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A Globo se desmoraliza mais e mais a cada instante

Golpe do PIG

A Globo sabe que está desmoralizada, mas para ela não vem ao caso.

Sabe muito bem para qual arquibancada joga.

Pesquisadora da Fiocruz dá um passa-moleque na Globo

Conversa Afiada  republica surra que o Globo tomou de uma pesquisadora da Fiocruz sobre “notícia” da falência do SUS no Rio.

É uma surra histórica, que demonstra a irresponsabilidade do “jornalismo” da Globo.

A pesquisadora foi gentil, e se ofereceu para responder um e-mail que a Globo queira enviar com suas dúvidas.

Como a Luiza Trajano fez quando desmoralizou aquele que, na GloboNews, chama nordestino de “bovino”.

É que a pesquisadora deve ser uma pessoa bem educada.

Se não fosse, se referiria ao chefe (sic) da redação do Globo como Ascanio Semleme, que é como se referem a ele nos corredores. (O nome é Seleme, aquele todo de preto, que deu o Prêmio da Diferença ao Moro…)

RESPOSTA ENVIADA PELA PESQUISADORA DA FIOCRUZ LIGIA GIOVANELLA AO REPÓRTER DO JORNAL ‘O GLOBO’, AUTOR DA MATÉRIA ‘RIO TEM MAIOR TAXA DE MORTALIDADE NO SUS EM TRÊS DÉCADAS’

Prezado Eduardo,

Hoje no café da manhã ao ver as manchetes de capa e ler a reportagem da página 4 do jornal o Globo que vc redigiu, fiquei muito surpresa com a incompreensão de dados estatísticos simples como a taxa de mortalidade por grandes grupos de causas. Escrevo para que vc entender melhor os dados que tentou difundir e emplacou como manchete de capa, e possa melhorar em próximas análises. Eu não sou especialista neste tema, não sou epidemiologista, mas este é um conhecimento básico de saúde pública.

1.Em primeiro lugar: é impossível afirmar que 12,76 / 100 mil hab de mortes por causa mal definidas correspondem à maioria dos óbitos como vc afirma três vezes – inclusive no título da matéria na página 4. Somente podemos escrever maioria quando nos referimos a uma proporção maior de 50%. Neste caso vc poderia ter dito a maior taxa com 12,76 mortes por cem mil hab (caso fosse correta). Estranhei imediatamente ao ler a manchete pois sei que as mortes por causas mal definidas tem diminuído no país. Desculpe o tom professoral mas sou mesmo professora e estou acostumada a corrigir dissertações de mestrado e doutorado. Veja por exemplo, os dados de mortes para 2013 no estado do RJ: em 2013 morreram 130.032 pessoas no ERJ, destas mortes 7.088 foram pelo Capítulo XVIII Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte; o que corresponde a 5,5% das mortes. A principal causa são mortes por doenças do aparelho circulatório, Cap IX, com 38.172, o que corresponde a 29,4% dos óbitos em 2013 no ERJ. Assim é errado afirmar que a maioria dos óbitos não teve diagnóstico (como aparece no título/manchete p 4): somente 5,5% não teve diagnóstico claro…. bem longe de ser maioria! http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def

Veja outro exemplo: em 2011 a taxa de mortalidade específica no ERJ para doenças do aparelho circulatório foi de 229 mortes por cem mil habitantes: 17 vezes maior do que a taxa que vc refere para causas mal definidas! http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2012/c08.def

2.Em segundo lugar, e mais grave, é o desconhecimento de que não se tratam de “mortes no SUS” (afirmado em duas manchetes, ou pior ainda “pelo SUS” como afirmado mais adiante). As estatísticas se referem a todas as mortes do país/estado – a fonte são todos os atestados de óbitos do país/estado colhidos nos cartórios – não são mortes nas emergências dos hospitais do SUS como vc dá a entender no terceiro parágrafo da primeira coluna da p. 4.

3.Está correto dizer mortes registradas no país ou no estado pelo Datasus ou pelo SUS, uma vez que se trata de um órgão do Ministério da Saúde – o que está incorreto é afirmar que são mortes no SUS ou pelo SUS – induzindo o/a leitor/a a concluir que o SUS mata! Que os serviços do SUS do ERJ são os piores do país etc, etc…

4.Vc acredita mesmo que a população do Maranhão tem melhor condição de saúde do que a do Rio de Janeiro? Ou melhores serviços de saúde do que o RJ? Certamente vc sabe que é um dos estados mais pobres do país. Não ficaste intrigado? Neste caso de comparação entre estados deveria utilizar a taxa padronizada (como aparece nos indicadores e dados básicos IDB até 2012) ou se poderia talvez utilizar taxas por faixa etária o que permitiria uma comparação.

5.Quem calculou a taxa de mortalidade? Ela foi padronizada? qual a população? Em geral não se comparam taxas brutas de mortalidade pois a estrutura etária influencia sobremaneira os resultados. Uma população mais velha apresenta evidentemente taxas mais elevadas de mortalidade.

6.Veja que as observações da professora entrevistada assim como dos órgãos públicos se referem à evolução da mortalidade e suas causas em geral, e, não a mortes do SUS, pois este tipo de indicador não existe. O que se calcula são taxas de mortalidade hospitalar, por exemplo.

