como escrevi à época, independente de eventuais divergências não há como deixar de reconhecer neles os méritos no surgimento e consolidação da qualidade da nossa endodontia.

Só os tolos esquecem os seus mestres.

Só aqueles com péssimo caráter vão além e falam mal dos seus professores.

Verdadeiros mestres não surgem como num passe de mágica, da noite para o dia. A despeito da importância dos seus títulos acadêmicos, não se tornam mestres de verdade graças a eles.

Vão se formando ao longo dos anos.

E terminam eleitos pelos deuses para uma missão nobre, da qual alguns talvez nem tenham noção da real dimensão.

Foi nesse processo que os mestres, a alguns dos quais me reporto em Geração de Ouro, chamaram para si a responsabilidade da construção da endodontia brasileira como hoje ela é.

Não se fizeram deuses, foram consagrados por eles.

Acho que nunca vou esquecer uma conversa com (Roberto) Holland, quando há alguns anos, reportando-se a determinado assunto, ele terminou uma frase assim; “… tenho visto na imprensa”.

Achei muito interessante aquela palavra, imprensa, sendo utilizada daquela maneira.

Claro que não era a imprensa como a conhecemos (jornal, televisão…), mas o que corre como “notícia” pelo mundo da Odontologia e no caso em particular da Endodontia.

Aqueles grandes mestres citados no artigo foram naturalmente surgindo e quando menos se esperava, estavam lá. Prontos, para ocupar o lugar que era deles.

Cada um a seu jeito, mas todos com características bem definidas:

Seriedade, competência e compromisso com o ensino da Endodontia.

Por razões diversas, alguns já não mais estão na ativa, outros em breve seguirão esse caminho e outros não estão mais entre nós.

Acredita-se que rei morto, rei posto.

Alguns até estimulam a difusão desse conceito. Por razões que só eles sabem.

Há, porém, um problema com as gerações de ouro.

Elas costumam deixar um vácuo que exige tempo para ser preenchido.

E os deuses recém surgidos (não mais mestres), não por consagração, mas por auto aclamação, têm pressa.

A pressa possui algumas características que interferem naquilo que poderia terminar num bom protótipo e daí, como deve ser, na bem-acabada forma final.

E os protótipos, mal acabados, ficam no meio do caminho.

A pressa é inimiga da perfeição.

Os grandes mestres não surgem, constroem-se com o tempo.

Os deuses auto aclamados têm pressa. O amanhã deles precisa ser hoje.

Paga-se um preço por isso; a inconsistência.

A construção de algo sólido impõe princípios porque só com eles se alcança o futuro.

A auto aclamação atropela.

Inclusive os princípios da dignidade.

Não terá vida longa.

Vai-se com o vento um pouco mais forte.

Mas os auto aclamados nada sabem além do ser agora.

A “imprensa endodôntica” se profissionalizou e se tornou mais poderosa.

E fez surgirem deuses.

Com a profundidade de uma piscina para crianças.

Feliz Natal?

Por Ronaldo Souza

Qualquer profissional da área de saúde sabe, pelo menos assim se imagina, que organismos com carência proteica apresentam menor capacidade de defesa e se tornam mais vulneráveis.

A ingestão de proteínas se dá através da boa alimentação. É ela que nos fornece os nutrientes necessários para o nosso desenvolvimento físico e mental. Assim, a fome é fator negativo determinante nesse sentido.

A fome, para além de sensação percebida no dia-a-dia, representa necessidade básica da vida.

Saciada, o homem sobrevive.

Sobrevivência é instinto, algo de que todos os animais precisam.

Mas o homem não é só instinto; é também um ser racional.

O cérebro é uma estrutura nobre.

Nele estão contidos, por exemplo, os neurônios, células que desempenham a nobre função de nos fazer pensar.

É o poder de reflexão que nos difere dos animais, seres que não possuem a capacidade de raciocinar; seres irracionais.

A incapacidade de raciocinar, claro, torna alguém irracional.

Pessoas irracionais perdem, portanto, justamente aquilo que as distinguem de outros seres que não os humanos; os animais.

A irracionalidade individualizada e momentânea é reconhecida e se explica na explosão de sentimentos primitivos presentes no homem.

Para usar exemplo recente, o que se disse daquele rapaz que, repreendido por uma policial, uma mulher, por agredir a própria esposa, agrediu brutalmente a policial, num triste episódio cujo vídeo viralizou nas redes sociais?

“Esse cara é um animal”.

Estaria ele longe disso?

Se a irracionalidade individual se explica na explosão, quem sabe incontrolável, de sentimentos primitivos do homem, a irracionalidade coletiva, não.

Essa é induzida.

A mesma subnutrição que reduz de forma significativa a saúde do homem na sua plenitude, também reduz a capacidade de desenvolvimento neuronal e das suas conexões sinápticas, que conferem ao homem plenitude mental e intelectual.

Mentes desprovidas dessa plenitude mental e intelectual se tornam mais vulneráveis à invasão de sentimentos, ideias e comportamentos menos nobres.

O homem fica menor.

Pequeno.

A irracionalidade coletiva é fruto de homens e mulheres reduzidos ao quase nada na sua capacidade intelectual pela mais safada e escancarada manipulação da realidade.

Vivemos tempos difíceis.

Vivemos em um país que, sob a farsa, hoje mais do que comprovada, do combate à corrupção, foi entregue a grandes e reconhecidos corruptos e vê a destruição das suas maiores empresas e invasão de empresas internacionais, com os mesmos problemas de corrupção.

Um país que promove a destruição da indústria naval, recentemente recuperada, e vê desmancharem-se o investimento feito e conhecimento adquirido em energia nuclear.

Um país que entrega a sua maior riqueza, o Pré-Sal, e sua maior empresa, a Petrobrás, detentora do maior know how do mundo em prospecção de petróleo no fundo do mar, a grandes conglomerados financeiros internacionais, leia-se Estados Unidos.

Um país que entrega a sua infraestrutura de telecomunicação a esses mesmos conglomerados.

Um país que, tendo experimentado ser protagonista pela primeira vez na sua história, perde a sua soberania e, como antes, se joga nos braços do seu colonizador.

Um país que nesses dias de festas levantará suas taças em brindes, a despeito dos 12 milhões de desempregados que hoje possui e que somente a ignorância e consequente cegueira não permitem ver as verdadeiras causas de tudo isso.

Veem-se aflorar sentimentos, ideias e comportamentos repletos de ódio e preconceito como poucas vezes observado, que transformaram o país num terreno minado onde o vizinho é inimigo. Um verdadeiro processo de indução coletiva rumo à chocante incapacidade de discernimento, de tal maneira que um povo historicamente pacífico não consegue mais olhar para quem está ao seu lado.

E, pior de todas as coisas, pecado dos pecados, aproveitam-se de jovens, no auge da inocência e imaturidade, e violentam as suas mentes justamente quando alçam os primeiros voos na busca da cidadania.

A desinformação e a sub-informação, tão evidentes nos tempos atuais, não conferem os nutrientes necessários para a formação do cidadão e levam ao desenvolvimento de seres com grande déficit mental e intelectual, com custo e reversibilidade imprevisíveis.

Mentes mal alimentadas jamais permitirão o desenvolvimento de cidadãos plenos.

Boas Festas (Assis Valente) 

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem!
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem!

Dallagnol, baixe a bola e pare de fazer teatro com PowerPoint

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A demolição de um idiota

Por Eugênio Aragão, Procurador da República

Do blog de Marcelo Auler http://marceloauler.com.br/de-aragao-a-dallagnol-baixe-a-bola/

Minha carta aberta ao Dallagnol: “baixe a bola, colega”

Meu caro colega Deltan Dallagnol,

“Denn nichts ist schwerer und nichts erfordert mehr Charakter, als sich in offenem Gegensatz zu seiner Zeit zu befinden und laut zu sagen: Nein.”

(Porque nada é mais difícil e nada exige mais caráter que se encontrar em aberta oposição a seu tempo e dizer em alto e bom som: Não!)