A informação jornalística clara e transparente é um elemento crucial para a democracia. Todos nós estamos preocupados em melhorar a qualidade de serviços no SUS para que se torne efetivamente um serviço nacional de saúde público, universal de qualidade garantindo o direito cidadão de acesso aos serviços de saúde de qualidade. Boas reportagens podem contribuir para isto.

Se vc quiser pode me enviar o texto de onde vc coletou os dados e me ligar p gente compreender melhor o que aconteceu. Também posso sugerir especialistas p vc entrevistar.

Cordialmente
Ligia Giovanella

Pesquisadora titular

Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz

Escola Nacional de Saúde Pública / Fundação Oswaldo Cruz

A Globo cospe no nosso acarajé

 Globo e acarajé

Por Ronaldo Souza

Nada melhor do que um acarajé quentinho com pimenta e vatapá.

Como tira gosto, cortado em pequenos pedaços, com a pimenta e o vatapá do lado e uma cerveja bem gelada é o manjar dos deuses.

De dar água na boca.

Pelo menos aos baianos.

Para muitos deles, entretanto, o acarajé não é uma simples iguaria, vai muito além disso.

Se para muitos comer um acarajé representa um momento de puro prazer, para outros não é só isso. Há sentimentos maiores por trás desse patrimônio da Bahia.

A Bahia, tão rica em artes de um modo geral e no seu folclore, possui manifestações de grande riqueza e diversidade e todas elas guardam em si profundas ligações com o que há de mais sagrado nas pessoas; a religiosidade e a fé.

Dessa grande riqueza fazem parte hábitos e costumes que vieram da África e aqui encontraram o terreno mais próprio e fértil para se estabelecerem.

A Bahia é o maior pedaço da África fora daquele continente.

Isso a torna uma terra única.

É daí que vem, entre outras coisas, a nossa força musical, o nosso talento para as artes.

Por essas razões não posso deixar de lançar o meu protesto à matéria de capa da revista Época (Globo).

Ainda que a insensatez tenha se tornado uma das maiores características da Rede Globo nos últimos tempos, há de se ter um limite.

A Globo jamais poderia fazer qualquer tipo de associação entre o patrimônio cultural de um estado e seu povo e a sujeira que se vê em diversos segmentos sociais e políticos do país, entre os quais se encontram alguns dos órgãos de comunicação, com relevante participação dela própria, Globo.

A Bahia foi desrespeitada.

O seu povo foi tremendamente insultado, particularmente os descendentes mais diretos dos povos africanos, que cultuam seus hábitos religiosos.

Para estes, o acarajé não é somente uma iguaria, um quitute.

Ele faz parte do ritual de homenagens à Iansã.

Não importam os motivos que levaram a maior rede de comunicação do Brasil a cometer tamanho desatino

A necessidade de armar um grande circo  para alcançar os seus objetivos, sejam eles quais forem, não dá a quem quer que seja o direito de agir de forma tão desrespeitosa com um povo.

Nem mesmo à Globo, que não pode se colocar acima do bem e do mal porque lhe faltam os mínimos predicados para isso.

A Bahia repudia esse lamentável episódio, que em nada a diminui e ao seu povo, mas ratifica o absoluto descompromisso e desprezo da Globo por um estado, um país e seu povo.

Os caminhos tortuosos do direito torto

Triplex da Globo 30

Por Ronaldo Souza

Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas.

Deixemos de lado a discussão sobre a existência de Deus.

Existindo, mesmo Ele poderia fazer o que quisesse ou o que quiser da vida das pessoas para atingir objetivos?

Vamos um pouco além.

Teria sido dado ao homem esse direito divino?

Há uma pequena história que já ouvi algumas vezes, inclusive por médicos amigos.

Um deles, particular amigo e grande médico, que eu diria dono de inteligência e capacidade de reflexão um pouco acima da média, reportou-se novamente a ela há pouco tempo.

Em uma conversa entre um engenheiro, advogado e médico, cada um falando das virtudes que os aproximavam de Deus, quando o advogado (aqui representando os homens da Justiça de um modo geral) em uma escala ascendente na descrição das qualidades que já o deixavam próximo de Jesus Cristo, teve por parte do médico uma reação de contestação e então pairou a certeza de que ali havia um Deus:

– Você está louco cara? Achar que é Jesus Cristo! Onde já se viu isso? Eu não tenho filho na sua idade.

O momento atual, entretanto, mostra que a Divindade de Deus tem novo dono.

Triple X

A operação Triple X, na sua ofensiva arrogante e tripudiante, já caracterizava a ação direta sobre o famoso tríplex de Lula.

Foram com muita sede ao pote e chegaram a lavadores internacionais de dinheiro. Pronto, estavam pertos de comprovar o envolvimento do ex-presidente com a OAS e com algo mais pesado ainda; lavagem de dinheiro.

Deixe-me esclarecer uma coisa. Quando falo de ex-presidente é claro que estou me referindo a Lula, jamais a Fernando Henrique Cardoso.

Este é o mais puro dos nossos ex-presidentes. Nada o atinge. Honestidade, dignidade e coragem, muita coragem, são virtudes que somente nele podem ser observadas.

Tratava-se da Mossack Fonseca, “empresa” de lavagem de dinheiro, grupo do Panamá com mais de 40 escritórios espalhados pelo mundo.

Os “caras” encontrados nas investigações do triplex de Lula que não é de Lula fazem parte da Mossack Fonseca.