Kurt Tucholsky

Acabo de ler por blogs de gente séria que você estaria a chamar atenção, no seu perfil de Facebook, de quem “veste a camisa do complexo de vira-lata”, de que seria “possível um Brasil diferente” e de que a hora seria agora. Achei oportuno escrever-lhe está carta pública, para que nossa sociedade saiba que, no ministério público, há quem não bata palmas para suas exibições de falta de modéstia.

Vamos falar primeiro do complexo de vira-lata. Acredito que você e sua turma são talvez os que têm menos autoridade para falar disso, pois seus pronunciamentos têm sido a prova mais cabal de SEU complexo de vira-lata. Ainda me lembro daquela pitoresca comparação entre a colonização americana e a lusitana em nossas terras, atribuindo à última todos os males da baixa cultura de governação brasileira, enquanto o puritanismo lá no norte seria a razão de seu progresso. Talvez você devesse estudar um pouco mais de história, para depreciar menos este País. E olha que quem cresceu nas “Oropas” e lá foi educado desde menino fui eu, hein… talvez por isso não falo essa barbaridade, porque tenho consciência de que aquele pedaço de terra, assim como a de seu querido irmão do norte, foram os mais banhados por sangue humano ao longo da passagem de nossa espécie por este planeta. Não somos, os brasileiros, tão maus assim, na pior das hipóteses somos iguais, alguns somos descendentes dos algozes e a maioria somos descendentes das vítimas.

Mas essa sua teorização de baixo calão não diz tudo sobre SEU complexo. Você à frente de sua turma vão entrar na história como quem contribuiu decisivamente para o atraso econômico e político que fatalmente se abaterão sobre nós. E sabem por que? Porque são ignorantes e não conseguem enxergar que o princípio fiat iustitia et pereat mundus nunca foi aceita por sociedade sadia qualquer neste mundão de Deus. Summum jus, summa iniuria, já diziam os romanos: querer impor sua concepção pessoal de justiça a ferro e fogo leva fatalmente à destruição, à comoção e à própria injustiça.

E o que vocês conseguiram de útil neste País para acharem que podem inaugurar um “outro Brasil”, que seja, quiçá, melhor do que o vivíamos? Vocês conseguiram agradar ao irmão do norte que faturará bilhões de nossa combalida economia e conseguiram tirar do mercado global altamente competitivo da construção civil de grandes obras de infraestrutura as empresas nacionais. Tio Sam agradece. E vocês, Narcisos, se acham lindinhos por causa disso, né? Vangloriam-se de terem trazido de volta míseros dois bilhões em recursos supostamente desviados por práticas empresariais e políticas corruptas. E qual o estrago que provocaram para lograr essa casquinha? Por baixo, um prejuízo de 100 bilhões e mais de um milhão de empregos riscados do mapa. Afundaram nosso esforço de propiciar conteúdo tecnológico nacional na extração petrolífera, derreteram a recém reconstruída indústria naval brasileira. Claro, não são seus empregos que correm riscos. Nós ganhamos muito bem no ministério público, temos auxílio-alimentação de quase mil reais, auxilio-creche com valor perto disso, um ilegal auxílio-moradia tolerado pela morosidade do judiciário que vocês tanto criticam. Temos um fantástico plano de saúde e nossos filhos podem frequentar a liga das melhores escolas do País. Não precisamos de SUS, não precisamos de Pronatec, não precisamos de cota nas universidades, não precisamos de bolsa-família e não precisamos de Minha Casa Minha Vida. Vivemos numa redoma de bem estar. Por isso, talvez, à falta de consciência histórica, a ideologia de classe devora sua autocrítica. E você e sua turma não acham nada de mais milhões de famílias não conseguirem mais pagar suas contas no fim do mês, porque suas mães e seus pais ficaram desempregados e perderam a perspectiva de se reinserirem no mercado num futuro próximo. Mas você achou fantástico o acordo com os governos dos EEUU e da Suíça, que permitiu-lhes, na contramão da prática diplomática brasileira, se beneficiarem indiretamente com um asset sharing sobre produto de corrupção de funcionários brasileiros e estrangeiros. Fecharam esse acordo sem qualquer participação da União, que é quem, em última análise, paga a conta de seu pretenso heroísmo global e repassaram recursos nacionais sem autorização do Senado. Bonito, hein? Mas, claro, na visão umbilical corporativista de vocês, o ministério público pode tudo e não precisa se preocupar com esses detalhes burocráticos que só atrasam nosso salamaleque para o irmão do norte! E depois fala de complexo de vira-lata dos outros!

O problema da soberba, colega, é que ela cega e torna o soberbo incapaz de empatia, mas, como neste mundo vale a lei do retorno, o soberbo também não recebe empatia, pois seu semblante fica opaco, incapaz de se conectar com o outro.

A operação de entrega de ativos nacionais ao estrangeiro, além de beirar alta traição, esculhambou o Brasil como nação de respeito entre seus pares. Ficamos a anos-luz de distância da admiração que tínhamos mundo afora. E vocês o fizeram atropelando a constituição, que prevê que compete à Presidenta da República manter relações com estados estrangeiros e não ao musculoso ministério público. Daqui a pouco vocês vão querer até ter representação diplomática nas capitais do circuito Elizabeth Arden, não é?

Ainda quanto a um Brasil diferente, devo-lhes lembrar que “diferente” nem sempre é melhor e que esse servicinho de vocês foi responsável por derrubar uma Presidenta constitucional honesta e colocar em seu lugar uma turba envolvida nas negociatas que vocês apregoam mídia afora. Esse é o Brasil diferente? De fato é: um Brasil que passou a desrespeitar as escolhas políticas de seus vizinhos e a cultivar uma diplomacia da nulidade, pois não goza de qualquer respeito no mundo. Vocês ajudaram a sujar o nome do País. Vocês ajudaram a deteriorar a qualidade da governação, a destruição das políticas inclusivas e o desenvolvimento sustentável pela expansão de nossa infraestrutura com tecnologia própria.

E isso tudo em nome de um “combate” obsessivo à corrupção. Assunto do qual vocês parecem não entender bulhufas! Criaram, isto sim, uma cortina de fumaça sobre o verdadeiro problema deste Pais, que é a profunda desigualdade social e econômica. Não é a corrupção. Esta é mero corolário da desigualdade, que produz gente que nem vocês, cheios de “selfrightousness”, de pretensão de serem justos e infalíveis, donos da verdade e do bem estar. Gente que pode se dar ao luxo de atropelar as leis sem consequência nenhuma. Pelo contrário, ainda são aplaudidos como justiceiros.

Com essa agenda menor da corrupção vocês ajudaram a dividir o País, entre os homens de bem e os safados, porque vocês não se limitam a julgar condutas como lhes compete, mas a julgar pessoas, quando estão longe de serem melhores do que elas. Vocês não têm capacidade de ver o quanto seu corporativismo é parte dessa corrupção, porque funciona sob a mesma gramática do patrimonialismo: vocês querem um naco do estado só para chamar de seu. Ninguém os controla de verdade e vocês acham que não devem satisfação a ninguém. E tudo isso lhes propicia um ganho material incrível, a capacidade de estarem no topo da cadeia alimentar do serviço público. Vamos falar de nós, os procuradores da república, antes de querer olhar para a cauda alheia.

Por fim, só quero pontuar que a corrupção não se elimina. Ela é da natureza perversa de uma sociedade em que a competição se faz pelo fator custo-benefício, no sentindo mais xucro. A corrupção se controla. Controla-se para não tornar o estado e a economia disfuncionais. Mas esse controle não se faz com expiação de pecados. Não se faz com discursinho falso-moralista. Não se faz com o homilias em igrejas. Se faz com reforma administrativa e reforma política, para atacar a causa do fenômeno é não sua periferia aparente. Vocês estão fazendo populismo, ao disseminarem a ideia de que há o “nós o povo” de honestos brasileiros, dispostos a enfrentar o monstro da corrupção feito São Jorge que enfrentou o dragão. Você e eu sabemos que não existe isso e que não existe com sua artificial iniciativa popular das “10 medidas” solução viável para o problema. Esta passa pela revisão dos processos decisórios e de controle na cadeia de comando administrativa e pela reestruturação de nosso sistema político calcado em partidos que não merecem esse nome. Mas isso tudo talvez seja muito complicado para você e sua turma compreenderem.