Ali, a certeza; vamos pegar o ex-presidente. O Lula, que fique bem claro.

Os caras, tutti buona gente, foram presos.

Você já ouviu falar que a pressa é inimiga da perfeição?

Meu Deus, deram uma mancada daquelas.

Bateram de frente com a maior muralha que separa o bem do mal (aberto a interpretações) do Brasil.

Apareceu uma pontinha pequenininha, um fiozinho mixuruca, que alguns chamam de “fio da meada”, e alguém fez a besteira de puxar.

Quando puxou, começou a aparecer coisa.

Inicialmente apareceu um… triplex, um verdadeiro Triple X, ilegalmente construído em área de preservação ambiental, cujas imagens você vê lá em cima e com alguns detalhes no vídeo abaixo.

O triplex é dos Marinho, donos da Globo.

Ocorre que os documentos estão em nome da Agropecuária Veine Patrimonial Ltda, empresa domiciliada no exterior, conforme mostra o jornalista Fernando Brito em O Tijolaço aqui empresa “dona” da casa dos Marinho foi criada pela Mossack, que é investigada no Guarujá e como você pode ver nos documentos abaixo.

Triplex da Globo 7

Triplex da Globo 8

Depois apareceu um helicóptero.

Helicóptero da Globo

E mais uma vez O Tijolaço vem fazendo várias matérias, uma das quais essa helicóptero dos Marinho era registrado pela agropecuária dona da mansão em Paraty

Tudo da… adivinhe!

Segundo alguns jornalistas independentes e livres (não são muitos, mas ainda existem), os tutti buona gente têm ligações com a… Globo.

A mansão Triple X é da Globo.

O helicóptero é da Globo.

Mas está tudo em nome da… Mossack Fonseca.

A coisa complicou.

Ficou feia.

Diante de tanta podridão que apareceu, sobrou para todo mundo.

Mesmo sabendo que o juiz Moro e a Lava jato jogam duro com os corruptos, você não é capaz de imaginar o que aconteceu com os “caras”!

Foram soltos.

Simples assim.

Não, você não leu errado e não há erro de digitação.

Foram soltos.

Sabe quem mandou soltar?

Uma dica.

Foi aquele juiz, aquele, que diz que vai acabar a corrupção no Brasil.

O que só veste roupas escuras.

Ele mesmo.

Você está aí estupefato!!!

Queria o que?

Que ele investigasse a Globo???!!!

Acarajé

Há cerca de 1 ano e meio tenho um ritual.

Toda sexta-feira, quando chego do trabalho ou da caminhada (quando estou de folga), tomo um banho, ponho bermuda, blusa e sandália e vou comer acarajé e tomar uma cervejinha. Logo depois chegam a minha mulher e a nossa filha mais velha. Dificilmente a mais nova vai, é o horário em que ela está se arrumando para sair com a turma dela.

Poucos momentos me deixam tão bem como aquelas cerca de 2 horas a 2 horas e meia que passo naquela barraca.

Minha mulher, minha filha e a descontração do mundo.

Maravilha.

Quantos rituais devem existir por aí?

Inúmeros.

Se há alguns que são puro prazer, outros não. Envolvem coisas importantes, até sagradas.

A fé, por exemplo. Uma coisa tão cara aos brasileiros.

A mais recente operação da Lava Jato tem o nome de Acarajé.

De saída, como defini-la?

Estupidez, desrespeito à tradição e patrimônio da Bahia e de seu povo, escárnio…?

Seria estupidez, claro, esperar do juiz Moro e sua trupe qualquer atitude de respeito por alguma coisa, muito menos que dali viesse qualquer gesto de sensibilidade.

Mas, como dizem os mais experientes e sensatos, há limite para tudo.

A Bahia foi desrespeitada. O seu povo foi tremendamente aviltado pelos intocáveis, particularmente os descendentes mais diretos dos povos africanos, que cultuam seus hábitos religiosos e sabem que o acarajé não é somente uma iguaria, um quitute.

Ele faz parte do ritual de homenagens à Iansã.

Na sua cavalgada em direção ao Olimpo, o Dr. Moro realmente atropela os princípios mais elementares da vida.

Dos outros.

João Santana é o marqueteiro político de maior sucesso da América Latina e estava na República Dominicana fazendo a campanha de reeleição do atual presidente.

Quando soube da inclusão do seu nome na Lava Jato, entrou em contato com a Polícia Federal do Brasil e pediu para prestar depoimento.

Ouviu como resposta do Juiz Moro, o homem das roupas escuras, que não precisava por agora. Mesmo assim Santana disse que ia comprar passagens para ele e a esposa para voltar para o Brasil e comunicou ao presidente da República Dominicana seu afastamento da campanha por essa razão.

O que fez o homem das roupas escuras?

Mandou a Interpol, polícia internacional, prendê-lo e trazer para o Brasil.

Sei que você acabou de ler, mas por segurança vou repetir.

João Santana pediu para prestar depoimento, o Juiz Moro disse que não precisava por agora, mesmo assim ele disse que ia comprar passagens para ele e a esposa para voltar para o Brasil.

Desceu algemado no Brasil.

O fato é que os homens da lei criaram caminhos próprios e sob o manto escuro das togas pairam sobre tudo e todos.

Sob os aplausos de uma sociedade doente que, ainda que não o perceba, nada mais é do que a maior vítima desse processo perverso, jogaram fora os mais elementares princípios da vida e dignidade humana.

O grande circo está armado e o espetáculo não pode parar

A vida muitas vezes inverte determinados valores.

Há sim Deuses entre nós.

Deuses que, em sociedades com elevados níveis de fragilidade mental/intelectual e carência emocional/afetiva, desvirtuam o papel dos Deuses.

Fico imaginando.

Que tipo de sensação devem ter as pessoas que se apoderam e tripudiam da vida de semelhantes?

Deve ser muito prazerosa, não acha?

Talvez estejamos precisando aprofundar o conhecimento sobre as teorias e escritos do Marquês de Sade (Donatien Alphonse François de Sade, escritor e filósofo francês), particularmente sobre o sadismo, e os de Freud, para que possamos entender melhor essas distorções psicológicas.

O conhecimento das causas da patologia ajuda a compreende-la melhor.

A compreensão das coisas costuma nos ajudar na sua aceitação e a melhor conviver com elas.

Quando as evidências não estão evidentes 6; “Zona Crítica Apical”

Por Ronaldo Souza

No texto anterior conversamos sobre a determinação do CT pelo método radiográfico e fechamos dizendo que “é impressionante como hoje o que mais se ouve são coisas assim:

Você ainda usa isso? Você ainda faz assim? Você não usa esse sistema? Você ainda usa esse cimento?”

Analisemos agora o CT sob a luz dos localizadores foraminais eletrônicos.

Vamos simplificar.

Você pega o localizador, vai penetrando no canal e acompanhando os sinais visuais e sonoros que vão se intensificando e quando o instrumento alcança o forame apical emite o sinal contínuo.

O que se faz então?

Agora, depois de eletronicamente localizar o forame apical, recua-se para “dentro” do canal.

Confiando na exatidão do seu localizador foraminal eletrônico, você irá recuar 0,5 ou 1 ou 1,5 ou 2 mm?

Quanto você recua?

E o seu colega que fez a especialização em outro curso, com outro grupo, quanto ele recuaria?

E o seu outro colega que fazia “assim”, mas assistiu a um curso fantástico de endodontia num congresso que só tinha fera e passou a fazer “assado”?

O que é limite CDC? O ponto de encontro do cemento-dentina-canal.

A figura 1 é do trabalho de Ponce e Vilar Fernández no Journal of Endodontics de março de 2003. Editei-a para que pudéssemos acompanhar e entender melhor essa questão.

Nas figuras 1 A, B e C, as setas apontam para os diferentes pontos onde se encontram a dentina e o cemento numa mesma raiz.

Limite apical 1

Se temos pontos diferentes onde ocorre esse encontro, existe limite CDC ou existem limites CDC?

Vamos juntos?

Não existe limite CDC. Existem limites CDC.

Perceba em 1 A que a linha vermelha contínua estabelece o vértice radicular apical em uma face da raiz. A lima posicionada no forame apical e registrada pelo seu localizador estaria naquele nível. É possível que se você a recuar cerca de 0,5 mm ou até um pouco mais ela atinja a linha vermelha descontínua, que estabelece o final da raiz em outra face, no lado oposto.

Isso significa que o seu instrumento ainda estará no canal cementário em uma face do canal e fora dele na outra.

Se você radiografar, a lima aparecerá como se estivesse dentro do canal, mas na verdade sabemos que estará fora. Na figura abaixo pode-se observar uma imagem próxima à descrita.

Limite apical 2

Como o localizador lhe “dirá” essas medidas?

Voltando à figura 1, em B pode-se observar a grande diferença na extensão da parede cementária de um lado em relação ao outro.

E na figura 1 C, qual será o CT, 1,5 mm ou 2,1 mm?

Como definir isso com a radiografia ou com o localizador?

Ensina-se que o limite CDC é o comprimento de trabalho (CT). Você se imagina capaz de identifica-lo nas condições expostas aqui?

Clinicamente, você saberia onde estão um e outro, canais dentinário e cementário?

Diante da imagem radiográfica na figura 3 A, muitos ensinam recuar 0,5 ou até mesmo 1,0 mm, não mais do que isso.

Digamos que você faça isso, use o localizador foraminal e ele acuse como se ainda estivesse fora do canal. Tendo essa imagem radiográfica, você “obedeceria” ao localizador e recuaria 2 mm ou até mesmo mais, ou confiaria mais na radiografia e recuaria somente 0,5 mm?

Você imaginaria que a verdadeira situação é a da figura 3 B e que alguns casos podem exigir recuos ainda maiores?

Limite apical 3

Tendo uma radiografia como a da figura 4 A abaixo, que sugere estarmos mais de 1 mm aquém do ápice radicular, você recuaria mais para determinar o CT?

Permita-me arriscar uma opinião.

Acho que sem margem de erro posso assegurar que não. Você não recuaria.

Limite apical 4

Alguns até avançariam pelo menos mais 0,5 mm.

Você teria como saber que existe uma reabsorção tão acentuada, como mostra a figura 4 B e que teria que recuar bem mais?

Se você for alguém que acompanha um pouco mais de perto a literatura endodôntica saberá que diante de lesão periapical haverá grandes possibilidades de existência de reabsorções apicais.

Mas, teria alguma informação sobre qual é a extensão da reabsorção?