Só um conselho, colega: baixe a bola. Pare de perseguir o Lula e fazer teatro com PowerPoint. Faça seu trabalho em silêncio, investigue quem tiver que investigar sem alarde, respeite a presunção de inocência, cumpra seu papel de fiscal da lei e não mexa nesse vespeiro da demagogia, pois você vai acabar ferroado. Aos poucos, como sempre, as máscaras caem e, ao final, se saberá que são os que gostam do Brasil e os que apenas dele se servem para ficarem bonitos na fita! Esses, sim, costumam padecer do complexo de vira-lata!

Um forte abraço de seu colega mais velho e com cabeça dura, que não se deixa levar por essa onda de “combate” à corrupção sem regras de engajamento e sem respeito aos costumes da guerra.

Tradição, força, paixão e beleza fazem do Bahia um time único

bahia

Por Ronaldo Souza

Como explicar entre tantos esportes a imensa paixão pelo futebol?

Como explicar a paixão de uma torcida pelo seu time?

Por que algumas torcidas são tidas como fanáticas?

Não seriam todas?

Não, não são.

Há, de fato, entre os nossos times aqueles cujas torcidas são reconhecidas como diferentes das outras.

São mais apaixonadas.

Não entendem os que imaginam que esses times se comportam como os outros.

Não entendem porque são mais fortes.

Não entendem porque as suas conquistas são cantadas em prosa e verso.

Não entendem que a história deles está mais carregada de glórias.

E tradição.

Já postei textos que falam da força do Bahia e de um episódio em particular que, estando no Rio no período de Natal e Réveillon, ocorreu comigo.

Na antevéspera da noite de Natal meu cunhado me pegou para irmos ao shopping, coisa rápida.
Quando entrei no carro ele estava ouvindo um programa esportivo em que Papai Noel era “entrevistado” sobre o que deixaria de presente para os times de futebol.
Para o Fluminense isso, Corinthians aquilo, Flamengo aquilo outro, Santos…
E assim foi com os chamados grandes times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, até chegar no Nordeste.
Acho que fiquei meio que num misto de alegria e apreensão.
O que diria Papai Noel?
– Ho, ho, ho, ho…
Esse é Papai Noel.
– Que bom seria, meu filho, que o Bahia voltasse aos bons tempos.
Esperei pelos outros.
Não teve outros.
Papai Noel parecia ignorar a existência de outros times no Nordeste.
Lamentei (um pouco só) pelos outros, mas não vou negar que vibrei muito quando percebi que Papai Noel sabia da existência do Bahia.
Talvez seja interessante lembrar que estávamos em 2009.
Sport, Vitória e Náutico eram os times do Nordeste que estavam na série A.
O Bahia estava na série B.

Quantos times de futebol têm um filme longa-metragem sobre ele, um documentário premiado, com duração de 1 hora e 40 minutos?

O Bahia tem.

Veja o que disse um jornal em janeiro de 2013:

Lançado em 2011, o filme ‘Bahêa Minha Vida’ entrou para história. Sucesso de bilheteria, a película é a segunda mais vista entre os documentários que falam sobre clubes de futebol, perdendo apenas para Pelé Eterno, que conta a história do Rei do Futebol. De acordo com dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), 74.857 pessoas viram o filme tricolor nas telonas. A arrecadação foi de R$ 597.579,00.

‘Bahêa Minha Vida’ deixou para trás produções de clubes como Corinthians, São Paulo, Internacional e Santos. O filme fala sobre a paixão da torcida tricolor pelo clube. Dirigido por Márcio Cavalcante, tem 100 minutos de duração. Foram 120 entrevistados, entre jornalistas, jogadores, comentaristas, árbitros, artistas e torcedores. Tudo isso em sete cidades percorridas. Não há narração. Tudo é contado por quem viveu e vive o Bahia.

E o seu hino?

Sensacional!

Incorporado ao dia-a-dia da Bahia, é tocado em festas de aniversário, casamento e batizado.

Qual o carnaval da Bahia em que não se toca o hino do Bahia incontáveis vezes?

Quantos cantores já o gravaram?

A força do seu hino é reconhecida e a sua tradição o faz ganhar cada vez mais força, traduzida na capacidade de fazer a torcida jogar com o time como outras não conseguem.

Força que só cresce e faz aumentar a paixão.

Mas é quando à tradição, força e paixão incorporam-se a sensibilidade, a beleza e a leveza que a alma do torcedor é tocada.

Se a força do hino faz explodir o coração tricolor e agigantar-se a torcida, é a sua beleza que nos aquece a alma.

Fogo, paixão, beleza e leveza fazem com que o hino do Bahia seja único.

E finalmente, a torcida do Bahia é um capítulo à parte.

A Torcida de Ouro, assim eleita em 2010 pela CBF, é respeitada em todo o país.

Eterno líder de público ao longo dos anos, o Bahia conseguiu a façanha de ter 25.121 torcedores como média de público na série C que disputou em 2006, a maior em todas as séries.

Até hoje inigualável.

A torcida do Bahia dispensa comentários.

Como disse uma vez o jornalista Juca Kfouri, no programa Linha de Passe da ESPN:

“Se há algo que deve ser levado a sério nesse país é a torcida do Bahia”

O Bahia é um time único.

O poder da Vênus platinada – Plim, plim

globo-presidente

Por Ronaldo Souza

– Professor, o senhor não vai vestir preto também não?

Fiquei sem entender.

O aluno então me contou que a Globo tinha feito uma convocação para que naquele dia todos saíssem de preto.

Somente aí percebi que alunos e alunas que fazem do branco a sua indumentária do dia-a-dia usavam blusas pretas por baixo daquelas roupas brancas, das quais, no meio do dia, se livraram para fazer selfies.

Soube então que professores e profissionais liberais, que também fazem do branco a sua roupa de trabalho, também estavam de luto.

Meu Deus, que tristeza!

Parecia uma espécie de auto velório.

Era a Globo lançando mais um balão de ensaio, medindo a temperatura daqueles segmentos mais letrados e confirmando:

Estavam no ponto.

Durante aquele dia soube que várias pessoas usaram preto.

Os Eremildos (expressão criada por Elio Gaspari) já foram identificados há muito tempo e não há quem melhor tire proveito disso que a Globo.

Já tive oportunidade de escrever sobre isso algumas vezes e uma delas foi há seis anos, quando falei que William Bonner considerava o telespectador da Globo, particularmente o do Jornal Nacional, um Homer Simpson. Isso foi dito em uma reunião de preparação do referido jornal, na presença de testemunhas seletas; professores de Comunicação (veja aqui The Simpsons).

A mais recente demonstração desse poder foi nas últimas manifestações nas Avs. Paulistas.

Mais uma vez a Globo os conduziu, inocentes e puros, pela Av. Paulista de São Paulo e pelas Avs. Paulistas do Brasil (em Salvador o Farol da Barra, Recife a praia de Boa Viagem, no Rio a Av. Atlântica…).

Os milhares de Cunha, Aécio, Temer, Geddel, Romero Jucá, Renan Calheiros, Serra, Alckmin, Padilha que foram às ruas foram “orientados” a não tocar em Temer.

Quem era o alvo?

Renan Calheiros.

Os Eremildos, que, por razões semelhantes às de Cunha há muito tempo não batiam em Renan, foram autorizados pela Globo a bater.

E lá se foram eles, fantasiados de autênticos brasileiros, com a camisa amarela da CBF, enrolados na Bandeira do Brasil, para as Avs. Paulistas com as faixas de Fora Renan.

Quando a Globo se tocou que entre outras coisas sem Renan ia ser difícil aprovar as medidas protetoras do povo brasileiro – PEC 55 e Reforma da Previdência, já aprovadas – voltou atrás e Renan Calheiros não só permaneceu no cargo de presidente do Senado como está aprovando tudo em tempo recorde, como por exemplo o orçamento do governo para 2017.