Você aceitaria ficar a cerca de 3 mm aquém em um caso com lesão periapical? O localizador foraminal lhe “avisaria” que existe uma reabsorção, a extensão dela e que, portanto, teria que recuar bem mais ainda ou você ficaria “perdido” quando ele lhe dissesse que, mesmo recuando mais, ainda está fora?

Considerações de ordem prática sobre o limite apical de trabalho

Para começar a fechar o texto de hoje, vamos mais uma vez fazer uma caminhada juntos.

Ensina-se ainda hoje que você tem que colocar mais 1 mm,  mais 2 mm, tem que recuar 0,5 mm, tem que alargar até a lima X…

Se você adotar a Endodontia que trabalha não em cima de números, como é ensinada, mas com o conhecimento dos tecidos com os quais lida no dia-a-dia, como eles são, como reagem, não tenho nenhuma dúvida, vou repetir, não  tenho nenhuma dúvida, de que vai aumentar seus percentuais de sucesso.

Asseguro isso a você.

Mas, poderá ter alguns problemas.

Vamos lá.

Digamos que você esteja seguro do que faz. Preparou bem o canal, fez a instrumentação do canal cementário (não estou falando de ampliação foraminal pura e simplesmente, isso é bobagem), obturou um pouco aquém dos limites clássicos estabelecidos pela “mídia” endodôntica e sabe porque precisou fazer isso. Ótimo.

A sua radiografia final vai mostrar uma obturação aquém dos limites convencionais, uma “obturação curta”, como alguns chamarão.

O seu protesista não vai aceitar.

O perito do seu convênio não vai aceitar.

Isso, não há como negar, é um problema.

Lembre.

Somos todos dentistas, endodontistas ou não.

E todos aprendemos que tem que ser assim, tem que ser assado, tem que colocar mais 1…

Assunto para outra hora.

Este texto continua

Circos e palhaços da minha infância

Circo

Por Ronaldo Souza

– Hoje tem espetáculo?

– Tem sim senhor.

– E o palhaço o que é?

– Ladrão de mulher.

Quantas vezes corri pelas ruas de minha querida Juazeiro (BA) atrás da felicidade.

Ela que acabara de chegar mais uma vez através do circo, com seus carros desfilando pelas ruas da minha infância a anunciar:

– Senhoras e senhores, não percam os maiores artistas da terra no maior espetáculo do mundo.

E em desfile pelas ruas, alguns dos artistas se mostravam atraentes, alegres, sedutores, com todo poder de sedução do qual eles próprios não tinham nenhuma dúvida

A imaginação ia bem mais longe do que o homem que anunciava as maravilhas poderia supor.

Além do que a realidade poderia supor.

Adulto, quando levava as minhas filhas ao circo elas riam mais de mim do que dos palhaços.

É que eles já não tinham a mesma graça e elas não riam tanto.

Eu, morria de rir.

Era a infância ainda querendo morar no adulto, mesmo percebendo que a morada já não era a mesma.

E elas rindo porque me viam achando graça daquilo tudo.

Os circos e os palhaços desapareceram da minha vida.

E sem eles ela não é a mesma.

O mundo foi ficando chato, sem graça.

Vi então armarem-se outros circos e surgir outros palhaços.

Sem nenhuma graça.

Sem nenhum charme, não seduzem.

Circos que se armam a todo instante.

Palhaços que não fazem rir.

Sim, eu sei. Já tinha aprendido que os palhaços não são sempre alegres, não vivem com um sorriso no rosto o tempo todo.

Já sabia que por trás daquele sorriso pintado nem sempre havia um de verdade.

Mas não é isso.

São palhaços realmente diferentes.

Os donos do grande circo lhes deram outra tarefa.

O espetáculo não pode parar.

O grande circo se transformou em espetáculo de movimentos esquisitos e ganhou a amizade e proteção da mídia.

A televisão, particularmente, tornou-se poderosa aliada e mantenedora do grande circo e seus malabaristas.

Palhaços cujo show tira a alegria das famílias.

Dos pais.

Que já não veem seus filhos rindo como antes.

Eles, os palhaços, já não vestem as mesmas roupas alegres, coloridas, cheias de vida.

Estranho o modo como se vestem.

Cores escuras, mortas, sem vida.

Como se fossem coveiros.

É isso.

São palhaços coveiros.

Circo armado, espetáculo sem fim, da pior qualidade.

Ilusionistas, equilibristas, malabaristas, trapezistas que precisam de uma rede para lhes proteger, homens que brincam com fogo, que fazem o show somente para os portadores dos bilhetes mais caros e ocupantes dos melhores lugares, de onde chegam os presentes e as homenagens.

Os palhaços coveiros não conseguem arrancar um único sorriso, mas agradam.

Nesse circo não são os sorrisos que contam.

Vai-se o pão.

O circo continua.

A fome só será sentida depois.

De olhos abertos

Bahia, FBF e Cbf

Por Ronaldo Souza

Você já ouviu falar de armação em futebol?

Já ouviu falar de jogos que têm resultados modificados por árbitros que controlam e conduzem os jogos como querem?

Já ouviu falar de federações que têm interesse que determinado time seja campeão ou que dificultem que aquele outro seja?

Não?

Perfeito.

Ainda bem que você não ouviu, porque isso não existe, não é mesmo?

Vamos então falar de futebol sério.

Aquele que se ganha em campo sem interferências externas.