Claro, tudo sob a legalidade conferida pelo STF, o Supremo Tribunal da Farsa.

Os Eremildos voltaram a ser todos Renan. Como já tinham sido Cunha.

Imagino como devem se sentir envaidecidos os profissionais liberais, professores, executivos, por fazerem parte dessa nata com tantas pessoas diferenciadas, sob o comando da Vênus platinada.

Veja o tamanho deles segundo o marqueteiro que fez João Dória Jr. ser eleito prefeito de São Paulo.

Marqueteiro de Doria diz que gestão Haddad foi das melhores de SP e que forjou imagem de trabalhador de seu cliente

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Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

“O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado”, escreveu Machado de Assis.

Sheilinha Couto fez um relato interessante em sua conta no Google + sobre as eleições para prefeito de São Paulo. O título do texto é “Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político”.

Ei-lo:

Verdades incontestáveis…

Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político?

Por Sheilinha Couto

Ontem à noite rolou uma palestra sobre marketing político na Semana de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP. Estavam presentes os profissionais que coordenaram as campanhas de Marta, Russomanno, Haddad e Dória.

O destaque da noite, no entanto, foi Luiz Flávio Guimarães, responsável pela campanha de Dória. Segundo ele, foi relativamente fácil conduzir a campanha, principalmente pela capacidade de se moldar o pensamento da massa acrítica paulistana.

Luiz disse que a gestão Haddad foi uma das melhores que a Prefeitura já teve, que boa parte das políticas feitas pelo prefeito fazem parte de outras realidades, como as europeias, e que talvez façam sentido em São Paulo só em 2050.

O modo de reorganizar o trânsito, por exemplo, humanizando-o e dando maior fluidez não faz parte da cultura paulistana, acostumada ao caos, ao transporte individual e às altas velocidades que matam diversas pessoas diariamente. Logo, realizar mudanças de paradigmas sem a devida comunicação de massa gera um choque cultural na cidade, facilitando ataques e jargões como a “indústria da multa”.

O comunicador apontou, também, o ódio ao PT que cega as pessoas. Para ele, os veículos de comunicação falam mal do PT durante a manhã, a tarde e a noite. Isso acaba por gerar um desconforto no imaginário da população, fazendo com que suas convicções as ceguem. Logo, não importa se Haddad tenha sido um ótimo prefeito, pois o ódio ao partido falará mais alto na hora da escolha.

Outro ponto importante foi a imagem de João Dória que eles conseguiram construir. Luiz disse que a imagem de um empresário é muito impopular. O fato de Dória ter nascido em berço de ouro e seu patrimônio ser fruto de heranças não é algo que geraria uma identificação na massa.

Logo, era necessário enaltecer os pontos positivos e contornar os pontos negativos: “vamos dizer que ele é um sujeito bem sucedido (afinal ele é rico) e vamos passar a imagem de que ele cresceu a partir de seu trabalho – JOÃO TRABALHADOR”.

Assim, toda classe trabalhadora, seja da periferia ou do centro expandido, acabou por se identificar com o perfil de um trabalhador que empreendeu e subiu na vida.

Poderia destacar diversas outras falas que comprovam o quanto a alienação está presente nos discursos anti-petistas e anti-esquerda. Mas daria um textão maior ainda. Concluo com a necessidade de conscientizar a população, de modo a quebrar tabus e dogmas, fomentando as discussões saudáveis porém bem posicionadas e esclarecedoras, ainda mais num momento de retrocesso político com projetos como a Escola Sem Partido.

Obs: Luiz também já trabalhou na campanha de Lula (1989) e coordenou a de Marina Silva (2014), rs.

Conclusão 1: o paulistano tinha um grande prefeito e o substituiu por uma fraude.

Conclusão 2: não é preciso bola de cristal para saber no que isso vai dar.

Pergunta que não quer calar: como é que um sujeito como Luiz Flávio Guimarães consegue dormir?