Mas, antes, vamos fazer algumas considerações de maneira simples, clara e objetiva.

Você sabe que a Globo manda no futebol brasileiro desde tempos remotos e que a sua preferência é por times como Corinthians e Flamengo.

Para abreviar a conversa, para não falarmos do que ela faz com os torcedores, como jogos às 22:00, vários times brasileiros importantes são esnobados pela Globo.

Não precisa dizer que os do Nordeste são simplesmente desprezados.

Sabe que na disputa com a Record há cerca de 2 anos ela jogou pesado. Fez uma jogada com os presidentes dos clubes brasileiros e mais uma vez ganhou os direitos de transmissão de 2016 a 2018.

Sabe que o grupo Esporte Interativo agora está querendo adquirir os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro por 5 anos, de 2019 a 2024.

Esse grupo pertence à Turner América Latina, representante nas Américas do Sul, Central e Caribe da Time Warner, gigante norte-americana que controla canais de produção e distribuição de conteúdo televisivo como a Warner Bros e a HBO.

Ocorre que esse grupo já está em negociação com alguns clubes e que em média o valor a ser pago será em torno de nove vezes mais do que paga a Globo.

É claro que times com maior potencial deverão ter contratos melhores, mas a proposta inclui condições mais iguais entre todos e não disparatadas como ocorre atualmente.

Os clubes em negociação com o Esporte Interativo estão falando abertamente que estão preocupados com retaliações que a Globo poderá fazer e que já começa a emitir sinais claros nesse sentido.

Teremos oportunidade de entrar em maiores detalhes sobre esse tema, mas vamos fechar essa conversa por agora.

Um dos clubes à frente das negociações é o Bahia.

Você está vendo as dificuldades que o Bahia está enfrentando com datas para os seus jogos.

Você acha que o problema é indisponibilidade de datas?

Existem quatro datas disponíveis, mas a CBF alegou que estaria abrindo precedentes perigosos.

Devemos imaginar então que é a primeira vez que um time brasileiro vai jogar fora do país e a tabela não é remanejada porque todos sabem a importância desses jogos?

O Bahia disse que a Globo não tinha feito nenhuma objeção ao seu jogo nos Estados Unidos e que portanto poderia ser retaliação da CBF.

É para rir?

Desde quando ela, CBF, faz alguma coisa sem autorização da Globo?

Vamos então falar de futebol sério?

Aquele que se ganha em campo sem interferências externas?

Você viu o jogo Colo Colo e Bahia?

Achou normal a arbitragem?

Nada de estranho?

Faltas com cartões amarelos quando nem faltas eram!

Estou exagerando!!!

Tudo bem.

Mas faça o seguinte.

Veja os lances do pênalti (primeiro gol) e do segundo gol do Colo Colo em vídeo e também em imagens “paradas”.

O Bahia ia perder 2 pontos com o empate na prorrogação, mas ainda bem que fez o terceiro gol logo em seguida.

Será que tem alguém que não quer que o Bahia seja tricampeão?

Você acha possível?

Há um ditado em espanhol muito interessante, mas vou falar em português.

“Não creio em bruxas, mas que elas existem, existem”!

Se eu fosse o Bahia ficava de olhos bem abertos.

De vez em quando essas bruxas gostam de aprontar.

O alvo de Moro sempre foi Lula, além de Dilma

Por Ronaldo Souza

Não dá para imaginar que alguém ainda pensasse diferente.

Apesar das insistentes (até demais) declarações dos membros da Lava Jato no sentido contrário, o comando e as ações desde o início estiveram voltados para depor Dilma e dar posse a Aécio.

O alvo maior, no entanto, sempre foi destruir a imagem de Lula.

A perseguição é implacável e asquerosa.

Como diz a atriz Eva Wilma:

“O que estão fazendo com Lula é uma caça às bruxas”.

Não importam as provas que se acumulam contra Aécio.

Todos os inquéritos contra ele são arquivados.

Não importa o envolvimento de Fernando Henrique Cardoso, comprovado por vários documentos.

Mais que de imediato, a imprensa o tira do noticiário e tudo vai para o esquecimento.

Mesmo Eduardo Cunha consegue se manter intocável, num jogo de cena mais do que ridículo em que ministros da Justiça se deixam enlamear.

O STF não constitui exceção.

A não ser em determinados momentos, mas de forma tímida, a sociedade passivamente assiste ao circo armado por alguns dos seus mais importantes segmentos.

Que fim terá?

Conseguirão?

Independentemente do final, mídia-judiciário-MP-PF-PSDB já estão desmoralizados.

Desmoralização, entretanto, não costuma ser a preocupação dos pequenos homens.

Não lhes importa o que dirá a história.

Não vem ao caso.

Para o Palácio, agora está claro que alvo de Moro é Dilma, além de Lula

Por Tales Faria, no Fato on Line

Dilma e Moro

A 23ª fase da Operação Lava-Jato, nomeada Operação Acarajé, por ter como alvo principal o marqueteiro baiano João Santana, fez soar os alarmes entre os auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff.

Para eles, está claro agora que o juiz Sérgio Moro e os procuradores e delegados da Operação Lava-Jato trabalharam com uma estratégia de investigação, de mandados de busca e apreensão e de prisões dividida em fases para, ao final, chegar aos alvos principais, que são o ex-presidente Lula e a atual presidente da República.

Já havia causado estranheza ao Planalto o fato de Moro ter sido tão enfático, num ofício que enviou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no final do ano passado.

Naquele ofício, Moro disse que “seria talvez oportuno” que delatores do esquema de corrupção da Petrobras fossem ouvidos dentro de uma ação que investiga a eleição da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. Moro também deu como comprovado o uso de propina com recursos da estatal para realizar doações eleitorais, como acusa o PSDB na ação que apresentou contra campanha petista de 2014.

Agora, nesta 23ª fase das investigações, quando parte para cima do marqueteiro da campanha, João Santana, às vésperas do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, o gesto do juiz está sendo interpretado como uma tentativa de forçar a condenação da presidente.

Mais. O processo no TSE, junto com a divulgações de novas apurações em torno da campanha eleitoral têm potencial para incentivar movimentos de rua pró-impeachment, ainda mais com o agravamento da crise econômica. Ou seja, exatamente a grande esperança das oposições no momento.

E é isso que está levando Dilma, Lula e companhia a cada vez mais acreditar numa ação coordenada de Moro e seu auxiliares com as oposições.

Top Secret – Confidential

PSDB confidencial'

Por Ronaldo Souza

Como já foi divulgado, Margrit Dutra Schmidt é irmã da jornalista Mirian Dutra, que teve um romance de seis anos com o então senador Fernando Henrique Cardoso.

Ela é funcionária do Senado e a sua primeira nomeação foi feita pelo próprio FHC, em 27 de março de 1995, para o cargo em comissão de diretora do Departamento de Classificação Indicativa, no Ministério da Justiça.

Apesar de receber salário de assessora no Congresso há 15 anos, nunca compareceu ao trabalho.

A pedido de FHC, hoje é assessora do senador José Serra (PSDB-SP).

“Ela não comparece ao Senado porque trabalha num projeto sigiloso”.

Essa foi a resposta de Serra quando os jornalistas perguntaram sobre o fato de ela nunca comparecer ao senado.

Este é um país admirável.

Quantos países no mundo são capazes de manter um projeto no Senado em sigilo absoluto por 15 anos?

Há de se reconhecer a capacidade e dignidade dos nossos congressistas e particularmente da nossa imprensa.

Afinal, manter algo tão sigiloso só mostra a importância que isso deve ter para o país.

Num momento em que a Lava Jato, o Ministério Público e a Polícia Federal vazam diariamente informações sigilosas para a imprensa, não há como não imaginar a importância do sigilo alegado pelo nobre senador José Serra.

A minha estupefação toma proporções absurdas só por imaginar que os mesmos órgãos citados (Lava Jato, Ministério Público e Polícia Federal) passaram para os Estados Unidos informações absolutamente sigilosas e importantes sobre a Petrobras, maior empresa do Brasil e patrimônio do seu povo, e as empreiteiras que construíram o país, e se mantiveram tão cautelosos quanto ao sigiloso projeto do PSDB.

Não há como pensar de forma diferente; o futuro do Brasil está nesse sigiloso projeto do PSDB.

E nós, pobres e tolos mortais, que imaginávamos ser a Petrobras algo importante!

É tão sigiloso e fundamental esse projeto para o futuro do país, que somente agora talvez possamos entender porque uma filha do próprio FHC, que trabalhava no gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), também não precisava ir ao Congresso.

Fazia o serviço em casa.

Era mais seguro.

Sem falar no tempo que ela ganhava por não precisar se locomover até o Congresso.

“Time is money”.

E de money o PSDB entende muito.

Por tanto sigilo e inegável importância do projeto para os destinos do país, saio dele um pouco aflito para abordar um tema mais ameno e assim acalmar as coronárias.

Protegida pela imprensa amiga, que nunca se interessa por notícias que possam representar qualquer ameaça à tranquilidade do PSDB, a cunhadinha do Brasil (lembra de Regina Tenho Medo Duarte, a namoradinha do Brasil?) é assídua em outras empreitadas.

Apesar de nunca comparecer ao trabalho, nunca deixa de comparecer, e de forma veemente, às manifestações contra a corrupção, como pode ser visto na imagem em que ela carrega um daqueles cartazes típicos dos nossos heroicos guerreiros paneleiros verde-amarelados das avenidas Paulistas do Brasil.

Como os heróis de Pedro Bial no Big Brother Brazil, os heroicos guerreiros paneleiros verde-amarelados na incansável demonstração de amor na luta pelo nosso país, ao se deixarem envolver pela Bandeira Brasileira e cantar o Hino Nacional tocam o mais fundo da minha alma.

Insuperáveis.

O QUE DEU ERRADO NO CRIME PERFEITO DA DUPLA FHC E GLOBO

FHC e Roberto Marinho

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

FHC e a Globo cometeram um crime quase perfeito.

Tiraram Mírian Dutra de cena numa operação ganha-ganha. FHC ganhou a presidência. A Globo ganhou o controle sobre um presidente que reinou oito anos.

Alguém pode imaginar o que significa esse controle? Num país cujas verbas publicitárias federais são brutalmente altas, é a garantia de dinheiro fácil e farto para uma emissora.

E o acesso ao dinheiro do BNDES? Um presidente nas mãos da Globo abriria os cofres do BNDES. Mírian tocou nisso em sua entrevista ao DCM. É repulsiva a foto na qual FHC e Roberto Marinho estão abraçados na inauguração de uma supergráfica do Globo financiada pelo BNDES, no final dos anos 90.

A descarada confraternização mostrava que as duas partes estavam certas de que o crime era perfeito.

E foi – até aparecer uma coisa chamada internet.

A internet rompeu o monopólio da mídia nas informações que chegam aos brasileiros.

Não fosse isso, Mírian não teria como publicar sua história. Bater na Folha? Esqueça. Na Veja? Conte outra piada. No Estadão? Hahaha.

Mas a barreira do silêncio não vigora na internet. E uma modesta revista digital, a Brazil com Z, se incumbiu de dar voz a Mírian.

Era tão forte o que ela tinha a dizer que a mídia foi obrigada a correr atrás – com vergonhoso atraso.

O pretexto usado por mais de vinte anos para não tocar no assunto era o triunfo da hipocrisia: era uma “questão privada”.

Ora, era privada apenas porque ninguém investigou o assunto.

Quem acredita que um pacto entre um presidente e a Globo é questão privada acredita em tudo, para usar a celebrada frase de Wellington.

A Globo protegeria FHC por simpatia e amizade?

Ora, ora, ora.

A Globo vendeu caro seu apoio aos militares em plena ditadura. Num livro com os documentos de Geisel, Roberto Marinho surge a certa altura cobrando novas concessões da ditadura com o argumento de que era seu “melhor amigo” na imprensa.

No livro o que se vê é um Roberto Marinho paranoico, para o qual uma empresa que não cresce logo declina.

Se com os generais foi assim, como terá sido com um presidente fraco?

FHC viveu o bastante – 83 anos agora – para ver a lama enfim emergir e lhe roubar a possibilidade de continuar a posar como um moralista perante brasileiros ingênuos e desinformados.

Quanto à Globo, o caso mostra quanto é ruim para uma empresa ser mimada com privilégios e vantagens infames.

A Globo jamais teve que ser competente. Caiu tudo para ela no colo.

Fosse competente, continuaria a pagar o mensalão de Mírian Dutra até o final de sua vida.

É monstruoso o preço da economia de custo que algum burocrata da Globo vislumbrou com a supressão do salário de Mírian.

A Globo é uma história de muita esperteza e pouca inteligência.

Mas, como diz o provérbio, a esperteza quando é demais come o dono.

Neste caso, comeu não só a Globo como FHC.

Procura-se uma boia para FHC

FHC e Mírian Dutra 3

Por Leandro Fortes, no Brasil 247

A mídia ainda não achou um jeito de tirar Fernando Henrique Cardoso da enrascada em que a jornalista Mirian Dutra o meteu.

A tese de que a relação com a amante é uma questão de foro íntimo só faria sentido se:

1) O presidente da República e, por extensão, o Brasil, não tivessem sido feitos reféns da Rede Globo, por oito anos, sabe-se lá a que preço, para que essa amante ficasse escondida na Europa;

2) O presidente da República não tivesse se utilizado de uma empresa concessionária – a Brasif – para enviar dinheiro para o exterior, por meio de uma offshore aberta em paraíso fiscal, para o filho que ele imaginava ser dele – e que, agora se sabe, pode ser mesmo;

3) O presidente da República não tivesse se mancomunado com um editor da revista Veja para fraudar uma notícia com o objetivo de mentir ao País sobre a gravidez de Mirian Dutra;

4) O presidente da República não tivesse nomeado a irmã da amante, Margrit Dutra Schmidt, para cargo público federal, no Ministério da Justiça e, mais tarde, ter providenciado junto a um aliado, o senador José Serra (PSDB-SP), um emprego-fantasma no Senado, onde ela está há 15 anos, recebendo salário, todo mês, sem aparecer para dar expediente.

A nota da Brasif, uma explicação seca e patética montada por advogados para dizer que Mirian recebia dinheiro da empresa, mas que FHC nada tinha a ver com o caso, é uma dessas coisas que só podem ser vinculadas seriamente no Brasil, dada a indigência moral e profissional da nossa imprensa pátria.

Mirian recebia 4 mil dólares por mês para pesquisar preços – o que, aliás, ela disse que nunca fez.

Para acreditar nessa versão mambembe é preciso ser cínico em nível patológico ou uma besta quadrada completa, categorias em que se enquadram 99% dos batedores de panela e manifestantes da CBF dos domingos de histeria e ódio da Avenida Paulista – Margrit Dutra Schmidt entre eles.

Em um muxoxo particularmente hilariante, FHC acusou o golpe: acha ser “uso político” a Polícia Federal investigar essas transações de evasão fiscal feitas pela Brasif nas Ilhas Cayman, o paraíso dourado dos tucanos.

Então, está combinado.

Quando a investigação é sobre o barco de lata de dona Marisa Letícia ou sobre o número de caixas de cerveja que Lula levou para um sítio em Atibaia, é combate à corrupção.

Mas investigar remessas de dinheiro, via paraíso fiscal, feitas por uma concessionária do governo, a mando de um presidente da República, para manter uma amante de bico fechado com o apoio da TV Globo e da Veja, é uso político.

O problema central é que, antigamente, bastava silenciar e manipular o noticiário.

Hoje, com as redes sociais, como bem sabe José Serra e sua bolinha de papel atômica, é preciso muito mais do que jornalistas servis e desonestos para esconder um escândalo desse tamanho.